| Books | Libros | Livres | Bücher | Kitaplar | Livros |

A Saga do Rei Dragao – A Espada e a Chama – Stephen Lawhead

A figura curvada subia penosamente a trilha sinuosa, apoiando-se pesadamente no seu cajado. Parava muitas vezes para descansar e olhava para baixo, para as calmas planícies, desviando a vista para oeste, na direção de Askelon. Era um ancião de idade incalculável e envergava as vestes e o capuz de um sacerdote. Tinha as feições envoltas em densas sombras e, embora o dia estivesse quente e o sol brilhasse, seguia o seu caminho coberto dos pés à cabeça. Visto à distância, parecia um escaravelho preto subindo um montículo de terra, carregando consigo a pesada carapaça. Quando chegou ao alto do planalto, sentou-se numa pedra, por baixo de uma velha árvore gasta pelo vento, que lançava os seus poucos ramos rugosos no caminho. Muitos peregrinos se tinham sentado naquela pedra, elevando aos deuses as suas preces, na esperança de que estes lhes enviassem algum oráculo. Mas este viajante não era peregrino nem ia ali rezar. Em vez disso, deixou-se ficar sentado, contemplando a região de olhos franzidos, Os trinados dos pássaros enchiam o ar, que tremeluzia com as ondas de calor que se elevavam da terra. Apesar da neblina azul em que a distância a envolvia, a sua apurada visão de águia conseguia distinguir os contornos verdeescuros da floresta de Pelgrin, que se estendia para oeste como um vasto mar verde. Lá em baixo, no vale, os camponeses trabalhavam nos campos, por entre as searas novas. Os gritos que lançavam aos bois preguiçosos subiam a encosta do monte como súplicas a um deus que não as ouvia. O ancião desviou o rosto da paisagem calma, que, por baixo do céu azul, límpido e imperturbável, lançava reflexos verdes e dourados. Olhou para o templo branco e silencioso como um túmulo, que se elevava lá em cima. Depois, voltou a pôr-se pesadamente em pé, pegou no cajado e continuou a andar. Quando chegou ao átrio do templo, parou e encostou-se durante muito tempo ao cajado, como se esperasse um sinal ou como se, apesar de ter ido até ali, não conseguisse decidir se havia de acabar o que tinha começado. Passado algum tempo, virou o rosto para leste, na direção das montanhas, que pareciam gigantescos ombros encimados por poderosas cabeças, Acima dos cumes longínquos, viu nuvens escuras formando-se e sendo empurradas pelo vento para oeste. O velho monge fez que sim com a cabeça e atravessou o átrio de pedra até às escadas do templo. Subiu os degraus, ergueu a argola de ferro da grande porta de madeira e bateu várias vezes. Passados uns momentos, a porta abriu-se e a cabeça de um homem de capa vermelha espreitou para fora. – O templo não está aberto a esta hora. – O homem olhava para o velho monge com ar de poucos amigos. – Se quer preces ou algum presságio, volte aqui na sétima hora. – Não vê que sou sacerdote? – perguntou o ancião. – Vim falar com o sumo sacerdote de Ariel.


– Ele não fala com ninguém – replicou o guardião do templo. – Está em retiro. – Está mesmo? Mas este é um assunto da maior urgência. Tem de falar comigo. O guardião olhou para o velho e encarquilhado sacerdote com um ar zangado. No seu rosto estava estampado que aquele velhote e o seu cajado eram um grande aborrecimento. Mas antes de poder responder, o velho sacerdote falou novamente: – Não cabe a você decidir. Chama alguém com autoridade. Senão o sumo sacerdote, então o segundo sumo sacerdote ou o sacerdote de dia. O guardião do templo rogou uma praga silenciosa ao ancião e fechou a porta. O velho sacerdote ficou uns momentos à espera, de cabeça baixa. Quando ia erguer outra vez a argola, ouviu passos do outro lado da porta. Um sacerdote jovem de capa cinzenta e cara picada das bexigas espreitou pela abertura. Atrás dele, o guardião esperava, de sobrolho franzido. – O que quer? – perguntou o jovem sacerdote. – Quero falar com o sumo sacerdote. Suponho que é permitido. O assunto que aqui me traz é importante. – Ele não fala com ninguém que não tenha sido anunciado – retorquiu rapidamente o sacerdote. – Então quero ser imediatamente anunciado – disse o ancião suavemente. Os seus olhos desmaiados endureceram até parecerem duas pedras. – O sumo sacerdote Pluell está em retiro. Não pode ser incomodado. Sou o sacerdote de dia. Posso ajudá-lo.

O ancião sorriu manhosamente. – Duvido muito. No entanto, vai ajudar-me. Anuncie-me. Vê-se bem que é um homem suficientemente esperto para arranjar uma maneira de fazê-lo. O jovem contorceu o rosto num esgar temível e inspirou, para melhor poder gritar ao ancião que se fosse embora. Mas antes dele falar, o sacerdote mais velho levantou a mão e disse: – Faça o que te digo. – Falou com simplicidade, mas as suas palavras não podiam ser mais autoritárias. O sacerdote mais novo sentiu-as como uma bofetada e fechou a boca instantaneamente. – Espere ali – murmurou o sacerdote de dia, apontando para um banco de pedra que ficava debaixo de uma árvore, encostado ao muro, do outro lado do átrio do templo. – Eu espero – disse o ancião, virando-se e começando a descer lentamente os degraus do templo. – Que nome lhe digo? – perguntou-lhe o jovem sacerdote, elevando a voz. O ancião parou, encostou-se ao cajado e pareceu ponderar cuidadosamente na questão que lhe fora posta. – Então? – inquiriu o sacerdote de dia. – Diga-lhe – começou por fim o ancião – que chegou um amigo das bandas do sol-nascente. – Uma mão encarquilhada desapareceu por entre as pregas das suas vestes. – E dê-lhe isto. – Retirou a mão e estendeu-lhe um objeto escuro e brilhante. O jovem saiu de dentro do templo e pegou o talismã, que pôs na palma da mão e examinou com curiosidade. O objeto era uma medalha redonda e achatada, feita de pedra preta, fria, e tinha inscritos estranhos símbolos, que ele não reconheceu. Enquanto segurava o talismã, percorreu-o uma sensação estranha e agourenta, parecia que a condenação se juntava à sua volta, como as altas nuvens escuras que se formavam no céu, Sem mais palavras, virou-se e voltou a entrar no templo. O ancião continuou a descer as escadas e avançou lentamente para o banco que ficava debaixo da árvore. Acomodando-se à sombra, ficou à espera. O dia foi progredindo preguiçosamente. Ao meio-dia, uns poucos peregrinos solitários chegaram ao templo.

O sacerdote de dia foi ao seu encontro e aceitou as suas oferendas. Os peregrinos ficaram à espera e, depois, foram admitidos no templo, onde iam ouvir o seu oráculo. Saíram passado algum tempo e afastaram-se, conversando alegremente, felizes com as boas novas que os sacerdotes lhes tinham anunciado. Nenhum deles reparou no ancião quieto como um ídolo, sentado debaixo da árvore que ficava ao lado do muro. O crepúsculo chegou, e com ele uma brisa fria, soprando de oriente, perfumada com o doce cheiro almiscarado da chuva. Quando o Sol carmesim e muito brilhante se pôs para lá dos campos dourados do vale que ficava abaixo do templo, apareceu um sacerdote empunhando um tição, com o qual acendeu a tocha do pilone de pedra que se erguia no meio do átrio do templo. O sacerdote, de costas para o ancião, ergueu o tição, acendeu a tocha e, sentindo-se observado, virou-se lentamente, perscrutando as sombras na direção do ancião, ainda sentado no banco. À luz da tocha, dois olhos brilhantes cintilaram na escuridão. O sacerdote deu um salto para trás e quase deixou cair a tocha. Depois, virou-se e entrou correndo no templo. A grande porta de madeira fechou-se atrás dele com estrondo, e o som do barulho que fez ecoou pelo átrio vazio. O ancião não se mexeu, limitou-se a fechar outra vez os olhos e continuou à espera. As nuvens altas, voando rapidamente ao vento como velas esfarrapadas, escondiam a Lua que nascia por cima do vale. A brisa começava a soprar em rajadas e, muito ao longe, ouvia-se o estrondo abafado dos trovões. Umas poucas folhas secas esvoaçavam às cambalhotas pelas lajes de pedra do átrio, assemelhando-se a ratos a correr. O vento brincava com a tocha do pilone fazendo-a crepitar. Sentado, de cabeça baixa, o ancião aconchegou-se mais nas suas vestes e continuou à espera. À meia-noite, o átrio estava escuro e silencioso. As nuvens cobriam o céu e o distante resmungar do trovão parecia cada vez mais perto. O vento frio soprava ininterruptamente de oriente inclinando a chama da tocha e fazendo as sombras saltarem e dançarem em volta do pilone. Então, no outro lado do templo, apareceu o brilho fraco de outra luz bruxuleante, que se aproximou balouçando na mão que a segurava, acompanhada do ruído abafado de sandálias batendo nas pedras. O ancião levantou a cabeça e sorriu na escuridão. O recém-chegado parou diante da figura sentada. Erguendo a lanterna, abriu uma portinhola, para deixar sair mais luz. Ao brilho amarelo da lanterna, o sacerdote examinou o visitante.

– Quem é você? – perguntou. – Por fim, você veio, Pluell. – Como sabe quem sou? – É o sumo sacerdote, não é? O sumo sacerdote não tem um nome? – Tenho e você o conhece. Gostaria de saber o seu. – Creio que sabe, senhor. O sumo sacerdote olhou para o velho rosto e aproximou a lanterna. – Nunca o vi… nunca. – Depois, acrescentou lentamente: – Ou vi?O ancião abanou a cabeça. – Não, talvez não. Há muito que não passo por estes lados. – Embora ande com esse hábito, não é sacerdote – afirmou Pluell. – Se não passa por aqui há muito tempo, como quer que saiba o teu nome? – Não recebeu o meu talismã? – Recebi. – Estendendo a mão, mostrou a pedra preta. O ancião pegou nela e segurou-a no alto. – É uma peça muito curiosa. – Muito curiosa mesmo. – O ancião fê-la desaparecer dentro do hábito. Nesse momento, o céu foi despedaçado por um relâmpago, que iluminou as duas figuras com uma luz pura e irreal. – A trovoada está mesmo em cima de nós – disse o ancião. – Quem é você? – perguntou o sumo sacerdote. – Já te disse que sabe. – Ora! Não vou perder mais tempo contigo. Tirou-me da cama. – Lançou ao ancião um olhar zangado. – Não devia ter vindo.

– E, no entanto, veio. Porquê? O sumo sacerdote abriu a boca para falar, pensou melhor e tornou a fechá-la. – Eu digo porquê – entoou suavemente o ancião. – Veio porque tinha de vir. Não podia deixar de vir par vendo com os seus próprios olhos se era mesmo verdade. O sumo sacerdote não disse nada. O vento soprava em rajadas e a tocha bruxuleava. Os ramos da árvore estalavam e gemiam ao vento. – Veio porque eu te convoquei. – Velho mentiroso! – retorquiu Pluell. – Quem pensa que é? – Veio porque sabe que se aproximam tempos atribulados e que eu posso ajudar. – É louco. A nossa conversa acabou aqui. Vá embora! – gritou. – Muito bem – replicou calmamente o ancião, levantando-se devagar, como se fosse partir imediatamente. Ao pôr-se em pé, o capuz caiu-lhe da cabeça, pondo à mostra finos caracóis compridos de cabelo branco, que emolduravam um rosto tão sulcado e enrugado como um campo lavrado. Os seus olhos pretos e cortantes brilhavam-lhe no rosto devastado. – Eu vou, mas houve tempos em que o nome Nimrood infundia respeito. Ao ouvir este nome, o sumo sacerdote recuou involuntariamente. – Nimrood! – ofegou. – Não pode ser! – Vê? Afinal conhece-me. – Mas… você morreu! Há anos… ainda eu era rapaz… ouvi dizer… que tinha sido morto na batalha com o Rei Dragão… – Como vê, não fui – replicou o ancião. – Nimrood! Nem acredito no que vejo! – Acredite, senhor! Sou mesmo Nimrood. Os relâmpagos atravessavam o céu, libertando trovões que ressoavam por todo o vale. Começaram a cair pesadas gotas de chuva, que ressaltavam ao baterem nas pedras do átrio do templo.

– Esses tempos atribulados de que falou… o que são? Como pode ajudar? Nimrood ergueu o rosto para o céu. – A tempestade veio com toda a força. Não prefere ir para os seus aposentos privados? Parece-me que talvez tenhamos muito que discutir. O sumo sacerdote Pluell ficou momentaneamente indeciso. Pensando no assunto, lançou a Nimrood um olhar penetrante. A chuva salpicava-lhe o rosto. A tocha do pilone crepitava na escuridão, sibilando como uma serpente. – Como queira. Siga-me – disse Pluell, dirigindo-se para a entrada lateral, pouco usada, e deixando o átrio do templo entregue à chuva e à noite. CAPÍTULO II Bria deixou-se ficar ouvindo o gotejar da chuva no torreão que ficava do lado de fora dos seus aposentos. As portas estavam escancaradas, deixando entrar a suave brisa de Verão, que transportava com ela o cheiro limpo e fresco do ar lavado pela chuva. Passarinhos azuis chilreavam na balaustrada, enchendo a manhã com o seu alegre canto. A rainha virou-se e estendeu o braço para o lado, descrevendo um círculo. A sua mão tateou os lençóis vazios onde o seu marido devia estar, mas já não estava. Abrindo então os olhos preguiçosamente, murmurou: – Mas você nunca descansa, Quentin? Bria levantou-se e enfiou um roupão. Imediatamente entrou uma serva correndo, envergando um vestido fresco de Verão, de samito azul-celeste, com um cinto de ouro finamente trabalhado. – Dormiu bem, senhora? – perguntou a jovem. – Dormi, obrigado, Glenna. Não está um dia lindo? – Está, senhora. Lindo. – Ao sorrir, os seus olhos brilharam. – Quase tão lindo como a senhora. – As suas lisonjas são trinados de pássaros. – Bria soltou uma gargalhada e o quarto ficou mais claro. – Viu o rei? – Não, senhora.

Quer que chame o mordomo-mor? A rainha encolheu os ombros. – Não é preciso. Sei muito bem onde é que ele foi. A serva ajudou a sua rainha a vestir-se e, depois, começou a arrumar o quarto. Bria saiu dos aposentos reais e dirigiu-se às cozinhas. Percorrendo O corredor com ligeireza, desceu o lance de escadas que dava para o salão dos banquetes. Logo que pôs os pés no salão, ouviu gritos e sentiu uma súbita agitação à sua volta. – Mãe! Ouviu? Oh, já sabe a novidade? – Duas meninas saltitaram para ela, agarraram-lhe as mãos e puxaram-na até à mesa do desjejum. – E que novidade ouviram, minhas queridas? – perguntou ela, sorrindo e afagando-lhes as cabeleiras louras. A mais nova das duas meninas, a princesa Elena, que tinha o cabelo comprido dividido em dois e entrançado com fio dourado, o que fazia brilhar e cintilar de cada vez que ela dançava com os seus pezinhos metidos em chinelas, sorriu alegremente para a mãe, com os olhos verdes luzindo de satisfação por ter um segredo. A irmã, a princesa Brianna, delicada como um rebento de Primavera e vestida de azul-vivo como a mãe, apertou a mão da rainha e disse: – Ande sentar-se aqui conosco, mãe! Temos tanto para te contar! A princesa Elena abanou a cabeça vigorosamente. – Temos, temos tanto para te contar! – Muito bem – respondeu Bria, instalando-se no banco que estava junto da mesa. – Quais são as suas novas? Digam, quero saber já! A menina mais velha olhou para a irmã e ambas desataram a rir. As suas gargalhadas eram de pura alegria. Enfeitiçados pela felicidade das princesinhas, vários ajudantes de cozinha pararam olhando e sorrindo. – Então, não dizem nada à sua pobre mãe? Já não aguento mais! – Bría pegoulhes nas mãos e apertou-as. As palavras saíram-lhes ainda no meio de risos: – Esme está quase chegando! Esme! Não é maravilhoso? – gritaram. – Esme chega hoje à noite! – Que novas tão boas! – retorquiu Bria, abraçando as filhas. – Oh, mas não diga nada ao nosso pai – pediu Brianna. – Queremos ser nós a dizer-lhe, está bem? – Está. Será uma surpresa. – Vamos procurá-lo! – gritou Elena. As duas meninas teriam logo largado numa correria se a rainha não as tivesse chamado: – O rei não está aqui, meus amores, foi de manhãzinha para o templo. – Também podemos ir? Deixa, mãe – suplicaram ansiosamente. – Primeiro, venham comer o desjejum.

Depois, veremos. – Bria lançou um olhar rápido pela divisão. – Onde está o seu irmão? – Ainda na cama? O Sol já vai alto! – Oh, não! Pegou num pão de sementes e saiu há muito tempo. Foi às cavalariças encontrar-se com o Toli. Vão os dois passear a cavalo. – A cavalo! Sempre a cavalo! Não me admira nada que lhe cresçam cascos e uma crina! As meninas soltaram risinhos abafados. A rainha suspirou. Não lhe agradava a idéia de um rapazinho tão pequeno montar cavalos tão grandes. “No entanto, enquanto estiver com o Toli, não lhe acontecerá nada de mal”, pensou. – Bem, comam o desjejum. Temos muito que fazer para nos prepararmos para a visita de Esme! Sentaram-se para comer, mas, com a excitação, as meninas só conseguiram depenicar a comida, Por fim, a mãe deixou-as ir e elas saíram do salão correndo e rindo. Vendo-lhes as tranças balançando, Bria sorriu. “Então, Esme vem aqui. Que bom!”, pensou ela. “Como é que as minhas filhas teriam sabido? Bem, não interessa. Já não vinha a Askelon há tanto tempo! Há tempo demais! Tenho saudades dela.” Quentin encontrava-se de pé junto da mesa grosseiramente talhada, colocada no meio de um grande retângulo de pedra. Com a cabeça inclinada examinava um enorme rolo de pergaminho, preso nas pontas com uma pedra. – Vê aqui – disse, apontando para o plano. – Se levantarmos esta parede numa semana, poderemos começar a pôr as traves. O que diz, Bertram? O velho mestre mação, de cabelo grisalho, olhou de través para o dedo apontado do rei, levantou a cabeça e coçou o queixo hirsuto, acenando com a cabeça para a parede que tinha à frente. – É possível, Majestade – replicou diplomaticamente. – Mas primeiro têm de se ajustar as bases de apoio, que ainda não estão prontas. E as armações também não. – Hum – disse o rei, franzindo o sobrolho.

– Mas, daqui a pouco, já estará levantada, Majestade. Pode contar com isso. Daqui a pouco – reafirmou, acenando com a cabeça e chamando um dos seus pedreiros. – Com licença, Majestade. Tenho de… – Claro, vai lá. Eu voltarei para o castelo. – Bom dia, Vossa Majestade. – Bertram fez uma vênia e foi embora. Quentin ainda ficou de mãos na cintura, observando os trabalhos que decorriam à sua volta. A manhã estava clara e límpida, e a erva comprida ainda molhada da chuva da noite. Os pedreiros e os seus ajudantes labutavam com vigor. Os cabouqueiros despejavam os seus carrinhos cheios de pedra nos montes que se erguiam de ambos os lados do retângulo, de onde outros trabalhadores a escolhiam, transportando-a, depois, para as paredes, os homens que faziam a argamassa e os seus ajudantes mexiam os montes de lama e punham argamassa fresca em placas que levavam aos pedreiros, que estavam sempre reclamando mais. No meio desta confusão organizada, as paredes do novo templo, o templo do Altíssimo, iam-se erguendo devagar e quase imperceptivelmente. A obra já ia no seu sexto ano e, às vezes, parecia a Quentin que nunca mais terminaria. O rei esperava ansiosamente que o templo estivesse acabado, pois o fim dos trabalhos inauguraria a nova era. E seria naquele templo que ele presidiria à adoração do novo deus de Mensandor. O templo simbolizaria o amanhecer da nova era.

.

Baixar PDF

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Baixar Livros Grátis em PDF | Free Books PDF | PDF Kitap İndir | Telecharger Livre Gratuit PDF | PDF Kostenlose eBooks | Descargar Libros Gratis |