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A CARNE DE DEUS – Afonso Cruz

O professor Felicijonas Salnius vivia num pequeno apartamento alugado na Almirante Reis. O professor era um homem velho que, por coincidência, tinha vivido muitos anos — parece uma evidência evidente, mas não é assim, a maior parte das pessoas chega a velho sem ter vivido mais que dois ou três meses, por vezes apenas um fim-de-semana. Não tinha cabelo e vestia com primor. Roupas que mantinha impecáveis há mais de quarenta anos. Quando chegava a casa, tirava-as e vestia um roupão de flanela, aos quadrados, fosse Inverno ou fosse Verão. As roupas eram imediatamente poupadas, bem como os sapatos: trocava-os, mal se via em casa, por uns chinelos, também aos quadrados. Usava uma pera e uns óculos de armação de metal e quando saía de casa recitava uns versos. Repetia o ritual quando entrava. Muita gente julgava que esse cochichar, que acompanhava as suas entradas e saídas, eram orações. Não eram, mas eram como se fosse. O professor Salnius era uma pessoa cheia de rituais na vida. Tudo, para ele, desde a mais quotidiana e aborrecida das ações deveria ser associado a uma frase que o acompanhasse e que lhe desse outra dimensão, tal como fazem os sacramentos católicos. Quando escovava os dentes recitava uma frase, como urna fórmula mágica, uma frase que sublinhasse esse ata tão quotidiano que é a higiene da boca e das gengivas sensíveis. E ele dizia que não era apenas os dentes que lavava e esfregava, que aquilo era o ato que o fazia lavar do que gostaria de ter dito e não disse e do que gostaria de ter calado e não calou. O dentífrico, para ele, era um instrumento mágico, como aliás o eram todos, ou quase todos, os momentos da sua vida, viessem em tubos ou noutras embalagens. Na década de quarenta, Salnius era um fotógrafo com algum sucesso. Tinha-se licenciado em Literatura, mas, por voltas que o destino dá (é como os intestinos, o destino) acabara por se dedicar à fotografia. E não se dera mal a despeito dos avisos de familiares contra essa vida menos canónica que a de professor de Literatura. Na década de cinquenta fora obrigado a dar razão aos tais familiares que o avisaram e desistiu da fotografia para se dedicar a uma carreira académica e ao mundo dos livros e das letras que os compõem. Não sem antes ter vivido uma vida cheia de vida. E ter continuado a vivê-la dentro das páginas dos livros. Os pais morreram, fatalmente, um em Siauliai, e a mãe graças a Estaline. As primeiras palavras que saíram da boca de Felicijonas Salnius foram um verso inteiro da Odisseia) ainda não tinha dois anos. O pai dele recitava Homero com mais insistência do que a mãe lhe dava de mamar, e o leite que o alimentou proveio mais das aventuras de Ulisses do que dos mamilos dela. Aos seis anos, brincava com os versos de Píndaro enquanto as outras crianças empurravam carrinhos e em 1953 saiu da Lituânia, país onde nasceu, e emigrou para França onde viveu três anos.


Depois, casou-se com uma portuguesa e, acabou por ir com ela para Portugal. Viveram em Coimbra até à morte dela, altura em que Salnius decidiu comprar um apartamento em Lisboa. Não foi casual a sua decisão, havia sido convidado para dar aulas na Faculdade de Letras. Reformou-se quando chegou aos sessenta e sete, cansado de ensinar o que não é ensinável, mas satisfeito, contudo, com a vida que lecionara. Nestes dias pacatos de reforma, lia compulsivamente e escrevia. Escrevia muito, mas tambémapagava muito, por isso, muito pouco dessa produção chegava a sair portas fora em direção ao público. A maior parte convertia-se em nada, contrariando as leis de Lavoisier que dizem que nada se perde. Salnius fez desaparecer nesse bizarro Nada muito pensamento que daria que pensar. Para onde vão as frases apagadas? É um dos grandes mistérios da ciência. Todavia, o professor editou um livro de poesia, um livro muito ignorado, mas de razoável qualidade literária, e dois livros sobre simbologia e ritual. Nestes dias pacatos de reforma, saía de casa de manhã e dava uma volta pelo quarteirão. Pitágoras ia atrás dele. Era um schnauzer anão com o pelo muito bem tratado e uma coleira com uma placa de metal onde não se lia o nome do cão. Nessa placa estava apenas gravado um pequeno pentagrama ladeado por um triângulo retângulo e um tetrakis. Símbolos, os mesmos símbolos de que Felicijonas Salnius tanto gostava. O professor saía poucas vezes, além das necessárias aos imperativos biológicos do seu cão com nome de filósofo. Perguntavam-lhe muitas vezes sobre a escolha desse insólito batismo e o professor explicava. Pitágoras acreditava na metempsicose, essa espécie de reencarnação, e não foram poucos, entre filósofos neopitagóricos e órficos, que se disseram incapazes de magoar um cão pois temiam a possibilidade de estar a pontapear o próprio Pitágoras numa das suas transmigrações. Certo, certo, é que o próprio Pitágoras (o filósofo e não o schnauzer) se gabava a plenas guelras de se recordar de ter sido um peixe. E até se lembrava de ter sido uma pedra. Ou talveztivesse sido Empédocles. Seja como for, ambos transmigravam muito. Às oito horas, mais minuto menos minuto, Pitágoras saltava para cima da cama do professor e acordava-o com a língua, uma espécie de despertar maiêutico. Um Schnauzer, apesar de em muitos sentidos ser completamente pitagórico, também tem qualquer coisa socrática. O professor levantavase (não sem antes proferir um verso que celebrasse o dia) e, com o sono devido, dirigia-se à casa de banho para as suas higienes rituais.

Pitágoras ladrava mostrando a sua urgência e, enquanto isso, Salnius vestia-se com todo o esmero e regalo. Depois, punha a trela no cão e lá ia dar a volta da praxe, uma volta ao quarteirão. Na última semana, nessas voltas que a bexiga do Pitágoras exigia que ele desse, reparou numhomem, num homem estranho. Não que ele fosse estranho, que tivesse esta ou aquela bizarria, mas dava essa sensação. Tinha-o visto a primeira vez junto à padaria — onde o pão era muito mau (mas onde é que, hoje em dia, se faz pão em condições?) — a fumar um cigarro. Pediu lume com uma voz grossa, entrevada, e o professor deu-lhe lume. Salnius também era um exímio fumador, por isso, nessa manhã tão fria, ficaram ali os dois, durante uns minutos, a falar do tempo que fazia e dessas temperaturas tão baixas que esse ano havia produzido com toda a sua dedicação. — Está frio, hã? — disse o professor enquanto tentava acender um fósforo. — Este planeta está de pernas para o ar. Não me lembro de sentir tanto frio em Abril. — Está frio, hã? — repetiu o professor enquanto tentava acender um segundo fósforo. Conseguiu à terceira, já depois de descalçar as luvas. Pitágoras também se mostrava impaciente,mas, evidentemente, tinha mais motivos para isso. Havia ali postes e árvores à sua espera. O frio que se fazia sentir em Abril não era assunto que lhe vazasse a bexiga. Os bafos devidos ao frio, juntamente com o fumo, misturavam-se no ar, os do homem estranho e os do professor. Isso deu a Salnius uma sensação de promiscuidade. Afastou-se e despediu-se do tal homem. No outro dia, voltou a vê-lo. Estava no largo, mesmo em frente à sua porta. O estranho era umhomem muito alto, cabelo ondulado e gabardina. Era daqueles homens que, mesmo que não o fizesse, parecia trajar sempre uma gabardina. Salnius interrogava-se sobre o que faria ali um homem, no frio e àquela hora, sem cão para passear. A terceira vez que o viu foi depois de ouvir a campainha de casa. Abriu a porta e o estranho entrou juntamente com um soco.

O professor Felicijonas Salnius, reformado, caiu no chão com o nariz partido. CAPÍTULO 2 O professor Felicijonas Salnius sangrava abundantemente. Atrás do homem alto que o havia agredido — e que, no dia anterior, lhe tinha pedido lume — vinham mais dois homens. Ambos gordos, dessa gordura que o dinheiro faz crescer na barriga. Pitágoras ladrou, mas não ladrou muito tempo: o homem alto agarrou-o pelo pescoço e matou-o como se matam as galinhas. O schnauzer transmigrou de imediato. O professor tentou pôr os óculos e, até, limpar o sangue que lhe caia no roupão aos quadrados. Nestas alturas, os homens — sejam eles grandes eruditos ou não — reagem de maneiras ridículas. Salnius, apesar de literato, não era exceção nenhuma. Prenderam-no na cadeira da cozinha, uma cadeira de ferro acolchoada a napa branca. Fizeram perguntas a que o professor não respondeu. Por três vezes não respondeu, uma recusa bíblica. A polícia foi encontrar o seu corpo ainda amarrado à cadeira acolchoada de napa. Não estava num estado muito avançado de decomposição, como muitas vezes acontece a quem morre e tem vidas solitárias. E isso graças aos vizinhos. Aliás, a missão do vizinho é ser indiscreto e meter-se na vida dos outros vizinhos. Neste caso, meteram-se na morte. O primeiro sinal de que algo anormal se passava veio através do silêncio, foi comunicado pelo silêncio. A vizinha de baixo, a dona Esménia, costumava reclamar ritualmente — todos temos os nossos rituais, uns mais metafóricos do que outros, mas rituais na mesma — com o latir do cão do professor. O silêncio da manhã seguinte, altura em que o cão exibia com mais alarde o seu ladrar, fez despertar a curiosidade da vizinha de baixo. Este foi o primeiro sinal de que algo estranho se passava. Dona Esménia não esperou pelo segundo sinal. A pretexto de que tinha correspondência colocada por engano na sua caixa do correio — o que era verdade — subiu os degraus e bateu à porta do professor com uma carta na mão. O professor Salnius — que se por acaso não estivesse amarrado estaria morto — não respondeu. Então, face ao mutismo da porta do professor, dona Esménia esperou pela senhora que limpava o prédio e que também limpava a casa do professor.

Disse que tinha uma infiltração na casa de banho, que se calhar o professor tinha ido passar uns dias fora de Lisboa e tinha-se esquecido duma torneira mal fechada que, por acaso, até já havia acontecido. Disse assim a dona Esménia à dona Clotilde: — Tenho uma infiltração na casa de banho. Parece um chuveiro. Já fui bater à porta do senhor Salnius, mas ele não responde. Se calhar foi para fora, quem sabe lá para as Rússias e esqueceu-se da torneira aberta. Então pensei cá para mim: mas a dona Clotilde tem a chave do apartamento do professor… A dona Clotilde acreditou na dona Esménia e usou das suas chaves para entrar no apartamento do professor. Por via das dúvidas, as duas senhoras voltaram a bater à porta. Não obtendo resposta, entraram. Viram o cão morto no corredor já com a alma completamente transmigrada. No quarto havia roupa cuidadosamente dobrada, em cima da cama, à espera de sair de casa para ir passear um cão com nome de filósofo pré-socrático. O professor estava amarrado, na cozinha, a uma cadeira de ferro acolchoada a napa branca. A cabeça pendia-lhe sobre o peito, um pouco descaída sobre o ombro esquerdo. No alto da cabeça tinha um esquadro metálico profundamente cravado no crânio. O roupão aos quadrados estava cheio de sangue. CAPÍTULO 3 Os ovos vinham demasiado passados. Lola Benites reclamou. Há quantos anos tomava o pequeno-almoço no Early Bird? Há muitos. — Há quantos anos é que venho aqui tomar o pequeno-almoço? — perguntou Lola ao empregado. — Há muitos — respondeu o empregado enquanto recolhia o prato. Lola era uma mulher de trinta e dois anos, alta, de cabelos quase castanhos e segura do que dizia com segurança e igualmente segura do que dizia com insegurança. Este é, aliás, um dos grandes segredos que faz com que qualquer banalidade que se diga pareça assunto de autoridade. Chamou o empregado outra vez. O café iria arrefecer enquanto esperava por outros ovos. — Não está à espera que vá comer os meus ovos com o café frio? — perguntou Lola Benites segurando a chávena como se ela tivesse peçonha ou se o café estivesse prestes a arrefecer. — Evidentemente que não — respondeu o empregado enquanto levava o café.

Lola Benites era uma mulher que sabia muito bem ser arrogante, ao mesmo tempo que era bonita. Também era uma mulher determinada e de olhos papudos, grandes, rasgados e elegantes, contudo. Enquanto os seus ovos iam e vinham, Lola olhava o relógio amiúde. Não por ser umadmirável exemplar herdado duma tia-avó, mas porque queria saber as horas. Muitas vezes, querer saber as horas é motivo para se olhar para o mostrador do relógio. Estava impaciente, nesse dia, tinha combinado encontrar-se com Marim Grigore e este estava atrasado. Um caso raríssimo, segundo consta. Grigore nunca se atrasa. Lola era jornalista. Tinha sido despedida e, com o dinheiro da indemnização juntamente com o que seu pai abundantemente lhe dava, decidira, há um mês, escrever um livro sobre seitas secretas — ou discretas, como alguns preferem — e andava a recolher depoimentos. Neste caso específico, Grigore era o mais desejado dos entrevistados. Num mundo dominado por lobbies, grupos de filosofias duvidosas, grupos sem filosofias, grupos demasiado místicos, grupos sem misticismo, Marim Grigore era um oásis. Tinha a seu cargo uma loja selvagem. Uma loja selvagem é um grupo maçónico não reconhecido pelas duas grandes potências que dominam esse mundo de pedreiros, cavalheiros e trolhas. Chamou o empregado uma terceira vez. — Traga-me a pimenta — disse. E acrescentou: — E o sal. Fora um amigo do pai, um homem muito bem relacionado, que lhe arranjara maneira de contactar Grigore. Ou melhor, convencera-o a contactá-la a ela. Marim Grigore telefonara-lhe uma tarde, com a sua voz seca e profunda, meio sussurrada. Dar-lhe-ia uma entrevista, mas teria de ser emLondres — o que convinha a ambos, já que os dois passavam lá a maior parte do seu tempo. Lola assentiu e sugeriu o café onde costumava tomar o seu pequeno-almoço, o Early Bird. Grigore concordou e o encontro foi marcado, tendo ele avisado relativamente às horas combinadas: «Raramente chego atrasado e desgosta-me ter de esperar». O empregado deu meia volta para ir buscar a pimenta e o sal, e nessa altura entrou MarimGrigore. A porta abriu-se, o frio de fora fez-se sentir dentro, até a porta se fechar de novo.

Não trazia fato e isso contrastava com o que Lola esperava. Nestas coisas espera-se sempre um ar burocrático. Quando se combina um encontro com um pedreiro espera-se um burguês com qualquer coisa de nobre, umas luvas brancas e umas medalhas. Mas Grigore era daquelas pessoas que passamdespercebidas. Trazia um sobretudo e, por baixo, uma camisola de gola alta, preta. Felizmente, naquele lugar, o único a usar avental era o chefe e alguns funcionários da cozinha. O café estava quase cheio. Era grande e no centro de Londres, perto de Trafalgar Square. De fora, mostrava umas grandes janelas e lá dentro, um interior vitoriano. A maior parte das pessoas que o frequentavam falavam outras línguas que não o inglês. Grigore puxou uma cadeira e sentou-se sem cerimónias e com a certeza de que se estava a sentar na mesa certa, mesmo sem nunca antes ter conhecido Lola Benites. Desculpou-se pelo atraso, não era hábito. — Peço desculpa pelo atraso, não é hábito acontecer. — Não se preocupe. Vai tomar pequeno-almoço? — Já tomei, obrigado. Grigore trazia umas sobrancelhas muito pretas, grossas como duas colunas — Jachin e Boaz — e umas bochechas, tanto a esquerda quanto a direita, que inspiravam bonomia. Grigore vivera toda a sua infância em Brasov, na Roménia onde nascera. Viajava bastante e não tinha, propriamente, um lugar a que pudesse chamar lar. Apesar desse nomadismo aindatinha uma casa em Brasov e outra em Sibiu, que herdara dos pais e onde passava um ou dois meses por ano. Tinha também um apartamento em Londres, alugado ao ano e uma pequena casa em França, em Auvergne. Na verdade não era uma casa, era uma caravana cigana, de madeira. A sua vida era muito reservada e não era conhecido pelos média. Nem por ninguém, exceto certos círculos muito restritos que o viam como alguém muito especial ou alguém muito esquisito, o que vai dar no mesmo. Teve uma educação francófona que lhe permitiu estudar em Paris. Aos vinte e dois tornou-se maçom, foi iniciado no.

Grande Oriente de França e, passados sete anos, desinteressou-se por todo o aparato ritual e pelos assuntos discutidos. Mas, antes disso, um dia, sem se perceber muito bemcomo, Grigore havia granjeado uma reputação única nestes meios. Meios que se dividem entre charlatães, filósofos, pessoas que se gabam de saber o segredo dos templários (bem como templários que se gabam de saber o segredo das pessoas), pessoas que gostam de festas e salões, negociantes de todo o tipo de produtos, aduladores, eruditos de muitas espécies. Enfim, há de tudo, até schnauzers. O telefone de Grigore tocou. Ele, num gesto cortês, carregou na tecla vermelha sem sequer olhar para o visor e pediu desculpa. Lola apreciou o gesto e aproveitou para tirar o seu bloco. Grigore não permitiu que fosse gravada qualquer conversa, por isso, Lola viu-se obrigada a usar o método antigo, o tradicional bloco de notas. Já sabia disso há uma semana, altura em que combinara este encontro. Um amigo do pai, discretamente maçom, tinha-lhe falado de um homem notável, umromeno, que tinha fundado uma Loja, uma Loja selvagem, sobre a qual muitas coisas se diziam. Coisas boas e coisas más. Indagou aqui e ali, onde pôde e a deixaram, e chegou a conseguir que Grigore a contactasse. A jornalista preparou-se para começar a entrevista. Pigarreou como uma cantora de ópera e começou pelo princípio: — Então, diga-me: qual é o segredo dos templários? Lola achava que tinha humor, por isso, sorriu para dentro. O empregado trouxe o sal e a pimenta. Pousou-os na mesa. Grigore sorriu para fora, mas sem responder. — Há quanto tempo surgiu a «Perséfone»? — perguntou Lola Benites enquanto rabiscava, sem nexo, as suas folhas pautadas. — A «Perséfone» surgiu há pouco mais de uma década. Foi uma maneira de fazer as coisas como achava que deveriam ser feitas, por isso criei uma Loja com esse nome. Juntamente com outros mestres maçons. — O que significa esse nome? Quer dizer, eu sei que Perséfone era uma deusa grega que desceu ao Hades, conheço o mito, mas o que é que tem a ver com a Loja que criou? — Esse é um dos nossos segredos. E como tal, mantém-se assim. Os segredos são melhores quando não são ditos. — Ah, o famoso segredo dos templários — ironizou Lola Benites.

— Não acha ridículo tanto secretismo à volta de meia dúzia de símbolos e uns aventais?

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