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360 dias de sucesso – Thalita Reboucas

Tocou flauta antes mesmo de falar. É o que contava a avó de Pedro. Depois da flauta, veio o violão; do violão, o piano; do piano, o baixo; do baixo, o que realmente o deixava feliz: a guitarra. Desde cedo diziam que o garoto era um virtuose, um multi-instrumentista “igualzinho ao Paul”, exagerava Paulão, o pai, comparando o filho a um tal de Paul McCartney, baixista dos Beatles que também é fera na arte de tocar vários instrumentos e um ícone para todo e qualquer músico. A mãe, Marisa, preferia chamá-lo de “meu Jimi Hendrix”, referindo-se a um dos maiores gênios (se não o maior) da guitarra de todos os tempos. Pais, esses seres sempre corujas. Antes mesmo que a música entrasse em sua vida, Pedro conheceu Theo, ambos ainda nas barrigas de suas mães, amigas de faculdade. Vizinhos num condomínio de endinheirados da Barra da Tijuca, os dois faziam tudo juntos: jogavam bola, andavam de skate, pegavam onda e estudavam na mesma escola. Pedro sempre gostou de tocar. Qualquer caixa de fósforos era instrumento para ele. Já Theo só começou a aprender violão com 15 anos e, nas aulas, por ter se interessado por uma colega de turma, resolveu se empenhar em cantar também. Pegou a garota e manteve-se um violonista muito do mediano, mas descobriu que cantar espantava os males, as angústias, as dúvidas sobre futuro e profissão, e ainda podia ajudar a chegar nas meninas mais difíceis. — Cantar acompanhado de viola é um ímã de mulher, Pedro! — Theo constatou logo que começou a levar um som em festinhas de amigos, munido de um banquinho e um violão. Aos 16 anos os dois amigos passavam tardes inteiras embriagando-se de música na casa do Jimi Hendrix dos trópicos. Pedro na guitarra ou na viola, Theo, que continuava aplicado e motivado nas aulas de canto e violão, soltando o gogó em covers de Red Hot Chili Peppers, Nirvana, Arctic Monkeys e System of a Down. Parecia um vício: quanto mais deixavam a música entrar, mais contato queriam ter com ela. Pedro bem que tentou ensinar novos acordes para o amigo, mas o negócio de Theo era mesmo afinar as cordas vocais. — Você é bom demais, cara! Pra tocar do seu lado tem que ser muito fera! Isso nunca vai rolar, morro de vergonha! — justificava Theo. Com o tempo, Pedro começou a cantar junto, e o resultado agradou a quem ouvia. — Está ficando boa essa brincadeira, hein? Estou gostando de ver, quero dizer, de ouvir — comentou Paulão, após ouvir uma versão da dupla dinâmica de vizinhos para “Wish You Were Here”, do Pink Floyd, o hino obrigatório de todos que aprendem a tocar violão (tão fácil que até o Theo tocava). — Sério, pai? — duvidou Pedro. — Sério! Que tal marcar um churrasco no fim de semana pra vocês fazerem uma apresentação pra gente? Theo chama os pais, a irmã, o namorado dela e quem mais quiser chegar, e o ponto alto do dia vai ser o show. Que tal? — Show? Pô, Paulão, valeu, mas, como você mesmo disse, é só uma brincadeira. — Mas por que não tentar ir além? Sua voz combina com a do Pedro e com a guitarra dele. — Mas assim? Só eu e o Theo? Não vai ficar meio dupla sertaneja? — questionou o guitarrista.


— Ah, não! Sou do rock, sertanejo universitário nem pensar! — resmungou Theo. — Até porque nem na universidade vocês estão, certo? Seria sertanejo escolar mesmo — debochou Paulão. E saiu deixando a pulga atrás da orelha do Pedro, que estava acostumado aos elogios rasgados do pai, mas daquela vez notara algo diferente. Ou talvez quisesse acreditar que seu progenitor tinha sido menos pai e mais ouvinte. O comentário do Paulão também não passou incólume por Theo, que chegou a franzir o cenho ao ouvir a palavra “show”. — Show… — pensou em voz alta. Mas logo o celular do novo cantor da praça tocou para tirá-lo do cenário montado em sua imaginação. — Oi, mãe. Tá, tô indo. Não, mãe, só mais uma e vou. Eu sei, vou estudar quando chegar. Tá… Tá bom! Já vou! — estourou ao desligar. Pedro se adiantou: — Vai lá, cara. Não adianta contrariar sua mãe. Amanhã a gente toca mais. — A prova de Física é só daqui a dois dias, e ela já quer que eu me mate de estudar, pô! Custava me dar um pouquinho de moral em alguma coisa? É só crítica, só crítica! — desabafou Theo. — Vou nessa. Não dá mesmo pra cantar depois desse banho de água fria. Durante o jantar, Pedro não resistiu: — Como é que você consegue ser amiga da tia Alina, mãe? Você é tão maneira, e ela é tão mala… — Ela não é mala… É apenas uma mãe preocupada, acha que o Theo vai apanhar muito da vida se continuar acreditando que tudo é um eterno mar de rosas. — Mas nessa idade eles podem achar isso mesmo, meu amor. — Mais ou menos, né, Paulão? Aprender a ter responsabilidade é muito importante. E vida só se tem uma, Pedro. A gente se preocupa com o futuro de vocês. — Mas se preocupar com o futuro quer dizer ignorar o presente? — Boa, filho! — Paulão! — Marisa aumentou o tom de voz enquanto arregalava os olhos para repreender o marido. — Ah, Marisa, a Alina não faz nada da vida, só malha, vai à praia, ao salão e ao dermatologista e enche o saco dos filhos.

Podia ser mais paciente, menos intransigente… Ela não era assim quando eu a conheci. — Não era mesmo, era bem mais leve. Mas as pessoas mudam. — Podia ter mudado para melhor, não? Coitado do Theo, o menino é gente boa. Quando o cara começa a ficar feliz, a mulher acaba com o dia dele. — Só porque ele já avisou que não vai trabalhar com o pai — entregou Pedro. — Ok, ele não quer trabalhar com o Ricardo! E daí? Qual o problema? — Mas vocês são futriqueiros, hein? — cutucou Marisa. — Julgar é fácil, a gente não sabe o que acontece da porta pra dentro na casa deles. E não gosto que a gente passe tanto tempo falando da vida dos outros. Vamos mudar de assunto, por favor? — Você já ouviu o espetáculo que é o seu filho tocando e cantando com o Theo? — Claro que já — respondeu Marisa, com um sorriso orgulhoso no rosto. — Pensei em pegar os instrumentos do Pedro, botar no quarto de hóspedes, que não recebe ninguém nunca, e fazer um tratamento acústico pra eles ensaiarem direito, com amplificador, uns microfones… Um espaço para ensaio, sabe? — Tá brincando! — reagiu Pedro, animado. — Só pode estar brincando — disse Marisa, irritada. — Não entendi o tom. O que é que tem montar um espaço para o Pedro ensaiar? Enfim ele arrumou alguém para praticar, a música agora pode ser mais que uma diversão. Chegou a hora de o nosso filho ter um estudiozinho. Não faz mais sentido ele tocar no quarto. — Concordo. Mas acho que a garagem é o melhor lugar para isso. — Mas a garag… — Paulão, a garagem é enorme, cabe um supermercado lá dentro além dos nossos carros. Não vou acabar com o quarto de hóspedes. Onde é que a mamãe vai ficar quando vier visitar a gente? — Num hotel. Seria tão melhor… — Olha aqui, seu debochado, vai ser na garagem, e não se fala mais nisso. Ou então a gente desmonta seu escritório para montar o tal lugar de ensaio. — Eu TRABALHO no meu escritório, dona Marisa… Sempre bem-humorado, Paulão tinha o que chamam por aí de home of ice. O pai de Pedro era do mercado de ações e passava a maior parte do tempo em casa.

Arriscou abandonar o emprego em uma empresa para ter mais qualidade de vida, ser seu próprio chefe e fazer seu horário. Deu certo. “A vida ajuda quem não tem medo de correr riscos”, costumava dizer, citando uma frase que um dia leu no Facebook. Ou em algum para-choque de caminhão. — Eu decorei aquele quarto de visitas com muito esmero para ele virar um antro com microfones, fios, equipamentos, instrumentos e computadores. — Marisa, acho que vou te chamar de Alina a partir de agora… — implicou Paulão. — Engraçadinho! — Mãe, mudando de assunto, a Babi pode vir almoçar aqui amanhã, depois da escola? — Claro que pode. O que não devia poder era você, tão lindo, tão divo, namorar uma menina com aquele cabelo. Ela é muito bonitinha, mas devia cortar a juba! Parece uma maria-mijona! É tudo ruim, o tom, o comprimento, o fio reto… Cabelo loiro falso e mal pintado não pode ser muito comprido. Fica vulgar. E ressecado. — Não tenho ideia do que é fio reto, só sei que pra mim ela fica linda de qualquer jeito. — A paixão é cega mesmo. E não tem o menor senso de estética — espetou Marisa. — A Babi ficaria muito mais bonita com o cabelo escuro… E mais curto. Diz pra ela ir num bom cabeleireiro pra cortar e pintar o cabelo, filho. — Digo não. Mas você pode dizer, eu não ligo… Alina… — zoou Pedro. — Alina é a… — Mãe, o que é isso? Modos à mesa! — Ciúme, filho. Mãe de menino sempre morre de ciúme das namoradas — explicou Paulão. — Imagina. A sua mãe sempre me amou, querido. — Quem te disse? — Ela. — Até eu sei que a vovó não ia com a sua cara, mãe. — Por quê? Eu sempre fui incrível! — Pois ela achava que você tinha a personalidade muito forte.

E que faltava modéstia. Por que será, amor? — Tá ligada que ‘personalidade forte’ é sinônimo de chata, né? — provocou Pedro. — Mas você, Marisa, ao contrário da Alina, com o passar dos anos, só melhorou — atenuou o patriarca da família. — Deixa a Alina em paz, a orelha da coitada deve estar fervendo! — Amanhã vocês vão ensaiar mais, filho? — Paulão mudou de assunto. — Irado você chamar o que a gente tem feito de ensaio, pai. — Fiquei feliz ao ver a química entre você e o Theo. Porque vocês podiam ser amigos e não ter nenhum entrosamento na música. Mas vocês têm, e muito! Parece que tocam juntos há anos! — Irado. — Dois ‘irados’ seguidos? É isso mesmo? Não existe outra palavra no seu vocabulário? Os dois ignoraram Marisa. — Muito bom ver que o Theo se rendeu à música. Era triste ver você aí, cheio de talento, levando um som sozinho. Quanto mais gente, melhor a brincadeira. — Irado, pai! — É sério? Outro ‘irado’? Novamente Marisa ficou no vácuo. — Vocês deviam tocar umas brasileiras amanhã. Barão, Titãs, Legião, Cazuza, Nando Reis. Essas coisas que eu gosto e você gosta também. — O imbecil do Theo odeia música brasileira — contou Pedro. — Imbecil mesmo! — Agora vocês vão xingar o pobre do Theo? — Marisa riu. — Filho, com jeitinho você aos poucos vai mudando a cabeça dele — sugeriu. — Vou tentar, só que o cara é teimoso feito uma mula. — Mas é um menino bom, bom caráter, bom coração, boa alma — pontuou o pai de Pedro. — Ficou meio gay isso, hein, pai? — implicou o garoto. — É. Ficou meio gay mesmo — concordou Paulão, entrando na brincadeira. — Meio gay? Vocês dois são bobos mesmo.

— Marisa encerrou o assunto, rindo da infantilidade de seus dois homens. À noite, Pedro não conseguiu dormir. Quarto era coisa do passado. Ele teria uma sala de ensaio, um sonho desde que se descobriu um apaixonado por instrumentos. Não bastasse isso, Babi, a menina do cabelo ressecado que fazia seu coração bater mais forte, almoçaria com ele no dia seguinte! A vida estava boa para o seu lado. Nascido em berço esplêndido, o filho mais novo de Alina e Ricardo nunca teve um talento específico. Para piorar, era diariamente ofuscado pela inteligência, pelo carisma e pela beleza de Mônica, a irmã dois anos mais velha que ele. — Onde foi que nós erramos, Ricardo? Não bastassem as notas horríveis, ele agora deu pra cantar! Por quê? — questionou Alina depois do jantar. — Porque eu gosto de cantar, que pergunta! Ah, sim. Theo estava presente. — Mas você canta mal, meu filho! — Alina! — Alguém tem que dizer a verdade para esse garoto, Ricardo! — estrilou ela. — Por que você não canta no banheiro, que nem todo mundo? — Caramba, mãe! Para com isso! Larga do pé do Theo! — Mônica partiu em defesa do irmão. — Não dá! Alguém precisa dar um choque de realidade nesse garoto! Nunca fez nada direito, agora resolveu se empenhar em cantar mal passando horas por dia na casa do Pedro aumentou o tom de voz. — a bruxa, opa!, a mãe do menino — e vai passar mais ainda, porque o equivocado do Paulão resolveu fazer um espaço para eles tocarem. Era muito amor vindo de uma pessoa só, né? O loiro galã-porém-gente-boa da Barra da Tijuca baixou os olhos. — Que cara é essa, meu filho? Se eu não falar, ninguém fala! Você está cantando pra quê? Aonde é que você quer chegar? O coração de Theo batia tão enfurecidamente que ele precisou respirar fundo para se explicar com duas frases simples e corajosas: — Quero só ser feliz, mãe. E cantar me deixa feliz. — Feliz… o que você sabe sobre felicidade, garoto? — Me deixa, mãe! — estourou, antes de voar para seu quarto. Alina não se fez de rogada e continuou gritando da sala. — Por que você não segue o exemplo da sua irmã, que, além de excelente bailarina, sempre foi a primeira da turma na escola? Nunca me deu uma preocupação. — Mãe! — censurou Mônica, indignada. — Alina, deixa o Theo em paz! Ele está se esforçando — defendeu Ricardo. — Está se esforçando pra repetir, isso sim. E filho repetente não vai fazer intercâmbio nos Estados Unidos, não! O senhor fique sabendo! E assim, com esse superincentivo dentro de casa, Theo levava a vida buscando a tal felicidade. Antes de se embrenhar na música, sonhou ser feliz de várias maneiras.

Torcedor de arquibancada desde pequeno, aos 7 entrou numa escolinha de futebol e só aos 11 saiu do banco para entrar em campo nos últimos minutos do campeonato de fim de ano. E fez gol. Contra. Saiu vaiado pela torcida enfurecida de pais que levam brincadeira de criança a sério e vivem a vida dos filhos sem o menor fair play. Trauma jamais superado, Theo desistiu do futebol sem dar a ele uma segunda chance. Sem se dar uma segunda chance. Quando começou a andar de skate, a sensação de voar no asfalto lhe fez tão bemque ele não deu muita atenção ao quesito segurança. Resultado: braço direito quebrado no primeiro tombo sério. — Tinha que ser o direito? Mas é mesmo o pior skatista do mundo! Agora como é que você vai fazer as lições de casa? — reagiu Alina, ao ver o filho com o braço imobilizado. Depois resolveu aprender a pegar onda, e até levava jeito, tanto que quase repetiu o ano, de tanto tempo que passava no mar. Desde então, a patrulha da mãe em cima dele se tornou ainda pior. Mas o mar Theo nunca abandonou. Embora tivesse que apreciá-lo com moderação, o mundo de água salgada ainda era sua segunda casa, seu porto seguro. Era lá que afogava sua tristeza depois de uma discussão em casa. Alina, como já deu para perceber, não tinha filtro, dizia na cara do filho barbaridades que magoariam até um robô. E Theo não raro chorava escondido, mais revoltado do que triste. Por muitas vezes, o garoto quis perguntar à mãe o que tinha feito de errado para ela, mas engolia a pergunta por vários motivos: era sua mãe, ele a amava e sabia que, do seu jeito, ela o amava também e por isso se machucaria caso fosse encostada na parede pelo filho. Ricardo não ficava muito atrás de Alina. Omisso e workaholic, passava o dia enfurnado em uma de suas concessionárias de carro, e era raríssimo um momento de afeto entre Theo e o pai. Pelo menos a relação entre eles era cordial: Ricardo quase sempre defendia o filho da ira materna. Mas carinho era artigo raro na mansão da família Stein. Theo sempre foi um garoto bacana. Ao contrário de Pedro, que com 15 anos engatou um relacionamento firme e apaixonado com Babi, não tinha namorada, mas não podia se queixar. Com seus cachos loiros, olhos esverdeados e bíceps esculpidos no mar e na academia, agradava em cheio às meninas. Difícil vê-lo sozinho em uma festa.

Era penoso admitir, mas Theo tinha, bem no fundo da gaveta mais bagunçada do cérebro, certa inveja de Pedro. A felicidade da família vizinha não era como a sua, que só acontecia nas redes sociais (“todo mundo é feliz no Facebook” era uma de suas frases preferidas) e da porta para fora. Às vezes se perguntava se não nascera na família errada. Que pegadinha era aquela que Deus tinha lhe aprontado? Triste, mas Theo recebia mais apoio dos pais de seu melhor amigo que dos seus. Alina e Ricardo, além de distantes e de não esconderem a preferência escancarada por Mônica, não o apoiavam em nada. A mãe, então, implicava com tudo: o perfume que ele usava, o corte de cabelo, a roupa, as meias. Não gostava das amizades do filho e o achava irresponsável, péssimo aluno e burro. Burrão. Isso ela nunca disse explicitamente. Só nas entrelinhas. Mônica, por sua vez, trilhava o caminho desejado por sua família — com 18 anos, seu maior sonho era administrar as concessionárias do pai e multiplicar a fortuna dos Stein. Seu único problema, na minha opinião, era namorar Heitor, um riquinho deslumbrado que dava uma ridícula e desnecessária piscadinha de olho a cada fim de frase. Ela e o irmão brigavam (que novidade? Irmãos brigam!), mas se adoravam. — Se eu não fosse seu irmão, você acha que seria minha amiga? — perguntou Theo certa vez. — Claro, Cotonete! — Pô, Mônica, para de me chamar assim! Apelido de boiola! — Mas você é magrelinho e cabeçudinho que nem um cotonete… MEU Cotonete. — Para, idiota! Eu tô malhando, não tô nada magro, tô sarado! Theo tinha sérias dúvidas sobre o caminho que a irmã planejava seguir. Era aquilo mesmo que ela queria? Ou ia fazer Administração só para agradar aos pais? E o balé? — Balé é muito sacrifício. Não sei se tenho vocação para audições, bolhas nos pés, contusões e pouco dinheiro. Sei das minhas limitações, gosto de dançar, mas tem muita gente melhor do que eu. E tudo bem não seguir adiante nessa vida. — Tudo bem mesmo? — Mesmo! Faço balé pelo prazer, nunca sonhei com aplausos, apresentações, ensaios… — explicou. — É dura a vida de bailarina, tá pensando o quê? — fez graça. — Beleza. Só queria saber se você não está desistindo de um sonho por causa do papai e da mamãe. — Que nada! Gosto de Administração, acho que vou ser boa nisso.

E ter as concessionárias do papai já é meio caminho andado. Theo era a ovelha negra da família. Mentia para matar aula, entrava em festas para as quais não fora convidado, metia-se em brigas de vez em quando e não se abstinha de contestar os pais quando achava necessário. Impossível Mônica não ser a preferida. O garoto sabia que a irmã acatava pacientemente algumas insanidades paternas e acabava fazendo tudo o que queria, do seu jeito. Era um dom. Mônica sabia driblar os pais e fazê-los acreditar que estava do lado deles. Theo não. Batia de frente, explodia.

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