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A Saga de Darren Shan 4 – A Montanha do Vampiro – Darren Shan

— Faça as malas — disse o Sr. Crepsley, tarde da noite, caminhando para seu caixão. — Saímos para a Montanha do Vampiro amanhã cedo. Eu estava acostumado às resoluções repentinas do vampiro — ele não concordava em me consultar quando tomava uma decisão —, mas essa era extraordinária até para ele. — Montanha do Vampiro? — exclamei, correndo atrás dele. — Por que vamos lá? — Para apresentar você ao Conselho — disse ele. — Está na hora. — O Conselho dos Generais Vampiros? — perguntei. — Por que temos de ir? Por que agora? — Vamos porque é o que temos de fazer — disse ele. — E vamos agora porque o Conselho só se reúne uma vez a cada doze anos. Se perdermos este ano, teremos de esperar um longo tempo pela próxima reunião. E foi tudo o que disse sobre o assunto. Ignorou as minhas outras perguntas e enfiou-se no caixão, antes de o sol nascer, deixando que eu me preocupasse pelo resto do dia. Meu nome é Darren Shan. Sou meio-vampiro. Fui um ser humano até mais ou menos oito anos atrás, quando meu destino me levou ao Sr. Crepsley e com relutância me tornei seu assistente. Foi difícil me adaptar ao vampiro e a seus costumes — especialmente quando se tratava de beber sangue humano —, mas afinal me resignei, aceitei minha sina e continuei com a tarefa de viver. Éramos parte de um grupo de artistas incríveis de um circo ambulante, dirigido por um homemchamado Hibérnio Altão. Viajamos por todo o mundo com um espetáculo maravilhoso para o público que apreciava nossos talentos estranhos e mágicos. Seis anos se passaram desde a última vez que o Sr. Crepsley e eu nos separamos do Circo dos Horrores. Saímos para dar fim a um vampixiita louco chamado Vampirado, que aterrorizava a cidade onde moravam os vampiros. Os vampixiitas são um grupo dissidente de vampiros que matam seres humanos quando se alimentam do seu sangue. Os vampiros não fazem isso — tiramos apenas umpouco de sangue e seguimos em frente, deixando ilesos os que nos fornecem alimento.


A maior parte dos mitos sobre vampiros que lemos nos livros ou vemos nos filmes na verdade foi criada pelos vampixiitas. Foram seis bons anos. Tornei-me um artista fixo do Circo, com a Madame Octa — a aranha venenosa do Sr. Crepsley —, todas as noites, para encantar e assustar o público. Aprendi também alguns truques de mágica, que fazia no meu ato. Eu me dava bem com o resto dos artistas do circo. Acabei me acostumando com a vida nômade e estava me divertindo. Agora, depois de seis anos de estabilidade, íamos começar uma jornada para o desconhecido outra vez. Eu sabia alguma coisa sobre o Conselho e a Montanha do Vampiro. Os vampiros eram governados pelos Generais Vampiros, que garantiam o cumprimento das suas leis. Eles matavam vampiros loucos ou malvados e mantinham o resto dos mortos-vivos na linha. O Sr. Crepsley tinha sido um General Vampiro, mas deixou o cargo há muito tempo por razões que nunca me contou. De tempos em tempos — agora eu sabia que era de doze em doze anos —, os Generais se reuniamnuma fortaleza para discutir seja o que for que aquelas criaturas que sugam sangue discutem quando se reúnem. Não só os Generais comparecem — ouvi dizer que vampiros comuns também podemtomar parte —, mas os generais constituem a maioria. Eu não sabia onde ficava a fortaleza ou por que eu tinha de ser apresentado ao Conselho — mas logo ia descobrir! CAPÍTULO UM Eu estava entusiasmado e ansioso com a viagem — ia me aventurar no desconhecido e tinha o pressentimento de que não seria uma viagem fácil —, por isso passei o dia arrumando minha mochila e a do Sr. Crepsley para fazer o tempo passar mais depressa. (Vampiros completos morrem quando expostos ao sol por mais de algumas horas, mas os meios-vampiros não são afetados pela claridade solar.) Como eu não sabia aonde íamos, não sabia o que levar ou deixar. Se a Montanha do Vampiro era fria e cheia de gelo, íamos precisar de roupas e botas pesadas; se era entre quente e tropical, camisetas e shorts seriam mais adequados. Perguntei a algumas pessoas do Circo, mas ninguém sabia de nada, a não ser o Sr. Altão, que disse que eu devia levar roupas para neve. O Sr. Altão, era uma dessas pessoas que parecem saber um pouco de tudo. Ofídio concordou com a idéia da neve.

— Duvido que os vampiros, que têm medo do sol, teriam sua base no Caribe! — disse ele comdesprezo. Ofídio era um menino-cobra com escamas em vez de pele. Ou melhor, ele fora um menino-cobra — agora era um homem-cobra. Ofídio tinha crescido nos últimos seis anos, ficou mais alto e mais encorpado e parecia mais velho. Eu não. Como meio-vampiro, eu envelhecia apenas um quinto do que envelhece um ser humano normal. Assim, embora oito anos tivessem passado desde que o Sr. Crepsley me sugou, eu parecia só um ou dois anos mais velho. Eu detestava não poder crescer normalmente. Ofídio e eu havíamos sido grandes amigos, mas agora não. Ainda éramos amigos e partilhávamos uma tenda, mas ele era um homem jovem agora, mais interessado nas pessoas — especialmente nas mulheres — da sua idade. Na verdade, eu era somente um ou dois anos mais moço do que ele, mas parecia um garoto e era difícil para ele me tratar como igual. Havia benefícios em ser um meio-vampiro — eu era mais forte e mais rápido do que qualquer ser humano e viveria mais tempo —, mas teria desistido de tudo se isso significasse aparentar minha idade verdadeira e poder levar uma vida como a de todo mundo. Embora Ofídio e eu não fossemos mais tão chegados, ele ainda era meu amigo e se preocupava, sabendo que eu ia à Montanha do Vampiro. — Pelo que sei, essa viagem não é brincadeira — avisou ele com a voz grave adquirida há alguns anos. — Talvez eu deva ir com você. Eu gostaria de aceitar a oferta imediatamente, mas Ofídio tinha sua vida. Não seria justo tirá-lo do Circo dos Horrores. — Não — disse eu. — Fique e mantenha a minha rede quente. Eu vou ficar bem. Além disso, cobras não gostam do frio, gostam? — Isso é verdade. — Riu. — Eu provavelmente ia cair no sono e hibernar até a primavera! Embora Ofídio não fosse conosco, ele me ajudou a fazer a mala. Eu não tinha muito para levar: algumas peças de roupa, um par de botas grossas, utensílios especiais de cozinha que podiam ser dobrados e, assim, eram fáceis de carregar — e outras miudezas.

Ofídio me disse para levar uma corda — disse que eu podia precisar, especialmente quando tivesse de escalar montanhas. — Mas vampiros são grandes alpinistas — lembrei. — Eu sei — disse ele —, mas você quer mesmo ficar dependurado no lado de uma montanha apoiado só nos dedos? — É claro que ele quer! — disse alguém com voz tonitruante atrás de mim, antes que eu pudesse responder. — Vampiros adoram o perigo. Virando para ver quem era, me vi face a face com a sinistra criatura conhecida como Sr. Tino, e minhas entranhas ficaram geladas de medo. O Sr. Tino era um homem pequeno, de cabelos brancos, óculos de lentes grossas e um par de botas de cano alto na frente e cano baixo atrás. Estava sempre brincando com um relógio em forma de coração. Parecia um tio bondoso, mas era na verdade um homem cruel, de coração frio, capaz de cortar sua língua com a facilidade com que eu digo “olá”. Ninguém sabia muito a seu respeito, mas todos tinham medo dele. Seu primeiro nome era Desmond e, se o abreviássemos e o juntássemos como sobrenome, teríamos Sr. Destino. Eu não tinha visto o Sr. Tino logo que entrei para o Circo dos Horrores, mas ouvi muitas histórias sobre ele — como comia crianças no café da manhã e incendiava cidades para aquecer os pés. Meu coração se apertou quando o vi de pé a poucos metros de mim, com os olhos brilhantes, as mãos cruzadas nas costas, escutando minha conversa com Ofídio. — Vampiros são criaturas peculiares — disse ele, dando um passo à frente como se tivesse feito parte da conversa o tempo todo. — Eles adoram um desafio. Certa vez conheci um que arriscava a vida ficando no sol só porque alguém tinha caçoado dele por só poder sair à noite. Ele estendeu a mão e, apavorado como eu estava, automaticamente a apertei. Ofídio, não —quando o Sr. Tino estendeu a mão para o homem-cobra, ele começou a tremer, balançando a cabeça furiosamente. O Sr. Tino apenas sorriu e recolheu a mão. — Então você vai para a Montanha do Vampiro — disse ele, pegando minha mochila e espiando dentro dela sem pedir permissão.

— Leve fósforos, Sr. Shan. O caminho é longo e os dias são frios. Os ventos que sopram em volta da Montanha do Vampiro podem cortar até um jovem de pele dura como você, até os ossos. — Obrigado pelo conselho — disse eu. Isso é que era confuso sobre o Sr. Tino. Ele era sempre cortês e amável, portanto, mesmo sabendo que era do tipo que nem pisca na frente da maior maldade, não se podia deixar de gostar dele pelo menos por algum tempo. — Meus Pequeninos estão por perto? — perguntou ele. Os Pequeninos eram criaturas de baixa estatura que usavam mantos azuis com capuz, nunca falavam e comiam qualquer coisa que se movia (incluindo seres humanos!). Um punhado desses seres misteriosos quase sempre viajava com o Circo dos Horrores, e naquela época tínhamos oito deles conosco. — Provavelmente estão na barraca — disse eu. — Levei comida para eles há uma hora, mais ou menos, e acho que ainda estão comendo. — Uma das minhas tarefas era caçar para dar comida aos Pequeninos. Ofídio costumava fazer isso comigo até crescer e exigir tarefas menos pesadas. Hoje emdia sou ajudado por duas crianças humanas ajudantes do Circo. — Excelente — disse o Sr. Tino com um grande sorriso, e começou a ir embora. — Oh — disse ele —, uma última coisa. Diga a Larten para não sair sem falar comigo. — Acho que estamos com pressa — disse eu. — Talvez não tenhamos tempo para… — Só diga para ele que quero dar uma palavrinha — interrompeu o Sr. Tino. — Tenho certeza de que ele vai arranjar tempo para mim. — Com isso, ele apontou os óculos para nós, acenou um adeus e foi embora.

Troquei um olhar preocupado com Ofídio, encontrei alguns fósforos, enfiei na mochila e saí correndo à procura do Sr. Crepsley. CAPÍTULO DOIS O Sr. Crepsley ficou irritado quando eu o acordei — ele detestava levantar-se antes do pôr-do-sol —, mas parou de se queixar quando expliquei por que tinha perturbado seu sono. — O Sr. Tino — suspirou ele, passando a mão na longa cicatriz no lado esquerdo do rosto. — O que ele pode querer? — Eu não sei — respondi —, mas ele disse para não sair sem falar com ele. — Abaixei a voz e murmurei: — Podíamos sair de fininho sem sermos vistos, se estamos com pressa. O crepúsculo não demora. Você pode aguentar uma ou duas horas de luz do sol se andarmos pela sombra, não pode? — Eu poderia — concordou o Sr. Crepsley —, se quisesse fugir como um cão, com o rabo entre as pernas. Mas não sou desse tipo. Vou enfrentar Desmond Tino. Traga minha melhor capa — gosto de estar bem-vestido para os visitantes. — Era o máximo de piada que o vampiro se permitia — ele não tinha muito senso de humor. Uma hora depois, com o sol se pondo, fomos para a caravana do Sr. Altão, onde o Sr. Tino regalava o dono do Circo dos Horrores com histórias do que tinha visto num terremoto recente. — Ah, Larten! — disse o Sr. Tino com seu vozeirão. — Pontual como sempre. — Desmond — respondeu o Sr. Crepsley, friamente. — Sente-se — disse o Sr. Tino.

— Obrigado, prefiro ficar de pé. — Ninguém gostava de sentar quando o Sr. Tino estava por perto — para o caso de precisar sair correndo. — Ouvi dizer que vai à Montanha do Vampiro — disse o Sr. Tino. — Vamos partir agora — confirmou o Sr. Crepsley. — Esse é o primeiro Conselho a que comparece em quase cinquenta anos, não é? — Está bem informado — resmungou o Sr. Crepsley. — Eu mantenho o ouvido colado ao solo. Bateram na porta e o Sr. Altão fez entrar dois Pequeninos. Um deles mancava um pouco. Estava com o Circo dos Horrores quase há tanto tempo quanto eu. Eu o chamava de Esquerdinha, mas isso era só um apelido — nenhum dos Pequeninos tinha nome. — Prontos, meninos? — perguntou o Sr. Tino. Os Pequeninos acenaram. — Excelente! — Sorriu para o Sr. Crepsley. — O caminho para a Montanha do Vampiro está tão perigoso como sempre, não é? — Não é fácil — concordou o Sr. Crepsley com ar matreiro. — Perigoso para um jovenzinho como mestre Shan, não acha? — Darren sabe se cuidar — disse o Sr. Crepsley, e eu sorri com orgulho. — Estou certo de que pode — respondeu o Sr.

Tino —, mas é incomum para alguém tão jovem fazer essa jornada, não é? — Sim, é — disse o Sr. Crepsley secamente. — Por isso estou mandando estes dois com vocês como guardas. — O Sr. Tino acenou para os Pequeninos. — Guardas? — exclamou o Sr. Crepsley. — Não precisamos de guardas. Já fiz a viagem muitas vezes. Posso tomar conta de Darren. — Sem dúvida que pode — arrulhou o Sr. Tino —, mas uma pequena ajuda nunca é demais, certo? — Eles vão atrapalhar — resmungou o Sr. Crepsley. — Eu não quero a companhia deles. — Meus Pequeninos? Atrapalhar? — O Sr. Tino parecia chocado. — Eles existem só para servir. Serão como pastores, tomando conta de vocês enquanto dormem. — Mesmo assim — insistiu o Sr. Crepsley —, eu não quero… — Isto não é uma oferta — interrompeu o Sr. Tino. Embora ele falasse suavemente, a ameaça na sua voz era inequívoca. — Eles vão com vocês. Fim de papo. Vão caçar para comer e providenciarão lugar para dormir.

Tudo que você tem a fazer é procurar não perdêlos nos vastos campos de neve do caminho. — E quando eles chegarem lá? — perguntou o Sr. Crepsley, zangado. — Espera que os faça entrar? Isso não é permitido. Os Príncipes não vão admitir. — Vão sim — discordou o Sr. Tino. — Não esqueça quem foi que construiu o Salão dos Príncipes. Paz Celestial e o resto sabem de que lado está a manteiga do seu pão. Eles não farão objeção. O Sr. Crepsley estava furioso — praticamente tremendo de raiva —, mas a fúria desapareceu quando olhou para os olhos do Sr. Tino e compreendeu que não podia discutir com aquele intrometido. No fim ele concordou balançando a cabeça e evitou seu olhar fixo, envergonhado por ter se submetido aos desmandos deste homem. — Eu sabia que ia concordar — disse o Sr. Tino com um largo sorriso, e depois voltando a atenção para mim. — Você cresceu — notou ele. — Por dentro, que é onde importa. Suas batalhas com o Homem-Lobo e o Vampirado o fortaleceram. — Como sabe de tudo isso? — perguntou o Sr. Crepsley, atônito. Todo mundo sabia do meu encontro com o Homem-Lobo, mas ninguém devia saber da nossa luta com o Vampirado. Se os vampixiitas descobrissem, nos caçariam até os confins da Terra e nos matariam. — Eu sei todo tipo de coisa — riu o Sr. Tino, divertido.

— Este mundo não tem segredos para mim. Você percorreu um longo caminho — virou para mim outra vez —, mas ainda tem um longo caminho pela frente. A trilha nem sempre é fácil e não estou falando só da viagem à Montanha do Vampiro. Você deve ser forte e ter fé em você mesmo. Nunca admita a derrota, mesmo quando ela pareça inevitável.

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