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A Saga do Grande Computador – Olof Johannesson

Em direção a uma meta oculta para ti. Viktor Rydberg Homens e computadores Há muito tempo foi inventado o primeiro computador. Com isto iniciou-se uma nova época, cujos acontecimentos iremos descrever. Apesar da terrível catástrofe ocorrida, este período histórico foi dominado por um fantástico desenvolvimento que transformou as primitivas sociedades préinformáticas, amalgamando-as à perfeita organização de nossa época. Comparados aos computadores atuais, os primeiros eram muito simples. A evolução que estes experimentaram é em certo sentido comparável com a evolução biológica do primeiro e simples organismo até o ser humano. Mas apesar de suas construções primitivas, os primeiros computadores já eram bastante úteis. Resolviam complicados problemas matemáticos e técnicos e rapidamente adquiriram uma importância fundamental nos diferentes campos da vida social. Adaptavam-se cada vez mais às necessidades do homem e simplificavam suas preocupações. Capazes de resolver problemas até então insolúveis e encarregando-se gradativamente dos trabalhos intelectuais de rotina, propiciavam ao homem uma existência mais livre e cômoda. A adaptação era mútua, os homens se adaptavam aos computadores. Dedicavam grande parte do tempo e forças ao desenvolvimento e aperfeiçoamento destes, forneciam-lhes os serviços exigidos e tratavam-nos tão mais afetuosamente quando mais valiosos e indispensáveis demonstravam ser. As soluções elaboradas pelos computadores tornaram-se cada vez mais diretivas para os seres humanos, quer se referissem a problemas meramente científicos e técnicos, quer se referissem a questões econômicas ou sociais. O desenvolvimento da sociedade nos mais diferentes aspectos seguia as linhas diretivas julgadas ótimas pelos computadores. Os homens comportavam-se mais e mais conforme seus conselhos e instruções, e ousaríamos mesmo dizer, ordens. Através da máquina a vapor, da eletricidade e do motor, o homem já havia se libertado do trabalho corporal pesado. As frágeis forças de seus músculos haviam sido substituídas pelos formidáveis HPs. O homem não mais precisava fatigar-se com o cansativo trabalho físico. Os computadores eram mais satisfatórios. Facilitavam o fatigante e exaustivo trabalho intelectual. Libertavam finalmente o homem do incômodo de pensar. Quanto mais úteis demonstravam ser os computadores, maior se tornava seu número. Multiplicaram-se e encheram a terra. Ao mesmo tempo se tornaram mais complexos e mais aptos a resolver inclusive os mais difíceis problemas. Cresceram e amadureceram geração após geração, dominando cada vez mais a evolução da sociedade.


Cronologia A era em que ocorre o surgimento do primeiro computador é chamada por alguns de Era Informática. Mas este nome melhor se adapta aos novos tempos que ora presenciamos. O que caracteriza a era do primeiro computador até os nossos dias não é a dominação total dos computadores senão uma fecunda cooperação, uma simbiose, que se estabeleceu entre homens e computadores. Foi esta simbiose que por um lado enriqueceu a existência humana e por outro tornou possível a evolução e multiplicação dos computadores. Por estas razões os historiadores são hoje unânimes em afirmar que Era Simbiótica é um nome adequado para o período que agora se aproxima de seu fim. O período que antecedeu a Era Simbiótica é geralmente denominado Era Pré-Informática. Embora a verdadeira evolução só tenha começado com a Era Simbiótica, a Era Pré-Informática não deixa de ter significado. Nela preparou-se efetivamente o surgimento do computador. Isto ocorreu em várias etapas, durante as quais se desenvolveu gradativamente o meio adequado para seu surgimento. Pode-se descrever a Era Pré-Informática sob vários aspectos. O período em que ora vivemos caracteriza-se pela expansão de nossa cultura ao espaço envolvente. Guiados pelos cálculos dos computadores começamos a colonizar os corpos celestes mais próximos. Com isto como pano de fundo é natural que comecemos a descrição da Era Pré-Informática com esta perspectiva cósmica como ponto de partida. O surgimento da vida Esta região do espaço que nossas naves interplanetárias agora cruzam foi uma vez ocupada por uma nuvem que se condensou sob a ação das forças cosmogônicas e originou o sol e o sistema planetário. Na terra, um dos muitos corpos então formados, as circunstâncias se apresentaram como as mais favoráveis para o desenvolvimento da cultura que agora se difunde às irmãs da terra no espaço. Mas muito tempo transcorreu antes que esse desenvolvimento tivesse início. A terra era totalmente estéril durante o primeiro período de sua existência. Não abrigava vida nemcomputadores. Durante esta época agiam principalmente as forças geológicas. O mar formou-se e dele surgiram continentes e ilhas. Se atentarmos para os acontecimentos que prenunciam e preparam nossa época, devemos considerar principalmente o enriquecimento dos diferentes minerais pelas matérias que constituem o computador. Não é nossa missão dar uma minuciosa descrição da evolução geológica e biológica. Nosso tema é a Era Simbiótica, e das épocas anteriores descreveremos apenas os eventos que nelas preparam o surgimento dos computadores ou as circunstâncias da Era Simbiótica. Ao nomearmos a Era Pré-Informática pensamos imediatamente nas grandiosas epopéias nas quais nossos vates descrevem a evolução do mundo. A forma em que descrevem os acontecimentos históricos distanciase muitas vezes das sóbrias análises dos historiadores.

Mas não deixam de ter importância, pelo contrário. Nem mesmo o mais lógico dos cientistas pode evitar inspirar-se nas grandiosas perspectivas que suas epopéias nos oferecem. Vivemos em uma época fantástica e somos necessariamente influenciados pela incrível evolução da Era Simbiótica. Vislumbramos uma era certamente mais grandiosa. Mesmo a descrição da Era Pré-Informática mal consegue escapar a esta influência. Nossos poetas, principalmente os que costumamos chamar de místicos, consideram a era imediatamente posterior à formação da Terra como uma importante tentativa da natureza de engendrar diretamente os computadores. Apontam então os processos geológicos que cristalizaram as diferentes matérias que compõem um computador. Mas evidenciou-se ser por demais difícil que os computadores emergissem da terra estéril. As poderosas forças que formaram as montanhas e diferenciaram os minerais não podiam produzir diretamente algo tão sutil e complicado como umcomputador. Um longo e trabalhoso desvio era necessário. O maior de todos os fins só poderia ser atingido passo a passo. A natureza principiou então com algo mais simples que podia ser resolvido a partir dos meios que estavam à sua disposição. Assim se explica o surgimento da vida. Entre as estruturas químicas que se formaram durante a ação das forças cósmicas algumas possuíam as qualidades exigidas para serem portadoras de vida. Assim começou a existência das mais simples unidades biológicas. A vida, que se desenvolvia até formas cada vez mais complicadas, era um sucedâneo da Natureza para seu fracasso em engendrar computadores. A vida tornou-se no entanto algo mais que um sucedâneo: um caminho da natureza até os computadores, que apesar de todos os erros e instabilidade, de todas as crises e catástrofes, atingiu lentamente seu fim. A evolução biológica Quando se estuda o início da evolução biológica, é bastante difícil tentar adivinhar para onde esta apontava. Como se poderia ver em uma pequena massa protoplasmática, a ameba, por exemplo, o primeiro passo para o computador? Mas se acompanhamos a evolução biológica, logo encontramos certos indícios esclarecedores. Em um estágio bastante primitivo já começa efetivamente a formar-se um sistema nervoso. Certas células tornam-se alongadas e começam a assemelhar-se aos fios metálicos que compunham em grande parte os primeiros computadores, fios ao longo dos quais se propagavam impulsos elétricos. Eram naturalmente de um tipo muito mais primitivo que os dos computadores. Mesmo nos primeiros e mais simples computadores os sinais eram enviados através dos condutores metálicos com a velocidade da luz. Nos condutores nervosos se propagavam ao contrário um curioso tipo e impulsos eletroquímicos, extremamente lentos. Mesmo assim devemos concordar que o princípio básico é o mesmo.

Além disso, os impulsos que os filamentos nervosos enviam são modificados nos diferentes feixes nervosos através das assim chamadas sinapses. Nestes podemos ver uma antecipação dos elementos transistorizados dos computadores primitivos. A partir da formação do primeiro sistema nervoso primitivo a evolução biológica tomou um caminho que conduziu aos computadores, após não poucas dificuldades. Do grande número de experiência que a natureza fez, a maior parte fracassou, pois conduziam somente a becos sem saída. Durante certo período, por exemplo, experiências foram feitas com formas gigantescas e sáurios colossais — os dinossauros — surgiram. Simultaneamente viviam alguns mamíferos muito pequenos, e poder-se-ia pensar que os imensos dinossauros eram superiores em todos os aspectos. Mas os mamíferos tinham uma grande vantagem. Seus sistemas nervosos reagiam mais rapidamente que os dos dinossauros. Eles eram, como diríamos outrora, mais inteligentes. Numa terminologia moderna diríamos preferentemente que o computador rudimentar que constituía seus sistemas nervosos tinha uma mais alta capacitação funcional. Em outras palavras, eles estavam mais próximos dos verdadeiros computadores e por isso eram superiores e saíam vitoriosos da luta pela existência. O surgimento do homem Iríamos muito longe se seguíssemos em detalhe a evolução biológica. Vamos apenas deternos um pouco na fantástica mutação — ou série de mutações — que marcam a evolução do macaco ao homem. Podemos nos perguntar se isto foi realmente um passo significativo. A diferença entre o homem e o macaco é bastante pequena se comparada com a diferença entre o homem e um moderno computador. Apesar disto precisamos considerar o surgimento do homem como um dos acontecimentos realmente importantes na evolução histórica. Pois efetivamente foi apenas através do homem que se tornou possível o surgimento dos computadores. Ao contrário dos macacos, cães e outros animais, o homem podia de fato fazer descobertas e assim criar um meio adequado para o surgimento dos computadores. Sua verdadeira grandeza residia no fato de que o homem era o único ser vivo suficientemente inteligente para compreender que a meta da evolução era o computador. Posteriormente os computadores necessitaram de um longo período de simbiose com os seres humanos para poderem se desenvolver até o que hoje são. Nenhum outro ser vivo poderia ter sido instrumento deste objetivo. A idéia central que seguimos corresponde ao modo tradicional com que os místicos apresentam a evolução. Naturalmente, se exigiria menos parcialidade de uma descrição estritamente histórica, menos argumentos teleológicos. Mas a linha fundamental de nossa apresentação está, no entanto, de acordo com fatos históricos. As nobres — sobre vários aspectos — capacidades do homem dependem do fato de que seu sistema nervoso é tão bem desenvolvido.

Pode-se inclusive afirmar que seu cérebro constitui umcomputador relativamente utilizável. Ele é desta forma o único ser vivo em condições de resolver problemas matemáticos. Isto é feito naturalmente com lentidão, pois o computador que é seu cérebro trabalha com lentos impulsos eletroquímicos, os únicos que seus filamentos nervosos podemtransmitir. Mas apesar disto precisamos reconhecer no homem notável aptidão para a matemática e inclusive para muitos outros assuntos. O homem no Período Pré-Informático Estamos habituados a representar todo o período pré-informático da existência da espécie humana como imerso em deserdem e caos, em brutalidade selvagem e guerras. É evidentemente correto que através do surgimento dos computadores tornou-se possível uma sociedade bemorganizada. No entanto uma apreciável evolução teve lugar desde o primeiro homem da Idade da Pedra que vivia na floresta virgem até a era do surgimento dos computadores. Uma série de invenções e descobertas ocorreu: o fogo, a roda, a eletricidade, o motor, o rádio, o avião, a energia atômica e os foguetes. Dessas, a eletricidade e o rádio foram as mais importantes, pois prepararamcaminho para o surgimento dos computadores. O homem de então sentia-se feliz e orgulhoso de todos esses serviços, que modificaram suas condições de vida em alto grau desde o momento em que começou a se diferenciar do macaco. A vida tornou-se em muitos aspectos melhor e mais confortável. Mas ao mesmo tempo os homens tinham consciência de que em muitas áreas importantes não havia ocorrido algo que significasse realmente progresso. Se lermos a literatura anterior à aparição dos computadores, encontramos queixas constantes de que os seres humanos, vistos sob um“aspecto moral” não haviam dado passos substanciais desde a Idade da Pedra. O homem da Idade da Pedra matava com sua clava seu semelhante, quando se sentia ameaçado ou quando estava com fome. No período anterior ao surgimento dos computadores, os seres humanos em geral não deambulavamnem matavam-se entre si, isto era reservado aos gangsters, políticos e militares, mas emcompensação estes matavam com mais eficiência graças a uma série de geniais invenções. A sensação do homem de viver em um mundo perigoso e inseguro, pelo que sabemos, não se modificou muito durante a Era Pré-Informática. Em seus primórdios, o homem temia as forças da natureza ou a clava do vizinho, em seu término o homem temia as máquinas voadoras e bombas atômicas. Mas o terror era o mesmo. Quando lemos que os escritores de então esperavam que futuros progressos no aspecto moral remediariam esta situação terrível, ficamos um tanto desconcertados. Eram os políticos que definitivamente organizavam os massacres, embora em muitos estados uma conduta moralmente imaculada fosse a condição primeira para uma carreira política. Em verdade, estas anomalias dependiam de razões totalmente distintas. De uma sociedade exige-se que seja estável, no sentido de que não se dirija a catástrofes bélicas e seja ao mesmo tempo progressista de modo que as condições humanas melhores solidamente — do contrário ocorrem descontentamentos e revoluções. Construir uma tal sociedade é um dificílimo problema sociológico. Em verdade é tão difícil que ultrapassa a capacidade de umcérebro humano e só pode ser resolvido com o auxílio de computadores. Isto foi provado através de um teorema muito importante, o assim chamado “teorema da complicação sociológica”.

O teorema da complicação sociológica Embora fuja aos propósitos desta exposição examinar em detalhes o teorema e suas provas, a questão é no entanto tão importante que bem cabe relembrarmos seus princípios gerais. Podemos por analogia lembrar que durante a Era Pré-Informática era impossível fazer uma previsão meteorológica mais detalhada e segura. Se durante um certo período se observam as condições do tempo em uma quantidade suficiente de estações meteorológicas, pode-se compor equações diferenciais para a evolução das condições do tempo, e se as resolvemos, podemos predizer o tempo com três dias de antecipação, por exemplo. Mas resolver as equações e fazer os cálculos necessários tomava durante o período pé-informático mais de três dias. Tinha-se pois o prognóstico do tempo pronto quando já era tarde, pois a evolução do tempo era mais rápida que o cálculo do prognóstico. Somente quando os computadores começaram a ser utilizados é que se tornou possível obter o prognóstico tão rapidamente de forma que ainda fosse válido, tão rapidamente que o tempo previsto fosse obtido antes do tempo ocorrer. Em certos aspectos o problema sociológico é análogo. Somente quando nos familiarizamos profundamente com as condições da sociedade é que podemos tomar providências para sua organização racional. Mas apreender a complicada estrutura social exige um longo tempo. Se a sociedade absolutamente não se desenvolvesse e fosse totalmente estática, ter-se-ia tempo de estudar suas características fundamentais, meditar sobre que providências devem ser tomadas, e depois executá-las sucessivamente e sondar o terreno até encontrar-se um sistema satisfatório. Mas um tal processo toma tempo, tempo incomparavelmente mais longo que o de elaborar umprognóstico do tempo. Isto significa que não se pode sem mais nem menos transferir o processo de um tipo de sociedade estática, cujas condições técnicas não se modificam, para uma sociedade cujo desenvolvimento técnico ocorre progressivamente. Durante o tempo despendido em estudar a sociedade, pesquisar que providências devem ser tomadas, e executá-las, a ciência faz novas descobertas e a técnica produz novos inventos. No momento em que as providências iniciam a agir na sociedade, as condições científicas e técnicas de sua estrutura estão muitas vezes radicalmente transformadas, e as novas condições podem muito bem ser de natureza tal que motivariamprovidências diametralmente opostas. Por isso, as providências que são de fato tomadas não chegamem geral a tornar a sociedade mais racionalmente organizada. Muitas vezes elas produzem um efeito contrário, aumentam o caos. E as novas providências que são motivadas pela nova situação, não podem ser executadas antes que a ciência e a técnica tenham criado novamente uma outra situação. O resultado disto é que os prognósticos ingênuos da Era Pré-Informática jamais coincidiamcom a realidade. Os organizadores da sociedade dançavam em torno a si mesmos como o gato atrás de sua cauda.

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