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A Colheita – Deixados Para Tras – Vol 4 – Tim LaHaye

O coração de Buck comoveu-se quando ele avistou a torre da Igreja Nova Esperança. Faltavammenos de 600 metros para chegar lá, mas a terra ainda tremia, provocando colisões por todos os lados. Árvores imensas caíam e arrastavam os fios elétricos pela rua. Quanto mais Buck se aproximava da igreja, mais aumentava a sensação de vazio em seu coração. A torre da igreja era a única coisa que estava em pé, com a base assentada no solo. Os faróis do Range Rover iluminaramos bancos da igreja, dispostos em fileiras tortas. Alguns deles estavam intactos. O restante do templo, as vigas em arco, os vitrais coloridos, tudo havia desaparecido. O prédio da administração, as salas de aula e os escritórios estavam no chão, formando um amontoado de tijolos, vidros e argamassa. Via-se apenas um carro na cratera que se abrira no terreno do estacionamento. O fundo do carro estava assentado no chão, com os quatro pneus furados e os eixos das rodas quebrados. Projetando-se debaixo do carro havia duas pernas humanas desnudas. Buck parou o Range Rover a cerca de trinta metros do terreno do estacionamento. A porta de seu lado não abria. Ele soltou o cinto de segurança e desceu pelo lado do passageiro. De repente, o terremoto cessou. O sol reapareceu na manhã clara e luminosa de uma segunda-feira em Monte Prospect, Illinois. Buck sentia cada osso de seu corpo. Cambaleando sobre o solo irregular, ele caminhou na direção do pequeno carro destruído. Ao aproximar-se, avistou um corpo esmagado sem um dos pés. O outro pé confirmou o que ele temia. Loretta tinha sido esmagada pelo seu próprio carro. Buck tropeçou e caiu com o rosto no chão, sentindo alguma coisa cortar sua bochecha. Semfazer caso disso, rastejou até o carro de Loretta e empurrou-o com toda força, tentando remover o corpo. O veículo não se movia.


Buck não queria de jeito nenhum deixar o corpo de Loretta ali. Mas para onde ele o levaria, se conseguisse retirá-lo? Chorando, ele arrastou-se no meio dos escombros à procura de uma entrada para o abrigo subterrâneo… Finalmente, encontrou a abertura de ventilação. Com as mãos em formato de concha ao redor da boca, ele gritou dentro da abertura: — Tsion! Tsion! Você está aí? Em seguida, ele encostou o ouvido na abertura, sentindo o ar fresco que vinha do abrigo. — Estou aqui, Buck!… Como está Loretta? — Ela morreu! — Aconteceu o grande terremoto? — Aconteceu! — Você pode vir até aqui? — Vou chegar até aí mesmo que seja a última coisa que eu vá fazer, Tsion! Preciso de sua ajuda para procurar Chloe! — Por enquanto eu estou bem, Buck! Vou esperar por você! Buck virou-se e olhou na direção da casa secreta. As pessoas andavam com passos trôpegos, roupas esfarrapadas, sangrando. Algumas caíam no chão e pareciam estar morrendo diante dos olhos de Buck. Ele não sabia quanto tempo ainda levaria para chegar até Chloe. Não queria ver outra cena igual àquela que estava presenciando, mas não desistiria até encontrála. Se houvesse uma chance em um milhão de chegar até onde ela estava, de salvá-la, ele iria até o fim. O sol voltara a brilhar sobre a Nova Babilónia. Rayford pediu insistentemente a Mac McCullumque prosseguisse na direção de Bagdá. Por toda parte que Rayford, Mac e Carpathia olhavam só havia destruição. Crateras produzidas por meteoros. Incêndios. Edifícios desabados. Estradas devastadas. Ao avistar o aeroporto de Bagdá, Rayford abaixou a cabeça e chorou. Os jumbos estavamcontorcidos, alguns com partes projetando-se das enormes cavidades no solo. O terminal desabara. A torre não mais existia. Havia corpos espalhados por toda parte. Rayford fez um sinal para que Mac pousasse o helicóptero. Assim que examinou a área, Rayford entendeu tudo. Agora ele só podia orar para que Amanda ou Hattie estivessem voando quando ocorreu o terremoto. Quando as hélices pararam de girar, Carpathia virou-se para os dois: — Algum de vocês tem um telefone que esteja funcionando? Rayford estava tão enojado que passou por Carpathia e abriu a porta com força.

Contornou rapidamente a poltrona de Carpathia e pulou no solo. Em seguida, ele colocou o braço dentro do helicóptero, soltou o cinto de segurança de Carpathia, agarrou-o pelas lapelas e gritou para que ele saísse dali. Carpathia caiu no chão e levantou-se rapidamente, como se estivesse pronto para lutar. Rayford empurrou-o contra o helicóptero. — Capitão Steele, sei que você está aborrecido, mas… — Nicolae — disse Rayford, com os dentes cerrados —, você pode explicar o que aconteceu da maneira que quiser, mas antes me deixe dizer-lhe uma coisa: Você acabou de presenciar a ira do Cordeiro! Carpathia deu de ombros. Rayford empurrou-o pela última vez contra o helicóptero e afastou-se dali cambaleando. Virou o rosto na direção do terminal do aeroporto, a uma distância de pouco menos de meio quilómetro. Orou para que essa fosse a última vez que ele teria de procurar o corpo de uma pessoa querida no meio de entulhos. “Quando o Cordeiro abriu o sétimo selo, houve silêncio no céu cerca de meia hora. Então vi os sete anjos que se acham em pé diante de Deus, e lhes foram dadas sete trombetas. Veio outro anjo e ficou de pé junto ao altar, comum incensário de ouro, e foi-lhe dado muito incenso para oferecê-lo com as orações de todos os santos sobre o altar de ouro que se acha diante do trono; e da mão do anjo subiu à presença de Deus o fumo do incenso, com as orações dos santos. E o anjo tomou o incensário, encheu-o do fogo do altar e o atirou à terra. E houve trovões, vozes, relâmpagos e terremoto. Então, os sete anjos que tinham as sete trombetas prepararam-se para tocar” (Apocalipse 8.1-6) C A P Í T U L O 1 Rayford Steele estava usando o uniforme do inimigo de sua alma, e odiava a si mesmo por isso. Caminhou pelas areias do Iraque em direção ao aeroporto de Bagdá trajando seu uniforme azul, completamente atordoado pela incoerência de tudo aquilo. Do outro lado da planície árida vinham lamentos e gritos de centenas de pessoas que ele nemsequer podia começar a ajudar. Qualquer tentativa de encontrar sua mulher com vida dependia da rapidez com que ele chegasse até ela. Mas pressa era o que não existia ali. Só areia. E o que teria acontecido a Chloe e Buck nos Estados Unidos? E a Tsion? Desesperado, agindo impensadamente e louco de frustração, ele rasgou seu colete de debruns amarelos, pesadas dragonas e insígnias que o identificavam como o piloto mais importante da Comunidade Global. Sem perder tempo para desabotoar os maciços botões dourados, Rayford arrancou-os com força, e eles espalharam-se pelo chão do deserto. Ele deixou o paletó cair por trás dos ombros e segurou a gola com firmeza. Com três, quatro ou cinco movimentos, tirou o paletó pela cabeça e atirou-o ao chão, fazendo levantar uma onda de poeira. Seus sapatos de couro ficaramcobertos de areia.

Rayford pensou em abandonar todos os vestígios de sua ligação com o regime de Nicolae Carpathia, mas sua atenção foi dirigida novamente para as suntuosas insígnias de seu uniforme. Investiu contra elas na tentativa de arrancá-las, parecendo querer livrar-se do posto que ocupava a serviço do anticristo. Porém, o alfaiate não deixara um mínimo espaço entre as costuras, e Rayford atirou outra vez o paletó ao chão. Enquanto o pisoteava e o chutava para desabafar sua raiva, Rayford finalmente entendeu por que o paletó estava mais pesado que o normal. Ele havia deixado seu telefone celular no bolso. Ao ajoelhar-se para recolher o paletó do chão, Rayford voltou a raciocinar com lógica — uma de suas características principais. Por não ter ideia do que encontraria nas ruínas do condomínio onde morava, ele não poderia dispensar aquilo que talvez fosse sua única muda de roupas. Vestiu novamente o paletó e arregaçou as mangas como os meninos costumam fazer em dias quentes. Sem se importar com a areia grudada no paletó e demonstrando profundo abatimento, Rayford caminhou em direção aos escombros do aeroporto. Ele podia passar por um sobrevivente de acidente aéreo, um piloto que perdera o quepe e os botões de seu uniforme. Em todos aqueles meses que estava morando no Iraque, Rayford não se lembrava de ter sentido arrepios de frio durante o dia, antes do pôr-do-sol. Contudo, aquele terremoto talvez tivesse mudado não apenas a topografia, mas também a temperatura do local. Rayford acostumara-se a sentir a camisa molhada de suor, grudada na pele como um adesivo. Mas agora aquele vento inusitado e misterioso provocava-lhe calafrios enquanto ele discava para Mac McCullum e encostava o fone ao ouvido. Em questão de segundos, ele ouviu o ruído do motor e das hélices do helicóptero de Mac atrás de si. Para onde eles estariam se dirigindo? — Aqui é Mac — soou a voz grave de McCullum. Rayford girou o corpo e viu a figura do helicóptero passar diante do sol poente. — Não posso acreditar que este telefone ainda funcione — disse Rayford. Além de tê-lo atirado ao chão e, depois, o chutado, ele imaginava que o terremoto devia ter destruído as torres de transmissão da redondeza. — Assim que eu sair fora da área de alcance, ele não funcionará mais, Ray — disse Mac. — Tudo o que vejo daqui está destruído. Esses aparelhos funcionam como walkie-talkies quando a distância é pequena. Quando precisamos que eles funcionem, não conseguimos nada. — Então qualquer possibilidade de ligar para os Estados Unidos… — Está fora de cogitação — disse Mac. — Ray, o potentado Carpathia quer falar com você, mas antes… — Eu não quero falar com ele, e você pode dizer-lhe isso.

— Mas, antes de colocar o potentado na linha — prosseguiu Mac —, não se esqueça de que aquela nossa reunião, sua e minha, continua marcada para esta noite. Certo? Rayford dimhiuiu os passos e olhou para o chão, passando a mão pelos cabelos. — O quê? De que reunião você está falando? — Então está tudo certo, ótimo — disse Mac. — A reunião será esta noite. Agora o potentado… — Estou entendendo que você deseja conversar comigo mais tarde, Mac, mas, se Carpathia entrar na linha, juro que… — Aguarde para falar com o potentado. Rayford passou o fone para a mão direita, pronto para arremessá-lo ao chão, mas se conteve. Quando o sistema telefónico voltasse ao normal, ele queria ter condições de comunicar-se comas pessoas que amava. — Capitão Steele — soou a voz de Carpathia, sem nenhum traço de emoção. — Pois não — disse Rayford, demonstrando toda a aversão que sentia. Ele esperava que Deus o perdoasse por tudo o que diria ao anticristo, mas engoliu as palavras. — Apesar de nós dois sabermos como eu reagiria à sua terrível insolência e insubordinação — disse Carpathia —, decidi perdoá-lo. Rayford continuou a caminhar, cerrando os dentes para não gritar com aquele homem. — Entendo o quanto você está constrangido por ter de agradecer-me — prosseguiu Carpathia —, mas preste atenção.

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