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A Cabeça do Cachorro – Alexandra Horowitz, Lourdes Sett

Primeiro, você vê a cabeça. Por cima do topo do morro, aparece um focinho, babando. Ainda não é possível ver nada ligado a ele. Um membro surge e, em uma sucessão lenta, é seguido pelo segundo, terceiro e quarto membros, que suportam seis quilos entre eles. O wolfhound, noventa centímetros de altura até o ombro e um metro e meio de cabo a rabo, espia a chihuahua de pelo longo, metade da altura média de um cão, oculta pela grama entre os pés da dona. A chihuahua pesa três quilos, e cada um deles treme. Com um salto lânguido e as orelhas esticadas para o alto, o wolfhound se posiciona diante dela. A chihuahua olha recatadamente para longe; o wolfhound se dobra para ficar na mesma altura dela e morde a lateral de seu corpo. A chihuahua olha de volta para o cão, que levanta o traseiro no ar, rabo hirto, preparando-se para o ataque. Em vez de fugir desse perigo aparente, a chihuahua imita a pose do wolfhound, e morde a cara dele, abraçando aquele focinho com as patas minúsculas. Eles começam a brincar. Durante cinco minutos, esses cães rolam, se agarram com força, se mordem e se atiram um sobre o outro. O wolfhound se deita de lado e a cachorrinha responde com ataques à cara, à barriga e às patas dele. Uma pancada forte do cão faz a chihuahua recuar rapidamente e se esquivar, intimidada, tentando ficar fora de seu alcance. Ele late, pula e fica em pé de novo com um estrondo. Como resposta, a chihuahua corre até uma daquelas patas e a morde, com força. Eles estão em um meioabraço — o wolfhound com a boca ao redor do corpo da chihuahua que, por sua vez, chuta a cara dele — quando o dono dá um puxão na coleira do wolfhound, levantando-o e afastando-o. A chihuahua se recompõe, olha para eles, late uma vez e anda devagar até sua dona. Esses cachorros são tão incomparáveis que poderiam ser de espécies diferentes. A facilidade com que brincam um com o outro sempre me intrigou. O cão de caça mordeu, abocanhou e avançou sobre a chihuahua; no entanto, a cadelinha não respondeu com medo, mas na mesma moeda. O que explica a capacidade deles para brincarem juntos? Por que o cão de caça não vê a chihuahua como uma presa? Por que a chihuahua não vê o wolfhound como um predador? A resposta nada tem a ver com ilusões de grandeza canina por parte da chihuahua ou falta de impulso predador por parte do wolfhound. Tampouco se trata de um instinto inato para assumir o comando. Há duas formas de aprender como a brincadeira funciona — e o que os cães brincalhões pensam, percebem e dizem: nascer cachorro ou passar muito tempo observando cuidadosamente esses animais. A primeira opção não estava disponível para mim.


Venha comigo enquanto descrevo o que aprendi observando. Sou uma amante dos cães. Minha casa sempre teve um. Minha afinidade com eles começou com o cachorro de minha família, Aster: olhos azuis, rabo cortado e o hábito noturno de vagar pela vizinhança, o que frequentemente me deixava acordada até tarde, de pijama e preocupada, esperando por seu retorno. Por muito tempo, vivi o luto pela morte de Heidi, uma springer spaniel que correu excitada — minha imaginação infantil se lembra da língua pendurada para fora da boca e das longas orelhas esticadas para trás pelo vigor feliz de sua corrida — para debaixo dos pneus de um carro na estrada próxima à nossa casa. Já na Universidade, observava com admiração e afeição Beckett, uma vira-lata adotada, com sangue de chow-chow, enquanto ela estoicamente me observava sair de casa. E agora, aos meus pés, está a forma quente, enrolada e ofegante de Pumpernickel — Pump —, uma vira-lata que viveu comigo por todos os seus 16 anos e ao longo de toda a minha vida adulta. Comecei cada um de meus dias em cinco estados, cinco anos de pós-graduação e quatro empregos com a batida de seu rabo no chão, saudando-me ao ouvir meus primeiros movimentos pela manhã. Como qualquer um que se considera um cinófilo concordará, não consigo imaginar minha vida semessa cadela. Sou uma amante de cachorros, amo os cães. Também sou cientista. Estudo o comportamento animal. Do ponto de vista profissional, tomo cuidado para não antropomorfizar os animais, atribuindo-lhes sentimentos, pensamentos e desejos que usamos para nos descrever. Ao aprender como estudar o comportamento dos animais, aprendi e usei o código dos cientistas para descrever ações: ser objetivo; não explicar um comportamento apelando para umprocesso mental quando a explicação por meio de processos mais simples é suficiente; ter em mente que um fenômeno que não pode ser observado em público nem pode ser confirmado não faz parte da ciência. Hoje, como professora de comportamento animal, cognição comparativa e psicologia, dou aulas usando livros didáticos brilhantes que lidam com fatos quantificáveis. Eles descrevem tudo —de explicações hormonais e genéticas até respostas condicionadas, padrões fixos de ação e ótimas taxas de forrageio —, no mesmo tom objetivo e desapaixonado. Mas… A maioria das perguntas que meus alunos fazem não é respondida nesses textos. Nas conferências em que apresento minhas pesquisas, outros acadêmicos invariavelmente direcionam as conversas pós-palestra para suas experiências com seus animais de estimação. E ainda permaneço com as mesmas perguntas que sempre me fiz sobre meu cachorro — sem nenhuma profusão de respostas. A ciência, conforme praticada e demonstrada nos livros didáticos, raramente aborda nossas experiências de convívio com nossos animais buscando entender suas mentes. Nos primeiros anos de minha pós-graduação, quando comecei a estudar a ciência da mente, comum interesse especial na mente de animais não humanos, nunca me ocorreu estudar os cachorros. Eles pareciam tão familiares, tão bem compreendidos. Não há nada a ser aprendido sobre eles, meus colegas afirmavam: os cães são simples, criaturas felizes que precisamos adestrar, alimentar e amar, e isso é tudo com relação a eles. Os cães não oferecem dados para estudo. Essa era a crença básica dos cientistas.

Meu orientador de tese estudou, respeitavelmente, babuínos: os primatas são os animais mais bem-vistos no campo da cognição animal. A pressuposição é que o lugar mais provável para se encontrar habilidades e cognição semelhantes às nossas é entre nossos irmãos primatas. Esse era, e permanece sendo, o ponto de vista predominante dos cientistas comportamentais. Pior ainda, os donos de cães pareciam já ter coberto o território da teorização sobre as mentes caninas, e suas teorias foram geradas a partir de anedotas e antropomorfismos mal aplicados. A própria noção da mente de um cão estava corrompida. Mas… Durante os anos de pós-graduação na Califórnia, passei muitas horas de lazer nas praias e nos parques de lá com Pumpernickel. Na época, estava estudando para ser etóloga, uma cientista do comportamento animal. Participei de dois grupos de pesquisa observando criaturas extremamente sociais: os rinocerontes brancos do Parque de Animais Selvagens em Escondido e os bonobos (chimpanzés pigmeus), nesse mesmo parque e no zoológico de San Diego. Aprendi a ciência da observação, coleta de dados e análise estatística criteriosas. Ao longo do tempo, essa forma de olhar começou a permear aquelas horas de lazer. De repente, os cães, em suas transições fluentes entre o próprio mundo social e o das pessoas, se tornaram inteiramente estranhos: parei de encarar o comportamento deles como simples e bem compreendido. Onde outrora eu achara graça de uma brincadeira entre Pumpernickel e um bull terrier local, enxergava agora uma dança complexa, que exigia cooperação mútua, comunicações quase instantâneas e avaliação das capacidades e dos desejos um do outro. A menor virada de cabeça ou da ponta do focinho parecia intencional e significativa. Eu via cães cujos donos não entendiam um único ato deles; via cães inteligentes demais para seus companheiros de brincadeiras; via pessoas interpretando erroneamente as solicitações caninas como confusão e o prazer como agressão. Passei a levar uma filmadora comigo e a gravar nossos passeios no parque. Em casa, assistia a filmes de cães brincando com cães, de pessoas jogando bolas e frisbees para seus cães. Filmes de perseguições, lutas, carinhos, corridas e latidos. Com uma nova sensibilidade para a possível riqueza das interações sociais em um mundo inteiramente não linguístico, todas essas atividades outrora corriqueiras agora me pareciam uma fonte inaproveitada de informações. Quando comecei a assistir às gravações em câmera extremamente lenta, enxerguei comportamentos que nunca vira em anos de convívio com esses animais. Examinados detalhadamente, os saltos de pura brincadeira entre dois cães se tornavam uma série estonteante de comportamentos sincrônicos, trocas ativas de papéis, variações de demonstrações comunicativas, adaptação flexível à atenção do outro e movimentos rápidos entre atividades lúdicas muito diversas. O que eu via eram instantâneos fotográficos das mentes dos cães, visíveis nas formas em que se comunicavam uns com os outros e tentavam se comunicar com as pessoas próximas — e, também, na forma como interpretavam as ações de outros cães e de outras pessoas. Nunca mais encarei Pumpernickel — ou qualquer outro cão — da mesma forma. No entanto, longe de estragar o prazer de desfrutar as delícias da interação com ela, os óculos da ciência me proporcionaram uma maneira original e rica de olhar o que ela fazia: uma forma nova de entender a vida como um cão. Desde aquelas primeiras horas de observação, estudo as brincadeiras dos cães com seus iguais e com as pessoas. Na época, inconscientemente, eu estava envolvida com a profunda mudança que se processava na atitude da ciência em relação aos estudos sobre cães.

A transformação ainda não está completa, mas o cenário já é bastante diferente daquele que se via há vinte anos. Se antes havia umnúmero desprezível de estudos sobre a cognição e o comportamento caninos, agora há conferências, grupos de estudos etológicos e experimentais nos Estados Unidos e em outros países, todos dedicados à pesquisa canina, que tem se espalhado pelas publicações científicas. Os cientistas que fazem esse trabalho viram o que eu vi: o cão é uma porta de entrada perfeita para o estudo dos animais não humanos. Eles convivem com os seres humanos há milhares, talvez centenas de milhares de anos. Por meio da seleção artificial provocada pela domesticação, eles se desenvolveram para ser sensíveis a exatamente aqueles elementos que são parte significativa de nossa cognição, incluindo — importante — a capacidade de prestar atenção nos outros. Neste livro, apresento a ciência canina a você. Uma quantidade impressionante de informações sobre a biologia — habilidades sensoriais e comportamento —, a psicologia e a cognição caninas reunida por cientistas que trabalham em laboratório e no campo, estudando cães trabalhadores e cães companheiros. A partir desses resultados acumulados por centenas de programas de pesquisa, conseguimos iniciar a criação de um retrato do cão a partir do interior dele — da sua capacidade olfativa e auditiva, da maneira como seus olhos nos veem e do cérebro que está por trás disso tudo. Os trabalhos aqui revisados sobre a cognição dos cães incluem os meus, mas vão muito além, resumindo todos os resultados de pesquisas recentes. Em alguns tópicos sobre os quais ainda não temos informações confiáveis, incorporo estudos sobre outros animais que também podem nos ajudar a entender a vida de um cachorro. (Para aqueles cujo desejo de ler os artigos de pesquisa originais foi aqui despertado, referências completas aparecem no final do livro.) Não fazemos nenhum desserviço aos cães ao nos afastarmos das coleiras e abordá-los de umponto de vista científico. Suas capacidades e pontos de vista merecem atenção especial. E o resultado é impressionante: longe de nos distanciar, a ciência nos aproxima, maravilhando-nos com a verdadeira natureza desse animal. Usado de forma rigorosa, mas criativa, o processo e os resultados científicos podem lançar uma nova luz sobre as discussões que as pessoas têm diariamente a respeito do que seus cães percebem, entendem ou acreditam. Com base em minha experiência, aprendendo a olhar sistemática e cientificamente o comportamento da minha cadela, passei a avaliá-la e entendê-la melhor, e a desfrutar de um melhor relacionamento com ela. Entrei dentro de um cão e vislumbrei seu ponto de vista. Você pode fazer o mesmo. Se tem um cão na sala agora, a maneira como você vê esse monte enorme e peludo de “caninidade” está prestes a mudar. UMA NOTA INTRODUTÓRIA SOBRE O CÃO, O ADESTRAMENTO E OS DONOS Chamando um cão de “o cão” É da natureza do estudo científico dos animais não humanos que algumas criaturas especiais, examinadas, observadas, treinadas ou dissecadas em profundidade, representem suas espécies por inteiro. No entanto, no caso dos humanos, nunca deixamos o comportamento de um indivíduo representar o de todos. Se alguém não consegue resolver o cubo de Rubik em uma hora, não extrapolamos, afirmando que todos os humanos não serão capazes de resolvê-lo também (a menos que aquele indivíduo tenha matado todos os outros humanos). Nesse caso, nosso sentimento de individualidade é mais forte do que nosso sentido de biologia compartilhada. Quando se trata de descrever nossas potenciais capacidades físicas e cognitivas, em primeiro lugar somos indivíduos e, em segundo, membros da raça humana. Em contrapartida, no caso dos animais, essa ordem é invertida.

A ciência considera os animais como representantes de sua espécie em primeiro lugar e, em segundo, como indivíduos. Nos zoológicos, estamos acostumados a ver um único animal ou um casal deles como representantes de suas espécies. Para os administradores do Zoo, eles são mesmo “embaixadores” involuntários. Nossa visão da uniformidade dos membros de uma espécie é bem exemplificada quando comparamos suas inteligências. Para testar a hipótese — há muito popular — de que o tamanho do cérebro é umindicador da inteligência, as dimensões do cérebro de chimpanzés, macacos e ratos foramcomparadas às dos humanos. Certamente, o dos chimpanzés é menor do que o nosso, o do macaco é menor do que o dos chimpanzés, o do rato é um mero nódulo do tamanho do cerebelo do cérebro dos primatas. Toda essa história é bastante conhecida. O que é mais surpreendente é que os cérebros usados para fins de comparação foram os de apenas dois ou três chimpanzés e macacos. Esses poucos elementos suficientemente azarados para perderem suas cabeças em benefício da ciência foram considerados, daquele momento em diante, representantes perfeitos dos macacos e dos chimpanzés. Porém, não tínhamos ideia se eles eram macacos com cérebros especialmente grandes ou chimpanzés com cérebros anormalmente pequenos.* Da mesma forma, se um único animal ou pequeno grupo de animais fracassa em um experimento psicológico, as espécies tornam-se maculadas por esse fracasso. Embora agrupar animais de acordo com a semelhança biológica seja um atalho evidentemente útil, o resultado é estranho: tendemos a falar das espécies como se todos os seus membros fossem idênticos. Nunca cometemos esse erro com os humanos. Se fosse dada a um cão a possibilidade de escolher entre uma pilha de vinte biscoitos e uma de dez e ele escolhesse a segunda opção, a conclusão mais frequentemente utilizaria o artigo definido: “o cão” não consegue distinguir entre a pilha maior e a menor — e não “um cão” não consegue distinguir. Portanto, quando digo o cão, eu me refiro implicitamente aos cães estudados até o momento. Os resultados de inúmeras experiências bem conduzidas podem, por fim, permitir que possamos generalizar razoavelmente a respeito de todos os cães — ponto final. Contudo, até então, as variações individuais serão grandes: seu cachorro pode ser um farejador extraordinário, pode nunca olhar para você nos olhos, pode amar a cama dele e odiar ser tocado. Nem todo comportamento deve ser interpretado como conclusivo, tomado como algo intrínseco ou fantástico; às vezes, eles simplesmente são, da mesma forma que nós somos. Portanto, o que ofereço aqui é a capacidade conhecida do cão; os resultados obtidos por você poderão ser diferentes. * Claro, os pesquisadores logo descobriram cérebros maiores do que os nossos: o dos golfinhos é maior, assim como são os das criaturas fisicamente maiores, tais como as baleias e os elefantes. O mito do “cérebro grande” há muito foi derrubado. Aqueles que ainda estão interessados em associar esses órgãos à inteligência agora procuram por outras medidas mais sofisticadas: a quantidade de sulcos cerebrais; o quociente encefálico — uma proporção que inclui tanto o cérebro quanto o tamanho do corpo em seu cálculo; a quantidade de neocórtex; ou o número bruto de neurônios e de sinapses entre neurônios. Adestramento de cães Este não é um livro sobre adestramento. No entanto, seu conteúdo pode torná-lo capaz de adestrar seu cão, mesmo que não tenha essa intenção. Isso nos ajudará a nos igualar aos cães que, sempossuírem um livro didático sobre as pessoas, já aprenderam a nos treinar sem que percebêssemos.

A literatura sobre adestramento, cognição e comportamento não possui muitos elementos em comum. Os adestradores caninos usam alguns princípios básicos de psicologia e etologia — por vezes atingindo ótimos resultados, outras vezes obtendo resultados desastrosos. A maioria das técnicas segue o princípio da aprendizagem associativa. As associações entre eventos são facilmente aprendidas por todos os animais, inclusive os humanos. A aprendizagem associativa é o que está por trás dos paradigmas de condicionamento “operante”, que fornece uma recompensa (um biscoitinho, atenção, um brinquedo, um afago) sempre que ocorre um comportamento desejado (o cão sentar). Por meio de aplicações repetidas, pode-se moldar um comportamento novo e desejado em um cachorro — seja deitar, rolar ou, para os mais ambiciosos, andar calmamente de jet-ski puxado por uma lancha. Porém, com frequência, os princípios do adestramento conflitam com o estudo científico dos cães. Por exemplo, muitos adestradores usam a analogia do “cão como lobo domesticado” para descrever como deveríamos ver e tratar os cães. Uma analogia é apenas tão boa quanto sua fonte. Nesse caso, como veremos, os cientistas conhecem muito pouco sobre o comportamento natural do lobo — e, muitas vezes, o que sabemos contradiz a sabedoria convencional que fundamenta essas analogias. Além disso, os métodos de adestramento não foram cientificamente testados, apesar das afirmações contrárias de alguns treinadores. Isto é, nenhum programa dessa natureza foi avaliado pela comparação do desempenho de um grupo experimental adestrado e um grupo de controle cuja vida, apesar de idêntica, não se submeteu a um programa de adestramento. As pessoas que procuram adestradores costumam compartilhar duas características pouco comuns: seus cães são menos “obedientes” do que a média e os donos estão mais motivados a mudá-los do que a média. Levando em consideração essa combinação de condições e uns poucos meses, é muito provável que o cão apresente um comportamento diferente após o adestramento. As técnicas bem-sucedidas empolgam, mas não provam que o método de treinamento foi responsável pelo sucesso. Embora possa indicar a boa qualidade do programa, o sucesso tambémpode ter sido provocado por uma feliz coincidência. Pode também ter ocorrido em função de teremdado mais atenção ao animal durante o treino. Ou porque o cachorro amadureceu ao longo do programa. Ou até mesmo porque um cão ameaçador se mudou da vizinhança. Em outras palavras, o sucesso pode ser resultado de dezenas de outras mudanças ocorridas ao mesmo tempo na vida do cão. Não podemos distinguir essas possibilidades sem testes científicos rigorosos. Mais importante: o adestramento é, em geral, talhado para o humano — mudar o cão para que ele se encaixe na concepção do dono, e do que ele quer que o cão faça. Esse objetivo é muito diferente do nosso: observar para ver o que o cão realmente faz, o que ele quer de você e como ele o entende. O cão e seu dono Está cada vez mais na moda chamar de guardião ou companheiro de um animal de estimação, em vez de dono. Escritores inteligentes referem-se aos “humanos” dos cães, invertendo a posse.

Neste livro, chamo de donos as famílias dos cães simplesmente porque esse termo descreve o relacionamento legal que temos com eles. Estranhamente, os cães ainda são considerados uma propriedade (e uma propriedade de valor comercial reduzido, além do valor como reprodutor — lição que espero que nenhum leitor precise aprender). Celebrarei o dia em que os cães não sejam mais nossas propriedades. Até lá, usarei a palavra dono de forma apolítica, por conveniência e sem qualquer outra motivação. Essa mesma razão também me orienta a usar o pronome pessoal: a menos que esteja falando sobre uma cadela, em geral chamarei o cão de “ele”, já que esse é o termo “neutro” que usamos para os gêneros.

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