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A Arte da Guerra – Por uma estratégia perfeita – Sun Tzu

Historiadores e comentaristas antigos e contemporâneos referem-se ao general e mestre Sun Tzu como um dos homens mais versados na arte militar e, até, na difícil técnica de bem dispor dos recursos para fazer face às dificuldades. Entretanto, é certo que a utilidade das teses desse lendário filósofo-estrategista extrapola a arte bélica, podendo repercutir nas realizações de todas as pessoas em geral: homens e mulheres, civis e militares, empregados e patrões, parlamentares e eleitores, professores e estudantes, ricos e pobres, religiosos e ateus encontrarão nos escritos de Sun Tzu indicações eficazes para situações de conflito. Hoje em dia, vivemos em meio a um permanente exercício bélico de razões e contra-razões. O consenso pregado por Habermas parece negado pelas evidências do tempo: para estar em guerra, basta ter nascido. Guerra social, cultural, econômica, religiosa, política, científica, filosófica, etc. são elementos permanentes de nosso cotidiano. Nem mesmo os bravos e fortes parecem ser exaltados… Ninguém deseja ser um perdedor, todos querem o sucesso, o êxito e, assim, parecem ter muito a aprender com Sun Tzu, que busca nos ensinar como vencer todas as batalhas. Nestes tempos de globalização, as guerras são travadas, principalmente, no campo das idéias, nas mais diferentes áreas de atividade humana, e os grandes vencedores não disparam um tiro sequer. Isto vem ao encontro da pregação de Sun Tzu, quando nos ensina que o supremo mérito do vencedor consiste em quebrar a resistência do inimigo sem a necessidade de se empreender a luta armada. O tratado delineado por Sun Tzu, tido como um dos mais antigos do gênero no mundo, é, por exemplo, largamente apreciado, há séculos, entre os militares russos. O texto teria sido ainda a fonte inspiradora do Pequeno Livro Vermelho do líder comunista chinês Mao Tsé-Tung. Acredita-se que grandes equívocos diplomático-militares teriam sido evitados e milhões de vidas humanas poupadas se Sun Tzu fosse levado a sério por governantes e chefes militares das nações; possivelmente, até mesmo as duas grandes guerras mundiais não teriam ocorrido se as ponderações tático-estratégicas desse filósofo-guerreiro tivessem sido consideradas. A originalidade do texto de Sun Tzu, que, posteriormente, nas muitas versões hoje existentes, veio a ser batizado como A Arte da Guerra, deu-lhe notoriedade já no seu tempo. Em certa ocasião, Ho-lü, rei de Wu, concedeu uma audiência a Sun Tzu. Naqueles dias, Wu estava na iminência de envolver-se numa guerra sangrenta, de alto risco, com o vizinho Estado de Tchu. A visita do servo ilustre, que desejava ingressar nas fileiras do exército real, deixara o soberano entusiasmado. — Sun Tzu, li inteiramente os treze capítulos da sua Arte da Guerra. Será que poderia realizar uma pequena experiência de controle do movimento de tropas? —perguntou-lhe o rei, visando a mensurar na prática a habilidade do visitante. — Posso. — Mas o senhor seria capaz de fazê-lo até mesmo usando mulheres? — provocou o monarca, ironicamente, como que a duvidar das teorias de Sun Tzu. — Sim — respondeu o interlocutor, com serenidade e segurança. Então, o rei aquiesceu e ordenou que viessem à sua presença suas cento e oitenta lindas concubinas. Deu toda autonomia a Sun Tzu, para que treinasse, da forma como melhor lhe conviesse, a tropa feminina, podendo, inclusive, escolher o local do castelo real que mais se adequasse à tarefa. Somente depois de tudo pronto, verificaria pessoalmente o resultado. Sem importar-se com o papel ridículo que lhe queriam imputar, o general nomeado pelo rei dividiu o contingente cm duas companhias, e colocou na liderança as duas concubinas favoritas do monarca.


Instruiu todas quanto ao uso de alabardas, e repassou-lhes orientações que todas, praticamente, jamais tinham ouvido em toda a sua vida. O desafio era grande. — Vocês sabem em que posição ficam o coração, as mãos direita e esquerda e as costas? — Sabemos — disseram as mulheres, ainda um tanto desconfiadas e inseguras, por não saberemonde terminaria aquela aventura. — Quando eu der a ordem “Em frente, marche”, virem-se para a direção do coração; quando eu falar “Esquerda, volver”, voltem-se na direção da mão esquerda”; quando eu disser “Direita, volver”, para a direção da mão direita; e quando eu ordenar “Meia-volta, volver”, marchem na direção de suas costas. Compreenderam? — Compreendemos — responderam elas, que, em seguida, receberam as armas. Para certificar-se de que nenhuma dúvida pairava no ar, Sun Tzu, zeloso, deu a mesma ordem acima por mais três vezes e as explicou, pormenorizadamente, em cinco oportunidades. Chegou, depois disso, o grande momento. O general bateu no tambor o sinal de “Direita, volver”. O pequeno exército, em vez de cumprir a ordem, caiu na gargalhada. Sem perder sua postura firme e serena, Sun Tzu retomou a palavra: — Se as regras não são claras e as ordens não são completamente explicadas, a falha é do general. Assumo isso e repetirei as ordens mais três vezes, além de explicá-las mais cinco. E assim aconteceu. Pacientemente, o estrategista instruiu a tropa, certificando-se, ao final, de que nenhum mal-entendido pairava no ar. Estando tudo pronto, ele efetuou a batida no tambor e o sinal de volver à esquerda. Mas as mulheres, novamente, desandaram a rir sem medida. Diante desse quadro hilário, Sun Tzu, com o semblante sério, porém equilibrado, afirmou: — Se as instruções e os comandos não são claros, a falha é do general. Mas quando são claros e não são executados conforme a disciplina em vigor, temos aí um crime por parte das lideranças. Surpreendendo a todos, Sun Tzu ordenou que as duas líderes das tropas fossem decapitadas. O rei de Wu foi imediatamente avisado do ocorrido por um de seus emissários que assistiam à ordem unida, e não se conteve com a notícia de que suas duas concubinas preferidas estavam prestes a serem executadas. Desesperadamente, enviou de volta o representante, com a seguinte mensagem: “É meu desejo que essas duas mulheres não sejam mortas”. Sun Tzu não-cumpriu a contra-ordem, argumentando que não considerava sensato, da parte do rei, mudar de idéia quanto ao fato de ter-lhe dado plenos poderes sobre aquela legião feminina. — Seu servo já recebeu a nomeação real e, quando o general está à frente do exército, não precisa acatar todas as ordens do soberano — asseverou. Assim, determinou que as duas mulheres fossem penalizadas com a morte, para que o fato servisse de exemplo às demais. Logo após, indicou outras duas concubinas, na ordem de excelência, para liderar as companhias. Feito isto, repetiu os sinais no tambor e as mulheres volveram à direita, à esquerda, à frente e fizeram meia-volta, deram joelhadas e se agarraram de acordo com o que estava determinado.

Nenhuma delas esmoreceu ou ousou emitir o mais leve rumor de deboche. Sun Tzu mandou, em seguida, um mensageiro ao rei, para informá-lo de que as tropas já se encontravam em boa ordem e que o próprio rei poderia vir revisá-las e inspecioná-las pessoalmente. — Estes soldados podem ser empregados de acordo com qualquer dos desígnios reais. Têm condição de caminhar até mesmo pelo fogo e pela água. — O General pode ir para sua hospedaria e descansar. Eu não desejo inspecionar a tropa e quero que o senhor Sun Tzu retire-se deste palácio — sentenciou, um tanto decepcionado, o rei de Wu. — Impressiona-me saber que o rei gosta de palavras vazias. Não é capaz de juntá-las aos atos, pondo-as em prática — retrucou Sun Tzu. Depois de refletir por um tempo, Ho-lü percebeu que, de fato, Sun Tzu era um homemcapacitado e, no momento oportuno, fez dele o general do Exército Real. Poucos meses depois, as tropas do Estado de Wu destruíram as hostes do forte Estado de Tch’u, a oeste, e, posteriormente, invadiram Ying. Ao norte, intimidaram Ch’i e Chin. Devido a estas realizações, o nome de Sun Tzu tornou-se ilustre. Os demais Estados vizinhos, que antes incomodavam Wu, passaram a solicitar proteção a Ho-lü e oferecer-se como aliados, graças aos grandes feitos bélicos do seu Estado. Estamos certos de que quem ler este livro verá que muitas das lições de Sun Tzu são plenamente aplicáveis nos dias modernos, e não somente no que diz respeito a planejamentos militares. Neste trabalho, procuramos trazer ao leitor visão sintética, porém abrangente, dos postulados básicos de Sun Tzu, convidando todos à reflexão no sentido de que se aprecie a aplicabilidade desses fundamentos, no âmbito pessoal e coletivo. Na vida diária, na atividade profissional, no relacionamento humano e social, enfim, a todo instante, somos convidados a lutar pela vitória, cientes de que sempre “o inimigo mora ao lado”. Se o mundo alcançou a modernidade, facilitando para muitos o acesso à informação, à educação e ao bem estar, esse avanço tecnológico, por outro lado, potencializou o poder dos nossos principais adversários. Os modernos inimigos, por sua vez, longe de serem retratados, como outrora, somente à imagemdo homem perverso, que mata, saqueia, domina e ameaça, quase sempre estão travestidos ao modo de uma dificuldade íntima, um desafio profissional, um bloqueio financeiro, um entrave ao empreendedor, um rumor de imprensa, etc. Neste livro reunimos os enunciados de Sun Tzu e utilizamos como fonte para a compilação das notas explicativas e dos textos complementares oportunos comentários e informações de Li Ch’üan, Chang Yü, Mei Yao-ch’en, Tu Mu, Shen Pao-hsu, Ts’aoTs’ao, Tu Yu, Chia Lin, Ho Yen-hsi, Sun Pin e vários outros soberanos e líderes militares que, na velha China, foram os primeiros a avaliar, na prática, os postulados do mestre da Arte da Guerra. Dessa forma, com esta nova edição dessa tradicional referência na arte de bem conduzir os recursos, esperamos facilitar a compreensão das teses milenares de Sun Tzu a todos, até mesmo a quem apenas deseja vencer a guerra contra si mesmo. E lembre-se: você é o seu próprio general. Então, tome agora a iniciativa, planeje e marche decidido para a vitória. Heloísa Sarzana Pugliesi Dr. Márcio Pugliesi Capítulo I PLANEJAMENTO BÉLICO 1. Guerra é um assunto de importância vital para o Estado; uma questão de vida ou morte, a estrada da sobrevivência ou da ruína.

É obrigatório que seja completamente estudada. Trata-se de assunto sério. Há apreensão quando homens lançam-se a ela sem a devida reflexão. Quem despreza o tema evidencia uma lamentável indiferença pela conservação ou pela perda do que mais devemos prezar, que é a nossa segurança. 2. A guerra possui cinco fatores fundamentais: o primeiro é a influência moral; o segundo, tempo; o terceiro, terreno; o quarto, comando; e o quinto, disciplina. 1 3. Se almejamos glória e sucesso mediante o uso das armas, devemos levar em alta consideração esses cinco fatores e avaliar, sempre, o quanto cada um deles é essencial. Aqueles que dominam essa reflexão, vencem; os que não, são derrotados. 3. a) A influência moral refere-se à lei moral vigente, à harmonia entre o povo e seus líderes, de forma que todos estarão unidos na vida e para a morte, sem temor do perigo fatal. 2 3. b) O tempo abrange a interação de forças naturais; os efeitos do frio do inverno, do verão; e a conduta das operações militares de acordo com as condições climáticas. 3. c) O terreno implica distâncias: se é atravessado com facilidade ou dificuldade, se é aberto ou restrito e as probabilidades de sobrevivência nele. 3. d) O comando engloba as qualidades do general: sabedoria, sinceridade, humanidade, coragem e severidade. 3 3. e) A disciplina invoca respeito à hierarquia, organização, controle, atribuição de funções apropriadas aos oficiais subalternos, regulamento de rotas de suprimento e provisão dos itens principais usados pelo exército. 4. Se soubermos qual general respeita a doutrina moral, qual é o mais capaz de adaptar-se às condições do tempo; qual exército tira vantagem da natureza e do terreno; quais regulamentos são mais bem executados e quem administra recompensas e punições de maneira mais iluminada; e ainda quais tropas são as mais fortes e organizadas — com oficiais e soldados bem instruídos em suas atribuições 4 —, seremos capazes de prever qual lado será vitorioso e qual será derrotado. 5 5. Se um general prestar atenção às vantagens de se respeitar os cinco fatores da guerra e adotar para si as cinco virtudes de caráter, estejam certos de que vencerá. Quando se recusar a escutar esta estratégia, certamente será derrotado. 6.

O general deverá criar situações que contribuam para a realização dos seus planos. Por “situações” entende-se: agir diligentemente, conforme o que é vantajoso e, assim, comandar o equilíbrio. Isto significa aproveitar-se de toda circunstância útil, além das regras comuns, e fazer a correção de rumo do seu planejamento, de acordo com elas. 7. Toda guerra baseia-se no logro. Portanto, quando capaz, finja incapacidade; quando ativo, inatividade. Quando próximo, faça parecer que está muito longe; quando longe, que está próximo. Ofereça ao inimigo uma isca para atraí-lo; finja desordem e o golpeie. (Veja texto complementar I) 8. Quando o inimigo concentrar suas forças, prepare investidas contra ele, visando-as. No ponto em que é forte, evite-o. Enfureça o general inimigo e o confunda. 6 9. Finja inferioridade e encoraje a arrogância do inimigo. (Veja texto complementar II) 10. Mantenha o inimigo sob pressão e vença sua resistência. Quando o inimigo estiver unido, divida-o. Ataque onde ele estiver despreparado; invista quando ele não o estiver esperando. Estas são as chaves do estrategista para a vitória. Não é possível discuti-las antecipadamente. (Veja textos complementares III e IV) 11. Quando as considerações realizadas pelo comando antes das lutas se efetivarem, indicarem a vitória, é porque se tem força superior à do adversário; mas se estas apontarem derrota, é porque os cálculos evidenciam que se é inferior. Com muitos cálculos, pode-se vencer uma guerra, com poucos, não. Quão pequena é a possibilidade de vitória daquele que nenhum cálculo faz! Mediante tais critérios, examina-se a situação e o que há de acontecer se tornará claramente visível. TEXTOS COMPLEMENTARES I.

A FALSA RETIRADA Li Mu, general de Chao, liberou rebanhos de gado com seus pastores. Quando os Hsiung, tribo de nômades, cujo chefe era conhecido como Khan, chegaram a uma pequena distância, fingiu uma retirada, deixando para trás milhares de homens, como se os tivesse abandonado. Quando o Khan recebeu essa notícia, ficou encantado e, à frente de suas tropas, rumou para o local. Li Mu dispôs a maioria das suas tropas em alas à direita e à esquerda e, num fulminante ataque, esmagou os hunos, sacrificando mais de cem mil desses cavaleiros nômades, que já haviamprovocado a construção da Grande Muralha devido às suas constantes incursões guerreiras. II. A FRAGILIDADE ENGANOSA Ao fim da dinastia de Ch’in, Mo Tun, o general dos Hsiung Nu, primeiro estabeleceu seu poder. O vizinho Hu Oriental era forte e enviou-lhe embaixadores para negociar. “Desejamos obter o cavalo de mil li (cada li equivale a aproximadamente 600 metros). Esse garanhão seria de T’ou Ma”, disseram os emissários. Mo Tun consultou seus conselheiros, que exclamaram: “O cavalo que percorre mil li! A coisa mais preciosa no país! Não o dê a eles!” Mo Tun respondeu: “Por que negar um cavalo a um vizinho?” Assim, entregou o cavalo. Pouco tempo depois, o Hu Oriental mandou outro mensageiro: “Desejamos uma das princesas do Khan”. Mo Tun pediu conselho a seus ministros que, irados, reagiram: “O Hu Oriental é injusto! Agora pedem uma princesa! Imploramos que os ataque!” Mo Tun ponderou: “Como negar uma mulher jovem a um vizinho?” Então, enviou-lhes a princesa. Mas não tardou que outro emissário do Hu Oriental retornasse: “Vocês têm mil li de terra semuso e nós os queremos”. Como de costume, Mo Tun consultou seus conselheiros, e entre eles houve quem achasse razoável ceder a terra, outros não. Indignado, Mo Tun sentenciou: “Terra é a fundação do Estado. Como alguém poderia dá-la? Todos aqueles que o aconselharam a fazê-lo serão decapitados”. E assim ocorreu. Em seguida, Mo Tun montou em seu cavalo e, com seu exército, fez um ataque surpresa e esmagador ao Hu Oriental, aniquilando o vizinho que o achava desprezível e estava despreparado. Depois, voltou-se para o oeste e atacou Yueh Ti. Ao sul, anexou Lou Fan… E ainda invadiu Yen. Dessa forma, recuperou totalmente, dos Hsiung Nu, as terras ancestrais, conquistadas anteriormente pelo general de Ch’in, Meng T’ien. III. A COMODIDADE FATAL O fato ocorreu próximo do final do período Han, depois que Ts’ao Ts’ao derrotou Liu Pei. Este último fugiu para Yuan Shao, que, com suas tropas, também já estava predisposto a lutar contra Ts’ao Ts’ao, o qual, por certo, atacaria o Estado em questão de pouco tempo. T’ien Fang, um dos oficiais superiores de Yuan Shao, comentou com seus companheiros: “Ts’ao Ts’ao é experiente no manejo de tropas; não se pode enfrentá-lo despreocupadamente.

Nada é melhor que protelar a batalha e mantê-lo a distância. O senhor, general, deve nos fortalecer ao longo das montanhas e rios e manter as quatro prefeituras. Externamente, faça alianças com os líderes mais poderosos e, internamente, uma política agromilitar.”* E, mais ainda, aconselhou o oficial a Yuan Shao: “Em seguida, convoque tropas veteranas e constitua unidades extraordinárias. Opere investidas rápidas quando e onde ele estiver despercebido. Aja assim ciclicamente e perturbe o país ao sul do rio. Quando o inimigo socorrer a direita, ataque sua esquerda; quando voltar-se à esquerda, fustigue-o à direita: deixe-o exausto, fazendo-o correr atrás disso continuamente… Agora, caso rejeite essa estratégia vitoriosa e decida arriscar tudo em uma única batalha, será muito tarde para se lamentar”. Yuan Shao não seguiu este conselho e foi derrotado por Ts’ao Ts’ao. * N. do T. (Nota do Tradutor): Quanto à referência a colônias agrícolas em que camponeses com adestramento militar eram mantidos em contínuo treinamento, via de regra em regiões de fronteira, essa tática mostrou seus poderosos resultados na recente guerra do Vietnã, em que os soldados americanos descobriram a eficácia dessa duplicidade de poder combativo aliado à solução dos difíceis problemas de logística, em regiões fronteiriças. IV – A INVESTIDA SURPRESA Em certa ocasião, dez planos foram propostos por Li Ching de T’ang para serem usados contra Hsiao Hsieh, e toda a responsabilidade de comandar os exércitos foi a ele confiada. No oitavo mês, Li Ching de T’ ang reuniu suas forças em K’uei Chou. Como era outono, as águas do Yangtze provocavam inundações e tornavam perigosas as estradas pelos três desfiladeiros. Hsiao Hsieh pensou que Li Ching certamente não iria avançar contra ele e, por isso, não se preveniu à altura. No nono mês, Li Ching assumiu o comando das tropas e as enviou segundo esta descrição: “A rapidez extraordinária é da maior importância na guerra; não se podem desdenhar as oportunidades. Agora estamos concentrados e Hsiao Hsieh não suspeita disso. Com a vantagem de o rio estar alagado, iremos aparecer de surpresa sobre as muralhas da capital dele”. E acrescentou T’ang: “Quando o trovão chega, não há tempo de proteger as orelhas. Mesmo que ele possa descobrir-nos, não terá tempo de fazer um plano para se opor a nós e, por certo, poderemos superá-lo”. Assim, Li Ching de T’ang avançou e Hsiao Hsieh começou a temer; chamou reforços para a parte sul do rio, mas estes não puderam chegar a tempo. Li Ching sitiou a cidade e Hsiao Hsieh se rendeu. A tática de “investir quando não estiver sendo esperado” faz lembrar também a época em que a dinastia Wei, perto de seu fim, mandou o General Chung Hui e Teng Ai para atacar Shu. No inverno, no décimo mês, Ai deixou Yin P’ing e marchou por mais de setecentos li, por terras inabitadas, edificando estradas através de montanhas e pontes suspensas. Montanhas altas, vales profundos… A tarefa era muito difícil e perigosa, e o exército, quase sem provisões, estava prestes a perecer.

Mesmo assim, Teng Ai se embrulhou em tapetes de feltro e rolou pelas encostas íngremes das montanhas; generais e oficiais subiram nos galhos das árvores. Escalando os precipícios como cardumes de peixes, o exército avançou. Teng Ai apareceu primeiro em Chiang Yu e em Shu. Em Ma Mou, o general encarregado de sua defesa rendeu-se. Teng Ai decapitou Chu-ko Chan, que resistiu em Mien-Chu, e marchou sobre Ch’eng Tu. O rei de Shu, Liu Shan, também se rendeu.

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