| Books | Libros | Livres | Bücher | Kitaplar | Livros |

A Ruiva misteriosa – Ruiva – Vol 1 – Alice Clayton

– Você sabe que já te vi pelada antes, né? – grita Holly atrás da porta do quarto. – Sim, querida, mas já faz um tempo. Acho que você não está preparada para isso. – Você quer dizer: ‘‘não acho que você esteja preparada para minha bunda enorme’’? – Você realmente acabou de dizer isso para uma garota seminua? Esperava mais de você. Você vai me deixar complexada. Idiota. – Quanta dureza, Grace. – Foi isso o que ela disse – resmunguei. – Uau, – escuto-a dizer, rindo discretamente. Estava no processo de tentar colocar minha bunda dentro de um jeans novo, com a cintura tão baixa que poderia até ser uma ilegal. – Pronto, – anunciou Holly – vou entrar. Não estou nem aí, Grace! Ela entrou rapidamente pela porta, parando repentinamente quando viu que eu estava fazendo um esforço na cama. Eu estava deitada, estirada nos lençóis, com um charmoso sutiã de renda cor de pêssego, com metade da porcaria da calça jeans que ela me convenceu a comprar, apesar de eu saber que, de nenhum modo, estava jovem o bastante para conseguir usá-la como ela deveria ser usada. Holly sempre conseguiu me convencer a fazer coisas que ela queria que eu fizesse (com a desculpa de que sabia o que era melhor para mim). Mas o pior de tudo é que ela quase sempre estava certa. – Lindos peitos – disse ela, apreciando meu sutiã – Será que preciso pegar um conjunto de alicates para puxar esse zíper? Não vimos isso acontecer uma vez em algum filme? – refletiu ela, mudando de assunto. – Isso, isso, vimos num filme… pode me dar uma mãozinha? Estou dando uma visão geral aqui. Queria que a menina voltasse a ficar escondida – respondi, tentando ficar na cama neste ângulo estranho. – Posso ver isso. Tudo bem, segure sua respiração – advertiu ela e agarrou os botões da minha calça jeans. Eu puxei com toda minha força e, finalmente, conseguimos fechar o zíper, deixando-me sem ar. – Deus do céu. Acho que meu útero acabou de sair. Lá se vai ele – resmunguei. Não conseguia acreditar no quanto essa calça era apertada, apesar de estar me sentindo superorgulhosa por estar vestindo-a.


Senti uma empolgação, um espírito de “vai nessa”, mas isso também pode ter sido a falta de oxigênio da cinta de brim que está agora restringindo meu suprimento de ar. As pessoas ainda dizem “vai nessa”? Acho que tenho que pensar em outra tirada. Holly me ajudou a sair da cama e me virei para admirar como este jeans fodão caía em mim, pensando que talvez eu ficasse muito bem nele. Algumas vezes, eu me olhava no espelho e tinha que olhar duas vezes para garantir que aquela era eu. Ela viu que eu estava me analisando e riu. – Você está parecendo ser bem atrevida, amiga. Eu, com certeza, te comeria. – Isso é encantador, Holly. Muito obrigada – sorri para ela enquanto continuava fazendo poses para o espelho. Comecei a dançar vogue e acabei dando gargalhadas. – Grace. Recomponha-se. Vogue é… bem, é errado. Nunca há uma boa razão – riu ela, fazendo um sinal de aprovação com seu polegar, ao sair do quarto. Recentemente, perdi um pouco de peso. Na verdade, estou mais magra agora do que quando estava na faculdade. Holly estava orgulhosa por mim e me dizia isso frequentemente. Holly Newman e eu nos conhecemos na faculdade. Enquanto nós duas nos especializávamos em teatro, ela sempre soube que preferia o mundo dos bastidores, principalmente o ramo dos negócios, e eu era boa em fazer drama. Durante o período que passamos juntas na faculdade, fizemos planos para quando conquistássemos o mundo do entretenimento. Ela teria sua própria agência e gerenciaria somente os melhores talentos, trabalharia com artistas que compartilhavam a mesma visão criativa que ela tem. Eu, no entanto, tinha estrelas em meus olhos e queria ficar famosa, famosa, completamente famosa. Ela foi para a costa oeste seis meses antes de mim, e, quando finalmente cheguei lá, ela já estava progredindo como uma agente júnior em uma das maiores empresas da cidade. Ela tinha uma aptidão natural para gerenciar artistas, sabia quando devia ser rigorosa ou quando devia mimá-los. Sabia quando realmente devia lutar por seus artistas e quando era melhor preparar o espaço para projetos futuros.

Quando cheguei, ela tinha conseguido um emprego temporário para mim na agência, e eu ficava impressionada como ela ciculava naquele mundo que, na época, ainda era dominado por homens. Devido ao cabelo dourado perfeito, à aparência fantástica e à sensibilidade elegante de Holly, toda hora perguntavam-na a razão dela trabalhar nos bastidores ao invés de estar em frente às câmeras. A garota era muito atraente. Mas ela sempre ria e dizia “Não é meu estilo”, e depois trabalhava mais do que todo mundo para fazer valer sua boa reputação. Quando me mudei pela primeira vez para Los Angeles, amei. Fui morar com Holly, comecei a ter aulas de atuação, trabalhei na agência com ela e ainda servia mesas à noite em um restaurante em Santa Monica. Eu realmente achava que estava vivendo aquele estilo de vida hollywoodiano que sempre sonhei em ter. Após aproximadamente seis meses, Holly convenceu seu chefe que eu devia fazer uma leitura e ser levada em consideração para representação. Eu estava preparada, sou boa com leituras, minhas fotos estavam impecáveis… então, esperei. E esperei. E esperei mais um pouco. Finalmente, decidiu-se que iam me aceitar se Holly concordasse em me inscrever pessoalmente como representação individual. Ela começou a me mandar para fazer audições e eu as fiz. Caramba, eu fiz audições pela porra daquela cidade inteira. Eu era muito boa, assim como todo mundo. Não consegui um único trabalho. Ninguém te diz, quando você nasce no Centro-Oeste, a anos luz de distância de Los Angeles, que, ao se mudar para Hollywood, todo mundo é a próxima Miss Superimportante. Achamos que somos as mais bonitas, que somos especiais, as únicas que realmente têm o necessário para se sair bem. Achamos que nossos talentos são únicos e verdadeiros, achamos que temos algo para compartilhar com o mundo e não conseguimos entender o porquê de não estarmos agendando trabalhos a todo instante. A verdade é que, em Los Angeles, não basta apenas ter um rostinho bonito, já que retoques podem ser feitos. Não basta apenas ter um corpo razoavelmente bom, pois toda a população já mudou algo em lugares inimagináveis. Não bastam apenas umas risadinhas e jogadas de cabelo ou ser o alvo das brincadeiras, pois outra pessoa já tem este posto. Todas as pessoas que se mudam para Los Angeles a cada ano, quase na mesma proporção que vão embora, mancando para suas cidades como pobres coitados, contando suas estórias de “Eu morei na Califórnia” durante festas com seus antigos amigos do ensino médio. Eu me tornei um desses pobres coitados — consegui ficar em Los Angeles por apenas dezoito meses. Eu meio que fugi, sentindo-me como uma fracassada pela primeira vez na minha vida.

Saí da cidade e a indústria me venceu. Mas agora eu voltei. Demorei dez anos para conseguir voltar e desta vez… não vou a nenhum outro lugar. * * * * Holly estava dando uma festa na sua casa para comemorar o lançamento de sua nova empresa de gerenciamento. Ela havia acabado de deixar um cargo muito alto em uma grande agência e convidou todos seus amigos mais próximos e diversos atores e atrizes que ela representava. Alguns escolheramficar com a outra agência, mas ela era tão boa em construir uma carreira, especialmente com talentos novos, que muitos escolheram segui-la. Desde que voltei a viver em Los Angeles, estou morando com ela, na casa das colinas. Ela conseguiu se dar muito bem e tem uma ótima casa ao lado da Mulholland Drive, com vista para a cidade. Isso nos leva à calça jeans ilegal. Sendo uma mulher de trinta e três anos com alguns problemas de imagem corporal preexistentes, estava tentando entrar na mentalidade necessária para navegar nesta festa com essa calça. Combinei o jeans ilegal com uma blusa turquesa, um pouco mais conservadora, sem mangas, e coloquei meus pés em uma sandália peep toe bem bonita. Meus dedos do pé tinham um belo decote. Meu cabelo estava solto, o que é raro, mas Holly proibiu qualquer tipo de rabo-de-cavalo nesta noite. Saímos hoje à tarde para arrumarmos nossos cabelos, e meu cabelo ruivo estava cheio de cachos leves bagunçados. Aquele cabeleireiro realmente mereceu o que ganhou, e mesmo eu tive que admitir que os cachos eram dignos de um comercial de xampu. A festa estava bem agitada e todos estavam se divertindo. Holly contratava apenas os talentos que realmente queria para investir, então, eles acabaram se tornando amigos próximos. Eles sempre estavam na casa dela, e seu círculo tinha se tornado o meu círculo de amigos. – Grace, você não pode estar falando sério. Feldman é muito mais gostoso do que Haim. Estava tendo uma conversa séria com Nick, um roteirista que Holly conhecia há anos. Ele havia se tornado um dos meus novos amigos desde que voltei e podia contar com ele como um bom companheiro em uma festa. Nesta noite, estávamos muito envolvidos nos dirty martinis. Superfortes. Ele estava esperando um ator chegar, Holly havia acabado de começar a representá-lo, alguém que aparentemente seria o próximo grande sucesso.

Ainda tinha que conhecê-lo, embora Nick já tivesse falado que ele era “delicioso, saboroso… um pouco sujo, mas de um jeito excitante” (palavras dele). Também tinha sotaque britânico que era “adorável”, “irresistível” e soava como “me jogue e me coma”. Sim, Nick é “gay”… – Tudo bem – comecei – Vou concordar que Corey Feldman estava genial nos Goonies e um pouco fofo em Conta Comigo, mas ninguém chega aos pés do meu Lucas – protestei, determinada a ganhar desta vez. Tínhamos acabado de ter uma conversa semelhante sobre Steve Carell contra Ricky Gervais, que não terminou muito bem. Alguém levou um arranhão. Escutei um riso reprimido atrás de mim e alguém falando com um “adorável” sotaque britânico: – Acho que você tem que dar vantagem a Haim, pelo menos por ele ter beijado Heather Graham. Eu me virei para verificar o evidente recém-chegado genial que conhecia Sem Licença para Dirigir, quando consegui ver quem era. – Ei, você é o Cientista Supersexy! – falei muito alto, colocando minhas mãos sobre a minha boca assim que disse isso. Instantaneamente, senti que meu rosto havia ficado vermelho. Holly tinha uma imagem de um cara em seu computador e falou sobre ele durante o mês inteiro, chamando-o de Cientista Supersexy. Este era seu novo cliente — o próximo grande sucesso. Ele é o ator principal de um filme que vai estrear no outono, mas que já está criando uma grande repercussão na cidade. Não sabia muito sobre o filme, mas sabia que Holly estava bem empolgada em poder representar este novo ator. O Cientista Supersexy deu um sorriso confuso e um pouco encabulado. Será que ele sabia o quanto aquele sorriso era sexy? Ah claro, ele com certeza sabia. Ele esticou uma mão para mim e, com aquele inglês da Rainha, disse: – Na verdade, é Supersexy Jack Hamilton. dois Escutei o abrupto suspiro de Nick atrás de mim quando ele quase me jogou no chão para apertar a mão de Jack, surpreendendo-o no processo. – Oi, Jack. Eu sou o Nick. Eu te vi no seu filme A melhor metade dela. Eu simplesmente amei! Também vi suas fotos para a revista Entertainment Weekly. Sei que nem todos gostaram da capa, mas eu adorei! Não entendi por que falaram tanto sobre vestir o kilt — você tem ótimas pernas. Está morando aqui em Los Angeles agora? Está ansioso para a estreia de Tempo? Uau, você é lindo. — Nick se esqueceu de respirar e parou de falar apenas porque ficou sem ar. Durante este ataque verbal, eu observei o momento em que a expressão de Jack mudou de surpresa para confusa, depois ele começou a raciocinar e, por fim, mal conseguia conter a risada.

Dei umas risadinhas e comecei a soltar a mão de Nick da de Jack. – Calma, rapaz! Você pode falar para o Jack que ele é lindo a noite inteira, mas você não gostaria de assustá-lo e aterrorizá-lo nos primeiros cinco minutos – disse, virando-me para Jack – Oi, meu nome é Grace Sheridan — Supersexy Grace Sheridan. Prazer em conhecê-lo – apertei sua mão, enquanto Nick suspirava ao meu lado – E, de fato, você é bonito – acrescentei, e Jack sorriu para mim. Dei uma boa olhada nele agora que minha visão não estava mais limitada, e vi um homem magro e jovem, um pouco mais alto do que eu. Ele usava jeans desbotado, uma camiseta preta, uma jaqueta cinza de zíper e, meu Deus, aqueles eram sapatos Doc Martens? Ele estava com um velho boné de beisebol cinza e tinha um estilo desleixado, que com certeza caía bem nele. Ele parecia bem confortável daquele modo, e, por um segundo, o imaginei sendo espremido contra mim em um abraço apertado. Grace, este cara parece jovem o bastante para ser seu filho. Sim, só se eu tivesse sido promíscua no ensino fundamental… Mexo minha cabeça para clarear as ideias um pouco e acabo vendo Holly vindo da cozinha para cumprimentar Jack. – Olá, doçura. Como você está hoje à noite? – pergunta ela, colocando um braço ao redor de seus ombros e se curvando para dar um beijo rápido em sua bochecha. – Estou bem, muito obrigado. Acabei de conhecer Grace e, ah, Nick, certo? – novamente Jack sorri e Nick fica maravilhado. Tomei fôlego ao ver Nick tendo um ataque. Jack pisca para mim maliciosamente e eu sorrio para ele. – Grace é minha amiga, — disse Holly — nos conhecemos há muito tempo. E o Nick, bem, ele é necessário – provoca ela. Nick finge não gostar e responde: – Vadia, me poupe. Aonde você vai encontrar outro homem que te leva para ver New Kids on the Block? E depois confirme a mentira de que tem a ver com trabalho? Eu ri tão alto que quase cuspi meu drinque. Holly era a maior fã secreta de New Kids. Eu era uma das únicas pessoas que sabia deste segredo. Talvez porque era um segredo que eu dividia com ela. – Não sei por que está rindo, Miss Coisa. — disse Nick, olhando fixo para mim. — Você ainda sonha com Joe McIntyre como se tivesse treze anos! – Ah, eu assumo minha obsessão. Se Joey Joe estivesse agora aqui na minha frente, eu o atacaria.

Não tenho vergonha. — eu o provoquei, engolindo o restante do meu Martini. Jack se inclinou e sussurrou alto o bastante para Holly escutar. – É por isso que ela está tentando conseguir uma audição para mim no próximo filme de Donnie? Será que eu devia ficar preocupado com isso? Por ele estar tão próximo de mim, consegui finalmente notar seus olhos. Uau, eles são intensos. Verdes-esmeralda escuros com pontos dourados. Esse cara deve se dar bem. Eu me inclinei para mais perto dele e disse quietamente: – Você tem apenas que se preocupar se ela pedir que você dance para ela. Cuidado com isso. Ele deu um sorrisinho sensual, enquanto Holly pegou em sua mão e começou a tirá-lo dali. – Está bem, crianças. Preciso que Jack conheça algumas pessoas. Vou cuidar de vocês dois depois. Os dois voltaram à sala de estar, enquanto Jack acenava de costas, deixando eu e Nick rindo na cozinha. – Então, você atuou muito bem, Nick. É aquele o gostosão que você ficou falando a noite inteira todo empolgado? – Não aja como se não tivesse o achado bonito. Vi como você o analisou – disse ele, apoiando-se no balcão e se abanando – Eu parecia um bundão! Queria ter ficado mais tranquilo ao vê-lo, mas não conseguia calar a boca! Eu falei mesmo que ele era bonito? – disse ele, ficando com suas bochechas coradas ao reestabelecer o encontro com sua mente. – Sim, você disse. Mas não se preocupe com isso. Quando me mudei pela primeira vez para cá, tinha certeza que tinha reconhecido um ator de SOS Malibu. Então, eu o segui desde a produtora até a padaria e quando ele finalmente me olhou, eu murmurei a palavra “Hasselhoff”, aí ele saiu correndo e se escondeu no corredor das sopas. Eu ainda fico com vergonha quando vejo uma caixa de Cup Noodles – garanti a ele. – Você devia ter vergonha de ainda comprar Cup Noodles, mas você sabe o que faz. Vamos encher a cara e paquerar homens bonitos! – disse ele, colocando mais Martini em meu copo, deixando-o extracheio. Eu ri e ignorei a excitação dentro de mim ao escutar um sotaque britânico circulando na outra sala.

* * * * Mais tarde naquela noite, Holly e eu estávamos no terraço observando a cidade, bebendo nosso quarto drinque e brindando pelo seu sucesso. Nick veio se despedir e colocou seu braço em volta da minha cintura. – Ok, vadias. Vou-me embora. Comportem-se bem e garantam que ninguém vá para casa com meu lindo menino. Preciso ter certeza de que ele vai continuar puro até que eu possa convencê-lo a mudar de time – provocou ele, fazendo um sinal de advertência com seu dedo para Holly. – Como você sabe que ele já não joga no seu time, Nick? – perguntei. Holly riu e disse: – Ah, querida, Jack é o maior pedaço de mau caminho a chegar nesta cidade em um bom tempo. Várias meninas estão se jogando para cima dele toda noite. Ele é discreto, mas está pegando todas. – Ah, Deus, não posso ouvir mais isso. Vou ficar muito triste. Vou pra casa ficar na fossa ouvindo Manilow – gritou Nick, dando um olhar triste para nós duas ao entrar novamente na casa. Ele passou por Jack em seu caminho, que estava conversando com duas garotas no piano, e piscou para Nick. Escutei Nick murmurar “pegador” conforme passava por ele, e pude ver Jack rindo. – Então, sei que ele é bonito, – disse eu – e que garota não gosta de um sotaque? Mas por que ele é o próximo grande sucesso? Nick mencionou algo sobre um filme que está para estrear… Tempo ou algo assim? – perguntei para Holly, chegando mais perto dela enquanto observávamos Jack conversando com duas garotas que não conseguiam parar de rir de tudo o que ele dizia. Percebi que ele constantemente mordia seu lábio inferior. Ele estava nervoso? – Grace, você está falando sério? Você não pode estar falando sério. Tempo? –Ela se interrompeu e me olhou, incrédula. – O quê? Isso é algo que eu devia estar sabendo? – quebrei a cabeça tentando me lembrar se já tinha ouvido algo sobre o filme, mas tudo estava branco. – Você nunca leu os contos em que Tempo se baseou? Você não sabe nada mesmo sobre eles? – perguntou ela, ainda parecendo surpresa. – Ei, muita coisa tem acontecido na minha vida ultimamente. Não tenho tido muito tempo para ler. Além disso, você sabe que leio praticamente apenas não-ficção – respondi, olhando novamente para Jack através do vidro claro das portas francesas. – É uma série de contos que foram escritos para uma revista feminina.

Como você não leu? – lamentou ela. Ela ainda me olhava sem conseguir acreditar no que eu estava dizendo. – Sobre o que são eles? É por isso que Nick está tão empolgado para o lançamento do filme? – fiz uma observação. – Grace, cala a boca e me escute. Essas histórias e este filme vão ter tudo o que você sempre quis: paixão, amor, aventura, sexo, humor. Quase toda mulher que conheço está apaixonada por eles! O personagem principal, Joshua — caramba, menina. Ele é um cientista sensual que viaja pelo tempo e, em cada história, ele está em uma época diferente. Joshua, caramba, ele é tão imbecil, mas é um imbecil adorável, e em cada conto está com uma mulher diferente. Este filme será um sucesso! – gritou ela. Ela estava ficando muito empolgada. – Hmmm… eu não sei. Não sou muito fã de romances. Muito sentimental, sabe? Também não sou fã de ficção científica. Não é meu estilo. Se você me der uma boa história baseada em fatos reais, como aquele novo livro sobre Lincoln, sabe? Eles agora acham que ele… – Ah, quer parar de falar sobre História? – interrompeu Holly – Honestamente, parece que você está correndo para um asilo. Tempo não é um romance, é apenas… não consigo descrevê-lo! É por isso que este filme é tão sensacional — e porque Jack é uma mercadoria tão importante agora. Jack é o Joshua. As mulheres deste país estão ficando loucas esperando pelo lançamento. Ah cara, não vejo a hora de você lê-los! Jura pra mim agora que irá lê-los! — suplicou ela para mim, sua voz ficando com um tom um pouco mais alto. A única vez que eu a vi tão vidrada foi quando Donnie Wahlberg estava envolvido. – Céus, tudo bem. Relaxa – disse eu – Você acabou de dar um gritinho? Sim, vou ler esses malditos livros – eu a acalmei, notando que Jack estava vindo em nossa direção. – Jack, escuta essa! – começou Holly – Grace ainda não leu os contos de Tempo. Ela nunca nem ouviu falar no filme! – dedurou ela, quando ele entrava no terraço, deixando as duas garotas rindo sozinhas. Ele me encarou dramaticamente e depois me deu um abraço apertado.

– Foge comigo? – disse ele quietamente, afastando-se para me olhar, colocando uma mão em cada lado do meu rosto. Holly riu atrás de nós. Eu dei um riso nervoso e depois assumi o controle. – Você está chamando mulheres ao acaso para fugirem contigo, Jack? – perguntou Holly, e ele tirou as mãos de meu rosto, olhando para mim fingindo adoração. – Ao acaso? Dessa vez é pra valer! – disse ele – Eu já tinha te dito, a próxima mulher que eu conhecesse e não tivesse ouvido falar desse filme besta, eu fugiria com ela, teria um caso amoroso para satisfazer as revistas de fofoca. Não tenho sorte por ela parecer normal? – caçoou ele. – Não tiraria conclusões precipitadas. Você não sabe o quanto anormal eu sou – declarei, colocando minhas mãos em meus quadris. – Jack, preciso te falar, ela não bate bem da cabeça – advertiu Holly – Você não vai querer entrar nisso. Pode acreditar, eu sei. Conheço Grace desde a faculdade, e ela é doida – decidiu Holly, bebendo o que sobrou de seu coquetel. – Calma, esta é a Grace que é sua melhor amiga? Aquela que deixa migalhas de salgadinhos espalhadas pela casa? – perguntou ele, olhando-nos de um lado para o outro. – Sim, esta é minha Gracie. Agora, pergunte para ela por que ela deixa salgadinhos espalhados pela casa – provocou Holly, enquanto Jack me olhava, questionando-me. Eu olhei para ela.

.

Baixar PDF

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Baixar Livros Grátis em PDF | Free Books PDF | PDF Kitap İndir | Telecharger Livre Gratuit PDF | PDF Kostenlose eBooks | Descargar Libros Gratis |