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A Casa Atreides – Brian Herbert, Kevin J. Anderson

A melange é o elemento econômico primitivo das atividades da CHOAM. Sem a especiaria, as reverendas madres da Bene Gesserit não poderiam realizar suas experiências de observação e controle humano, os Navegadores da Corporação não poderiam localizar caminhos seguros através do espaço, e milhares de cidadãos imperiais morreriam devido à síndrome de abstinência. Qualquer néscio sabe que a dependência de apenas uma substância degenera em abusos. Todos corremos um grave perigo. Análise econômica de circulação de materiais da CHOAM O barão Vladimir Harkonnen, esbelto e musculoso, estava inclinado para frente, ao lado do piloto do ornitóptero. Esquadrinhou com olhos negros através do cristal côncavo, ao mesmo tempo que seu olfato sentia o aroma da areia e do pó onipresentes. Enquanto o ornitóptero couraçado voava a considerável altura, o sol branco de Arrakis arrancava reflexos das areias infinitas. A visão das dunas, que brilhavam devido ao calor do dia, feriu suas retinas. A paisagem e o céu eram de um branco cegante. Nada conseguia distrair o olho humano. Um lugar infernal O barão desejava retornar à placidez industrializada e a complexidade civilizada de Giedi Prime, o planeta central da Casa Harkonnen. Tinha melhores coisas a fazer no quartel general da família, situado na cidade de Carthag, e seus gostos exigentes desejavam outras diversões. Mas a especiaria tinha prioridade absoluta. Sempre. Sobretudo quando surgia uma greve tão selvagem como seus rastreadores tinham informado. Na cabine lotada, o barão apresentava um ar de confiança absoluta, indiferente às oscilações produzidas pelas turbulências de ar. As asas mecânicas do ornitóptero batiam ritmicamente, como as de uma vespa. O couro negro de seu casaco se ajustava perfeitamente sobre seus peitorais bemdesenvolvidos. Com mais de quarenta anos, era atraente, com um ar de fanfarronice em suas feições. Usava o cabelo vermelho-dourado cortado e penteado conforme instruções precisas, para que destacasse seu penteado característico. O rosto do barão era imberbe, as maçãs do rosto altas e bemesculpidas. Ao longo do seu pescoço e mandíbula destacavam músculos muito pronunciados, dispostos a deformar seu rosto em uma expressão raivosa ou em um duro sorriso, segundo as circunstâncias. — Quanto falta? Olhou de esguelha para o piloto, que dava sinais de nervosismo. — O lugar fica nas profundezas do deserto, barão. Tudo indica que se trata de uma das mais ricas concentrações de especiaria jamais escavada.


O aparelho estremeceu quando passaram sobre um afloramento de lava negra. O piloto engoliu em seco e se concentrou nos controles do ornitóptero. O barão relaxou em seu assento e reprimiu a impaciência. Estava satisfeito porque o novo tesouro estava a salvo de olhos inquisidores, longe de funcionários imperiais ou da CHOAM que pudessem levar registros chatos. O senil imperador Elrood IX não tinha por que saber nada sobre a produção de especiaria dos Harkonnen em Arrakis. Graças a informes falsificados com supremo cuidado e livros de contas manipulados, para não falar dos subornos, o barão contava aos supervisores extra planetários somente o que queria que soubessem. Passou a mão pelo suor que cobria seu lábio superior, e ajustou os controles da cabine do ornitóptero para uma temperatura mais fresca e um ambiente mais úmido. O piloto, nervoso por ter sob sua responsabilidade um passageiro tão importante e de caráter tão mutável, aumentou a velocidade. Olhou para a projeção cartográfica do console, e estudou os contornos do terreno deserto que se estendia até perder-se de vista. Depois de examinar as projeções cartográficas, sua escassez de detalhes desagradou o barão. Como alguém podia orientar-se naquele planeta deserto? Como era possível que um planeta vital para a estabilidade econômica do Império nunca tivesse sido cartografado? Outra falha de seu fraco meio-irmão, Abulurd. Mas Abulurd se fora, e o barão estava no comando. Agora que Arrakis é meu, porei tudo em ordem. Assim que retornasse a Carthag, poria gente a trabalhar em novos mapas e planos, se os malditos Fremen não matassem uma vez mais os exploradores, ou destruíssem os pontos cartográficos. Durante quarenta anos este mundo deserto tinha sido o semi-feudo da Casa Harkonnen, umacordo político garantido pelo imperador, com a bênção da poderosa CHOAM. Embora sórdido e desagradável, Arrakis era uma das jóias mais importantes da coroa imperial, em virtude da preciosa substância que fornecia. Entretanto, depois da morte do pai do barão, Dimitri Harkonnen, o velho imperador tinha concedido o poder, devido a alguma deficiência mental, ao fraco Abulurd, que conseguira arruinar a produção de especiaria em apenas sete anos. Os lucros caíram, e perdeu o controle graças a contrabandistas e sabotagem. Caído em desgraça, o imbecil tinha sido deposto e exilado sem título oficial em Lankiveil, onde não podia prejudicar muito às atividades baleeiras desenvolvidas no planeta. Em todo o Império, Arrakis (um inferno que alguns consideravam um castigo) era a única fonte conhecida da melange, uma substância muito mais valiosa que qualquer metal precioso. Neste mundo seco valia mais que seu peso em água. Sem especiaria, as viagens espaciais seriam impossíveis… e sem viagens espaciais, o Império cairia. A especiaria prolongava a vida, protegia contra doenças e acrescentava vigor à existência. O barão, que a consumia com moderação, agradecia sobremaneira a sensação que produzia. Claro que a melange, em contrapartida, era ferozmente aditiva, o que mantinha seu preço alto… O ornitóptero couraçado sobrevoou uma cordilheira que parecia uma mandíbula cheia de dentes podres.

Ao longe, o barão viu uma nuvem de pó que se estendia como uma bigorna até o céu. — São os trabalhos de coleta, barão. Ornitópteros de ataque semelhantes a falcões apareceram como pontos negros no céu monocromático e se precipitaram para eles. O comunicador soou, e o piloto enviou um sinal de identificação. Os defensores, mercenários com ordem de manter afastados moradores indesejáveis, descreveram um círculo e adotaram uma posição protetora no céu. Enquanto a Casa Harkonnen alimentasse a ficção de progresso e benefícios, a Corporação Espacial não tinha por que ser informada de nenhuma descoberta de especiaria. Nem o imperador nem a corporação de comércio galáctico CHOAM. O barão ficaria com a melange e aumentaria seus já enormes depósitos. Depois dos anos de decadência, se o barão conseguisse ao menos a metade do que era capaz, a CHOAM e o Império notariam uma grande melhora. Sim isso os contentaria, não reparariam emsuas consideráveis manobras, nunca suspeitariam da existência de suas reservas secretas. Umestratagema perigoso, se fosse descoberto… mas o barão sabia como tratar os olhos curiosos. Enquanto se aproximavam da nuvem de pó, pegou um binóculo e regulou as lentes. A ampliação lhe permitiu ver a fábrica de especiaria em funcionamento. Com seus gigantescos pneumáticos e enorme capacidade de carga, a monstruosidade mecânica era incrivelmente cara, e valia todos os Solaris que sua manutenção custava. Suas escavadoras expulsavam pó avermelhado, areia cinza e lascas de pedra à medida que afundavam e cavavam a superfície do deserto, em busca da especiaria. Unidades terrestres móveis percorriam a areia estripada nas vizinhanças da fábrica, afundavam sondas sob a superfície, recolhiam amostras, riscavam o plano do veio de especiaria enterrada. No céu, maquinaria mais pesada transportada por ornitópteros jumbo dava voltas, esperando. Na periferia, aparelhos de observação percorriam as areias de um lado a outro, comvigias a bordo concentrados em encontrar sinais de vermes. Qualquer dos gigantescos vermes de areia de Arrakis podia engolir todo o complexo. — Senhor barão — disse o piloto ao mesmo tempo que lhe estendia o comunicador —, o capitão da equipe de trabalho deseja falar com o senhor. — Fala o barão. Informe. Quanta especiaria encontrou? O capitão respondeu com voz áspera, pelo visto indiferente à importância do homem comquem estava falando. — Faz dez anos que dirijo equipes de especiaria, e este depósito supera tudo que vi até agora. O problema e que está enterrada a grande profundidade.

Geralmente, os elementos deixam a especiaria descoberta, e assim a encontramos. Desta vez está muito concentrada, mas… O barão só aguardou um momento. — Sim, o que acontece? — Está acontecendo algo estranho, senhor. Nos aspectos químicos, quero dizer. Há dióxido de carbono que se filtra de baixo, uma espécie de bolha formada sob nossos pés. O coletor está escavando através de capas exteriores de areia para acessar à especiaria, mas também há vapor de água. — Vapor de água! Era algo inédito em Arrakis, onde a de umidade do ar era mínima, mesmo no melhor dos dias. — Talvez encontramos um antigo aquífero, senhor, sepultado sob uma capa de rocha. O barão jamais tinha imaginado que se encontraria água sob a superfície de Arrakis. Considerou a possibilidade de explorar um curso de água e vendê-la à população. Isso irritaria semdúvida aos mercadores de água existentes, que já se davam ares de importância excessiva. Sua voz de baixo retumbou. — Acha que está poluindo a especiaria? — Não sei, senhor — disse o capitão —. A especiaria é uma matéria estranha, mas nunca tinha visto uma jazida semelhante. Não parece… normal. O barão olhou para o piloto do ornitóptero. — Ponha-me em contato com os rastreadores. Pergunte se localizaram sinais de vermes. — Não há sinais de vermes, meu senhor — disse o piloto ao ver a resposta na tela. O barão observou gotas de suor na testa do homem. — Ha quanto tempo o coletor esta lá embaixo? — Quase duas horas normais, senhor. O barão franziu o cenho. Já deveria ter aparecido um verme. Sem perceber, o piloto tinha deixado aberto o sistema de comunicações, e o capitão da equipe confirmou a circunstância pelo alto-falante. — Nunca demoraram tanto, senhor.

Os vermes sempre vêm. Sempre. Mas algo está acontecendo ali embaixo. Os gases estão aumentando. Cheira-se no ar. O barão absorveu o ar reciclado da cabine e detectou o aroma almiscarado de canela da especiaria bruta recolhida do deserto. O ornitóptero se encontrava a algumas centenas de metros do coletor principal. — Também detectamos vibrações subterrâneas, uma espécie de ressonância. E não gosto disso, senhor. — Você não é pago para gostar — replicou o barão —. É um verme profundo? — Não acredito, senhor. Examinou os cálculos estimados que o coletor de especiaria emitia. As cifras nublaram sua mente. — O que estamos obtendo desta escavação equivale à produção mensal das outras jazidas. Tamborilou com os dedos sobre sua coxa. — Entretanto, senhor, sugiro que nos preparemos para recolher tudo e abandonar a jazida. Poderíamos perder… — De maneira alguma, capitão — disse o barão —. Não há sinais de vermes, e quase recolheu a carga de toda uma feitoria. Se precisar, baixaremos um coletor vazio. Não vou abandonar uma fortuna em especiaria porque esta ficando nervoso… só porque tem uma sensação estranha. Ridículo! Quando o chefe da equipe tentou defender seu ponto, o barão o interrompeu. — Capitão, se é um covarde nervoso, escolheu mal a profissão e a Casa que lhe dá emprego. Continue. Fechou o comunicador e tomou nota mentalmente de despedir aquele homem o quanto antes. No alto flutuavam os transportadores preparados para recolher o coletor de especiaria e a sua tripulação assim que aparecesse um verme.

Mas por que demoravam tanto? Os vermes sempre protegiam a especiaria. A especiaria. Saboreou a palavra em seus pensamentos. A substância, rodeada de superstições, existia em uma quantidade desconhecida, como um chifre de unicórnio moderno. Por outro lado, Arrakis era tão inóspito que ninguém tinha descoberto ainda a origem da melange. Na imensa extensão do Império, nenhum explorador nem prospector tinha encontrado melange em nenhum outro planeta, nem ninguém tinha conseguido sintetizar um substituto, apesar de séculos de tentativas. Desde que a Casa Harkonnen detinha o governo de Arrakis, e portanto controlava toda a produção de especiaria, o barão não desejava que se desenvolvesse umsubstituto ou se encontrasse outra fonte. Equipes do deserto peritas localizavam a especiaria, e o Império a utilizava mas, alem disso, os detalhes não eram conhecidos. Sempre existia risco para os trabalhadores, o perigo de um ataque de verme muito cedo, de que um transportador se danificasse, de que uma feitoria de especiaria não fosse içada a tempo. Tormentas de areia inesperadas surgiam com surpreendente velocidade. Os números de baixas e de perdas de equipes eram estarrecedores… mas a melange pagava quase qualquer custo, emdinheiro ou sangue. Enquanto o ornitóptero descrevia círculos a um ritmo constante, o barão estudou o espetáculo industrial. O sol abrasador se refletia no casco poeirento da feitoria de especiaria. Os rastreadores continuavam sulcando o ar, enquanto veículos terrestres coletavam amostras. Ainda não se viam sinais de nenhum verme, e cada momento que passava permitia à equipe recolher mais especiaria. Os trabalhadores receberiam bonificações, exceto o capitão, e a Casa Harkonnen se enriqueceria ainda mais. Os registros seriam alterados mais adiante. O barão se voltou para o piloto. — Chame a base mais próxima. Ordene que preparem outro transportador e outra fabrica de especiaria. Este veio parece inesgotável. — Baixou a voz —. Se ainda não apareceu nenhum verme talvez haja tempo… O capitão da equipe de terra voltou a chamar, retransmitindo em uma freqüência geral desde que o barão tinha fechado seu receptor. — Senhor, nossas sondas indicam que a temperatura está se elevando abaixo do solo… Um pico drástico! Algo está acontecendo lá embaixo, uma reação química. Além disso, um de nossos grupos de exploração terrestre acaba de encontrar um ninho de trutas de areia.

O barão grunhiu, furioso com o homem porque se comunicou mediante um canal não codificado. E se espiões da CHOAM estivessem escutando? Além disso, ninguém se importava com as trutas de areia. Aqueles animais gelatinosos que viviam sob a areia eram tão irrelevantes para ele como um enxame de moscas ao redor de um cadáver. Tomou nota mental de castigar o homem com algo mais que a demissão e lhe negar a bonificação. Abulurd em pessoa deve ter escolhido esse bastardo afeminado. O barão viu as diminutas figuras dos exploradores avançando pela areia, brincando de correr como formigas enlouquecidas por vapor ácido. Correram de volta para a fabrica de especiaria principal. Um homem saltou de seu veículo encravado na areia e se precipitou para a porta aberta da enorme máquina. — O que esses homens estão fazendo? Estão abandonando seus postos? Desça um pouco para vê-los melhor. O pilotou inclinou o ornitóptero e desceu como um escaravelho detestável para a areia. Os homens se agacharam, tossiram, enquanto tentavam colocar filtros sobre o rosto. Dois caíram sobre a areia. Outros retrocederam depressa para a fabrica de especiaria. — Tragam o transportador! Tragam o transportador! — gritou alguém. Todos os rastreadores informaram. — Não vejo sinais de vermes. — Ainda nada. — Tudo limpo por aqui. — Por que estão evacuando? — perguntou o barão, como se o piloto soubesse. — Algo está acontecendo! — chiou o capitão —. Onde está o transportador? Precisamos dele já! A terra oscilou. Quatro operários caíram de bruços na areia antes de chegar à rampa da fabrica de especiaria. — Olhe, meu senhor! — O piloto apontou para baixo, com voz trêmula de terror. Quando o barão deixou de concentrar-se nos homens acovardados, viu que a areia tremia ao redor da jazida, e vibrava como um tambor. O coletor de especiaria se inclinou e escorregou para um lado.

Abriu-se uma rachadura na areia, e toda a jazida começou a erguer-se no ar como uma bolha de gás em uma panela de barro salusana fervendo. — Tire-nos daqui! — gritou o barão. O piloto olhou para ele por uma fração de segundo, e o barão lhe deu um tapa na bochecha com a mão esquerda, veloz como o raio —. Mexa-se! O piloto puxou os comandos e iniciou a subida. As asas articuladas bateram furiosamente. Abaixo deles, a bolha subterrânea alcançou seu ponto máximo e explodiu. O coletor de especiaria, as equipes móveis e todo o resto saltou pelos ares. Uma gigantesca explosão de areia se elevou para o ar, arrastando rocha destroçada e a volátil especiaria alaranjada. A gigantesca fabrica foi feita em pedacinhos, que foram espalhados como trapos perdidos em uma tormenta Coriolis. — Que diabos aconteceu ali? Os olhos escuros do barão se arregalaram, incrédulos, ao contemplar a magnitude do desastre. Toda a preciosa especiaria desaparecida, engolida em um instante. Toda a equipe destruída. Não pensou na perda de vidas, apenas nos gastos para treinar outras equipes. — Segure-se, meu senhor! — gritou o piloto. Os nódulos dos seus dedos ficaram brancos sobre os comandos. Uma potente rajada de vento os alcançou. O ornitóptero couraçado perdeu sua posição no ar, enquanto as asas se agitavam freneticamente. Os motores zumbiram e grunhiram, ao mesmo tempo emque tentavam manter a estabilidade. Projéteis de areia se chocaram contra as janelas de plaz. Obstruídos pelo pó, os motores do ornitóptero falharam. O aparelho perdeu altitude e caiu para o revolto estômago do deserto. O piloto gritou palavras ininteligíveis. O barão agarrou seus protetores contra colisões, e viu que a terra se precipitava para ele rapidamente, disposto a esmagá-lo como um inseto. Como cabeça da Casa Harkonnen, sempre tinha pensado que morreria nas mãos de umassassino traidor… mas ser vítima de um desastre natural imprevisível lhe pareceu quase divertido. Enquanto caíam, viu a areia aberta como uma ferida.

As correntes de convecção e as reações químicas absorviam o pó e a melange bruta. O rico veio de especiaria se transformou em uma boca leprosa disposta a engoli-los. Mas o piloto, que tinha parecido fraco e distraído durante o vôo, adotou uma rigidez total, devida à concentração e a determinação. Seus dedos voavam sobre os comandos, aproveitando as correntes, mudava o fluxo de um motor para outro afim de aliviar o estrangulamento produzido pelo pó nos tubos de recepção de ar. Por fim, o ornitóptero nivelou, estabilizou-se e voou a baixa altura sobre a planície de dunas. O piloto emitiu um suspiro de alívio. O barão viu sombras translúcidas reluzentes no grande desfiladeiro aberto na areia, sombras similares a vermes sobre uma carcaça: trutas de areia que corriam para a explosão. Não demorariampara surgirem os gigantescos vermes. Aqueles monstros não resistiriam a tentação. Por mais que tentasse, o barão não conseguia compreender a especiaria. O ornitóptero ganhou altitude e os conduziu para os rastreadores e transportadores, que tinham sido tomados de surpresa. Não tinham conseguido recuperar a fabrica de especiaria e seu precioso carregamento antes da explosão, e não podia culpar ninguém por isso. Só a si mesmo. O barão tinha dado ordens explícitas para se manterem afastados. — Acabou de salvar minha vida, piloto. Como se chama? — Kyrubi, senhor. — Muito bem, Kyrubi. Já tinha visto algo semelhante? Que aconteceu ali embaixo? Qual foi a causa da explosão? O piloto respirou fundo. — Ouvi os Fremen falarem a respeito de algo que chamam explosão de especiaria. — Agora parecia uma estátua, como se o terror o tivesse transformado em algo muito mais forte —. Ocorre nas profundezas do deserto, onde muito pouca gente pode presenciar. — Quem se importa com o que dizem os Fremen? — Seu lábio se curvou desdenhoso quando pensou nos sujos nômades indígenas do grande deserto —. Todos ouvimos falar de explosões de especiaria, mas ninguém viu nenhuma. Superstições estúpidas.

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