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A Casa da Dor – Jo Nesbo

Vou morrer. E não faz sentido. Não era esse o plano, pelo menos não o meu. Pode ser que eu estivesse a caminho o tempo todo sem nunca ter me dado conta. Mas o meu plano era outro. Era melhor. Fazia sentido. Estou olhando fixamente para dentro de um cano de revólver e sei que é de lá que ele virá. O mensageiro. O cocheiro. Tempo para uma última gargalhada. Se você vê a luz no fim do túnel, pode ser a chama de uma arma. Tempo para uma última lágrima. Poderíamos ter feito algo bom dessa vida, você e eu. Se tivéssemos seguido o plano. Um último pensamento. Todos perguntam qual é o sentido da vida, mas ninguém pergunta qual é o sentido da morte. Capítulo 2 Astronauta O velho fez Harry pensar em um astronauta. Os passos comicamente curtos, os movimentos rígidos, o olhar sombrio e morto e as solas dos sapatos se arrastando pelo piso de parquete. Como se estivesse com medo de perder o contato com o chão e ser levado pelo vento, para o espaço. Harry olhou o relógio na parede branca sobre a porta de saída: 15h16. Do lado de fora da janela, na rua Bogstad, as pessoas passavam com a pressa das sextas-feiras. O sol baixo de outubro se refletiu no espelho retrovisor de um carro que abria caminho na rua movimentada. Harry se concentrou no velho. Usava chapéu e um elegante casaco cinza que precisava ser lavado.


Por baixo, uma jaqueta de tweed, gravata e calças cinza surradas com vinco marcado. Sapatos lustrosos com saltos desgastados. Um desses aposentados que pareciam povoar o bairro chique de Majorstua. Não era uma suposição. Harry sabia que August Schulz tinha 81 anos e fora outrora um comerciante de roupas que morara sua vida inteira em Majorstua, exceto durante a guerra, quando morara numa caserna emAuschwitz. E os joelhos rijos eram resultado da queda de uma passarela de pedestres sobre a rua Ringveien, por onde ele passava nas suas visitas regulares à filha. A impressão de um boneco mecânico foi ampliada pelos braços dobrados em ângulo reto nos cotovelos e apontados para frente. No antebraço direito pendia uma bengala marrom e a mão esquerda segurava um formulário de transferência bancária, que ele já estendia ao jovem de cabelo curto no guichê dois. Harry não via seu rosto, mas sabia que estava olhando o velho com uma mistura de pena e irritação. Agora eram 15h17 e finalmente chegou a vez de August Schulz. Harry soltou um suspiro. Stine Grette estava no guichê um e contava 730 coroas para um menino de gorro azul que tinha acabado de passar um boleto bancário para ela. Um diamante brilhava no seu dedo anelar esquerdo a cada nota que ela colocava no balcão. Harry não podia ver, mas sabia que à direita do menino, em frente ao guichê três, tinha uma mulher com um carrinho de bebê que ela balançava, provavelmente bem distraída, já que a criança dormia. A mulher estava esperando ser atendida pela senhora Brænne, que explicava em voz alta a um homemno telefone que ele não podia debitar automaticamente sem que o usuário da conta houvesse assinado um acordo a respeito, e quem trabalhava em um banco era ela e não ele, portanto talvez pudessemencerrar a discussão por ali mesmo. No mesmo instante, a porta da agência bancária se abriu e dois homens, um alto e um baixinho, emidênticos macacões escuros, entraram apressados. Stine Grette levantou o olhar. Harry olhou seu próprio relógio e começou a contar. Os homens se dirigiram ao canto onde estava Stine. O homem alto se movimentou como se pisasse em poças d’água, enquanto o baixinho tinha a ginga de quem arranjara músculos maiores do que podia conter. O menino de gorro azul se virou devagar e deu uns passos em direção à porta de saída, tão entretido em contar o dinheiro que nem notou os dois homens. — Olá — disse o homem alto para Stine. Aproximou-se e colocou uma maleta preta no balcão com força. O baixinho ajeitou um par de óculos escuros espelhados, deu um passo para a frente e colocou uma maleta idêntica ao lado da primeira. — Dinheiro! — chiou com voz fina.

— E abre essa porta! Foi como apertar um botão de pausa: todos os movimentos na agência congelaram. A única coisa que revelava que o tempo não estava parado era o trânsito lá fora. E o mostrador de segundos no relógio de Harry, que agora mostrava que haviam se passado dez segundos. Stine apertou um botão embaixo de sua mesa. Ouviu-se um zunido eletrônico, e o baixinho abriu a pequena porta de vaivémcom seu joelho. — Quem tem a chave? — perguntou. — Depressa! Não temos o dia todo! — Helge! — gritou Stine por cima do ombro. — O quê? — A voz vinha de dentro da porta aberta ao único escritório da agência. — Temos visita, Helge! Um homem de gravata borboleta e óculos de leitura apareceu. — Esses senhores querem que abra o caixa automático, Helge — disse Stine. Helge Klementsen olhou os dois homens de macacão que agora estavam atrás do balcão. O homemalto olhava nervoso para a porta de saída, mas o baixinho olhava fixo para o gerente da agência. — Ah sim, claro — arfou Helge Klementsen, como se de repente tivesse se lembrado de um compromisso esquecido e irrompeu em uma gargalhada retumbante, febril. Harry não mexeu um músculo, apenas deixou os olhos absorverem os detalhes dos movimentos e a mímica. Vinte e cinco segundos. Ele continuou olhando o relógio em cima da porta, mas no canto do campo de visão ele viu o chefe da agência destrancar o caixa automático do lado de dentro, retirar duas gavetas de metal compridas com cédulas de dinheiro e estendê-las para os dois homens. Tudo aconteceu rápido e em silêncio. Cinquenta segundos. — Esses são para você, pai! — O baixinho retirou duas gavetas idênticas e estendeu-as para Helge Klementsen. O gerente engoliu, assentiu com a cabeça, pegou as gavetas e colocou-as no caixa automático. — Tenha um bom fim de semana! — disse o baixinho, esticou as costas e pegou a maleta. Um minuto e meio. — Não tão depressa — disse Helge. O baixinho enrijeceu. — O recibo… — disse Helge.

Por um longo momento, os dois homens olharam para o gerente pequeno e grisalho. Então, o baixinho começou a rir. Um riso alto de voz fina, com um tom estridente e histérico, como de pessoas que tomam anfetamina. — Você não achou que a gente ia embora sem deixar a assinatura? Entregar dois milhões sem recibo? Imagina! — Bem — respondeu Helge Klementsen. — Um de vocês quase esqueceu na semana passada. — Há tantos novatos no transporte de dinheiro hoje em dia — disse o baixinho enquanto ele e Klementsen assinavam e distribuíam cópias amarelas e cor-de-rosa. Harry esperou até que a porta de saída houvesse se fechado atrás deles antes de olhar o relógio de novo. Dois minutos e dez segundos. Através do vidro da porta podia ver o carro branco com a logo do Banco Nordea. O diálogo entre as pessoas na agência recomeçou. Harry não precisava contar, mas contou assim mesmo. Sete. Três atrás do balcão e quatro na frente, incluindo o bebê e o cara de macacão, que tinha acabado de entrar e estava na mesa no meio da agência para preencher o número da conta de umboleto bancário que Harry sabia ser para a agência de viagens Saga. — Até logo — disse August Schultz e começou a arrastar os pés em direção a saída. Eram exatas 15h21m10s e foi neste instante que tudo começou para valer. Quando a porta se abriu, Harry viu a cabeça de Stine Grette se levantar e baixar rapidamente. Depois levantou a cabeça, dessa vez devagar. Harry olhou também para a porta de saída. O homem que acabara de entrar tinha abaixado o zíper do macacão e retirado um rifle verde-oliva AG3. Um gorro azul-marinho cobria todo o seu rosto, exceto os olhos. Harry recomeçou a contar do zero. Como uma boneca de pano, o gorro começou a se mexer onde devia estar a boca: — This is a robbery. Nobody moves. Ele não falou em voz alta, mas a pequena agência silenciou como após um tiro de canhão. Harry olhou para Stine.

Por cima do zunido distante de carros ele podia ouvir o clique suave de peças de arma lubrificadas quando o homem engatilhou o fuzil. O ombro esquerdo dela se abaixou visivelmente. Menina corajosa, pensou Harry. Ou talvez apenas estivesse morrendo de medo. Aune, o psicólogo que dava palestras na Escola de Polícia, disse que, quando uma pessoa fica com muito medo, para de pensar e age da forma como foi programada previamente. A maioria dos funcionários de banco apertava o alarme silencioso quase que em estado de choque, explicara Aune, e quando interrogadas depois, muitas delas não lembravam se tinham acionado o alarme ou não. Como se estivessem no piloto automático. Exatamente como um assaltante de banco que se programou para matar todos os que tentarem impedi-lo — disse Aune. A probabilidade de alguém parar um assaltante é menor se esse estiver com muito medo. Harry não se mexeu, tentou apenas ter uma ideia dos olhos do criminoso. Azuis. O assaltante tirou uma mochila preta que deixou cair no chão entre o caixa automático e o homemde macacão que ainda estava pressionando a ponta da caneta no último laço do número oito. O homem de preto andou seis passos para a pequena porta ao lado do balcão, se sentou na beirada, jogou as pernas por cima e se posicionou bem atrás de Stine, que estava imóvel, com o olhar fixo à sua frente. Bom, pensou Harry, ela conhece as instruções. Não está provocando uma reação ao encarar o assaltante. O homem colocou o cano do fuzil na nuca de Stine, se dobrou para a frente e sussurrou algo no seu ouvido. Ela ainda não estava entrando em pânico, mas Harry viu o peito de Stine subir e descer. Parecia que o corpo frágil lutava para receber ar sob a blusa branca repentinamente apertada. Quinze segundos. Ela pigarreou. Uma vez. Duas vezes. E por fim encontrou som nas cordas vocais: — Helge. As chaves para o caixa automático. — A voz estava baixa e rouca, totalmente irreconhecível daquela que havia expressado as mesmas palavras três minutos antes.

Harry não o viu, mas sabia que Helge Klementsen tinha escutado a frase de abertura do assaltante e já estava na porta do escritório. — Rápido, senão… — Mal se podia distinguir a voz dela, e na pausa que se seguiu, tudo que se ouvia eram as solas dos sapatos de August Schultz se arrastando pelo assoalho, como um par de baquetas rufando contra o couro de tambores, em uma dança extremamente lenta. —… ele me mata. Harry olhou pela janela. Provavelmente havia um carro lá fora em algum lugar com o motor ligado, mas ele não podia vê-lo. Apenas carros e pessoas que mais ou menos despreocupadas deslizavam em seu campo de visão. — Helge… — Sua voz suplicava. Vamos lá, Helge, pensou Harry. Ele sabia bastante sobre o velho gerente da agência. Sabia que tinha dois poodles, uma mulher e uma filha grávida recentemente rejeitada esperando por ele emcasa. Que estavam com as malas prontas para ir para o chalé nas montanhas assim que Helge Klementsen chegasse em casa. Mas neste mesmo instante Klementsen sentiu como se estivesse embaixo d’água num sonho daqueles em que todos os movimentos são lentos não importa o quanto tente se apressar. Em seguida reapareceu no campo de visão de Harry. O assaltante tinha girado a cadeira de Stine, ficando atrás dela, mas de frente para Helge Klementsen. Como uma criança medrosa que vai dar comida para um cavalo, Klementsen estava com o corpo inclinado para trás e a mão com o molho de chaves estendida o mais longe de si possível. O assaltante sussurrou no ouvido de Stine ao girar a arma para Klementsen, que cambaleou dois passos para trás. Stine pigarreou: — Ele disse para você abrir o caixa automático e colocar as novas gavetas de dinheiro no saco preto. Helge Klementsen olhou hipnotizado para o fuzil apontado para si. — Você tem 25 segundos antes de ele atirar. Em mim. Não em você. A boca de Klementsen se abriu e se fechou como quisesse dizer alguma coisa. — Agora, Helge — disse Stine. O mecanismo da porta zuniu e Helge Klementsen bamboleou para o meio da agência. Trinta segundos haviam se passado desde o começo do assalto.

August Schultz estava quase na porta de saída. O chefe da agência caiu de joelhos diante do caixa automático e olhou o molho de chaves. Tinha quatro chaves. — Tem vinte segundos — soou a voz de Stine. A Delegacia de Polícia de Majorstua, pensou Harry. Estão entrando nos carros. Oito quarteirões. O trânsito da sexta-feira. Com a mão tremendo, Helge Klementsen escolheu uma chave e enfiou-a na fechadura. Parou no meio. Apertou com mais força. — Dezessete. — Mas… — começou ele. — Quinze. Helge Klementsen retirou a chave e tentou uma das outras. Entrou, mas não conseguiu girar. — Mas pelo amor de Deus… — Treze. Aquela com fita adesiva verde, Helge. Helge Klementsen olhou fixamente para o molho de chaves como se nunca o tivesse visto antes. — Onze. A terceira chave entrou. E girou. Helge Klementsen abriu a porta do caixa e se voltou para Stine e o assaltante. — Preciso abrir mais uma fechadura antes de poder retirar a caix… — Nove! — gritou Stine. Helge Klementsen deixou escapar um soluço ao apertar os dedos em volta dos dentes das chaves como se fosse cego e os dentes fossem a escrita em braile que diria qual seria a chave certa.

— Sete. Harry prestou muita atenção. Nenhum carro de polícia ainda. August Schultz pegou na maçaneta da porta de saída. Ouviu-se um zunido de metal quando o molho de chaves caiu no assoalho. — Cinco — sussurrou Stine. A porta se abriu e o barulho da rua entrou no banco. Harry pensou ter ouvido, lá de longe, um tom conhecido e queixoso que abaixou. E subiu de novo. A sirene da polícia. A porta se fechou. — Dois. Helge! Harry fechou os olhos e contou até dois. — Pronto! — gritou Helge Klementsen. Ele conseguira abrir a outra fechadura e agora estava de cócoras puxando as gavetas que pareciam estar emperradas. — Só me deixe tirar o dinheiro! Eu… No mesmo instante ele foi interrompido por um grito estridente. Harry olhou para o outro lado da agência onde uma cliente observava aterrorizada o assaltante imóvel com a arma encostada na nuca de Stine. A mulher piscou duas vezes e virou a cabeça para o carrinho de bebê, muda, enquanto o choro da criança subiu a escala de tons. Helge Klementsen quase caiu para trás quando a primeira gaveta se soltou dos trilhos. Ele puxou para si o saco preto. Em seis segundos, todas as gavetas estavam nos sacos. Seguindo as instruções, Klementsen fechou o zíper da sacola e se apoiou no balcão. Tudo transmitido pela voz de Stine que agora soava surpreendentemente firme e calma. Um minuto e trinta segundos. O assalto acabou.

O dinheiro estava em um saco no meio do chão. Em alguns minutos, o primeiro carro de polícia ia chegar. Em quatro minutos, outros carros de polícia teriam fechado as vias de fuga próximas ao local do assalto. Todas as células no corpo do assaltante deviam estar gritando que estava mais do que na hora de cair fora. Então aconteceu algo que Harry não entendeu. Simplesmente não fazia sentido. Em vez de correr, o assaltante girou a cadeira de Stine de forma que ela ficou frente a frente com ele. Ele se inclinou sobre ela e sussurroulhe algo. Harry se esforçou para ver. Devia fazer um exame de vista um dia destes. Mas viu o que viu. Que ela ficou encarando o assaltante sem rosto enquanto seu próprio rosto passava por uma lenta transformação ao finalmente entender o significado das palavras que ele sussurrara. As sobrancelhas finas e bem cuidadas desenharam dois S acima dos olhos, que agora pareciam pular para fora da sua cabeça, o lábio superior se virou do avesso e os cantos da boca foram puxados para baixo formando uma careta grotesca. O bebê parou de chorar tão subitamente quanto havia começado. Harry respirou fundo. Porque ele sabia. Uma natureza-morta, uma obra-prima. Duas pessoas flagradas no momento onde um acaba de comunicar ao outro sua sentença de morte, o rosto encapuzado a apenas duas palmas do rosto nu. O carrasco e sua vítima. O cano do fuzil está apontando para o pescoço e umcoraçãozinho de ouro pendurado em um cordão fino. Harry não pôde ver, mas mesmo assim sentia o pulso dela bater sob a pele fina. Um som abafado, queixoso. Harry aguça o ouvido. Mas não é a sirene da polícia, apenas umtelefone tocando na sala ao lado. O assaltante se vira e ergue o olhar para a câmera de vigilância no teto atrás do balcão.

Ele levanta uma das mãos enluvadas com os dedos separados, depois a fecha e mostra o indicador. Seis dedos. Seis segundos além do tempo. Ele se vira para Stine de novo, pega o fuzil com as duas mãos, segura-o na altura do quadril e levanta o cano do fuzil de forma a apontar para a sua cabeça, se posiciona com as pernas um pouco afastadas para receber o coice. O telefone não para de tocar. Um minuto e 12 segundos. O diamante brilha quando Stine levanta a mão pela metade, como fosse se despedir de alguém. São exatamente 15h22m22s no momento em que ele atira. O estrondo é curto e abafado. A cadeira de Stine é empurrada para trás enquanto sua cabeça dança no pescoço feito uma boneca arrebentada. A cadeira cai. Ouve-se um som surdo quando sua cabeça bate no canto da mesa, mas Harry não pode mais vê-la. Ele tampouco pode ver o anúncio do Banco Nordea para se preparar para a aposentadoria, colado pelo lado de fora do vidro sobre o balcão, que de repente havia adquirido umfundo vermelho. Ele apenas ouve o telefone que continua tocando sem parar, raivoso e insistente. O assaltante se joga sobre o balcão, corre para o saco no meio do chão. Harry precisa se decidir. O assaltante larga o saco. Harry se decide. Pula da cadeira. Seis longos passos. Chegou. E tira o telefone do gancho. — Fala. Na pausa que se seguiu ele pôde ouvir o som das sirenes da polícia na TV da sala, uma música pop paquistanesa vinda dos vizinhos e passos pesados na escada parecendo ser da senhora Madsen. E suaves risos no outro lado.

Risos de um passado longínquo. Não em tempo cronológico, mas mesmo assim distante. Como setenta por cento do passado de Harry, que em intervalos irregulares volta em forma de vagos rumores ou pura invenção. Mas esta era uma história que podia confirmar. — Ainda está com aquela pinta de machão, Harry? — Anna? — Nossa, você me impressiona. Harry sentiu um calor doce se espalhar no estômago, quase como uísque. Quase. Pelo espelho, viu uma foto que ele tinha pendurado na parede oposta. Dele e da irmã Søs, tirada em umas férias de verão fazia muito tempo, quando eram pequenos. Sorriam como crianças que ainda acreditam que nenhum mal pode acontecer a elas. — E o que você está fazendo nesta noite de domingo, Harry? — Bem… — Harry ouviu sua própria voz automaticamente se tornar igual à dela. Profunda demais, hesitante demais. Mas não era o que queria. Não agora. Ele pigarreou e encontrou um tom de voz mais neutro: — A mesma coisa que a maioria das pessoas faz. — E isso é…? — Assistindo a uns vídeos!

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