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50 Anos a Mil – Lobao com Claudio Tognolli

Rio, junho, 1984. Quatro da manhã, cemitério do Caju… Madrugada fria e a gente não parava de chorar… Escondidos, perambulando feito fantasmas, arrastando corrente, pelos cantos do velório… almas penadas. Àquela hora, não havia mais ninguém na sala com o Júlio, exceto eu e Cazuza, que, por todos os motivos do mundo, não conseguíamos parar de olhar para o caixão fechado, nem parar de chorar, nem deixar de ir ao banheiro cheirar mais, pra continuar chorando: “Perder um cara como o Júlio é como uma decapitação… A gente ficou órfão do nosso irmão mais velho”, sussurrei para um Cazuza igualmente desmoronado, que me respondia: “Órfãos e fudidos, você quer dizer”, e emendou: “Vão chupar a nossa carótida…” Sim, essas visões sombrias já pairavam no ar o tempo todo. Não parávamos de imaginar as consequências daquela perda. A minha desolação era inédita; nunca estive me sentindo tão dentro do fim, tão nada e com a alma sangrando. Vomitava meus pavores: “Agora estamos à deriva. A gente naufraga aqui. Esse velório, esse cemitério, essa morte é como se estivéssemos chegando nas portas do inferno. A partir de agora, todas as nossas esperanças serão deixadas do lado de fora. Todas as esperanças de conquistarmos a nossa autonomia, a nossa estética. Perdemos o trem da história, Cazuza. Sem o Júlio nós não temos mais uma turma; agora somos ummonte de ninguéns!… Chegou a hora dos nossos inimigos se apoderarem da cena pra formar alianças, justamente com aqueles que mais queríamos ver longe. É a hora do pastiche e da indulgência… A hora do frenesi dos mesmos cadáveres insepultos de sempre, sugando a juventude dos que nada mais têm a oferecer, além do próprio sangue de barata. É a hora dos come-quieto nos fazerem de vilões. É a hora da morte da possibilidade da transformação, da morte da nossa ingênua esperança em querer mudar o mundo. É a hora da morte da liberdade do delírio… O Universo não conspira mais a nosso favor. O inferno é aqui e agora, e nossas esperanças ficaram num céu natimorto.” Estava delirantemente transtornado pela dor e vagamente anestesiado pela cocaína; sem que necessariamente estivesse inteiramente fora do meu juízo. O Júlio era um homem-arquivo, um poço das mais variadas informações. Um ser de uma inteligência prodigiosa, de grande coragem e inspiração; um articulador. Era um esteta, e perseguia obsessivamente a novidade, digerindo tudo que estava ao seu alcance, sembarreiras, sem dogmas. Fora a sua alegria… O Júlio era um grande poeta, uma criatura engraçadíssima, uma aventura ambulante, um sexista, um sátiro e, antes de qualquer coisa, um amigo raro. Com tudo isso passando pela cabeça, naquele velório, suor e lágrimas se fundiam. O silêncio se desfazia com o cantar dos passarinhos, que despertavam com o dia a me causar calafrios. Na sala, o caixão fechado invocava toda uma angústia da incapacidade em não poder dar o último abraço, o último beijo.


Daí pensei: “Cazuza, pensa bem: tá todo mundo dormindo, a gente tá aqui sozinho, comele… Vamos sublimar a paradinha. Vamo esticar duas carreironas em cima do caixão? Pelo menos essa kartirinha da Ordem dos Músicos vai servir pra alguma coisa. A gente não pode se negar a fazer isso, né?” Eu fungava, apalpando freneticamente os bolsos. “Vai ser nossa última homenagem… Não tem ninguém olhando… Vamo nessa, rapá!” “Lobãothinho”, Cazuza de vez em quando me chamava assim, ciciando, “tá bom, vamos nessa. Mas será que não vão pegar a gente com o canudo no nariz?” “Claro que não, bobo. Tá todo mundo cansadão, dormindo pelos cantos. E se alguém nos flagrar, vai pensar que tá tendo um visual causado pela estafa e pelo sofrimento. Além do mais, isso aqui é uma licença poética!” Depois de algum tempo tremelicando, consegui tirar a tampa de Minalba do bolso, cheia de cocaína, despejar no verso da kartira azul e pousá-la em cima do caixão. Estiquei diligentemente duas enormes lagartas que reluziam a brilhar naquela insólita superfície — que naquele instante, em todo o seu conjunto, mais parecia uma instalação de arte contemporânea —, e passei o canudo de caneta Bic pro Cazuza: “Vai nessa, meu irmão. Pensa que é pro Júlio.” Ele me deu uma risada meio amarga, meio úmida, deu uma cafungada forte e, sem perder o fôlego, me passou o canudo secando a narina no antebraço, dizendo baixinho: “A gente é muito louco! A gente é maluco…” Pausa. Mais uma risadinha canalha e emenda: “Mas também, o que nos resta?!” Respirei um pouco pra pegar um ar depois do catranco e, me dirigindo a um Júlio que, nesse exato momento, parecia descer das nuvens, todo de branco, como sempre gostava de se trajar, a nos abençoar, escancarando um sorriso de quem está pronto para gritar para seus irmãozinhos — “Aleluia, rapeizy!” —, contrito, lhe prometi: “Meu amigo, você vai sempre estar com a gente, você vai sempre estar vivendo dentro da gente, pode crer!” Recebemos um fluxo de energia poderoso. Um momento ritual. A partir de então, a minha vida se resumiria em antes e depois daquele instante. A morte do Júlio Barroso foi um marco: existia o antes e o depois daquela perda. Não só para mim, mas para toda a história. E olhando pro Cazuza, inflado de amor, arrematei: “E tem outra, rapá, não vão derrubar a gente assimtão mole, não! Vamos em frente, mesmo porque a morte do Júlio não vai ser em vão. A nossa vida não pode ser em vão, e, se nada pode deter uma pessoa feliz, nada poderá nos deter, pois a nossa história vai ser cada vez mais… cada vez mais…” Chorava copiosamente. Diante daquele vazio, gaguejando mentalmente, tentando pinçar na cabeça o que poderia ser “cada vez mais”, arrematei: “INTENSA!!!!” E não satisfeito, prossegui: “e cada vez mais… DIVERTIDA!!!!” E concluí: “A nossa onda de amor não há quem corte!!” Chacoalhando de emoção, abracei com toda a força o caixão. Talvez tenha sido ali, naquele momento surreal, que nasceu não só uma vontade, mas um compromisso tácito entre meus amigos de que, uma vez sobrevivendo, eu deveria contar toda a história. Uma saga à procura de um lugar a que se pertencer… Eu precisava, através de umjuramento, me motivar o bastante para não ver nossos sonhos serem sepultados com meus amigos. Preparem-se porque, a partir de agora, vou contar uma história de amor louca, insólita, humana, demasiadamente humana, imprevisível, improvável, mas bem real: a história da minha vida, que se mescla e se confunde com a da minha geração, do nosso país e de nosso tempo. Não se trata de uma simples narração de um passado longínquo, morto e enterrado, fruto de um devaneio nostálgico. É uma história cheia de vida, de intensidade e de revelações, que incide no presente e se projeta emdireção ao futuro. Portanto, não se enganem: o melhor ainda está por vir, pois essa promessa eu fiz aos meus amigos, ao pé de suas lápides.

E tenham a certeza absoluta de que a cumprirei à risca. 50 Anos a Mil Capítulo 1 Pela lógica dos fatos, eu deveria ter me tornado um bundão. Contrariando as expectativas, consegui atenuar e, até mesmo, reverter essa lamentável característica. Até hoje fico me perguntando como consegui essa façanha, pois, analisando bem os fatos, minha sina de idiota era tida e havida como algo certo e garantido. Sou do Rio de Janeiro, carioca da Zona Sul, nascido às 10h30 da manhã do dia 11 de outubro de 1957, no Humaitá, na Casa de Saúde São José, sob o nome de João Luiz Woerdenbag Filho. Meus pais eram, por coincidência, os dois, filhos temporões. Eram do tipo supercaçulas. Um casal jovem, apaixonado, meio desprotegido, meio de direita… Ele, uma espécie de nazista conceitual; ela, lacerdista, depois arenista, com paixões muito particulares e contraditórias, tipo amalgamar a doçura dos olhos azuis do Médici nos do Chico Buarque. Era fã incondicional de ambos, a ponto de não conseguir distinguir onde começava um e onde terminava o outro. Meu pai se chamava João Luiz Woerdenbag. Minha mãe, antes, como solteira, e posteriormente, como divorciada, possuirá o mesmo nome e sobrenome da minha avó: Ruth Araújo de Mattos. Nós, enquanto prole, éramos eu, o primogênito, até então, e minha irmã, Glória Maria, que nasceu umano e dez meses depois (a gente foi condicionado desde cedo a se tratar respectivamente por Maninho e Maninha). Meu pai era um cara de uma habilidade extraordinária. Vindo de uma família de automobilistas, inventores e excêntricos, era considerado por seus amigos e colegas como um gênio da mecânica, além de ser profusamente amado entre seus comandados, apesar de não poupar esporros bíblicos, principalmente às sextas-feiras, dia de vale. Com a idade, teve a manha de se autofolclorizar e capitalizar uma rabugice genética que o acometia, a ponto de seus amigos se reunirem às sextas na oficina só pra ver ele estourar. Ele tinha consciência de que aquilo tudo era um espetáculo. Todo mundo se esporrava de rir, com todo o respeito, às escondidas, é claro. Sua fúria, apesar de incutir o medo generalizado, também provocava arrancos de risos (que deveriam ser, creio eu, de nervosismo). Realmente tratava-se de uma figura forte, singular, que não comia carne de espécie alguma (tinha um nojo patológico), que arrancava dente a seco (tinha grilo de anestesia) e era mestre em desenhar elipses, polígonos, trapézios, circunferências e outras figuras geométricas à mão livre, com assustadora precisão, apesar de ter alguns dedos amputados. Montava e pintava aviõezinhos de guerra, balsas do Mississippi, baratinhas de corrida, caravelas piratas — tudo com uma perfeição irritante. Quando estava filosófico, lembrava a todos que deveria ser enterrado de lado, em virtude de suas narinas colabantes. Pena eu não ter conseguido realizar esse seu desejo. Adorava colecionar trenzinhos elétricos, locomotivas a vapor, correr de autorama e montar maquetes de cidades inteiras em gesso. Para qualquer garoto, um pai assim era a Disneylândia! Mas também era um cara muito competitivo, tão competitivo que escondia seus truques de todos, inclusive de mim. Não tinha muito saco de me ensinar as coisas, talvez por eu ser meio desajeitado.

Acho que, como minha mãe praticamente me impedia de fazer as coisas por mim mesmo, fui desenvolvendo uma inapetência mórbida. Meu pai ficava impaciente e me chamava de mão de onça, sem jeito mandou lembranças… Fui o primeiro elemento da família, depois de três gerações, a não seguir a carreira automobilística. Minha mãe (meu pai a chamava de “Meu Bem” sob qualquer circunstância), apesar de ter passado a vida útil de seu casamento entre a vida de dona-de-casa-que-frequenta-centro-espírita e a tela da televisão, nos primórdios de seu casamento, foi campeã de corridas de kart! Um tremendo pé de chumbo! Realmente dirigia bem à beça. Chegou até a ganhar prova final do campeonato masculino, no circuito de Petrópolis, disfarçada de papai. É que papai tinha asma de fundo nervoso e, na hora da corrida, ficou totalmente sem ar. Como a indumentária de então exigia, além do capacete, um lenço do tipo “assaltante de diligência”, foi fácil ela se passar por ele… Só que na hora de subir ao pódio, em triunfo, foi aquele bafafá. Foi desclassificada e expulsa sumariamente da federação. Eu me lembro da foto dos dois se beijando, apaixonados, de macacão e capacete na capa de uma revista especializada. Cheguei a sair no canal 100 dando o maior vexame chorando, gritando por “Mamãe!, mamãe!”, que, concentradíssima, ia se encaminhando para o grid de largada. Estava longe de ser uma mulher medíocre. Possuía um brilho e uma simpatia que cativava a todos. Quando aluna, era impecável, obsessiva, uma CDF contumaz. Varava as madrugadas ingerindo estimulantes e barbitúricos, estudando freneticamente (ela chegou a me confessar que fazia isso para agredir minha avó, que volta e meia a emputecia chamando-a de BACAMARRRRRTE!!!!! ), enquanto meu querido avô (eu o chamava de vovô Mattos), desesperado com a cena, implorava a ela que parasse com aquilo, que fosse namorar, jogar vôlei, que se transformasse até numa anta, mas descansada; até que um dia não aguentou mais e, descontrolado, jogou todo o material escolar — de uma filha completamente exausta e catatônica, que assistia à cena vidrada, como se estivesse contando carneirinhos, quando, na verdade, eram os livros, os cadernos e as canetas — pela janela. Eu acho que era um vazio enorme que ela sentia, por não se pertencer a nada. Contando com todo seu aparato intelectual, conseguiu as maiores notas da faculdade que cursou coma estonteante média geral de 9,7. Tratava-se de uma poliglota de mão-cheia, que falava sem nenhum sotaque o inglês, o francês, o italiano; além de tirar onda blasfemando em línguas mortas, como o grego e o latim. Tinha alma de artista, aprendeu piano e violão e queria ser bailarina. Foi destaque da Vila Isabel sambando no asfalto durante alguns carnavais. Mais tarde, se estabeleceu como professora de cursinho de inglês. Foi correspondente internacional da ABC. Meu pai, que não tinha curso superior, era autodidata e foi criado entre chassis, tornos e carrocerias num palacete do final do século XIX, na rua do Senado, centro do Rio, transformado em oficina mecânica pelos meus avós. O tal palacete, que mais parecia o solar dos Monstros, era herança do pai da minha avó Lulu, que assinava Luiza Moreira Woerdenbag. Já o meu avô, que aqui no Brasil atendia pelo nome de João Geraldo Woerdenbag, era um holandês, de Haia, recém-chegado da Alemanha, a serviço da prefeitura de Niterói, como engenheiro hidráulico. Acabou estacionando na vovó, num feliz casamento de mais de sessenta anos, tornando-se um mecânico de renome, especializado em automóveis de luxo, chegando a ser representante vitalício da Rolls-Royce na América Latina. Construiu no quintal da oficina o primeiro carro de corridas brasileiro (1933/1939), com motor de oito cilindros Studbaker, ganhando o Terceiro Circuito da Gávea de 1940.

Meu pai viveu completamente dentro desse universo. Um universo bem fechado. Eu, quando podia, tirava onda indo pro colégio pela manhã, todo faceiro de copiloto, chegando de Packard, Jaguar, Bentley, Ferrari, Rolls… Uma outra característica marcante de meu pai era sua relação com bichos, principalmente o cachorro. Invariavelmente agiam com devoção, candura e enlevo em meio a seus comandos, mesmo se fosse o mais iracundo dos pit-bulls. Nas férias, chegava a uns dez o número de cachorros espalhados pelo sítio, todos tratados como membros da família. Minha mãe cresceu em Ipanema, na Sadock de Sá, numa casa enorme de dez quartos. Naquela adorável ruazinha sem saída, colada ao pé do morro do Cantagalo, minha mãe se criou, vendo meu tio Décio (o irmão mais velho) fazer acrobacias de teco-teco, com rasantes formidáveis, a dar adeusinho para quem estivesse na janela (meu avô, irritadíssimo, acabou lhe tirando o brevê). Era também uma garota esportiva: adorava jogar vôlei, queimado, peteca, pegar uns jacarés. Tudo isso até se casar aos 21, sob o secreto pretexto de escapar da família, principalmente da mãe. Morou em Nova York lá pelos idos de 1950 com os pais. Meu avô materno, funcionário público e gaúcho de Porto Alegre, foi servir em Nova York por quatro anos como alto funcionário do Tesouro, mas, logo no primeiro ano, mamãe deu piti. Voltou deprimidíssima, mesmo continuando a amar a Broadway, Frank Sinatra e a América em geral, mesmo instalada de frente para o Central Park num tremendo apartamento. de um por andar. Vai entender… Preferiu voltar pro Rio sozinha e morar na clausura do seu querido Colégio Santo Amaro, se preparando para se atirar num convento pelo resto da vida. Pelo que tudo indica, o casamento foi uma espécie de plano B. Assim era ela… podre de bipolar. Tadinha, se fosse nos dias atuais, haveria de ter medicamentos que pudessem equilibrar seus altos e baixos. O casal se conheceu no finado postinho Esso do Jardim de Alá, botando pega num circuito que ia do final do Leblon, retornando no Arpoador, com chegada no tal postinho. Ela de Lincoln Continental e ele de Buick. Pra mim, era um casal perfeito, apaixonado, romântico. Meu pai sempre chegava combuquês de flores e declarações de amor eterno escritas em acrósticos (ele adorava valsas de Strauss e acrósticos). E minha mãe, apesar de doente pelo Frank Sinatra e atada a uma paixão platônica da juventude (o Leopoldo), mostrava sinais contundentes de um amor verdadeiro por meu pai. Infelizmente, os dois se mataram. Cada um em seu tempo, cada um com seu estilo… Meu pai tinha um irmão dez anos mais velho chamado Tomás (tio Tomás, meu padrinho), casado com a tia Kate, ex-manequim da Casa Canadá. Eles eram os pais do João Tomás e da Nuxa (Ana Luiza).

Tinha também a galera que meu avô rebocou da Holanda: a sua centenária mãe adotiva e seus irmãos — tio Geraldo, tia Joana e a tia Maria, tadinha, evitada por todos, em função do seu poderoso e temido pé-frio. Todos moravam juntos na rua do Senado. Do lado da minha mãe, eram cinco irmãos. O mais velho era tio Décio, o do rasante de teco-teco. A tia Gilda era a irmã mais velha. Logo em seguida vinha minha madrinha, que se chamava Leda. Me amava muito e ficou solteirona em virtude de um “mau passo” quando mais jovem. Passou a vida inteira cuidando da minha avó Ruth. Sim, a vovó Ruth… uma senhora esguia, magra, austera, com uma enorme cabeleira branco-azulada sempre enrolada num coque. O luto permanente desde a morte do meu avô era adornado por um par de soturnas olheiras. Apesar de amá-la, morria de medo da vovó. E, finalmente, o Lula. Figura lendária, explosivo, apaixonado, histriônico, sócio-fundador da banda de Ipanema. Um ser carnavalizante que eu, carinhosamente, quando bem criancinha, apelidei de tio Cocó, por pintar quadros de galos psicodélicos. Nasceu Luís Carlos. Foi um dos primeiros gays assumidos da cidade e, por isso, sofreu adoidado. Atualmente, todos os irmãos do meu pai e da minha mãe estão mortos. Voltando aos meus pais, casaram-se com pompa e circunstância na Candelária e foram morar num apartamento perto da General Osório. Dez meses depois eu nasci, muito bem-vindo e amado, segundo mamãe. Mas quase nasço dentro da privada, não fosse o expediente da enfermeira a alertá-la tratar-se de… um bebê. Um ano e dez meses depois, nasce minha irmã Glória Maria, com minha mãe em meio a uma crise profunda de depressão. Foi encontrada perdida na madrugada anterior ao parto, de baby-doll, no meio da Visconde de Pirajá, à procura de um ônibus pra se atirar embaixo. Sendo agora uma feliz família de quatro pessoas, lá pelos idos de 1960, nos mudamos para umapartamento amplo na Sousa Lima, no edifício Araçatuba, bem na divisa de Copacabana com Ipanema.

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