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A Esperanca de Uma Mae – Francine Rivers

Grande parte do romance que você vai ler é ficção, mas há trechos e partes de histórias pessoais da minha família entremeados. O manuscrito assumiu diversas formas nos últimos dois anos, e afinal se transformou em uma saga. Muita gente me ajudou no processo de escrever as histórias de Marta e Hildemara neste primeiro volume, e de Carolyn e May Flower Dawn no segundo. Quero agradecer a todas essas pessoas. Antes de mais nada, agradeço a meu marido, Rick, que cavalgou pela tempestade com este livro, ouvindo cada variação das histórias à medida que os personagens iam tomando forma na minha imaginação, e que atuou como meu primeiro editor. Toda família precisa de um historiador, e meu irmão, Everett, desempenhou esse papel com perfeição. Enviou-me centenas de fotografias da família, que ajudaram a dar corpo à história. Também recebi ajuda valiosíssima de minha prima Maureen Rosiere, que descreveu com detalhes o rancho de amendoeiras e vinhedos de nossos avós, cenário que usei neste romance. Meu marido e meu irmão também compartilharam comigo suas experiências no Vietnã. Kitty Briggs, Shannon Coibion (nossa filha) e Holly Harder contaram suas experiências de esposa de militar. Holly tem sido uma ajuda constante. Não conheço nenhuma outra pessoa no planeta capaz de encontrar informações na internet com maior rapidez! Sempre que eu me deparava com um obstáculo, Holly o derrubava. Obrigada, Holly! O filho de Holly, Daniel Harder, tenente do Exército dos Estados Unidos, informou-me sobre os programas de engenharia e sobre o Corpo de Treinamento de Oficiais da Reserva da Politécnica da Califórnia. Ele agora está na ativa. E nossas orações vão para ele. Ida Vordenbrueggan, enfermeira e amiga de minha mãe, ajudou-me a completar as informações sobre os cuidados com pacientes internados por longos períodos no Sanatório de Arroyo del Valle. Nossa correspondência foi muito prazerosa. Kurt Thiel e Robert Schwinn responderam a perguntas sobre a Associação Cristã Interuniversitária. Continuem com o bom trabalho, cavalheiros! A guia de turismo da Globus, Joppy Wissink, mudou o itinerário de um ônibus para que Rick e eu tivéssemos a oportunidade de passear pela cidade natal de minha avó, Steffisburg, na Suíça. Durante todo este projeto, tive parceiros para minhas ideias sempre que precisei. Colleen Phillips levantou questões e me encorajou desde o início. Robin Lee Hatcher e Sunni Jeffers participavamcom ideias e perguntas quando eu não sabia para que lado ir. Minha agente, Danielle Egan-Miller, e sua sócia, Joanna MacKenzie, ajudaram-me a ver de que maneira eu podia estruturar o livro para mostrar a história que eu queria contar. Também quero agradecer a Karen Watson, da editora Tyndale House, por suas ideias, seu apoio e seu estímulo. Ela me ajudou a enxergar os personagens com maior clareza.


E, obviamente, todo escritor precisa de um bom editor. Sou abençoada por ter uma das melhores, Kathy Olson. Ela torna o trabalho de revisão interessante e desafiador, em vez de doloroso. Para terminar, agradeço a Deus por minha mãe e minha avó. A vida das duas e os diários de minha mãe foram minha primeira inspiração para escrever sobre o relacionamento entre mães e filhas. Ambas foram mulheres de fé e trabalhadoras. Faleceram há alguns anos, mas me apego à promessa de que ainda estão bem vivas e sem dúvida curtindo a companhia uma da outra. Um dia, hei de vê-las novamente. STEFFISBURG, SUÍÇA, 1901 Marta costumava gostar dos domingos. Era o único dia da semana em que o pai fechava a alfaiataria, e a mãe descansava. A família vestia suas melhores roupas e ia à igreja, o pai e a mãe na frente, o irmão mais velho de Marta, Hermann, atrás dos dois, e Marta e a irmã mais nova, Elise, fechando a fila. Era comum outras famílias juntarem-se a eles no caminho. Marta ficava sempre à espera de sua melhor amiga, Rosie Gilgan, que descia a ladeira correndo para andar a seu lado o resto do caminho até a velha igreja de arquitetura romana, com seus arcos fechados com reboco e a torre branca do relógio. Hoje Marta ia cabisbaixa, desejando poder fugir e se esconder entre os pinheiros e amieiros, quando os habitantes da cidade se reuniam para o culto. Podia sentar em sua árvore caída preferida e perguntar a Deus por que o pai a desprezava tanto e parecia determinado a fazê-la sofrer. Hoje não teria reclamado se ele tivesse dito para ela ficar em casa, trabalhar sozinha na loja e não pôr os pés para fora por uma semana, só que levaria mais tempo que isso para as marcas desaparecerem. Apesar das evidências de que ele tinha lhe dado uma surra, o pai insistiu para que todos comparecessem ao culto. Ela usava uma touca de malha e mantinha o queixo encostado no peito, torcendo para que ninguém notasse. Não era a primeira vez que exibia as marcas da fúria dele. Quando as pessoas se aproximavam, Marta arrumava o cachecol de lã ou virava o rosto. Ao chegarem ao pátio da igreja, o pai mandou a mãe entrar na frente, com Elise e Hermann. Agarrou Marta pelo cotovelo e cochichou em seu ouvido: – Você vai sentar atrás. – As pessoas vão querer saber por quê. – E eu direi a verdade a elas. Você está sendo punida por me desafiar.

E apertou o braço dela com força, mas Marta se recusou a demonstrar qualquer sinal de dor. – Fique de cabeça baixa. Ninguém quer ver sua cara feia. Então a soltou e entrou na igreja. Marta lutou contra as lágrimas, entrou sozinha e se dirigiu à última fileira de cadeiras de espaldar reto. Viu o pai indo juntar-se à mãe. Quando ele olhou para trás, ela abaixou a cabeça rapidamente e só a levantou de novo depois que ele se sentou. Sua irmã, Elise, virou-se para trás com o rosto pálido e aflito demais para uma criança. A mãe debruçou-se sobre ela, disse alguma coisa baixinho, e ela se virou para frente de novo. Hermann estava sentado entre a mãe e o pai e virava a cabeça para os lados. Certamente procurava os amigos e desapareceria assim que o culto terminasse. Rosie passou por ela e foi se sentar lá na frente. Os Gilgan tinham oito filhos e ocupavam uma fileira inteira. Rosie olhou para a mãe e para o pai de Marta, depois para trás. Marta se escondeu atrás de Herr Becker, sentado bem à sua frente. Esperou um pouco e espiou, protegida pelo padeiro. Os murmúrios pararam quando o pastor subiu ao púlpito. Ele abriu o culto com uma oração. Fazendo coro com a congregação, Marta proferiu a oração da confissão e ouviu o pastor garantir a misericórdia e o perdão divinos. Enquanto eram lidos o credo e as escrituras, Marta deixou os pensamentos voarem como a neve que soprava nos prados dos Alpes, sobre Steffisburg. Imaginou que abria os braços feito asas, deixando os flocos brancos que rodopiavam carregá-la para onde Deus quisesse. E para onde seria? Pensou ela. A voz do pastor se elevou enquanto pregava. Ele sempre dizia a mesma coisa, mas usando palavras diferentes, exemplos diferentes da Bíblia. – Esforcem-se mais.

A fé morre sem boas obras. Não sejam complacentes. Aqueles que dão as costas a Deus vão para o inferno. Será que Deus era como papai, nunca ficava satisfeito, por mais que ela se esforçasse? Papai acreditava em Deus, mas nunca fora misericordioso com ela. E, se ele acreditava que Deus criara todas as pessoas, então que direito tinha de reclamar que ela era alta e magra, que sua pele era branca e suas mãos e pés, grandes? O pai a amaldiçoava por ter passado nas provas, na escola, “e por ter feito Hermann parecer um idiota!”. Ela tentou se defender, mesmo sabendo que não devia. – Hermann não é aplicado. Ele prefere caminhar nas montanhas a estudar. O pai foi para cima dela. A mãe tentou ficar entre os dois, mas ele a empurrou com violência para o lado. – Você pensa que pode falar comigo assim, sem mais nem menos? Marta levantou o braço para se proteger, mas não adiantou. – Johann, não faça isso! – gritou a mãe. Ele agarrou o braço de Marta e se virou para a mãe. – Não me diga… – Quantas vezes temos de dar a outra face, papai? Um calor intenso cresceu dentro de Marta quando ele ameaçou a mãe. Foi então que ele desferiu os socos. Largou-a de repente e ficou ali, parado. – Ela me provocou. Você ouviu o que ela disse! Um pai não pode tolerar insolência em sua própria casa! Marta não sabia que tinha desmaiado até a mãe afastar o cabelo de seu rosto. – Não se mexa, Marta. Elise foi pegar um pano molhado. Marta ouviu Elise chorando. – Papai foi ao curtume. Não vai voltar tão cedo. A mãe pegou o pano que Elise levou para ela. Marta prendeu a respiração quando a mãe limpou o corte em seu lábio.

– Você não devia provocar seu pai. – Então a culpa é minha. – Não foi isso que eu disse. – Eu passo nos exames com as notas mais altas da escola e levo uma surra por isso. Onde está Hermann? Passeando em alguma trilha na montanha? A mãe segurou-lhe o queixo. – Você precisa perdoar seu pai. Ele perdeu o controle. Não sabia o que estava fazendo. Mamãe sempre inventava desculpas para ele, assim como papai inventava desculpas para Hermann. Ninguém inventava desculpas para ela. – Perdoe – disse a mãe -, setenta vezes sete. Perdoe! Marta fez uma careta quando o pastor falou de Deus Pai. Desejou que Deus fosse como a mãe, emvez do pai. Quando o culto acabou, ela esperou até o pai fazer sinal para que se juntasse à família. De cabeça baixa, acertou o passo ao lado de Elise. – Johann Schneider! O pai virou-se para trás ao ouvir a voz de Herr Gilgan. Os dois apertaram-se as mãos e conversaram. Hermann aproveitou aquela distração para se juntar a alguns amigos que iam subindo o morro. A mãe segurou a mão de Elise quando FrauGilgan se aproximou. – Onde você andou a semana toda? – Rosie perguntou baixinho, e Marta se virou para ela. Rosie deu um grito abafado. – Ah, Marta – ela gemeu em solidariedade. – De novo? Qual foi o motivo dessa vez? – A escola. – Mas você passou na prova! – Hermann não passou. – Mas isso não é justo.

Marta sacudiu o ombro e deu um sorriso desolado para Rosie. – Não adianta dizer isso a ele. Rosie jamais entenderia. O pai dela a adorava. Herr Gilgan adorava todos os filhos. Trabalhavam juntos no Hotel Edelweiss e colaboravam uns com os outros em tudo. Faziam brincadeiras entre eles, sempre de bom humor, mas nunca zombavam nem desprezavam ninguém. Se um deles tinha alguma dificuldade, os outros carinhosamente se uniam para ajudar. Às vezes Marta sentia inveja da amiga. Todos os membros da família Gilgan iam completar os estudos. Os meninos serviriam os dois anos no Exército suíço e depois iriam para a universidade emBerna ou Zurique. Rosie e as irmãs aprenderiam culinária e a arte de administrar uma enorme estalagem que abrigava até trinta forasteiros. Ela aprenderia francês, inglês e italiano. Se Rosie tivesse outras aspirações, seu pai não as negaria apenas por ela ser menina. Ele a mandaria para a universidade com os irmãos. – Você já frequentou demais a escola – declarou o pai, quando voltou do curtume. – Já tem idade suficiente para trabalhar. Implorar por mais um ano na escola não adiantou nada. Marta ficou com os olhos cheios d’água. – Papai disse que saber ler, escrever e fazer contas já é o bastante. – Mas você só tem doze anos e, se alguém de sua turma deveria ir à universidade, seria você. – Não haverá universidade para mim. Papai disse que não vou mais para a escola. – Mas por quê? – Ele diz que estudo demais enche a cabeça das meninas de bobagens. Quando falava bobagens, o pai queria dizer ambição.

Marta ardia de tanta ambição. Esperava que, com bastante estudo, tivesse melhores oportunidades na vida. O pai lhe dizia que a escola a tornara abusada e que ela precisava se colocar novamente em seu devido lugar. Rosie segurou a mão de Marta. – Talvez ele mude de ideia e deixe você voltar para a escola. Tenho certeza que Herr Scholz vai querer conversar com ele sobre isso. Herr Scholz poderia até tentar, mas o pai não lhe daria ouvidos. Quando metia uma coisa na cabeça, nem mesmo uma avalanche o fazia mudar de ideia. – Não vai dar certo, Rosie. – O que você vai fazer agora? – Papai quer que eu trabalhe. – Marta! Marta deu um pulo com o grito do pai. De cara feia, ele fez sinal para ela ir com ele. Rosie não soltou a mão dela quando as duas foram para onde estavam suas famílias. Frau Gilgan olhou espantada para Marta. – O que aconteceu com seu rosto? Ela olhou zangada para o pai de Marta. O pai olhou firme para Frau Gilgan. – Ela caiu da escada. Ele fez Marta se calar com o olhar. – Ela sempre foi desajeitada. Olhe só o tamanho dessas mãos e desses pés. Frau Gilgan piscou os olhos escuros. – Ela vai crescer e ficarão proporcionais. Seu marido pôs a mão no cotovelo dela. A mãe estendeu a mão para Marta. – Venha.

Elise está com frio. Temos que ir para casa. Elise se aconchegou ao lado da mãe, sem olhar para ninguém. Rosie abraçou Marta e sussurrou: – Vou pedir para papai contratar você! Marta não esperava que seu pai concordasse – ele sabia que ela gostaria muito de trabalhar para os Gilgan. Aquela tarde, seu pai saiu e só voltou quando já havia anoitecido. Cheirava a cerveja e parecia bemsatisfeito. – Marta! – ele deu um tapa na mesa. – Encontrei um emprego para você. O trabalho era na padaria dos Becker, todas as manhãs. – Você precisa estar lá às quatro da manhã. Três tardes na semana, ela trabalharia para os Zimmer. O médico achou que a mulher dele precisava descansar dos cuidados com o bebê rebelde do casal. – E Frau Fuchs disse que você pode ajudá-la com as colmeias. Já está esfriando e ela vai colher o mel em breve. Você trabalhará à noite lá, o tempo que ela precisar. Ele se recostou na cadeira. – E vai trabalhar no Hotel Edelweiss dois dias por semana – disse, olhando bem para ela. – Não pense que é para tomar chá com biscoitos com a sua amiguinha. É para trabalhar, entendeu? – Sim, papai. Marta juntou as mãos no colo e procurou não demonstrar seu prazer. – E não peça nada. Para nenhum deles. Herr Becker lhe pagará com pão, Frau Fuchs, com mel, quando chegar a hora. Quanto aos outros, eles acertarão comigo, e não com você. Um calor se espalhou pelos braços e pernas de Marta, subiu pelo pescoço e queimou-lhe a face feito lava sob a terra pálida.

– Não vou receber nada, papai? Nada mesmo? – Você recebe um teto e comida no prato. Recebe as roupas que usa. Enquanto viver na minha casa, tudo o que fizer pertence a mim, por direito. – Ele se virou para o outro lado. – Anna! – gritou para a mãe. – Já acabou aquele vestido para Frau Keller? – Estou trabalhando nele agora, Johann. Ele franziu a testa e gritou novamente: – Ela quer o vestido pronto no fim da semana! Se você não terminar até lá, ela vai procurar outra costureira! – O pai virou a cabeça e olhou para Marta. – Vá ajudar sua mãe. Marta foi ajudá-la, perto do fogo. Havia uma caixa com linha colorida sobre a mesa ao lado dela e um tecido de lã preta com bordado apoiado em seu colo. Ela tossiu violentamente num lenço, dobrou-o e colocou-o no bolso do avental antes de recomeçar a costura. Qualquer um podia ver a palidez e as olheiras profundas e saber que a mãe não estava bem novamente. Seus pulmões eramfracos. Naquela noite seus lábios estavam um pouco azulados. – Ajude sua irmã, Marta. Ela está tendo dor de cabeça de novo. Elise passara a noite toda concentrada no manequim, franzindo a testa de dor a cada ponto que dava. Marta ajudou Elise até o pai voltar. A única coisa que Elise sabia fazer bem eram as bainhas. O trabalho de bordado fino era a mãe e Marta que faziam. Elise tinha muita dificuldade na escola, como Hermann, mas não pelos mesmos motivos. Aos dez anos, ela mal sabia ler e escrever. Mas o que lhe faltava em inteligência e destreza era compensado por sua rara e delicada beleza. O maior prazer da mãe era escovar e trançar todas as manhãs o cabelo louro-branco de Elise, que batia na cintura. A pele era perfeita, como alabastro, e os olhos, grandes, de um azul angelical.

O pai não cobrava nada dela, tinha orgulho de sua beleza e às vezes agia como se possuísse uma obra de arte valiosíssima. Marta se preocupava com a irmã. O pai podia ter razão quanto aos pretendentes, mas não compreendia o medo profundo que Elise sentia. Ela dependia desesperadamente da mãe e ficava histérica quando o pai tinha um de seus acessos de fúria, apesar de ele jamais ter encostado a mão nela, em toda sua vida. O pai escolheria um homem bem estabelecido, com dinheiro e posição, para Elise. Marta rezava toda noite para que Deus abençoasse a irmã com um marido carinhoso, que a protegesse – e que fosse suficientemente rico para pagar empregados para cozinhar, limpar e criar os filhos. Elise jamais aguentaria arcar com todas essas responsabilidades. Marta pegou um banquinho e pôs ao lado da cadeira da mãe. – Frau Keller sempre quer as coisas para ontem. – Ela é uma boa freguesa. A mãe estendeu uma parte da saia no colo de Marta para que as duas pudessem trabalhar nela juntas. – Eu não usaria esta palavra, “boa”, mamãe. A mulher é uma tirana. – Não é errado saber o que quer. – Se você está disposta a pagar por isso – disse Marta, furiosa. Sim, Johann pedia para Frau Keller pagar o trabalho extra, mas ela se recusava. Se o pai insistisse, ela ficava indignada “com tal tratamento” e ameaçava contratar “alguém que dê mais valor à minha generosidade”. Ela o fazia lembrar que encomendava seis vestidos por ano, e ele ficava grato por isso naqueles tempos difíceis. O pai se desculpava profusamente e acrescentava tudo o que podia à quantia que Herr Keller lhe devia pelos ternos que fazia para ele. E Johann muitas vezes tinha de esperar seis meses para receber parte do pagamento. Não era de admirar que os Keller fossem ricos. Eles se agarravam ao dinheiro feito limo na pedra. – Se eu fosse o papai, exigiria uma parte do dinheiro adiantado, antes de começar a trabalhar, e pagamento integral antes de qualquer peça de roupa sair da alfaiataria. A mãe riu baixinho. É muito fogo para uma menina de doze anos.

Marta não sabia como a mãe terminaria a saia a tempo. Ela enfiou o fio de seda rosa na agulha e começou a bordar pétalas de flor. – O papai arrumou trabalho para mim, mamãe. A mãe suspirou. – Eu sei, Liebling. Ela tirou rapidamente o lenço do bolso do avental e cobriu a boca. Quando passou a crise, ficou ofegante e guardou-o outra vez. – Sua tosse está piorando. – Eu sei. É resultado de todos os anos de trabalho na fábrica de charutos. Vai melhorar quando chegar o verão. No verão, a mãe sentava fora de casa para trabalhar, em vez de ficar perto da fumaça que saía do fogo. – Nunca melhora de vez, mamãe. Você devia ir ao médico. Quando Marta fosse trabalhar para Frau Zimmer, talvez pudesse conversar com o médico para saber o que era possível fazer para ajudar a mãe. – Não vamos nos preocupar com isso agora. Frau Keller precisa do vestido pronto!

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