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A Turma Da Rua Quinze (colecao Vaga-Lume) – Marcal Aquino

De repente, Marcão desaparece e a turma da Rua Quinze fica em polvorosa. Onde o amigo pode ter ido parar? Por conta própria, o grupo resolve investigar um suspeito casarão que fica no fim da rua e é aí que a aventura começa… Quem é aquele homem misterioso com uma cicatriz no rosto? Por enquanto fique sabendo que esse desconhecido e uma nota de cinco dólares são as únicas pistas de que os garotos dispõem para esclarecer o sumiço do amigo. Mas não é o único problema que eles vão enfrentar nesta história repleta de mistérios, ação e surpresas. Por isso, tenha certeza de que — ao começar a leitura — você também vai querer fazer parte da turma. Use a imaginação e se deixe levar por esta aventura emocionante! Conhecendo Marçal Aquino A turma da Rua Quinze é o primeiro romance de Marçal Aquino para jovens. O autor considerou um desafio escrevê-lo, mas deu certo: o sucesso é comprovado pelas edições sucessivas do livro. O escritor nasceu em Amparo, no interior paulista, em 1958. Começou a escrever aos dezesseis anos, no jornal de sua cidade. Não parou mais: embora tenha trabalhado em diversas atividades, fixou-se no jornalismo, sem nunca abandonar a literatura. Já ganhou vários prêmios literários e hoje é considerado um dos autores de destaque da nova geração. Sumário Um desaparecimento Um achado no parque Uma. figura muito estranha Serginho encontra Abraham Lincoln Marcão aparece na televisão Encontro com as meninas Uma entrega misteriosa À visita dos policiais Assuntos muito importantes Invadindo o casarão Companhia para a turma Um companheiro esperto Conversa no parque Uma garota chamada Beatriz Preparando a investigação no clube Bia provoca ciúmes O plano de Tigre Medo e roupas sujas Um casal distraído Perigo no casarão Tarde demais para assobios Um outro bilhete Uma baixa na turma Visita ao velho Alípio A turma é seguida Vigilância no parque Por essa Renato não esperava Surpresas no parque O sumiço de Tigre e Bia Duas traições Jogando com raça Doloridas lembranças do jogo. Desencontro Visitas na sorveteria Lanternas na casa escura A descoberta da turma No mesmo barco Em busca de socorro A quadrilha reunida Serginho versus Cicatriz Sorrisos estranhos Mais umno quarto/cela Conversa com Dino A ordem do chefão O chefão mostra seu rosto O dólar de Marcão Uma surpresa no clube A TURMA DA RUA QUINZE UM DESAPARECIMENTO No dia 20 de julho de 1969, um domingo, os astronautas norte-americanos Edwin Aldrin, Michael Collins e Neil Armstrong, a bordo da nave Apolo 11, realizaram aquela que é considerada a maior façanha do homem no século 20: chegaram à Lua. E essa data acabou sendo marcante para a turma da rua Quinze. Não por causa do fato em si, mas porque foi nesse dia que o Marcão desapareceu. No dia seguinte, Pedro e Tigre conversavam sentados’ na rua quando André apareceu com a novidade. E rapidamente o sumiço do companheiro substituiu na conversa a imagem de Armstrong e Aldrin andando pela Lua, como a televisão tinha mostrado, e instalando ali a bandeira dos Estados Unidos. — O Serginho me disse que o Marcão não aparece em casa desde ontem na hora do almoço —explicou André. — E hoje cedo os pais dele resolveram procurar a polícia. — Puxa, a polícia? — assustou-se Tigre. — Então a coisa é séria mesmo! — Nem o Serginho, que é irmão dele, sabe direito o que aconteceu. O Marcão não é de comentar comninguém o que está fazendo — lembrou André, preocupado. — É verdade — concordou Pedro. — Nos últimos tempos ele só acompanha a gente quando tem jogo contra a Vila Nova. — Vamos dar um pulo na casa dele? Quem sabe eles têm alguma novidade — propôs Tigre, enquanto se levantava.


A casa do Marcão ficava numa travessa da rua Quinze. Era uma construção velha, como a maioria das casas da rua estreita, calçada com pedras que, em breve, seriam substituídas por asfalto, o que estava acontecendo em todas as ruas do bairro. Serginho estava sentado na escada que dava para a rua. Perto dele estava Napoleão, um vira-lata preto e branco que um dia apareceu na rua e acabou adotado pelos meninos. Os dois pareciam tristes. — E aí, Serginho, alguma novidade? — adiantou-se André. — Nada até agora. Meu pai nem foi trabalhar hoje por causa disso. Ele e a mãe estiveram na delegacia e agora foram dar uma olhada nos hospitais. — Mas o que pode ter acontecido com o Marcão? perguntou Tigre. — Ninguém sabe. Ele saiu daqui ontem, depois do almoço. E só levou a roupa do corpo. — E onde é que ele ia? — quis saber Pedro, que também havia se sentado na escada. — Ele não disse. Ele sempre foi assim, não comenta aonde vai nem o que vai fazer. — Acho que a gente devia dar uma procurada aqui no bairro. Quem sabe aparece alguma pista — propôs Pedro, olhando para Tigre e André. — Mas onde? — quis saber Tigre curioso. — Sei lá, vamos dar uma andada por aí. É melhor do que ficar parado aqui. — Eu tenho uma idéia melhor — falou André, lembrando de um filme policial. — Serginho, você pode pegar alguma roupa do Marcão? — Posso, mas pra que você quer? — Pegue e você já vai ver — disse André, sério, enquanto todos olhavam para ele com curiosidade. Serginho trouxe uma camisa do Marcão e a entregou a André, que continuava com ar de mistério. Ele pegou a camisa, abaixou-se e fez com que Napoleão a cheirasse.

Aí todos compreenderam o que ele estava pretendendo. UM ACHADO NO PARQUE Napoleão era um companheiro fiel da turma e participava até mesmo das reuniões no clube, umcômodo nos fundos da casa de Tigre, onde as aventuras eram tramadas. Fora batizado por Tigre, que se lembrou de uma aula de História onde as conquistas de Napoleão foram descritas com paixão pela professora. Mas, com certeza, o imperador francês não ficaria nem um pouco lisonjeado com a homenagem. É mais provável que ele ficasse irritado, principalmente ao saber que as pulgas eram ummal crônico do cachorro, e que não havia banho que as dizimasse. Napoleão saiu da casa de Serginho seguido pela turma e desceu a rua Quinze em direção ao parque que existia na esquina. Vez por outra ele parava repentinamente e todos ficavam atentos. Mas ele estava apenas escolhendo um poste para urinar. — Você acha que isso vai dar certo, André? — perguntou Tigre desconfiado. — Pelo menos o Napoleão está levando a gente para algum lugar, e pode ser uma pista. — Pois eu estou achando que ele só está passeando — comentou Pedro, que também desconfiava da idéia do amigo. — Calma, gente. Vamos ver primeiro onde ele está indo — interrompeu Serginho. Napoleão entrou no parque acompanhado de perto pelos meninos. Caminhou pelas alamedas floridas e parou em frente ao lago que existia no centro do parque. Os garotos ficaram esperando. Ali, o cão começou a cavar: primeiro devagar, e depois com rapidez, ao mesmo tempo que passava a ganir. — Meu Deus — disse Pedro assustado —, o que ele está querendo nos mostrar? — Deve ter alguma coisa enterrada aí. Vamos ajudar a cavar — sugeriu Tigre, abaixando-se. Enquanto Serginho segurava Napoleão, que bastante agitado latia, os três meninos se agacharam e começaram a cavar no local apontado pelo cachorro. Usavam as mãos nessa tarefa, pois a terra fofa indicava que havia sido remexida recentemente. — Calma, Napoleão, já vamos encontrar o que você está querendo mostrar — falou Tigre. Mas o cão continuava a debater-se nas mãos de Serginho. O buraco ia se aprofundando e os três meninos cavavam com mais rapidez. De repente, Tigre gritou: — Achei, gente.

Olhem o que o Napoleão estava que rendo mostrar — e ergueu um osso enorme. Napoleão escapou do controle de Serginho e tomou o osso da mão de Tigre, como se aquilo fosse uma sobremesa escondida para uma ocasião muito especial. Depois partiu em disparada em direção à rua Quinze. Ninguém conseguiu segurar as risadas. UMA FIGURA MUITO ESTRANHA A turma da Rua Quinze não conseguiu desprender os olhos daquela figura estranha… — Eu sabia que essa idéia não ia dar certo, André — comentou Tigre. Os quatro garotos estavam sentados na rua Quinze, enquanto Napoleão roia seu osso calmamente. — É, o Napoleão é inteligente, mas não é um cachorro policial — observou Pedro, disfarçando o sorriso. — Mas a gente tinha de tentar alguma coisa. E a idéia foi boa — rebateu André. — Foi sim, para o Napoleão, que está jantando mais cedo — falou Pedro, provocando o riso dos companheiros. — Olhem que figura estranha vem vindo lá na esquina — disse Serginho, interrompendo a conversa do grupo. O homem era alto, magro e vestia um paletó escuro, apesar do calor do fim de tarde. Tinha um bigode estreito, e pouco abaixo de seu olho esquerdo havia uma cicatriz que descia até perto da boca. Carregava uma maleta, que parecia deixá-lo ainda mais esquisito. Um tipo de pessoa que, semdúvida, chamaria a atenção em qualquer lugar do mundo. Como se fosse um homem com pernas de pau visitando um parente em uma tribo de pigmeus. Ele caminhava firme, sem olhar para os lados, ignorando completamente o grupo de meninos sentado na calçada do outro lado da rua. A turma não conseguia desprender os olhos do homem, como se todos estivessem hipnotizados. E ninguémconseguia dizer uma palavra. De repente, Napoleão largou seu osso, levantou-se e, atravessando a rua, investiu contra ele, latindo alto. O cão e o homem se olharam por um instante e, curiosamente, foi o animal quem pareceu demonstrar medo. E recuou, embora continuasse a rosnar. O homem, como se nada tivesse acontecido, continuou sua caminhada até o fim da rua, onde entrou no casarão da esquina. Só então Napoleão parou de latir e retornou para junto da turma, que parecia saída de um transe. Tanto que ninguém esboçou o menor gesto para deter o cachorro, que avançava contra um estranho sem nenhum motivo aparente.

Um comportamento incomum, já que normalmente Napoleão era manso e dócil. — Puxa, que coisa esquisita. Vocês viram como o Napoleão recuou? — perguntou Serginho, o primeiro a quebrar o silêncio que envolvia a turma. — Por que será que ele não gostou desse homem? — Vai ver esse cara fez qualquer coisa para o Napoleão algum dia — arriscou André, olhando para o cachorro. — Pode ser. Dizem que os cães não esquecem nunca mais as pessoas que os maltratam — disse Pedro. — Nunca vi o Napoleão tão bravo. Até pensei que ele ia morder o homem — falou Serginho, afagando o cão, que voltara a atenção para seu osso. — Então é esse o homem que alugou o casarão da esquina. Minha mãe comentou que a casa da dona Olivia tinha sido alugada por um sujeito estranho, que não cumprimenta ninguém na rua — lembrou Tigre. — Estranho ele é mesmo. Vocês viram a cicatriz que ele tem na cara? Ele parece um bandido de filme — disse Pedro, e todos concordaram com a comparação. — Eu pagava para saber por que o Napoleão ficou daquele jeito. Ele nunca avançou em ninguém aqui na rua — falou Tigre inquieto. — E o que ele faz no casarão, mora lá? — quis saber Pedro. — Minha mãe não sabe. Ela só sabe que ele alugou a casa da dona Olivia, que estava fechada desde que ela foi morar com a filha no Paraná, no ano passado. Mas acho que ele não mora lá, não —explicou Tigre —, parece que ele vai abrir uma firma na casa e está trazendo os móveis e as máquinas devagar. — Agora estou lembrando: minha mãe comentou outro dia que um caminhão estava descarregando mudança no casarão da dona Olivia — lembrou André. — Quando foi isso? — perguntou Pedro curioso. — Acho que foi na semana passada. Eu até ia dar uma olhada, mas era hora de jantar e acabei não indo. SERGINHO ENCONTRA ABRAHAM LINCOLN Serginho chegou em casa e seus pais ainda não haviam voltado da peregrinação pelos hospitais. Ele entrou no quarto que dividia com o irmão. Abriu o armário devagar, como se alguma coisa fosse saltar de lá repentinamente.

Havia fotos do irmão quando bebê e outras onde ele aparecia no time da rua Quinze. Serginho folheou os gibis do irmão, na esperança de que alguma pista caísse de dentro das páginas. Mas nada disso aconteceu. Havia uma caixa pequena com dois times de futebol de botão, que ele remexeu cuidadosamente, terminando por esvaziá-la. Serginho não achava aquilo direito, mexer nos objetos do irmão, mas, afinal, era uma situação de emergência. Do fundo da caixa, além das traves de plástico e dos botões, caiu um pedaço de papel verde. Serginho pegou o papel rapidamente e examinou-o. Abraham Lincoln olhava-o, com uma expressão vaga e um sorriso contido. Uma nota de cinco dólares. Ele sentou-se na cama e ficou olhando para a nota: o que aquilo significava? Ele nunca soube que Marcão tivesse uma nota de cinco dólares, o irmão nunca havia comentado. “Mas tem tanta coisa que ele não comenta”, pensou Serginho. Aquilo era apenas uma nota de cinco dólares, nada mais. Ele ouviu a porta da sala se abrindo e as vozes do pai e da mãe que chegavam. Levantou-se, colocou a nota no bolso, guardou os botões e fechou o armário. MARCÃO APARECE NA TELEVISÃO A noite no clube, Pedro, Tigre e André discutiam onde Marcão poderia ser procurado quando chegou Renato, o integrante que faltava da turma. — Acabei de ver o Marcão na televisão — disse, as sim que entrou no clube.

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