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50 ideias de história do mundo que você precisa conhecer – Ian Crofton

Nada do que consideramos atualmente como marcas da nossa civilização – grandes cidades; arte, música e literatura; comércio e indústria; conquistas científicas e tecnológicas – seria possível sem a agricultura. Só depois que nós, seres humanos, aprendemos a cultivar é que conseguimos produzir um excedente de alimentos suficiente que permitisse que alguns de nós saíssemos em busca de outros objetivos além da caça e da coleta. Com alguns se especializando na produção de alimentos, outros puderamtornar-se sacerdotes, soldados, artesãos, escribas ou estudiosos. Assim, começaram a surgir sociedades mais complexas e menos igualitárias. Mas essa evolução ocorreu muito tarde na história da humanidade. Os primórdios da humanidade Os mais antigos dos nossos antepassados reconhecidos como humanos surgiram há cerca de quatro milhões de anos. Ao longo do tempo, inúmeras espécies humanas evoluíram – Homo habilis, Homo erectus, Neandertais –, mas só por volta de cem mil anos atrás é que os homens modernos começaram a deixar a África e se espalhar pelo resto do mundo. Os humanos começaram a usar instrumentos de pedra há cerca de dois milhões de anos, mas o ritmo do desenvolvimento tecnológico foi extremamente lento. Aos poucos, armas e instrumentos – de madeira, pedra, ossos e chifres – ficaram mais refinados, e aprenderam a usar o fogo. Os humanos se sustentavam com a pesca, a caça e a coleta de frutas, sementes e grãos – um modo de vida capaz de manter pequenos grupos, mas que os obrigava a deslocar-se quando os recursos da área começavama escassear. Então, por volta do ano 8000 a.C. aconteceu algo extraordinário no Crescente Fértil, região do Oriente Médio que se estende dos vales dos rios Tigre e Eufrates em direção ao oeste pela Síria e para o sul pelo Levante. Foi aí que pela primeira vez as pessoas começaram a cultivar plantações, dando o pontapé inicial a uma revolução que mudou completamente a maneira de viver dos seres humanos. O Crescente Fértil foi a primeira, mas não a única, região a vivenciar uma revolução agrícola: as lavouras surgiram independentemente em outras partes do mundo, como a Mesoamérica, a região dos Andes, a China, o sudeste asiático e a África subsaariana. As primeiras colheitas É pouco provável que seja mero acaso o fato de o início da agricultura, dez mil anos atrás, ter coincidido com o fim da última Era do Gelo. Com o aquecimento da Terra, as camadas de gelo que cobriam a maior parte do norte da Eurásia e da América do Norte começaram a derreter, liberando grandes quantidades de água doce. Nessas condições, a pobreza da tundra deu lugar a uma vegetação mais exuberante, com pradarias e florestas que proporcionavam safras mais ricas aos grupos de caçadores-coletores. A boa produtividade de algumas áreas favoreceu o estabelecimento permanente daqueles que aprendiam a explorá-la. Com o aumento da quantidade de alimentos disponíveis houve um crescimento da população, o que levou à necessidade de encontrar formas de manter a sobrevivência em períodos de menor abundância. Entre os alimentos mais fáceis de armazenar, porque não estragam quando secos, estão os cereais – sementes de várias gramíneas. Sem dúvida foi um processo gradual em que certos grupos aprenderam a cuidar das plantas nativas que consideravam mais úteis como fontes de alimentos. Afastar as pragas e eliminar as ervas daninhas foi um começo, até que em determinado momento fizeram a ligação entre o cultivo das sementes e o resultado da colheita. Trigo e cevada eram os cereais básicos no Crescente Fértil; nas Américas, era o milho; na África subsaariana, o sorgo; no norte da China, o painço; enquanto no sul da China e no sudeste asiático era o arroz. Em outras partes do mundo desenvolveram-se outras culturas igualmente importantes, como feijão, inhame, batata, abóbora e pimentão.


Um perigo oculto A dieta à base de cereais continha um perigo oculto. Muitos esqueletos do mundo antigo apresentam evidências de abscessos horrorosos nas mandíbulas, resultado da quebra dos dentes por fragmentos das pedras usadas para moer os grãos. “E Abel foi pastor de ovelhas, e Caim foi lavrador da terra.” Gênesis 4:2, sobre os filhos de Adão e Eva Domesticando animais selvagens O primeiro animal a ser domesticado foi o cão, que é descendente direto do lobo. Os cães foram usados como animais de guarda e caça muito antes de os humanos se tornarem agricultores sedentários – o dingo australiano, por exemplo, é descendente dos cães levados para o continente pelos primeiros humanos cerca de 50 mil anos atrás. Mas só depois que as culturas aráveis tiveram início, no Oriente Médio, é que começou a criação de animais para uso na alimentação e na obtenção de produtos, como o couro. Vacas e bois, ovelhas, porcos e cavalos domesticados se espalharam do Oriente Médio até a Ásia. Bois e burros começaram a ser usados para puxar arados, trenós e posteriormente carroças. Na América do Sul, a lhama era usada como animal de carga, enquanto os porquinhos-da-índia eram criados para servir de alimento. O que a agricultura fez por nós A produção de alimentos baseada na agricultura continua a ser o alicerce da civilização moderna, mas o advento da agricultura teve também seus aspectos negativos. Comparados àqueles dos primeiros agricultores, os esqueletos dos caçadores-coletores mostraramse mais fortes e saudáveis, consequência de uma dieta mais variada. Os primeiros agricultores – como ocorre ainda hoje na agricultura de subsistência em todo o mundo – tinham uma dieta muito pobre, consistindo basicamente em carboidratos. Proteína, na forma de carne ou laticínios, era algo muito raro. Antes da introdução da agricultura, havia certa divisão do trabalho. Nas sociedades caçadorascoletoras, as mulheres eram majoritariamente coletoras e os homens se encarregavam de quase toda a caça, enquanto certos indivíduos, às vezes com algum tipo de deficiência, tornavam-se xamãs. De modo geral, entretanto, a especialização ocupacional e a hierarquia social, com reis e sacerdotes no topo e escravos na base da pirâmide, ocorreram após o estabelecimento das comunidades agrícolas. Graças ao sedentarismo, ao excedente de alimentos e à fabricação de artefatos de cerâmica ou machados de pedra cerimoniais, surgiu o comércio em distâncias consideráveis – o âmbar do Báltico, por exemplo, foi encontrado em toda a Europa em sítios do neolítico. Amor e ódio ao leite Os primeiros humanos não conseguiam digerir leite após o desmame. Mas cerca de 7.500 anos atrás surgiu um novo gene em uma tribo de criadores de gado que vivia entre os Balcãs e a Europa central. Isso permitiu que continuassem digerindo a lactose – o açúcar encontrado no leite – até a idade adulta. Assim, ingredientes como manteiga, queijo e iogurte foram incluídos na dieta. Mas esse gene, comum em povos originários do norte europeu, não é encontrado em mais da metade da população mundial, que continua intolerante à lactose. Por volta de 6000 a.C.

, algumas dessas comunidades – como as de Jericó, no vale do rio Jordão, e de Çatal Höyük, na Anatólia – haviam se transformado em pequenas cidades. O surgimento da civilização urbana na forma de cidades-estado e impérios foi apenas uma questão de tempo. A ideia condensada: a agricultura mudou profundamente a maneira como vivemos 02 As primeiras cidades Atualmente, a maioria dos habitantes do mundo ocidental vive em cidades – algo cada vez mais comum também em países em franco desenvolvimento como Índia, China e Brasil. A urbanização em massa é um fenômeno relativamente recente, associada à industrialização e à mecanização da agricultura dos últimos dois séculos. Antes disso, a grande maioria das pessoas vivia no campo, trabalhando na terra. Mas as cidades existem desde os primeiros registros da história humana, cerca de cinco milênios atrás, e sempre foram centros de poder, propulsoras de mudanças culturais e tecnológicas. “Enchente do Nilo, seja verde e venha! Dê vida à humanidade e ao gado com a colheita dos campos!” Hino ao Nilo, Antigo Egito, c. 1500 a.C. Grande parte das cidades se desenvolveu a partir das vilas, que por sua vez se desenvolveram a partir das aldeias. As primeiras aldeias permanentes surgiram com os primórdios da agricultura no Oriente Médio há cerca de dez mil anos, embora alguns assentamentos possam não ter começado como comunidades agrícolas e, sim, como mercados na intersecção de rotas comerciais. O comércio certamente desempenhou papel importante para o desenvolvimento de vilas e cidades. No entanto, não haveria como manter a crescente população urbana sem a intensificação da agricultura, que emmuitas regiões só foi possível com a criação de complexos sistemas de irrigação. A importância da água As primeiras civilizações urbanas surgiram independentemente em quatro partes diferentes do mundo entre 4000 a.C. e 2000 a.C.: na Mesopotâmia (atual Iraque), entre os rios Tigre e Eufrates; no Egito, no vale do Nilo; no vale do Indo, região onde fica o atual Paquistão; e na China, ao longo dos rios Amarelo (Huang He) e Yangtze (Chang Jiang). Uma característica comum a esses rios é a variação sazonal do fluxo de suas águas, que alterna períodos de cheias com períodos de seca. Para maximizar a produção agrícola, era preciso construir barragens para armazenar a água e canais para irrigar a terra no período de seca. Com o desenvolvimento dessa tecnologia, os agricultores perceberam que poderiam se mudar para regiões mais áridas, como o sul da Mesopotâmia. Além disso, a irrigação possibilitou a realização de duas e de até três colheitas anuais, em vez de apenas uma. A construção desses sistemas de irrigação exigia grande precisão na previsão das cheias e um alto nível de organização social, necessária para o estabelecimento da propriedade da terra e para o recrutamento da força de trabalho. Os registros de propriedade requeriam a medição precisa – daí o desenvolvimento da matemática, mas também da escrita. Além disso, a gestão de grandes projetos de construção exigia uma hierarquia rígida para definir quem faria as escavações e quem daria as ordens, usufruindo os maiores benefícios.

Organização social e política Foi preciso o mesmo nível de estratificação social e mobilização de mão de obra para a construção das primeiras cidades, que se desenvolveram na esteira dos excedentes agrícolas gerados pelos sistemas de irrigação. As primeiras cidades eram mais do que umsimples ajuntamento de moradias e oficinas. Continham estruturas grandiosas como templos e palácios, avenidas cerimoniais, galpões para os tributos, impostos e bens comercializados, muralhas de proteção e, ligados ao sistema de irrigação, canais e aquedutos para levar água fresca à população. As grandes cidades planejadas do Vale do Indo, Mohenjo Daro e Harappa, construídas por volta de 2600 a.C., tinham um sistema de dutos cobertos para escoar a água suja e o esgoto. Em geral, os membros das diferentes classes – trabalhadores, artesãos, mercadores, sacerdotes e príncipes – viviam em diferentes áreas da cidade; o tamanho e a qualidade de suas moradias refletiam seu status social. Eram necessários muitos trabalhadores (livres ou escravos) para construir os grandes monumentos cívicos e religiosos – os zigurates da Mesopotâmia, as pirâmides do Egito, os templos e banhos públicos do Indo. Os artesãos produziam objetos de cerâmica, têxteis, joias, esculturas em pedra, objetos de metal e outros que, juntamente com os produtos agrícolas, eram comercializados pelos mercadores. O comércio não era apenas local: no final do terceiro milênio a.C., por exemplo, as cidades do Indo tinham relações comerciais com cidades da Suméria, área ao sul do atual Iraque. “Crie-se Babilônia, cuja construção vós demandastes! Que seus tijolos de barro sejam moldados e seja erguido um grande santuário!” O Épico da Criação (Enuma Elish), do primeiro milênio a.C., que era recitado todos os anos diante de uma estátua do deus babilônio Marduk. Acima de todos estavam os reis, que se proclamavam descendentes dos deuses e que mantinham seu poder pela afirmação de uma autoridade divina – com o apoio de força armada quando necessário. Os exércitos não serviam apenas para manter o rei a salvo de seus súditos. Em períodos anteriores, a agressividade e a disputa por recursos haviam se manifestado ocasionalmente através de invasões intertribais, que foram se intensificando até produzir um novo fenômeno: a guerra. Na Mesopotâmia, as cidades-estado sumerianas do terceiro século a.C., como Eridu, Kish, Ur e Uruk, estavamconstantemente lutando umas com as outras, o que acabou por impulsionar o desenvolvimento tecnológico bélico, com a criação de carruagens de guerra, escudos, lanças e capacetes de metal. O período de guerra das cidades-estado foi sucedido pelo período dos impérios – Acadiano, Babilônio e Assírio, por exemplo. A unidade política sobre uma grande área também foi estabelecida no Egito, por volta de 3000 a.C., e na China, em meados do segundo século a.

C., com a dinastia Shang. No primeiro milênio a.C., despontaram civilizações urbanas em outras partes do mundo: na Pérsia, na Índia e no sudeste asiático, na Grécia e no império romano. No primeiro milênio d.C., grandes cidades como Teotihuacán – com uma população de aproximadamente 200 mil pessoas – floresceram na Mesoamérica e também na região andina da América do Sul. Apesar de isoladas do resto do mundo, essas cidades do Novo Mundo tinham todas as características comuns às cidades do Velho Mundo. Teotihuacán, por exemplo, com seu plano ortogonal, é dominada por dois grandes monumentos cerimoniais: a Pirâmide do Sol e a Pirâmide da Lua. E, como ocorreu com muitas cidades do mundo antigo, restam apenas ruínas, lembranças de uma civilização perdida.

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