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A Saga de Darren Shan 2 – Assistente de Vampiro – Darren Shan

Meu nome é Darren Shan. Sou meio-vampiro. Eu não nasci assim. Era uma pessoa comum. Morava com meus pais e minha irmã mais nova, Joana. Gostava da escola e tinha muitos amigos. Gostava de ler histórias de horror e assistir a filmes assustadores. Quando o Circo dos Horrores chegou à nossa cidade, meu melhor amigo, Lucas Leopardo, comprou entradas e fomos até lá. Era formidável, realmente pavoroso e estranho. Uma superaventura noturna. Mas a parte mais estranha veio depois. Lucas reconheceu um dos personagens do espetáculo… tinha visto um desenho dele em um velho livro e sabia que era um vampiro. Lucas ficou no circo depois do espetáculo e pediu ao homem para transformá-lo em um vampiro também! O Sr. Crepsley — o vampiro — teria feito isso, mas descobriu que o sangue de Lucas era ruim e foi o fim da conversa. Ou teria sido o fim, mas acontece que eu também fiquei por perto para ver o que Lucas estava tramando. Eu não queria nada com vampiros, mas sempre adorei aranhas — durante um tempo eu as guardava como animais de estimação — e o Sr. Crepsley tinha uma aranha venenosa no seu número, Madame Octa, que fazia todo tipo de truques maravilhosos. Roubei a aranha e deixei um bilhete para o vampiro dizendo que, se ele fosse atrás de mim, eu contaria para todo mundo seu segredo. Para abreviar uma longa história, Madame Octa picou Lucas e ele acabou no hospital. Lucas ia morrer, por isso fui procurar o Sr. Crepsley e pedi a ele que salvasse meu amigo. Ele concordou, mas em troca eu tive de me tornar um meio-vampiro e viajar com ele, como seu assistente! Eu fugi depois que ele me transformou em meio-vampiro (passando parte do seu sangue horrível para mim) e salvei Lucas, mas então percebi que comecei a ter fome de sangue e fiquei com medo de lazer algo horrível (como morder minha irmã) se continuasse em casa. Então o Sr. Crepsley me ajudou a forjar minha morte. Fui enterrado vivo e depois, no meio da noite, quando não havia mais ninguém por perto, ele me desenterrou e começamos nossa vida juntos.


Meus dias como ser humano tinham acabado. Começavam minhas noites como assistente de vampiro. CAPÍTULO UM Era uma noite seca e quente e George Collins resolveu voltar a pé para casa depois da reunião dos escoteiros. Não era uma longa caminhada — menos de dois quilômetros — e, embora a noite estivesse escura, ele conhecia cada centímetro do caminho tão bem quanto sabia dar um nó de marinheiro. George era chefe de escoteiros. Fora escoteiro quando menino e manteve contato durante toda a vida. Fez dos três filhos escoteiros de primeira ordem e, quando eles cresceram e saíram de casa, passou a orientar os garotos do bairro. Andava depressa para se manter aquecido. Vestia short e camiseta e, apesar da noite estar agradável, seus braços e pernas logo ficaram arrepiados. Não se importou. Sua mulher teria uma bela xícara de chocolate quente e pãezinhos com passas quando chegasse em casa. O prazer seria maior depois de uma boa e rápida caminhada. Árvores erguiam-se nos dois lados da rua, tornando-a muito escura e perigosa para quem não estava acostumado. Mas George não tinha medo. Ele amava a noite. Gostava de ouvir o som dos próprios pés na relva e no cascalho. Crunch. Crunch. Crunch. Sorriu. Quando os filhos eram pequenos, às vezes ele brincava, dizendo que havia monstros à espreita nas árvores. Fazia barulhos assustadores e sacudia as folhas dos galhos mais baixos quando os meninos não estavam olhando. Às vezes eles saíam correndo a toda velocidade, gritando, e George os acompanhava, rindo. Crunch. Crunch.

Crunch. Quando George tinha dificuldade para dormir, imaginava o som de seus próprios passos a caminho de casa e isso sempre o ajudava a mergulhar em sonhos felizes. Era o mais belo som do mundo, na opinião dele, que acreditava ser melhor até que todas as músicas de Mozart e Beethoven. Crunch. Crunch. Crunch. Plac. Parou, intrigado. Parecia um graveto quebrando — mas como podia ser? Ele teria sentido se pisasse em algo diferente. E não havia vacas ou carneiros nos campos próximos. Ficou imóvel por meio minuto, ouvindo atentamente. O som não se repetiu e George balançou a cabeça, sorrindo. Talvez uma brincadeira da sua imaginação, nada mais. Contaria para a mulher quando chegasse em casa e os dois dariam boas risadas. Começou a andar outra vez. Crunch. Crunch. Crunch. Pronto. De volta ao som familiar. Não havia ninguém por ali. Ele teria ouvido mais do que o estalo de um graveto, se houvesse. Ninguém ia atacar de surpresa George Collins. Ele era chefe de escoteiros treinado. Seus ouvidos eram tão aguçados quanto os de uma raposa.

Crunch. Crunch. Crunch. Crunch. Cru… Plac. George parou novamente e pela primeira vez os dedos do medo começaram a apertar seu coração. Aquilo não era imaginação. Ouviu claramente, como o som de um sino. Um graveto estalando emalgum lugar acima dele. E, antes do estalo, um pequeno farfalhar, como alguma coisa se movendo? Olhou para as árvores, mas estava escuro demais para ver. Podia haver um monstro do tamanho de um carro lá em cima, que ele não teria visto. Dez monstros. Cem! Mil… Ora, isso era bobagem. Não havia monstros nas árvores. Monstros não existiam. Todo mundo sabia disso. Monstros não eram reais. Devia ser um esquilo ou uma coruja, alguma coisa comum. George levantou um pé e começou a abaixá-lo. Plac. Seu pé ficou suspenso no ar e o coração batia descompassadamente. Não era um esquilo! O somera muito forte. Alguma coisa grande estava lá em cima. Alguma coisa que não deveria estar ali. Alguma coisa que jamais havia estado lá.

Alguma coisa que… Plac! O som estava mais perto dessa vez, mais baixo, e de repente ele não aguentou mais. Começou a correr. George era um homem grande, em boa forma para a idade. Porém, havia muito tempo não corria tão depressa e, depois de cem metros, estava sem fôlego e sentindo uma pontada no lado do corpo. Parou e inclinou-se para a frente, ofegante. Crunch. Levantou a cabeça, rapidamente. Crunch. Crunch. Crunch. Passos vinham na sua direção. Passos lentos e pesados. Apavorado, sentiu que se aproximavam cada vez mais. O monstro teria passado à sua frente, no alto das árvores? Teria descido? Estava se aproximando para acabar com ele? Seria… Crunch, Crunch. Os passos pararam e George viu um vulto no escuro. Era menor do que ele esperava, do tamanho de um menino. Respirou fundo, endireitou o corpo, juntou toda sua coragem e deu um passo à frente para ver melhor. Era apenas um menino! Um menino pequeno, com roupas sujas, que parecia assustado. Sorriu e balançou a cabeça. Que tolice a sua. Sua mulher ia se divertir a valer quando contasse. — Você está bem, garoto? — perguntou George. O menino não respondeu. Nunca o tinha visto antes, mas havia muitas famílias novas no bairro ultimamente. Não conhecia mais todos os garotos da vizinhança.

— Posso ajudá-lo? — perguntou. — Você está perdido? O menino balançou a cabeça lentamente. Havia alguma coisa estranha nele. Algo que, de repente, deixou George inquieto. Podia ser o efeito do escuro e das sombras… mas mesmo assim o menino parecia muito pálido, muito magro, muito…faminto. — Você está bem? — perguntou outra vez, chegando mais perto. — Posso… PLAC! O som veio diretamente de cima, alto e ameaçador. O menino saltou para o lado, rapidamente, deixando o caminho livre. George só teve tempo de olhar para cima e ver um enorme vulto vermelho, que podia ser uma espécie de morcego, caindo através dos galhos, quase tão depressa quanto os olhos podiam seguir. Então a coisa vermelha estava em cima dele. George abriu a boca para gritar, mas as mãos do monstro — garras? — se fecharam sobre seus lábios. Houve uma luta breve e então George estava no chão, inconsciente, sendo arrastado. Acima dele, as duas criaturas da noite se moveram para começar a refeição. CAPÍTULO DOIS — Imagine um homem dessa idade com uniforme de escoteiro — zombou o Sr. Crepsley, virando a vítima de costas, no chão. — Você foi escoteiro alguma vez? — perguntei. — Não existia isso no meu tempo — respondeu ele. Bateu com a mão na perna forte do homem e grunhiu. — Bastante sangue neste aqui — disse ele. Vi o Sr. Crepsley procurar uma veia na perna, depois cortar — um pequeno corte — com a unha afiada. Assim que o sangue começou a sair, ele pôs a boca no corte e sugou. Achava errado desperdiçar qualquer gota do “precioso mercúrio vermelho”, como às vezes chamava o sangue. Fiquei parado a seu lado, hesitante, enquanto ele bebia. Era a terceira vez que eu tomava parte emum ataque, mas ainda não estava acostumado ao espetáculo do vampiro sugando sangue de um ser humano indefeso.

Quase dois meses haviam passado desde a minha “morte”, mas eu estava tendo muita dificuldade para me ajustar à mudança. Era difícil acreditar que meu antigo modo de vida estava acabado, que eu era um meio-vampiro e jamais poderia voltar. Eu sabia que, no fim, teria de abandonar meu lado humano. Mas era mais fácil falar do que fazer. O Sr. Crepsley ergueu a cabeça e passou a língua nos lábios. — Uma boa safra — zombou, afastando-se do corpo. — Sua vez — disse ele. Dei um passo à frente, balancei a cabeça e disse: — Eu não posso. — Não seja burro — rosnou ele. — Você já se negou duas vezes. Está na hora de beber. — Não posso! — gritei. — Você tomou sangue de animal — disse ele. — Mas este é diferente. Este é humano. — E daí? — disse o Sr. Crepsley, irritado. — Nós não somos. Você precisa começar a tratar os seres humanos como animais, Darren. Os vampiros não podem viver apenas com sangue de animais. Se não começar a tomar sangue humano, vai ficar fraco. Se continuar a evitar esse sangue, vai morrer. — Eu sei — disse, tristemente. — Você já me explicou isso.

E sei que não fazemos sofrer as pessoas de quem tomamos o sangue, a não ser que tomemos demais. Mas… — dei de ombros, sentindo-me muito infeliz. Ele suspirou. — Muito bem. É difícil, especialmente quando você é apenas um meio-vampiro e a fome não é tão grande. Vou deixar que se abstenha esta vez. Mas precisa começar logo. Para o seu bem. Ele voltou a atenção para o pequeno corte e limpou o sangue — que continuou a sair enquanto conversávamos — em volta da perna do homem. Então encheu a boca de saliva e cuspiu no corte. Esfregou com a ponta do dedo, depois sentou e esperou. O ferimento fechou e cicatrizou. Em poucos minutos tudo tinha desaparecido, a não ser uma pequena cicatriz que o homem provavelmente não notaria quando acordasse. É assim que os vampiros se protegem. Ao contrário do que mostram os filmes, eles não matam as pessoas quando tomam seu sangue, a não ser que estejam famintos ou se deixem levar longe demais pelo entusiasmo. Eles bebem em pequenas doses: um pouco aqui, um pouco ali. Às vezes atacam as pessoas em lugares abertos, como nessa noite. Outras, entram sorrateiramente no quarto, tarde da noite, ou em enfermarias de hospitais, ou em cadeias. As pessoas cujo sangue eles bebem dificilmente se dão conta de terem servido de alimento para um vampiro. Quando esse homem acordar, vai se lembrar apenas de um vulto vermelho caindo das árvores. Não vai poder explicar por que ficou inconsciente ou o que aconteceu quando estava nesse estado. Se encontrasse a cicatriz, provavelmente pensaria que era a marca de alienígenas e não de umvampiro! Ah! Alienígenas! Pouca gente sabe que os vampiros foram os criadores das histórias de discos voadores. Era um disfarce perfeito. Em todo o mundo as pessoas estavam acordando, encontrando cicatrizes estranhas nos seus corpos, e culpando os imaginários alienígenas. O chefe dos escoteiros havia ficado inconsciente com a força do bafo do Sr.

Crepsley. Os vampiros podem emitir uma espécie de gás que provoca desmaio. Quando o Sr. Crepsley queria fazer alguém dormir, ele soprava seu bafo na mão em concha e cobria com ela o nariz e a boca da pessoa. Bastava alguns segundos para que ela ficasse inconsciente e só acordasse no mínimo de vinte ou trinta minutos depois. O Sr. Crepsley examinou a cicatriz para ter certeza de que estava bem fechada. Ele tratava suas vítimas com todo o cuidado. Pelo que tinha visto, parecia um homem bom — exceto pelo fato de ser um vampiro! — Venha — disse ele, levantando-se. — A noite apenas começou. Vamos procurar uma lebre ou uma raposa para você. — Não se importa que eu não tome o sangue dele? — perguntei. O Sr. Crepsley balançou a cabeça. — Com o tempo você vai tomar — disse ele. — Quando a fome apertar. — Não — disse eu silenciosamente, atrás dele, quando se virou para seguir caminho. — Não vou. Não de seres humanos. Jamais tomarei o sangue de um ser humano. Nunca!

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