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9 Julgamento – Clube das Mulheres Contra o Crime – Vol 9 – James Patterson

SARAH WELLS ESTAVA NO TELHADO da garagem e enfiou uma das mãos enluvadas pelo buraco que tinha aberto no vidro. Conseguia ouvir as batidas do seu próprio coração enquanto destrancava a janela, a abria e deslizava em silêncio para o quarto escuro. Uma vez lá dentro, encostou-se à parede e esperou. Vozes ecoavam do andar de baixo. Ela ouviu o tilintar de talheres na louça de porcelana. Boa hora. Perfeita, aliás, pensou. No entanto, isso não queria dizer necessariamente que o plano seria bem-sucedido. Ela acendeu a lanterna que estava presa ao boné e deu um giro de 180 graus para iluminar o quarto. Notou o aparador atulhado. Precisava tomar cuidado com ele e os pequenos tapetes no assoalho escorregadio de madeira de lei. Jovem e ágil, logo cruzou o ambiente. Encostou a porta entre o quarto e o corredor, deixando uma fresta, e dirigiu-se para o closet aberto, que cheirava levemente a perfume. Jogou a luz da lanterna sobre as prateleiras de roupas. Afastou uma série de longos vestidos bordados com pedrarias, e lá estava: um cofre. Se Casey Dowling fosse como a maioria das socialites, certamente usava joias durante os jantares festivos. E havia uma boa chance de ela deixar o cofre destrancado para que pudesse recolocar tudo lá mais tarde, sem precisar digitar a combinação de novo. Sarah puxou de leve a maçaneta… e a pesada porta se abriu. Deu certo. Mas precisava trabalhar rápido. Tinha só três minutos. A lanterna iluminava o conteúdo do cofre, deixando-a com as mãos livres para revirar o amontoado de envelopes de papel acetinado e caixas cobertas por seda. No fundo, havia uma pequena caixa forrada com tecido brocado. Ela abriu o trinco e levantou a tampa. Sarah se surpreendeu.


Durante dois meses, tinha lido matérias sobre Casey Dowling e vira dezenas de fotos suas emeventos sociais, carregada de joias cintilantes. Mas não esperava aquela quantidade de diamantes e pedras preciosas ou os montes reluzentes de pérolas barrocas. Era loucura Casey Dowling possuir tudo aquilo. Bem, logo ela não possuiria mais. Sarah pegou as pulseiras, os brincos e os anéis de dentro da caixa, guardando tudo em uma das duas pequenas bolsas cujas alças cruzavam-se no seu peito. Parou para observar um anel emparticular e, de repente, as luzes do quarto se acenderam. Ela apagou a luz do closet e se abaixou. Seu coração disparou quando ouviu a voz de Marcus Dowling, astro do teatro e do cinema, discutindo com a mulher. Sarah curvou o corpo de 1,72 metro e ficou encolhida por entre vestidos longos e sacolas de roupas. Meu Deus, eu sou uma imbecil. Enquanto devorava as joias com os olhos, o jantar festivo dos Dowlings terminara e agora ela, uma professora de inglês do ensino médio, estava prestes a ser flagrada e presa por roubo. Seria umescândalo. Sentiu o suor sob o gorro de tricô. Gotas escorriam das axilas pelas laterais da blusa preta de gola rulê enquanto ela esperava o casal acender a luz do closet e encontrá-la agachada ali. 2 CASEY DOWLING TENTAVA ARRANCAR uma confissão do marido, mas Marcus desconversava. – De que merda você está falando? – perguntou ele, ríspido. – Eu não estava olhando os peitos da Sheila, pelo amor de Deus. Toda vez que marcamos essas reuniões, você reclama que estou olhando para alguém com malícia. Sinceramente, querida, não acho a sua paranoia nem um pouco atraente. – Ahhhh, nããão. Estou tãããão envergonhada por ter pensado que você estava flertando com outra mulher! Casey gargalhou; seu riso era adorável, mesmo quando vinha acompanhado com um toque de sarcasmo. – Vaca idiota – resmungou Marcus. Sarah visualizou o belo rosto daquele homem, o cabelo grisalho espesso caindo pela testa enquanto ele franzia as sobrancelhas. Também imaginou Casey: esbelta, o cabelo louro claro pendendo como uma cascata de prata, na altura dos ombros. – Pronto, pronto.

Feri os seus sentimentos – falou Casey com ternura. – Vamos esquecer isso, amor. Não estou no clima agora. – Ah, desculpe. O erro foi meu. Sarah sentiu a melancolia naquela voz como se a rejeitada tivesse sido ela. – Ai, meu Deus. Não chore. Venha aqui – disse Marcus. O quarto ficou em silêncio por alguns minutos, até que ela ouviu o som de corpos caindo na cama de forma abrupta, murmurando palavras que não conseguia compreender. Quando a cabeceira da cama começou a bater de leve contra a parede, Sarah compreendeu: Eles estão transando! Imagens de Marcus Dowling em Susan e James, com Jennifer Lowe, e em Garoto ruivo, comKimberley Kerry, vieram à sua mente. Imaginou Casey nos braços de Marcus, as pernas longas enroscadas nele. As batidas ganharam ritmo e os gemidos ficaram mais altos. Minutos depois, Marcus deu um longo suspiro. E então, por misericórdia, tudo acabou. Alguém usou o banheiro e o quarto escureceu. Por vinte minutos, no mínimo, Sarah permaneceu agachada em silêncio entre os vestidos. E quando a respiração do lado de fora do closet se regularizou, passando a sibilos e roncos, ela abriu a porta e engatinhou até a janela. Estava quase livre. Quase. Foi rápida e silenciosa ao pular até o parapeito. Porém uma de suas pernas acabou batendo na lateral do aparador… e tudo deu errado. Ouviu-se o barulho dos objetos deslizando pelo móvel e, logo depois, o som dos porta-retratos e frascos de perfume quebrando no chão. Que merda. Sarah congelou quando Casey Dowling sentou na cama de repente e gritou: – Quem está aí? O pavor a levou a se mover.

Pendurou-se no telhado da garagem com toda a força que tinha nas pontas dos dedos. Então, soltou-se e despencou de uma altura de 3 metros. Ela caiu na grama com os joelhos dobrados, sem sentir dor. Assim que a luz do quarto dos Dowlings se acendeu, Sarah correu. Retirou a lanterna do boné e a guardou em uma das bolsas enquanto corria a toda velocidade por Nob Hill, um bairro elegante da alta sociedade de São Francisco. Alguns minutos mais tarde, ela encontrou o seu velho carro Saturn onde o deixara: na frente de uma farmácia. Entrou nele e trancou a porta, como se isso pudesse livrá-la do pavor. Ainda ofegante, deu partida no motor e soltou o freio de mão. Tentava não vomitar enquanto dirigia para casa. Ao alcançar o trecho livre da Pine Street, Sarah retirou o boné e as luvas, enxugou a testa com as costas da mão e refletiu bastante a respeito da sua fuga. Não deixara nada: nenhuma ferramenta, nenhuma impressão digital, nenhum DNA. Nada. Por ora, pelo menos, estava em segurança. Não sabia se ria ou chorava. 3 CASEY ABRIU OS OLHOS no escuro. Algo havia quebrado. O barulho tinha vindo do aparador. Ela sentiu a brisa no rosto. A janela estava aberta. O casal nunca a abria. Tinha alguém dentro da casa. Sentou-se e perguntou: – Quem está aí? Agarrou as cobertas, levando-as ao queixo, e deu um berro: – Marc, tem alguém no quarto! – Você está sonhando – reclamou o marido. – Volte a dormir. – Acorde! Tem alguém aqui – sibilou ela. Casey se atrapalhou com o abajur, derrubou os óculos no chão, encontrou o interruptor e acendeu a luz.

Lá. O aparador estava virado, tudo quebrado, as cortinas balançando ao vento. – Faça alguma coisa, Marc. Faça alguma coisa. Marcus Dowling se exercitava todos os dias. Ainda podia levantar 100 quilos e sabia como usar uma arma de fogo. Ele pediu à mulher para ficar quieta e abriu a gaveta da mesinha de cabeceira, tirando de lá a .44, sempre carregada dentro de um estojo de couro macio. Abriu o estojo e agarrou a arma. Casey pegou o telefone do criado-mudo e, com as mãos trêmulas, tentou discar 911, mas errou as teclas. Fez uma segunda tentativa enquanto ele, ainda meio bêbado, gritava: – Quem está aí? – Mesmo em um momento sério daqueles, ele parecia estar atuando. – Apareça. Marcus olhou no banheiro e no corredor. – Não disse, Casey? Não há ninguém aqui. Ela colocou o telefone de volta no gancho, livrou-se das cobertas e entrou no closet para buscar o roupão. De repente, gritou. – O que é agora? – indagou ele. Pálida, nua, virou-se para o marido e disse: – Meu Deus, minhas joias sumiram. O cofre está quase vazio. Era difícil para Casey ler a expressão que surgiu no rosto de Marc. Era como se tivesse acabado de ter uma ideia que consumia seus pensamentos. Será que ele sabia quem os roubara? – O que é? O que está pensando? – Que não é uma boa ideia reagir a um assalto. – Que besteira é essa? O que você quer dizer com isso? Marcus estendeu o braço direito e apontou a arma para um sinal de nascença entre os seios da mulher. Em seguida, puxou o gatilho. – É isso o que quero dizer.

Casey abriu a boca, inspirou e expirou o ar e olhou para o peito, o sangue transbordando. Ela apertou as mãos contra o ferimento. Olhou para o marido e suplicou, ofegante: – Por favor, me ajude. Ele atirou mais uma vez. Os joelhos se dobraram e ela caiu.

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