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A Semente do Diabo – Dean Koontz

Numa terça-feira do começo de junho, logo depois da meia-noite, o alarme da casa soou. Embora agudo e projetado em volume alto, o ruído durou pouco mais de um segundo, antes que o silêncio da noite o interrompesse e mais uma vez envolvesse o aposento. Mas ela acordou e sentouse na cama. Tirou o cabelo de cima das orelhas para poder escutar o que quer que estivesse lá fora, na escuridão. Não era a espécie de mulher que perdia tempo com fantasias de ladrões-fantasmas e estupradores em potencial. Ficou à escuta, e não ouviu mais do que teria ouvido em qualquer outra noite: o suave murmúrio dos mecanismos dentro das paredes, o circuito de controle ambiental, que era o coração de qualquer casa moderna. Essa casa não era de construção recente, claro. Tinha sido construída exatamente um século antes, em 1895, pelo seu bisavó, que era então um jovem herdeiro, pensando em começar sua própria família. Continha agora o equipamento ambiental apenas porque, dois anos antes, ela a havia entregue a uma equipe de especialistas em reformas de residências, juntamente com um cheque em branco e dois meses de prazo, durante os quais foi para São Francisco, onde tinha freqüentado a universidade e onde ainda possuía algumas amizades casuais. Ouvindo o murmúrio, ocorreu-lhe a possibilidade de que o equipamento ambiental tivesse de alguma forma sofrido um defeito. O alarme podia não ter razão – um curto-circuito ou um erro na análise do computador, rapidamente retificado. Mesmo assim… Saiu debaixo das cobertas e sentou-se na beira da cama. Embora estivesse nua, não se sentia nem um pouco desconfortável. A casa cuidava disso, mantendo a temperatura regular e sem correntes de ar, perfeitamente adequada às suas necessidades. – Qual é o problema? – perguntou à escuridão. Nua, naquele silêncio agora estranho, sentiu-se sozinha como há muitos anos não se sentia. Pensou no marido, do qual havia se divorciado, e nos amigos que deixou sair de sua vida. – Não há problema algum, Susan – respondeu a casa. Os alto-falantes escondidos irradiavam uma voz suavemente masculina. Imaginou um homemforte, talvez grisalho nas têmporas, queixo forte, olhos limpos e azuis. Mais de um metro e oitenta. Ombros largos. Mãos grandes. Sorridente, o tempo todo sorridente. Havia passado por sete horas de testes psicológicos para obter as gravações apropriadas para a voz do computador principal da casa.


Aquela voz deveria acionar todas as reações desejáveis por parte dela: segurança, felicidade, confiança. E funcionou conforme os planos. Sentiu os músculos relaxarem. O estômago, tenso, relaxou e estremeceu agradavelmente. Tudo que precisava era ser tranqüilizada por seu pai-amante, mesmo sendo ele uma máquina. – Ouvi o alarme – disse. – Achei que alguém havia entrado. – Isto é impossível – respondeu a casa. – Foi um defeito qualquer? – Não. Bocejou, espreguiçou-se e, no escuro, tocou nos seios. – Que foi, então? – perguntou. – O alarme não soou, Susan – a casa afirmou. – Você deve ter sonhado. – Eu nunca sonho – disse ela. Estava dizendo a verdade; dormir para ela era realmente dormir, sem imagens. Ou, pelo menos, quando acordava de manhã, nunca recordava os sonhos, o que era a mesma coisa que não sonhar. Não era? – O alarme não soou – repetiu a casa. Sentiu-se gelar, embora a temperatura ainda se mantivesse constante em 26 graus, sem correntes de ar. – Eu ouvi – disse. – Foi o que me acordou. Por que você não verifica seus registros? – Está bem, Susan. Só um minuto. O lençol começou a parecer áspero sob a sua pele macia como se fosse feito de palha. Levantou-se e mandou que as luzes se acendessem, o que foi feito, produzindo uma luminosidade pálida, que permitia ver a mobília. Era um quarto de dormir agradável, tanto em decoração como emfamiliaridade, e a fazia sentir-se novamente segura de si.

– Senhora Susan? – Que é? – Verifiquei meus registros; minhas afirmações anteriores estavam corretas. O alarme não soou durante a noite. O último registro de tal acontecimento foi quando aquele cocker spaniel tentou entrar por aquela janela que não funcionava direito, no porão, na face sul da… – Você está errado – interrompeu Susan. – Fiz também uma verificação completa de todos os possíveis pontos de entrada, e encontreios todos protegidos e impenetráveis. – Mesmo assim, vou dar uma olhada – disse ela. A casa não respondeu. Susan ficou imaginando se teria ofendido os sentimentos dela, e se ela teria sentimentos para serem ofendidos. Claro, não era, na verdade, uma criatura sensível. Mas mesmo assim, ela via um pai-amante, forte e de olhos azuis, de testa franzida. A casa dos Abramsons era bem grande, com dois andares mobiliados e um porão completamente adaptado, onde ao todo somavam quatorze aposentos, quatro banheiros e duas cozinhas. O tamanho da casa jamais a havia incomodado nos dois anos que tinha vivido ali sozinha. Com as vozes gravadas e o computador, sempre tinha companhia – talvez uma relação ainda mais íntima do que a que havia tido com o marido. Gostava de andar nua pela mansão, consciente do fato de que os sensores visuais de seu pai-amante estavam sempre sobre ela, ocupando-se de seu bemestar. Agora, enquanto atravessava os longos corredores e os amplos aposentos, certificando-se da correção do relatório do computador, percebeu como estava isolada, como era pequena e basicamente fraca. Chegou, finalmente, às janelas da cozinha no porão, que se abriam para o gramado do fundo, em declive. Ambas estavam opacas, como todas as outras vidraças. Quando bateu de leve sobre elas, o som foi mais de metal do que de vidro. Se não tivessem sido forçadas, a casa ainda estava inviolada. O que significava que o computador tinha interpretado mal algum estimulo, e feito o alarme sem justificativa. Mas por que ele não admitia isso? Teria que chamar o técnico na manhã seguinte, mesmo que aquilo viesse a atrapalhar seu dia. Não gostava de ter contato com desconhecidos; nunca sabia o que dizer a eles. Tocando no peitoril da janela, anulou o principal circuito de proteção da janela, e olhou para a grama e os olmos ao longe, quando o vidro clareou. A oitocentos metros de distância, as luzes do relógio da velha torre brilhavam como um farol. Fora isso, estava tudo escuro e imóvel, o mesmo campus da universidade que seu avô tinha fundado, o mesmo que seu pai tinha freqüentado, e do qual ele conseguiu escapar por pouco. Tornou a escurecer a janela, que se tornou cinzenta e dura como aço.

Novamente no andar de cima, falou com a casa, seu pai-amante: – Todas as portas e janelas estão fechadas. – Como eu declarei. – Amanhã o técnico virá dar uma olhada – disse, ignorando a inferência da resposta da casa. – Verifiquei tudo novamente, Susan. Não tenho registro do alarme ter soado, e asseguro-lhe que teria que ter tal registro, mesmo se tivesse ativado o alarme por engano. – Mesmo assim… – Eu não iria mentir para você, Susan. – Eu sei. A casa, então, ficou em silêncio. E Susan dormiu, sem sonhos. Como ela mesma diria, não era a espécie de mulher dominada por besteiras, por fantasias conscientes ou inconscientes. Tinha uma visão perfeita de sua realidade e da natureza do mundo, uma compreensão que havia obtido mais através do sofrimento do que da educação. A vida requeria bom-senso; não tinha lugar para sonhos. Enquanto dormia, encolheu-se como uma criança no ventre da mãe. A casa velava por ela. Dois Susan seguiu o técnico de aposento em aposento, sem deixar que ele fosse a qualquer lugar desacompanhado. Durante dois anos, nenhum homem tinha estado em sua casa, desde quando a equipe de reforma partiu e quando ela voltou de São Francisco para reformular sua vida. Na verdade, só duas mulheres tinham estado lá, velhas amigas que a tinham encontrado muito mudada e que nunca mais voltaram. O homem de meia-idade, de ventre inchado, com seus instrumentos de teste, parecia mais o primeiro vírus de uma doença iminente, procurando pontos de fraqueza no organismo, do que um cirurgião eletrônico, cuja missão era fazer o bem. – Você mora muito só – disse o homem. Ele tinha colocado os terminais de seu verificador de circuito-robô nas tomadas da casa, no quarto ponto principal de exame, e agora inclinava-se sobre sua máquina, estudando-a de um modo que ela não apreciou muito. – É verdade – respondeu. Ele relanceou o olhar pelo amplo escritório – as estantes cheias de livros, a tela de retroprojeção noventa por cento hologramática, no lugar onde, numa casa comum, haveria umreceptor de televisão pública em três dimensões – e sacudiu a cabeça. – Há quinze anos, isto não seria seguro. – Como? – Uma mulher viver sozinha – ele disse. – Antes desses módulos de ambientes e casas que protegem a pessoa como uma cadela com seu cachorrinho, isso seria um suicídio.

Na verdade, não queria conversar com ele, mas também não queria antagonizá-lo. Umdesconhecido permanecia desconhecido, enquanto não brotasse afeição ou ódio. – Talvez ainda seja perigoso – ela argumentou. – Está se referindo ao alarme, ontem à noite? Ela concordou com a cabeça. – Mas ninguém entrou. Ela estremeceu descontrolada. – Mas mesmo assim fiquei perturbada. Quanto mais penso sobre isso, mais tento imaginar uma pessoa bisbilhotando junto a uma porta ou uma janela, sabendo que a casa estava protegida e que era impossível entrar… Sorriu para ela, como se fosse estender o braço e dar-lhe tapinhas no ombro. A possibilidade lhe pareceu tão repugnante, que deu um passo para trás, preparada para evitá-lo. Mas ele permaneceu junto à máquina, sorrindo, limitando suas carícias à área visual. O mecanismo fez um som, indicando o término de suas investigações naquele ponto. Depois que desconectou a máquina e pediu um relatório impresso, deu as costas para o mecanismo. – Você sai muito? – perguntou. – O quê? – respondeu, sentindo-se meio idiota. Por duas vezes havia sido incapaz de compreender uma simples pergunta. – Cinema, teatro, jantar fora – ele explicou. – Sai? Percebeu quais eram as suas intenções, e sentiu-se dominada pela natureza grotesca da conversa. Queria fugir, pedir à casa que a protegesse dele. Mas ficou firme. – Só quando meu noivo insiste. Sou mais do tipo de ficar em casa, lendo e pintando, ouvindo música no multicanal ou apenas conversando – ela respondeu. O rosto dele se anuviou à menção de um noivo, e ele passou o resto do tempo mexendo na máquina, até que esta produziu uma folha de papel com um relatório cuidadosamente datilografado na metade superior. Ele leu duas vezes. – Tem certeza de que ouviu o alarme? – perguntou. – Foi o que me acordou.

– Talvez tenha sido um sonho. – Foi o que a casa tentou me dizer, mas não concordo – falou. – Eu não estava sonhando. Nunca sonho. Ele sacudiu o relatório na frente dela, como se a própria existência dele fosse uma prova contra ela, não importava o que dissesse. – A máquina diz que o alarme não soou, que não há registro de que tenha soado, e que o sistema de computação de sua casa está funcionando perfeitamente. – Então o que foi que ouvi? Ele deu de ombros. – Você acordou espantada e confundiu algum ruído bastante comum. Isto acontece às pessoas. – Ele sorriu, o mesmo sorriso, um sorriso libidinoso. – Acho que isso acontece mais às mulheres que vivem sozinhas do que ás outras pessoas. Ela não se satisfez com uma explicação tão infantil. – Será que ele não se autoconsertou, anulou alguns circuitos primários que não estavamfuncionando bem? – A dependência dos circuitos secundários de suporte teria aparecido na análise; teria que figurar no relatório impresso. Além disso, um computador doméstico de um módulo ambiental não pode se autoconsertar. Nenhum computador pode. – Ouvi falar de um computador autoconsertável. Outro dia mesmo… – O que você ouviu foi sobre o computador que estão criando na universidade – disse ele, de repente falando com uma velha chata em lugar de uma mulher atraente e interessante; como se ela tivesse envelhecido trinta anos no espaço de um minuto. – Chama-se Proteus, porque tem seu próprio estoque desse novo metal amorfo e pode reformular-se a si mesmo, moldar suas próprias partes, autoconsertar-se. Pode até acrescentar seus próprios componentes, quando sente que precisa crescer. Aquela coisa é quase viva. Mas nenhum computador doméstico pode mexer em si mesmo. Este aqui está funcionando bem o tempo todo e não soou o alarme, nem por um segundo. – Entendo – disse ela em tom frio. Outra coisa, que não gostava nele era o hábito de juntar três frases numa só, o que o fazia soar sempre ofegante. Ele guardou o equipamento e estendeu a ela uma cópia do relatório impresso, juntamente coma conta, especificada no verso.

– Então não há nada a ser feito? – ela perguntou. – Só pagar a conta. – Lógico – disse ela. Na porta, voltando-se tão inesperadamente que ela quase gritou, ele disse: – Se você ainda está assustada, peça a seu noivo para passar algumas noites aqui, ou adiante a data do casamento. Pela maneira como disse “noivo”, o sorriso no canto esquerdo da boca, percebeu que ele não tinha acreditado na história de um casamento iminente. Fechou a porta e observou-o descer os degraus e atravessar o gramado em direção ao helicóptero estacionado no jardim. Quando ele se voltou e começou a acenar-lhe, ela pediu socorro à casa. As janelas se escureceram. Todas as portas e janelas selaram-se contra penetração, e a casa passou a contar com ar completamente filtrado. A temperatura subiu. Uma música suave e distante pairava como fumaça em todos os aposentos. Dirigiu-se ao quarto de dormir e despiu-se, contente por estar novamente nua. Tocou-se em todas as partes do corpo, até saber novamente quem era. Depois desceu e comeu o almoço que a casa, a casa maravilhosa, tinha preparado para ela. A tarde foi infindável. Leu, sem absorver o conteúdo das páginas, sem se lembrar das palavras. Assistiu aos filmes hologramáticos no escritório, caminhando pela superfície abaulada, assistindo a história de todos os lados. Mas até as três dimensões do holograma pareciam monótonas e desinteressantes. Os pensamentos dela retornavam sempre aos acontecimentos da noite anterior, e sua pele arrepiava-se e esfriava com a lembrança. A sua casa tinha sido violada. Nenhum especialista em computador e nenhuma máquina de teste poderia convencê-la do contrário. Talvez a invasão não tivesse sido física e detectável. Mas tinha sido levada a cabo, e não deixava de ser realidade. Durante dois anos ela havia ficado sozinha, com exceção das curtas visitas das duas amigas, que não tinham mais voltado. Durante dois anos, havia esperado ali, silenciosamente, explorando a si mesma e a casa, e agora não estava mais sozinha.

Pouco antes da hora do jantar, subiu para o pequeno aposento no fim do corredor principal. O tapete luxuoso era em tons de verde e azul. O único móvel era uma cadeira azul-turquesa, colocada no centro do quarto. Ali ela se sentou e removeu as duas tomadas de seus nichos no braço estofado da poltrona. Deles saíam dois fios de metal flexível, que entravam dentro da cadeira e de lá iam até o computador da casa. Isto é ilegal, ela pensou. Mas o pensamento só serviu para aumentar seu desejo. As pessoas que estão sozinhas e que não precisam de ninguém são as mais aptas a infringir a lei. Se o governo pudesse descobrir um meio de infundir em todos os cidadãos a necessidade de mútuo consolo, o crime iria desaparecer, pois ninguém iria querer perder seu direito de ter amigos em troca de uma mera recompensa financeira ou uma sensação proibida. Levantando a mão, tocou nos dois buracos na pele macia na base do pescoço, os orifícios que a forçavam a usar sempre roupas de gola alta em público. Eram pequenas ilhas frias de resistência na massa de carne macia. Como uma menina estendendo os braços para amarrar os longos cabelos numrabo de cavalo, enfiou as pontas de aço até a espinha com a facilidade de uma menina amarrando umlaço de fita vermelha em volta das tranças. – O que você gostaria? – perguntou seu pai-amante. – Gostaria de ver – ela disse. Instantaneamente, estava olhando para o terreno que rodeava a mansão. Enxergava como se estivesse na chaminé, onde o módulo ambiental mantinha um sensor visual. Girou a câmera, examinando o céu e as árvores, a grama e os distantes prédios do campus. Ativou uma lente de longadistância, e assim pôde ver alguns estudantes passeando pelas alamedas, meninas bonitas e rapazes cabeludos, as meninas freqüentemente sem camisa, os seios bronzeados como os peitos dos homens. Ela foi de câmera em câmera, examinando todos os aposentos da casa, uma intrusa em seu próprio território. Olhou também através das paredes do pequeno quarto no fim do corredor do segundo andar e viu a si mesma. Estava sentada numa cadeira azul. Estava nua, era extremamente bonita, os olhos estavam fechados, as pálpebras pálidas estremecendo com os movimentos involuntários do olho. Era loura, alta e esbelta, seios empinados, nem uma gota de gordura a mais. Os cabelos eram quase brancos, espalhados no encosto da cadeira. Desligou as câmeras e ficou na escuridão.

– Que mais, Susan? – perguntou a casa. – Sentir – respondeu. Ela estava num mundo de luz. Era tudo frio e limpo, sem mancha ou ruga, a luz da alma, alémdas leis da física. Todos os cantos da luz estavam bem apertados, todos os ângulos agudos, azul contra vermelho, vermelho contra amarelo, delineados como vidro cuidadosamente quebrado, afiado. Isso era sentir-se como uma máquina, ou pelo menos parte de uma; ter a experiência do mundo numestado de semi-sensibilidade, mas de raciocínio. A única sensualidade era a de números, a única emoção a da equação; as únicas sensações eram as das medidas e das relações perfeitas. Um momento antes, seu corpo tinha sido imensuravelmente importante, enquanto ela o examinava criticamente através dos sensores visuais do computador. Agora sentia como se nunca tivesse possuído um repressivo monte de carne, como se tivesse sido sempre luz e pensamento, de movimentos livres. E foi nesse estado, a mente ocupada por considerações de tempo-espaço semprofundidade, que passou as duas horas seguintes. Ali, naquela brancura mutável, não havia necessidade de pensar em sua solidão, seu ex-marido, seu medo dos homens, sua necessidade anormal de privacidade. Ali ela era apenas energia, procurando. Saiu bastante tarde e jantou às oito e meia na cozinha do primeiro andar, olhando pela ampla janela sobre a pia, apesar da janela estar opaca e oferecer apenas, como paisagem, uma superfície cinzenta. Leu e depois foi dormir. Não sonhou. Foi acordada pelo alarme da casa; que soou por uma fração de segundo. Sentou-se na cama, assustada. Quando acordou inteiramente, percebeu que estava segurando as cobertas junto aos ombros nus, escondendo os contornos do corpo. Era como se, instintivamente, soubesse que alguémmais a estava observando, além de seu pai-amante. – Que foi? – perguntou à casa. A casa não respondeu. – Quem está aí? Silêncio apenas. – Eu não estou sozinha, não é? – Não – respondeu uma voz pelos alto-falantes embutidos nas paredes. Não era a voz à qual estava acostumada, a voz que tinha sido designada para a casa, e aquilo aterrorizou-a. – Quem? – Você vai saber logo.

– Quero saber agora. A casa não respondeu. As paredes estavam silenciosas como se o módulo ambiental tivesse morrido.

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