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A arte de sentar (Mindfulness essentials) – Thich Nhat Hanh

Muitos de nós gastamos um bom tempo sentados — tempo demais. Nos sentamos no trabalho, na frente dos nossos computadores, em nossos carros. Sentar, neste livro, significa sentar-se de uma maneira que nos possibilite desfrutar do ato de estar sentado, sentar-se de maneira relaxada, com a mente desperta, calma, límpida. Isto é o que chamamos de sentar-se, o que exige certo treinamento e prática. Corpo, mente e respiração Em nossas vidas cotidianas, a nossa atenção se encontra dispersa. Nosso corpo está em determinado lugar, ignoramos a nossa respiração e a nossa mente permanece vagando. Ao prestarmos atenção em nossa respiração enquanto inspiramos, essas três coisas (corpo, respiração e mente) entram em uníssono. E isto pode acontecer em apenas um ou dois segundos. Nós voltamos a nós mesmos. A consciência une os três elementos, e nós passamos a estar inteiramente presentes no aqui e no agora. Cuidamos do nosso corpo, cuidamos da nossa respiração e cuidamos da nossa mente. Quando preparamos uma sopa, temos de incluir todos os ingredientes corretos em harmonia, depois deixar que cozinhem. A nossa respiração é o caldo da sopa, que une os diferentes elementos. Mergulhamos espírito e mente na nossa respiração e eles se integram, formando uma coisa única. Nós somos um todo. Não precisamos controlar o nosso corpo, a nossa mente e a nossa respiração. Basta estarmos presentes. Basta permitirmos que tudo isso exista. Isso é a não violência. A paz contagia A energia da consciência plena (ou mindfulness) pode nos ajudar a aprimorar o nosso ser por inteiro. Preste atenção à sua inspiração. Deixe que ela seja livre, e perceberá que a sua respiração ficará por si só mais calma, mais profunda, mais harmoniosa, naturalmente. Este é o poder do reconhecimento simples. Quando a sua respiração é mais profunda e mais pausada, ela tem uma influência direta sobre o seu corpo e a sua mente. A paz e a calma contagiam.


Um barco no oceano Imagine um barco repleto de gente atravessando o oceano. Este barco é pego por uma tempestade. Se alguém entrar em pânico e agir sem pensar, o barco poderá ser posto em risco. Porém, se ao menos uma das pessoas mantiver a calma, esta pessoa poderá inspirar calma nas demais. Ela poderá salvar o barco inteiro. Eis o poder da não ação. A nossa “qualidade de ser” é a base de todas as ações apropriadas. Quando observamos as nossas ações com cuidado, e também as ações das pessoas que nos cercam, podemos enxergar a “qualidade de ser” por trás dessas ações. Fazer nada Imagine três árvores juntas em uma floresta. Elas não conversam, mas sentem a presença umas das outras. Quando você as observa, parece que elas não fazem nada. No entanto, elas estão crescendo e oferecendo ar puro para que os seres vivos possam respirar. Em vez de descrever a meditação sentada como a prática de concentrar-se, observar profundamente e alcançar insights, eu gosto de descrevê-la como o prazer de não fazer nada. Em primeiro lugar, sentar-se é desfrutar do prazer do ato de estar sentado, mantendo-se completamente vivo e em contato com as maravilhas do corpo em funcionamento, com o ar fresco, com o som das pessoas e dos pássaros, com as cores que mudam no céu. Meditação O termo adequado para sentar-se e estar consciente é “meditação sentada”. “Zen” é o termo japonês para “dhyana”, que, em sânscrito, significa “meditação”. A meditação é simplesmente a prática de parar e olhar em profundidade. Você não precisa se sentar para meditar. Sempre que estiver olhando em profundidade (seja caminhando, cortando legumes, escovando os dentes ou indo ao banheiro) você pode meditar. Para poder olhar em profundidade, você precisa dedicar um tempo, parar tudo e enxergar o que de fato existe. Com consciência plena e concentração você consegue dirigir o seu olhar ao que existe e observar isto em profundidade. Você consegue começar a enxergar a verdadeira natureza do que está à sua frente. Pode ser uma nuvem, um pedregulho ou um ser humano. Pode ser também a nossa raiva. Pode ser o nosso próprio corpo e a sua natureza de impermanência.

Sempre que paramos de verdade e observamos profundamente, o resultado é uma melhor compreensão da verdadeira natureza do que existe dentro de nós e ao nosso redor. Não faça “alguma coisa”, apenas sente-se Quando as pessoas dizem: “Não fique aí sentado, faça alguma coisa.”, elas estão lhe compelindo à ação. Porém, quando sua “qualidade de ser” é baixa (quando você não tem paz, compreensão ou equanimidade suficientes, mas mesmo assim tem muita raiva e preocupação), suas ações também terão baixa qualidade. Suas ações deveriam se basear em uma alta “qualidade de ser”. Ser é “não ação”. Portanto, a qualidade da ação depende da qualidade da não ação. A não ação já é alguma coisa. Certas pessoas parecem não fazer muita coisa, mas a sua presença é crucial para o bem-estar do mundo. É possível que você conheça pessoas assim, que são estáveis, mas que nem sempre estão ocupadas fazendo coisas, ganhando muito dinheiro ou engajadas em muitos projetos, e que, ainda assim, são importantes para você. A qualidade da sua presença as torna verdadeiramente disponíveis. Elas estão contribuindo com a não ação, com a alta qualidade da sua presença. Estarmos presentes no aqui e no agora (sólidos e completamente vivos) é uma contribuição muito positiva à nossa situação coletiva. HISTÓRIA Um monge na plataforma Quando eu era um monge novato no Vietnã, fui a um templo chamado Hai Duc, onde vi um mestre zen sentado. Ele não estava na sala de meditação. Estava sentado em uma plataforma simples feita de mais ou menos cinco placas de madeira. A plataforma era pintada de marrom e estava muito limpa. Sobre ela havia uma pequena mesa de quatro pernas, um pouco bambas. Em cima da mesa havia um vaso de flores. Eu vi o mestre zen sentado na plataforma, olhando para a mesa. Ele estava sentado de modo muito natural e em paz, com a sua coluna ereta e o seu corpo relaxado. Ainda criança, eu vi um desenho do Buda sentado na grama. Ele parecia muito livre, relaxado, em paz, e também muito gentil. Naquele momento, eu estava vendo um ser humano real sentado da mesma maneira. Era uma pessoa como eu, não uma ilustração, nem alguém vindo de outro mundo.

Ver o monge sentado na plataforma foi uma experiência muito sagrada. Eu quis ser capaz de me sentar como ele. Eu sabia que me sentar daquela maneira me traria felicidade. Fazer menos Muitos de nós vivemos tentando fazer mais e mais. Nós fazemos coisas porque pensamos que seja necessário, ou porque queremos ganhar mais dinheiro, alcançar alguma coisa, cuidar dos demais ou melhorar a nossa vida e o nosso mundo. Muitas vezes fazemos coisas sem pensar pelo simples hábito de fazê-las, porque alguém nos pede ou porque pensamos ser a nossa obrigação. Porém, se a base do nosso ser não for forte o suficiente, quanto mais coisas fizermos, mais atribulada se tornará a nossa sociedade. Às vezes, fazemos muitas coisas, mas, na verdade, não fazemos nada. São muitas as pessoas que trabalham demais. Algumas pessoas parecem meditar muito, gastando várias horas do dia fazendo meditação sentada, cantando, recitando e acendendo muitos incensos, mas nunca transformam a sua raiva, frustração e ciúme. Isso acontece porque a qualidade do nosso ser é a base de todas as nossas ações. Se a nossa atitude for a de realizar, julgar ou dominar, todas as nossas ações — até mesmo a nossa meditação — terão essa qualidade. A qualidade da nossa presença é o elemento mais positivo que podemos oferecer ao mundo.

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