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A Cancao do Sucubo – Richelle Mead

As estatísticas mostram que a maioria dos mortais vende suas almas por cinco motivos: sexo, dinheiro, poder, vingança e amor. Nesta ordem. Suponho, então, que eu devia ficar mais tranquila por estar dando uma ajuda com o motivo número um, mas toda a situação só me fazia sentir… bom, vulgar. E vindo de mim, isso não era pouco. Talvez eu não consiga mais sentir empatia, refleti. Já faz tempo demais. Quando eu era virgem, as pessoas ainda acreditavam que os cisnes podiam engravidar as moças. Ali perto, Hugh esperava, paciente, que eu superasse a minha relutância. Ele enfiou as mãos nos bolsos da calça social bem passada, com o corpanzil recostado em seu Lexus. – Não entendo qual é o problema. Você faz isso o tempo todo. Isso não era bem verdade, mas nós dois sabíamos o que ele queria dizer. Ignorando-o, analisei os arredores de forma ostensiva, embora isso não melhorasse meu humor. Os subúrbios sempre me deprimiram. Casas idênticas. Jardins perfeitos. Picapes demais. Em algum lugar, um cão recusava-se a parar de latir. – Eu não faço isso – disse eu, afinal. – Até eu tenho padrões. Hugh bufou, demonstrando sua opinião quanto a meus padrões. – Tudo bem, se isto a faz sentir-se melhor, não pense na coisa em termos de danação eterna. Encare como um caso de caridade. – Um caso de caridade? – Com certeza. Ele tirou do bolso seu palmtop, com ar prático e profissional, a despeito do contexto tão pouco ortodoxo.


Aquilo não devia me surpreender. Hugh era um duende profissional, uma criatura do mal especializada em fazer os mortais venderem suas almas. Um expert em contratos e brechas legais, que deixaria qualquer advogado verde de inveja. Além disso, era meu amigo, o que meio que dava um novo significado ao velho ditado com amigos assim, quem precisa de inimigos?. – Escuta só – continuou ele. – Martin Miller. Sexo masculino, óbvio. Caucasiano. Luterano, não praticante. Trabalha numa loja de games no shopping. Vive no porão da casa dos pais. – Meu Deus. – Não disse? – Caridade ou não, ainda assim parece tão… radical. Qual é mesmo a idade dele? – Trinta e quatro. – Ui. – Exato. Se você tivesse essa idade e ainda fosse virgem, também era capaz de tomar medidas desesperadas. – Ele consultou o relógio. – Então, vai fazer ou não? Com certeza eu estava retardando o encontro de Hugh com alguma gostosa com metade de sua idade – referindo-me, claro, à idade que aparentava. Na verdade, ele beirava um século. Pousei a bolsa no chão e lancei-lhe um olhar de advertência. – Vai ficar me devendo essa. – Vou – ele concordou. Este não era meu trabalho costumeiro, graças a Deus. O duende normalmente “terceirizava” esse tipo de coisa, mas nesta noite tinha tido algum problema de agenda.

Não conseguia imaginar quem ele normalmente chamava para fazer isso. Comecei a andar em direção à casa, mas ele me deteve. – Georgina? – Quê? – Tem… mais uma coisa… Virei-me para ele, não gostando nada do seu tom de voz. – Sim? – Ele, hã, tinha, assim, um pedido especial. Ergui uma sobrancelha e esperei. – Olha, ele está, tipo assim, nesse lance do Mal. Então, sabe, parece que se ele vendeu a alma ao diabo – por assim dizer –, então seria lógico que perdesse a virgindade com uma, sei lá, uma diaba ou algo do gênero. Juro, com essa, até o cachorro parou de latir. – Você tá brincando. Hugh não respondeu. – Eu não sou… Não. De jeito nenhum! – Ah, vamos lá, Georgina! Uma coisinha à toa! Um detalhe. Um truque de mágica. Por favor! Faz isso por mim? – Ele estava ansioso, persuasivo. Difícil resistir. Como disse, ele era bom em seu ofício. – Eu realmente estou num aperto. Se você pudesse me ajudar… significaria tanto pra mim… Gemi, incapaz de resistir ao ar patético em seu rosto largo. – Se alguém ficar sabendo disso… – Meus lábios estão selados – ele teve a audácia de fazer um gesto de trancar a boca. Abaixei-me, resignada, e soltei as tiras de meus sapatos. – Que está fazendo? – perguntou ele. – Esses são meus Bruno Maglis favoritos. Não quero que sejam absorvidos quando eu me transformar. – Tá, mas você pode simplesmente transformá-los de volta. – Aí eles não vão mais ser os mesmos.

– Vão sim. Você pode fazê-los ser o que quiser que sejam. Isto é bobagem. – Olha aqui – exigi –, você quer ficar aqui discutindo sobre sapatos, ou quer que eu vá transformar seu virgem num homem? Hugh calou a boca e fez um gesto me mandando para a casa. Caminhei descalça pelo gramado, a grama fazendo cócegas em meus pés. O pátio traseiro, que dava para o porão, estava aberto como Hugh prometera. Entrei na casa adormecida, torcendo para que não tivessem um cão e perguntando-me, exausta, como pudera chegar a esse ponto tão baixo emminha vida. Acostumando-se à escuridão, meus olhos logo distinguiram os contornos de uma sala confortável de classe média: sofá, televisão, estantes com livros. À esquerda, uma escada levava ao andar de cima, e à direita havia um corredor. Segui pelo corredor, deixando minha aparência transformar-se enquanto eu caminhava. A sensação era tão familiar que nem precisava me ver para saber o que acontecia. Meu porte mignon aumentou em altura, mantendo-se esbelto, mas adquiriu um contorno mais seco e duro. Minha pele ganhou um tom branco cadavérico, sem vestígio algum de seu leve bronzeado. O cabelo, que já chegava ao meio das costas, manteve o comprimento mas escureceu até um preto retinto, e de ondulado e fino passou a liso e grosso. Meus seios, já impressionantes pelos padrões normais, ficaram ainda maiores, rivalizando com os das heroínas de quadrinhos com as quais esse cara comcerteza tinha crescido. Quanto às roupas… bem, lá se foram a calça e a blusa legais da Banana Republic. Em minhas pernas apareceram botas pretas de couro que subiam até a coxa, junto com um top frente única combinando, e uma saia com a qual nunca poderia abaixar-me. Asas pontudas, chifres e um chicote completavam o pacote. – Deus do céu – murmurei, ao ver o efeito geral refletido num espelhinho decorativo. Torci para que nenhuma das diabas locais nunca ficasse sabendo. Elas tinham muita classe. Dando as costas para o espelho que parecia estar me sacaneando, vislumbrei meu destino no fundo do corredor: uma porta fechada da qual pendia uma placa de homens trabalhando. Pensei ouvir os sons abafados de um videogame vindo de lá, mas eles cessaram assim que bati na porta. Um instante depois, a porta se abriu, e me vi diante de um cara com um metro e setenta, de cabelo loiro-sujo até os ombros, rareando no alto. Uma barriga grande e peluda aflorava por baixo da camiseta de Homer Simpson, e ele tinha na mão um saco de batatas fritas.

O saco caiu no chão quando ele me viu. – Martin Miller? – Si-im – ele exclamou. Estalei o chicote. – Está pronto para brincar comigo? Exatos seis minutos depois, deixei a residência dos Miller. Pelo jeito, trinta e quatro anos não ajudavam muito o vigor físico. – Nossa, essa foi rápida – observou Hugh, vendo-me atravessar o jardim da frente. Estava de novo recostado no carro, fumando um cigarro. – Nem me fale! Você tem outro desse aí? Ele sorriu e me passou seu próprio cigarro, enquanto me dava uma geral. – Você ficaria ofendida se eu dissesse que as asas meio que me dão tesão? Peguei o cigarro, apertando os olhos para ele enquanto tragava. Examinei ao redor, certificando-me de não haver ninguém por perto, e voltei a minha forma habitual. – Você realmente está me devendo – lembrei-o, calçando de novo os sapatos. – Eu sei. Claro, muita gente diria que é você quem me deve. Você conseguiu uma boa dose. Melhor que de costume. Isso eu não podia negar, mas também não precisava me sentir bem com aquilo. Pobre Martin. Nerd ou não, condenar sua alma à danação eterna era um preço muito alto a pagar por meros seis minutos. – Quer tomar algo? – sugeriu Hugh. – Não, já é tarde. Vou pra casa. Tenho um livro pra ler. – Ah, claro. Quando é o grande dia? – Amanhã – proclamei. O duende riu de minha idolatria.

– Ele é só um escritor de romances, sabia? Não é nenhum Nietzsche ou Thoreau. – Ei, um cara não precisa ser surreal nem transcendental para ser um grande escritor. Sei do que estou falando, já vi alguns ao longo dos anos. Hugh grunhiu diante de meu ar superior, fazendo uma reverência fingida. – Longe de mim discutir com uma dama a respeito de sua idade. Dei-lhe um rápido beijo no rosto, e andei dois quarteirões até onde tinha deixado o carro. Estava abrindo a porta quando senti o formigamento quente e familiar que indicava a proximidade de outro imortal. Vampiro, reconheci, um milissegundo antes que ele surgisse a meu lado. Caramba, eles são mesmo rápidos. – Georgina, minha bela, meu doce súcubo, minha deusa das delícias – entoou ele, pondo as mãos sobre o coração de forma dramática. Que ótimo. Bem o que eu precisava. Duane era possivelmente o imortal mais mala com quem já cruzei. Ele mantinha o cabelo loiro cortado bem rente e, como sempre, demonstrava péssimo gosto nas roupas e no desodorante. – Vai embora, Duane. Não temos nada que conversar. – Ah, que é isso? – ele reclamou, a mão projetando-se veloz para segurar a porta que eu tentava abrir. – Desta vez nem pode bancar a tímida. Olha só, você está mesmo radiante. A caçada foi boa, hein? Fechei a cara com a referência à energia vital de Martin, sabendo que eu devia estar toda envolta nela. Obstinada, tentei abrir na marra a porta que Duane segurava. Impossível. – Pelo jeito, ele vai ficar dias fora do ar – acrescentou o vampiro, observando-me com atenção. – Mas quem quer que tenha sido, acho que curtiu entrar com tudo, em você e no inferno – ele me deu um sorrisinho contido, apenas deixando entrever os dentes afiados. – Deve ter sido alguém bem bompra você ficar tão gostosa.

Que aconteceu? Pensei que você só trepava com a escória da Terra. Os babacas de carteirinha. – Mudança de diretrizes. Não queria lhe dar falsas esperanças. Ele sacudiu a cabeça, aprovador. – Ah, Georgina, você nunca me desaponta. Você e suas boas tiradas. Mas até aí, sempre achei que as putas usam bem a boca, no trabalho ou fora dele. – Solte – rosnei, puxando a porta com mais força. – Por que a pressa? Tenho o direito de saber o que você e o duende estavam fazendo aqui. O lado leste é meu território. – Não temos que seguir suas regras territoriais, e você sabe disso. – Ainda assim, a boa educação exige que, se você está na área, pelo menos dê um alô. E, além disso, por que é que nós nunca saímos juntos? Você me deve alguns bons momentos. Você passa tempo demais com aqueles outros perdedores. Os perdedores a que ele se referia eram amigos meus e os únicos vampiros decentes que já vi. A maioria dos vampiros era como Duane, arrogante, sem tato social, obcecada com questões de territorialidade. Não muito diferente de um monte de homens mortais que já conheci. – Se não me deixar ir embora, vai aprender uma nova definição de “boa educação”. Tudo bem, foi uma frase idiota, de filme ruim de ação, mas foi o melhor que consegui assim de momento. Fiz a voz mais ameaçadora possível, mas era pura bravata e ele sabia disso. Súcubos eramagraciados com os dons do carisma e da mudança de forma; vampiros tinham supervelocidade e força. Isso significava que um de nós se dava melhor nas festas, e o outro podia quebrar o pulso de alguém com um aperto de mão. – Você está me ameaçando? – Ele me passou a mão no rosto, numa provocação, e fez os pelos de meu pescoço se arrepiarem, mas não de prazer. Eu me contorci.

– Que gracinha. E até que é meio excitante. Acho que gostaria de vê-la tomar a ofensiva. Talvez se você se comportar como uma boa menina… Ai! Sua vaca! Já que ele estava com as duas mãos ocupadas, eu aproveitei a chance. Numa transformação rápida, garras afiadas de oito centímetros surgiram na minha mão direita, e passei-as pelo rosto dele. Seus reflexos rápidos não me deixaram ir muito longe com o gesto, mas consegui tirar sangue antes de ele agarrar meu pulso e golpeá-lo contra o carro. – Qual o problema? Isso não é ofensivo o suficiente para você? – consegui dizer apesar da dor. Mais frases de filmes ruins. – Muito engraçada, Georgina. Muito mesmo! Vamos ver se vai continuar engraçada depois que eu… O brilho de faróis iluminou a noite, quando um carro virou a esquina no quarteirão seguinte e veio em nossa direção. Naquela fração de segundo, pude ver a indecisão no rosto de Duane. Nosso tête-à-tête com certeza seria notado pelo motorista. Duane podia matar com facilidade um mortal que se intrometesse – bolas, esse era seu ganha-pão –, mas cometer um assassinato enquanto me assediava não ia pegar nada bem entre nossos superiores. Até um babaca como Duane pensaria duas vezes antes de desencadear um processo desse tipo. – Ainda não terminamos – ciciou ele, soltando meu pulso. – Ah, acho que terminamos – eu conseguia me sentir mais corajosa agora que a salvação estava a caminho. – A próxima vez que chegar perto de mim vai ser a última. – Olha como estou tremendo – disse, com um risinho afetado. Seus olhos brilharam na escuridão, e em seguida ele se foi, sumindo na noite justo quando o carro passou por nós. Agradeci a Deus por sei lá que compromisso ou desejo de comer sorvete tirara aquele motorista de casa esta noite. Sem perder de tempo, entrei no carro e parti, ansiosa por voltar à cidade. Tentei ignorar o tremor de minhas mãos no volante, mas a verdade era que Duane me apavorava. Eu o rejeitara muitas vezes na presença de meus amigos imortais, mas enfrentá-lo sozinha numa rua escura era algo muito diferente, sobretudo considerando que todas as minhas ameaças eram blefes. Na verdade, eu detestava a violência em todas as formas. Suponho que isto seja o resultado de ter passado por períodos históricos marcados por níveis de crueldade e brutalidade que ninguém no mundo contemporâneo poderia entender.

As pessoas gostam de dizer que hoje vivemos tempos violentos, mas elas não têm noção. Claro, séculos atrás havia uma certa satisfação em ver umestuprador ser castrado na hora por seus crimes, sem a novela interminável dos tribunais ou uma liberdade precoce por “bom comportamento”. Infelizmente, aqueles que hoje em dia agem como vingadores e justiceiros quase nunca conseguem saber onde estão os limites, de modo que, tendo que escolher, sempre vou preferir a burocracia do sistema judiciário moderno. Lembrando como imaginara que o motorista fortuito saíra atrás de sorvete, decidi que algo doce me faria bem. Já de volta a Seattle, sã e salva, parei numa loja de conveniências, onde descobri que algum gênio do marketing havia criado sorvete com sabor tiramisu. Tiramisu e sorvete. A criatividade dos mortais nunca deixava de me surpreender. Quando ia pagar, passei por uma bancada de flores. Eram flores baratas, meio caídas, mas vi um rapaz entrar e examiná-las meio nervoso. No fim, escolheu uns crisântemos da cor do outono e os levou. Meus olhos o seguiram melancólicos, com uma certa inveja da garota que ia ganhá-los. Como Duane observara, em geral eu me alimentava de perdedores, caras que não me fariamsentir remorso por causar-lhes dano ou por deixá-los inconscientes por alguns dias. Eram do tipo que não mandavam flores e que costumavam evitar por completo qualquer gesto romântico. Quanto aos caras que mandavam flores, bom, eu os evitava. Para seu próprio bem. Não era uma coisa apropriada para um súcubo, mas eu estava farta demais para me preocupar com o que era correto ou não. Sentindo-me triste e solitária, escolhi um maço de cravos vermelhos, e em seguida paguei por ele e pelo sorvete. Quando entrei em casa, o telefone estava tocando. Colocando minhas compras na mesa, olhei o identificador de chamadas. Número desconhecido. – Meu amo e senhor – respondi. – Que maneira perfeita de terminar uma noite perfeita. – Deixe de gracinhas, Georgie. Por que foi encher o saco do Duane? – Jerome, eu… o quê? – Ele acabou de ligar. Disse que você o estava assediando indevidamente.

– Assediando? A ele? – A indignação aflorou dentro de mim. – Foi ele quem começou! Ele veio pra cima de mim e… – Você o acertou? – Eu… – Acertou? Suspirei. Jerome era o arquidemônio na hierarquia do mal da grande Seattle, e também meu supervisor. Sua função era gerenciar todos nós, assegurar-se de que cumpríamos nossas tarefas e manter-nos na linha. Mas como qualquer demônio preguiçoso, ele preferia que lhe déssemos tão pouco trabalho quanto possível. Quase dava para sentir sua irritação pela linha telefônica. – Eu meio que acertei ele. Na verdade foi mais um arranhão. – Sei. Um arranhão. E além disso, você o ameaçou? – Bom, sim, acho que sim, se quer ter uma discussão semântica, mas Jerome, qual é? Ele é umvampiro. Eu não posso feri-lo. Você sabe disso! O arquidemônio hesitou, aparentemente imaginando o resultado de uma batalha frontal entre mim e Duane. Devo ter perdido essa batalha hipotética, porque daí a pouco ouvi Jerome soltar a respiração. – É. Pode ser. Mas não o provoque mais. Já tenho bastante trabalho no momento e não preciso que as crianças fiquem de briguinha. – Desde quando você trabalha? – crianças, tá bom. – Boa noite, Georgie. Não se meta com o Duane outra vez. Ele desligou. Os demônios não são muito chegados a papo-furado. Pus o fone no gancho, sentindo-me muito ofendida. Não podia acreditar que Duane tinha ido fofocar sobre mim, e ainda por cima me transformando em vilã.

Pior, Jerome parecia ter engolido a história. Pelo menos de início. Isto foi provavelmente o que mais me doeu porque, deixando de lado meus hábitos de súcubo meio folgado, sempre tive com o arquidemônio uma espécie de relação indulgente de peixinho do professor. Procurando consolo, levei o sorvete para meu quarto, trocando as roupas por um camisão bemsolto. Aubrey, minha gata, ergueu-se de onde estivera dormindo, nos pés da cama, e se espreguiçou. Toda branca exceto por alguns borrões pretos na testa, ela me cumprimentou fechando os olhos verdes. – Não posso ir pra cama – informei-lhe, contendo um bocejo. – Primeiro preciso ler. Aconcheguei-me, com o sorvete e o livro, relembrando uma vez mais que finalmente conheceria meu escritor favorito na sessão de autógrafos no dia seguinte. As histórias de Seth Mortensen sempre me diziam muito, despertando dentro de mim algo que nem sabia que estava adormecido. Seu último livro, O Pacto de Glasgow, não ia diminuir o sentimento de culpa pelo que acontecera com Martin, mas ainda assim preencheu um vazio dolorido dentro de mim. Assombrava-me que os mortais, com suas vidas tão curtas, pudessem criar coisas tão belas. – Nunca criei nada quando era mortal – contei a Aubrey depois de ler cinco páginas. Ela se esfregou em mim, ronronando penalizada, e tive apenas a presença de espírito suficiente de colocar o sorvete a salvo antes de cair de novo na cama e adormecer.

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