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A Ameaca Invisivel – Barbara Morais

Vários escritores dizem em entrevistas que você precisa reaprender a escrever a cada novo livro e, até começar A Ameaça Invisível, eu achava isso uma bobagem. “Imagine só, este aqui é a continuação, eu já conheço o mundo, os personagens, sei o que vai acontecer! Claro que será fácil…” pensava. Descobri da pior maneira que eu estava errada, e sinto que é meu dever agradecer a todos que me ajudaram no processo desta continuação. Primeiro, agradeço a você, leitor, que recebeu meus anômalos com carinho e acompanhou a Sybil na primeira parte da sua jornada. Sem vocês, este livro não estaria aqui! Esta história é para vocês e espero que apreciem da mesma maneira que apreciaram o primeiro. Depois, à minha família. Meus pais são um apoio fundamental em todo esse processo e a empolgação deles com o lançamento destes livros não tem limites. Muito obrigada por serem tão carinhosos e compreensivos! Minha irmã continua sendo a pessoa que ouve todas as minhas histórias em primeira mão e eu não poderia deixá-la de fora. Aos meus tios e tias, primos e primas, que sempre são os primeiros nas filas de autógrafos e vibram comigo cada vez que veem os livros nas livrarias, muito obrigada por tudo. Sou muito grata à Gui Liaga, minha agente literária, que foi quem fez tudo isso acontecer. Obrigada por ser tão empolgada e amar esta história tanto quanto eu! E por ser a fã número um do Hassam e me lembrar de todos os detalhes sobre ele. Eu acho que este livro não estaria aqui se não fossem pelos horários em que eu, Taissa Reis e Lucas Rocha trabalhamos juntos, cada um com seu livro ou tradução. Muito obrigada por me acompanharem nos sprints! Dayse Dantas, você deveria ganhar o prêmio de Organizadora de Enredos, porque faz isso melhor que ninguém. Obrigada por ter emprestado seu ouvido para a história deste livro e por suas opiniões valiosas. Ao meu grupinho de apoio de escrita – íris Figueiredo, Carol Christo, Jim Anotsu, Mary Mueller, Pâm Gonçalves e Victor Castrillo, obrigada pelas risadas, cobranças e surtos no Whatsapp. Para a Nathalia Campos e para a Gabi Graciosa, obrigada por terem sido minhas leitoras beta. Para a Babi Dewet, porque a gente competiu para ver quem terminava de escrever as continuações primeiro (e eu ganhei, haha)! Quando chegar a minha vez de me despedir de Anômalos, vou querer conselhos, viu? Para todo mundo da Editora Gutenberg, que sempre são extremamente atenciosos e divertidos: Alessandra, Rejane, Carol, Felipe, Sabrina, Tatiane, Judith, Raquel, Ludmila… ufa! É tanta gente que não cabe todo mundo, mas muito obrigada por serem tão animados e entusiasmados com este livro quanto eu. Como, infelizmente, minha anomalia não é uma super- memória, eu tenho certeza de que esqueci alguém, então um beijão para todos que me acompanharam nessa empreitada! Espero que possamusar suas roupas amarelas com mais orgulho. 🙂 Capítulo 1 O único lugar em que me sinto segura é embaixo d’água. Os minutos em que fico submersa no azul translúcido da piscina procurando formatos e padrões na luz dispersa nos ladrilhos, em silêncio total, são de uma paz extraordinária. É quase como estar deitada numa nuvem, sem problemas e preocupações, quase um sonho se transformando emrealidade. E claro que tudo acaba no momento em que coloco a cabeça para fora d’água e volto para o mundo real. Na parte mais rasa da piscina pública, entre as várias cabeças de diversos tamanhos, duas se destacam. É Andrei em sua tentativa eterna de ensinar Sofia a nadar, com paciência quase negativa. Do lado de fora da água, no gramado do parque, Tomás e Leon estão sentados sobre uma toalha, comendo sanduíches.


É mais um dos dias de férias que estão me enlouquecendo lentamente. O problema das férias é que eu não tenho nada pata fazer e posso me dedicar em tempo integral a pensar em todas as coisas em que não devo. Me manter ocupada é a melhor forma de evitar o redemoinho de medos e angústias que minha cabeça se tornou desde que a missão aconteceu, três meses atrás. Já não bastavam as noites horríveis com os pesadelos de sempre: agora minhas horas de sono são dedicadas às tragédias das últimas semanas. A mistura de bombas e fome, de naufrágios e mortes, crianças com rostos cadavéricos e ameaças deixou toda a experiência de dormir extremamente indesejada. E quase um milagre que eu não tenha virado um zumbi. O tamanho das minhas olheiras assusta. Nado na direção de Andrei e Sofia com um suspiro. Quando chego perto, consigo ver uma pequena cicatriz no ombro do garoto e lembro que não estou sozinha. A garota de cabelo cacheado que tenta boiar, com medo, tem olheiras tão profundas quanto as minhas, e Leon com certeza também tem sua quota de pesadelos. A missão era o nosso segredo, o único assunto que ninguém além de nós podia saber. -Eu não vou relaxar minha cabeça! Se fizer isso, vou afundar e engasgar com a água – escuto Sofia protestar e Andrei a solta na piscina, passando as mãos no rosto, irritado. Ela afunda um pouco e fica em pé, com uma expressão revoltada. Decido que Andrei merece uma lição por isso, então me aproximo furtivamente. -Sofia, você já relaxou a cabeça sem perceber e não morreu. Não precisa ficar tão tensa assim – responde Andrei, arrepiando com as duas mãos o cabelo loiro e molhado. E estranho vê-lo com o cabelo tão curto, mal chegando a cobrir suas orelhas, e sempre me sinto desconfortável quando lembro que ele só o cortou em solidariedade a mim. -Andreeei! – Sofia choraminga e se encosta na borda da piscina, chateada. – A gente podia voltar a bater perna na beirada, eu gosto disso. -Você precisa aprender a boiar se quiser chegar a nadar – seu tom é um pouco mais gentil dessa vez. Sofia finalmente me vê parada atrás deles, e peço silêncio. Ela dá um meio-sorriso, prevendo o que vem a seguir. – Você quer que eu chame Sybil para te ajudar? -Não! – ela fala, de forma desesperada. Eu me encolho, esperando que Andrei se vire a qualquer segundo, antecipando seu movimento, o que não acontece. – Você precisa me ensinar, para aprofundar nossos vínculos de irmão e irmã.

-Foi mal, Zorya Novak – ele levanta as duas mãos, chamando-a com o nome de sua mãe. Zorya havia se tornado guardiã legal de Sofia assim que voltamos da missão e, ao longo dos últimos meses, fez o máximo possível para tentar aproximar os dois. – Se você quer que eu te ensine, vai ter que aprender a confiar em mim, tudo bem? E exatamente o momento que escolho para atacar: jogo a maior quantidade de água que consigo e subo em suas costas, derrubando-o na piscina. Andrei é pego de surpresa, mas consegue me segurar pela cintura e me afundar. Me seguro em seu ombro e espero me aproximar do chão para pegar impulso com um pé e trocar as posições, fazendo-o encostar no fundo. Mesmo embaixo d’água, consigo ouvir as risadas abafadas de Sofia. Não é muito difícil para Andrei me agarrar e nos puxar para cima, mas assim que colocamos a cabeça para fora, jogo água em sua cara. Ele vira o rosto, mas, em vez de me soltar, me levanta tanto que tiro os pés do fundo. Dou um berro e finco os dedos em seus ombros. -Não vou deixar você ganhar dessa vez – diz, com uma risada. -Eu te odeio – declaro, e Sofia ri mais ainda. – Sofia, você é a juíza. Quem ganhou? -Não, calma aí! Você sempre ganha quando ela escolhe – o garoto exclama, indignado. -Como eu inventei esse jogo, então é justo que eu escolha. Não seja um bebê chorão, manínho. – Sofia provoca, com um meio sorriso. -Mas… bem, a regra diz que, para ganhar, Sybil tem que se desvencilhar de você por mais de 30 segundos. Como isso não aconteceu, então você ganhou. -Mas eu peguei ele de surpresa! – reclamo e, como resposta, Andrei praticamente me levanta e me coloca em seu ombro, como um homem das cavernas. Sinto meu coração acelerar e dou dois soquinhos em suas costas. – ANDREI! -Não tem como discutir sobre a vitória dele, Sybil – Sofia comenta, entre risadas. – O placar está em três a um, agora. -A primeira vitória de muitas – Andrei fala com orgulho antes de soltar minhas pernas e me mandar direto para a água, sem aviso nenhum. Mas eu estou rindo também e me sinto mais leve quando volto à tona. Era um dos muitos jogos que Sofia havia inventado nos dias de férias que havíamos passado ali até então e, com certeza, o mais divertido.

Nas três primeiras vezes, Andrei havia se distraído com as coisas mais idiotas, mas agora estava pegando o jeito. Eu precisava de uma estratégia nova, e isso seria distração o suficiente para nós três. -Sou uma boa perdedora, ao contrário de algumas pessoas -comento e sento na borda da piscina. – Vocês querem ajuda? -Não precisa – Sofia responde, e Andrei dá um sorriso meio orgulhoso, como se estivesse fazendo um bom trabalho. – Mas se ele me maltratar, vou precisar que bata nele. -Eu sempre me comporto – ele diz, exasperado, e dou uma risada. -Minha nossa, vocês duas! Faço um sinal e Andrei se aproxima. Me inclino na direção dele e falo baixinho: -Tenha paciência. Ela não é como a gente, que não morre afogado. Você precisa trabalhar isso. -Vou tentar. E você trate de convencer Tomás a entrar na piscina. Não faz sentido ele ter medo – Andrei encosta os cotovelos na borda da piscina, ao lado de minhas pernas. -Eu sei. Vou ver se troco um picolé por um mergulho – respondo e passo a mão para arrumar a bagunça que está seu cabelo. -Não, não faz isso – reclama, segurando minha mão. – O cabelo fica todo grudado na cabeça, é horrível. -Como se você pudesse ficar horrível – comento e me levanto. -Deixa eu ir atrás de Tomás. – Boa sorte – ele deseja, com um sorriso, antes de voltar para onde Sofia tenta boiar sozinha, semmuito sucesso. Caminho entre as toalhas de banho e cestas de pi-quenique espalhadas pelo parque. O sol de verão esquenta minha pele morena e tenho vontade de me estirar preguiçosamente e tirar um cochilo. Estou quase chegando ao lugar onde Leon e Tomás nos esperam quando vejo uma figura que se destaca do ambiente descontraído como um holofote. Não é comum ver pessoas vestidas de terno em um parque com piscina, mas quem passa por ele não parece reparar. Ao ver que o encaro, faz um sinal para que me aproxime.

Dou um passo para trás, olho para o outro lado e vejo uma figura similar, despercebida pela multidão. Do lado oposto, mais uma. E outra perto de onde estão Tomás e Leon. É óbvio que estou cercada. Meu estômago se revira e me sinto enjoada, porque de duas, uma: ou estou enlouquecendo de vez ou Fenrir, depois de três meses de espera, finalmente precisa de mim.

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