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A Sabedoria do Condado – Noble Smith

Durante toda a minha vida eu ouvi, com frequência, as pessoas descreverem uma casa aconchegante ou um cômodo particularmente confortável como sendo “igualzinho a uma toca-hobbit”. Este é umdos maiores elogios que um fã de Tolkien pode fazer a um lugar, pois nele passariam momentos de lazer, leriam um livro, bateriam um papo, apreciariam uma refeição deliciosa ou apenas estariam lá dentro para ficar sentados e pensar. Logo na primeira página de O Hobbit, J. R. R. Tolkien apresentou a Bilbo Bolseiro o mundo (e a Terra-média, aliás) com uma descrição longa e afetuosa da toca-hobbit. Seus Pequenos gostam, sem dúvida, de bastante conforto. Mas eles não moram em mansões ostentosas ou castelos de pedra. Suas casas aconchegantes, construídas nas encostas para haver um isolamento ideal, são divertidos refúgios de madeira com lareiras, despensas bem abastecidas, camas com colchão de penas e lindos jardins do lado de fora das suas janelas. 4 As adaptações cinematográficas de Peter Jackson mostram Bolsão em toda a sua glória, comrevestimentos de carvalho e lareiras flamejantes. Quem não gostaria de habitar aquelas tocas, comvigas cortadas à mão, porta da frente majestosamente redonda e cozinha iluminada por feixes de luz solar? Se você está lendo este livro, muito provavelmente deve estar sorrindo neste exato momento e pensando “Eu moraria ali mais rápido do que você consegue dizer ‘Barco de Drogo Bolseiro’!”. 5 Em O Hobbit, quando Bilbo fica preso no palácio do rei élfico e sobrevive como um ladrão invisível e solitário sem ter uma cama para chamar de sua, ele quer voltar à sua querida casa e se sentar ao lado da lareira com um abajur reluzente sobre a mesa. Para ele, isso é o máximo de conforto que alguém pode querer. Calor. Luz. Paz de espírito. Devemos nos lembrar de que Bilbo saiu de casa com tanta pressa para se juntar a Thorin Escudo de Carvalho e seu bando de anões que até se esqueceu de carregar um lenço de bolso! Quando eu era garoto, tentei transformar o meu quarto suburbano e sem graça em uma toca-hobbit. Encontrei em um bazar de caridade uma poltrona com encosto alto que se adequava às maratonas de O Senhor dos Anéis. Empilhei, nas minhas prateleiras, os livros do Tolkien que eu tinha comprado em sebos. Comecei uma coleção de cachimbos usados (assegurei minha mãe que eram “só para colecionar!”), comprei um pouco de um tabaco barato chamado Borkum Riff e o guardei dentro de um pote grande com uma etiqueta “Folha do Vale Comprido”. Quando eu abria a tampa, o meu quarto ficava com o cheiro de Bolsão (pelo menos eu achava). O meu quarto era o meu refúgio, mesmo comaquele cheiro de casa noturna lotada. Com o passar dos anos, descobri que eu não estava sozinho quando desejava ter, profunda e sinceramente, uma toca-hobbit para chamar de minha. Essa ideia, por mais absurda que pareça, agrada a muitos de nós, os aficionados do Condado. Algumas pessoas até conseguiram criar suas próprias versões de Bolsão, como Simon Dales, no Reino Unido, que construiu uma residência digna de Vila dos Hobbits.


A casa, meio enterrada no interior de Welsh, é inteiramente construída e moldada à mão, com materiais locais, tais como pedras e sobras de madeira das florestas das redondezas. Tem um teto que armazena água para o jardim e uma geladeira refrigerada a ar. 6 Há pouquíssimos lugares, nas diversas aventuras dos Pequenos, que oferecem o extremo conforto da casa do Condado: a mágica Valfenda, com suas lindas árvores sussurrantes, camas macias, elfos melancólicos e as Noites de Poesia dos Dias Antigos; o chalé de Tom Bombadil, situado no bosque próximo ao gorgolejante rio Whithywindle, com Fruta d’Ouro incluída, a encantadora filha de Rio; e o salão de madeira de Beorn, com seu estoque interminável de bolos de mel, hidromel e animais bípedes treinados para servir as pessoas. Todos estes lugares têm algo em comum, apesar de terem habitantes totalmente diferentes. Como as tocas-hobbit, eles são seguros, aquecidos e abastecidos com boa comida. São lugares aconchegantes para descansar antes de uma longa jornada e estão ligados ao mundo natural de tal forma que parece que fazem parte dele. Os lares modernos contrastam nitidamente com as tocas-hobbit, pois se tornaram um depósito de cacarecos inúteis que dispensamos após poucos anos de uso. Para muitos de nós, nossa conexão como mundo fora de nossas casas é o que vemos de dentro dos carros no trânsito congestionado, quando estamos a caminho de prédios de escritórios hermeticamente fechados e climatizados. A expansão urbana ou “Orcficação” 7 está transformando nossas cidades em lojas de departamento enormes e feias. Tudo, tanto dentro quanto fora da toca-hobbit, teria sido feito à mão. E teria sido criado para durar a vida inteira, da maçaneta de latão no centro da enorme porta redonda às canecas de argila da cozinha e às cadeiras em frente à lareira. Quando foi que todos nos tornamos tão incapazes que não sabemos fazer ou consertar até as coisas mais simples? Por que não esperamos o mesmo tipo de permanência e qualidade em nossa vida? Há muitas formas de mudar essa situação e podemos encontrá-las em sites. O Makezine.commostra pessoas do mundo todo que fazem extraordinários objetos artesanais; o Instructables.comensina, passo a passo, como fazer e consertar coisas; varejistas on-line, como o Etsy.com, permitem que artesãos do mundo todo vendam seus itens feitos à mão (de móveis a roupas e ferragens) para milhões de compradores. Estes artesãos estão fazendo coisas incríveis com produtos reciclados e materiais upcycled. 8 Há setenta anos, Tolkien lamentava que o mundo parecia estar sendo controlado pelas máquinas. Árvores eram derrubadas para abrir passagem para oficinas feias, gasômetros e fábricas. (Imagine como ele se sentiria ao ver como estão as coisas atualmente.) Ele escreveu a maior parte de O Senhor dos Anéis durante a Segunda Guerra Mundial, na sua casa em Oxford, enquanto estrondosos aviões de guerra voavam, sobre seu teto, para a Europa. Ele resmungava, ameaçadoramente, que Moloch deveria ter assumido o cargo de governante do mundo. 9 Tolkien escrevia frequentemente ao seu filho Christopher (o principal público de suas histórias), que estava servindo na Real Força Aérea na época, e enviava capítulos de O Senhor dos Anéis assimque conseguia providenciar cópias datilografadas. Em suas cartas, descrevia para o filho as pequenas alegrias da vida em Oxford e também lhe contava sobre os problemas e atribulações de ser proprietário de uma casa. Ler sobre coisas mundanas quando se está longe de casa é tão interessante quanto ler textos sublimes.

10 Tolkien tinha visto pessoalmente os horrores do combate ao servir nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial. Como os Hobbits em O Senhor dos Anéis, ele tinha retornado da desolação do campo de batalha para um mundo mudado — um mundo em que ninguém mais caminhava sobre a Terra, à exceção de um de seus amigos. Dez anos após a Grande Guerra, ele estava olhando fixamente para uma folha de papel em branco quando as linhas iniciais de O Hobbit surgiram em sua cabeça. E assim nasceu o primeiro Hobbit — o herói relutante que parte de sua amada residência e retorna de uma grande aventura como um homem mudado. Todos nós seríamos sortudos na vida se tivéssemos a chance de viver uma aventura inesperada e, depois, voltássemos com segurança para um lugar em que houvesse conforto. Geralmente, só damos valor à nossa casa e à felicidade simples que ela nos oferece se ficamos longe dela por um tempo. Depois da Batalha dos Campos de Pelennor, Merry está se recuperando do corajoso ataque ao pavoroso Rei-bruxo de Angmar nas Casas de Cura de Gondor e ele diz a Pippin que somente uma coisa lhe deu força durante as desventuras de sua terrível jornada: as profundas raízes espirituais que ele criara em seu amado Condado. Esta é a toca-hobbit da mente de Merry. Tente pensar em um lugar da sua vida que era como uma toca-hobbit. Pode ter sido a sala de estar dos seus avós, ou o estúdio do professor de música, ou o apartamento de um grande amigo. Por que aquele lugar fazia você se sentir em casa? Ele permitia que você sonhasse? Era o espaço em si ou as pessoas que estavam nele que faziam a diferença? Ou a combinação de ambos? A certa altura da vida, o seu subconsciente criou “raízes” nesse lugar e, mesmo que o lugar não exista mais, você pode buscar forças nessa lembrança. Você pode criar essa “toca-hobbit” aconchegante onde quer que você esteja: no seu escritório, em um quarto de hotel, em um alojamento de faculdade, em um apartamento na cidade ou em um quarto. Porque o espaço que você habita é irrelevante se comparado ao poder da sua mente de projetar contentamento. Para mim, esse contentamento sempre significou ter um ótimo livro à mão, pois onde quer que eu estivesse, mesmo que preso fisicamente, minha mente estaria livre para fantasiar. Na cena final de O Senhor dos Anéis, Sam Gamgi parte de Portos Cinzentos e chega a Bolsão à noite. Ele acabou de dizer adeus a Frodo e está muito triste. Mas quando ele enxerga a luz amarela do fogo emanando da janela da casa que agora pertence a ele — uma casa deixada para ele por Frodo, em testamento —, ele se alegra. A casa em si, a estrutura, não é importante, mas sim o que está dentro: sua carinhosa esposa e sua filha, que esperam por ele com a comida quente à mesa. É um lindo “final de livro”: O Hobbit começa em Bolsão com um solteirão inexperiente e O Senhor dos Anéis termina, lá mesmo, com um pai sábio. Todas as grandes aventuras de Tolkien são ambientadas entre a abertura e o fechamento da porta de uma simples, mas milagrosa, moradia chamada de toca-hobbit. 11 A Sabedoria do Condado nos diz… “Seu verdadeiro lar está dentro do seu coração e continua com você onde quer que você vá; mas um lugar legal e aconchegante é um motivo maravilhoso para voltarmos para casa!” Capítulo 2 ALIMENTE-SE COMO UM BRANDEBUQUE, BEBA COMO UM TÛK Hobbits são, provavelmente, os mais adoráveis gourmands 12 de toda a literatura. Eles estão sempre surpreendendo elfos, homens e até mesmo anões (que são comilões vorazes e beberrões por direito) com seus estômagos imensos e suas gargantas sedentas. Eles fazem seis refeições por dia, como nos conta Tolkien no prólogo de O Senhor dos Anéis, pelo menos “quando eles conseguem comida”. Pão e queijo, manteiga e nata, cogumelos, salsicha e fatias finas de bacon… e cerveja. Litros e litros de cerveja.

Estes são os alimentos básicos dos Hobbits, que, se houver necessidade, importunarão e implorarão por comida para preencher suas barrigas, que crescem sem parar. Meriadoc Brandebuque e Peregrin Tûk (também conhecidos como Merry e Pippin) são os melhores exemplos do epicurismo Hobbit. Após a colossal Batalha de Isengard — em que o exército de Ents, as três criaturas-árvores gigantes, destrói a muralha do mago perverso Saruman —, a dupla de malandros ataca os depósitos do mago para pegar provisões, mas também se empanturram de bacon, carne de porco salgada, pão e mel. Aragorn, Gimli e Legolas os encontram sobre a muralha arruinada, fumando seus cachimbos com satisfação. Qual a primeira coisa que Merry e Pippin fazem? Juntam-se aos seus amigos para um segundo almoço! Quando Gandalf leva o pobre Pippin, às pressas, para a cidade de Minas Tirith, as primeiras perguntas urgentes do Hobbit, ao chegar lá, são: “Onde ficam as salas de jantar? As pousadas? Onde se pode conseguir uma cerveja decente?”. E daí se o morto-vivo senhor dos Nazgûl e sua gangue furiosa de Espectros do Anel estão tentando capturá-lo? No longo trajeto de Isengard, a única coisa em que ele consegue pensar é em pão e cerveja. Pobre coitado esfomeado! Em O Hobbit, o ronco do estômago do Bilbo é um lembrete constante das enormes e adoradas despensas que ele deixou para trás, em sua casa de Bolsão. Ele é como um garoto de 10 anos de idade ranzinza, que está viajando e fica o tempo todo reclamando de fome. O que havia de tão atraente para os Hobbits na comida do Condado? Afinal de contas, é o tipo mais básico de comida! É que às vezes as coisas mais simples, feitas com cuidado e atenção, são as mais deliciosas. Quando foi a última vez que você comeu uma fatia de pão caseiro com geleia caseira? Juro para você que é uma das coisas mais saborosassss (para usar a palavra favorita de Gollum) para comermos tanto na Terra-média quanto nesta Terra. A maior parte do que comemos agora é processado, diluído e injetado de “sabores naturais”. Perdemos o gosto e o hábito de comer e consumir o que é verdadeiro e simples, ou seja, perdemos o gosto dos hábitos hobbitianos. Quando jantamos fast-food, podemos dizer que estamos comendo comida de Orc. 13 Tolkien dizia que se identificava com os Hobbits mais do que com quaisquer outros personagens de seus livros. Então, por que ele era um homem tão obcecado por comida? Talvez os terríveis meses que ele passou nas áridas trincheiras, durante a Primeira Guerra Mundial (talvez o mais próximo que o nosso mundo já chegou da Desolação de Mordor), o tenham tornado consciente do valor e da beleza de uma boa comida. Como os outros soldados do front, ele teria sobrevivido à base de pedacinhos de pão com queijo e legumes cozidos. Tolkien passou vários e longos meses se recuperando da febre das trincheiras em um hospital da Inglaterra, onde eram servidas aos pacientes refeições revigorantes, como a maravilhosa “água de torradas” e o “creme de mocotó”. Hum, de dar água na boca! Ou talvez tenha sido a escassez de comida durante a Segunda Guerra Mundial (Tolkien estava escrevendo parte de O Senhor dos Anéis): a manteiga e o bacon eram racionados e só era permitido um único ovo por adulto, por semana. O chá, uma das bebidas favoritas dos Hobbits, continuou a ser racionado até 1952, dois anos antes de A Sociedade do Anel ser publicado. Seja lá qual tenha sido o motivo da paixão de Tolkien por comida, ele fazia seus Hobbits recorrerem a ela como consolo em quase todas as situações. 14 Em sua longa e cansativa jornada pela terra de Mordor, Sam Gamgi recorda, triste, do peixe com batatas fritas, horrorizando o quase canibal Gollum, que está acostumado a comer peixe (e pequenos goblins) cru. “Fique com suas fritas”, desdenha o Gollum, para quem Sam responde, revoltado: “Ah, você não tem jeito!”. Sam, no entanto, não consegue parar de pensar em uma refeição simples e boa, “um ensopado de alguma coisa quente” com “batatas e cenouras”. A comida do Condado é uma lembrança de tempos mais felizes. Tempos de civilização e bondade.

Quando Gollum caça alguns coelhos para eles comerem, Sam consegue achar ervas para fazer um ensopado — ervas que são encontradas em uma terra estranha e destruída pela guerra! (Esse é um chef Hobbit destemido!) Um Hobbit como Sam teria passado a vida inteira comendo somente o que viesse do Condado e que fosse plantado em uma área a, no máximo, 80 quilômetros de distância. É possível viver assimno nosso mundo moderno? A resposta é um enfático “sim” e há pessoas fazendo isso no mundo inteiro. É ser um locavore. 15 Experimente. Veja quanta comida é produzida a menos de 160 quilômetros de distância de onde você mora. Atualmente, um item básico nas prateleiras da nossa mercearia viaja até dois mil quilômetros antes de chegar ali. Mais ou menos a distância da Vila dos Hobbits à Montanha da Perdição. Compre na feira dos agricultores locais e encontre pessoas que estão cultivando alimentos orgânicos em sua área, alimentos que não foram modificados geneticamente nem despachados para o outro lado do oceano em um navio cargueiro. Estar em uma plantação é como voltar no tempo, para uma época em que as pessoas sabiam quem produzia sua comida e a terra onde era cultivada. Pequenos agricultores (eles trabalham em sítios pequenos, mas geralmente não são pessoas pequenas) são muito parecidos com os Hobbits trabalhadores. Ou tente procurar alimento na mata, como um Hobbit. Cogumelos, nos foi dito, faziam as pessoas do Condado ficarem mais gananciosas do que as pessoas mais gananciosas entre as “Pessoas Grandes”. Quando Frodo era garoto, ele arriscou ser atacado pelos cachorros ferozes do fazendeiro Maggot (chamados Grip, Fang e Wolf) só para roubar um pouco do seu delicioso funghi. Qualquer pessoa que já tenha procurado os furtivos e suculentos cogumelos morchella sabe como a busca por cogumelos pode ser fascinante. Aragorn era um grande “caçador de comida” e dizia aos Hobbits que eles não passariam fome na mata se ele os guiasse, pois sempre achava “frutinhas silvestres, raiz e erva”. Isto se tornou um passatempo popular e há muitas fontes (em livros ou na internet) que dizem emquais terras públicas é legal colher cogumelos ou frutas silvestres. Amoras silvestres crescem em quase todos os lugares e você pode conservá-las facilmente, para manter um sabor de verão no inverno. Ou experimente uma fazenda de amoras onde você mesmo as colhe e eles o deixam comer o quanto quiser enquanto você estiver enchendo os baldes. Crianças (a maioria delas come como Hobbits) adorarão participar disto também. 16 Quando somos apresentados aos Hobbits em O Senhor dos Anéis, eles são mostrados como umtipo de coro grego sentado ao redor da mesa em uma estalagem chamada Ramo de Hera; estão bebendo cerveja, discutindo os preparativos para a festa de aniversário de 111 anos de Bilbo Bolseiro e fofocando sobre os estranhos acontecimentos no mundo do lado de fora do Condado. Os Hobbits adoram uma boa estalagem. [6] Perca Dourada é uma famosa estalagem da Terra dos Buques. Tanto Sam quanto Pippin ficam desesperados e frustrados por não poderem experimentar “a melhor cerveja da Quarta Leste” por causa daqueles Espectros do Anel irritantes e estridentes, que estão abafando com seus calcanhares peludos. A versão para o cinema de A Sociedade do Anel captou perfeitamente a euforia dos Hobbits por cerveja na cena em que estão na estalagem O Pônei Saltitante, em Bri, e Merry traz para a mesa uma caneca de “Pessoa Grande” com cerveja até a borda, e Pippin o observa com os olhos arregalados de desejo e assombro e exclama: “Elas vêm em litros?!”. “Mais” é sempre melhor para os Hobbits, especialmente quando se trata do consumo de uma boa cerveja escura.

Para os Hobbits, no entanto, uma estalagem não é apenas um lugar aonde se vai para ficar bêbado. Uma estalagem é um lugar em que há uma lareira aconchegante, aonde se vai para contar uma história e para construir amizades. É um lugar em que ideias e preocupações sobre o mundo são compartilhadas. Se você não encontrar um bar legal e tranquilo ou uma microcervejaria em sua própria cidade, tente começar uma “noite do bar” em sua casa. Chame seus amigos para beber boas cervejas. Sentem-se em volta de uma mesa e conversem como Hobbits, cara a cara. É uma forma extraordinariamente simples e satisfatória de se relacionar com as pessoas. O alimento é tão importante para os Hobbits que eles usam metáforas de comida para comunicar suas ideias mais profundas. Antes de Bilbo partir de Bolsão para sempre, ele tenta explicar a Gandalf a sensação de desesperança causada pelo seu anel mágico. Ele diz que se sente como “manteiga de menos passada em pão de mais”. Quem nunca experimentou essa sensação de desespero quando percebe que sobrou apenas um pouquinho de manteiga no pote? Nem de longe o suficiente para cobrir uma única torrada. Meu Deus! Isso estraga o café da manhã! Para os Hobbits, excesso de manteiga era uma das grandes e necessárias alegrias da vida. Eles sabiam o que os fazia felizes. Bons amigos, comida deliciosa e farta na mesa, cerveja e música. O verão que seguiu a destruição de Sauron foi uma das estações de maior crescimento na história do Condado, “O Grande Ano de Fartura”. Hobbits jovens quase “tomavam banho em morangos com creme”. O que poderia ser melhor? Nada. Pelo menos para os homens e as mulheres do Condado, para quem morangos com creme eram tão bons quanto prata e ouro. 17 Então, o que podemos aprender com esses alegres gourmands de pés-peludos? Como podemos seguir o exemplo deles sem exagerar? Hobbits poderiam comer e beber muito mais do que a maioria de nós e ainda dançariam e cantariam depois, enquanto nós estaríamos nos arrastando até a cama! A mensagem aqui não é experimentar excessos, mas sim ter grande prazer com o que você come e bebe. Hobbits ficam encantados e impressionados com comida. Eles não comem nada sem saborear antes. Uma refeição não é um processo mecânico para eles, mas sim um acontecimento de afirmação da vida, um momento para compartilhar com amigos e pessoas queridas. Faça uma refeição hobbit com boa cerveja e bom vinho e terá como resultado, geralmente, ótima conversa, risos e cantoria semfim. Compre comida de hobbit. Encontre um padeiro local, vá ao sítio dos agricultores locais e abasteça-se com verduras recém-colhidas e ovos frescos.

Depois, prepare uma refeição de enlouquecer qualquer Hobbit. Vou dar uma dica: deve incluir cogumelos (veja a receita de “Sopa de cerveja e cogumelo” dos hobbits). Convide seus amigos, ou sua família, ou seus vizinhos (ou todos!) para irem à sua casa e lhes sirva, em grandes canecas, uma boa cerveja escura. Chutem os sapatos para longe. Espaireçam com música. Contem histórias uns aos outros. Dancemao redor da mesa. Alimentem-se como um Brandebuque, bebam como um Tûk. Deixem a limpeza para o dia seguinte. Depois, vão para a varanda, ou para o quintal, ou para a rua e observem as estrelas… Vocês não se arrependerão. 18 A Sabedoria do Condado nos diz… “A prosperidade não é medida em ouro, mas em boa saúde, boa companhia e coisas deliciosas para comer e beber.”

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