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A Comedia Humana – Vol. 4 – Honore de Balzac

O pai Goriot (em francês: Le père Goriot) é decerto uma das obras mais poderosas de Balzac, e não faltam leitores, entre os quais muitos de alta categoria — como um Henry James —, que a julgam sua obra-prima. Escrito em 1834, num dos períodos mais felizes da vida de Balzac homem, quando tudo lhe é fácil e nada faz prever ainda os gigantescos e inúteis esforços dos anos seguintes, esse romance nasceu quando o romancista estava no auge de suas forças criadoras. Havia um ano ou mais que tivera a genial ideia de fazer reaparecer as mesmas personagens em suas obras, ou melhor, em sua obra, pois já entrevia a unidade orgânica da mesma. Mesmo o leitor que não conhece outras partes de A comédia humana fica espantado ante a extrema complexidade de O pai Goriot, em que, além do romance psicológico do protagonista cujo nome figura no título, se admira ainda o romance de Vautrin, um dos primeiros e melhores espécimes do gênero policial, e o de Rastignac, eminentemente social. E, para quem já conhece pelo menos uma parcela desse mundo que é A comédia, O pai Goriot fornece a chave psicológica de outras obras menores cuja ação ele preludia. A volta das mesmas personagens foi posta em prática sistematicamente aí pela primeira vez, sendo que nele aparecem umas cinquenta figuras de A comédia humana. Assim, a força com que a sra. Beauséant resiste aos pedidos de perdão de seu segundo amante arrependido, Gastão de Nueil, em A mulher abandonada, explica-se pela dor que lhe causou o seu primeiro amor traído. O conhecimento dos homens, a que Rastignac, presente em muitas obras, deve a habilidade que o leva aos cumes da vida social, é adquirido na Casa Vauquer, cenário desta narrativa. Mal terminado o livro, Balzac sentiu que acabara de criar algo de excepcional e escreveu à condessa Hanska: “Uma coisa que você não espera é O pai Goriot, uma obra-prima. A pintura de um sentimento tão grande que nada o esgota, nem os atritos, nem as feridas, nem as injustiças, um homemque é pai, como um santo, um mártir e cristão”. Poucas semanas depois, voltou ao assunto em outra carta, confirmando a mesma impressão e, ao mesmo tempo, prevenindo as prováveis críticas da condessa: “O pai Goriot é uma obra bela, porémmonstruosamente triste. Era preciso, para ser completo, mostrar um esgoto moral de Paris, e este dá a impressão de uma chaga nojenta”. O romance saiu primeiro em quatro números sucessivos da Revue de Paris e teve repercussão extraordinária, mas também foi alvo, sobretudo na alta sociedade, de críticas acerbas. “Um número sobre-humano, inesperado, de mulheres sinceramente virtuosas, felizes de serem virtuosas, virtuosas por serem felizes e sem dúvida felizes porque são virtuosas” tachou Balzac de imoral, acusando-o de apresentar mulheres em sua maioria adúlteras e de as tornar interessantes a ponto de fazê-las invejar. O autor responde a tais censuras num prefácio cheio de espírito que precede a primeira edição emlivro — prefácio supresso na edição definitiva —, no qual se defende maliciosamente, opondo às censoras uma estatística das mulheres fiéis e das adúlteras de A comédia humana. Depois de O pai Goriot publicado em livro, o êxito acentuou-se. Mas dessa vez foi por parte da crítica profissional que se levantaram censuras, entre as quais, naturalmente, a da imoralidade. Nemestas Balzac deixou sem resposta, e, em introdução à nova edição, publicada poucas semanas depois da anterior, escreveu outro prefácio, cuja argumentação deveria ter imposto silêncio para sempre aos defensores da moral em literatura se eles quisessem ou pudessem entender argumentos: Se os quadros desenhados pelo autor fossem falsos, a crítica os teria censurado dizendo-lhe que estava caluniando a sociedade moderna — se a crítica os acha verdadeiros, então não é a obra que é imoral. Com ironia superior, continua Balzac a troçar dos que exigiam um sentimento maior das conveniências em O pai Goriot, e afirma com razão que “os que gritam contra esta obra justificá-laiam admiravelmente bem se a tivessem feito”. Vê-se pelos dois prefácios e, mais ainda, pelos trechos citados das cartas à condessa que para Balzac o assunto principal era aquele a que alude o título e que, aliás, se encontra assim resumido no livrinho em que o escritor anotava os temas que lhe acudiam: “Um homem bom — pensão burguesa — seiscentos francos de renda — tendo se despojado a favor das filhas, as quais têm, cada uma, cinquenta mil francos de renda — morrendo como um cão”. Essa nota, já tão caracteristicamente balzaquiana apesar de sua forma rudimentar, faz supor, pela precisão dos dados numéricos, que se trata de uma história verdadeira. Suposição confirmada pelas três palavras shakespearianas, all is true, que figuravam em epígrafe nas primeiras edições e que o autor fez questão de manter no primeiro parágrafo da edição definitiva, como também por um trecho do prefácio do Gabinete das antiguidades (edição de 1839). “O acontecimento que serviu de modelo oferecia circunstâncias horrorosas e como não se encontram entre os canibais; o pobre pai gritou de sede durante as vinte horas de sua agonia, sem que ninguém lhe acudisse, e suas duas filhas estavam uma no baile, outra no teatro, embora soubessem o estado do pai.” Assim, a história do pai Goriot e das filhas deve ser baseada num episódio real contemporâneo… Talvez sua fonte seja a narrativa Conaxa incluída no Espírito das conversações agradáveis recolhidas no século xviii por Gayot de Pitaval, segundo lembra o professor Pierre-Georges Castex.


Nem por isso ela deixa de evocar o enredo do drama Rei Lear, de Shakespeare, como agudamente observou Georg Brandes, existindo mesmo um verdadeiro paralelismo entre as duas grandes obras, segundo notou Léon Daudet. Não há contradição alguma entre essas afirmações e as de Balzac. Umcaso de ingratidão filial a que assistiu, e cuja monstruosidade revelou, pode muito bem ter lembrado ao romancista a sombria tragédia shakespeariana, desafiando-o a rivalizar com o dramaturgo inglês. O ambiente cotidiano e vulgar em que situou seu drama, em vez de lhe dar protagonistas régios, pode ter enganado alguns críticos e leitores da época, mas é certo que para nós contribui para reforçar a impressão de pesadelo. (Bellessort, que julga a agonia do pai Goriot a mais empolgante de todas as mortes de A comédia humana, observa no entanto que “diante desse pobre rei Lear do talharim não sentimos toda a piedade que, apesar de suas injustiças e de sua cegueira, nos inspira o outro, o de Shakespeare”. Segundo o crítico, isto seria devido a que o próprio pai Goriot não respeita o pai em si mesmo e assiste como cúmplice ao adultério da filha.) Os mesmos críticos que censuravam a “imoralidade” do romance repreendendo Balzac por ter dado ao amor de Goriot às filhas um caráter passional, físico, talvez ficassem envergonhados hoje em conhecimento da luz que a psicanálise projetou sobre os sentimentos recalcados. Poder-se-iam destacar muitos rasgos admiráveis no drama de Goriot: a sombria força com que é contada a agonia do pai, a profunda intuição com que Balzac faz coexistir em Goriot um homem de sensibilidade agudíssima no que concerne a sua paixão e um imbecil em tudo o mais. Mas passemos a examinar o segundo romance dentro do romance, a história de Vautrin/Jacques Collin. Essa personagem sobre-humana, primeira encarnação moderna do diabo, protótipo dos grandes revoltados do século xix, herói romântico por excelência, existiu também. Afirma-o o próprio Balzac: “Posso assegurar que o modelo existe, que é de uma grandeza espantosa e que encontrou seu lugar no mundo de nosso tempo. Este homem era tudo o que é Vautrin, menos a paixão de que o revesti. Era o gênio do mal, utilizado em outro lugar”. Aí sabemos até o nome do modelo: era Vidocq, o antigo galeriano que chegou a ser chefe da polícia e cujas Memórias, publicadas em 1828, deviam ainda ser lembradas por muitos leitores. Balzac, aliás, conhecia pessoalmente Vidocq, o qual lhe contava “casos” de seu passado para demonstrar que a vida fornecia romances já prontos, melhores que as obras dos melhores romancistas. Outro modelo possível seria Coco-Lecour, sucessor de Vidocq e que chegou a chefe da polícia depois de antecedentes parecidos. Seja como for, se Vautrin existiu, sua figura se engrandeceu decerto no romance. O realismo de Balzac conseguiu dar vida intensa a essa personagem, que não é apenas uma abstração, um tentador convencional: quase sempre simpático, quase sempre com a razão, vítima e vingador ao mesmo tempo, retificador benévolo das folhas da ordem social e até da ordem divina, é uma personagem de mil faces, das quais talvez nem todas tenham sido descobertas até agora. (Jules Bertaut assinalou o caráter equívoco da afeição de Vautrin a Rastignac: a inegável suspeita de homossexualismo que paira sobre Jacques Collin contribui para torná-lo essencialmente real e humano, ao lado de seu papel simbólico.) E Rastignac, este irmão mais moço do Julien Sorel de O vermelho e o negro, romance de Stendhal, cuja “evolução” de ingênuo e puro provinciano a parisiense esperto, requintado e pouco escrupuloso se processa ante nossos olhos, esse Rastignac também terá existido? Dizem que Thiers sugeriu ao romancista mais de um traço dessa personagem. É possível. Mas também é certo que emRastignac há muitos traços de Balzac e muito daquilo que Balzac desejava ser. As lutas de Rastignac com a pobreza e suas transigências com a consciência constituem um quadro da mocidade penosa do·próprio escritor. Não fosse sua identificação com Rastignac, e não poderíamos compreender essa insistência — quase irritante — com que pretende dá-lo como puro, quando o sabemos mantido pela amante e cúmplice taciturno de um assassínio. (Acha Faguet que a história da estreia de Rastignac não está realizada porque Balzac sabe pintar uma paixão fatal, como a do pai Goriot, porém não um conflito de paixões no coração do homem.

“O pai Goriot, com sua mania de devotamento e seu furioso prazer do sacrifício, deixa tudo o mais na sombra. A luta de Rastignac contra si mesmo, por mais que Balzac se empenhasse em pintá-lo, por mais espaço que lhe tenha reservado, quase que desaparece.”) Confirmada assim a origem real das três intrigas e dos três caracteres principais, conviria verificar a exatidão dos pormenores da atmosfera. Mas esta segunda verificação é supérflua. A descrição da Casa Vauquer — ainda que ela seja a síntese de várias pensões burguesas conhecidas por Balzac —, as palavras, os tiques, os costumes dos moradores, tudo é de uma autenticidade evidente. Não tivesse Balzac pregado em letras bem visíveis no frontão de seu edificio — “Tudo é verdade” —, seria o leitor o primeiro a pronunciar esta frase, à guisa de conclusão, depois de percorrer-lhe todas as dependências. A arte do romancista não consistiu, porém, “apenas” em tomar três personagens vivas de muito relevo, colocá-las dentro de um ambiente bem observado e reconstruir tão exatamente quanto possível um fato do dia, nem mesmo em soltar as personagens de acordo com os imperativos de seu caráter. Em suas reminiscências, Léon Gozlan evoca uma palestra entre Balzac e Vidocq, isto é, Vautrin. Pouco importa se tal palestra se verificou realmente: o que Gozlan faz dizer a seu biografado, Balzac, se não o disse, poderia tê-lo dito. — O senhor está se incomodando demais — disse Vidcoq — para inventar histórias do outro mundo, quando a realidade está aí, diante de seus olhos, junto a seus ouvidos, ao alcance de sua mão. — Ah, o senhor acredita na realidade! Encanta-me. Não o teria imaginado tão ingênuo. A realidade! Fale-me nela; não está de volta desse belo país? Ora! A realidade somos nós que a fazemos. — Não, sr. Balzac. — Sim, sr. Vidocq. Olhe: a verdadeira realidade é este belo pêssego de Montreuil. Aquele que o senhor chamaria real brota naturalmente na floresta, num pé bravo. Pois bem, esse não vale nada, é pequeno, ácido, amargo, impossível de se comer. Eis porém o pêssego real, o que estou segurando, que foi cultivado durante cem anos, que se obteve por certa poda à esquerda ou à direita, por certa transplantação num terreno seco ou leve, por certo enxerto; o pêssego, afinal, que se come, que perfuma a boca e o coração. Este pêssego delicioso fomos nós que o fizemos: é o único real. O meu processo é o mesmo. Obtenho a realidade nos meus romances como Montreuil obtém a realidade nos seus pêssegos. Sou jardineiro em livros.

Em que consistira a aplicação desse processo em O pai Goriot? Como é que Balzac obtém, em vez da realidade vulgar e palpável em que estamos vivendo e que não nos desperta nenhuma emoção artística, sua realidade concentrada? Um de seus métodos é a condensação. Não é difícil ver em Paris o centro do mundo moderno, comseus complexos interesses em jogo, suas lutas múltiplas nos terrenos social, político e sentimental. Ora, Balzac, sem nenhum artifício manifesto, condensa toda Paris na mesquinha pensão da sra. Vauquer, fazendo-a um ponto de convergência de destinos, que ali se cruzam, uns por causa de sua pobreza inicial, outros em consequência de sua final decadência, outros, ainda, incrustados lá como em seu ambiente natural; um, Vautrin, por uma necessidade de mistério. Outro lance da técnica do romancista consiste em isolar determinados atos insignificantes em si, elucidar-lhes os antecedentes e segui-los até suas últimas consequências. Rastignac esboça umsorriso sedutor para a srta. Taillefer: este sorriso é a conclusão de uma decadência e o sinal de um crime. Um terceiro recurso de Balzac consiste em dar às personagens o valor de tipos. Rastignac é umdos vinte mil moços nobres e pobres que querem subir a qualquer preço; Goriot, um dos vinte mil pais que agonizam numa água-furtada enquanto suas filhas dançam, e também um dos vinte mil apaixonados (pelo jogo, pelas mulheres, pela Bolsa, por uma coleção de insetos, pela música ou pelas filhas). Outra habilidade de Balzac, se é possível assim chamar a um dos elementos integrantes de seu gênio, é a dosagem do mistério. Certos segredos do romance são conhecidos por determinadas personagens e ignorados por outras; da maioria deles o leitor está a par; há alguns, porém, que o autor reserva para si mesmo. Se muito discretamente deixa entrever no interesse de Vautrin por Eugênio de Rastignac uma atração homossexual, a retaguarda daquele, os poderes que lhe são delegados e a identidade dos que o delegaram permanecem no escuro até o fim. Às vezes tem-se a impressão de que para o próprio Balzac há segredos dentro de sua obra. Pela primeira vez, encontramos nesse romance o que se pode chamar um símbolo central: o problema desse mandarim a quem a gente poderia matar sem temer consequências penais para herdar-lhe os bens. Enunciado num momento decisivo e lembrado oportunamente pelo autor, o dilema acompanha o leitor, impondo-se-lhe a cada volta do enredo: será que Rastignac matará seu mandarim? E compreende-se que será uma espécie de critério para dividir em dois campos as personagens não apenas de O pai Goriot, mas de toda A comédia humana; de um lado os que matam, de outro os que poupam seu mandarim. (Em que pese aos leitores bem-intencionados, que exigem o happy end sancionado pela ordem social, a Balzac interessam sobretudo os primeiros.) A arte das gradações, por vezes até excessiva, em Balzac contribui também para arredondar “o pêssego da realidade”. As repetidas gafes de Rastignac, as reiteradas extorsões das filhas de Goriot, as intervenções sucessivas de Vautrin conduzem-nos a uma tensão de atmosfera em que algo de grave tem de acontecer. Sem dúvida, para criar sua “realidade real”, Balzac pediu emprestados à realidade tout court mais elementos do que qualquer de seus predecessores. A grande novidade consiste menos na descrição do mobiliário da Casa Vauquer, ou dos cuidados pouco estéticos prestados por seus enfermeiros benévolos ao pai Goriot doente, do que nas alusões constantes que o escritor faz ao estado das finanças de suas personagens. Era preciso que, depois dos requintes de romances e dramas puramente psicológicos, cujos heróis não comiam nem pagavam aluguel, alguém viesse dizer dos abismos morais em que a falta de vinte francos pode mergulhar um rapaz desejoso de andar de fiacre para não sujar as botinas. Não se pode terminar uma análise, por mais superficial que seja, de O pai Goriot sem assinalar os efeitos que Balzac — esse Balzac a quem se acusa de escrever mal — tira dos recursos do estilo, sobretudo do linguajar das personagens. A linguagem truculenta e saborosa, perturbadora e atraente de Vautrin; a sintaxe errada da sra. Vauquer; os descuidos voluntários da conversa dos estudantes; o “espírito” imbecil das palestras à mesa da pensão; as três palavras da criada Sílvia que resumemuma personagem e uma vida são outros tantos achados reveladores de um espantoso dom de observação. Veja-se ainda o partido que Balzac sabe tirar dos trocadilhos: o efeito sinistro dos repetidos lapsos da duquesa de Langeais, trocando várias vezes o nome de Goriot e assinalando-lhe, assim, indiretamente, toda a insignificância.

Os contemporâneos terão zombado daquele trecho do primeiro prefácio do romance, em que Balzac se define como “um Homero sempre inacabado e que partilha com Deus o cansaço ou o prazer de coordenar os mundos”. Nós outros seremos mais prudentes, sobretudo depois de haver lido repetidamente que Balzac moldou a sociedade francesa da segunda parte do século xix tão bemquanto observou e descreveu a primeira — ou ainda depois de ter acompanhado a extraordinária influência de O pai Goriot na literatura universal. Paul Bourget conta, em sugestivo ensaio, a impressão decisiva que deve à leitura desse romance, a qual lhe revelou o universo quando ele era ainda adolescente. Além de uma descendência direta, menos importante, que inclui O mandarim de Eça de Queirós na linha da descendência indireta de O pai Goriot, encontra-se o Crime e castigo, de Dostoiévski. Raskólnikov é um filho de Rastignac; e ninguém sabe quantos filhos de Raskólnikov saíram da literatura para matarem a seu mandarim ou, no melhor caso, para acabarem com os mandarins em geral, a fim de que a existência deles não constitua uma tentação perpétua. Convém chamar a atenção — com Rose Fortassier, autora de um excelente prefácio a O pai Goriot na nova edição Pléiade de A comédia humana — sobre a modernidade desse romance. Ela qualificao de “romance duplamente aberto. Aberto não somente porque Rastignac, Bianchon e Vautrin têm um futuro, mas porque o romancista convida o leitor a construir, como que fora do campo de A comédia humana, infinitamente, personagens a respeito das quais ele se contenta em fornecer pontos de vista múltiplos”. W. Somerset Maugham, em seu livro Ten novels and their authors (1954), consagra dez estudos a outros tantos romancistas, em seu entender os melhores do mundo. Entre eles, refere-se a nosso autor nestes termos: “De todos os grandes romancistas que, com suas obras, enriqueceram os tesouros espirituais do mundo, o maior, para o meu entendimento, é Balzac. É o único a quem eu reconheceria gênio sem qualquer hesitação”. Elogio notável sob a pena de um escritor britânico, cuja lista de dez nomes contém cinco autores de língua inglesa. E, mais adiante, acrescenta: “Se alguém que nunca tivesse lido Balzac me pedisse para lhe indicar o romance que melhor o representa e que dá ao leitor tudo aquilo que o autor era capaz de dar, eu lhe recomendaria sem hesitação O pai Goriot”. Observação digna de nota na boca de quem, ele próprio, era um cultor e um estudioso excelente do gênero.

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