| Books | Libros | Livres | Bücher | Kitaplar | Livros |

A Segunda Guerra Mundial: os 2.174 dias que mudaram o mundo – Martin Gilbert

A Segunda Guerra Mundial foi um dos conflitos mais devastadores da história da humanidade: mais de 46 milhões de militares e de civis morreram, muitos em circunstâncias de crueldade prolongada e terrível. Nos 2.174 dias de guerra entre o ataque da Alemanha à Polônia em setembro de 1939 e a rendição do Japão em agosto de 1945, a esmagadora maioria daqueles que morreram, quer na frente de batalha quer na retaguarda, tinha nomes e rostos obscuros, exceto para as poucas pessoas que os conheciam ou os amavam – mas, em casos que talvez também atinjam uma cifra de milhões, foram eliminados até mesmo aqueles que em anos posteriores poderiam ter recordado uma vítima. Não foram apenas 46 milhões de vidas aniquiladas, mas a vida e a vitalidade vibrantes que haviam recebido como herança e que poderiam ter deixado aos seus descendentes: uma herança de trabalho e de alegria, de luta e de criatividade, de saber, de esperanças e de felicidade que ninguém receberia ou transmitiria. Inevitavelmente, e porque foram quem mais sofreu com a guerra, essas milhões de vítimas preenchem boa parte destas páginas. Por mais que muitas possam ser – e são – nomeadas, o legado mais amargo da guerra é a tragédia de homens, mulheres e crianças anônimos. Há coragem, também, nestas páginas: a coragem dos soldados, dos marinheiros e dos aviadores, a coragem dos guerrilheiros, dos resistentes e daqueles que, famintos, nus e sem forças ou armas, foram enviados para a morte. Quem foi a primeira vítima de uma guerra que faria mais de quarenta milhões delas? Umprisioneiro desconhecido jogado num dos campos de concentração de Adolf Hitler, provavelmente um criminoso comum. Numa tentativa de apresentar a Alemanha como vítima inocente de uma agressão polonesa, vestiram-lhe um uniforme polonês e levaram-no para a cidade alemã de Gleiwitz, na fronteira, onde a Gestapo o assassinou na noite de 31 de agosto de 1939, numa estranha encenação de um “ataque polonês” à estação de rádio local. Na manhã seguinte, quando as tropas alemãs entraram na Polônia, Hitler apresentou, como um dos motivos para justificar a invasão, “o ataque ao retransmissor de Gleiwitz por tropas polonesas”. O episódio de Gleiwitz, numa homenagem ao chefe da SS que colaborou com sua preparação, recebeu o nome de operação Himler. Nessa mesma noite de 31 de agosto, a União Soviética, que menos de uma semana antes se aliou à Alemanha, conseguiu finalmente derrotar os japoneses na fronteira com a Mongólia, quando as forças comandadas pelo general Zhukov venceram as últimas resistências do 6º exército japonês em Khalkhin Gol. Enquanto terminava uma guerra, iniciava-se outra, que entrou para a história com o nome de Segunda Guerra Mundial. A ofensiva alemã de 1º de setembro de 1939 na Polônia não repetiu as táticas da Primeira Guerra Mundial, em que as unidades de infantaria avançavam até ficarem encurraladas numa linha de trincheiras para então organizarem uma série de ataques contra um inimigo firmemente instalado. O método adotado por Hitler foi a Blitzkrieg – guerra-relâmpago. Primeiro, e semqualquer aviso, uma série de ataques aéreos destruíram, ainda no solo, boa parte da força aérea do país agredido. Depois, os bombardeiros visaram as comunicações rodoviárias e ferroviárias, os quartéis, os depósitos de munições e os centros urbanos, lançando confusão e pânico. Num terceiro momento, os bombardeiros de mergulho localizaram colunas de tropas emmarcha e bombardearam-nas enquanto os aviões de combate metralhavam os refugiados civis que procuravam fugir dos soldados invasores, lançando caos nas estradas e impedindo o avanço da defesa polonesa. A Blitzkrieg veio inicialmente do céu, depois chegou por terra; primeiro, em ondas sucessivas de infantaria motorizada, de tanques ligeiros e de autometralhadoras que avançaramtão longe quanto possível. Em seguida, tanques pesados penetraram as zonas rurais mais remotas, flanqueando as cidades e os pontos fortificados. Por fim, depois de tantos estragos e de tanto território percorrido, a infantaria – soldados que avançavam a pé –, fortemente apoiada pela artilharia, avançou para ocupar as áreas já invadidas, para debelar as resistências que subsistissem e para fazer a ligação com as unidades motorizadas do assalto inicial. A invasão alemã da Polônia, 1º de setembro de 1939: panorâmica de uma posição polonesa atingida, tirada de um bombardeiro alemão. A INVASÃO ALEMÃ À POLÔNIA, SETEMBRO DE 1939. Vinte e quatro horas após o ataque alemão à Polônia, um comunicado oficial do governo polonês relatou que 130 cidadãos, entre eles doze soldados, haviam sido mortos em ataques aéreos a Varsóvia, a Gdynia e a várias outras cidades. “Dois bombardeiros alemães foram abatidos e os quatro ocupantes, miraculosamente ilesos, foram presos”, dizia o comunicado, “quando uma formação de 41 aviões alemães surgiu sobre a zona leste de Varsóvia na tarde de sexta-feira.


A população assistiu a uma emocionante batalha aérea sobre o coração da cidade. Várias casas foram incendiadas e o hospital para crianças judias deficientes foi bombardeado e destruído”. Na manhã de 2 de setembro, aviões alemães bombardearam a estação da estrada de ferro na cidade de Kolo, onde estava parado um trem de refugiados civis evacuados das cidades fronteiriças de Jarocin e Krotoszyn; 111 deles morreram no ataque. O objetivo de Hitler ao invadir a Polônia não era apenas recuperar os territórios perdidos em1918, mas sujeitar o país ao jugo alemão. Para esse fim, ordenou que três regimentos da SS coma insígnia da caveira avançassem no encalço das tropas de infantaria para impor as chamadas “medidas de polícia e de segurança” na retaguarda das linhas alemãs. O comandante desses três regimentos, Theodor Eicke, explicou aos seus oficiais, reunidos numa das bases da SS – o campo de concentração de Oranienburg – nesse primeiro dia da guerra, em que consistiam tais medidas. Para proteger o Terceiro Reich, explicou Eicke, a SS teria de “encarcerar ou aniquilar” todos os inimigos do nazismo, tarefa que representava um desafio até mesmo para a “severidade absoluta e inflexível” que o trabalho nos campos de concentração ensinara aos regimentos da caveira. Tropas alemãs a caminho da frente polonesa. O slogan inscrito no vagão diz: “Vamos para a Polônia esmagar os judeus.” Essas palavras tão premonitórias se traduziram em atos: uma semana depois da invasão da Polônia pela Alemanha, 24 mil oficiais e homens dos regimentos da caveira estavam prontos para iniciar sua tarefa. Num dos vagões de trem utilizados pelas tropas alemãs rumo ao leste, alguém escreveu com tinta branca: “Vamos para a Polônia espancar os judeus.” Não seriam só os judeus, mas os poloneses, as vítimas desse combate na retaguarda da guerra. Dois dias após Eicke dar suas instruções aos regimentos da caveira, Heinrich Himmler incumbiu o general da SS, Udo von Woyrsch, a levar a cabo a “supressão radical da insurreição polaca incipiente nas zonas recém-ocupadas da Alta Silésia”. A palavra “radical” era um eufemismo para “implacável”. Aldeias inteiras foram incendiadas e reduzidas a pó. Em Truskolasy, em 3 de setembro, 55 camponeses poloneses foram cercados e abatidos a tiro, incluindo uma criança de dois anos. EmWieruszow, vinte judeus foram reunidos na praça do mercado, entre os quais Israel Lewi, um homem de 64 anos. Quando sua filha, Liebe Lewi, correu para junto do pai, um alemão mandoua abrir a boca por demonstrar “falta de respeito” e disparou-lhe uma bala. Liebe Lewi caiu morta no chão. Os vinte judeus foram executados em seguida. Nas semanas que se seguiram, atrocidades semelhantes eram vulgares e frequentes, praticadas numa escala sem precedentes. Enquanto os soldados lutavam em batalhas, civis erammassacrados. Na tarde de 3 de setembro, bombardeiros alemães atacaram a indefesa cidade de Sulejov, onde se encontrava uma pacífica população de 6.500 poloneses e judeus e uns três mil refugiados. Em poucos instantes, o centro da cidade estava ardendo em chamas.

Quando milhares de pessoas correram para os bosques próximos em busca de abrigo, os aviões alemães, em voo rasante, dispararam com suas metralhadoras. “Enquanto corríamos para os bosques”, relembrou o jovem Ben Helfgott, “as pessoas caíam, com as roupas em chamas. Nessa noite, o céu estava vermelho, refletindo a cidade que ardia”. Em 3 de setembro, a Grã-Bretanha e a França declararam guerra à Alemanha. “O objetivo imediato do alto-comando alemão”, disse Hitler aos seus comandantes, “continua sendo a conclusão rápida e vitoriosa das operações contra a Polônia”. Às nove horas dessa noite, no entanto, um submarino alemão, o U-30, comandado por Julius Lemp, torpedeou o paquete britânico Athenia, que foi tomado por um navio da armada. O Athenia, que seguia de Liverpool para Montreal, partira antes da declaração de guerra britânica, tendo 1.103 passageiros a bordo. Entre os 112 passageiros que perderam a vida nessa noite, 28 eram cidadãos dos Estados Unidos, mas o presidente americano, Franklin Roosevelt, foi enfático em sua comunicação daquele dia ao povo americano: “Que nenhum homem ou mulher diga, imprudente ou enganosamente, que a América enviará suas tropas para os campos europeus. Neste preciso momento é preparada uma proclamação da neutralidade americana.” Confiante numa vitória rápida, Hitler saiu de Berlim em seu trem especial, o Amerika, na noite de 3 de setembro, onde passaria as duas semanas seguintes, acompanhando os episódios da guerra e recebendo felicitações pelo seu primeiro triunfo militar. O governo britânico, entretanto, pusera em ação seu plano aéreo ocidental no 14, que consistia em lançar na Alemanha panfletos de propaganda antinazista. Na mesma noite, dez aviões atravessaram o mar do Norte e a fronteira alemã transportando treze toneladas de panfletos que seriam soltos sobre o Ruhr: seis milhões de folhas de papel em que se dizia aos alemães: “Seus chefes condenaramvocês aos massacres, às misérias e às privações de uma guerra que não podem ter a menor esperança de ganhar.” O primeiro bombardeamento da Alemanha por aviões britânicos aconteceu em 4 de setembro, enquanto as tropas alemãs continuavam a avançar pelo território polonês sob a proteção de uma força aérea bastante superior. Nesse dia, dez bombardeiros Blenheim atacaram navios e instalações navais alemães em Wilhelmshaven. Os navios não sofreram estragos irreparáveis, mas cinco bombardeiros foram abatidos por antiaéreos alemães. Entre os mortos britânicos estava o tenente H. B. Lightoller, filho do oficial superior britânico que sobrevivera ao naufrágio do Titanic antes da Primeira Guerra Mundial. Na Grã-Bretanha, a notícia do ataque aos navios de guerra alemães levantou o moral da população. “Até vimos roupas penduradas numa corda”, disse aos ouvintes da rádio o tenente da força aérea que conduzira o ataque. “Quando sobrevoamos o navio”, acrescentou, “vimos os membros da equipagem correndo apressadamente para seus postos. Lançamos nossas bombas. O segundo piloto, que vinha atrás de mim, viu duas delas acertarem o alvo”. Tanto o tenente quanto o piloto que fizera o reconhecimento foram condecorados com a Cruz de Fogo Distinto.

Os pilotos britânicos foram ordenados a não pôr em risco a vida das populações civis alemãs. Nesse momento da guerra, tais ordens pareciam não apenas morais, mas possíveis. Os comandantes alemães não deram ordens semelhantes. “Explodiu em toda parte uma guerrilha brutal”, escreveu, em 4 de setembro, o chefe dos serviços de manutenção, Eduard Wagner, “e estamos esmagando-os impiedosamente. Não vamos voltar atrás. Já criamos tribunais de exceção, que funcionam em sessões contínuas. Quanto mais forte a repressão, mais depressa teremos paz”. Essa repressão veio por terra e por ar; ao entrar em Piotrkow, em 5 de setembro, os alemães queimaram dúzias de casas de judeus e abateram aqueles que conseguiram fugir dos locais incendiados. Entrando numa casa que escapara das chamas, os soldados tiraram dali seis judeus e ordenaram-lhes que corressem; cinco foram abatidos, e o sexto, Reb Bunem Lebel, morreu em consequência dos ferimentos. Muitas aldeias foram incendiadas na Polônia naquela semana: milhares de pessoas sucumbiram nos incêndios ou foram mortas enquanto fugiam. Duas guerras espalhavam-se simultaneamente: a frente de batalha com homens armados e os ataques às outrora imunes vilas e aldeias. E outra guerra começara no mar, cujo curso seria tumultuoso e não respeitaria quaisquer limites. Nesse 5 de setembro, os submarinos alemães afundaram cinco navios mercantes desarmados – quatro britânicos e um francês. Os britânicos não demoraram a responder: o HMS Ajax, em ação nesse dia, afundou dois navios mercantes alemães “de acordo com as leis da guerra”, como o primeiro lorde do mar, Winston Churchill, comunicou aos seus colegas do Gabinete de Guerra. Os navios mercantes não tinham parado quando intimados a fazê-lo pelos britânicos. Todos os dias se registravam novos casos de desrespeito e de desprezo pelas leis de guerra por parte dos alemães. Em 6 de setembro, num campo próximo à aldeia polonesa de Mrocza, os alemães abateram dezenove oficiais poloneses que haviam rendido-se após um combate tenaz contra uma unidade alemã blindada. Outros prisioneiros de guerra poloneses foram trancados na casinhola de um chefe de estação de estrada de ferro, que os alemães incendiaram. Todos os prisioneiros morreram. Daí em diante, os prisioneiros de guerra já não sabiam se as leis consagradas para conflitos armados, tais como haviam sido estipuladas pelas sucessivas convenções de Genebra, seriam ou não aplicadas: as leis que pautavam a atuação dos nazistas eram completamente divergentes daquelas que foram pouco a pouco elaboradas ao longo do século anterior. Soldados alemães entram na cidade polonesa de Gdy nia, setembro de 1939. Para os judeus, anunciavam-se os horrores mais extremos, a serem perpetrados por esse conquistador que gabava-se do fato de que os judeus seriam sua principal vítima. Discursando em Berlim sete meses antes do início da guerra, Hitler declarou que, caso o conflito explodisse, “o resultado não seria a bolchevização da terra, com a consequente vitória do gueto judeu, mas o aniquilamento da raça judaica na Europa”. Seis dias de guerra haviam mostrado que o massacre dos judeus seria parte integrante da conquista alemã. Num gesto desafiador, o Dr.

Chaim Weizmann, velho político e promotor do Movimento Sionista, escreveu ao primeiroministro britânico, Neville Chamberlain, dizendo que os judeus combateriam ao lado das democracias contra a Alemanha nazista; a carta foi publicada no Times em 6 de setembro. Nesse dia, Hitler foi conduzido num automóvel de seu trem especial até o campo de batalha de Tucheler Heide, onde um corpo de tropas polonesas fora cercado. Enquanto observava a batalha, recebeu uma mensagem informando-o de que as forças alemãs haviam entrado na cidade de Cracóvia, no sul da Polônia. A guerra tinha uma semana de duração; Cracóvia, uma importante cidade, com mais de 250 mil habitantes, estava sob o controle dos alemães. No dia seguinte, 7 de setembro, o chefe da SS, Reinhard Heydrich, anunciou aos comandantes das forças especiais de Eicke que se preparavam para avançar no encalço dos soldados da infantaria: “A classe dirigente polonesa deve ser, tanto quanto possível, neutralizada. As classes inferiores, ou o que delas restar, não terão direito a medidas especiais, mas deverão ser subjugadas de uma maneira ou de outra.” Eicke dirigiu pessoalmente o trabalho dessas unidades, a partir do quartel-general instalado no trem de Hitler, onde, em 7 de setembro, o Führer disse ao comandante-chefe do exército, o general Brauchitsch, que suas forças “deveriam abster-se de interferir” nas implacáveis operações da SS. No dia seguinte, um batalhão da SS executou 33 civis poloneses na aldeia de Ksiazki – execuções semelhantes se tornariam prática cotidiana. Os colaboradores mais próximos a Hitler rapidamente compreenderam quais eram suas intenções. Em 9 de setembro, o coronel Eduard Wagner discutiu o futuro da Polônia com o chefe do estado-maior do exército, o general Halder. “É intenção do Führer e de Gœring”, escreveu Wagner em seu diário, “destruir e exterminar a nação polonesa. Mais do que isso, não pode sequer ser objeto de alusões por escrito”. A Grã-Bretanha e a França não encontraram grandes oportunidades para levar a cabo ações militares que se traduzissem em auxílio substancial à Polônia. Em 7 de setembro, várias unidades militares francesas atravessaram a fronteira alemã em três pontos, nas imediações de Saarlouis, Saarbrücken e Zweibrücken, mas não houve confrontos sérios. A frente ocidental permaneceu tranquila. Em Londres, uma Comissão de Forças Terrestres, especialmente criada pelo Ministério da Guerra, debateu a escala do futuro esforço militar da Grã-Bretanha. Em sua primeira reunião, em 7 de setembro, Churchill propôs a criação de um exército com vinte divisões até março de 1940. “Temos de ocupar nosso lugar nas linhas”, disse ele, “se queremos manter coesa a Aliança e ganhar a guerra”. Em seu relatório datado do dia seguinte, a Comissão de Forças Terrestres previa, como base para o planejamento militar britânico, que a guerra durasse “pelo menos três anos”. As primeiras vinte divisões deveriam ser criadas nos doze meses seguintes, junto com outras 35 divisões até ao fim de 1941. Entretanto, o esforço de guerra britânico teria um cunho essencialmente defensivo: o dia 7 de setembro assistiu à inauguração das duas primeiras carreiras de navios mercantes escoltados por contratorpedeiros, partindo uma do estuário do Tâmisa e do canal da Mancha e a outra, de Liverpool, ambas para o Atlântico. Nesse dia, junto da cidade polonesa de Lodz, uma região industrial a oeste do país, decorria um último esforço das tropas para conter o avanço alemão. As unidades de combate da SS registraram que à tarde, em Pabianice, “os poloneses lançaram ainda outro contra-ataque. Irromperam sobre os corpos de seus camaradas caídos. Não avançavam com a cabeça baixa como homens que afrontam chuva intensa – e, em geral, a infantaria avança assim –, mas com a cabeça levantada como nadadores sobre as ondas.

Não hesitavam”. Dentro da Alemanha, aqueles que se opuseram aos excessos do nazismo anteriores à guerra não foram menos críticos em relação à invasão da Polônia, mas a ameaça de internamento numcampo de concentração era um poderoso dissuasor das críticas públicas. Antes, milhares de alemães já haviam fugido à tirania. Mesmo após o início da guerra tais fugas continuavampossíveis, embora fossem perigosas. Em 9 de setembro, um dos mais destacados juristas alemães, Gerhard Leibholz, conseguiu fugir com a mulher e as duas filhas atravessando a fronteira suíça. A mulher de Leibholz era irmã gêmea de Dietrich Bonhoeffer, pastor cujos sermões haviam sido extremamente diretos na denúncia do racismo e da brutalidade. Como o pai de Leibholz era judeu, este precisaria usar, em virtude de uma lei recentemente promulgada, um passaporte carimbado com um “J”. Foi esse o fato que impeliu sua decisão de fugir. Leibholz teve sorte: no dia de sua fuga, 630 prisioneiros políticos tchecos foramtransportados da Boêmia para o campo de concentração de Dachau, ao norte de Munique. Poucos sobreviveriam às duras condições de trabalho e ao tratamento brutal. Na Polônia, a fuga era praticamente impossível. A velocidade da ofensiva alemã encurralou militares e civis. No setor de Poznan, dezenove divisões polonesas – quase o mesmo número de efetivos que a Grã-Bretanha planejava ter a postos em março de 1940 – foram cercadas; na batalha que se seguiu, junto ao rio Bzura, 170 mil soldados poloneses foram feitos prisioneiros. Por trás das linhas, as atrocidades continuavam. Em Bedzin, em 8 de setembro, centenas de judeus foram levados para uma sinagoga que foi incendiada. Duzentos morreram queimados. No dia seguinte, os alemães acusaram cinicamente os poloneses por esse crime, prenderamdeterminado número de reféns e executaram trinta deles numa das principais praças públicas. Em 10 de setembro, o general Halder anotava em seu diário que um grupo da SS, após obrigar cinquenta judeus a trabalharem o dia inteiro na reparação de uma ponte, empurraramnos para o interior de uma sinagoga onde foram fuzilados. “Estamos transmitindo ordens impiedosas, que eu mesmo redigi hoje”, escreveu o coronel Wagner em seu diário, em 11 de setembro. “Não há nada como a pena de morte! Nos territórios ocupados não há outra solução.” Uma das testemunhas oculares desse massacre de civis foi o almirante Canaris, chefe dos serviços de contraespionagem alemães.

.

Baixar PDF

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Baixar Livros Grátis em PDF | Free Books PDF | PDF Kitap İndir | Telecharger Livre Gratuit PDF | PDF Kostenlose eBooks | Descargar Libros Gratis |