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A identidade da alma – Panache Desai

Você não chegou aqui por acaso. Não foi por acidente que encontrou esta página. A vida o trouxe a este exato momento – talvez na forma de um divórcio, de uma perda ou de um problema financeiro. Pode ser que sua saúde tenha lhe dado um susto. Ou, quem sabe, simplesmente se deu conta de umanseio vago e indefinido que existe dentro de você – uma fome, uma consciência sutil e insistente de que há algo mais. Sem perceber, você está entrando em contato com o desejo profundo de encontrar sua expressão mais autêntica. Algo na maneira com que você vem levando a vida não está funcionando muito bem. Não importa se seus desafios são grandes ou pequenos, se seus problemas são visíveis ou não: você está tomado por esse anseio. Mas tenho uma boa notícia: todos nós estamos. Ser humano e caminhar sobre este planeta significa experimentar uma miríade de emoções complexas. Então você está aqui. Não importa mais como chegou. O que é essencial – e na verdade milagroso – é que você conseguiu chegar até aqui. Seja bem-vindo! Seu espírito o trouxe até estas palavras. Nós não escolhemos nosso papel nesta vida. Esse papel é a identidade da sua alma – sua expressão única. Seu DNA espiritual. É você em sua essência – sua contribuição única para o mundo. Isso não tem a ver com fama ou fortuna – embora até possa ter –, mas, sim, com a essência acumulada de tudo que você já pensou, sentiu, fez ou experimentou em toda a sua vida. Para ilustrar com um exemplo, deixe-me contar como eu descobri a identidade da minha própria alma. Quando era bem pequeno, adorava ficar na sala de meditação da casa dos meus avós, em East London, na zona leste de Londres. Se estivesse inquieto ou com raiva, eu me acalmava no momento em que passava por aquela porta. Eu me sentava ali todas as manhãs e observava minha avó rezando. Ela recitava a Guru Gita, uma oração devocional para despertar a lembrança da luz interior. Minha avó tinha lindos cabelos longos e negros, e vestia um sari indiano.


Tinha cheiro de óleo de coco e rezava por cada um de nós: pedindo saúde, bem-estar e abundância. Ela fechava os olhos e contava as contas de seu japamala. Lia trechos do Mahabharata e da Bhagavad Gita, sempre ao som dos cânticos de devoção que colocava num toca-fitas. Até o ar daquela sala parecia sagrado. Sagrado, seguro, profundamente amoroso e forte. E, embora eu não entendesse isso na época, aquele era o único lugar no mundo onde eu me sentia em casa. Nos primeiros cinco anos da minha vida, vivi numambiente vibracional imaculado. A atenção de todos estava voltada apenas para o Divino. E um dia isso acabou. Meus pais e eu nos mudamos daquela casa apertada em East London quando fiz cinco anos. Estávamos em busca de uma boa escola para mim e de qualidade de vida. Eu era filho único, solitário e tímido. Então me senti totalmente desconectado de toda aquela abundância de amor a que estava acostumado e fiquei me perguntando se estava sendo punido por alguma coisa. Como fui parar naquele castigo interminável? Ainda nos mudamos outras vezes depois. Fui para duas escolas diferentes entre o sexto e o oitavo ano. Durante o ensino médio, acabamos voltando para East London, um bairro pobre, de classe operária, onde todos viviam apenas a batalha do dia a dia. Foi a primeira vez que conheci a dor. Eu podia sentir tudo que as pessoas sentiam. Sentia à minha volta toda aquela energia do medo e da luta pela sobrevivência. Embora ainda visitássemos meus avós nos fins de semana, a sala de meditação já não me atraía como antes. Eu não sentia mais a sua magia. Era adolescente e não queria passar as noites de sábado meditando com os adultos. Eu não tinha as habilidades necessárias para a selva da adolescência em East London. Era ummenino sensível, de coração aberto. Não entendia por que algumas pessoas eram tão cruéis com as outras.

Os garotos brigavam, uns tentando dominar os outros. Mais tarde – e isso tinha que acontecer – sofri bullying. Não me encaixava em nenhum grupo. Meus pais não tinham ideia do que estava acontecendo. Às vezes eu chorava até dormir e me perguntava por que estava vivo. Qual era o sentido? A dor se tornou tão grande que precisei encontrar formas de amortecê-la. Rejeitei a identidade da minha alma, me afastei da expressão única da minha própria energia – e paguei um preço alto por isso. No fim da adolescência, entrei para o mundo da música e comecei a usar drogas e beber. Acabei largando a universidade. Eu estava como um sapo na água quente – tudo fervilhando cada vez mais e ficando insuportável. Estava me afundando e nem sequer percebia. Na época tinha umprograma de rádio e organizava festas rave e eventos típicos da cena musical londrina, mas a dor dentro de mim só crescia. Perdi qualquer interesse pela espiritualidade e parei de visitar meus avós. Havia me afastado completamente disso. A sala de meditação era apenas o fragmento de uma lembrança vaga, uma imagem de um sonho há muito perdido. Não conseguia mais me lembrar como ela era nem pensava em colocar os pés ali. Até que, em 2001, a vida me deu uma rasteira que serviu como um grito de alerta. Eu me meti numa briga de bar – um cara me deu uma cabeçada e uns outros também partiram para cima de mim. Os seguranças apareceram e me expulsaram do local. Soube que mais tarde naquela mesma noite alguém levou um tiro. Tive muita sorte de sair ileso. E naquela noite – em um só momento – a bebida, as drogas, a música, tudo parou. Eu não queria mais saber daquilo. Reconheci a bênção do que acontecera comigo. Também percebi que havia aprendido aquela lição de uma forma leve.

Acredito que, se não tivesse lhe dado a devida importância – como muitas vezes acontece na vida das pessoas –, as lições teriam ficado cada vez mais duras, perigosas e destrutivas. Sem saber bem como, eu tinha uma intuição de que precisava encontrar um jeito de me reconectar com aquela energia que conhecera na infância. Precisava me lembrar outra vez da identidade da minha alma. Quando se fala em identidade da alma, não há nenhuma hierarquia. A minha é um caminho espiritual. A sua pode ser inspirar crianças, orientar jovens ou qualquer outra coisa: trata-se de trazer a sua combinação única de talentos e dons para o mundo. Como disse Martin Luther King: “Se o seu destino é ser varredor de rua, varra as ruas como Michelangelo pintava; varra as ruas como Beethoven compunha; varra as ruas como Shakespeare escrevia poesia. Varra as ruas tão bem que as hostes do céu e da Terra terão que parar e dizer: Aqui viveu um grande varredor de rua que fez muito bem o seu trabalho.” A identidade da sua alma é autenticamente sua. Apenas você pode desempenhar seu papel neste mundo. Ela é algo tão individual quanto uma impressão digital. A identidade da sua alma reside no âmago mais profundo de quem você é e permeia cada aspecto de sua vida. Eu sabia que tinha que voltar para casa, para um lugar onde a energia fosse compatível comigo. Deixei meus pais na Inglaterra e viajei para um ashram nos Estados Unidos, onde fiquei durante seis meses. Fazia serviço voluntário, trabalhando no preparo de gigantescas porções de comida vegetariana para as centenas de pessoas que estavam no retiro espiritual. Mas eu era um péssimo iogue. Todos os dias caía no sono durante a meditação matinal. Daquele jeito eu não conseguiria me tornar um guru. Estava com raiva, triste, sozinho e perdido. Todas as emoções que vinha sufocando todos aqueles anos vieram à superfície. Só que, mesmo assim, ainda havia algo extremamente reconfortante na energia daquela sala de meditação, porque ela me lembrava daquela parte da minha infância. Ali eu me sentia em paz. Quando saí do ashram, não tinha ideia do que fazer em seguida. Estava grato pelo tempo que passara lá, onde consegui me concentrar em mim mesmo e explorar minhas emoções, mas a vida no ashram não era para mim. Aquilo era uma fuga.

Estava com 20 e poucos anos e ainda em busca do meu lar. Se estivesse em algum lugar onde me sentisse em harmonia com a energia do ambiente, era uma entrega total, um relaxamento físico e emocional profundo. Mas, se estivesse num lugar onde a energia não tivesse nada a ver comigo, eu me sentia inseguro, sobrecarregado e assustado. Acho que todos nós passamos por isso, só que nem sempre percebemos o que está acontecendo. Nós não atribuímos essas sensações à energia. Não compreendemos que estamos desalinhados com a identidade da nossa alma e temos a tendência de culpar a nós mesmos e aos outros. Sem raízes, sem objetivos, emocionalmente instável, sem rumo, sem orientação nem incentivo, deixei Nova York e fui para Los Angeles. Eu estava me comportando como um animal na floresta, farejando para descobrir aonde deveria ir, agindo por intuição e instinto. Encontrei um pequeno apartamento perto de Venice, que dividia com um amigo, e frequentava um centro de meditação ali perto. Mas ainda não me sentia em casa. Estava esperando alguma coisa, embora não soubesse o que era. Eu não sabia que a espera também tinha uma função. Aquela espera não era uma espera. Eu estava aprendendo a lidar com tudo o que acontecia dentro de mim. Era uma pausa. Frequentemente confundimos uma pausa com um passo em falso. Porém aquilo não era um passo em falso. A pausa estava permitindo que todas as coisas falsas que eu havia acumulado em 23 anos começassem a se desintegrar. Eu tinha começado a eliminar toda aquela densidade vibracional – um termo que você irá conhecer bem ao longo deste livro – no ashram. Estava enfrentando toda aquela tristeza, as rejeições, traições, perdas, o sofrimento, a raiva e o medo que haviam feito parte da minha vida até então. E, depois que saí do ashram, não tinha como escapar desses sentimentos. Na verdade, eles começaram a se amplificar. Eu ficava confuso, porque minha antiga realidade estava se chocando com uma nova. Podia até avistar essa nova realidade, bem a distância. Mas não podia acessá-la completamente.

Ainda não. No réveillon de 2002, eu estava sozinho no meu apartamento em Venice. O cara que dividia o apartamento comigo tinha ido visitar a família durante as festas de fim de ano. Naquele lugar solitário, onde eu não tinha raízes, comecei a sentir uma onda de medo crescendo dentro de mim. Era a coisa mais intensa que já havia sentido e a sensação não ia embora. Em vez de recuar, apenas crescia, a onda subindo, subindo. Era como se houvesse outra presença no quarto e fosse impossível ignorá-la. Tentei dormir cedo, não tinha por que ficar acordado até o relógio marcar meia-noite. Mas eu estava uma pilha de nervos. Saí da cama, conferi se todas as portas e janelas estavam trancadas. Olhei até embaixo da cama, como uma criança com medo de bicho-papão. Parecia que todo o terror que eu já havia sentido na vida estava dentro de mim, me atingindo com uma onda atrás da outra. E, além dessas ondas, havia algo que parecia uma corrente elétrica. Quanto mais eu sentia medo, mais a eletricidade aumentava. Hoje sei que eu estava vivendo uma renovação vibracional completa, mas na época não sabia explicar com palavras o que estava acontecendo. Só sei que na hora parecia que meu mundo estava acabando. E, de certa forma, estava mesmo. Saí do apartamento, peguei meu carro e comecei a dirigir por Los Angeles. Mas eu não podia fugir daquilo. Estava comigo aonde quer que eu fosse. Por fim, dirigi de volta para casa e me deitei na cama com as palmas das mãos para cima. Não tinha conseguido dormir a noite toda e estava amanhecendo. A energia parecia se concentrar no meu coração. Pensei que poderia estar sofrendo um ataque cardíaco. Eu tremia sem parar – era minha identidade desmoronando.

Finalmente me rendi. Simplesmente desisti de lutar. E, nesse momento, o quarto inteiro se iluminou, do chão ao teto, com uma luz dourada. Parecia que eu estava pregado à cama por uma sensação de eletricidade que me cobria como uma onda enorme. A luz estava por toda parte, tão dourada que parecia quase branca. A sensação que emanava dessa luz se derramava sobre mim e de mim. Reconheci-a como amor, mas estava além de qualquer definição prática da palavra amor. Embora estivesse à minha volta, também estava dentro de mim. Meu medo e minha tristeza tinham ido embora. Haviam sido sistematicamente desmontados. Essa luz brilhante, esse amor – e isso eu entendi completamente – são o fundamento da nossa realidade. Na ausência do medo, essa luz, esse amor é o que veríamos o tempo todo. Levantei-me e saí do apartamento, em direção às ruas de Venice. Tudo reluzia – tudo mesmo: o lixo, os carros, os muros pichados, até o mariachi bêbado que sempre fazia péssimas serenatas em frente ao meu prédio. A luminosidade preenchia tudo e todos. De repente, senti que estava morrendo de fome e fui almoçar num restaurante mexicano. Até meu burrito estava luminoso. Então pensei na minha avó e na linguagem da minha infância, sua voz suave e delicada lendo as escrituras hindus. A fragrância de incenso na sala de meditação. Os raios do sol da manhã entrando pelas janelas. “O universo é o transbordar da majestade de Deus, o amor auspicioso, radiante e único. Todo rosto que você vê pertence a ele. Deus está presente em todos, sem exceção.” Graças àqueles anos da infância escutando minha avó, fui capaz de decifrar e compreender que estava experimentando a natureza infinita de Deus. Eu agora entendia que estava aqui para ser um mensageiro.

Essa era a minha essência. Minha singularidade. A identidade da minha alma. Quase perdi meu caminho, mas a identidade da minha alma estava esperando que eu a descobrisse. Agora – eu sabia – permaneceria alinhado com ela para todo o sempre. Estar alinhado com a identidade da sua alma deve ser a coisa mais natural do mundo, mas, mesmo assim, muitos de nós têm uma dificuldade imensa de conseguir isso. Alguns sequer têm noção da existência da identidade da sua alma. Por sermos humanos, sempre repletos de um complexo turbilhão de emoções, tendemos a rejeitar o nosso verdadeiro chamado porque o interpretamos de maneira errada. Pare e pergunte a si mesmo: é possível que, em algum momento, você tenha absorvido a mensagem – seja através de sua família, da sociedade ou de sua própria insegurança – de que você não é o bastante? Nós viramos as costas à essência de quem realmente somos, lá no fundo. E, ao agir assim, entramos diretamente na experiência do sofrimento e da falta. Nós nos desconectamos de nossa fonte mais verdadeira. Ficamos como filhotes de pássaro abandonados no ninho – não inteiramente formados, fracos, incapazes de nos alimentar ou de voar. Mas, quando conseguimos acessar e habitar a identidade única da nossa alma, nos tornamos completos. A aceitação de tudo que nós somos permite que a marca distintiva da nossa alma se amplifique até atingir sua maior expressão. Isso ocorre como uma série de mudanças sutis. A maioria das pessoas não vivencia isso como uma explosão de fogos de artifício. É mais suave e surpreendente. No momento em que somos capazes de nos conectar conscientemente com a identidade da nossa alma – no momento em que paramos de resistir à verdade da nossa natureza –, nossas vidas começam a mudar de uma forma que nem podemos imaginar. Este livro vai levá-lo por uma jornada de 33 dias. Você vai passar por um processo para se livrar de todas as camadas de emoções aprisionadas, uma após outra, que eu chamo de Detox da Densidade. Essa desintoxicação serve para quebrar a carapaça e liberar tudo aquilo que vinha impedindo o seu crescimento. Através de uma série de exercícios sistemáticos e meditações, você vai chegar a um conhecimento detalhado e íntimo de si mesmo. Vou lhe pedir que acolha todos os diferentes aspectos de si mesmo. Não tenha medo. Não vou exigir demais.

Você não vai ter que comer couve, ir para um ashram nem tomar alguma poção esquisita. Vou lhe pedir que de manhã, por apenas alguns minutos, concentre sua atenção nas emoções que estão bloqueando seu crescimento. Ao vivenciar essas emoções de forma fluente e segura, você vai começar a transitar através dos obstáculos e limitações que estão impedindo seu alinhamento com a identidade da sua alma. No momento em que se permitir olhar para si mesmo e aceitar tudo o que é, você vai encontrar a abundância, a beleza e a maravilha que estão à sua espera. Vou lhe pedir que, no meio do dia, passe através de um portal de experiência que lhe permitirá colocar à prova e aplicar sua nova consciência de si mesmo em sua vida cotidiana – para que você não apenas saiba, mas também vivencie esse conhecimento. Com seus novos recursos, você vai começar a aplicar essa consciência de uma forma bem concreta e prática. Através de uma série de insights e histórias da minha própria experiência e do meu trabalho com pessoas do mundo todo, vou ensinar-lhe a pilotar sua vida com essas novas ferramentas – uma prática observada hora a hora, dia a dia. Finalmente, vou lhe oferecer uma série de meditações e versos para serem lidos à noite, antes de dormir, que vão continuar a fazer efeito em você durante o sono – uma experiência emocional que o reconecta ao conhecimento mais profundo que está sempre dentro de você, um cobertor que o envolve e conforta, fazendo-o lembrar de sua verdadeira essência. O ideal é que você siga a sequência dos 33 dias exatamente como no livro. Se você se comprometer a seguir o processo na ordem em que foi criado, vai obter os maiores benefícios. Claro que algumas passagens farão mais sentido para você do que outras. Às vezes as circunstâncias da vida podem tornar o processo mais difícil. Se perceber que não consegue seguir o programa de 33 dias, não se torture por isso! Deixe que seu coração o guie delicadamente, porque essa é a essência da identidade da sua alma. Confie em seu coração. Abra uma página e leia o que está ali. Você vai descobrir o que precisa. Assim como eu agi quando era jovem, todos já nos rejeitamos de alguma maneira – rejeitamos a identidade da nossa alma. Todos já enfrentamos épocas dolorosas e solitárias. Mas isso é o sobe e desce das marés da vida. Nós nascemos voltados para a identidade da nossa alma. Na adolescência, muitas vezes nos rebelamos contra ela. Como jovens adultos, nós a rejeitamos porque acreditamos na nossa própria onipotência. Procuramos amor e aceitação nos lugares errados. Um dia – e você chegou a esse ponto agora – nós desistimos desse jogo e passamos a aceitar e gostar de quemrealmente somos, exatamente do jeito que somos. Começamos a abraçar a energia que nos criou.

E, ao fazer isso, a vida começa a desabrochar e a progredir em todos os aspectos. Afinal, sempre chega o momento em que você finalmente tem que ser bom o suficiente para si mesmo. Ser você é a bênção. Ser você é o milagre. Ser você é o suficiente. Ser você é a identidade da sua alma. Nota ao leitor Nós somos seres vibracionais. Habitamos um universo vibracional. Temos uma aparência de solidez, mas não somos realmente sólidos. Esse é um fato científico. A física quântica provou que a energia pode mudar de estado, de uma forma para outra – o que parece sólido na verdade é composto de partículas e moléculas em vibração. Nada é concreto. Tudo pode ser reconsiderado. Tudo! Estou prestes a mudar a forma como você enxerga a sua vida. Como somos seres vibracionais, as nossas emoções também são feitas de energia. Emoções são apenas energia em movimento. Quando reprimimos nossas emoções ou nosso conteúdo emocional, tudo o que estamos represando acumula peso, ou o que passei a chamar de densidade vibracional. Esse peso pode assumir várias formas, mas sempre bloqueia o brilho natural de seu espírito. Pense em como às vezes descrevemos nossas emoções: engolimos a raiva; seguramos as lágrimas; ficamos com um nó na garganta; sentimos o peito apertado. Achamos que tudo isso nos protege, mas na verdade o que estamos fazendo é manter escondido, atrás de uma parede, o melhor que podemos ser. Sabemos que somos capazes de algo mais, mas não sabemos como chegar lá. Assim como a água tanto pode se transformar em gelo quanto em vapor, a nossa energia também tem a habilidade de mudar de estado. Quando não deixamos nossas emoções fluírem, é como se estivéssemos nos enchendo de cimento. Ficamos tão repletos de tristeza, raiva, culpa, medo e vergonha que não sobra espaço para mais nada. Quanto mais pesados estamos, mais baixo é nosso nível vibracional – de conexão com os outros e com a vida; de alegria.

Quanto mais leves estamos – porque lidamos melhor com todas as emoções dentro de nós –, mais somos capazes de trazer às nossas vidas abundância, saúde, amor e profundidade. Este livro vai ajudá-lo a descobrir a identidade da sua alma. O primeiro passo é permitir que suas emoções fluam – de forma que se tornem a energia em movimento que elas são – para que você possa experimentar a plenitude, a unidade com a energia radiante, o amor puro que o Divino temreservado para você. Neste exato momento você está decidido a ser sua maior expressão, a identidade da sua alma. Tudo que aconteceu na sua vida serviu para trazê-lo até aqui. Este é o espaço em que você pode conhecer a verdade de que você é amor. Você é abundância. Você é saúde radiante. Você está profundamente conectado com o Divino. Não há nada – absolutamente nada – de errado com você. Você está pronto para viver em conexão absoluta e ininterrupta consigo mesmo. Você não é o que as pessoas disseram que era. Você percorreu sua trajetória da maneira que tinha que ser, e ela o trouxe até aqui. Agora está na hora de mergulhar em algo maior. Algo mais profundo e mais vasto. Meu maior desejo é que você se torne o amor que você já é e que vivencie esse amor em cada momento da sua vida, deste dia em diante. Saiba que estou aqui como seu amigo, para guiá-lo através de um método seguro e sistemático para desmontar as emoções e os processos de pensamento que o estão impedindo de se conectar coma identidade da sua alma. Esta é uma jornada mágica, poderosa. Venha comigo. É incrivelmente simples. A identidade da alma Dia 1 Medo Manhã Há uma razão para começarmos pelo medo. Frequentemente deixamos que o medo controle a nossa vida. Pense nisso. Nada – absolutamente nada – está errado, mas, por algum motivo, de repente você começa a ficar com medo de algo que ainda não aconteceu e provavelmente não vai acontecer. Sem ter por quê, você começa a se preocupar com as contas a pagar, começa a pensar de forma obsessiva sobre seu trabalho.

Talvez seu chefe não goste de você. Será que seu colega está sabotando você? Sua mente embarca nisso por algum tempo. É possível que seu medo tome a forma de preocupações com seus filhos. A nota 7 na prova de matemática do Davi pode ser o prenúncio de uma vida inteira de mediocridade. Sophia está com alguns problemas de pré-adolescência e você se preocupa que a autoestima dela possa ficar abalada para sempre. Ou então, claro, pode ser sua saúde. Você acorda certa manhã com dor de cabeça e tem certeza de que é um tumor. Dali a pouco, você está doente, desempregado, pobre e incapaz de sustentar a família – tudo isso dentro da sua cabeça. Sejam quais forem os seus medos em particular, eles o restringem e deixam o seu campo de energia estreito. Medo gera mais medo. Visualize a imagem de um jardim. O que acontece quando não arrancamos as ervas daninhas? Se não tomarmos conta, o jardim – todas aquelas roseiras, peônias e lírios cuidadosamente cultivados – cresce descontroladamente. As raízes ficam estranguladas, deixando de alimentar as plantas. Um dia, toda aquela beleza desaparece. O medo é uma energia. É uma experiência. Mas agarrar-se ao medo é uma característica exclusiva da espécie humana. Reflita sobre isto: todo ser vivo sente medo e logo depois se livra dele. Vacas, cervos, até ursos – todos sentem medo e seguem em frente. Mas nós, seres humanos, não. Nós acumulamos medo. Estocamos e armazenamos o medo em nossos corpos. Fazemos o maior esforço para provar a nós mesmos que o mundo não é um lugar seguro. Claro, existe uma função evolutiva para o temor – afinal, ele nos ajuda a sobreviver –, mas nós o deixamos fazer o que bem entende conosco. E aí esse medo nos mantémpresos no mesmo lugar.

Talvez permaneçamos em empregos insatisfatórios ou em relacionamentos ruins por medo de que algo maior e melhor não esteja em nosso caminho. E por todo o tempo em que fazemos isso, estamos invalidando o princípio universal do mais. A grama continua a crescer. Os rios continuam a correr em direção ao mar. Galáxias novas se formam. A vida parece ter sempre um jeito de continuar a evoluir para algo mais. Tudo na natureza confirma esse princípio. Precisamos encontrar nossa coragem, que, naturalmente, não é a ausência de medo, mas, sim, o desejo de ficar com medo e seguir em frente mesmo assim. O medo não mata ninguém. Ele é uma energia que podemos deixar passar através de nós. Cuide do jardim do seu inconsciente. Visualize-se numa casa cercada por um belíssimo jardim. O único problema é que o jardim foi tomado pelo medo. O medo – de perdas financeiras, de ficar sozinho, de doenças ou do que for – tomou a forma de ervas daninhas. Saia da casa e vá cuidar do jardim. Veja você ali, ajoelhado, com suas luvas de jardinagem, arrancando o medo pela raiz. O que temos aqui? Abandono? Traição? Rejeição? Morte? Tudo é uma questão de energia. Essa é uma ideia radical, eu sei, mas seus medos não podem machucar você. Arranque a primeira erva daninha. As ervas são a sua densidade vibracional. Pense nelas como um emaranhado de sujeira, cheio de nós. A sua história não importa. Os detalhes de quem, o que, onde, quando e por que não fazem diferença. Você está arrancando a energia do medo. Apenas a energia.

Quando esse emaranhado de nós é arrancado, de repente há espaço sobrando. Esse processo não vai ser necessariamente confortável. Mas pare por um momento. Como você se sente? Talvez agora tenha ainda mais espaço sobrando. Quem sabe aqui esteja o início de uma nova oportunidade? Com o tempo, saberemos. Quando prestamos atenção no medo, ele perde o poder que costumava exercer sobre nós. As ervas não são más ou ruins. Estão apenas ocupando espaço. Meio do dia Talvez você tenha lido a passagem “Manhã” sentado à mesa da cozinha, tomando café. Ou quem sabe já estivesse no metrô ou no ônibus. Onde quer que esteja agora, quero que treine seu coração e sua mente – sua consciência – para reconhecer a energia do medo toda vez que ela aparecer ao longo do dia. Sempre que o medo surgir dentro de você hoje – e, não se engane, em algum momento isso vai acontecer –, preste atenção nele. O medo é o seu ponto zero. Geralmente, lidamos com nossos medos diários de uma destas três formas: Nós fugimos. Nós o encaramos e lutamos. Ou congelamos. Você pode estar ansioso com o trabalho da faculdade que vai exigir a leitura de 200 páginas até amanhã ou com o resultado de um exame médico. Ou com o projeto da empresa que o obriga a deixar sua esposa e filhos e viajar para o outro lado do mundo a fim de fechar um contrato. O primeiro dia no emprego novo. Um primeiro encontro com alguém especial. Abrir uma conta que chegou pelo correio, apavorado com a possibilidade de não ter dinheiro para pagar. A vida e suas situações irão trazer à tona nosso medo; todas as vezes. E, quando isso acontece, a parte mais primitiva do cérebro assume o controle. A parte de nós responsável por lutar, fugir ou congelar vem da nossa resposta animal básica à energia do medo. Todos no mundo natural fazem isso na presença do medo.

Isso acontece mesmo que a ameaça não seja real. Nossos músculos se contraem. Nossa respiração se acelera. As palmas das mãos ficam úmidas. As pupilas se dilatam. Nosso fluxo sanguíneo deixa as extremidades e vai para o coração e os músculos. Então o que você faz? Você aprende a permitir. Você tem um lugar familiar onde costuma se refugiar quando está com medo. Conheça melhor esse lugar. Talvez seja um comportamento que se repita, que você use para compensar a presença dessa energia desconfortável. Talvez, no seu caso, seja a negação. Ou uma compensação egoica. Arrogância. Distração. Retraimento. Introversão. A geladeira. O bar. Todos temos nossos mecanismos de sobrevivência. No meu caso, fico logo irritadinho: Não se meta comigo! Volto a ser outra vez aquele garoto em Londres que teve que se fingir de valentão para sobreviver. Posso estar numa reunião de negócios, cercado de pessoas que sabem muito mais que eu sobre o assunto em questão, mas, se eu não gostar do rumo que as coisas estão tomando, tendo a cair novamente nessa falsa demonstração de força. Sinto como se eu precisasse ser um herói. Essa foi minha forma antiga de me adaptar para tentar sobreviver. Preciso aprender repetidamente a me flagrar agindo dessa forma e então parar. Confiar.

Perceber. E permitir que o medo corra através de mim como um rio em direção ao mar. Então, só por hoje, perceba qual é esse lugar para onde você costuma ir quando começa a ter medo. O seu ego tenta se reafirmar? Ou você tenta se esconder? Procura algo para se distrair? Fica alheio a tudo e se fecha completamente? Tenta anestesiar o medo? Você pega o cigarro, o celular ou checa a caixa de e-mail pela milésima vez? Ou talvez você prefira ignorar o sentimento. Enfiar a cabeça na areia e esperar o momento passar. Perceba. Fique atento. Hoje isso pode acontecer só uma vez ou 100 vezes. Não importa. Há umimenso poder na capacidade de se flagrar, de observar suas próprias respostas instintivas e seus comportamentos. E, quando você perceber, trate-se com amor absoluto. A consciência indica o fim da luta. Isso não significa que seu cérebro reptiliano não vá tentar se esquivar e escorregar para outra direção, como uma cobra. Mas, depois que estiver com a mente treinada para perceber o que o medo está fazendo, ele vai perder seu domínio sobre você. Noite Até agora, a força invisível do medo tem sido sua constante companheira. Ela determinou todas as decisões e direcionou todas as suas escolhas. É o nó em seu coração que o impede de amar completamente. Ela aparece em momentos cruciais para desviá-lo da pessoa que você sabe que é. É a voz dentro da sua cabeça lhe dizendo não. É o próprio som da derrota e rouba o que lhe é de direito. Rouba a sua própria vida. O medo já serviu para alguma coisa. Foi seu bom e velho amigo. Até este exato momento. Está na hora.

Assim como nos despedimos de um amigo, está na hora de agradecer. Chegou o momento de partir para um relacionamento maior, uma receptividade maior, uma expressão maior. Uma verdade maior. Está na hora de abraçar o medo – o velho amigo – e lhe dizer adeus. De dizer: Você esteve comigo durante muito tempo. Tem sido a voz na minha cabeça tantas vezes que já não reconheço nenhuma outra. Tem me protegido e me mantido em segurança. Mas agora já cumpriu o seu objetivo e chegou a hora de eu ir embora. Escolho me aventurar para além do seu domínio. Tenho a coragem para caminhar em direção ao desconhecido. Saúde seu medo por tudo que ele foi e por tudo que lhe mostrou. Agora, visualize de novo aquele lindo jardim que você imaginou hoje de manhã. Você e seu medo estão nesse jardim, um ao lado do outro. Com o coração cheio de gratidão, olhe ao redor. Veja o portão velho e enferrujado. Caminhe devagar pelo jardim verde até o portão e abra o trinco de ferro. Ao passar pelo portão, perceba como range ao se fechar atrás de você. Note como o trinco faz um clique ao se encaixar. Você agora está numa trilha calçada com pedras, o verde à sua volta ainda mais viçoso, tudo florido. Você ainda nem sabia que esse mundo além da cerca do jardim existia. Faz uma pausa por um instante. Vira-se e olha para trás. Sente alguma dúvida neste momento? Quem você vai ser na ausência de seu velho amigo? Você não sabe. Não pode saber. Mas está disposto a descobrir.

Diga adeus a essa energia do medo que o manteve seguro, mas pequeno. Diga adeus a essa energia que o mantinha carente, que foi um grande peso e o colocou para baixo mesmo quando dava a impressão de lhe oferecer apoio. Perceba agora que o jardim está vazio. Considere a possibilidade de que talvez ele sempre tenha estado. Viu? Não tem ninguém lá.

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