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A Caverna – Amber Dawn

Uma descoberta desagradável Meu aniversário de dezesseis anos foi horrível. Em vez de uma festa de arromba, eu fui iniciada em um clică de vampiros. Nada como descobrir que seus pais são sanguessugas no dia mais importante da sua vida. Quero dizer, como eles esconderam isso por todos esses anos? E por que raios só foram me contar agora? Eu sempre me considerei uma pessoa lógica, vivendo no mundo real, onde o Drácula existe apenas na cabeça de escritores esquisitões. Claro, os filmes a respeito são bons para dar risada ou, de vez em quando, para se tomar alguns sustos, mas eles não são verdadeiros. Vampiros não existem de fato. Bem, parece que existem, sim, e eu sou uma. Legal. De algum modo, essa descoberta encobriu a alegria de conseguir tirar minha carteira de habilitação. Em vez disso, eu estava cada vez mais obcecada com pensamentos sobre as mudanças na minha vida, como por exemplo: eu ainda poderia andar sob o sol? Seria realmente obrigada beber sangue? Será que teria de dormir em um caixão? Eu sou claustrofóbica, então isso realmente não seria muito bom para mim. Depois de pensar a respeito, percebi que mamãe e papai saem durante o dia. Afinal de contas, eles têm empregos normais. Meu pai é dono de uma empresa de softwares , e minha mãe é psicóloga. Contudo, nunca passamos muitas horas sob o sol e nunca fomos passar férias na praia. Acho que eu teria notado se eles dormissem em um caixão ou bebessem sangue, não é? Todas as noites eles tomavam vinho, ou um líquido que parecia ser vinho. Eu mesma nunca tinha provado da bebida. Creio que eles não estariam tomando o DNA de outro ser humano bem na minha frente. Isso seria simplesmente repulsivo. Deu para imaginar todos os pensamentos voando enlouquecidos pela minha mente? Em um instante, eu sou uma adolescente normal, completando dezesseis anos. No momento seguinte, estou sendo guiada por um tipo de ritual de iniciação em um encontro cheio de vampiros, todos me congratulando por chegar à maturação. Esse é o tipo de festa de debutante inesquecível, que vai ser a inveja de todas as minhas amigas… Não mesmo! Aqui morre a minha chance de estrelar um episódio do My Super Sweet Sixteen na MTV. Mamãe e papai prometeram responder a todas as minhas perguntas depois da indução. E foi o que eles fizeram… Acho que estão se perguntando até agora qual era a placa do caminhão que os atingiu. Uma coisa é certa: tudo o que eu pensei saber a respeito de vampiros foi pelo ralo abaixo. Bem, quase tudo.


A luz do sol não faz com que eles explodam em chamas, reduzindo-os a uma pilha de cinzas. Ainda bem. Mortos-vivos não existem. Vampiros são criaturas vivas, com um coração pulsante e tudo mais. As missas no domingo de manhã estão cheias deles. Água benta é só isso mesmo, água abençoada. Vampiras passam maquiagem na frente do espelho como todo mundo. Alho é um tempero muito bom para vários pratos. Cruzes ficam bem como acessórios f ashi on. Caixões não são parte obrigatória nos quartos de vampiros. E estacas de madeira não são mais mortais do que quaisquer outras armas, o que me leva a outro fato, tão perturbador quanto desapontador: vampiros não são imortais. Eles vivem mais do que os humanos normais, claro… muito mais. Também se curam com uma rapidez extraordinária e não são atingidos pela maioria das doenças e sofrimentos humanos, mas não vivem para sempre. Que pena! A imortalidade era o único ponto positivo em toda aquela situação… Eu deixei a pergunta mais importante por último: eu sairia por aí mordendo pessoas e sugando o sangue delas? Digo, não é isso que os vampiros fazem? Mamãe riu e papai balançou a cabeça, sorrindo. Eu não via onde estava a graça. Minha mãe explicou que séculos atrás, antes dos confortos da tecnologia moderna, os vampiros não tinham outra escolha, precisavam retirar sua nutrição diretamente dos humanos. Eu estremeci. Isso é repugnante! Mas ao longo dos anos, eles evoluíram e já não precisam mais de longos caninos para perfurar a pele. Esses dentes se contraíram e agora só se estendem caso o vampiro se sinta ameaçado ou furioso. Ou quando ele não se alimenta com regularidade e entra na “fissura” por sangue. Eu não quis nem saber do que isso se tratava. Fissura por sangue? Obrigada, mas não mesmo. Fiquei muito feliz em saber que vou poder continuar comendo o que sempre comi. Só precisarei suplementar minha dieta com… adivinhe só? Isso mesmo. Sangue.

Eca! Mas também descobri algo bem legal. Toda vampira (isso mesmo, só as fêmeas) adquire uma habilidade física especial e única em seu aniversário de dezesseis anos, que é quando ela atinge a maturidade. Eu mal podia esperar para descobrir qual seria o meu poder especial. Tomara que não fosse algo muito estranho ou muito indiscreto… Como sou ginasta, passo cinco horas por dia na academia, treinando. Já é difícil o bastante se encaixar no grupo sem ser esquisita; eu já não tenho muito tempo para uma vida social, o que faz de mim uma esquisitona sem precisar de dificuldades adicionais. Nunca tive um namorado propriamente dito. A menos que você conte o garotinho fofo no jardim de infância que passava bloqueador nas minhas costas quando íamos para a piscina. Não sei se os rapazes têm medo de me chamar para sair porque eu não tenho tempo para dedicar a eles, ou se é porque eu provavelmente conseguiria surrá-los com pouca ou nenhuma dificuldade. É o resultado de cinco horas na academia. O que eu posso dizer? Ginástica é a minha vida. Eu pratico esse esporte desde que comecei a andar. E não pretendo parar só para que algum garoto tonto possa babar em cima de mim. De jeito nenhum! Enfim… Eu passei o resto do meu aniversário esperando minha habilidade especial aparecer. E nada. Fui para a cama decepcionada e frustrada, pensando que eu não tinha recebido poder algum. Era o que faltava. Sou uma vampira sem poderes. E mesmo assim preciso beber sangue. Onde é que estava o detalhe lindo e luxuoso? Onde estava a coisa boa para contrabalancear tudo o que havia de ruim? Não parecia justo. No dia seguinte, durante uma excursão na aula de biologia, tudo mudou. É onde começa a minha história. Antes que você vire a página, acho justo avisá-lo. Se você tem um coração fraco, pare agora, antes que seja tarde. Esta história não é nenhum conto de fadas, e eu não sou uma Cinderela. Este é um relato fiel da minha vida, e vai mudar para sempre o modo como você vê o mundo e as criaturas que vivem nele.

Você foi avisado! Capítulo I Nuggets peludos de frango do mal O alarme ecoou por minha cabeça latejante. A realidade se infiltrou em minha mente ainda adormecida e eu me sentei, segurando a cabeça entre as mãos. Pequenos jogadores de futebol chutavam meu cérebro por dentro. Droga, se era essa a sensação de ser uma vampira, eu não queria ter nada a ver com isso. Desliguei o despertador com uma pancada e desabei de volta na cama. Roxie levantou a cabeça peluda, bocejou e se aproximou de mim, derrubando baba de cachorro na minha cara. A porta se escancarou e eu soltei um grunhido. Roxie saltou para o chão, seus quase quarenta quilos me atropelando no processo. — Cheyenne, está na hora de levantar. Como você está? — indagou minha mãe, a voz cheia de pena. — Estou ótima, mamãe. O que posso dizer? Essa coisa de ser vampira é fantastibulosa. Eu teria revirado os olhos para aumentar o efeito da frase, mas não tinha energia suficiente para isso. — É normal se sentir mal no dia seguinte. Seu corpo está tentando assimilar o avanço acelerado dos seus sentidos. — Mamãe sorria como se isso fosse um acontecimento corriqueiro. — Hein? — Você vai começar a ouvir coisas que nunca escutou antes, e de longe. Sua visão vai ser melhor do que qualquer humano já sonhou em possuir. Você será capaz de distinguir o cheiro de alguém a mais de um quilômetro de distância. Todos os seus sentidos se ampliarão. Infelizmente, leva certo tempo para se acostumar a essas coisas, por isso a dor de cabeça. — Ótimo. Era tudo o que eu precisava. E justamente no dia da excursão para a caverna. Mamãe apertou os lábios, parecendo se concentrar.

— Sob essas circunstâncias, eu permito que você fique em casa. Você provavelmente vai precisar de um tempo até que se acostume com tudo antes de voltar à escola. Mas que isso não vire um hábito! — Ela ergueu uma sobrancelha enfaticamente e me encarou. Aquele olhar de mãe, sabe? — Eu tenho que ir, vai valer boa parte da nota. Nem quero pensar no que teria de fazer para compensar se não participar hoje. — Suspirei e cobri minha cabeça. — Se é assim, melhor sair logo da cama e acelerar. — Mamãe agarrou meu edredom e o puxou com força, me deixando exposta ao ar frio. Virando-se para sair, ela ainda falou por sobre o ombro: — Tenha um bom dia, querida. Conversamos mais tarde sobre as mudanças pelas quais seu corpo vai passar. Eu sei que é meio assustador. — É, sim. — Eu me arrastei para fora da cama e, assim que pus os pés no chão, ocorreu-me um pensamento horrível. — Mamãe! Espere! Esqueci de perguntar uma coisa. Ela voltou para o meu quarto. — Sim? — Ahn… Quando é que eu vou precisar de… sangue? Deus, eu tinha mesmo perguntado aquilo? Digo, mas que coisa ridícula para se perguntar para a própria mãe. Era um pesadelo! — Por enquanto, você ainda não vai precisar. Não se preocupe. Seu pai e eu vamos discutir os sintomas com você. Mas isso ainda vai demorar para acontecer com você. Vai levar algum tempo para seu corpo passar pela transformação e necessitar do suplemento. Mas acredite, seu corpo vai dar sinais quando o momento chegar. — Ela pousou as mãos em meus ombros e me olhou com toda a seriedade. — Quando acontecer, você precisa contar para mim ou para seu pai na mesma hora. Se esperar demais, você pode entrar na fissura por sangue.

Digamos que isso não é bonito de se ver… e pode ser perigoso, tanto para você quanto para aqueles ao seu redor. Eu vou lhe mostrar onde mantemos nosso suprimento na volta do trabalho, para o caso de não estarmos em casa quando você precisar dele. — Certo… eu acho. Eu só rezava para que não acontecesse na frente de um monte de conhecidos. — Cheyenne! Já estava mesmo na hora de você chegar — gritou Mandy, minha melhor amiga e, como eu, também ginasta. — Olá. É, eu meio que me atrasei. Não queria acordar hoje de manhã. Era o eufemismo do ano. — Estávamos prestes a entrar no ônibus. Você deu sorte de não termos partido sem você. — Ah, sim… Que sortuda eu sou. Se ela soubesse… Imaginei o que ela diria se eu lhe contasse que sou uma vampira de verdade. Mandy provavelmente teria um ataque. Mais cedo ou mais tarde, eu acabaria contando. Nós não escondemos nada uma da outra. Além disso, ela sempre parece adivinhar quando tem algo errado comigo. — Venha! Vamos sentar lá no fundo. Podemos fazer caretas para quem estiver de costas para nós. — Qual é a sua idade mesmo? — questionei. — Ah, você sabe que também quer! — Ela subiu no ônibus, e eu fui logo atrás. Levaríamos apenas uns vinte minutos, no máximo, para chegar à caverna. Eu sabia disso porque ela fica bem ao lado da nossa academia. Eu já tinha estado na caverna tantas vezes na vida que provavelmente conseguia recitar o discurso do guia palavra por palavra. Estalactites se agarravam ao teto.

Estalagmites podiam até alcançar o teto. E não vamos nos esquecer da pipoca da caverna, do gelo da caverna, das pedras soltas, dos corais da caverna, das cortinas da caverna — também conhecidas como “bacon da caverna” — e um ou outro morcego. É, eu já tinha visto e ouvido tudo aquilo. E veja só que sorte… iria poder ver e ouvir tudo de novo. O estranho é que, mesmo sendo claustrofóbica, nunca tive problemas para entrar na caverna. Provavelmente porque ela era, em grande parte, aberta e arejada. A história podia ser bem diferente se eu tivesse de me espremer por uma daquelas fendas estreitas e escuros. — Nossa, você parece muito animada com a visita, Cheyenne. — Mandy riu e fez a careta que sempre me arrancava um sorriso. — Não acha legal irmos para uma caverna no dia das bruxas? Eu balancei a cabeça e revirei os olhos. Ela continuou fazendo a careta até que eu sorrisse de novo. Mandy então ficou séria. — Certo, qual é o problema, azeda? E nem tente me dizer que não é nada. — Eu tive uma manhã difícil e estou com dor de cabeça. Nada de mais. Bem, a parte sobre a dor de cabeça era verdade. E eu tinha tido, mesmo, uma porcaria de manhã. O problema era o que eu não estava contando. Essa garota é um pit bull quando se trata de arrancar informações. Quando fareja sangue, ela agarra e não solta mais. Ah, droga, eu tinha que me lembrar de sangue… Ela deu um meio-sorriso. — Tudo bem. Alguma hora você vai despejar tudo. — Não tem nada para ser despejado. — Aquilo soou tão estranho que nem eu mesma acreditei no que disse.

— Você trouxe a câmera nova? — ela quis saber. Eu indiquei minha bolsa. — Sim, bem aqui. Antes da minha iniciação, papai e mamãe haviam me surpreendido com a câmera. Eu estava economizando durante meses para comprá-la, então fiquei muito feliz por recebê-la de presente. Era uma Canon pequena com uma tela grande, e tirava fotos realmente ótimas. A única pessoa que gosta de fotografar ainda mais do que eu é Mandy. — Bom! — Ela esticou o pescoço e olhou pela janela. — Estamos quase lá. Eu reclinei a cabeça no assento do ônibus. — Mal posso esperar. O ônibus entrou no estacionamento e eu me endireitei, olhando ao redor para saber quantos carros estavam por ali. Eu não estava com disposição para multidões. Descemos do ônibus e atravessamos a rampa de madeira que levava ao bloco de entrada. Assim que entramos ali, um formigamento estranho começou na base da minha coluna e subiu, terminando em uma leve vibração permanente na minha nuca. Esquisito. Esfreguei o local com uma das mãos e olhei para a sala. — Vamos dar uma olhada nas lembrancinhas. Mandy agarrou meu braço e me arrastou até a seção principal das lembrancinhas, cheia de morcegos de borracha, capacetes de exploradores completos com luzes, brinquedos de plástico, lápis, joias e todo tipo de pedras preciosas. Eu resmunguei baixinho. Ela podia ser uma palhaça às vezes, mas nunca era entediante, com certeza. Rochas e pedras preciosas estavam organizadas em uma estrutura giratória com várias divisórias. Peguei um quartzo olho-de-tigre e girei-o em minha mão. A superfície fria e lisa era gostosa de segurar. Coloquei-o de volta na cesta e peguei um cristal rosa.

Ele dava uma sensação áspera ao toque, mas era lindo. Talvez eu comprasse um na saída da excursão. Mandy pegou um morcego de borracha e ficou brincando com ele, balançando-o pelo elástico que o segurava. Ela fez a criatura saltar junto do meu rosto, cantarolando sons pretensamente fantasmagóricos. — Tire uma foto, Cheyenne! — Ela segurou o morcego perto do rosto e sorriu. — Você tem sérios problemas — falei, mas tirei a foto. Se ela soubesse como tinha chegado perto de descobrir meu segredo… De todas as bugigangas que ela podia ter pegado, escolhera logo o morcego. Irônico, não? Essa é a minha vida: uma ironia atrás da outra. — É por isso que você me ama. Mandy colocou o morcego de volta no lugar e pegou cada uma das outras quinquilharias, fazendo uma palhaçada a cada novo objeto. Experimentou um capacete verde e fez uma pose, esperando que eu tirasse outra foto. — É, deve ser por isso. Eu tive de rir: ela era pateta demais. E claro, eu tirei a foto. Certo, também tirei uma de mim mesma usando um capacete rosa. O que posso dizer? Algumas coisas são irresistíveis. Fui até o outro lado do bloco, perto da entrada, com Mandy a me seguir de perto. Ali, várias máquinas para adivinhar o futuro ou dizer que tipo de amante você é, apenas apertando uma alavanca, estavam alinhadas às duas paredes mais próximas da porta. — Legal! Adoro esses brinquedos. Quero fazer o teste do amor! Tem uma moeda de vinte e cinco centavos? — Mandy sorriu e estendeu a mão para mim. Eu cacei em minha bolsa e tirei dali algumas moedas. Ela pegou duas e disparou para a máquina do teste do amor, perpendicular à entrada. Eu escolhi um medidor de amor. Depositei uma moeda no lugar indicado e segurei a manivela com força. Luzes vermelhas dispararam, girando, acendendo cada nível.

Por favor, não pare no “nhé”. Eu não sobreviveria a isso, especialmente porque Mandy tinha acabado de gritar que estava “ardendo”. As luzes pararam de piscar e só uma permaneceu acesa: “inofensiva”. Ótimo, inofensiva. Exatamente o que eu sempre quis ser. Minhas mãos continuavam frias, era só isso. Sem aceitar o selo de “inofensiva”, inseri outra moeda. Um cheiro de baunilha, ou talvez de amêndoas, atingiu minhas narinas. Parecia o cheiro da loção que Mandy ganhara de aniversário alguns meses antes. Mas eu não me lembrava de ter sentido aquele cheiro nela antes. E eu tinha vindo sentada ao lado dela no ônibus. Que esquisito… Então veio um toque suave de canela junto com as amêndoas, criando um aroma reconfortante. Eu agarrei a manivela de novo e apertei. As luzes começaram a girar, meu olhar acompanhando o padrão hipnótico. Um braço deslizou por mim, vindo de trás, e uma mão masculina e quente envolveu a minha. Eu engoli um grito, e meu coração disparou. O ar estalou com a eletricidade. Eu teria arrancado minha mão daquele aperto, mas ele a mantinha refém. Pequenos choques percorriam meu corpo, e minha pele se aqueceu. Um hálito quente e úmido acariciou meu pescoço, onde meu cabelo havia se separado e vindo para a frente. Eu ofeguei, sentindo um calafrio subir pela espinha, meu corpo se arrepiando por inteiro. As luzes pareceram crescer e ficar mais brilhantes, dançando no ritmo do meu coração, me hipnotizando. Eu nunca tinha sentido nada tão poderoso, tão íntimo. O cintilar parou, e a única luz a permanecer acesa anunciava de modo definitivo: “incontrolável”. Insegura, sem saber o que fazer em seguida, lentamente olhei para trás.

Meu estômago estava contraído, o coração aos saltos, acompanhando uma melodia desconhecida. Lábios carnudos se abriram em um sorriso enquanto um desconhecido me fitava nos olhos, deixando-me muda e perplexa. — Isso é o que eu chamo de química — ele disse. Era o rapaz mais bonito que eu já tinha visto: moreno, alto, maravilhoso. Tinha olhos azul-claros penetrantes, convidativos e lindos. E eu fiquei ali, feito uma idiota, com baba escorrendo pelo queixo. Sim, era uma bela cena, cheia de classe. Ele soltou minha mão e deu um passo para trás. — Bem, foi bom conhecê-la, Faísca. Ele piscou e deu meia-volta, saindo tão repentinamente quanto havia surgido. Quando meus sentidos retornaram, olhei ao redor em busca do sr. Bonitão. Eu tinha de mostrá-lo a Mandy. Ela nunca iria acreditar em mim. Mandy agora estava de costas para mim, jogando com o leitor de mãos. Corri até onde ela se encontrava. — Mandy! Ah, meu Deus, você não vai acreditar no que acabou de acontecer comigo! — Deve ter sido bom, porque seu mau humor evaporou. Ela ergueu uma sobrancelha, questionadora, e esperou pelas minhas informações. — Eu estava ali no teste do amor, jogando, e… — Saiu nível “nhé”, acertei? — Você quer ou não saber o que aconteceu? Eu pus a mão no quadril e a encarei. Ela fez um gesto, pedindo para eu prosseguir. — Bom, eu apertei a manivela, e aí um sujeito veio por trás de mim e segurou minha mão, quase me dando um choque de tanta eletricidade estática. A máquina ficou doida e a luz parou no “incontrolável”. Eu olhei para trás para ver quem tinha me atingido e era um cara lindo. Ele era incrível! Eu quase caí de costas. — Olhei ao redor, tentando localizá-lo.

— Mas agora não o vejo por aqui. — Será que ele desapareceu no ar? — Algo assim. Mas a melhor parte foi que… ele me chamou de Faísca e piscou para mim. Ele piscou para mim! Ele era alto e tinha os olhos azuis mais lindos do mundo! Você iria morrer se o visse. Mandy cruzou os braços sobre os seios inexistentes. — Eu adoraria ver o rapaz que deixou você toda mole. Ele deve ser algo do outro mundo. Enquanto eu vasculhava os arredores atrás do meu parceiro de jogo, Mandy saiu na direção da lanchonete. Ela está sempre comendo alguma coisa. Juro, se ela não fizesse ginástica cinco horas por dia, estaria redonda como uma bola gigante. Depois de perceber que estava procurando à-toa, juntei-me a ela na lanchonete. — O que você comprou? Ela mostrou um pirulito. Mandy é louca por doces. Não que eu não goste também… — Ei! — Eu a cutuquei no ombro. — Pensei que você não tivesse dinheiro! — Não, eu só não tinha moedas de vinte e cinco centavos. Dããã! Nós nos sentamos em um banco perto do ponto de bondinhos para esperar pelo início da excursão. Meu coração ainda estava disparado pelo encontro estranho, parecendo querer saltar do peito e ir pulando até sair pela porta. E se eu nunca mais o visse? Eu iria morrer se isso acontecesse. Mandy tirou da bolsa um pirulito cor-de-rosa e o entregou para mim. — Obrigada. Eu não sabia que você tinha comprado um para mim também. Tomei o doce da mão dela e o enfiei na boca. Ainda bem que não tinha um plástico em volta. — É, eu sou assim: dissimulada. — Ela sorriu e deu uma mordida no seu.

— Além de incrivelmente meiga. — Claro que é! Eu comecei a rir. Mandy, meiga? Ah…! — O que foi? Não está vendo minha auréola? — Ela fez um gesto, contornando o halo imaginário. — Estou, sim. Mas é melhor você disfarçar os chifrinhos que estão aparecendo, senão ninguém vai acreditar na auréola. — Cinco minutos para o início do passeio das dez horas. Por favor, sigam até o outro lado do prédio, passando por nossa lojinha. Stan irá guiá-los — orientou uma voz pelo alto-falante. — Somos nós. — Mandy se levantou e estendeu a mão. — Vamos. Ela me segurou pelo pulso e me puxou. — Sim, sim. Fizemos uma fila na porta onde subiríamos no bondinho que nos levaria para as profundezas da caverna. Dei mais uma olhada ao redor: nada do bonitão. Droga! Mas eu tinha a sensação de que ele ainda estava por ali, em algum lugar. Meu estômago se contraiu quando pensei nisso. Um homem subiu no bonde e anunciou: — Meu nome é Stan, e eu vou ser seu guia hoje. Quando eu colocar o bonde em movimento, vocês vão sentir um tranco, e então vamos entrar na caverna. Nosso corpo foi para a frente quando o carrinho foi posto em movimento, depois começamos a descer. Os odores de terra fresca e amêndoas penetraram em meu nariz. Estranho… eu nunca tinha notado aquele cheiro na caverna antes. — Você passou aquela loção de amêndoas hoje? — perguntei a Mandy. Ela franziu o nariz. — Não, por quê?

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