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A Aguia de Sharpe – Bernard Cornwell

O Exército britânico estava dividido regimentos como ainda hoje, mas a maior parte deles recebia um número e não um nome; assim, por exemplo, o regimento de Bedfordshire chamava-se na realidade o 14, os Comandos de Connaught o 88 e assim sucessivamente. Os soldados preferiam os nomes, mas tiveram de esperar até 1881 para que isso fosse oficialmente aprovado. Não dei deliberadamente qualquer número ao South Essex pois trata-se de um regimento fictício. Um regimento era uma unidade administrativa; a unidade básica de combate era o batalhão. A maior parte dos regimentos consistia, pelo menos, em dois batalhões, mas alguns, como o imaginário South Essex, eram pequenos regimentos de um único batalhão. É por isso que em Sharpe e a Águia do Império se usam indistintamente ambas as palavras em referência ao South Essex. Em teoria, umbatalhão tinha mil homens, mas as doenças e as baixas, aliadas à escassez de recrutas, faziam comque os batalhões entrassem freqüentemente em batalhas com apenas quinhentos ou seiscentos homens. Todos os batalhões estavam divididos em dez companhias. Duas delas, a Companhia Ligeira e a Companhia de Granadeiros, constituíam a elite do batalhão e, em particular as companhias ligeiras, eram tão úteis que se recrutavam ou se ampliavam regimentos completos de tropas ligeiras, como os Fuzileiros do 95º. Um batalhão era normalmente comandado por um tenente-coronel, com dois majores, dez capitães e, abaixo destes, os tenentes e alferes. Nenhum destes oficiais tinha recebido qualquer tipo de preparação; isso estava reservado aos oficiais de engenharia e artilharia. Um em cada vinte oficiais era promovido. A promoção normal efetuava-se mais por antiguidade do que por mérito, mas um homem rico, desde que tivesse servido durante um determinado período num posto, podia comprar a promoção ao posto seguinte e, desta forma, antecipar-se. O sistema de compra podia levar a promoções muito injustas, mas vale recordar que, sem ele, o soldado britânico de grandes êxitos militares, Sir Arthur Wellesley, posteriormente duque de Wellington, não teria alcançado uma graduação suficientemente elevada no início da sua carreira, para formar o mais extraordinário exército que a Grã-Bretanha teve; o exército em que Richard Sharpe lutou contra os franceses emPortugal, Espanha e França entre 1808 e 1814. CAPÍTULO I E ra possível ouvir os canhões muito antes de eles aparecerem. As crianças agarravam-se às saias das mães, perguntando-se que coisa tão espantosa provocava aqueles ruídos. Os cascos dos grandes cavalos misturavam-se com o som metálico de tirantes e correntes, com o estrondo cavo das rodas desconjuntadas e, sobretudo, com o estrondo de toneladas de latão, ferro e vigas que se chocavamcontra o pavimento destroçado da cidade. Então apareceram os canhões, os armões, os cavalos e a escolta; os artilheiros pareciam tão duros quanto os canhões enegrecidos e atarracados que evocavam a luta que havia a norte, de onde a artilharia tinha arrastado as suas volumosas armas, por rios cheios e subido vertentes encharcadas pela chuva para esmagar o inimigo até à derrota. Agora voltariam a fazê-lo. As mães agarravam os filhos mais novos e apontavam para os canhões, seguras de que estes britânicos fariam Napoleão desejar ter ficado na Córsega para se dedicar a criação de porcos, que era a única coisa para que servia. E por fim chegou a cavalaria! Os camponeses portugueses aplaudiam as fileiras de vistosos uniformes a trote, os sabres brilhantes e curvos desembainhados que se exibiam pelas ruas e praças de Abrantes, e o fino pó levantado pelos cascos dos cavalos era um preço barato a pagar pela visão dos esplêndidos regimentos que, segundo diziam os cidadãos, expulsariam completamente os franceses para além dos Pireneus, de volta aos esgotos de Paris. Quem poderia resistir perante tal exército? De norte a sul, desde os portos da costa oeste, estavam se reunindo e marchavam emdireção a leste pela estrada que vai até à fronteira espanhola e até ao inimigo. Portugal ficaria livre, o orgulho da Espanha seria restaurado, a França seria humilhada e estes soldados britânicos voltariam às suas adegas e às suas tabernas deixando Abrantes e Lisboa, Coimbra e o Porto em paz. Eles, os soldados, não tinham tanta confiança em si próprios. Na verdade tinham derrotado o exército que Soult tinha a norte, mas, ao avançar para as suas sombras alongadas, perguntavam o que havia para além de Castelo Branco, a cidade mais próxima e a última antes da fronteira.


Em breve voltariam a defrontar-se com os veteranos de Jena e de Austerlitz, que vestiam capote azul, os donos dos campos de batalha europeus, os regimentos franceses que tinham convertido em carne picada os mais distintos exércitos do mundo. Os habitantes da cidade estavam impressionados, pelo menos coma cavalaria e a artilharia, mas, aos olhos de um conhecedor, as tropas que se reuniam nos arredores de Abrantes eram infelizmente poucas e os exércitos franceses que ameaçavam o leste eram terrivelmente grandes. O exército britânico, que atemorizava as crianças de Abrantes, não assustaria os marechais franceses. Enquanto o tenente Richard Sharpe, esperava ordens nos arredores da cidade, via a cavalaria embainhar os sabres ao mesmo tempo que os últimos espectadores ficavam para trás. Retomou então a tarefa de desenrolar da coxa a ligadura suja. Quando as últimas polegadas tinham se soltado, caíram para o chão algumas sanguessugas e o sargento Harper ajoelhou-se para apanhá-las antes de olhar para a ferida. — Já cicatrizou, tenente. Ótimo. Sharpe resmungou. O golpe de sabre tinha se convertido em nove polegadas de tecido cicatrizado e enrugado, limpo e mais rosado em comparação com a pele mais escura. Tirou a última sanguessuga gorda e deu-a a Harper para que a guardasse. — Vá lá, querida, você parece bem alimentada. O sargento Harper fechou a lata e levantou os olhos para Sharpe. — Teve sorte, senhor. Era verdade, pensou Sharpe. O hussardo francês quase que acabara com ele; a sua espada estivera a meio caminho de lhe desferir um tremendo golpe quando a bala do fuzil de Harper o obrigara a levantar da sela e o rosto do francês, envolto em estranhas trancas, se transformara com a agonia da dor. Sharpe desviara-se desesperadamente e o sabre, que lhe apontara para o pescoço, tinha-lhe cortado a coxa deixando-lhe outra cicatriz como recordação dos dezesseis anos no exército britânico. Não fora uma ferida profunda, mas Sharpe vira morrer muitos homens por causa de golpes menores, com o sangue envenenado e a carne descorada e pestilenta. Os médicos eram incapazes de fazer outra coisa que não fosse deixar que o ferido suasse e apodrecesse até morrer nas charneiras que chamavam de hospitais. Um punhado de sanguessugas fazia mais do que um exército de doutores, pois devoravam o tecido doente e deixavam a carne sã cicatrizar naturalmente. Sharpe levantou-se e tentou mexer a perna. — Obrigado, sargento. Está como nova. — Fico satisfeito, senhor. Sharpe vestiu o traje da cavalaria que usava em vez dos calções verdes regulamentares dos Fuzileiros do 95.

Estava orgulhoso do macacão verde com reforços de couro preto que tinha tirado do cadáver de um coronel de caçadores da guarda imperial de Napoleão no Inverno anterior. A parte lateral exterior de cada uma das pernas estava decorada com mais de vinte botões de prata e comesse metal tinha pago comida e bebida quando o seu pequeno bando de fuzileiros havia fugido para sul através das neves da Galiza. O coronel tinha sido uma boa presa; não havia muitos homens emambos os exércitos tão altos quanto Sharpe, mas as calças assentavam-lhe perfeitamente e as botas de couro preto, bonito e macio, eram feitas à sua medida. Patrick Harper não tivera tanta sorte. O enorme sargento irlandês era uns dez centímetros mais alto que Sharpe e ainda não tinha encontrado calças para substituírem as suas, já sem cor, remendadas e feitas em retalhos, que apenas serviam para espantar os corvos num campo de nabos. Toda a companhia estava assim, pensava Sharpe, com os uniformes velhos e as botas literalmente presas com tiras de couro. Enquanto o batalhão principal estivesse na pátria, na Inglaterra, a pequena companhia de Sharpe não encontraria um único oficial comissário desejoso de complicar a vida com dois livros de contabilidade, que lhes proporcionasse calças e calçados novos. O sargento Harper entregou-lhe a casaca do uniforme. — Quer que lhe dê um banho húngaro, tenente? Sharpe negou com a cabeça. — Está bem assim. A casaca não tinha muitos piolhos, pelo menos não suficiente para ter de impregná-la com fumaça de fogo feito com erva e cheirar carvão durante os dois dias seguintes. A casaca estava tão gasta como as do resto da companhia, mas nada, nem o cadáver mais bem vestido de Espanha ou Portugal, o teria convencido a tirá-la. Era verde, a casaca verde-escura dos Fuzileiros do 95, e era o emblema de um regimento de elite. A infantaria vestia vermelho, mas a melhor infantaria britânica vestia verde, e mesmo depois de três anos no 95 Sharpe gostava da distinção do uniforme verde. Nada mais tinha do que esse uniforme e do que podia transportar às costas. Richard Sharpe não tinha outro lar a não ser o regimento, nem outra família além da sua companhia, nem outros haveres senão o que lhe cabia na mochila e nas cartucheiras. Não conhecia outra forma de viver e esperava morrer dessa maneira. Ajustou a faixa vermelha de oficial à volta da cintura e cobriu-a com o cinto preto de couro com fivela prateada em forma de serpente. Após um ano na península apenas a faixa e o sabre denotavam o seu posto de oficial e até mesmo a espada, tal como as calças, não eram regulamentares. Os oficiais de fuzileiros, tal como todos os de infantaria ligeira, usavam um sabre curvo de cavalaria, mas Sharpe detestava tal arma. Em lugar dela usava a espada comprida e reta da cavalaria pesada; uma arma horrível, mal calibrada e brutal, mas Sharpe gostava da sensação de uma lâmina selvagem que pudesse derrotar as finas espadas dos oficiais franceses e amassar um mosquete e uma baioneta. A espada não era a sua única arma. Richard Sharpe servira durante dez anos nas fileiras dos casacas-vermelhas, primeiro como soldado raso, depois como sargento, carregando um mosquete de alma lisa pelas planícies da Índia. Resistira na linha com o pesado fuzil de pederneira, entrara aterrorizado em brechas abertas a baioneta e, no entanto, usava uma arma comprida na batalha. A espingarda Baker era o seu distintivo, diferenciava-o de outros oficiais, e os alferes de dezesseis anos, recém-chegados com uniformes novos e brilhantes, olhavam desconfiados para o tenente alto de cabelo negro com a espingarda pendurada e a cicatriz que, exceto quando ria, lhe dava um ar de sinistra diversão ao rosto.

Alguns perguntavam a si próprios se as histórias seriam verdadeiras, histórias de Seringapatam e Assye, do Vimeiro e de Lugo, mas a expressão dos seus olhos aparentemente brincalhões, ou a visão dos punhos gastos das suas armas, afugentava qualquer dúvida. Poucos oficiais novos se punham a pensar no que representava realmente a espingarda, a luta mais feroz que Sharpe já tivera, a ascensão do rancho geral à messe dos oficiais. O sargento Harper olhou pela janela para a praça iluminada pela luz da tarde. — Aí vem o Feliz, Tenente. — O capitão Hogan. Harper não se importou com a repreensão. Ele e Sharpe estavam juntos havia muito tempo, tinham partilhado muitos perigos e o sargento sabia perfeitamente quais as liberdades que podia tomar com o seu taciturno oficial. — Parece mais contente que nunca, Tenente. Deve ter outro trabalho para nós. — Deus queira que nos mandem para casa. Harper, destrancando suavemente a segurança da espingarda com as suas enormes mãos, fingiu não ter ouvido o comentário. Sabia o que queria dizer mas o tema era perigoso. Sharpe comandava o que restava de uma companhia de fuzileiros que tinha ficado isolada da retaguarda do exército de Sir John Moore durante a retirada para a Corunha no Inverno anterior. Fora uma campanha com um tempo terrível, mais apropriado às histórias de viajantes da Rússia do que ao Norte de Espanha. Alguns homens tinham morrido enquanto dormiam, com os cabelos gelados presos ao chão, enquanto outros tinham desistido, exaustos da marcha, à espera que a morte chegasse. A disciplina do exército ruíra e os bêbados vagabundos foram carne fácil para a cavalaria francesa, que chicoteara os animais esgotados até pisar os calcanhares do exército inglês. A chusma salvou-se do desastre graças a apenas alguns regimentos, como o 95, que mantiveram a disciplina e continuaram a lutar. De 1808 passou-se a 1809 e aquele pesadelo de batalha continuou, uma batalha em que se lutava com pólvora úmida e com os homens congelados que assomavam por entre a neve para vislumbrarem os capotes dos dragões franceses. Então, um dia em que o nevasca aumentava com o vento, mais parecendo ummonstro malévolo, os cavaleiros cortaram a retirada à companhia. O capitão morreu, o outro tenente também, as espingardas não disparavam, os sabres do inimigo erguiam-se e caíam, e a neve úmida abafava todos os sons exceto os grunhidos dos dragões e os terríveis golpes das lâminas que abriamferidas fumegantes em contato com o ar gelado. O tenente Sharpe e alguns sobreviventes abriramcaminho, lutando, e escaparam até os penhascos onde os cavaleiros não podiam segui-los mas, quando a tempestade passou e o último homem morrera selvagemente ferido, não houve qualquer possibilidade de se reunir ao grosso do exército. O segundo batalhão de Fuzileiros do 95 regressara à pátria, enquanto Sharpe e os seus trinta homens, perdidos e esquecidos, tinham se dirigido para o sul, afastando-se dos franceses, para se juntarem à pequena guarnição britânica de Lisboa. Desde então, Sharpe tinha pedido uma dúzia de vezes que o mandassem para casa, mas os fuzileiros eram poucos, demasiado valiosos, e o novo comandante do exército, Sir Arthur Wellesley, mostrava-se renitente em perder nem que fossem trinta homens. Assim, tinham ficado e lutado com qualquer batalhão que precisasse do reforço da sua Companhia Ligeira e voltaram a marchar para norte, retrocedendo, e tinham estado com Wellesley quando este vingou Sir John Moore expulsando o marechal Soult e os seus veteranos do Norte de Portugal. Harper sabia que o seu tenente acalentava raiva e ressentimento.

Richard Sharpe era pobre, terrivelmente pobre, e jamais teria dinheiro para comprar a promoção seguinte. Chegar a capitão, mesmo de um batalhão regular, custaria a Sharpe mil e quinhentas libras; se reunisse essa quantia até poderia esperar que o nomeassem rei de França. Tinha apenas uma esperança de promoção, por antiguidade no seu próprio regimento; subir à custa de homens que morressem ou fossem promovidos e cuja promoção tivesse sido comprada. Mas enquanto Sharpe estivesse em Portugal e o regimento na pátria, na Inglaterra, se esqueceriam dele, seria preterido uma vez e outra. Tal injustiça fazia com que o ressentimento fermentasse em Sharpe. Via que homens, mais novos que ele, compravam os seus postos de capitães, comandantes, enquanto ele, melhor soldado, ficava para trás por ser pobre e estar lutando em vez de estar a salvo na Inglaterra. A porta da cabana abriu-se de rompante e o capitão Hogan entrou. Envergando capa azul e calças brancas parecia um oficial da marinha, e afirmava que tinham confundido o seu uniforme como de um francês tão freqüentemente, que tinham disparado mais vezes sobre ele do lado dos seus homens do que do inimigo. Era oficial de engenharia, um dos raríssimos engenheiros militares que havia em Portugal; esboçou um largo sorriso enquanto tirava o chapéu de três bicos e inclinava a cabeça para a perna de Sharpe. — O guerreiro está restabelecido? Como vai essa perna? — Perfeita, Capitão. — Foram as sanguessugas do sargento Harper, não é verdade? Bom, nós, os irlandeses, somos uns diabos espertos. Sabe Deus onde estariam vocês, os ingleses, sem nós. Hogan tirou a caixa de rapé e cheirou um bom bocado. Enquanto Sharpe esperava o inevitável espirro cravou os olhos no capitão baixinho e de meia-idade. Durante um mês, os seus fuzileiros tinham escoltado os homens de Hogan, pois o oficial de engenharia tinha desenhado um mapa dos caminhos que atravessam as passagens mais altas da Espanha. Já não era segredo nenhum que a qualquer momento Wellesley levaria o seu exército para a Espanha seguindo o Tejo, que apontava como uma lança para a capital, Madrid, e Hogan, além de desenhar intermináveis mapas, reforçara as confluências dos rios e as pontes para que agüentassem as toneladas de bronze e madeira que a artilharia de campanha deslocaria no seu caminho até ao inimigo. Fora um trabalho bem feito e emboa companhia, até que choveu e os fuzis não disparavam quando o hussardo francês, com cara de louco, quase conseguiu um lugar entre os heróis com a sua carga solitária contra os fuzileiros. Contudo, o sargento Harper conseguira que a umidade não entrasse na caçoleta da sua espingarda, e Sharpe ainda tremia ao pensar no que podia ter acontecido se a arma não tivesse disparado. O sargento fez recuar as peças de segurança da espingarda como se fosse se retirar, mas Hogan agarrou-o pela mão. — Fique, Patrick. Tenho um presente para você; um que agradaria inclusive a um selvagem de Donegal. Tirou uma garrafa escura da mochila e arqueou as sobrancelhas enquanto olhava para Sharpe. — Não se importa? Sharpe assentiu. Harper era um bom homem, bom em tudo que fazia, e nos três anos que se conheciam Sharpe e Harper tinham se tornado amigos, ou pelo menos eram tão amigos quanto podemser um sargento e um oficial. Sharpe não podia conceber uma batalha sem o enorme irlandês a seu lado, o irlandês receava lutar sem Sharpe, e juntos formavam o par mais formidável que Hogan tinha visto no campo de batalha.

O capitão pousou a garrafa em cima da mesa e tirou a rolha. — Conhaque. Conhaque francês das adegas do próprio marechal Soult e requisitadas como despojos no Porto. com as saudações do general. — De Wellesley? — perguntou Sharpe. — Do próprio. Perguntou por você, Sharpe, e eu disse-lhe que estava se tratando, pois assimnão sendo, estaria comigo. Sharpe não disse nada. Por um momento, Hogan parou de verter cuidadosamente o líquido. — Não seja injusto, Sharpe! Ele gosta de você. Crê que se esqueceu de Assaye? Assaye. Sharpe recordava perfeitamente. O campo semeado de mortos no exterior da aldeia indiana, onde tinha sido promovido em pleno campo de batalha. Hogan estendeu-lhe um copo de estanho. — Sabe que ele não pode fazê-lo capitão do 95. Não tem autoridade para isso! — Sei. Sharpe sorriu e levou o copo aos lábios. Mas Wellesley tinha autoridade para mandá-lo para a pátria, onde poderia ser promovido. Afastou esse pensamento da cabeça, sabendo que a ofensa contínua da sua promoção regressaria, e invejava Hogan que, sendo oficial de engenharia, só podia conseguir a promoção por antiguidade. Isso significava que Hogan era ainda capitão, apesar de estar na casa dos cinqüenta, mas, pelo menos, não havia ciúmes nem injustiça porque nenhum homempodia comprar a sua subida de escalão. Inclinou-se. — E então, alguma novidade? Continuamos com você? — Sim, e temos um trabalho. — Os olhos de Hogan brilharam. — E também é um bom trabalho. Patrick Harper sorriu brincalhão.

— Isso significa um golpe duro e pesado. Hogan assentiu. — Tem razão, sargento. Uma ponte enorme a enviar pelos ares. — Tirou um mapa do bolso e abriu-o em cima da mesa. Sharpe reparou como o dedo calejado seguia o curso do rio Tejo desde o mar até Lisboa, passava por Abrantes, o local onde estavam sentados agora, e seguia para a Espanha, para parar aí, onde o rio rodava fazendo uma grande curva para o sul. — Valdelacasa — disse Hogan. — Aí há uma velha ponte romana. Não agrada ao general.

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