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A Conspiracao – Dan Brown

“Se esta descoberta for confirmada, com certeza será uma das mais incríveis revelações sobre nosso universo já feitas pela ciência. Suas implicações são tão vastas e impressionantes que ultrapassam nossa imaginação. Ao mesmo tempo que promete responder a algumas de nossas mais antigas perguntas, ela nos coloca diante de outras ainda mais fundamentais.” – Presidente Bill Clinton, em uma colectiva de imprensa após a descoberta conhecida como ALH84001 no dia 7 de agosto de 1997. A morte, naquele lugar deserto e esquecido por todos, podia ter infinitas formas. O geólogo Charles Brophy havia enfrentado o esplendor selvagem daquele terreno durante anos, mas, ainda assim,nada poderia prepará-lo para um destino tão bárbaro e antinatural quanto aquele que em breve encontraria. Os quatro huskies siberianos que puxavam seu trenó pela tundra subitamente reduziram a marcha, olhando para o céu. – O que há, rapazes? – perguntou Brophy, descendo do trenó carregado com equipamentos geológicos. Atravessando as pesadas nuvens que anunciavam uma tempestade, um helicóptero de transporte de dois rotores passou entre os picos glaciais com precisão militar, manobrando em direção ao solo. Estranho, ele pensou. Nunca havia visto helicópteros tão ao norte. A aeronave pousou a uns 50 metros, levantando um jato de neve granulada. Os cachorros ganiram, assustados. As portas se abriram e dois homens desceram. Vestidos com uniformes militares brancos apropriados para o frio e armados com rifles, eles caminharam na direção de Brophy comdeterminação. – Dr. Brophy? O geólogo ficou paralisado. – Como sabe meu nome? Quem são vocês? – Pegue seu rádio, por favor. – O quê? – Faça o que eu disse. Perplexo, Brophy puxou o rádio de dentro de sua parca. – Precisamos que você transmita um comunicado de emergência. Ajuste sua freqüência de transmissão para 100 kHz. 100 kHz? Brophy não estava entendendo nada. Ninguém pode receber nada em uma freqüência tão baixa. – Houve algum acidente? O outro homem levantou seu rifle e apontou-o para a cabeça de Brophy.


– Não há tempo para explicar. Apenas obedeça. Tremendo, Brophy ajustou sua freqüência de transmissão. O homem que havia falado primeiro lhe passou um papel com algumas linhas impressas. – Transmita esta mensagem. Agora. Brophy olhou para o papel. – Não entendo. Isto aqui está errado. Eu não… O homem pressionou o rifle com força contra a cabeça do geólogo. A voz de Brophy estava trémula ao enviar a estranha mensagem. – Muito bem – disse o homem. – Agora pegue seus cães e vamos para o helicóptero. Sob a mira do rifle, Brophy relutantemente levou seus cães em direção à aeronave e subiu por uma rampa para dentro do compartimento de carga. Assim que se acomodaram, o helicóptero partiu na direção oeste. – Afinal, quem são vocês? – protestou Brophy, suando frio por baixo de sua parca. E qual era o sentido daquela mensagem? Os homens permaneceram em silêncio. À medida que o helicóptero ganhava altitude, o vento que entrava pela porta aberta tornava-se insuportavelmente cortante. Os quatro huskies de Brophy, ainda atrelados ao trenó, uivavam baixinho. – Pelo menos fechem a maldita porta – exigiu o geólogo. – Meus cachorros estão assustados, vocês não estão vendo? Eles nada disseram. Quando o helicóptero passou de mil metros de altitude e inclinou-se fortemente sobre uma série de precipícios e fendas no gelo, os homens levantaram-se bruscamente, agarraram o trenó e jogaram-no porta afora. Brophy olhou, aterrorizado, enquanto seus cachorros se debatiam inutilmente, puxados pelo enorme peso do trenó. Em poucos instantes os animais haviam sumido de vista, seus uivos desesperados ecoando ao longe. Brophy estava de pé, gritando, quando os homens também o pegaram e o empurraram emdireção à porta.

Em pânico, tentou livrar-se das mãos firmes que procuravam jogá-lo para fora. Seu esforço foi em vão. Poucos instantes depois, ele também despencou, espaço abaixo, emdireção às profundezas do gelo. CAPÍTULO 1 Local predileto para o mais refinado café-da-manhã dos executivos e políticos de Washington, o restaurante Toulos, próximo ao Capitol Hill, ostenta, com um toque de ironia, um menu politicamente incorrecto que inclui até carpaccio de cavalo. Naquela manhã o Toulos estava movimentado – uma cacofonia de prataria sendo remexida, máquinas de café expresso em ação e pessoas falando em seus celulares. O maítre estava bebericando disfarçadamente seu Bloody Mary matinal quando a mulher entrou. Ele se virou, com um sorriso profissional. – Bom dia. Posso ajudá-la? Era uma mulher atraente, dos seus trinta e poucos anos, usando uma calça de flanela cinza, blusa de grife marfim e discretos sapatos de salto baixo. Tinha uma postura alinhada e o queixo levemente levantado – o suficiente para demonstrar força sem, contudo, ser arrogante. Seu cabelo era castanhoclaro, cortado no estilo “jornal das oito”, o mais popular daquele momento em Washington; elegantemente desfiado e curvado para dentro na altura dos ombros. Longo o bastante para parecer sensual, curto o suficiente para transmitir a quem olhasse a nítida impressão de que a mais inteligente ali era ela. – Estou um pouco atrasada – disse a mulher. – Marquei um café da manhã com o senador Sexton. O maítre sentiu um frio na espinha. O senador Sedgewick Sexton. Era um cliente habitual da casa e, naquele momento, um dos homens mais famosos do país. Na semana anterior, após ter levado a melhor em todas as 12 eleições primárias dos republicanos, o senador havia praticamente garantido sua indicação pelo partido para presidente dos Estados Unidos. Muitos acreditavam que, nas próximas eleições, ele tinha uma óptima chance de vencer a disputa pela Casa Branca contra o actual presidente. Ultimamente o rosto de Sexton parecia estar em todas as revistas, e seu slogan de campanha estava espalhado por todo o país: “Chega de gastar, é hora de reformar.” – O senador Sexton está em seu reservado – disse o maítre. – A quem devo anunciar? – Rachel Sexton. Sou filha dele. Mas que burrice a minha, ele pensou. As semelhanças eram evidentes.

A mulher tinha os mesmos olhos penetrantes do senador e a mesma altivez – aquele ar polido de uma nobreza jovial. Era óbvio que a beleza clássica do senador havia sido transmitida à geração seguinte, ainda que Rachel Sexton parecesse lidar com a graça natural que lhe havia sido concedida com uma dignidade recatada que seu pai não possuía. – É um prazer recebê-la, senhorita Sexton. O maítre acompanhou a filha do senador através do salão, um pouco incomodado com o fogo cruzado de olhares masculinos que a seguiam, com maior ou menor discrição. Poucas mulheres freqüentavam o Toulos, e raramente se via uma tão bela quanto Rachel. – Belas curvas – sussurrou um cliente. – Será que Sexton finalmente conseguiu arrumar uma nova mulher? – Aquela é a filha dele, seu idiota – respondeu um outro. O primeiro homem deu uma risadinha e completou: – Se conheço Sexton, ele provavelmente transaria com ela mesmo assim. Quando Rachel chegou à mesa de seu pai, o senador estava falando em seu celular, bem alto, sobre mais um de seus recentes sucessos. Olhou para ela brevemente, apenas o suficiente para dar umtapinha em seu relógio Cartier, lembrando-a de que estava atrasada. Também senti sua falta, pensou Rachel. O nome de seu pai era Thomas, mas há muito tempo que ele optara por usar apenas seu sobrenome. Rachel achava que ele gostava da aliteração. Senador Sedgewick Sexton. Era umpolítico profissional decabelos grisalhos e fala macia que havia sido agraciado com a aparência de um astro de seriado de televisão, o que parecia bastante adequado, considerando seu talento para disfarces e artimanhas. – Rachel! – seu pai finalmente desligou o telefone e levantou-se para lhe dar um beijo na bochecha. – Oi, pai – ela não retornou o beijo. – Você parece exausta. Lá vamos nós de novo, pensou ela. – Recebi seu recado. Aconteceu alguma coisa? – Puxa! Agora preciso de uma razão para chamar minha filha para tomar café comigo? Rachel aprendera desde cedo que seu pai raramente a chamava, a não ser que tivesse algo específico em mente. O senador tomou um gole de café. – Então, como vai sua vida? – Ando ocupada. Vejo que sua campanha está indo bem. – Ah, não vamos falar de negócios.

– Sexton inclinou-se ligeiramente sobre a mesa, baixando o tom de voz. – Como vai aquele rapaz do Departamento de Estado que eu lhe apresentei? Rachel respirou fundo, já se controlando para não olhar para o relógio. A manhã prometia ser longa. – Pai, definitivamente não tenho tempo de ligar para ele. E eu gostaria muito que você parasse de tentar… – Você precisa encontrar tempo para as coisas que realmente importam, querida. Sem amor, tudo mais perde o sentido. Uma enorme quantidade de respostas veio à sua mente, mas Rachel preferiu se manter emsilêncio. – Pai, você queria me ver? Você disse que era importante. – De fato é. – Ele estudou o rosto da filha atentamente. Rachel sentiu parte de suas defesas se desfazer diante daquele exame minucioso e amaldiçoou o poder daquele homem. O olhar do senador era a sua maior dádiva – grande o suficiente para levá- lo até à Casa Branca. Seu domínio era tamanho que conseguia ficar com os olhos cheios de lágrimas quando desejava e, um instante depois, exibir um olhar límpido, como se estivesse abrindo uma janela para sua alma apaixonada, fortalecendo seus laços de boafé com os outros. “Confiança é tudo”, seu pai sempre lhe dissera. Embora ele houvesse perdido a confiança de Rachel há anos, agora estava ganhando a de toda uma nação.

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