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A Sala dos Repteis – Lemony Snicket

O trecho da estrada que sai da cidade, passa pelo Porto Enevoado e vai até a aldeia vizinha de Tédia, talvez seja o mais desagradável do mundo. É chamado de Mau Caminho. O Mau Caminho atravessa campos de um cinzento doentio, em que um punhado de árvores esqueléticas produz maçãs tão ácidas que só de olhar para elas já nos sentimos doentes. O Mau Caminho cruza o rio da Amargura, massa d’água que tem noventa por cento de lama e uma população de peixes esquálidos, apodrecendo por falta de oxigênio, e que ainda por cima circunda uma fábrica de raiz-forte, de modo que toda a área tem um cheiro ardido e avassalador. Lamento ter de contar para vocês que a história começa com os órfãos Baudelaire avançando por essa estrada horrível, e que daqui por diante a história só vai piorar. De todas as pessoas no mundo com vidas deploráveis — e vocês bem sabem que há um bom número delas —, os jovens Baudelaire ganham o prêmio, expressão aqui usada para significar que eles passaram por mais coisas abomináveis do que qualquer outra pessoa que conheço. A infelicidade deles começou com um incêndio gigantesco que destruiu a casa em que moravam e matou seus queridos pais — tristeza suficiente capaz de durar por toda a vida, mas, no caso dessas três crianças, foi apenas o mau começo. Depois do incêndio, os irmãos foram mandados para a casa de um parente distante, o conde Olaf, um homem terrível e ganancioso. Os Baudelaire pais deixaram uma enorme fortuna que seria dos filhos quando Violet atingisse a maioridade, e o conde Olaf estava tão obcecado para pôr as mãos nesse dinheiro que arquitetou um plano diabólico que até hoje me dá pesadelos quando penso nele. Foi desmascarado em tempo, mas fugiu antes que o prendessem e jurou que ainda encontraria um jeito de se apossar da fortuna algum dia. Violet, Klaus e Sunny continuavam tendo pesadelos com os olhos de brilho fulminante do conde Olaf, com sua sobrancelha farpeada (duas-numa-só) e, mais que tudo, com a tatuagem de olho que ele tinha no tornozelo. Aquele olho parecia vigiar os órfãos Baudelaire para onde quer que eles fossem. Devo avisá-los, portanto, que se abriram este livro com a esperança de ler que depois de tudo o que lhes aconteceu os meninos viveram felizes para sempre, o melhor é fechar o livro e procurar outra leitura qualquer. Porque Violet, Klaus e Sunny, muito apertados num carro pequeno sem espaço para mais nada e olhando pelas janelas para o Mau Caminho, rodavam em direção a um destino ainda mais sobrecarregado de desgraças e tristezas. O rio da Amargura e a fábrica de raiz-forte eram apenas os primeiros de uma seqüência de trágicos e lamentáveis acontecimentos — cada vez que penso neles, uma lágrima rola no meu rosto e fico tenso de raiva. Quem dirigia o carro era o sr. Poe, amigo da família que trabalhava num banco e que tinha uma tosse que não parava. Ele estava encarregado de zelar pelos interesses dos órfãos, de modo que foi ele quem decidiu que, depois de todas as contrariedades vividas com o conde Olaf, os meninos ficariam sob os cuidados de um parente que morava no campo. “Vocês me desculpem se estão mal acomodados aí atrás”, disse o sr. Poe, tossindo num lenço, “mas nesse meu carro novo não cabem muitas pessoas. Não foi possível sequer colocar nenhuma das malas de vocês. Dentro de uma semana mais ou menos voltarei aqui trazendo as malas. ” “Obrigada”, disse Violet que, com catorze anos, era a mais velha dos irmãos Baudelaire. Qualquer um que conhecesse Violet podia ver que o pensamento dela na verdade não estava nas palavras do sr. Poe, porque nesse momento a menina trazia os longos cabelos presos por uma fita para afastá-los dos olhos.


Violet era uma inventora e quando estava concentrada em alguma de suas invenções gostava de amarrar os cabelos dessa maneira. Uma forma de ajudá-la a pensar com maior clareza nas várias engrenagens, arames e cordas envolvidas na maior parte de suas criações. “Depois de terem morado tanto tempo na cidade”, prosseguiu o sr. Poe, “acho que o campo vai ser uma mudança agradável para vocês. Pronto, esta é a curva onde precisamos virar. Estamos quase chegando. ” “Ainda bem”, disse Klaus baixinho. Klaus estava bastante entediado, como muitas pessoas costumam ficar durante trajetos de automóveis, e triste por não ter trazido um livro com ele. Klaus adorava ler, e nos seus aproximadamente doze anos de idade havia devorado mais livros do que muita gente é capaz de ler ao longo de toda a vida. Às vezes lia até bem tarde da noite, e de manhã podia-se ver que caíra no sono com o livro nas mãos e sem sequer tirar os óculos. “Acho que vocês vão gostar do dr. Montgomery”, disse o sr. Poe. “Ele viajou muito, de forma que tem uma porção de histórias para contar. Ouvi dizer que a casa dele está repleta de coisas que ele trouxe dos lugares por onde passou.” “Bax!”, gritou Sunny. Sunny, a mais nova dos órfãos, freqüentemente falava assim, que é o jeito de falar dos bebês. Na verdade, quando não estava mordendo coisas com seus quatro dentes bemafiados, Sunny passava a maior parte do tempo soltando esses fragmentos de fala. Muitas vezes era difícil entender o que ela estava querendo dizer. Naquele momento o sentido de sua exclamação provavelmente tinha a ver com “Estou nervosa com isso de conhecer um novo parente”. Não era só ela que estava nervosa, mas todos os três. “Qual é exatamente o parentesco que dr. Montgomery tem conosco?”, perguntou Klaus. “O dr. Montgomery vem a ser… deixe-me ver… irmão da mulher do primo de seu falecido pai.

Acho que é isso. É um cientista de certo renome, e recebe muito dinheiro do governo. ” Como banqueiro, o sr. Poe estava sempre interessado em dinheiro. “Como é que a gente deve chamá-lo?”, perguntou Klaus. “Chamem de doutor Montgomery”, respondeu o sr. Poe, “a não ser que ele diga para vocês o chamarem de Montgomery. Mas tanto o seu prenome como o seu sobrenome são Montgomery, de modo que na verdade não faz muita diferença. ” “Seu nome é Montgomery Montgomery?”, Klaus riu ao perguntar. “Sim, e tenho certeza de que ele não aprecia brincadeiras com isso, de modo que é bom não fazerem troça”, disse o sr. Poe tossindo novamente no seu lenço. “Fazer troça é o mesmo que ‘caçoar’.” Klaus deu um suspiro: “Eu sei o que quer dizer fazer troça.” Ele só não acrescentou que, claro, também sabia que não se deve caçoar do nome de ninguém. Às vezes as pessoas pensavam que os órfãos, por sereminfelizes, eram também abobalhados. Violet também suspirou, e soltou a fita dos cabelos. Ela estivera pensando numa invenção que conseguisse impedir o cheiro de raiz-forte a chegar às narinas das pessoas, mas a preocupação com o encontro próximo com o dr. Montgomery não deixava ela se concentrar. “Você sabe que tipo de cientista ele é?”, perguntou. Ela estava pensando se o dr. Montgomery não teria um laboratório que ela também pudesse usar. “Não tenho bem certeza”, admitiu o sr. Poe. “Estive muito ocupado tratando das condições em que vocês ficariam aqui e não tive tempo para puxar outros assuntos. Olhem, aí está a entrada.

Chegamos. ” O sr. Poe conduziu o carro por uma estradinha de cascalho bastante inclinada, em direção a uma enorme casa de pedra. A casa tinha uma porta de entrada de madeira escura, com algumas colunas na varanda. De cada lado da porta havia luminárias em forma de tochas, todas acesas, apesar de ser manhã. Acima da porta da frente, a casa possuía fileiras e mais fileiras de janelas quadradas, a maioria delas aberta para deixar que a brisa entrasse. Mas, diante da casa, via-se algo verdadeiramente fora do comum: um vasto e bem-cuidado gramado, repleto de longos e finos arbustos que haviam sido podados para ficar com a aparência de cobras. Cada arbusto era um tipo diverso de serpente: umas longas, outras curtas, umas de língua para fora e outras de boca aberta revelando dentes verdes assustadores. Todas bem intimidativas, tanto que Violet, Klaus e Sunny mostraram certa hesitação em caminhar passando ao lado delas no trajeto até a casa. O sr. Poe, que ia na frente, nem pareceu notar os arbustos, possivelmente porque estava concentrado em passar às crianças instruções sobre como se comportar. “Escute, Klaus, não faça muitas perguntas logo no começo. Violet, o que foi que houve com a fita em seus cabelos? Achei que aquele penteado lhe dava uma aparência tão distinta! E, por favor, alguém vigie Sunny e não deixe que ela morda o dr. Montgomery. Seria desfavorável como primeira impressão. ” O sr. Poe apressou o passo até a porta e tocou uma campainha que soava mais alto que qualquer outra campainha já ouvida pelos meninos. Depois de uma curta pausa, ouviram passos se aproximando, e Violet, Klaus e Sunny se entreolharam. Não tinham como saber, é claro, que muito em breve mais desgraças estariam afligindo sua infortunada família, mas, de qualquer modo, estavaminquietos. O dr. Montgomery seria uma pessoa legal?, pensavam. Melhor que o conde Olaf, pelo menos? Seria possível que fosse pior? A porta abriu-se com um rangido, vagarosamente, e os órfãos Baudelaire prenderam a respiração ao olhar para dentro do escuro hall de entrada. Viram um tapete púrpura-escuro estendido sobre o chão. Viram um lustre em vitral que pendia do teto. Viram na parede uma grande pintura a óleo que representava duas cobras entrelaçadas.

Mas onde estava o dr. Montgomery? “Olá!?! “, indagou em voz alta o sr. Poe. “Olá!?!” “Olá, olá, olá!”, ouviu-se, alto e bom som, de alguém que surgiu detrás da porta, um homem baixinho e rechonchudo de rosto bem redondo e avermelhado. “Sou seu tio Monty, e vocês chegaram bem na hora! Acabei de preparar um bolo com creme de coco!” CAPÍTULO DOIS “Sunny não gosta de coco?”, perguntou o tio Monty. Ele, o sr. Poe e os jovens Baudelaire estavam sentados todos em volta de uma mesa verde, cada um com uma fatia do bolo do tio Monty. Tanto a cozinha como o bolo continuavam com o calor do forno. O bolo era uma obra-prima, cremoso e saboroso, com o coco na dose exata. Violet, Klaus e o tio Monty já haviam quase terminado os seus pedaços, mas o sr. Poe e Sunny não tinham dado mais que uma mordida cada um. “Para dizer a verdade”, falou Violet, “Sunny não gosta de comer nada que seja macio. Ela prefere comida bem dura de mastigar.” “É estranho para um bebê”, disse o tio Monty, “mas nem um pouco estranho para muitas cobras. A Mastigadora da Barbaria, por exemplo, é uma cobra que precisa ter o tempo todo alguma coisa dentro da boca, do contrário começa a comer a própria boca. Muito difícil de mantê-la em cativeiro. Quem sabe Sunny gostaria de uma cenoura crua? É um bocado dura. ” “Uma cenoura crua seria perfeita, dr. Montgomery”, respondeu Klaus. O novo tutor dos Baudelaire levantou-se e foi até a geladeira, mas de repente virou-se e gesticulou com o dedo apontado para Klaus: “Nada disso de doutor Montgomery para cima de mim. Não faz o meu gênero. Pomposo demais. Podem me chamar de tio Monty! Meu Deus, se nem os meus colegas herpetologistas me chamam de doutor Montgomery!” “O que vêm a ser herpetologistas?”, perguntou Violet. “Como é que eles o chamam?”, perguntou Klaus. “Crianças, crianças”, disse o sr.

Poe, fazendo-se sério. “Menos perguntas.” Tio Monty sorriu para os órfãos. “Tudo bem, as perguntas demonstram uma cabeça inquisitiva. A palavra inquisitiva significa…” “Sabemos o que significa”, disse Klaus. “Cheia de perguntas.” “Bem, se você sabe o que isso significa”, disse o tio Monty estendendo uma grande cenoura para Sunny, “então deveria saber o que é herpetologia”. “É o estudo de alguma coisa”, disse Klaus. “Sempre que uma palavra termina por logia, é o estudo de alguma coisa.” “Cobras!”, exclamou o tio Monty. “Cobras, cobras, cobras! É o que eu estudo! Adoro cobras, de todos os tipos, e dou a volta ao mundo à procura de espécies diferentes para estudar aqui no meu laboratório! Não é interessante?” “É interessante, sim”, disse Violet. “Muito interessante. Mas não é perigoso?” “Não, se você estiver informado sobre os animais”, disse o tio Monty. “Sr. Poe, o senhor gostaria também de uma cenoura crua? O senhor mal tocou no seu bolo.” O sr. Poe enrubesceu e tossiu no seu lenço por um bom tempo antes de responder: “Não, obrigado, dr. Montgomery.” Tio Monty deu uma piscadela para os garotos. “Se quiser, o senhor também pode me chamar de tio Monty, sr. Poe.” “Obrigado, tio Monty”, disse o sr. Poe sem muita naturalidade. “Agora quem tem uma pergunta a fazer sou eu. O senhor mencionou há pouco que faz a volta ao mundo.

Há alguém que virá tomar conta das crianças quando o senhor estiver fora colhendo espécimes?” “Já temos bastante idade para cuidarmos de nós mesmos”, apressou-se em dizer Violet, embora no íntimo ela não tivesse tanta certeza. A linha de pesquisa do tio Monty parecia interessante, mas ela não sabia de fato se estava preparada para ficar sozinha com seus irmãos numa casa cheia de cobras. “Nem pensar nisso!”, disse o tio Monty. “Vocês três têm que vir comigo. Daqui a dez dias partimos para o Peru, e quero vocês metidos na floresta ao meu lado.” “É mesmo?”, disse Klaus. Por trás dos óculos, seus olhos brilhavam de empolgação. “O senhor nos levaria na viagem ao Peru?” “Só posso ter prazer em contar com a ajuda de vocês!”, disse o tio Monty, estendendo o braço para dar uma mordida no pedaço de bolo de Sunny. Gustavo, meu assistente principal, deixou-me uma inesperada carta de demissão ontem mesmo. Há um homem chamado Stephano que eu contratei para assumir o lugar dele, mas que chegará só daqui a mais ou menos uma semana, de forma que estou bem atrasado nos preparativos para a expedição. Preciso de alguém que verifique se as armadilhas para cobras estão funcionando direito, do contrário a gente corre o risco de machucar os espécimes colhidos. Preciso de alguém que leia e se informe sobre o território do Peru para que a gente possa atravessar a floresta sem problemas. E alguém tem que cortar uma enorme extensão de corda em pedaços pequenos para que a gente possa trabalhar.” “Eu me interesso por mecânica”, disse Violet, lambendo o seu garfo, “e por isso gostaria de aprender sobre armadilhas para cobras.” “Eu sou fascinado por guias e mapas”, disse Klaus, limpando a boca com um guardanapo. “Adoraria ler e me informar sobre o território peruano.” “Eojip!”, gritou Sunny, dando uma bela mordida na cenoura. Provavelmente quis dizer alguma coisa do tipo “Adoraria roer uma enorme extensão de corda até ela ficar em pedacinhos para que a gente possa trabalhar!”. “Ótimo!”, exclamou o tio Monty. “Fico feliz de vocês terem esse entusiasmo todo. Vai me facilitar as coisas na falta de Gustavo. Foi muito estranho ele ter desistido assim, em cima da hora. Uma grande falta de sorte perder um colaborador tão bom.” O rosto do tio Monty anuviou-se —expressão que aqui quer dizer “assumiu certo ar melancólico quando o tio Monty pensou em sua má sorte” —, mas se ele soubesse a tremenda má sorte que ainda estava por vir dentro em breve não teria desperdiçado um minuto pensando em Gustavo. Bem que eu gostaria — e vocês também, tenho certeza — de poder recuar no tempo e avisá-lo, mas não é possível, as coisas são como são.

Tio Monty também parecia estar pensando que as coisa? são como são quando balançou a cabeça e sorriu, expulsando os pensamentos perturbadores. “Bom, vamos começar. O que existe é o presente, sempre digo. Por que não levam o sr. Poe até o carro? Depois eu levo vocês à Sala dos Répteis.” Os três Baudelaire, que haviam mostrado tanta apreensão quando passaram pelos arbustos coma forma de cobras na primeira vez, agora fizeram o mesmo trajeto até o carro do sr. Poe correndo na maior algazarra e sem a menor preocupação. “Ouçam, crianças”, disse o sr. Poe tossindo no seu lenço, “estarei aqui de volta dentro de mais ou menos uma semana para trazer a bagagem de vocês e certificar-me de que está tudo bem. Compreendo que o dr. Montgomery possa intimidar vocês um pouco, mas tenho certeza de que com o tempo vocês se acostumarão com…” “Ele não nos intimida nem um pouco”, interrompeu Klaus. “Parece uma pessoa muito fácil de se lidar.” “Não vejo a hora de conhecer a Sala dos Répteis”, disse Violet, empolgada. “Miiika!”, disse Sunny, provavelmente com o sentido de “Adeus, sr. Poe. Obrigada por ter nos trazido de carro”. “Bem, adeus”, disse o sr. Poe. “Lembrem-se que é uma corrida rápida de carro, da cidade até aqui, por favor me procurem, liguem para mim ou falem com qualquer outra pessoa na Administração de Multas se estiverem precisando de ajuda. Breve nos veremos.” Acenou com o lenço, meio sem jeito, entrou no carro minúsculo e desceu a rampa de cascalho até pegar a estrada no Mau Caminho. Violet, Klaus e Sunny acenaram em resposta, esperando que o sr. Poe se lembrasse de fechar as janelas do carro para tornar menos insuportável o cheiro penetrante da raiz-forte. “Bambini!”, gritou o tio Monty da porta da frente. “Venham, bambini!” Os órfãos Baudelaire voltaram numa correria por entre as fileiras de arbustos até onde o novo tutor os estava esperando.

“Violet, tio Monty”, disse Violet. “Meu nome é Violet, meu irmão é Klaus e minha irmã mais nova é Sunny. Nenhum de nós se chama Bambini.” “Bambini é como se diz ‘crianças’ em italiano”, explicou o tio Monty. “Me deu uma súbita vontade de falar um pouco de italiano. Estou tão empolgado de ter vocês aqui comigo! Sorte de vocês eu não estar dizendo qualquer bobagem que me venha à cabeça…” “O senhor nunca teve filhos?”, perguntou Violet. “É uma pena, mas não”, disse o tio Monty. “Sempre pensei em encontrar uma esposa e começar uma família, mas hoje é uma coisa, amanhã é outra, o projeto foi ficando para depois… Que tal eu mostrar para vocês a Sala dos Répteis?” “Sim, por favor”, disse Klaus. Tio Monty passou com eles pelo quadro com o tema das cobras, no hall de entrada, e levou-os para um grande espaço que tinha uma escada imponente e pé-direito altíssimo. “Os quartos ficam lá em cima”, disse o tio Monty com um gesto que apontava para o alto da escada. Cada um pode escolher o quarto que preferir e arredar os móveis conforme o gosto de vocês. Estou sabendo que o sr. Poe ficou de trazer a bagagem de vocês mais tarde naquele carrinho minúsculo dele, por isso façam por favor uma lista do que vão precisar, e amanhã a gente vai à cidade e compra tudo, para que vocês não passem os próximos dias sem trocar a roupa de baixo.” “Cada um de nós tem mesmo um quarto separado?”, perguntou Violet. “Claro”, disse o tio Monty. “Vocês não esperavam que eu amontoasse os três num único quarto, com essa casa enorme que eu tenho, não é? Que espécie de pessoa faria uma coisa dessas?” “O conde Olaf fez.” “É verdade, o sr. Poe me contou”, disse o tio Monty fazendo uma careta como se tivesse provado algo com sabor horrível. “Imagino a pessoa detestável que é esse tal de conde Olaf. Espero que seja trucidado por animais ferozes algum dia. Não seria justo? Bem, aqui estamos: a Sala dos Répteis.”

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