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A Flor da Pele 1 – Helena Hunting

Minha cabeça doía. Uma noite maldormida pra caramba tinha transformado o que era levemente irritante em insuportável. Entre os bandos de calouros que passavam pelo estúdio nos últimos tempos e a donzela que estava na minha cadeira naquele momento, para mim, não dava mais. Massageei a têmpora para aliviar as marteladas chatas que tinham surgido ao longo do dia. Mais dez minutos e eu terminaria o desenho se conseguisse manter a concentração. Era uma batalha que eu estava com dificuldades para vencer, pois estava preocupado. Depois que finalizasse a tatuagem de unicórnio, não teria nenhuma outra sessão marcada e ainda restaria mais de uma hora até fecharmos. Se eu desse azar, ficaria preso ali com outro desses pirralhos universitários que não marcam horário e querem um personagem de desenho estampado na pele. Eu preferia terminar com a minha cliente para poder dar um pulo no outro lado da rua no sebo e café da minha tia Cassie. Escapadinhas para um café no Serendipity haviam se tornado meu passatempo preferido nas últimas quatro semanas, desde que Cassie tinha contratado a menina nova. Ela era a razão por eu estar tão distraído. Não a tinha visto nos últimos cinco dias, mesmo com o aumento do meu consumo de cafeína, e estava tentando dar um jeito nisso o mais depressa possível. Passei um pano úmido sobre a tinta fresca. A garota na minha cadeira estava relativamente quieta desde que comecei a esboçar o contorno, o que era ótimo. Eu não estava com paciência para papo furado. Então me concentrei no barulho da máquina de tatuar. Aquele som nunca me incomodava. Era calmante, como uma boa música. Eram os outros ruídos que enchiam o saco: as conversinhas idiotas dos adolescentes, o bater de um pé nervoso no chão de madeira, e, na TV, o zumbido alto de um repórter que tagarelava as desgraças do dia. O timbre nasal da voz dele me irritava pra cacete. Mesmo assim, eu não conseguia parar de ouvir, seduzido pelo desejo de saber que a vida de outras pessoas estava pior do que a minha. — Dá para abaixar o volume? — pedi a Lisa, nossa contadora e colocadora de piercings. — Já vai. — Ela me dispensou com um aceno, mas pegou o controle remoto. Os outros artistas do estúdio também estavam trabalhando concentradíssimos nos clientes.


Eu parecia ser o único com dificuldade de atenção. O sino da porta tilintou, me salvando de ficar ainda mais irritado. Lisa mudou o rádio de estação e batidas pesadas de rock tomaram conta do lugar, o baixo fazendo o chão vibrar. Então ela colocou o rádio em um volume aceitável. Parei e dei uma olhada para a porta, rezando para que não fosse outra universitária sem sal querendo dar uma de rebelde. O próximo cliente seria meu. Desse jeito eu jamais conseguiria ir ao Serendipity antes de fechar. Qualquer preocupação potencial evaporou assim que eu vi a nova funcionária de Cassie. Ela estava segurando uma pilha de livros na altura do peito, como um escudo, os cabelos longos esvoaçando ao redor do rosto. Seus olhos desviaram quando ela percebeu que eu estava olhando. O nome dela era Tenley. Eu sabia não porque fomos formalmente apresentados — embora eu tenha falado com ela algumas vezes —, mas porque Cassie compartilhou essa informação comigo quando pedi. Como uma verdadeira fonte de informações, Cassie também me contou que Tenley era de Arden Hills, em Minnesota, e que estava fazendo mestrado na Universidade Northwestern. Mas ela não agia como uma daquelas esnobes sabe-tudo típicas das universidades grandes. Parecia bastante pé no chão, pelo pouco que tínhamos conversado. O que, verdade seja dita, não era lá muita coisa. A primeira vez em que a vi foi quase um mês atrás. Fui até o Serendipity visitar minha tia e comprar café, o que não era incomum. Já a nova aquisição da loja da Cassie, essa era. Ela estava entocada atrás do balcão com um livro sobre comportamentos divergentes erguido à frente, de modo que dava para ver apenas seus olhos. Ela estava tão imersa na leitura que não ouviu o sino da porta tilintar, sinalizando minha entrada. Eu a assustei quando perguntei se Cassie estava por ali como uma desculpa para observá-la mais de perto. O livro dela desabou e, com ele, o copo meio cheio de café, manchando a página com o líquido marrom. Quando me ofereci para ajudá-la a limpar, ela balbuciou um monte de coisas sem sentido e quase caiu do banco em que estava sentada. Ela era maravilhosa, mesmo com o rosto ganhando um tom de vermelho vibrante.

Cassie apareceu dos fundos da loja para ver que confusão era aquela. Aquilo pôs um fim à interação número um. Em todas as vezes seguintes que fui até lá, ela estava ou enfurnada no porão examinando as incontáveis caixas de aquisições para a loja ou escondida entre as estantes, organizando os livros. Cassie não me dissuadiu quando fui até a seção de filosofia para ver se tinha algo de interessante por lá, além da garota Tenley. Encontrei-a sentada de pernas cruzadas no chão com uma pilha de livros no joelho, organizando-os em ordem alfabética antes de guardá-los nas prateleiras. Eu já estava apaixonado pelas habilidades organizacionais dela. Fiz questão de pigarrear para evitar surpreendê-la dessa vez. Não adiantou. Ela ofegou, levando a mão trêmula à garganta quando olhou para mim. Tenley era estonteante: seu cabelo preto quase encostava no chão de tão longo, seus traços eram delicados, olhos cinza-esverdeados, emoldurados por cílios grossos. O nariz era perfeitamente reto; os lábios, cheios e rosados. Ela não parecia estar usando maquiagem. — Não quis assustar você — falei, porque era verdade. Eu também estava olhando fixamente para ela. — Sou o sobrinho da Cassie, Hayden. Os olhos dela me examinaram dos pés à cabeça, pausando nas tatuagens à mostra nos meus braços para assimilá-las antes de continuar seu trajeto. Ela descruzou as pernas longas e esguias e se apoiou na prateleira para se levantar. Retraiu-se de leve nesse processo, como se estivesse sentada por muito tempo e tivesse ficado travada. Ela era bem mais baixa que eu, magra e com curvas suaves. — Você é o dono do estúdio de tatuagem do outro lado da rua — comentou ela. — Isso. — Assenti para as prateleiras. — Estou procurando O nascimento da tragédia. Ela me olhou com curiosidade e passou o dedo pelas lombadas dos livros enquanto as analisava. — Não vi nada do Nietzsche por esses dias, mas se encontrar alguma coisa, posso levar para você… Para o Inked Armor, digo.

Sorri, gostando da ideia de tê-la no meu estúdio. — Claro. Você pode dar uma passada lá mesmo que não encontre um exemplar. — Hum… Eu não… Talvez. — Ela olhou para baixo e se agachou para pegar o restante dos livros no chão. — Melhor eu guardar isso aqui. Os cabelos de Tenley esvoaçaram quando ela se virou. O aroma de baunilha se dissipou quando ela virou a esquina, deixando um cheiro de cupcakes no ar. A interação número dois foi um tanto melhor do que a interação número um. Eu estava intrigado, o que era raro para mim. Não havia muitas coisas que cativassem minha atenção. Levou um tempo até eu encontrar Tenley de novo. Dessa vez, quando entrei na loja, ela ouviu o sino. Estava sentada atrás do caixa. Havia um caderno de rascunho aberto à sua frente. Ao lado dela, uma pilha de livros com um prato de cupcakes empoleirado em cima. Em uma das mãos, ela segurava uma caneta Pitt preta. Na outra, um cupcake. Eu tinha um fraco por essa sobremesa em particular. Cheguei enquanto ela dava uma mordida; os lábios abertos, os dentes se afundando na cobertura cremosa. Ela deu um gemido de aprovação, um som que eu poderia atribuir a um orgasmo especialmente satisfatório. Ao menos foi assim que minha imaginação interpretou aquele som. Os olhos dela, que estavam fechados em uma expressão familiar de êxtase, se abriram com o barulho da porta. Ela logo colocou o cupcake no balcão, cobrindo a boca com a mão enquanto mastigava. — Parece que está gostoso.

Ela sorriu e seu rosto adquiriu um tom de vermelho sugestivo. Sua garganta se moveu ao engolir, nervosa, e ela limpou a boca com a mão, os olhos fixos no balcão. Dei uma olhada no caderno aberto. Uma única pena, desenhada com detalhes impressionantes, ocupava a página. Fogo cobria umdos lados, consumindo-a, anéis de fumaça erguendo-se no ar. — Você é artista? Ela fechou o caderno, puxando-o para perto. — São só uns rabiscos. — Uns rabiscos bastante detalhados, na minha opinião. Ela guardou o caderno em uma gaveta debaixo do balcão. Seus ombros se curvaram e ela me olhou, uma sugestão de sorriso no rosto. — Tenley, me ajuda aqui? — gritou Cassie dos fundos da loja. — Estou indo! — Ela desviou os olhos. — Ainda não encontrei o seu Nietzsche, mas estou de olho. — Obrigado por pensar em mim. — Não é nada, mesmo. Fique à vontade para se servir. — Ela apontou para o prato de cupcakes e, então, desapareceu nos fundos da loja com um aceno. Eu jamais diria “não” para cupcakes, então peguei um e devorei o bolinho com cobertura em três mordidas enormes. Estava incrível. Peguei um Post-it, escrevi um recado e o colei no prato. Quando ficou óbvio que ela não ia voltar tão cedo, atravessei o Serendipity até o café vizinho. Passei pela loja quando saí, mas era Cassie quem estava no balcão em vez de Tenley. Peguei mais um cupcake porque eles eram realmente ótimos. Isso aconteceu cinco dias antes; daí a minha impaciência com a cliente debaixo da minha agulha. Parecia que eu não precisaria mais me preocupar, agora que a distração em questão estava parada no meu estúdio parecendo nem um pouco confortável.

O nervosismo dela me deu uma grande oportunidade de observá-la de novo. Ela estava usando uma blusa preta de mangas compridas e jeans escuros. O contorno esbelto deixava transparecer a curva suave de seu quadril e de suas pernas esguias, que terminavam em um par de All Stars roxos estropiados, como se, na hora de escolher os sapatos, ela já não se importasse com mais nada. Como de costume, ela não tinha nenhuma malícia. Fiquei curioso para ver se ela escondia alguma coisa digna de nota debaixo daquelas roupas. Se a maneira como ela pairava perto da porta fosse umindicativo de seu incômodo naquele lugar, ela provavelmente era uma virgem de tatuagens. — Tenley! O cumprimento animado de Lisa chamou a atenção dela, dando-lhe algo inofensivo para olhar. — A Cassie contou que eu encomendei mais piercings? Um sorriso sincero iluminou o rosto de Tenley enquanto ela se aproximava da mesa onde Lisa estava sentada. Fiquei incomodado por ela mal ter olhado para mim, mas preferir ficar de conversinhas e gracinhas com Lisa. Ironicamente, toda vez que Lisa ia até o Serendipity para comprar café, Tenley parecia estar sempre disponível, segundo os relatos recentes de Lisa. As duas pareciam ter ficado amigas. Era fácil adivinhar como isso podia ter acontecido. Os cabelos rosa-shocking de Lisa e seu look anos 1950 sempre chamaram atenção. Ela era como um raio de sol em forma humana, com uma argola no nariz, um piercing no lábio superior imitando a pinta da Marilyn Monroe e uma tatuagem que cobria metade do braço. Uma mistura de June Cleaver e uma Suicide Girl. Lisa costumava manter um círculo pequeno de amizades, e por isso era difícil para ela desapegar de algumas amigas do passado. Elas não eram as melhores companhias. A maioria ainda estava submersa no mundo das drogas do qual Lisa conseguiu escapar. Uma nova amiga não faria mal, e Tenley parecia bastante normal, no máximo meio moderninha. Tenley colocou os livros no balcão com as lombadas viradas para mim. Parecia que ela havia encontrado o meu Nietzsche. Eu estava a fim de uma leitura mais pesada. — Só passei para deixar isto aqui para o Hayden. Tenley não olhou para mim quando disse meu nome. Eu queria que tivesse olhado.

A voz rouca dela combinada com seu corpo escultural resultaram em um desconforto imediato abaixo da minha cintura. Era inconveniente, mas nada surpreendente considerando o quanto eu a achava atraente, alémde fascinante. Essa não era a primeira vez que ela aparecia por ali. Cassie a havia mandado lá no dia seguinte à interação do cupcake com alguns livros para me entregar. Infelizmente, eu estava ocupado com um cliente na sala privativa, então não a tinha encontrado. Agora que ela estava ali, no meu mundo, eu queria conversar com ela. Talvez conseguir com que ela me lançasse um daqueles sorrisos que ela dava para Lisa. Isso talvez fosse pedir um pouco demais; eu não sou exatamente um cara que exala calor humano. — Vou terminar em cinco minutos, se você quiser esperar — falei, torcendo para que ela mordesse a isca. Os olhos de Tenley passaram pelo meu braço, pousando na tatuagem exposta. Ela não conseguiu passar da minha boca. É, eu ainda a deixava nervosa. Ela apontou com o polegar por cima do ombro. — A Cassie está esperando eu voltar. — Tenho certeza de que ela vai sobreviver sem você por uns minutos. Tenley olhou para o outro lado da rua. Pelas janelas, eu via Cassie sentada atrás do caixa, debruçada sobre o que parecia ser a papelada do dia de trabalho. Para me ajudar, o neon de “Fechado” estava piscando. Ela se virou de novo para Lisa. — Acho que dá para eu dar uma olhada nos piercings. A resposta pode não ter sido dirigida a mim, mas aceitei mesmo assim. Lisa enganchou o braço no de Tenley e a levou à sala dos piercings antes que ela mudasse de ideia. Vi as duas desaparecerem pela porta e continuei trabalhando. Depois da última visita de Tenley, eu tinha ido até o Serendipity para agradecê-la, mas ela já tinha encerrado o expediente. Cassie me prometeu repassar o recado.

Ela também me disse quando Tenley trabalharia de novo. Não que isso fosse necessário. Eu já tinha decorado os horários de Tenley. Não conseguia entender por que a Cassie estava tentando juntar a pobre menina com alguém como eu; eu a devoraria como café da manhã. Com isso, imaginei como ela seria pelada, deitada na mesa da minha cozinha. Gostei da ideia. Apesar das distrações, enfim terminei o desenho da menina na minha cadeira. Ficou tão bomquanto podia ficar, considerando-se o que era. Quando acabei, expliquei os cuidados que ela teria de tomar, enfatizando que ela deveria ficar longe das câmaras de bronzeamento artificial pelos meses seguintes. Ela não tinha conseguido aquele bronzeado alaranjado artificial digno de um Oompa Loompa apenas passeando por Chicago no final de setembro. Ao conversar com ela, confirmei minha primeira hipótese: ela era caloura da Universidade de Chicago e essa era a primeira vez que morava longe dos pais. Ela até conseguiu descolar uma identidade falsa, que me mostrou com orgulho, pensando que eu fosse ficar impressionado. Nem me dei ao trabalho de dizer que ela havia jogado dinheiro fora, já que a falsificação era um lixo. Ela iria descobrir sozinha quando tentasse usá-la. Nas últimas semanas, a minha base de clientes foi composta praticamente por uma das diversas versões da mesma menina. Aquilo estava ficando chato. Os universitários tinham uma tendência a ser mais rebeldes no começo do período letivo, quando a liberdade deles ainda estava bem recente. Nada indicava mais não conformismo do que uma rosa estrategicamente tatuada em um peitinho. Eu quase nunca recusava algum cliente, mas minha alma artística morria um pouco cada vez que um daqueles pirralhos escolhia um desenho da parede e me pedia que colocasse em seu corpo. Chris, um dos meus sócios, tinha conseguido terminar o serviço no cliente dele antes de mim. Ele já estava no caixa, dando uma olhada na agenda enquanto eu finalizava com a minha cliente e a mandava seguir seu rumo. Esperei ele começar com a gozação. Eu já sabia que Chris, acima de tudo, adorava me irritar. — Essa aí parecia superlegal. Ela deu o telefone para você? Não respondi.

O telefone dela já estava no sistema, e eu jamais o usaria por qualquer motivo pessoal. Além da falsidade nada atraente da menina, nós tínhamos uma regra no estúdio que não podia ser quebrada: não coma as clientes. Tanto eu quanto Chris aprendemos a duras penas por que isso não valia a pena, especialmente quando nos envolvemos com a mesma cliente. Não ao mesmo tempo, mas mesmo assim. — Topa um barzinho hoje? Ou, quem sabe, a Dollhouse? Nem me lembro da última vez em que você foi comigo — disse Chris, virando a página do caderninho para checar os clientes agendados para o dia seguinte. — Depende. Você e a Lisa vão sair? — perguntei a Jamie, o terceiro sócio da nossa trinca. Jamie e Lisa estavam juntos desde que abrimos o estúdio. Aonde ela ia, ele ia atrás. — Talvez. Pergunte para ela quando ela terminar com a Tenley — respondeu Jamie enquanto trabalhava no cliente. Se Lisa fosse, a Dollhouse não seria uma opção. Ela não teria interesse em ver mulheres acabadas praticamente peladas se esfregando em postes de ferro. Especialmente porque várias delas eram suas ex-colegas. Mas eu odiava a Dollhouse por outras razões, e uma delas era as pessoas com quem Chris se relacionava. Damen, um cara que tinha sido nosso tutor antes de abrirmos o Inked Armor, era um frequentador assíduo. Ele era um total idiota naquela época e nada tinha mudado desde então. Sempre bancando o empreendedor, Damen tinha uma atividade paralela: tráfico de substâncias ilegais. Ele se aproveitou da proximidade da Dollhouse com seu estúdio de tatuagem para facilitar essa segunda fonte de renda. O grande trunfo era que a gerente da Dollhouse, Sienna, encorajava as dançarinas a ir fundo emqualquer droga que ele tivesse disponível e ficava bem satisfeita com uma parte do lucro. Além do meu desprezo pelo caráter mais que duvidoso deles, eu tinha um longo histórico com a Sienna, e ela gostava de me lembrar disso toda vez que a gente se esbarrava. Eu não a via há mais de um ano e queria que isso continuasse assim. — Cara, está tudo bem? — perguntou Chris. Eu dei de ombros. — Sim.

Tudo certo. Só estou de saco cheio da temporada de calouros. A enxurrada de universitários podia ser parte do problema, mas eles certamente não representavam a questão toda. Toda vez que Chris sugeria uma ida à Dollhouse, eu recusava. Não achava que devia nenhuma explicação a ele, mas era claro que ele esperava uma justificativa. Eu não tinha a menor vontade de esclarecer tudo, nem para ele nem para ninguém. Fomos impedidos de continuar a discussão quando a porta da sala de piercings se abriu e Lisa saiu, com Tenley logo atrás. — Qual o estrago? — perguntou Chris quando elas se aproximaram do balcão. — Está difícil chamar isso de estrago — respondeu Lisa, saindo da frente para que Tenley pudesse ser vista. Chris soltou um assobio baixo. — Muito sexy.

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