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1980 – Red Riding – David Peace

Um tiro. Acordei, suado e com medo. No andar de baixo, o telefone tocou, antes do amanhecer, antes do alarme. O visor LED marca cinco horas e a minha cabeça continuava cheia de assassinatos e mentiras, uma guerra nuclear: O Norte após a bomba, máquinas são os únicos sobreviventes. Saí da cama, desci as escadas e atendi o telefone. Voltei para o andar de cima e sentei-me no frio na beira da cama. Joan continuava fingindo estar dormindo. Na rádio, Yoko Ono dizia: “Não é o final de uma era. Os anos 1980 ainda serão uma época linda, e John acreditava nisso.” Depois de alguns minutos, eu disse: – Preciso ir a Whitby. – Era ele, então? – ela perguntou, o rosto ainda virado para o outro lado. – Era – respondi, pensando… Todo mundo consegue tudo o que quer. Eu dirigia sozinho, saí de Alderley Edge e atravessava os Moors, sozinho entre caminhões articulados que se arrastavam vagarosamente pela M62, o tempo inóspito e cinzento, a paisagemvazia, exceto pelos postes telefônicos. Às sete horas, a rádio fez uma pausa para as notícias: “O Estripador de Yorkshire reivindica sua vítima número treze, e a polícia confirmou que Laureen Bell, de vinte anos, foi morta por ele…” Desliguei o rádio, pensando… Assassinatos e mentiras, mentiras e assassinatos. Guerra: Quinta-feira, 11 de dezembro de 1980. Cheguei a Whitby às onze horas e estacionei na garagem de uma casa de campo, ao lado de três carros luxuosos. Havia gelo na espuma do mar, gaivotas congeladas rodopiavam logo acima da minha cabeça e o vento soprava entre centenas de conchas vazias. Toquei a campainha. Uma mulher alta de meia-idade abriu a porta. – Peter Hunter – eu me apresentei. – Entre. Entrei na casa. – Quer me dar o seu casaco? – Obrigado. – Por aqui – ela disse, atravessando o hall em direção aos fundos da casa. A mulher bateu à porta, abriu e fez um gesto para que eu entrasse.


Três homens estavam sentados num sofá e em cadeiras, com suas peles cinzentas e olhos vermelhos, em silêncio. Philip Evans levantou-se: – Peter? Que tal a viagem? – Tudo bem. – O que o senhor gostaria de beber? – perguntou a esposa dele, parada na porta. – Um café, por favor. – Só temos café instantâneo. – Prefiro – respondi. – Um diplomata, como sempre – disse Evans, sorrindo. – Todos estão bem? Os outros dois homens fizeram que sim com a cabeça e ela fechou a porta. – Vamos nos apresentar rapidamente para nos concentrarmos no que interessa – disse Philip Evans, inspetor regional da polícia de Yorkshire e do Nordeste, sorrindo. – Senhores, este é Peter Hunter, assistente-chefe da polícia da Grande Manchester. Peter, este é Sir John Reed, inspetor-chefe da polícia. – Já nos conhecemos antes – eu disse, apertando sua mão. – Há muito tempo – ele respondeu, voltando a se sentar no sofá. – Claro que sim – disse Philip Evans. – E este é Michael Warren, do Home Office. – Muito prazer – eu disse, apertando a mão magra daquele homem. Evans apontou para uma grande poltrona de braços largos. – Sente-se, Pete. Ouviu-se uma suave batida na porta, e a senhora Evans entrou com uma bandeja, deixando-a na mesinha de centro que havia entre nós. – Sirva-se de açúcar e leite – ela disse. – Obrigado. Uma pausa. Tudo o que se ouvia eram o vento e a senhora Evans conversando com um cachorro ao voltar para a cozinha. Philip Evans por fim disse: – Temos um pequeno problema. Parei de mexer o café e ergui os olhos.

– Como disse ao telefone, houve mais um assassinato. Uma enfermeira de vinte anos. Aconteceu perto da casa dela. Mais uma vez em Leeds. – Escutei na rádio – eu disse. – Nem nos deram um dia de descanso – disse Evans, suspirando. – Mas, enfim, agora chega. Michael Warren sentou-se na beira do sofá e colocou um pequeno gravador ao lado da bandeja de plástico, em cima da mesa de centro. – Agora chega – ele repetiu, ligando o gravador. Longa pausa. A fita emitiu um chiado, e depois: “Aqui é Jack. Vejo que continuam sem sorte para me pegar. Tenho muito respeito por você, George, mas, meu Deus! Vocês não estão mais perto de me alcançar agora do que estavam há quatro anos, quando tudo começou. Acho que os seus rapazes estão te decepcionando, George. Eles não devem ser muito bons, certo? “A única vez que se aproximaram de mim foi há alguns meses, em Chapeltown, quando eu estava um pouco perturbado. Porém, mesmo naquela vez, foi um policial uniformizado, não um detetive. “Em março, eu te avisei que atacaria novamente. Sinto muito não ter sido em Bradford. Sei que prometi isso, mas não consegui chegar até lá. Não tenho muita certeza de onde será o próximo ataque, mas acontecerá ainda este ano, é certo. Talvez em setembro, outubro, ou mesmo antes, se eu tiver uma oportunidade. Não tenho certeza onde, talvez em Manchester, eu gostaria que fosse lá, pois tem muitas delas vagabundeando naquela área. Elas nunca aprendem, não é, George? Sei que você as avisou, mas elas nunca escutam.” Treze segundos de chiados, e depois: “Eu a peguei em Preston, e eu fiz, não fiz, George? Aquela vaca imunda. E gozei nela.

“Pelo ritmo que sigo eu deveria estar no livro dos recordes. Acho que já são onze, certo? Vou continuar um pouco mais. Ainda não estou satisfeito. Mesmo se vocês se aproximarem, eu provavelmente me matarei primeiro. Foi bom conversar com você, George. O seu amigo, Jack, o Estripador. “Nem vale a pena procurar por impressões digitais. Você já deve saber que tudo está tinindo de limpo. Até logo. Adeus. “Espero que goste da música pegajosa do final. Haha.” Reed inclinou o corpo para a frente e desligou a fita no exato momento em que começou a tocar “Thank You for Being a Friend”. – Como vocês sabem, a gravação é de junho do ano passado – disse Warren. – Mas o que não sabem é que Whitelaw, o ministro do Home Office, aprovou imediatamente o uso da rede nacional de computadores da polícia para fazer cópias de segurança dos sistemas de veículos da região de West Yorkshire, além de ter aprovado o uso das informações de registros de nascimento e escolares para cruzar referências sobre todos os homens nascidos em Wearside desde 1920. Secretamente, ele aprovou a liberação dos registros do Departamento de Saúde e da Previdência Social para rastrear todos os homens que viveram ou trabalharam em Wearside nos últimos cinquenta anos. Até então, interrogaram duzentas mil pessoas, fizeram buscas em trinta mil casas e colheram vinte e cinco mil depoimentos, gastando quase quatro milhões de libras. – Grande parte em maldita publicidade – disse Sir John Reed. – Para acabar com o Estripador – murmurou Philip Evans. Sir John fungou. – Que plano mais idiota. Dezessete mil suspeitos. – Que plano idiota – repetiu Michael Warren, colocando outra fita no gravador e apertando o play novamente. “Sempre que o telefone toca eu fico imaginando se é ele. Se levanto no meio da noite, me pego pensando nele.

Após todo esse tempo eu sinto… eu sinto que realmente o conheço.” Olhei para Reed, para a sua pele cinzenta e seus olhos vermelhos. Ele fazia que não com a cabeça. “Se o pegarmos, provavelmente descobriremos que esteve muito tempo no seio esquerdo e pouco no direito. Porém, eu não o enxergo como se fosse o demônio. Sua voz é quase triste, é a voz de um homem cansado pelo que fez, cansado de si mesmo. Para mim, ele é uma espécie de anjo malvado numa missão equivocada e, embora nunca aprove os seus métodos, sou capaz de simpatizar com seus sentimentos.” Warren apertou o stop. – Sabem de quem é essa voz? – De George Oldman? – perguntei. Philip Evans fez que sim. – Essa voz é do assistente-chefe de polícia Oldman conversando com o Yorkshire Post na semana passada. – Ainda bem que eles nos ligaram – disse Warren. Silêncio. Na escadaria escura, perdemos o equilíbrio. – Dezesseis horas diárias, e seis, às vezes, sete dias por semana – disse Sir John Reed. – Não sei muita coisa sobre isso – comentei, dando de ombros. – O que você sabe? – Sobre o quê? – Sobre essa maldita farsa. – Não muito mais do que saiu nos jornais. – O senhor está sendo modesto, senhor Hunter. Acho que sabe muito mais coisas – disse Reed, dando uma piscadela. Comecei a falar, mas ele ergueu a mão e disse: – Eu, como grande parte dos detetives deste país, acho que o senhor acredita que West Yorkshire perdeu o foco, que essa gravação do Estripador é um embuste, que ele está rindo da gente, da polícia britânica, e acho que o senhor não quer outra coisa a não ser colocar as mãos nele. Eu o encarei e perguntei: – Então isso é uma farsa? A fita é uma farsa? Ele sorriu e olhou para Philip Evans, fazendo que sim. Seguiu-se um silêncio até Evans dizer: – Ainda hoje haverá uma coletiva de imprensa, e o chefe de polícia Angus anunciará a todos que Oldman está fora do caso. Eu não disse nada. Esperei.

– Peter Noble foi nomeado assistente-chefe de polícia temporário com uma única responsabilidade: caçar o Estripador. Mais uma vez, eu não disse nada. Esperei. Michael Warren tossiu e inclinou o corpo para a frente. – Noble é um bom homem. Continuei calado, só esperando. – Já temos ofertas de ajuda externa, perspectivas novas e tudo o mais. Por isso, Angus também anunciará a formação de um conselho de especialistas, de um Superesquadrão, caso prefira chamar assim, reunido para aconselhar a equipe de Noble – esclareceu Warren. Continuei esperando. – Esse Superesquadrão será formado por: Leonard Curtis, assistente-chefe de polícia do Vale do Tâmisa; William Meyers, coordenador nacional dos Esquadrões Regionais de Crime; comandante Donald Lincoln, suplente de Sir John; doutor Stephen Tippet, do Departamento de Medicina Legal; e você. Esperando. Sir John Reed acendeu um cigarro, soltou a fumaça e perguntou: – O que você acha agora? Engoli em seco e questionei: – Vamos dar conselhos? – Exatamente. – Durante quanto tempo? – Duas ou três semanas – respondeu Michael Warren. Reed olhava para a ponta do cigarro. – Posso ser franco? – perguntei. – Claro – respondeu Philip Evans. – Como exercício de relações públicas, será possível alcançar certo êxito na difusão de umjulgamento incontestável sobre o que o Departamento de Polícia de Yorkshire terá de enfrentar na semana seguinte. Porém, na prática, acho que seremos verdadeiramente limitados. Todos sorriram, suas peles cinzentas e seus olhos vermelhos reluziam. – Bravo – disse Sir John Reed, batendo palmas. – Nós te chamamos aqui – disse Evans, entregando-me um gordo fichário vermelho – porque gostaríamos que chefiasse uma investigação secreta do Home Office sobre esses assassinatos, trabalhando sob a supervisão do Superesquadrão. Você poderá escolher sete oficiais para trabalhar com você. Sediado em Leeds, responderá apenas a mim, aqui em Whitby. Sua missão será revisar integralmente o caso, ressaltando os pontos preocupantes, caso surja algum, e montar estratégias, percorrendo todos os caminhos possíveis. – E pegar o idiota – disse Reed, cuspindo.

Esperei, olhando para o meu prêmio. Philip Evans disse: – Alguma pergunta? Calmamente, questionei: – Por que secreta? Evans acenou com a cabeça. – O público dificilmente aceitaria duas investigações simultâneas. E os caras da West Yorkshire também não. Além disso, não queremos lavar roupa suja em público… se é que encontraremos alguma coisa. Atualmente está na moda ser moralista. Olhei ao redor da sala. – Vá em frente, pergunte – disse Sir John Reed. – Perguntar o quê, sir? – Por que eu? É isso o que você quer saber, não é? Se eu estivesse no seu lugar, seria essa a minha questão. – Certo. Por que eu? Reed acenou em direção a Michael Warren. – Em primeiro lugar, por conta do seu trabalho com a A10 – disse Warren. – E também pelo fato de ter trabalhado em investigações da polícia de West Yorkshire. – Com todo o respeito, a primeira dessas investigações acabou há mais de cinco anos e não chegou a nenhuma conclusão, além de ter feito de mim o policial mais impopular do Norte da Inglaterra. E a segunda investigação foi arquivada antes mesmo de começar. – Eric Hall – disse Evans aos outros dois homens. Olhei para a xícara de café instantâneo na mesinha à minha frente, notando a luz que se refletia emsua superfície escura. – Hunter, o Idiota, é como te chamam – disse Sir John Reed, sorrindo. Olhei para ele. – Isso te chateia? – perguntou Reed. – Não – respondi. – Então você aceita? – Claro. Obrigado. – Vou transformá-los em espiões, mesmo que não queiram – ele disse, sorrindo. – Como o general Napier – comentei.

Sir John Reed ficou sério. – Acho que você conhece a sua própria história. – Sim – respondi. – Conheço. Do lado de fora nevava. Havia sangue no meu para-brisa, uma gaivota morta no gramado. Liguei os limpadores de para-brisa e, sozinho, voltei dirigindo pela M62, sozinho entre caminhões articulados que se arrastavam vagarosamente pela estrada, o tempo inóspito, a paisagem vazia. Apenas assassinatos e mentiras, mentiras e assassinatos. “O Estripador de Yorkshire reivindica sua vítima número treze, e a polícia confirmou que Laureen Bell, de vinte anos, foi morta por ele…” Passava das oito horas quando cheguei em casa. Joan assistia a TV Eye. – Estão repetindo o Mente do Estripador – ela disse. Eu me sentei na frente da televisão, vendo aqueles rostos passando pela tela. Eu tinha 40 anos. Joan, 38. Não tínhamos filhos. Não conseguia dormir. Nunca conseguia. As minhas costas doíam, e a dor aumentava a cada dia. Sempre acordado, suado e com medo, com os olhos arregalados na escuridão, ao lado de Joan. O rádio ligado. Sempre ligado: Em greve de fome, pessoas se aproximam da morte; trinta e dois assassinatos num fim de semana em Los Angeles; Gdansk, Teerã, Cabul e o hotel Dakota; O Norte da Inglaterra… Terra sem lei. Saí da cama e desci as escadas. Podia ouvir a chuva batendo contra o vidro da janela, atrás das cortinas. Fui à cozinha, liguei o rádio e esperei a água ferver. A chuva contra o vidro, uma música no rádio: “Don’t be afraid to go to hell and back…” Abri minha pasta de documentos e peguei o fichário vermelho, o fichário vermelho que eles tinhamme dado: Assassinatos e agressões contra mulheres no Norte da Inglaterra.

A água fervia, a chaleira apitou. Todo mundo consegue tudo o que quer. Abri a porta dos fundos e saí com o chá e o fichário vermelho para o jardim escuro, sob a chuva. Contorno a lateral da garagem até a edícula que eu mesmo construíra nos fundos. Tirei a chave do bolso do meu roupão e abri a porta. Estava com frio, congelando. Entrei, tranquei a porta atrás de mim e acendi a luz. O meu espaço. Uma porta, uma lâmpada, nenhuma janela; o cheiro de terra e umidade, antigos odores e velhas luvas de jardinagem; uma grande mesa junto à parede dos fundos, dois armários cinza de metal para arquivos em cada uma das paredes laterais; entre eles, em cima da mesa, um computador e umteclado, uma televisão portátil preto e branco, um rádio de ondas curtas, um gravador de fita cassete e outro de bobina, e uma máquina de escrever. Embaixo da mesa, espalhados no chão, fios e cabos, tomadas e adaptadores, caixas de papel, pilhas de revistas e jornais, latas, jarros e potes, comcanetas, lápis e clipes. Deixei o chá em cima do fichário vermelho, num canto da mesa, acendi o aquecedor elétrico e liguei o computador. Anabasis: Os bits bastardos de umAcorn com módulos de memória da Memorex, peças piratas de Radionics e Tandy, um ZX80 ainda na caixa. A máquina coberta de fitas cassete e cola epóxi. Eu me sentei e fiquei olhando para a parede acima do Anabasis: Um mapa e doze fotografias. Cada fotografia um rosto, cada rosto uma letra e uma data, com um número na testa: Theresa Campbell: a 6-6-1975 3. Clare Strachan: b 20-11-1975 2. Joan Richards: c 6-2-1976 4. Marie Watts: d 28-5-1977 0. Rachel Johnson: e 6-7-1977 0. Janice Ryan:f 5/12-6-1977 1. Elizabeth McQueen: g 20-11-1977 2. Tracey Livingston: h 7-1-1978 3. Candy Simon: i 27-1-1978 0. Doreen Pickles: j 27-5-1978 5. Joanne Thornton: k 18-5-1979 0.

Dawn Williams: l 9-9-1979 0. Tirei o chá de cima do fichário vermelho e abri na primeira página: Sumário (Dividido por anos) 1974: Joyce Jobson, atacada em Halifax, julho de 1974. Anita Bird, atacada em Cleckheaton, agosto de 1974. 1975: Theresa Campbell, assassinada em Leeds, junho de 1975. Clare Strachan, assassinada em Preston, novembro de 1975. 1976: Joan Richards, assassinada em Leeds, fevereiro de 1976. Ka Su Pen, atacada em Bradford, outubro de 1976. 1977: Marie Watts, assassinada em Leeds, maio de 1977. Linda Clark, atacada em Bradford, junho de 1977. Rachel Johnson, assassinada em Leeds, junho de 1977. Janice Ryan, assassinada em Bradford, junho de 1977. Elizabeth McQueen, assassinada em Manchester, novembro de 1977. Kathy Kelly, atacada em Leeds, dezembro de 1977. 1978: Tracey Livingston, assassinada em Preston, janeiro de 1978. Candy Simon, assassinada em Huddersfield, janeiro de 1978. Doreen Pickles, assassinada em Manchester, maio de 1978. 1979: Joanne Thornton, assassinada em Morley, maio de 1979. Dawn Williams, assassinada em Bradford, setembro de 1979. E ele já escreveu o capítulo seguinte: 1980: Laureen Bell, assassinada em Leeds, dezembro de 1980. Meu capítulo. O último capítulo. Fechei o fichário vermelho, o fichário vermelho que eles tinham me entregado. Nada de novo. Olhei para a parede, para o mapa e para as fotografias, para as letras e datas, para os números: Sete anos, treze mulheres mortas, sete delas mães, vinte crianças órfãs. A voz de Reed ecoava no cômodo.

– O que você sabe? Minhas palavras ecoavam de volta: – Não muito mais do que saiu nos jornais. Tudo ecoava ao redor da minha cabeça, naquela edícula, naquele espaço. Meu espaço. A Sala de Guerra. Minhas obsessões: Assassinatos e mentiras, mentiras e assassinatos. Vê-los, cheirá-los, prová-los. A Sala de Guerra. Minha guerra: Crianças órfãs, mães sem filhos. Eu tinha 40 anos, Joan, 38. Não tínhamos filhos, não podíamos. Em um ponto dos Moors, com boa visibilidade, renovei o velho acordo: Eu o pego, faço com que pare de matar mães, que pare de deixar crianças órfãs, e você nos dá uma, apenas uma.

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