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A orquidea e o serial killer – Juremir Machado da Silva

A burocracia avança. Franz Kafka não poderia imaginar que ela superaria o que ele retratou com perfeição nas suas obras-primas. Nem me refiro à incrível tentativa de se obrigar o eleitor a usar dois documentos para votar. Primeiro tirou-se a fotografia do título do eleitor. Depois se descobriu que sem fotografia não há documento de identificação que seja válido. A burocracia avança. Outro dia, fui cortar o cabelo. É um dos momentos mais dramáticos da vida de um homem normalmente constituído como eu. De cara, a moça da recepção pediu os meus dados. Para cortar o cabelo? Sim. Tive de entregar nome, endereço, e-mail, telefone e cep. Meu Deus, por que preciso mesmo declarar o cep para cortar o cabelo? Uau! Por fim, implacável, a moça pediu-me para olhar para a câmera e sorrir. Tive de tirar foto para cortar o cabelo! Tentei argumentar que seria melhor tirar a foto depois do corte, pois eu estava horrível. Não teve jeito. Aí, ela chamou pelo alto-falante a cabeleireira. Eu sempre me apavoro nessa hora. A moça veio. Era bonita. Pediu que eu a acompanhasse. Preparei-me para o momento mais delicado. Mal sentei na cadeira, ela disparou a pergunta que desestrutura: “Então, como vai ser?” Tenho vontade de sair correndo. Como é que vou saber? Respondo com um fio de voz: “Bem baixinho, normal”. Ela rebate: “Normal como? Baixinho como?” Insisto: “Baixinho, baixinho”. Ela volta ao ataque: “Nesta mesma linha?” Linha? Que linha? Estou todo desgrenhado. Onde é que ela está vendo alguma linha? Começa o corte.


Baixo a cabeça. Lá pelas tantas a tortura recomeça: “E deste lado como vai ser?” Tudo o que desejo é que tome as decisões por mim. Afinal, ela é a especialista. Procuro me controlar. Perco um pouco a linha: “Bem curtinho, que demore bastante até precisar cortar de novo”. Ela ri. É bonita. Sou um grosso. Mas também depois de ter sido fotografado e ter declarado meu cep para cortar o cabelo, convenhamos, estou abalado. Ah, esqueci: ela me perguntou, antes da primeira tesourada, se eu queria lavar. Lavar para quê antes de cortar? Não entendo. Depois, até pode ser, embora eu sempre recuse por não ver a hora de sair correndo. O meu maior medo é que, no arremate, ela ainda me pergunte: “Vai querer uma ampola?” Que diabos é essa ampola? Ufa! Ela não fez isso. Foi piedosa. Era boa pessoa. Talvez eu retorne lá dentro de seis meses. Será que terei de atualizar meu cadastro? A burocracia avança. Há evidência disso em todos os lugares, câmeras por todos os lados. Até em salão para cortar o cabelo. Sorria, você está todo escabelado. Deve ser isso que o genial Michel Foucault chamou, em Vigiar e punir, de capilarização do poder. É o pan-óptico. Ouviram falar do pan-óptico? Procurem no google. O google é o pan-óptico. Franz Kafka nunca teve de declarar o cep para cortar o cabelo.

Jamais precisou andar com dois documentos na carteira. Chegamos ao estágio superior da burocratização da vida, a burocracia capilar. A vida anda por um fio. Só mesmo a calvície salva da burocracia. JÚPITER E PLUTÃO Existiu um gênero chamado “roman à clef”. Assim mesmo, em francês. Cabia ao leitor usar a chave, decifrar os enigmas, identificar nos personagens pessoas reais. Farei uma crônica “à clef”. Cada umque tente saber de quem estou falando. Não será fácil. Falarei de um lugar dividido em dois planetas, Júpiter e Plutão. O povo de Júpiter se acha o centro da galáxia. Júpiter, de fato, é grande. Mas seus habitantes são mesmo megalomaníacos. Para eles, obviamente, só Júpiter existe. Plutão, não. Até foi rebaixado. Deixou de ser planeta. Um jupiteriano, quando encontra alguém de Plutão, pergunta complacente: “E aí, por onde tens andado?” Se ouve, porém, a mesma pergunta, fica ofendido e não se contém. Responde assim: “Ora, que pergunta é essa? Em que mundo tu vives, meu?” Júpiter ignora Plutão. Tem muita gente de Plutão, contudo, que sonha em ir para Júpiter. Todo ano, tem feira do livro num planeta diferente. Gente de Júpiter e de Plutão acabam por se encontrar nalguma mesa. O cara de Júpiter olha para o de Plutão e lasca: “E aí, não vais lançar nada neste ano?” O plutoniano se contrai. Está lançando quatro livros.

Como é que outro não sabe? Ou é sacanagem? Tem plutoniano que cai na rede e dá o serviço. Outros, mais espertos, respondem sorrindo: “Pois é, nada mesmo, estou dando um tempo, acho que larguei”. E saem para a sessão de autógrafos lotada. Os jupiterianos estão convencidos de que todo plutoniano é ressentido e invejoso. Os plutonianos acham que todo jupiteriano é autocentrado e meio bobalhão, mesmo ganhando pouco. O jupiteriano se caracteriza por vestir a camiseta da empresa. Acredita que é indispensável. Ama o seu patrão. O jupiteriano sempre faz perguntas negativas: “Não estás mais escrevendo todos os dias?”, “não tenho te lido mais, paraste?”, “ainda continuas na luta?” Se alguém diz que não lê o jornal de Júpiter, o jupiteriano exclama indignado: “Só pode ser preconceito!” Não lhe passa pela cabeça que a pessoa possa estar satisfeita com o jornal de Plutão. Jupiterianos, no fundo, são de Marte. Plutonianos são de Vênus. Um jupiteriano legítimo vive com a cabeça nas nuvens. Não por sonhar demais. Por se achar muito elevado. Os plutonianos não tiram os pés da terra. Levam a vida do que jeito que ela se apresenta. É muito comum um jupiteriano sugerir a um plutoniano, como algo absolutamente original e revolucionário, que faça uma coisa que o plutoniano fez dois ou três anos antes. Ao final da conversa, o jupiteriano se retira como quem deixa um paciente no hospital: “Ainda te levo para Júpiter”, diz. Muitas vezes, acontece o oposto: um jupiteriano desembarca em Plutão. Parece outra pessoa. Vem mais humilde, mais humano, mais informado. Fala coisas assim: “Fiquei sabendo do teu lançamento. Vou lá”. Em termos sociológicos, para um jupiteriano falta legitimação a todo plutoniano. Em termos antropológicos, para um plutoniano falta senso de realidade ao jupiteriano.

Em termos terrenos, o plutoniano pensa com seus botões: quanto maior a altura, maior o tombo. UM MOTIVO JUSTO Estou ficando velho. Gosto de contar algumas histórias muitas vezes. Por exemplo, a história de quando eu morava na França e matava grandes intelectuais. Lembram-se? Liquidei pelo menos três grandes filósofos: Félix Guattari, Gilles Deleuze e Jean-François Lyotard. Não sinto o menor remorso, embora gostasse deles, especialmente de Lyotard. Ele me fazia achar, com sua capacidade de dar sentido a qualquer frase torta, que eu era genial. Também já contei isso. A coisa se passava assim: eu ligava para um intelectual, marcava uma entrevista e, antes do encontro acontecer, o sujeito morria. O primeiro foi Guattari. Marquei com ele e fui para a Grécia. Um dia, faltando acho uma semana para a entrevista, comprei um jornal francês e vi que o entrevistado já não estava mais disponível. Fulminante. O segundo foi Deleuze. Ele se suicidou. Jogou-se pela janela um ou dois dias antes da nossa entrevista. O caso mais marcante foi o de Lyotard. Fomos até a casa dele na data marcada. Ninguém atendeu. Voltamos tristes e surpresos. Começamos a falar mal dos franceses. Assim: eles também não são perfeitos. Eles também marcam, somem e não avisam. No pega pra capar, todos são iguais. Aí tocou o telefone.

Era a mulher do Lyotard. Ela me disse algo assim: “Sinto muito por meu marido não ter podido recebê-lo. Ele morreu”. Fiquei, por um segundo, atônito. Por fim, tive vontade de responder: “Eis um motivo mais do que justo”. Felizmente essa frase estúpida não me saiu da boca. Dei-lhe meus pêsames. Sempre fico constrangido na hora de dizer “meus pêsames”. Quero falar algo melhor, mais original, mais autêntico, mais meu. Não sai nada. Por que estou contando isso de novo? Porque me dei conta de que esses pensadores estão cada vez mais mortos. Deleuze vive no Rio de Janeiro e em Buenos Aires. Lyotard sobrevive em algumas universidades. Guattari é um fantasma. O sujeito constrói uma obra imensa, gasta seus melhores anos tentando compreender o mundo, atola-se em polêmicas terríveis e, poucos anos depois de morto, já não passa de um documento histórico. Estou exagerando? É possível. Será que eles não foram tão importantes? Foram. São. Mas não se chora por eles a cada ano como se chora por Ayrton Senna. Como compreender essa faceta da “sociedade do espetáculo”? Eu só encontro uma explicação: quemnos distrai é mais importante do que quem nos examina, interpreta, desvenda, revela ou explica. Neste mundo passageiro, queremos ser distraídos com aquilo que podemos compreender. Para isso serve o esporte. Legal? Não sei. E se a nossa obsessão pelo esporte fosse um sintoma da nossa incapacidade de compreender algo mais profundo? Sei, é uma hipótese banal e elitista. Que tal o contrário: e se a nossa paixão pelo jogo fosse a expressão da nossa certeza de que as tentativas de filosofar sobre o homem não passam de uma literatura fadada ao fracasso? Sei, hipótese velha e populista.

Amanheci kantiano: que podemos saber? Que devemos fazer? O que podemos esperar? Mais: quem somos? Para onde vamos? AS CAMADAS DA ALMA Quantas são as camadas da alma? Pressupondo-se que a alma exista e que tenha camadas, quantas são elas? É um bom tema dominical. Diz-se que a primeira pessoa a falar em camadas da alma teria sido Cong Li Hui, há 2.800 anos, tendo sido a primeira mulher filósofa, antecipando-se em alguns temas a Lao Tsé. Não posso garantir a veracidade dessa informação. Tenho dúvidas sobre a existência real dessa pensadora mítica e mística, que poderia ser apenas um sonho do Borges argentino ou do cego Borges, de Palomas, que costumava sonhar acordado com os sonhos do outro Borges, o escritor de alma portenha. Não entrarei em discussões etimológicas. Alma vem do latim “anima”. Os gregos falavam em “psy-khé”. Em hebraico, tem “nefesh”. São nove as camadas da alma? Cong Li Hui parece que via a alma como uma cebola. Como todos sabem, a cebola é originária da Ásia central, tendo chegado ao Ocidente através da Pérsia e da África. Disseminou-se no Brasil, assim como o pensamento de Cong Li Hui, pelo Rio Grande do Sul. Não brinquem com a cebola. Na Índia, ela pode ser sagrada. Existem seitas de adoradores da cebola. Ramakrisha compara a cebola com a estrutura do ego, podendo ser decomposta, camada por camada, até o vazio e à fusão com Brama. Atualmente há muita fusão de acepipes acebolados com Brahma (Kaiser e outras também). Embora resulte muito vazio (de copos e garrafas), a concepção não parece ser a mesma. Não consegui apurar a relação de Freud com a cebola. Deve ter sido de rejeição, transferência ou gula. Certo é que a alma é uma cebola. Não estou falando da alma no sentido cristão desse termo. Cong Li Hui entendia que a vida se divide em várias etapas ou camadas. Cada camada retirada produziria lágrimas, inclusive lágrimas de prazer. Deve derivar daí a nossa inclinação para frases do tipo “viver é como cortar cebola, a gente chora, mas goza também”.

É possível que Cong Li Hui, se realmente existiu, tenha sido uma cozinheira de mão cheia (de cebolas) ou uma simples dona de casa tentando entender o seu universo. O passado oriental é sempre terrivelmente misterioso. Há pensadores pagãos que consideram a cebola um poderoso afrodisíaco, especialmente por causa do cheiro. Outros, como Cong Li Hui, acreditam, à maneira de Claude Lévi-Strauss, que não inventou o jeans nem foi vendedor de calças, que o fundamental na cebola é a sua capacidade de fazer pensar. O que faz pensar é bom? Tudo faz pensar. Tudo é bom. Para pensar. A alma faz pensar. Onde está? Como se abriga no corpo? Para onde vai? Remexer na alma pode irritar os olhos. O gosto pela cebola costuma aguçar-se com a velhice, como se o paladar exigisse, com o passar do tempo, manifestações cada vez mais sensíveis da alma dos alimentos. Cong Li Hui teria dito: “A alma é como uma cebola, perde a acidez depois de algum tempo cortada”. Não sei. Os meus conhecimentos sobre a cebola são limitados. O que me preocupa é a alma. Só posso repetir com o poeta Fernando Pessoa: “Tudo vale a pena quando a alma não é pequena”. Inclusive cortar cebola. IMAGENS DO FUTURO Domingo é ótimo para reflexões sobre o futuro. Aconselho refletir pela manhã, antes do churrasco e da caipirinha. Tem muita gente preocupada com o futuro do livro impresso. Será que vai desaparecer? Fiquem calmos, o que pode desaparecer é a escrita. Estão achando que eu já bebi a caipirinha? Nada disso. Estou lúcido e em pleno domínio das minhas faculdades mentais, que podemnão ser muitas, mas funcionam normalmente. O filósofo tcheco Vilém Flusser (1920-1991), que foi professor da Universidade de São Paulo, publicou um livro com este sugestivo título: A escrita – há um futuro para a escrita?. Como veem, não sou o único louco deste mundo. Já no primeiro parágrafo, Flusser dispara um míssil: “Parece não haver quase ou absolutamente nenhum futuro para a escrita, no sentido de sequência de letras e outros sinais gráficos.

Hoje em dia, há códigos que transmitem melhor a informação do que o dos sinais gráficos. O que até então foi escrito pode ser mais bem transportado por fitas cassetes, discos, filmes, fitas de vídeo, disco de vídeo (CD-ROM) ou disquetes”. Flusser não viveu o suficiente para ver fitas cassetes, disquetes e fitas de vídeo tornarem-se obsoletos. A tecnologia deu mais um salto. A escrita serviu durante séculos como memória, tendo o papel como seu melhor suporte, e como forma de expressão superior. Está superada nisso tudo. Os dispositivos tecnológicos de memória atuais podem armazenar imagens e sons emquantidades infinitas, permitindo o famoso “entrar com busca” para localizar o que se quiser. Muitas empresas já prescindem do papel, gravando as conversas com os ajustes de contratos feitos com seus clientes. Alguns cargos ainda se mantêm como vestígio do passado: taquígrafos, digitadores em sessões legislativas e audiências de tribunais de justiça e outros profissionais que ainda sobrevivemda escrita como memória, ainda que o suporte seja cada vez menos o papel. Filme de terror? Não. Evolução. Na internet, ainda se usa muito a escrita, mas cada vez mais a comunicação pode ser feita por som e imagem. Aquilo que a imagem não diz, a voz completa. Torpedos vocais são mais rápidos que torpedos digitados. Será que voltaremos à oralidade? A escrita também teve uma função expressiva e artística importante. As novas gerações, educadas pelo som e pela imagem, expressam-se artisticamente através de filmes, canções, vídeos e fotos cada vez mais baratos e fáceis de produzir. Até pouco tempo, produzir imagens em movimento era muito caro. Tornou-se barato. Está ao alcance de qualquer um. Com a internet, acabou o monopólio da emissão. Todo mundo pode ser emissor. Cada um é dono do seu meio de comunicação. O que pode salvar a escrita? O fato de a leitura exigir um investimento cognitivo maior? Pode ser. Mas ainda falta provar isso cientificamente. Pelo jeito, vamos resolver definitivamente o problema do analfabetismo.

No futuro, seremos todos analfabetos. Só leremos imagens e sons. TEM ALGO ERRADO? Por que os habitantes do planeta vermelho são verdes? A questão é bizarra. Acontece que o bizarro parece estar levando vantagem em tudo. Como explicar a um marciano, verde ou vermelho, que, no Brasil, quem ganha salário-mínimo deve se virar sozinho, mas quem ganha mais de R$ 20 mil, dependendo da sua função, recebe auxílio-moradia? Como explicar a um marciano que, nos Estados Unidos, os muito ricos pagam menos impostos do que os menos ricos, chegando a acontecer de o empregado pagar mais impostos do que o patrão? Como explicar ao marcianinho que professores têmseus pedidos de aumento reduzidos ao mínimo por parlamentares que tratam de elevar ao máximo os seus proventos, sendo que esses parlamentares são eleitos também por esses professores? Como explicar ao extraterrestre que o judiciário brasileiro leva em consideração aspectos éticos e morais quando julga casos alheios, buscando interpretar o espírito da lei, mas só considera se é legal ou não, friamente, quando se trata do seu interesse? Como explicar ao visitante que, na oposição, um partido condena uma política qualquer e, instalado no poder, pratica-a sem o menor constrangimento e até com volúpia? Como explicar ao pobre marciano que haja dinheiro para construir vários estádios de futebol e outras obras faraônicas e sempre faltem leitos nas emergências dos hospitais? Deve ser por isso que são vistos tão poucos marcianos na área. Eles certamente cansaram de ouvir explicações furadas e desistiram de vir para cá. Marcianos são muito cartesianos, seres de antolhos, lineares, bitolados, e não entendem nossa complexidade. Como explicar a um marciano que um deputado gaúcho que vá passar o dia em Bento Gonçalves tenha direito a diárias sem necessidade de comprovar o gasto, bastando uma nota de um cafezinho para provar que a viagem aconteceu? Marcianos são certinhos e acham que cada centavo público não gasto deve ser devolvido imediatamente. Jamais um marciano participaria de um esquema de caixa dois, muito menos carregaria dinheiro na cueca, ainda que exista dúvida sobre o uso de cueca entre os marcianos, especialmente entre os que atuam em cargos públicos. Marcianos são chatos e inflexíveis. Não conseguem entender que um assassino pego em flagrante responda em liberdade e menos ainda que fichas sujas sejam eleitos. É difícil saber que tipo de civilização existiria aqui se os marcianos tomassem conta do planeta. O mais provável é que tudo continuasse igual. Marcianos são vulneráveis. Deixam-se, depois de algum tempo, contaminar pelos valores dos lugares que visitam. Consta que os marcianos estão proibidos de descer em Brasília. Aqueles que desobedecem são obrigados a ficar de quarentena antes de voltar para casa. Difícil mesmo é explicar a um marciano o poder de José Sarney. É algo que lhes parece coisa de ET. Nunca em Marte um menino de dez anos atirou na professora e depois se suicidou. Marte é umlugar que não existe. A realidade é aqui. Será que tem algo errado? Ainda haverá tempo para melhorar as coisas?

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