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A Republica dos Corvos – Jose Cardoso Pires

São Vicente, para ser São Vicente e entrar na História como entrou, teve necessidade de dois corvos para o acompanhar que, por sinal, lhe foram sempre fiéis até hoje. Ora, duma ave como esta, tão convivente e tão enigmática, conta-se muita coisa. A própria Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, depois de muitos rodeios, afirma que o corvo é velhaco e ladrão, e isto, bem entendido, com a devida consideração pela agudeza e pela independência no trato que toda a gente lhe reconhece. “Caguei para a Enciclopédia”, diz o Corvo. E para comprovar alça a cauda e, zás, despede umesguicho de caca esbranquiçada. Caca esbranquiçada numa criatura tão negra é que ninguémesperava. O corvo em questão chama-se Vicente. Puseram-lhe um nome de santo, que mais quer ele, mas nem assim se mostra lá muito reconhecido. Pertence a uma das últimas tascas de Lisboa, daquelas que antigamente, além do vinho, vendiam também carvão, pitrol e molhinhos de carqueja, mas isso foi há muitos anos, na idade do fogareiro e do candeeiro de chaminé, e nessa altura ainda ele não era nascido. Ou talvez fosse, com os corvos nunca se sabe. Há quem afirme que chegam a durar eternidades. Na porta ao lado da tasca estabeleceu-se há muito tempo uma mulher que vende ovos e criação, sentada numa cadeira de balouço. O Corvo conhece-a, por acaso até a visita. Diz-se que matou o marido com gemadas envenenadas, se é que ela alguma vez teve marido, mas de concreto o que se sabe e está à vista é que passa os dias amarrada à cadeira a fazer malha com um certo ar irado. Parece uma gata gorda de bigodes assanhados, uma bichana doméstica que preenche o tempo a dar à agulha e a contar um dois três laça, um dois três mate, para se esquecer de outros tempos. Mas isso não passa de aparência porque, coitada, o que a consome é aquele coração que Deus lhe deu, umcoração tão grande e universal que não lhe cabe no corpo. Daí estar sempre no cadeirão a balouçar, a balouçar, como se procurasse dar ar ao peito ou, então, como se tomasse balanço para se projectar pelos ares, rumo a Deus Nosso Senhor. Nas suas voltas diárias o Corvo nunca se esquece de ir cumprimentar a galinheira que o trata sempre com grande estima, oferecendo-lhe pedaços de tripa e outros desperdícios das aves que estão penduradas no tecto. “Olá, freguês”, cumprimenta-o ela, assim que o vê saltitar no degrau da porta. Dão-se muito bem, sempre se deram muito bem um com o outro. Dum modo geral a galinheira recebe-o com um sorriso e muda logo para o trágico, levando a mão ao peito e voltando os olhos para o céu: “Sabes, vizinho, este meu coração…” Com isto quer dizer muita coisa, o Corvo sabe. Angina de peito, tonturas, medicações. O Corvo sabe, o Corvo sabe. Faltas de ar, também. Um dois três mate, um dois três laça, ultimamente as faltas de ar têm sido constantes, e a infeliz balança no cadeirão verdadeiramente angustiada.


O Corvo, ouvindo-a sempre com a maior atenção, remata toda as vezes da mesma maneira: “Deixe lá, vizinha, deixe lá, que mais dia menos dia todos os males da gente têm fim”, e ela então deixa descair os bigodes e perde-se, resignada, a olhar através da porta o largo das Freiras Descalças que lhe fica mesmo em frente. O largo das Freiras Descalças, com a capela e o hospital do mesmo nome, está sempre a arrulhar de pombas brancas. O Corvo quando não tem mais que fazer ou quando os clientes da tasca o começam a azedar com parvoíces vai até lá. Vai por ir, só para chatear. Só para criar alvoroço nas mimosas de pena virgem que se passeiam no empedrado a dar à cabecinha. É claro que as pombas quando o vêem aproximar-se abrem logo alas a passo corrido e de peito levantado porque não confiam lá muito no olhinho libertino que ali vem, mas ele avança a direito, luzidio e muito senhor. À passagem deixa cair um ou outro galanteio a esta e àquela. “Sua galdéria”, “Sua aluada”, mas nunca se vira para trás, é o viras. Ouve-as rolar suspiros e a tremer a asa, encandeadas certamente com o seu perfil negro espelhado de reflexos azuis; ouve-as todas saltitantes a azougadas, e quando chega ao outro lado do largo volta-se para as olhar de frente: Então que é isso, meninas? Na taberna alguns bebedores mais vivaços tentam meter conversa com ele. Começam por lhe perguntar o nome, é o costume, e acabam por lhe chamar Vicente, outra parvoíce. “Vicente?” pergunta um dia um fulano a fazer-se surpreendido. “Se calhar ainda pertence à família dos que andavam atrás do santo, ou é confusão minha?” Confusão, uma porra. O Corvo, que é taberneiro por convivência com o dono, conhece todas as velhacarias do vinho e como, ainda por cima, é ateu praticante, a conversa do Santo Vicente e dos corvos de Lisboa fá-lo virar as costas, enojado. Desde que se conhece nunca lhe faltaram doutores a provocá-lo com olhares e a falarem para a assistência em corvos históricos do brasão de Lisboa e noutras fábulas correlativas. Ao cabo e ao resto estes fala-baratos nunca variam no mandar vir. Descrevem invariavelmente o esqueleto do mártir São Vicente a chegar a Lisboa, por inteiro e muito compostinho, numa barca guardada por dois corvos, consoante se pode ver no brasão da cidade. Dois corvos, um à proa, outro à ré, foi neste preparo que o santo arribou ao Tejo, dizem eles, e isso depois de ter navegado uma data de séculos pelos mares da eternidade. Mares da eternidade? Mas que é isso, eternidade? Para o Corvo Taberneiro a estória do cadáver já bulia de bichos podres e cheirava mais que pior; acredite-se ou não, só à custa de muito vinho e de muita paciência é que era possível engolir uma aldrabice de tamanha enormidade. Mas há pior, o Corvo conhece pior. Há um sacristão da capela do Hospital das Freiras Descalças que afirma que os ditos pássaros do São Vicente ainda estão vivinhos e de boa saúde e quem os quiser ver que vá aos recantos românicos da Sé, que é lá que eles estão aninhados desde a altura do milagre, continuamente embalados por um coro de chantres e de meninos de igreja. Isto ouviu o Corvo da taberna com os ouvidos que a terra lhe há-de comer, e não se admirou nem contradisse. O sacristão, sempre que envereda pelo vinho, dá-lhe para ser franciscano, irmão dos pássaros, dos anjos e dos peixes-voadores, só para comover a audiência e o Corvo em particular. Não sabe, o parvo, que o Vicente tem tamanho pó a certos pássaros que até as asas se lhe encrespam quando os ouve nomear. “Este gajo, se pudesse, comia-me com penas e tudo”, rosna ele a meio bico, lendo o brilho piedoso que baila nos beicinhos do sacristão. Está farto de corvos históricos, está farto da barca do São Vicente que anda a navegar de boca em boca sempre que se fala de Lisboa, está farto de a ver por toda a cidade com aquelas duas aves desavergonhadas, desenhada em estandartes, talhada na pedra dos chafarizes públicos, reproduzida em porta-chaves e em guias turísticos, recortada em chapa de ferro nos candeeiros das avenidas engalanadas.

Farto dessa fantochada, pois então, fartíssimo. Por outro lado, como corvo legítimo que é, acha uma realíssima estupidez terem-lhe posto aquele nome, Vicente para aqui, Vicente para ali, Vicentes eram todos os corvos que havia nesta Lisboa, ora merda. Empoleira-se no tonel mais alto da casa para se manter afastado da ignorância descarada que tomou voz ao balcão, mas o sacristão de vinho franciscano sobe permanentemente de tom e não pára de fabular. Está com uma diarreia de língua que não há milagre que a estanque, e o mais chato é que se repete, igualzinho, de dia para dia. Agora conta a Parábola do Santo e dos Peixes, que, julga ele, é mais uma das tais, das franciscanas. O Corvo Taberneiro sabe-a de cor, era uma vez um Santo António que andava descalço pelo mundo a pregar aos animais, e, pronto, a estória começava assim. Daí em diante o santo viajava por montes, por vales e por desertos, era incansável, e quando queria fazer um milagre erguia os olhos a Deus Nosso Pai Misericordioso e brotava-lhe uma flor de sangue do corpo que o tornava iluminado e já não era preciso mais nada para arrumar fosse o que fosse. O sangue, esclarece o sacristão, não se declarava sempre no mesmo sítio, era uma espécie de chaga repentina que tanto podia aparecer na palma da mão, se fosse para deter a tempestade, como no lado do coração para ordenar arrependimento, como na sola do pé para abrir caminho através das águas ou do fogo. E assim por diante, o sacristão enumera sempre os mesmos casos possíveis, mas o Corvo já nem regista. Regista, sim, a maneira assaz cruel e exemplar como o Pregador se fez mártir ao falar um dia aos peixes do Amazonas. Aí, chiça, o caso era de arrepiar. Deus ter-lhe-ia ordenado “Vai e Prossegue”, e ele, por confusão ou qualquer outro deslize, em vez de prosseguir no discurso, julgou que tinha recebido ordem para atravessar o rio e logo lhe despontou no pé o tal sangue que apartava as águas. Feliz e radioso, meteu-se muito pronto à corrente e foi um ar que lhe deu, porque lhe caíram em cima cardumes de piranhas atraídas pelo sangue. Dantes a parábola acabava aqui, as vorazes piranhas encarregavam-se de dar sumiço ao Pregador, e ámen, o resto era lá com Deus. Mas desta vez o sacristão ainda tem qualquer coisa a acrescentar, qualquer coisa de muito ensinamento que muda o rumo da estória. Conta que o corpo do mártir, embora entregue às piranhas, ficou intacto por fora como que reduzido a uma figura oca. Deste modo, durante anos e anos foi visto a deslizar pelo rio em imagem serena e luminosa, transportando dentro de si os peixes assassinos. Mais um cadáver a boiar, pensa o Corvo como resumo. Depois do São Vicente de Lisboa tinha tocado a vez ao Pregador do Amazonas, dois mártires desnorteados, qualquer deles. Com isto ficava provado que o sacristão quando se entorna esvoaça de abutre enxertado de albatroz, porque só vê cadáveres navegantes por toda a parte. Ora, se há coisa para que o Corvo Taberneiro não tem qualquer vocação é para aturar bêbados. Muito menos bêbados franciscanos, que esses então solfejam cá um trinar que deixa qualquer ouvinte desasado. Pela parte que lhe toca, o Corvo acha que já ouviu o suficiente e põe-se a coçar as penas, lá no alto do tonel. Depois vai até à porta ver em que param as nuvens. Em frente, no largo do hospital, passa uma freira de bicicleta a levantar uma revoada de pombas.

Como uma bruxa imaculada a cavalo numa vassoura, pensa o Corvo. E abre o bico para o ar, enfastiado. Enfastiado ou a bocejar? Tlão, tlão − é o sino da capela a tocar. Lá vai a freira de bicicleta, armada em pomba do Espírito Santo, lá vai ela. E o sacristão também já devia estar ao altar para a receber, só que esta tarde deu-lhe para catequizar bêbados e tão cedo não vai deixar a taberna nem à mão de Deus Padre. Ai, ai, muitas penas tem o Corvo no seu triste labutar. As deste são cada vez mais escuras e mais pesadas, à medida que o sol vai baixando. Pesadíssimas. Quando está assim, desiludido com o mundo, a primeira coisa que lhe lembra é passar pela vizinha galinheira. Sabe que a vai encontrar a fazer malha e a balançar no cadeirão matriarcal à sombra de galinhas e de patos degolados. Malha para as crianças desvalidas, é o passatempo da mulher. Sobrevoada por cadáveres depenados, produz gorros, casaquinhos e abafos de berço numa lã angorá tão mimosa que faz lembrar a penugem dos pintainhos, um dois três laça, um dois três mate, então por cá, vizinho? O Corvo salta o degrau, e ela, sem parar de balouçar, estende o comprido gancho com que desprende os galináceos lá do tecto e enfia-o no balde dos desperdícios. Tira de lá o seu pedacinho de enxúndia, a sua sobra de tripas, a sua crista de galo, que são primores que o Corvo Taberneiro muito aprecia. Enquanto ele come, a lastimosa suspira e conta trivialidades − “Ai”, diz ela. O ai da galinheira serve para tudo: se lhe sai do coração, é um lamento, mas também pode ser rejeição enojada, quando dito com um voltar de cabeça, ou vislumbre de espanto divertido, se os bigodes indicarem que sorri. Ai, menino, diz ela às vezes para o Corvo em momentos de maior intimidade. Apesar de lastimosa, dá realmente gosto ouvi-la conversar com muitas malhas pelo meio porque é senhora dum coração universal que abrange todas as criancinhas desamparadas e todos os animais da natureza com excepção das aves de capoeira que, palavras dela, não reconhecem quem as trata nem nunca deram lucro ao comércio. A esses bicos junta o porco que também não é da sua devoção mas por outras razões. Na realidade, o porco, o suíno, como ela prefere chamar-lhe, um dois três laça, um dois três mate, ai, o suíno é um animal campesino que não olha a luz do sol. Não tem ideologia, o suíno. Tem o chamado olho porcino e se ainda guarda algum respeito por Deus é porque nunca o encontrou. No resto segue a direito, come tudo o que lhe vier ao dente, até cadáveres, e diz que cada qual faz pela vida. O porco sabe que é porco mas não se importa e se alguma vez mandasse no mundo, um dois três mate, o mundo, um dois três laça, era governado à trombada. “Sume-te porco sujo”, remata a galinheira. “Eu cá conheço um porco chamado Senhor João”, diz o Corvo Taberneiro, sem parar de debicar.

“De Lisboa ou da província?” pergunta a galinheira e leva logo a mão a tapar a boca, arrependida: “Ai, vizinho Corvo, a gente hoje está de todo, Deus nos perdoe”. Suspende-se uns momentos, muito séria, a olhar para longe com as mãos esquecidas sobre a malha. A pensar em quê? Em Deus? Provavelmente em recordações sombrias que só ela sabe. “Enfim”, suspira, e agarra-se outra vez às agulhas. Sossego na loja, sossego lá fora. Um cadeirão incansável, a balançar como se fosse a vencer ondas. A sombra dela no chão. A aumentar e a encolher em compasso lento, um, dois. O rádio da taberna a derramar sons esfarrapados pela rua. “Ontem vi-te no Palácio de Sintra”, diz a galinheira sem levantar os olhos da malha. “A mim?” pergunta o Corvo. “A ti, a ti, escusas de disfarçar. Andavas a passear no tecto duma sala, então eu não sei?” O Corvo fica de bico aberto, pasmado. “No tecto duma sala? No Palácio de Sintra?” Bem, no Palácio, propriamente no Palácio, foi uma maneira de dizer, porque infelizmente a galinheira quase não pode sair daquele cadeirão. Viu-o, de facto, mas foi em fotografia. “Impossível”, contesta o Corvo. “Aí há confusão com certeza.” A galinheira solta um risinho divertido: “Ui, ui, confusão nenhuma. Vi-te lá, menino. Estavas pintado em diversas posições num tecto muito bonito e devo dizer-te que te achei parecidíssimo. Aquilo se não eras tu era um filho teu por uma pinta. Tens filhos, vizinho Corvo?” Só agora é que o prevenido Corvo percebe que a galinheira estava a improvisar, a debicar conversa em entretenimento de boa-fé. Nenhum motivo, portanto, para que ele ficasse melindrado, dir-se-á. E no entanto ficou. Ficou e continuará a ficar por muito tempo porque sabe perfeitamente que o palácio a que a senhora se referiu não tem corvos, tem pêgas, e confundir duas personalidades tão distintas revela, com as devidas desculpas, uma lamentável ignorância.

Ignorância ainda mais lamentável por ter saído da boca duma comerciante de aves. Que o pintor dos pássaros tivesse ficado entre uma coisa e outra, vá lá, compreendia-se. Há muito troca-tintas que pinta o que lhe vem à cabeça e depois põe-lhe o nome que lhe dá na gana. Mas uma galinheira? Então isso admite-se? O Corvo Taberneiro está deveras desgostoso. Sinceramente. Sempre ouviu dizer Sala das Pêgas e não Sala dos Corvos quando se fala de Sintra. É assim em todos os postais, em todos os álbuns e em todas as fotografias, incluindo a que foi parar às mãos da vizinha. O Corvo, apesar de mais que habituado às lendas e às aldrabices que se contam a seu respeito e da sua tribo, ficou realmente muito sentido com esta desatenção da galinheira. Ninguém gosta de ser desfeiteado, o caso é esse, e, posto isto, adeus vizinha e até à próxima, que este seu amigo vai ver se espairece para outro lado. Segue ao acaso, pelo entardecer, sem norte nem tempo fixo. Vadiar, chama-se àquilo. Arejar a cauda. A desfeita que a galinheira lhe fez deixou-o engalinhado, é caso para dizer. E agora, poucas ruas mais à frente, é um cão que se mete com ele, só lhe faltava mais essa. “Vai bardamerda”, atira-lhe então sem o olhar; e segue. O outro, cão velho e lazarento, fez de conta que não ouviu por uma questão de orgulho. É ummonte de ossos coberto de moscas mas, mesmo naquele estado, ainda se lembra de ser cão. Não pensa, o estúpido, que se um corvo é capaz de fazer frente a um milhafre ou a um falcão, com mais facilidade cairia em cima dum escanzelado como ele, cravando-lhe as garras nos lombos até o deixar feito em tiras. O corvo é bicho de coragem, dizem os livros, e este, embora de asas cortadas por sacanice do tasqueiro com quem vive, defende a sua liberdade por ser muito avisado e saltador. Em menos de nada atravessa uma rua, em menos de nada já está de poleiro, a olhar; tão depressa corre como salta, e neste momento aponta aos barracões da beira-Tejo que ao cair da tarde estão necessariamente sem ninguém. Sossego, é do que ele mais precisa e para isso vai no bom caminho. Comércio quase todo já fechado, gente a caminho de casa sem tempo para se intrometer com quem passa, autocarros a cumprirem horários, a maré baixa da cidade, uma cidade a escoar-se para os dormitórios. Ouve-se um barco a roncar algures no rio. Nisto, o Corvo salta para um pequeno relvado aos pés dum monumento, e no relvado descobre, o quê?, uma moeda. Prata a luzir, o que ele gosta disso.

Rapidamente, deita-lhe o bico e procura um sítio para a enterrar. Um corvo, como qualquer cidadão, tem todo o direito a brincar com o dinheiro, não é assim? “Desconfio que andas perdido”, diz uma voz avinhada que parece vinda do Além.

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