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A Terceira Medida do Sucesso – Arianna Huffington

Quando dava os últimos retoques neste livro, visitei o Brasil para o lançamento do site Brasil Post, em parceria com o Grupo Abril. Naquele período, que tinha tudo para ser bem estressante – milhares de prazos a cumprir e a pressão adicional de seguir meu próprio conselho de dormir o suficiente –, fui lembrada de que o país é profundamente sintonizado com os temas sobre os quais eu estava escrevendo. Embora muito se fale sobre a ascensão do Brasil como um polo que concentra os dois primeiros indicadores do sucesso – dinheiro e poder –, o país possui também muita inclinação para os assuntos relacionados à Terceira Medida, que inclui bem-estar, sabedoria, admiração e doação. O Brasil enfrenta grandes desafios, mas está cheio de oportunidades. Num contraste dramático com o que está ocorrendo nos Estados Unidos, na última década cerca de 40 milhões de brasileiros saíram da faixa de pobreza e passaram à categoria de classe média, promovendo uma sensação palpável de que as coisas vêm melhorando. Nas palavras de Otávio Dias, editor-chefe do Brasil Post, “em menos de 25 anos, o Brasil estabilizou a economia, reduziu a desigualdade social e gerou milhões de empregos, fazendo surgir uma nova classe média. Não se trata da realização de umgoverno ou presidente específico, mas do resultado da democracia e de uma sociedade mais madura”. Claro que muitos desafios perduram, como a desigualdade, a corrupção, a má qualidade da educação e a falta de infraestrutura. Minha esperança é que o foco não recaia apenas na vida política e econômica, mas na capacidade que o país tem de contribuir para uma mudança global em nossa visão do sucesso, seja como indivíduos, seja como sociedade. O Brasil já está na dianteira quando se trata de levar o bem-estar a sério, só perdendo para os Estados Unidos na indústria da boa forma, por exemplo. Em 2014, a Fundação Getulio Vargas anunciou o Índice de Bem-Estar, um projeto que visa medir a felicidade da populacão e ajudar as autoridades a desenvolverem políticas que melhorem a qualidade de vida do povo. E os brasileiros são mesmo capazes de desligar e recarregar as baterias quando necessário. Sempre me sinto em casa no Brasil – me faz recordar da Grécia, onde nasci –, e fico encantada com o espírito do povo e sua hospitalidade incrível, características que adoro e que se encaixam bemna Terceira Medida. O Brasil pode não só promover a discussão sobre o significado de sucesso, como ajudar pessoas no mundo inteiro a prosperar. Espero que este livro contribua para essa conversa. Introdução Na manhã de 6 de abril de 2007, eu jazia no chão do meu escritório, em casa, deitada numa poça de sangue. Ao cair, bati com a cabeça na quina da escrivaninha, cortando meu olho e fraturando o osso da maçã do rosto. Eu havia desabado de exaustão e falta de sono. Depois desse colapso, consultei muitos médicos, fiz de ressonância magnética do cérebro e tomografia computadorizada a ecocardiograma, tudo para descobrir se existia algum problema de saúde por trás do meu esgotamento físico. Não havia, mas passar por tantos consultórios me deu a oportunidade de formular uma série de perguntas sobre o tipo de vida que eu estava levando. O site The Huf ington Post (que também é conhecido como Huf Post) foi criado em 2005 e, dois anos depois, vinha crescendo a um ritmo inacreditável. Apareci na capa de diversas revistas e fui eleita pela revista Time uma das “100 pessoas mais influentes do mundo”. Mas após aquele acidente em casa, não havia como evitar a pergunta: o sucesso era assim? Era aquela vida que eu queria para mim? Eu trabalhava dezoito horas por dia, sete dias por semana, tentando desenvolver um negócio, expandir nossa área de atuação e atrair novos investidores. Contudo minha vida estava fora de controle. De acordo com os indicadores tradicionais de sucesso, que priorizam dinheiro e poder, eu era muito bem-sucedida.


Mas, segundo qualquer definição lúcida de sucesso, minha vida era umcaos. Eu sabia que algo precisava mudar radicalmente. Não dava para continuar daquele jeito. Aquele colapso significou o clássico sinal de alerta. Olhando para trás, percebo que eu deveria ter despertado em muitas outras ocasiões. No entanto, aquela vez finalmente me despertou: mudei a forma como eu vivia, adotando práticas diárias para me manter nos trilhos – e longe dos consultórios médicos. Como resultado, construí uma vida mais gratificante, que me dá espaço para respirar e me permite ter uma perspectiva mais profunda das coisas. O conceito deste livro surgiu enquanto eu tentava organizar meus pensamentos para preparar o discurso de formatura que eu faria para a turma de 2013 do Smith College. Durante aquelas semanas, levei a sério meu compromisso com as meninas que estavam se graduando. O discurso de formatura é uma espécie de pausa, de parênteses no tempo após quatro (ou cinco, ou seis) anos de aprendizado contínuo, antes que a vida adulta se inicie e todo o conhecimento tenha que ser colocado em prática. É um marco único na trajetória de cada um. Meu desafio era dizer algo à altura da ocasião, algo útil para uma fase cheia de recomeços. “Tradicionalmente, espera-se que os paraninfos contem aos formandos como ir à luta e subir a escada do sucesso”, disse eu à turma. “Mas prefiro lhes pedir que redefinam sua noção de sucesso. Porque o mundo em que vocês estão ingressando precisa muito disso. E vocês estão à altura do desafio. Estão claramente habilitadas a conquistar seu espaço, seja ele qual for. Vocês podem trabalhar em qualquer área e são capazes de chegar ao topo de qualquer carreira. Mas insisto que não vivam apenas para tomar seu lugar no topo do mundo, mas para mudar o mundo.” A reação comovida ao discurso me fez perceber quão difundido é o desejo de redefinir o sucesso e o significado de “uma boa vida”. O que é uma boa vida? Esta pergunta tem sido feita desde a época dos filósofos gregos antigos. Mas em algum ponto do caminho abandonamos a questão e voltamos a atenção para coisas como: quanto dinheiro conseguimos ganhar, qual o tamanho da casa que podemos comprar e até onde vamos subir na carreira. São preocupações legítimas, claro, principalmente para as mulheres numa época em que elas ainda lutam por igualdade. Porém, como eu mesma descobri do modo mais doloroso, essas preocupações estão longe de ser relevantes quando se quer construir uma vida realmente boa. Com o tempo, nossa sociedade reduziu a ideia de sucesso a dinheiro e poder.

De fato, as palavras sucesso, dinheiro e poder hoje se tornaram praticamente sinônimos para muitas pessoas. Essa mentalidade pode até funcionar (ou parecer que funciona) no curto prazo. Mas, no longo prazo, dinheiro e poder são como um banco de dois pés: você pode se equilibrar sobre eles por umtempo, mas acabará caindo. E cada vez mais pessoas – algumas muito bem-sucedidas – estão caindo. Assim, o que eu disse para as formandas do Smith College foi que a forma como o sucesso foi definido não é eficiente. E não é mais sustentável, nem para os indivíduos nem para as sociedades. Para viver a vida que realmente queremos e merecemos, e não apenas a vida com a qual nos contentamos, precisamos de uma Terceira Medida, um terceiro indicador de sucesso que vá além de dinheiro e poder. Ele consiste em quatro pilares: bem-estar, sabedoria, admiração e doação. E esses quatro pilares formam as quatro seções deste livro. Primeiro vamos falar do bem-estar. Se o sucesso não for reformulado, nossa saúde pagará um preço cada vez mais alto por isso, como pude constatar na minha própria vida. Depois do colapso, percebi que a nova fase que eu iniciaria estava em sintonia com o meu espírito. Todas as minhas conversas pareciam girar em torno dos mesmos dilemas: o excesso de estresse, o excesso de trabalho, o excesso de conexões nas mídias sociais e a falta de conexão com nós mesmos e com os outros. O espaço, os intervalos, as pausas, o silêncio – tudo o que nos ajuda a recarregar as baterias – praticamente desapareceram da minha rotina e da de tantas pessoas que eu conhecia. Eu tinha a impressão de que as pessoas que de fato prosperavam eram aquelas que haviam aberto espaço em suas agendas para o bem-estar, a sabedoria, a admiração e a doação. Daí surgiu a Terceira Medida – o terceiro pé do banco para uma vida de sucesso. O que começou com uma redefinição do meu próprio rumo acabou me levando a enxergar uma perspectiva ainda maior. Esse movimento é global. Estamos entrando numa nova era. A maneira como medimos o sucesso está mudando. E já era hora. Essa mudança é especialmente positiva para as mulheres, pois pesquisas mostramque o preço da falsa promessa de sucesso tradicional é mais alto para elas do que para os homens. Mulheres com empregos estressantes correm um risco quase 40% maior de desenvolver doenças cardíacas e 60% maior de desenvolver diabetes. Nos últimos trinta anos, os níveis autodeclarados de estresse subiram 18%. Mesmo as pessoas que acabaram de entrar no mercado de trabalho já estão sentindo seus efeitos.

De acordo com a Associação Americana de Psicologia, a geração do novo milênio é campeã em níveis de estresse, superando a dos baby boomers e as anteriores. A cultura ocidental do trabalho é movida a estresse, privação de sono e esgotamento. Fiquei cara a cara com esse problema quando caí de exaustão no chão do meu escritório. O estresse destrói a saúde, enquanto a privação de sono – que muitos de nós experimentamos ao tentar progredir no trabalho – afeta profundamente a criatividade, a produtividade e a capacidade de tomar decisões. Segundo um estudo da Universidade Harvard, a explosão do ônibus espacial Challenger e o acidente nuclear em Chernobyl foram, ao menos parcialmente, causados pela privação de sono. Até os traços associados à personalidade e aos valores são afetados quando não dormimos o suficiente. De acordo com um estudo do Walter Reed Army Institute of Research, a privação de sono reduz a inteligência emocional, a autoestima, a assertividade, a sensação de independência, a empatia, a qualidade de relacionamentos interpessoais, o pensamento positivo e o controle dos impulsos. Na verdade, a pesquisa descobriu que as únicas coisas que melhoram nesse estado são o “pensamento mágico” e a crença em superstições. Portanto, se você está interessado em prever o futuro, vá em frente e fique sem dormir. Quanto ao restante de nós, precisamos pensar no que damos valor e mudar nosso ponto de vista acerca do trabalho, para que a exaustão seja motivo de críticas, não de elogios. Na nova definição de sucesso, não basta acumular e preservar capital financeiro. É necessário fazer o possível para proteger e acalentar nosso capital humano. Minha mãe era expert nisso. Quando eu tinha 12 anos, um homem de negócios bem-sucedido foi jantar em nossa casa. Ele parecia fraco e debilitado, mas nos contou entusiasmado como seus negócios prosperavam. Minha mãe não se impressionou: “Não me interessa se o seu negócio está bem. Você não está. Sua empresa pode ter um ótimo resultado financeiro, mas você é o capital mais importante. Vai acabar falindo se não investir na própria saúde.” De fato, pouco tempo depois, ele acabou sendo levado às pressas ao hospital para uma angioplastia de emergência. Quando incluímos o bem-estar na definição de sucesso, outra coisa muda: nosso relacionamento com o tempo. Parece que nunca temos horas o bastante para tudo o que queremos ou precisamos fazer. Cada vez que consultamos o relógio, temos a impressão de que é mais tarde do que pensávamos. Você também sente isso? Quando vivemos uma eterna “fome de tempo”, perdemos a capacidade de experimentar outro elemento-chave da Terceira Medida: a admiração, a sensação de deleite diante dos mistérios do universo e dos pequenos milagres que preenchem nossas vidas. Bem-estar e admiração.

Ambos são fundamentais na criação da Terceira Medida. Além deles há outro elemento indispensável na redefinição do sucesso: a sabedoria. Hoje em dia vemos líderes inteligentes tomando decisões terríveis. O que lhes falta não é QI, mas sabedoria. Isso não me surpreende. Nunca foi tão difícil explorar a sabedoria interior, porque para isso precisamos nos desligar de nossos dispositivos onipresentes – nossas engenhocas digitais, celulares, tablets, redes sociais – e nos reconectar com nós mesmos. Para ser honesta, isso também não é fácil para mim. A última vez que minha mãe brigou comigo antes de morrer foi quando me viu checando e-mails e conversando com meus filhos ao mesmo tempo. Em outras palavras, estarmos superficialmente conectados com o mundo inteiro pode nos impedir de nos conectarmos profundamente com as pessoas mais próximas – incluindo nós mesmos. E é nessa interação que reside a sabedoria. Estou convencida de duas verdades fundamentais sobre os seres humanos. A primeira é que temos dentro de nós um centro de sabedoria, harmonia e força. Todas as filosofias e religiões do mundo – sejam elas cristianismo, islamismo, judaísmo ou budismo – reconhecem essa ideia de alguma forma: por exemplo, na Bíblia lemos que “o Reino de Deus está no meio de vocês” (Lucas, 17:21); e Arquimedes, filósofo e ateu, disse “Dê-me um ponto de apoio e eu moverei o mundo”. A segunda verdade é que tendemos a nos afastar desse local. É a natureza da vida. Na realidade, é comum passarmos mais tempo fora de rumo do que no rumo certo. Mas conseguimos retornar ao centro de sabedoria com facilidade. É nele que a vida se transforma de luta em graça e subitamente ganhamos confiança, apesar de obstáculos, desafios ou decepções. Como disse Steve Jobs no seu discurso em Stanford, em 2005: “Você não consegue ligar os pontos olhando para a frente; você só consegue ligá-los olhando para trás. Então é preciso acreditar que os pontos vão se ligar no futuro. Você deve confiar em algo – seu instinto, destino, vida, carma, o que for. Esta abordagem nunca me desapontou, e fez toda a diferença na minha vida.” Existe um propósito na nossa existência, mesmo que seja algo oculto e cujos maiores pontos de virada só façam sentido quando olhamos para trás, e não quando os experimentamos. No entanto, a capacidade de retornarmos ao centro de sabedoria depende da importância que atribuímos a ele. E o esgotamento torna bem mais difícil acessar nossa sabedoria interior.

Em um artigo publicado no jornal The New York Times, Erin Callan, ex-superintendente financeira do banco de investimentos Lehman Brothers, afirmou que aprendeu diversas lições ao deixar seu cargo, já completamente exaurida. Trabalhar até a exaustão não foi ruim apenas para sua vida pessoal (culminando com o fim de seu casamento), mas também para a empresa, que acabou falindo. Afinal, a função do líder é ver o iceberg antes que ele atinja o Titanic. E quando você está esgotado, não consegue enxergar com clareza os perigos – e as oportunidades – à sua frente. E é esta associação que precisamos começar a colocar em prática se quisermos acelerar as mudanças na maneira como vivemos e trabalhamos. Bem-estar, admiração e sabedoria. O último elemento da Terceira Medida do sucesso é a doação, a capacidade de dar aos outros, motivada por empatia e compaixão. Diversos estudos científicos mostram que a empatia e o serviço ao próximo aumentam o bemestar. É assim que os elementos da Terceira Medida do sucesso se tornam parte de um círculo virtuoso. Se você tiver sorte, um momento de “revelação” lhe ocorrerá antes que seja tarde demais. No meu caso, foi desabar de exaustão em 2007. Desde aquele dia preguei a necessidade de nos desconectarmos de nossa vida superconectada e nos reconectarmos com nós mesmos. Essa necessidade tem guiado a filosofia editorial das 26 seções de estilo de vida do Huf Post nos Estados Unidos, em que promovemos formas de cuidar de nós e de ter vidas equilibradas e centradas enquanto fazemos uma diferença positiva no mundo. À medida que o Huf Post se espalha pelo mundo, incorporamos essa prioridade editorial às nossas edições internacionais – no Canadá, no Reino Unido, na França, na Itália, na Espanha, na Alemanha, no Japão, no Brasil e na Coreia do Sul. Lembro como se fosse ontem: aos 23 anos, eu estava viajando para promover meu primeiro livro, The Female Woman (A mulher feminina), que se tornara um best-seller inesperado. No quarto do hotel finamente decorado, o único som que se ouvia era o estalido do gelo derretendo no balde de champanhe. Sozinha ali, as vozes na minha cabeça eram bem mais altas: “Será que isso é tudo?” A pergunta se repetia sem parar, privando-me da alegria que eu esperava encontrar na minha bemsucedida carreira de escritora. Se isso é “viver”, então o que é a vida? Será que a existência se limita a uma busca por dinheiro e reconhecimento? De uma parte de mim veio um retumbante “Não!”. Então essa resposta me afastou das lucrativas ofertas para dar palestras e escrever sobre o tema da “mulher feminina” e impulsionou meu primeiro passo em direção a uma nova jornada. Mas essa jornada nunca foi uma linha reta – às vezes mais parecia uma espiral. Em muitas ocasiões me vi tentada a seguir caminhos que, no fundo, eu sabia que não me levariam à vida que eu queria. A atração do dinheiro e do poder é muito forte, mesmo para alguém que, como eu, teve a sorte de ter uma mãe que viveu de acordo com o conceito da Terceira Medida. Por isso este livro é uma espécie de retorno ao lar. Quando morei pela primeira vez em Nova York, nos anos 1980, conheci muita gente que havia alcançado o “sucesso” – dinheiro e poder –, mas continuava em busca de algo mais. No entanto, a cultura americana estimulava a ideia do trabalho e do esforço, pautada pela noção de que qualquer pessoa poderia alcançar seu sonho de ser bem-sucedida.

Mas acredito que na segunda década deste século as coisas estejam diferentes. Claro que ainda existem milhões de pessoas determinadas a permanecer nessa roda-viva, apesar do preço cobrado ao seu bem-estar, seus relacionamentos e sua felicidade. Muitas anseiam pelo próximo aumento, pela próxima promoção, pela próxima conquista que aquietará sua insatisfação. Porém, aos poucos, mais pessoas começam a reconhecer que esse estilo de vida leva a becos sem saída, a sonhos ilusórios. E, assim, reavaliam suas prioridades, procurando qualidade em vez de apenas o que o senso comumdefine como sucesso. O estresse e a fadiga causam problemas terríveis na saúde, podendo levar a diabetes, doenças cardíacas e obesidade. De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças americano, 75% dos gastos com assistência médica são destinados ao tratamento dessas enfermidades. Estudos do Instituto Benson-Henry para Medicina da Mente e do Corpo do Hospital Geral de Massachusetts estimam que 60% a 90% das consultas médicas são feitas para tratar doenças ligadas ao estresse. O estresse que vivemos também afeta nossos filhos. O ambiente hostil ou indiferente inunda as crianças – até mesmo os fetos – de hormônios como o cortisol, podendo comprometer o metabolismo do corpo e a construção do cérebro. Muitas vezes elas ficam permanentemente debilitadas, comgrandes chances de desenvolver doenças cardíacas, obesidade, diabetes, déficit de atenção, irritabilidade e até problemas com a lei. E tudo isso acontece porque não temos tempo de cuidar de nós mesmos, já que estamos muito ocupados caçando o fantasma da vida bem-sucedida. A diferença entre o que esse sucesso parece ser e o que de fato nos traz qualidade de vida nem sempre fica evidente enquanto o experimentamos. Mas fica bem mais óbvia quando olhamos pelo espelho retrovisor. Você já observou que, quando as pessoas morrem, os discursos fúnebres em homenagem a elas celebram coisas bem diferentes do que a quantidade de dinheiro que o morto tinha no banco ou o cargo que ele ocupava na empresa? É porque os discursos se pautam na Terceira Medida. Embora não seja difícil viver uma vida que inclua seus conceitos, é muito fácil não fazê-lo. É fácil nos deixarmos consumir pelo trabalho. É fácil deixar as obrigações profissionais nos dominarem e esquecer as coisas que realmente importam. É fácil deixar a tecnologia nos envolver numa existência eternamente apressada. É fácil, de fato, ignorar o objetivo real de nossas vidas – até não estarmos mais vivos. O discurso fúnebre costuma ser um documento fundamental do legado de uma pessoa. É a maneira como os outros se lembrarão dela. É revelador pensar sobre eles. Quase nunca ouvimos coisas como: “A maior realização de sua vida foi quando se tornou vice-presidente.” Ou: “Ele aumentou a participação no mercado de sua empresa várias vezes durante sua gestão.

” Ou: “Ela nunca parava de trabalhar. Almoçava na escrivaninha. Todo dia.” Ou: “Embora não encontrasse tempo para visitar ninguém, ela tinha seiscentos amigos no Facebook e respondia a todas as mensagens e e-mails que recebia.” Ou: “Suas apresentações em PowerPoint eram preparadas meticulosamente.” Os discursos fúnebres sempre versam sobre outras coisas: o que demos de nós, como nos conectamos, o que significamos para nossa família e amigos, nossas paixões, nossos gestos, aquilo que nos fazia rir. Então por que perdemos tanto tempo em coisas que nosso discurso fúnebre não citará? “Discursos fúnebres não são currículos”, escreveu David Brooks, colunista do The New York Times. “Eles descrevem o cuidado, a sabedoria, a honestidade e a coragem da pessoa. Descrevem os milhões de pequenos julgamentos morais que emanam do interior dela.” Mesmo assim, despendemos tempo, esforço e energia nos itens que entram no currículo – mas que perdem toda a importância assim que nosso coração para de bater. Mesmo os discursos fúnebres de pessoas cuja vida foi sinônimo de realização concentram-se em fatos que nada têm a ver com o sucesso. Veja o caso de Steve Jobs, um homem incontestavelmente bem-sucedido, criador de tecnologias revolucionárias. Quando sua irmã, Mona Simpson, ergueu-se para homenageá-lo em seu funeral, não foi no sucesso dele que ela se concentrou. É claro que ela falou sobre o trabalho, mas apenas como uma manifestação de suas paixões. “Steve trabalhou no que adorava”, disse ela. “Mas o que o motivou mesmo foi o amor. O amor foi sua suprema virtude, seu supremo deus.” Mona falou de coisas muito além do currículo brilhante do irmão: “Ele era um pai presente para cada um de seus filhos. Preocupava-se com os namorados de Lisa, as viagens de Erin e a segurança de Eve em meio aos cavalos que ela tanto adorava.” Naquele discurso comovente, ela deixou bemclaro que Steve Jobs foi muito mais do que o sujeito que inventou o iPhone. Foi um irmão, um marido e um pai que conhecia o verdadeiro valor daquilo de que a tecnologia pode facilmente nos desviar. Mesmo que você desenvolva um produto fantástico que transforme o mundo, o que prevalece na mente das pessoas são as lembranças que você criou na vida delas. O velho ditado popular “Viva cada dia como se fosse o último” significa que não deveríamos esperar a iminência da morte para começar a priorizar o que realmente importa. Qualquer um com umsmartphone e uma caixa de e-mails lotada sabe como é fácil estar ocupado demais para perceber que está deixando a vida passar

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