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813 – A Dupla Vida de Arsene Lupin – Maurice Leblanc

O senhor Kesselbach parou de repente na entrada da sala, segurou o braço de seu secretário e murmurou com voz inquieta: — Chapman, entraram aqui novamente. — Ora vamos, senhor — protestou o secretário —, o senhor acaba de abrir pessoalmente a porta do vestíbulo, e enquanto almoçávamos no restaurante a chave não saiu do seu bolso. — Chapman, entraram aqui novamente — repetiu o Sr. Kesselbach. Apontou para uma maleta de viagem colocada sobre a lareira. — Veja, aí tem a prova. Esta maleta estava fechada. Não está mais. Chapman objetou: — O senhor tem certeza de que a fechou? Além disso, essa maleta contém apenas pequenas coisas sem valor, simples objetos de toalete… — Contém apenas isso porque retirei minha carteira antes de sair, por precaução… sem o quê… Não, volto a afirmar, Chapman, entraram aqui enquanto almoçávamos. Na parede havia um telefone. Tirou o fone do gancho. — Alô… é para o senhor Kesselbach… do apartamento 415… Isso mesmo, senhorita, quer fazer uma ligação com a chefatura de Polícia… Sim, a Sûreté… Creio não ser preciso dar-lhe o número, não é? Bem… Obrigado… Aguardo no aparelho. Um minuto depois voltava a falar: — Alô? Alô? Gostaria de falar com o senhor Lenormand, o chefe da Sûreté. É da parte do senhor Kesselbach… Alô, Certo. O chefe da Sûreté sabe do que se trata. Tenho autorização dele próprio para telefonar-lhe… Ah! ele não está… Com quem tenho a honra de falar? Senhor Gourel? Inspetor de polícia… Tenho a impressão, Sr. Gourel, de que assistiu ontem à minha entrevista com o Sr. Lenormand… Pois bem, senhor, o mesmo fato voltou a acontecer hoje. Penetraram no apartamento que ocupo. E se o senhor viesse agora, talvez pudesse descobrir alguns indícios… Daqui a uma hora ou duas? Perfeitamente. Bastará que o senhor procure o apartamento 415. Mais uma vez, muito obrigado! De passagem por Paris, Rudolf Kesselbach, o rei do diamante, como era chamado — ou segundo outro apelido, “rei de Cape Town” — o multimilionário Rudolf Kesselbach (sua fortuna era avaliada em mais de cem milhões) ocupava há uma semana o apartamento 415 do quarto andar do Palace Hotel, composto de três peças, as duas maiores à direita, o salão e o quarto principal dando para a avenida, enquanto o terceiro, à esquerda, do secretário Chapman, dava para a rua de Judée Além deste quarto, cinco cômodos estavam reservados para Mme. Kesselbach, que devia deixar Monte-Carlo, onde se encontrava atualmente, para reunir-se ao marido assim que ele a chamasse. Durante alguns minutos Rudolf Kesselbach andou de um lado para outro, com ar preocupado. Era um homem de grande estatura, corado, ainda jovem, a quem uns olhos sonhadores, percebidos através de seus óculos de aros de ouro, davam uma expressão de doçura e timidez, contrastando coma testa quadrada e os fortes maxilares.


Foi até a janela — estava fechada. Aliás, como poderia alguém entrar por ali? O balcão particular pertencente ao apartamento interrompia-se à direita; à esquerda, estava separado por ummuro divisório formado pelos balcões dos edifícios da rua de Judée. Passou ao seu quarto: não havia qualquer comunicação com os cômodos vizinhos. Foi ao quarto de seu secretário; a porta que dava para as cinco peças reservadas a Mme. Kesselbach estava fechada, trancada a chave. — Não estou entendendo nada, Chapman, pois já por diversas vezes constatei aqui coisas… vamos dizer, coisas estranhas, você há de convir. Ontem foi a minha bengala que estava fora do lugar… Anteontem, tenho absoluta certeza de que mexeram nos meus papéis… e no entanto não posso compreender como isso teria sido possível! — É impossível, senhor — exclamou Chapman, cuja plácida figura de homem honesto não demonstrava nenhuma inquietação. — Não passam de simples suposições. O senhor não tem prova alguma… nem impressões… E além do mais, de que maneira? Não se pode entrar neste apartamento a não ser pelo vestíbulo. Ora, o senhor mandou fazer uma chave especial no dia de sua chegada e apenas seu empregado, Edwards, possui uma cópia da mesma. O senhor não tem confiança nele? — Claro! Está há dez anos a meu serviço… Mas Edwards almoça ao mesmo tempo que nós, na mesma hora, o que é um erro. De agora em diante ele só poderá descer depois que retornarmos. Chapman ergueu levemente os ombros. Decididamente o “rei do Cabo” estava se tornando umtanto estranho com seus temores inexplicáveis. Que risco poderiam eles correr num hotel, sobretudo não guardando consigo ou perto de si nenhum valor, nenhuma grande soma em dinheiro? Ouviram abrir-se a porta do vestíbulo. Era Edwards. Kesselbach chamou-o. — Você está de libré, Edwards? Ah, bem! Não espero visitas hoje Edwards… ou melhor, sim, apenas uma visita, a do senhor Gourel. Você ficará no vestíbulo, vigiando a porta. Temos que trabalhar seriamente, o Sr. Chapman e eu. O trabalho sério durou alguns instantes, enquanto o Sr. Kesselbach examinava a correspondência, lia três ou quatro cartas, e ditava as respostas que deveriam ser dadas. Mas de repente Chapman, que esperava com a caneta na mão, percebeu que o Sr. Kesselbach pensava em algo bem distante da sua correspondência.

Tinha entre os dedos, e examinava com a maior atenção, um alfinete preto, encurvado como se fora um anzol. — Chapman — disse ele —, veja só o que encontrei sobre a mesa. Evidentemente este alfinete curvo representa alguma coisa. Eis aí uma prova, uma peça de convicção. E você agora não poderá negar que entraram neste salão. Porque, é óbvio, este alfinete não chegou até aqui andando sozinho… — Claro que não — respondeu o secretário —, fui eu quem o trouxe. — Como? — Sim, é um alfinete que uso para prender gravata ao colarinho. Tirei-o ontem à noite e, enquanto o senhor lia, maquinalmente o torci. Kesselbach levantou-se encabulado, deu alguns passos pelo salão e parou: — Sem dúvida você está achando graça, Chapman… e tem razão… Não posso discutir, sei que sou, vamos dizer, excêntrico, desde a última viagem que fiz ao Cabo. É que… eis aí… você não sabe o que há de novo em minha vida… um projeto formidável… uma coisa enorme… coisa que ainda vejo envolta na neblina do futuro, mas que começa a tomar forma… e que será colossal… Ah! Chapman, você nem pode imaginar. O dinheiro, o dinheiro pouco me importa, eu tenho… tenho até demais… Mas isso vai um pouco além, é o poder, a força, a autoridade. Se a realidade estiver de acordo com o que espero, não serei mais apenas o “rei do Cabo”, mas rei de outros reinados… Rudolf Kesselbach, filho do caldeireiro de Augsbourg, andará lado a lado com pessoas que até agora o tratam com desprezo… Ele irá mais longe ainda, Chapman, será mais do que eles, esteja bem certo disso… e se alguma vez… Calou-se, olhou Chapman como se estivesse arrependido de haver falado demais; porém, ainda tomado de entusiasmo, concluiu: — Você compreende, Chapman, as razões da minha inquietação… Tenho na cabeça uma ideia que vale muito… e existe alguém que já suspeita disso… talvez até me espione, tenho quase certeza disso… “Uma campainha tocou. — O telefone — disse Chapman. Pegou o aparelho. — Alô?… Da parte de quem? Do coronel?… Ah! Pois bem, sou eu… Alguma novidade? Perfeito… Então eu espero… Virá com seus homens? Perfeito… Alô! Não, não seremos incomodados, darei ordens nesse sentido… É tão grave assim…? Repito que a proibição será formal… meu secretário e meu empregado tomarão conta da porta e ninguém entrará. Conhece bem o caminho, não? Portanto não perca um minuto sequer. Pôs o fone no gancho e disse: — Chapman, dois senhores virão aqui… Sim, dois senhores… Edwards fará com que entrem… — Mas… o senhor Gourel… o policial… — Ele chegará mais tarde… dentro de uma hora… E além disso não há problema, eles podemse encontrar. Portanto, diga a Edwards que vá imediatamente à portaria e previna a esse respeito. Não estou para ninguém… a não ser para dois senhores, o coronel e seu amigo, e para o Sr. Gourel. Faça com que anotem seus nomes. Chapman cumpriu a ordem. Quando voltou encontrou o Sr. Kesselbach segurando um envelope, ou melhor, uma pequena bolsa de marroquim preto, aparentemente vazia. Parecia hesitar sem saber o que fazer com ela.

Iria guardá-la no bolso ou colocá-la em outro lugar? Finalmente aproximou-se da lareira e jogou-a dentro de sua maleta de viagem: — Terminemos a correspondência, Chapman. Tenho ainda dez minutos. Ah! Uma carta de Mme. Kesselbach! Como você esqueceu de chamar minha atenção, Chapman? Não reconheceu a letra? Não conseguia esconder a emoção que sentia ao tocar e contemplar esse papel em que sua mulher tocara, onde pusera umpouco de seu pensamento secreto. Aspirou o perfume e, abrindo-a, leu-a lentamente, baixinho, deixando escapar alguns fragmentos que eram ouvidos por Chapman. — Um pouco cansada… não saio do quarto… eu me aborreço… Quando poderei reencontrálo? Um telegrama seu seria bem-vindo… — Você telegrafou esta manhã, Chapman? Assim Mme. Kesselbach poderá estar aqui amanhã, quarta-feira. Parecia feliz, como se o peso dos seus negócios de súbito se aliviasse, livrando-o de qualquer inquietação. Esfregou as mãos e respirou profundamente, como um homem forte, certo de vencer, como um homem feliz que tinha não apenas a felicidade mas também o poder para defendêla. — Estão batendo, Chapman. Tocaram a campainha no vestíbulo. Vá atender. Mas Edwards entrou e disse: — Dois homens perguntam pelo senhor. São as pessoas… — Eu sei. Estão no vestíbulo? — Estão, senhor. — Feche a porta do vestíbulo e não abra mais… salvo ao Sr. Gourel, brigadeiro da Sûreté. Você, Chapman, vá buscar esses senhores e diga- lhes que quero falar primeiro ao coronel, ao coronel sozinho. Edwards e Chapman saíram fechando a porta atrás de si. Rudolf Kesselbach dirigiu-se para a janela e apoiou a testa na vidraça. Na rua, bem abaixo de si, os carros e automóveis rolavam em vias paralelas, marcando a linha dupla das calçadas. Um claro sol de primavera fazia brilhar os metais e os vernizes. As árvores começavam a cobrir-se de verde e os botões de castanheiros abriam suas pequenas pétalas. — Que diabo estará fazendo Chapman? — murmurou Kesselbach. — Pelo tempo que estão parlamentando!… Apanhou um cigarro em cima da mesa, acendeu-o, tirou algumas baforadas.

Um grito abafado escapou-lhe. Perto dele, de pé, estava um homem a quem não conhecia. Recuou um passo. — Quem é o senhor? O homem — um indivíduo corretamente vestido, elegante, de cabelos e bigodes negros, olhar duro —, o homem deu uma risadinha de escárnio: — Quem sou eu? Ora, o coronel!… — Não, não é aquele a quem chamo assim, aquele que me escreve assinando-se assim, convencionalmente… não é o senhor. — Sim… sim… o outro não passa de… Mas vejamos, meu caro senhor, tudo isso não tem a menor importância. O essencial é que eu seja eu. E eu, juro que o sou. — Mas, afinal, senhor, qual o seu nome? — Coronel, até nova ordem… Um medo crescente invadia o Sr. Kesselbach. Quem era esse homem? O que desejava ele? Chamou: — Chapman! — Que ideia ridícula essa de chamar alguém! Não lhe basta a minha companhia? * Chapman! — repetiu Kesselbach. — Chapman! Edwards! — Chapman! Edwards! —chamou por sua vez o desconhecido. — O que fazem vocês, meus amigos? Será que não ouviram que estão sendo chamados? — Senhor, eu vos peço, vos ordeno, deixe-me passar. — Mas meu caro senhor, quem vos impede? Afastou-se polidamente; o Sr. Kesselbach avançou para a porta aberta, outro homem apontava-lhe um revólver. Balbuciou: — Edwards… Chap… Não concluiu. Percebeu num canto do vestíbulo, estendidos no chão, lado a lado, amarrados e amordaçados, o secretário e o empregado. O senhor Kesselbach, apesar de sua natureza inquieta e impressionável, era corajoso, e o sentimento da existência de um perigo real em lugar de abatê-lo trouxe-lhe de volta toda a sua energia. Lentamente, simulando ainda surpresa e medo, recuou em direção à lareira e apoiou-se na parede. Seu dedo buscava a campainha elétrica. Encontrou-a e apertou-a demoradamente. — E então? — disse o desconhecido. Sem responder, o Sr. Kesselbach continuava a apertar a campainha. — E então? Espera que venha alguém, que todo o hotel esteja em polvorosa porque está apertando este botão?… Mas meu pobre senhor, olhe para trás e veja que o fio foi cortado. Kesselbach voltou-se rapidamente, como se quisesse certificar-se, mas com um movimento ligeiro apanhou a bolsa de viagem e mergulhou a mão, tirando um revólver que apontou para o homem, puxando o gatilho.

— Ora vejam! — disse este. — Agora usa como munição ar e silêncio? Uma segunda vez o cão bateu em branco e ainda uma terceira. Nenhuma detonação se fez ouvir. — Só mais três vezes “rei do Cabo”. Só ficarei realmente contente com seis balas no corpo. Como! Desiste? É uma pena… pois o cartão de visitas prometia muito mais… Segurou uma cadeira pelo encosto, virou-a e sentou-se a cavaleiro; apontando uma poltrona ao Sr. Kesselbach, disse: — Faça o favor de sentar-se, meu caro senhor, e fique à vontade, como se estivesse em sua própria casa. Um cigarro? Para mim não. Prefiro charutos. Sobre a mesa havia uma caixa. Escolheu um Upman1 claro, acendeu-o e inclinou-se: 1 Famosa marca de charutos. — Obrigado. Este charuto é delicioso… E agora, se assim o desejar, podemos conversar, não? Rudolf Kesselbach estava estupefato… Quem era esse estranho personagem? Ao vê-lo agora, tão tranquilo e falador, também ele pouco a pouco se acalmava e começava a crer que poderia sair daquilo sem sofrer violência ou brutalidade. Tirou do bolso uma carteira, abriu-a, exibiu um respeitável punhado de notas, e perguntou: — Quanto? O outro olhou-o com ar espantado, como se custasse a compreender. Por fim, depois de certo tempo, chamou: — Marco! O homem que apontara o revólver adiantou-se. — Marco, o cavalheiro teve a gentileza de oferecer estas bagatelas, estes trocados, para você comprar algo para sua amiga. Aceite, Marco. Sempre apontando o revólver com a mão direita, Marco estendeu a esquerda, apanhou as notas e retirou-se. — Já que essa questão está resolvida de acordo com o seu desejo, vamos agora ao motivo de minha visita. Serei o mais breve e preciso possível. Quero duas coisas: uma pequena bolsa de marroquim preto que geralmente o senhor carrega consigo; depois um pequeno cofre de ébano que ainda ontem se encontrava nesta mala de viagem. Portanto, procedamos por ordem: a bolsa de marroquim? — Queimei-a. O desconhecido franziu as sobrancelhas. Parecia estar se lembrando de outros tempos, quando existiam meios mais persuasivos de obrigar a falar aqueles que teimavam em se manter calados. — Vá lá.

Depois veremos. E o cofre de ébano? — Queimei-o também. — Ah! — respondeu ele. — Está tentando se divertir a minha custa, meu caro senhor. Torceu-lhe o braço firmemente. — Ontem, Rudolf Kesselbach, ontem o senhor entrou no Crédit Lyonnais, no Boulevard des Italiens, procurando disfarçar um embrulho sob seu capote. Alugou um cofre-forte. Sejamos mais precisos: o cofre de número 16, traço 9. Depois de ter assinado e pago, desceu ao subsolo e, quando retornou, não mais estava com o pacote escondido. Não é exato? — Absolutamente. — Assim, o cofre e a bolsa estão no Crédit Lyonnais? — Não. — Dê-me a chave do cofre. — Não. — Marco! Marco apareceu rapidamente. — Vá em frente, Marco, o nó quádruplo. Antes mesmo de poder se colocar na defensiva, Rudolf Kesselbach foi amarrado de tal forma por um, conjunto de cordas, que a qualquer movimento que fizesse ao se debater se machucava. Seus braços foram imobilizados nas costas, o busto amarrado à poltrona, e as pernas em faixas, como se fossem as pernas de uma múmia. — Procure, Marco. Marco procurou. Dois minutos depois entregava a seu chefe uma pequena chave niquelada, com os números 16 e 9. — Perfeito. Nada quanto à bolsa de marroquim? — Nada, patrão. — Ela está no cofre. Senhor Kesselbach, quer me informar o segredo do cofre? — Não. — O senhor recusa? — Recuso.

— Marco? — Patrão? — Encoste o cano do seu revólver na cabeça do cavalheiro. — Pronto. — Ponha o dedo no gatilho. — Pronto. — Pois bem, meu velho Kesselbach, está agora decidido a falar? — Não. — Tem apenas dez segundos, nem um segundo a mais. Marco? — Patrão? — Dentro de dez segundos você fará saltar o cérebro do cavalheiro. — Entendido. — Kesselbach, vou contar: um, dois, três, quatro, cinco, seis… Rudolf Kesselbach fez um sinal. — Quer falar? — Quero. — Já era tempo. Agora, vamos tratar do segredo… a palavra da fechadura?… — Dolor. — Dolor… Dor… Mme. Kesselbach não se chama Dolores? Meu caro Marco, vá fazer o que já foi combinado… Não quero nada de errado, hein? Recapitulemos… você vai encontrar Jerôme onde você já sabe, entregará a ele a chave e dirá o segredo do cofre: Dolor. Irão juntos ao Crédit Lyonnais. Jerôme entrará sozinho, assinará o registro de identidade, descerá ao porão e apanhará tudo que se encontre no cofre. Compreendido? — Compreendo, patrão. Mas se por acaso o cofre não se abrir, se a palavra “Dolor”… — Cale-se, Marco. Ao sair do Crédit Lyonnais, você deixará Jerôme e voltará para casa, de onde me telefonará dando o resultado da operação. Se porventura a palavra. “Dolor” não abrir o cofre, teremos — nosso amigo Kesselbach e eu — uma pequena conversa particular. Está certo, Kesselbach, de não ter se enganado? — Estou. — É que dessa forma evitaria uma busca inútil. Em todo caso, é o que veremos. Vá, Marco.

— Mas o senhor, patrão? — Eu, eu fico. Oh, não tenha receio. Nunca corri um risco tão pequeno. Não é mesmo assim, Kesselbach, as ordens não foram terminantes? — Sim. — Diabo, você está dizendo isso de forma um tanto apressada. Será que está querendo ganhar tempo? Nesse caso, eu serei preso numa armadilha, como um idiota?… Refletiu, olhou seu prisioneiro e concluiu: — Não, não é possível… Acredito que não seremos mesmo incomodados… Mal acabara de dizer esta última palavra, quando* a campainha do vestíbulo soou. Com a mão, tapou violentamente a boca de Rudolf Kesselbach. — Ah! Velha raposa, esperava alguém! Os olhos do cativo brilharam de esperança. Ouviram sua risada por baixo da mão que o sufocava. O homem tremia de raiva. — Cale-se, caso contrário eu o estrangulo. Vamos, Marco, amordace-o rapidamente… Bem. Tocaram novamente. Ele gritou como se fosse Rudolf Kesselbach e Edwards estivesse lá fora: — Abra logo, Edwards. Depois passou discretamente para o vestíbulo e, à meia-voz, apontando o secretário e o empregado, disse: — Marco, ajude-me a levá-los para o quarto… lá… de maneira que não possamser vistos. Levantou o secretário; Marco levou o empregado. — Tudo bem, volte ao salão. Seguiu-o, passando novamente pelo vestíbulo e ao mesmo tempo falando bem alto, em tom de espanto: — Mas o empregado não está aqui, senhor Kesselbach… Não, não se incomode… termine sua carta… Eu mesmo atenderei. Tranquilamente abriu a porta de entrada. — Senhor Kesselbach? — perguntaram-lhe. Encontrou à sua frente um verdadeiro colosso, um gigante de rosto largo, alegre, olhos vivos, balançando-se de um lado para outro sobre os pés, torcendo nas mãos a aba do chapéu. Respondeu: — Perfeitamente, é aqui. A quem devo anunciar? — O Senhor Kesselbach telefonou-me… ele está à minha espera… — Ah! É o senhor… vou preveni-lo… quer esperar um minuto? O senhor Kesselbach vai recebê-lo.

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