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A Libertacao da Bela – Anne Rice

A pós seu sono centenário, a Bela Adormecida abriu os olhos com o beijo do príncipe, apenas para se ver despida de suas roupas e com seu coração, assim como com seu corpo, sob o domínio de seu libertador. De uma só vez, Bela foi declarada escrava sexual nua do príncipe e levada para o seu reino. Com o consentimento cheio de gratidão de seus pais e tomada de desejo pelo príncipe, Bela foi então conduzida à corte da rainha Eleanor, mãe do príncipe, para ser mais uma entre as centenas de príncipes e princesas nus que os ser- viam, distrações da corte até o momento em que deveriam ser recompensados e enviados de volta aos seus reinos. Inebriada pela severidade do salão de treinamento, do salão das punições, pelas provações da senda dos arreios e por sua própria paixão crescente pelo príncipe, Bela se estabeleceu como a favorita do príncipe e deleite de sua por vezes senhora, a adorável jovem lady Juliana. Mesmo assim, ela não conseguia ignorar seu encantamento secreto e proibido pelo sensual escravo da rainha, príncipe Alexi, e depois pelo escravo desobediente, príncipe Tristan. Após ver o príncipe Tristan entre aqueles que caíram em desgraça no castelo, Bela, no que pareceu um momento de inexplicável rebeldia, atraiu para si a mesma punição destinada a Tristan: ser expulsa da voluptuosa corte, rumo à degradação do trabalho pesado numa vila próxima. EmA punição da Bela Vendido na praça de leilões da vila ao amanhecer, Tristan logo se descobriu amarrado e arreado à carruagem de um belo e jovem senhor, Nicolas, o cronista da rainha. E Bela, obrigada a trabalhar na pensão da senhora Lockley, tornou-se a distração do capitão da guarda, o mais importante hóspede da pensão. Mas com o passar dos dias de sua separação e venda, Bela e Tristan foram ambos seduzidos pela implacável disciplina da vila. Os doces terrores da praça das punições públicas, a loja das punições, a fazenda e o estábulo e a noite dos soldados na pensão os excitavam tanto quanto os atemorizavam, fazendo com que se esquecessem totalmente de quem realmente eram. Mesmo o severo julgamento do escravo fugitivo, príncipe Laurent, seu corpo atado à cruz da punição para exibição, apenas serviu para provocá-los. E, conforme Bela se glorificava em castigos finalmente condizentes a seu espírito, Tristan se apaixonou perdidamente por seu novo senhor. Apesar de todas as intempéries, os dois se encontraram e um confessou ao outro sua felicidade desavergonhada. Porém, logo depois um bando de poderosos soldados inimigos atacou a vila, sequestrando Bela e Tristan, entre outros escravos — inclusive o príncipe Laurent -, para levá-los por mar à terra de um novo senhor, o sultão. Algumas horas após o ataque, os príncipes e princesas capturados souberam que não seriamresgatados. Em virtude de um acordo entre seus soberanos, foram condenados a servir no palácio do sultão até a hora em que seriam devolvidos em segurança à rainha para julgamento posterior. Mantidos em grandes gaiolas de ouro penduradas no navio do sultão, os escravos aceitaram seu novo destino. Conforme continua nossa história, é noite no silencioso navio e a longa viagem se aproxima de seu fim. E o príncipe Laurent está sozinho com seus pensamentos sobre a sua escravidão… PRISIONEIROS NO MAR Laurent: Anoitecera. Mas algo mudou. Tão logo abri meus olhos, soube que estávamos nos aproximando da terra firme. Mesmo no silêncio sombrio da cabine, eu podia sentir o cheiro das coisas vivas no continente. E então a jornada está chegando ao fim, pensei. E finalmente saberemos o que nos aguarda nesse novo cativeiro, em que estamos destinados a estar ainda mais baixos e mais abjetos do que antes. Estava tão aliviado quanto assustado, tão curioso quanto cheio de temor.


E pela luz da única lanterna noturna, vi Tristan deitado, porém desperto, seu rosto tenso enquanto perscrutava pela escuridão. Ele também sabia que a viagem estava quase acabando. Entretanto, as princesas nuas ainda dormiam, parecendo bestas exóticas em suas gaiolas de ouro. A pequena e provocante Bela era uma chama amarela em meio à escuridão, o cabelo ondulado e negro de Rosalynd cobria suas costas alvas até a curva de suas pequenas e roliças nádegas. E acima, a alta Elena, de estrutura óssea delicada, dormia de costas para baixo, seu liso cabelo castanho desembaraçado sobre o travesseiro. Carnes encantadoras, essas três, nossas delicadas amigas prisioneiras: os pequenos e bemdesenvolvidos braços e pernas de Bela implorando para serem apertados enquanto ela permanecia aninhada em seus lençóis. A cabeça de Elena jogada para trás no total abandono do sono, suas longas pernas esbeltas bem abertas, um joelho contra as barras da gaiola. Rosalynd se virou quando olhei para ela, seus grandes seios caindo gentilmente para a frente, os mamilos cor-de- rosa escuros e eretos. E à minha mais distante direita, Dmitri, de cabelos negros, competindo com o loiro Tristan em beleza muscular, seu rosto estranhamente frio em repouso, apesar de, durante o dia, frequentemente ser o mais gentil e conformado dentre todos nós. Nós, príncipes, tão enjaulados quanto as mulheres, provavelmente não parecíamos mais humanos nem menos exóticos. E cada um de nós usava uma malha rígida e pequena coberta de ouro entre as pernas, que nos impedia o mais breve exame de nossos próprios órgãos famintos. Acabamos conhecendo bem uns aos outros durante as longas noites no mar, enquanto nossos guardas não estavam perto o bastante para ouvir nossos sussurros. E em nossas horas silenciosas de reflexão e sonho, talvez tenhamos conhecido melhor a nós mesmos. — Você sente isso, Laurent? — sussurrou Tristan. — Estamos perto da costa. Tristan era o mais ansioso, o que mais lamentava o senhor que deixara para trás, Nicolas, e ainda por cima observava tudo à sua volta. — Sim — respondi sob minha respiração, com uma rápida olhada para ele. Um lampejo de seu olho azul. — Não falta muito. — Eu só espero… — Sim? — disse de novo. — O que há para se esperar, Tristan? — … que eles não nos separem. Não respondi. Me reclinei para trás e fechei os olhos. De que adiantava falar sobre isso quando em breve tudo seria revelado? E não podíamos fazer nada para alterar o que quer que fosse. O que quer que aconteça — comentei sonhadoramente -, estou feliz que a viagem tenha acabado.

Estou feliz por logo termos algum uso novamente. Depois dos testes iniciais de nossa paixão, não fomos mais usados por nossos captores. E ao longo de quinze dias fomos torturados por nossos próprios desejos, os assistentes pueris apenas sorrindo gentilmente para nós e rapidamente atando nossas mãos quando ousávamos tocar os revestimentos da malha que aprisionava,nossas partes íntimas. Todos sofríamos da mesma forma, parecia, sem nada que nos distraísse no cativeiro do navio a não ser a visão da nudez dos demais. E eu não podia evitar me perguntar se esses jovens cuidadores, tão atenciosos em todos os detalhes, percebiam o quão implacavelmente fôramos educados nos apetites da carne, como nossos senhores e senhoras na corte da rainha nos ensinaram a desejar até mesmo o estalo do cinto para aliviar o fogo dentro de nós. Nem a metade de um dia da antiga servidão se passou sem um meticuloso uso de nosso corpo, e até mesmo o mais obediente de nós recebera constantes castigos severos. E aqueles enviados do castelo à penitência da vila tampouco conheceram um breve descanso. Mas aqueles eram mundos diferentes, como eu e Tristan frequentemente concluíamos durante nossas conversas noturnas sussurradas. Tanto na vila quanto no castelo, era esperado apenas que disséssemos, se tanto, “Sim, meu se- nhor” ou “Sim, minha senhora”. E recebemos ordens expressas e fôramos enviados de vez em quando para fazer serviços desacompanhados. Tristan até mesmo tivera longas conversas com seu querido senhor, Nicolas. Mas fôramos avisados mesmo antes de deixar os domínios da rainha que esses serviçais do sultão nos tratariam como se fôssemos animais mudos. Mesmo que conseguíssemos compreender seu estranho idioma estrangeiro, nunca falariam conosco. E na terra do sultão, qualquer vil escravo do prazer que falasse mereceria imediata e severa punição. Os avisos se provaram verdadeiros. Durante toda a viagem, fomos afagados, acariciados, apertados e conduzidos em gentil e condescendente silêncio. Quando, por desespero e tédio, a princesa Elena falou alto, implorando para que a tirassem da gaiola, foi rapidamente amordaçada, seus tornozelos e pulsos atados às suas pequenas costas, seu corpo, que se contorcia, suspenso no teto da cabine. E lá permaneceu, os assistentes a olhando com o semblante fechado, chocados e ultrajados, até que ela desistira de seus protestos em vão e abafados. E depois fora trazida para baixo com extrema gentileza e cuidado. Os lábios silenciosos dela foram beijados, seus doloridos pulsos e tornozelos receberam óleos até que as marcas vermelhas das amarras de couro tivessem desaparecido. Os jovens meninos com robes de seda até mesmo pentearam os cabelos castanhos de Elena, macios e cheios de brilho, e massagearam suas nádegas e costas com seus dedos fortes, como se irascíveis bestinhas como nós devessem ser amainadas em suas maneiras. É claro, pararam tão logo perceberam que a suave sombra de pelos castanhos ondulados entre as pernas de Elena estavamúmidos, e que ela não podia evitar mover os quadris contra a seda do colchão, tão excitada que estava pelo toque deles. Com pequenos gestos de repreensão e meneando as cabeças, eles a fizeram se ajoelhar, segurando seus pulsos novamente enquanto encaixavam em sua pequena vagina a inflexível cobertura de metal, com as correntes que circulavam suas coxas apertadas firmemente. Então fora instalada novamente em sua gaiola, braços e pernas atados às barras com grossas fitas de cetim. Ainda assim, essa demonstração de paixão não os enfurecera.

Pelo contrário, acariciaram o sexo úmido dela antes de cobri-lo, sorrindo para ela como se para aprovar seu calor, sua necessidade. Do mesmo jeito, todo o lamento do mundo não despertara a piedade neles. E o restante de nós apenas observara em um silêncio libidinoso, nossos próprios órgãos famintos pulsando em vão. Eu queria escalar a gaiola dela e arrancar o pequeno escudo de malha de ouro e apunhalar com meu pênis o pequeno e úmido ninho feito para ele. Queria abrir a sua boca coma minha língua. Queria espremer seus seios com minhas mãos, sugar os pequenos mamilos cor de coral, e vê-la corada pelo prazer vibrante enquanto eu a conduzia até o fim. Mas esses eram sonhos dolorosos. Elena e eu podíamos apenas olhar um para o outro, enquanto acalentávamos em silêncio a esperança de que cedo ou tarde nos seria permitido o êxtase dos braços um do outro. A delicada e pequena Bela era ainda mais intrigante, e a robusta Rosalynd, com seus grandes olhos pesarosos, absolutamente voluptuosa, mas era Elena quem tinha toda essa inteligência e desdém sombrio pelo que ocorrera conosco. Durante nossas conversas sussurradas, rira de nosso destino, jogando seus pesados cabelos sobre o ombro ao falar. Quem já teve três alternativas tão maravilhosas, Lautent? perguntou. — O palácio do sultão, a vila, o castelo. EstOU dizendo, em qualquer um deles posso encontrar prazeres para me satisfazer. Mas, querida, você não sabe como será no palácio do sultão — respondi. — A rainha tinha centenas de escravos nus. Na vila havia centenas em serviço. E se o sultão tiver ainda mais do que isso… escravos de todos os reinos do leste e do Oeste, tantos escravos que pode usá-los como descanso de pés? Você acha que ele tem? — perguntou Elena excitadamente. Seu sorriso se tornou charmosamente insolente. Que lábios úmidos, e que lindos dentes. — Então temos que achar um jeito de nos destacarmos, Laurent. — Ela apoiou o queixo na mão. — Não quero ser apenas mais uma entre mil príncipes e princesinhas sofredores. Temos que nos certificar de que o sultão saiba quem somos. — Idéias perigosas, meu amor — respondi quando não podemos nem falar com ninguém e ninguém pode falar com a gente, quando somos mimados e punidos como simples bestinhas. — Vamos achar um jeito, Laurent — disse ela, com uma piscadela maliciosa.

— Você já deixou que alguma coisa te assustasse antes? Você fugiu só para saber como seria ser capturado, não foi? — Você é muito perspicaz, Elena. O que te faz pensar que não fugi por medo? — Sei que não foi por isso. Ninguém nunca fugiu do palácio da rainha por medo. Sempre é motivado pelo espírito de aventura. Comigo foi assim, sabe. Esse foi o motivo pelo qual fui sentenciada à vila. — E valeu a pena, minha querida? — perguntei. Ah, se eu pelo menos pudesse beijá-la, fazer com que ela despejasse sua impetuosidade em minha boca, beliscar seus pequenos mamilos. Era uma enorme crueldade eu nunca ter sequer chegado perto dela durante nossos dias no castelo. — Sim, valeu a pena — respondeu Elena, pensativa. Ela estava na vila havia um ano quando o ataque aconteceu, uma escrava de fazenda do lorde Mayor, trabalhando em seus jardins, procurando por ervas daninhas no gramado com os dentes, de quatro, o jardineiro um homem corpulento e severo que sempre tinha um chicote nas mãos. Mas eu estava pronta para algo diferente — disse Elena, virando-se de costas, deixando que suas pernas se separassem, como sempre fazia. Eu não conseguia parar de olhar para os espessos pelos castanhos de seu sexo sob a proteção entrelaçada de ouro. — E então os soldados do sultão vieram, como se eu os tivesse convocado com minha imaginação. Lembre-se, Laurent, temos que fazer alguma coisa para nos destacarmos dos demais. Eu ri sozinho. Gostava de seu entusiasmo. Mas naquele momento eu gostava de todos eles: Tristan, uma encantadora mistura de força e carência, que suportava seu sofrimento em silêncio; e Dmitri e Rosalynd, ambos contritos e dedicados a agradar, como se tivessem nascidos escraV O S , em vez de na realeza. Porém, Dmitri não conseguia controlar sua agitação ou sua luxúria, não conseguia se manter quieto para receber a punição ou ser usado, embora sua mente estivesse repleta de nada além de bons pensamentos a respeito de amor e submissão. Passara sua curta sentença na vila exposto no pelourinho na praça das punições públicas, aguardando suaS C hicotadas na plataforma giratória pública. E Rosalynd também não conhecia algo parecido com controle ao menos que estivesse acorrentada. Ambos esperavam que a vila purgasse seus medos, permitisse a eles servir com a elegância que admiravam nos outros. Quanto a Bela, bem, perto de Elena, era a mais encantadora, a escrava mais incomum. Ela parecia fria, ainda que fosse inegavelmente doce, atenciosa e rebelde. De vez em quando, durante as noites escuras no mar, a flagrava olhando para mim por entre as barras de sua gaiola com uma enigmática expressão em seu pequeno e forte rosto, seus lábios se afastando facilmente em umsorriso quando eu devolvia o olhar.

Quando Tristan chorava, ela dizia suavemente em sua defesa: — Ele amava seu senhor. — E encolhia os ombros como se achasse isso triste, mas incompreensível. — E você não amava ninguém? — perguntei a ela uma noite. — Não, não de verdade — respondeu. — Apenas outros escravos uma vez ou outra… — E veio o olhar provocante que fez com que meu pau despertasse na mesma hora. Havia algo de selvagemnela, algo intocado, em toda a sua aparente fragilidade. Entretanto, de vez em quando, parecia incomodada em sua resistência. — O que significaria amá-los? — perguntara uma vez, quase como se conversasse consigo mesma. — O que significaria entregar completamente meu coração? As punições, eu amo. Mas amar um dos senhores ou das senhoras… — De repente, pareceu assustada. Isso a perturba — respondi, demonstrando compreender. As noites no mar tinham seus efeitos sobre todos nós. O isolamento tinha seu efeito em todos nós. Sim. Desejo algo que ainda não encontrei — sussurrou. Nego, mas desejo isso. Talvez seja porque não encontrei um senhor ou uma senhora apropriados. O príncipe real foi quem trouxe você para o reino. Com certeza você o considerou um senhor verdadeiramente magnífico. Não, de forma alguma — respondeu Bela distraidamente. Mal me lembro dele. Ele não me despertava nenhum interesse, sabe. O que aconteceria se eu fosse subordinada e alguém que me interessasse? — E seus olhos exibiram um brilho estranho, como se vislumbrassem pela primeira vez todo um novo reino de possibilidades. Não posso lhe dar essa resposta — disse, sentindo-se subitamente perdido. Até aquele momento eu estivera certo de que amara minha senhora, lady Elvera.

Mas agora já não tinha tanta certeza. Talvez Bela falasse de um amor melhor e mais profundo do que eu jamais conhecera. O fato era: Bela me interessava. Ela, que se deitava fora de meu alcance em sua cama de seda, seus membros despidos tão perfeitos quanto uma escultura na semiescuridão, seus olhos cheios de segredos revelados pela metade. Ainda assim, todos nós, apesar de nossas diferenças, nossas conversas sobre amor, éramos verdadeiros escravos. Isso era certo. Fôramos expostos e inalteravelmente transformados por nossa servidão. Não importavamnossos temores e conflitos, não éramos aqueles seres constrangidos, pasmados de antes. Nadávamos, cada um em seu próprio ritmo, na deslumbrante corrente do tormento erótico. E deitado, ao refletir, procurava entender as importantes diferenças entre a vida do castelo e a vida na vila, e tentar adivinhar o que esse novo cativeiro no sultanato nos prometia

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