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A Ultima Mulher em Sua Vida – Ellery Queen

Ellery ficou ali, de pé, observando o jato que levava Scott. Ainda continuava parado, sozinho, quando sentiu que o tocavam. Virou-se e deu com o inspetor Queen. — Ei — o pai disse, apertando seu braço. — Venha. Vou lhe pagar um café. O velho sempre aparecia inesperadamente. Ellery acompanhou-o até o restaurante do aeroporto. — Filho, você precisa parar de se meter em problemas. Não deve agir assim. Você se deixou envolver por esse sujeito. Se eu me permitisse esse tipo de tolice, já estaria na cova há muito tempo. Ellery levantou a mão, como se estivesse jurando sobre a Bíblia. — Oh, ajude-me, para que eu nunca mais cometa esse erro. Depois disso, viu Benedict e Marsh conversando, do outro lado do restaurante. Os dois imediatamente aceitaram o convite de Ellery e vieram sentar-se à sua mesa. Não se encontravamdesde a universidade. Para o inspetor Queen, Marsh era apenas um cidadão chamado Marsh. Mas claro que já ouvira falar de Benedict… Johnny-B, como era conhecido na alta sociedade. Membro do exclusivo clube Raffles, estrela de primeira grandeza das colunas sociais, amigo da nobreza, frequentador de Mônaco, Kitzbuhel e dos cruzeiros gregos. Em janeiro, Benedict podia ser encontrado no Festival de Inverno de Málaga; fevereiro, Garmisch-Partenkirchen; março, em Bloemfontein; abril, no Festival Songkran, em Chiangmai; maio, em Copenhague, para o balé real; junho, em Epson Downs, para as corridas internacionais de iate; julho, em Henley e Beirute; agosto, em Mystic, para o Festival Aberto de Artes; setembro, em Luxemburgo, para a Festa do Vinho; outubro, em Turim, para o Salão do Automóvel; novembro, no Madison Square Garden, para os leilões de cavalos; e em dezembro, em Makaha Beach, para o Festival de Surf. John Levering Benedict III não tinha outras atividades, a não ser sua vida social. Era encantador, sem ser arrogante, fato que atraía muito os colunistas. Era até bonito, apesar de mais baixo do que a média; tinha cabelos finos, que as mulheres adoravam acariciar, mãos e pés delicados. Estava sempre na lista dos dez mais bem vestidos.


Havia algo nele que lembrava os gregos antigos. O avô paterno de Johnny-B possuía terras madeireiras por toda a região do lago Chelan e logo se tornou um dos barões da lenha, no noroeste do Pacífico. Seu pai investiu em navios, nos estaleiros de Pelion, em Ossa. De acordo com os boatos, a tarefa de gastar a fortuna ficara por conta de Johnny. Tarefa que, segundo se dizia, era um tanto difícil, apesar de pagar nada menos de três pensões: tinha acabado de divorciar-se da terceira esposa. Um dos poucos amigos de Johnny Benedict era Al Marsh. Marsh tinha fortuna própria, mas não tão grande. Trabalhava, e muitos diziam que era apenas como passatempo. Havia feito o curso de advocacia em Harvard e um estágio brilhante na Suprema Corte de Justiça dos Estados Unidos; conhecera a cínica realidade de Washington e fundara uma firma de advogados em Nova York, que ia muito bem, com a ajuda da família e dos amigos influentes. Agora, tinha escritórios nas duas cidades: Washington e Nova York. Os especialistas no assunto diziam que Marsh era um dos solteiros americanos mais cobiçados. Atraía as mulheres e lidava com elas do mesmo jeito com que lidava com a lei: competente e prático. Era mais alto do que Benedict, moreno, com o nariz achatado — lembrança de uma briga na universidade — e o maxilar que lembrava um cowboy. “O tipo Marlboro”, Johnny dizia, afetuosamente, “aquele que gosta de cavalos e carros importados.” E Marsh gostava de ambos. Tinha também paixão por voar. Pilotava seu próprio avião com tanta devoção, que só podia ser explicada por um fato: seu pai morrera voando. Como acontece com quase todos os homens que atraem as mulheres, Marsh não era muito apreciado pelos homens. Alguns o achavam orgulhoso; outros, reservado. Seu círculo de amigos era pequeno. Entretanto, seu relacionamento com Johnny Benedict não era apenas pessoal. Johnny tinha herdado do pai os serviços de uma velha firma de advogados, cheia de prestígio, que cuidava dos investimentos dos Benedict. Mas, para administrar seus próprios bens, ele confiava em Marsh. — Cheguei de Londres há quinze minutos. E Al veio comigo — Benedict disse.

— Tivemos alguns negócios em Londres, e de-depois, um leilão no S-Sotheby. — Naturalmente, não poderia perdê-lo. — Por favor — Marsh disse —, não sei de nenhuma lei que proíba um homem de dar o que Johnny deu por aquele Monet. Benedict riu. — Você está sempre querendo me ensinar a gastar o meu d-dinheiro. Sempre diz que devo achar um jeito de conseguir lucro. Ele não apenas gaguejava um pouco, como também tinha dificuldade com os “erres”. Aquilo dava à conversa um grande charme. Quem veria um capitalista perigoso num homem que pronuncia “lucrro”? — Foi você o sujeito que comprou aquela coisa? — o inspetor Queen perguntou. — Pagou tudo aquilo por um pedaço de tela velha e algumas camadas de tinta? — E não nos conte o que vai fazer com o quadro — Ellery disse. — Nem gosto de lembrar do preço. Acho que vai transformá-lo em alvo para dardos ou qualquer coisa do gênero. Marsh chamou o garçom e pediu mais uma rodada. — Não critiquem Johnny, por favor — disse. — Ele realmente entende de arte. — Claro que entendo. Gostaria de ver a minha c-coleção qualquer dia, Ellery? O senhor também, inspetor. — Obrigado, mas me deixe fora disso — o inspetor Queen disse. — Meu filho diz que sou um bárbaro em matéria de cultura. Diz, nas minhas costas, naturalmente. Ele foi muito bem educado, para falar isso de frente. — Quanto a mim, Johnny, — Ellery falou — não acredito que consiga aguentar. Nunca consegui me adaptar à distribuição desigual de riquezas. — E o que acha da distribuição desigual de cérebros? — Benedict respondeu. — Pelo que tenho lido ultimamente, as críticas dos seus livros o colocam quase como um primo próximo de Einstein.

Algo no rosto de Ellery fez com que Benedict sorrisse, perguntando: — Disse algo errado? — Ellery é modesto — o pai explicou. — Os críticos têm sido duros, principalmente pouco antes de ele fazer uma viagem de volta ao mundo para pesquisas. Na verdade, as minhas férias estão chegando e não consigo descobrir um lugar sossegado para passar algumas semanas. — Pergunte a Johnny — Marsh disse. — Ele conhece todos os lugares que não estão na lista das agências de turismo. — Não, obrigado — Ellery falou. — Não os lugares de Johnny. — Está com uma ideia errada sobre mim, Ellery. Que dia é hoje? — Segunda-feira. — Não. A data. — Vinte e três de março. — Bem, antes de eu ir para Londres… no dia 19, se quiser verificar… estive em Valência, para a Festa de São José. Estranho? Antes disso, fui à Feira da Primavera, em Viena. E antes disso… no dia 3, eu acho, estive em Tóquio, para a Festa das Flores. O que acha? Muito cultural? Um gastador? Al, estou me vangloriando outra vez! — Vanglorie-se, Johnny — Marsh disse. — É o tipo de coisa que ajuda a sua imagem. E Deus sabe como podemos usar essa ajuda. — Papai e eu estamos pensando em algo menos sofisticado — Ellery comentou. — Ar puro, longos passeios a pé, pescar — o inspetor Queen disse.— Principalmente, pescar. Já pescou, sr. Benedict? Quero dizer, num riacho nas montanhas, sozinho, com uma vara que não custou trezentos dólares? Os prazeres simples dos pobres… é isso que estamos procurando… — Tenho a receita certa para vocês dois. O que acha, Al? — É perfeito — Marsh riu. — Ellery não sabia que ia sugerir um barco e conseguir um iate.

— Sabia? — Ellery falou. — Sabia o quê? — Tenho um sítio na Nova Inglaterra — Johnny Benedict explicou —, mas poucas pessoas ssabem disso. Tem bosques, riachos não-poluídos e cheios de… como se chama mesmo?… esqueci. Já pesquei lá com um bambu cortado e preparado por mim mesmo. Inspetor, para sorte de vocês, há ainda um lindo bangalô de hóspedes, perto da casa principal. É tudo terrivelmente rústico, Ellery. Você e s-seu pai adorarão. Podem usar o bangalô o tempo que quiserem. Dou-lhes a minha palavra de que ninguém os incomodará. — Bem. Não sei o que dizer… — Eu sei — o inspetor falou, imediatamente. — Obrigado, aceitamos. — Em que lugar da Nova Inglaterra? Benedict e Marsh trocaram olhares divertidos. — Uma pequena cidade — Benedict disse. — Duvido que já tenha ouvido falar dela. Wrightsville. — Wrightsville? Você tem um sítio lá, Johnny? — Há anos e anos… — Mas eu nunca soube. — Já lhe disse. Mantive em segredo. Comprei-o faz tempo, para ter um lugar para onde pudesse fugir de tudo. E isso acontece com mais frequência do que você imagina. — Lamento, Johnny — Ellery disse, batendo no peito —, fui um sujeito abominável. — É um lugar modesto… burguês, na verdade. Antigo como o meu bisavô. Ele e-era carpinteiro.

— Mas por que em Wrightsville? Benedict sorriu. — Você fez muita propaganda do lugar. — Bem, é verdade — Ellery concordou. — Wrightsville é a minha receita para as doenças que periodicamente me atacam. — Como se ele não soubesse… — Marsh comentou. — Johnny sempre segue suas aventuras, Ellery. Do mesmo jeito que Marco Antônio seguia César. Principalmente as histórias sobre Wrightsville. Fica sempre procurando erros. — Isto, senhores, vai ser o reinicio de uma bela amizade — Ellery disse.— Garanto que não o decepcionarei, Johnny. Eles se despediram e, naquela mesma tarde, chegou um envelope, com o seguinte bilhete: “Querido ermitão, A chave pequena é da casa de hóspedes. A outra abre a casa principal, caso vocês queiram alguma coisa… comida, bebidas, roupas. Há tudo lá. Há, também, na casa de hóspedes; entretanto, em menor variedade. Usem tudo o que quiserem. Ninguém está lá agora (não tenho caseiro, mas, de vez em quando, um velho chamado Morris Hunker vai da cidade até lá, dar uma olhada). A julgar pelo estado de espírito em que você estava hoje, precisará de toda a solidão que o meu sítio em Wrightsville pode fornecer. Boa sorte, e cuide do seu velho… parece que ele está precisando de um pouco de paz. Sinceramente, Johnny. P.S. Talvez eu apareça por lá. Mas não os incomodarei. A não ser que desejem ser incomodados.

” Os Queen desceram no aeroporto de Wrightsville no começo da tarde do dia seguinte. O problema com Wrightsville — Wrightsville tinha problemas, no ponto de vista de Ellery — é que havia, desastradamente, entrado no século XX. Quando se tratava de cidade pequenas, Ellery era completamente conservador e reacionário. Gostava de bandas de música tocando nas noites de quinta-feira. De amendoim com pipoca vendidos nas calçadas. De rapazes e moças arrumadinhos, passeando nas tardes de sábado. Sentia um afeto especial pela praça (que era redonda), rodeada apenas por sobrados e um único edifício de cinco andares, o Hollis Hotel, e uma casa de três andares (o último era o sótão), construída no estilo da época da Revolução. Mais ao longe, havia uma estátua de Jezreel Wright, que fundou o povoado em 1701, num local abandonado pelos índios. A estátua agora era usada, sem a menor cerimônia, pelos passarinhos. Tudo ali era antigo. Mas agora, a paisagem estava diferente. As fachadas dos edifícios comerciais foram reformadas como aquela do Ventura Boulevard, em San Fernando, perto de Hollywood. Era uma das coisas que Ellery mais detestava: quadrados de vidro, cimento, madeira vermelha e luz neon. Diminuíam terrivelmente as casas vizinhas. O Hollis, um marco comercial da cidade, antes da Segunda Guerra Mundial, passara por uma “completa cirurgia plástica”. E saíra atualizado. Parecendo qualquer loja de departamentos de Nova York. A farmácia desaparecera. E o supermercado Bon Ton tomava todo o quarteirão entre as ruas Washington e Lincoln. Ao norte, as coisas ainda estavam piores. Novos loteamentos apareceram, invadindo fazendas e sítios. Poucas casas se salvaram. As favelas se espalhavam além do aeroporto. Surgira até um bairro de novos-ricos. Pelo menos trinta e cinco fazendas, que Ellery conhecia e apreciava, desapareceram.

Novas fábricas ergueram-se aos montões, principalmente fábricas de componentes eletrônicos para a indústria pesada, que produziam para o Departamento de Defesa. Entretanto, para Ellery, Wrightsville ainda era Wrightsville. As ruas, calçadas com pedras; o rio Willow, com sua lama amarela, vermelha e azulada; a sorveteria, que sobrevivera, apesar de a vizinhança ter mudado. Assim, aos olhos de Ellery, Wrightsville era uma espécie de paraíso. Alugou um carro na agência do aeroporto e, junto com o pai, partiu para o sítio de Benedict. Pelo que Johnny tinha dito, o lugar era pequeno, apenas uns vinte ou trinta acres. A verdade era outra: duzentos acres de bosques, água, pastagens naturais, entre Wrightsville e Shinn Corners, numa parte do vale que ainda possuía fazendas subindo pelas montanhas. — Isto aqui era cheio de fazendas de gado leiteiro — Ellery reclamou, enquanto descia para abrir a porteira. — O gado mais dócil que já se viu. — Bem, não reclame de Benedict. O gado já não devia estar mais aqui, antes de ele comprar o lugar. As fazendas pequenas estão falindo em toda a Nova Inglaterra. — Em toda parte — Ellery comentou, e bateu a porta do carro com força. Logo estavam passando pela casa principal, um pouco distante da entrada. Quase um quilômetro depois, surgiu o bangalô, em estilo mais moderno, construído numa clareira do bosque. Desceram do carro e ouviram ruído de água correndo ali perto. — Parece que posso atirar a linha da janela mesmo — o inspetor disse. — Homem, isso é que é um bom jeito de viver! — Claro, se alguém ganhar o pão — Ellery falou, sombrio. — Ellery, qual é o problema com você? Se pensa que vou aguentar os seus estrelismos durante duas semanas… Prefiro resolver isso agora. Achei muito gentil e agradável da parte do seu amigo nos oferecer este lugar. Se tiver reclamações, guarde-as para você. Senão, tomo o próximo avião para Nova York. Há muito tempo que o inspetor Queen não falava assim com o filho. Ellery calou a boca. O bangalô era tão rústico como Benedict tinha dito.

Toda a mobília fora comprada na cidade próxima; entretanto, não faltava nenhum conforto. O sofá era macio e fofo; os tapetes, bem grossos. Havia livros nas prateleiras, um aparelho de som, uma coleção de tapes e uma televisão em cores portátil. O inspetor começou a desarrumar as malas e Ellery resolveu ir até a cidade comprar mantimentos. O congelador estava cheio de carnes, presuntos e latarias. Mas precisavam de leite, pão, manteiga, ovos, trutas e verduras frescas. — Traga alguma coisa, filho, para eu esquentar esses velhos ossos. — Não é preciso. Há um bar embutido na sala, do lado oposto à lareira. Tem tudo, de absinto a vodca. Ellery passou pelo mercado do Logan e do Slocum. Preferiu um grande e moderno supermercado, onde ninguém o reconheceria. Mesmo assim, teve que virar o rosto, para não ser visto por duas mulheres que reconhecera. A viagem até a cidade deixou-o mais deprimido. As mudanças foram profundas e, de seu ponto de vista, para pior. Ficou contente de voltar ao bangalô. Encontrou o pai de calça esporte e camisa aberta no colarinho, segurando um copo de uísque. — Sim, senhor — o inspetor disse, feliz. — Isso é que é vida! O velho comportou-se magnificamente. Na quarta-feira, passou a maior parte do dia pescando (apesar de ter dito a Benedict algo sobre cortar sua própria vara, encontrou um armário cheio de equipamentos e estupendos molinetes). Depois de uma enorme confusão, conseguiu preparar uma truta para o jantar. Ellery passou o dia deitado, ouvindo Mozart, Bach e Tijuana Brass. De vez em quando, cochilava. À noite, dormiu de um sono só, sem tomar nenhum comprimido. Há muito tempo isso não acontecia.

Vivia tendo pesadelos. Na quinta-feira, os Queen passearam pela propriedade. Depois, fizeram um churrasco. O inspetor fingiu que não percebia o prato limpo de Ellery. Há muito tempo o filho não comia uma refeição completa. Ellery tinha acabado de ligar a máquina de lavar pratos, quando ouviu um barulho vindo de algo que parecia um interfone. Pegou o aparelho. — Diabos, que é isso? — Ellery — ouviu a voz de Benedict. — Como está o seu pai? — Johnny? — Será que era mesmo Benedict? — Oh, compreendo, essa coisa está ligada à casa principal… Posso falar? — Sim, Ellery. Sei que prometi não os incomodar… — Quando chegou? — No fim da tarde. Olhe, há a-algo que quero lhe dizer. Posso ir até aí? — Venha logo. Desligou e foi até o quarto. O inspetor estava vestindo o pijama. — Papai, Benedict está aqui. Quer conversar conosco. Ou melhor, comigo. O que acha disso? Eles se entreolharam. — Você parece misterioso, filho. — Não estou procurando problemas, acredite. Mas farejo algo… — Espero que esteja errado. Dez minutos depois, Ellery recebia Johnny-B, que parecia preocupado… preocupado e algo mais. O que seria? Ellery disse a si mesmo: vou ficar fora disso. — Entre, Johnny. — Desculpe o meu pijama e o robe, sr.

Benedict — o inspetor falou. — Tive um dia muito cansativo, passeando pela sua propriedade. Estava indo para a cama. — Um drinque, Johnny? — Agora não, obrigado. — Benedict afundou-se numa cadeira e olhou em volta. Sorriu, desanimado. Claro que ali havia algo errado. Os Queen evitavam se olhar. — Gostaram daqui? — Quero lhe agradecer muito, Johnny. Estou realmente encantado. Era disso mesmo que eu precisava. — Ellery e eu — corrigiu o inspetor. Benedict fez um gesto de quem não queria ouvir agradecimentos. Aí vem o problema, Ellery pensou. — Ellery? — Sim, Johnny. — Quero lhe dizer que r-receberei convidados no f-fim de semana. — Oh? — Não, não. Não estou pondo vocês para fora. Eles ficarão na casa principal. Há muitos quartos lá. Al Marsh chega amanhã. Sua secretária, uma garota chamada Susan Smith, vem na tarde de sábado. Amanhã também chegam…— Benedict hesitou e franziu as sobrancelhas — … minhas três ex. — Ex-esposas? — Ex-esposas. — Desculpe perguntar, Johnny, mas é uma reunião de família? O inspetor brincou: — Sempre ouvi falar da vida interessante que leva, sr.

Benedict. Mas isto me parece ridículo. Os três riram. Benedict pareceu menos tenso. — Gostaria que fosse algo assim alegre. Bem, o problema é: não quero que essas pessoas os perturbem. Não é nenhum acontecimento social, vamos apenas tratar de negócios. Entendem o que quero dizer? — Não, mas está tudo bem, Johnny. Não precisa nos dar nenhuma explicação. — Mas não quero que fiquem fazendo ideias erradas de mim. Não serão perturbados. Dou-lhes m-minha palavra. Aquilo parecia tão desnecessário, que Ellery teve que lutar contra a própria curiosidade. Depois daquele longo tempo sem encontrar o amigo, percebeu que não sabia muito sobre ele. Pelo menos, nada importante. O convite parecera sincero. Mas agora tudo indicava que Benedict tinha outras intenções… Quais? Depois de dar sua palavra, o outro parou de falar. Aparentava alguma preocupação. O silêncio tornou-se deprimente. — Há algo errado, Johnny? — Ellery perguntou. Depois, repreendeu-se por ter feito aquilo. — Está assim tão aparente? Acho que aceito aquele drinque, agora, Ellery. Não, eu mesmo vou preparar um. Benedict pulou da poltrona e se dirigiu ao bar. Serviu-se de uísque com gelo.

De repente, disse: — Tenho um favor a lhe pedir. Detesto pedir favores, não sei por quê. Mas este preciso pedir. — Estamos lhe devendo obrigações, sr. Benedict — o inspetor disse, rindo. — Não recusaremos o favor, Johnny. Qual é o problema? Benedict colocou o copo na mesa. Depois, tirou uma folha de papel do bolso do paletó. Estava dobrada em três. Desdobrou-a. — Este aqui é o meu último t-testamento. — Para os ouvidos sensíveis de Ellery, aquilo pareceu uma sentença de morte. Benedict apalpou os bolsos. — Esqueci de trazer uma caneta. Posso pedir a sua emprestada, Ellery? — Dirigiu-se à mesinha de centro. — Vou assinar isso e datar. Vocês dois me fariam o favor de ser minhas testemunhas? — Naturalmente. — Claro, sr. Benedict. Perceberam como ele escondia o texto, com o braço, enquanto escrevia. Assim que terminou, dobrou o papel, deixando exposta apenas a parte inferior. Indicou onde os Queen deveriam assinar e eles assinaram. Devolveu a caneta a Ellery e tirou do bolso um envelope grande. Colocou dentro o papel, colou-o e, hesitando, estendeu-o ao inspetor Queen. — Posso lhe pedir que guarde isso para mim, inspetor? Só durante um curto e-espaço de ttempo? — Sim… claro, sr.

Benedict. — Compreendo que estejam confusos, mas não se trata de nada grave. Marsh vai redigir umtestamento formal neste fim de semana. Por isso, sua secretária está vindo para cá. Mas, enquanto isso, desejo já ter algo no papel. Estou na idade em que a vida parece cada vez mais incerta. Aqui hoje, amanhã, sabe Deus onde… Certo? Riram com vontade. Benedict terminou o uísque, despediu-se e saiu. Parecia aliviado. Ellery, não. Fechou a porta da frente com cuidado e disse: — Papai, o que achou disso? — Tenho uma porção de dúvidas — o inspetor olhou o envelope branco em suas mãos. — Com o dinheiro que ele tem, deve possuir um testamento desde que era bebê. Portanto, este aqui deve anular o outro. — Não o anula simplesmente, mas o modifica. Para que um novo testamento, afinal? A pergunta é: o que ele está mudando? E o que esta mudança provocará? — Não é da nossa conta — o pai comentou. — Claro que isso envolve as ex-esposas — Ellery murmurou, e começou a andar pela sala. O inspetor notou seu nervosismo. — Fim de semana de negócios… Não, não… isso não está me cheirando bem. — Por que não sossega? — O inspetor dirigiu-se ao bar. — Quer mais um? — Não, obrigado. — Quem são as garotas de sorte? — Quem? — As mulheres com quem ele casou. Sabe quem são? — Claro. A história de Benedict sempre me fascinou. Sua primeira esposa era corista em Las Vegas. Tinha seios exuberantes e cabelo vermelho.

Chamava-se Marcia Kemp. Era uma atração sexual para os frequentadores do cabaré onde dançava. Até que Johnny a encontrou e transformou-a numa mulher honesta. — Marcia Kemp — o velho fez que sim com a cabeça. — Lembro-me, agora. O casamento durou quanto? Três meses? — Quase quatro. A segunda sra. Benedict foi Audrey Weston, uma loira metida a atriz, mas que nunca teve talento para conseguir chegar a Hollywood ou à Broadway. Fazia pequenos comerciais de televisão. Mas Johnny, evidentemente, pensou que ela merecia o Oscar… O casamento durou seis meses. — E a terceira? — o inspetor perguntou, bebendo seu uísque, vagarosamente. — A terceira, esta eu tenho motivos especiais para lembrar. Alice Tierney. Soube que é de Wrightsville. Li no jornal. Naturalmente, isso aguçou minha curiosidade. O nome Tierney não é familiar para mim. Talvez por isso me interessei. Bem, esta garota Tierney… nas fotos parece uma morena comum… é uma enfermeira. Johnny capotou o Maserati, ou sei lá o que ele dirigia, numa estrada próxima… deve ter sido nos arredores de Wrightsville, o artigo não dizia… e ficou de cama durante um longo tempo, em sua “casa de campo”. Deve ter sido a casa principal, aqui. Se Wrightsville chegou a entrar na história, eu não sei. Johnny deve ter pago à imprensa para não mencionar o seu esconderijo. A enfermeira Tierney foi contratada para cuidar dele. Foi o suficiente.

Johnny não resistiu à proximidade de uma mulher durante várias semanas. Depois do namoro ao estilo Benedict, casaram-se. Foi o casamento mais longo: nove meses e meio. Ele só conseguiu a separação legal há alguns meses. Uma ruiva de Las Vegas, uma garota com pretensões a atriz, de Nova York, e uma simples enfermeira do interior. Não parecem ter nada em comum. — Mas têm. São todas mulheres enormes. Amazonas. — Ah, então é isso? O baixinho quer conseguir o pico do Everest. Sujeitos como Benedict devem se sentir poderosos com mulheronas, como quando estão na direção de um carro superenvenenado. — Meu velho inocente! — Ellery disse, sorrindo. — Tenho que lhe dar alguns livros sobre sexo e psiquiatria. Livros apropriados, marcados… E ele convidou as três para o fim de semana, juntamente com o advogado, para mudar o testamento… Pelo menos, é o que diz… e está um pouco nervoso com tudo isso. Sabe de uma coisa, papai? — O que é, agora? — Não estou gostando disso. Nem um pouco. O inspetor terminou o drinque. — E sabe de uma coisa, filho? Se continuar andando para cima e para baixo, dentro desta sala, vai acabar gastando o tapete. Por que não senta, calmamente, e assiste ao último filme da televisão? E veja se, nesse fim de semana, mantém o nariz completamente fora dos negócios do seu amigo Benedict. Sejam lá quais forem eles! Ellery fez o melhor que pôde. Mas não adiantou. Na noite de sexta-feira, depois do jantar, sentiu uma enorme vontade de andar. O inspetor logo desconfiou: — Vou com você. Saíram, e Ellery tomou a direção da casa principal, como um cão de caça. O pai tentou desviálo, mas não conseguiu.

— Por aqui. Vamos ouvir os grilos. — Não. Se eu quisesse música, teria ligado o aparelho de som. — Ellery, você não vai àquela casa! — Imagine, papai! Nem estava pensando numa coisa dessas. — Dane-se, você! — O velho voltou para o bangalô. Quando Ellery voltou, ele perguntou, ansioso: — E então? — Então o quê, papai? — Como estavam as coisas, por lá? — Pensei que não estivesse interessado. — Eu não disse que não estou interessado. Disse que você não devia se envolver. — A casa está tão iluminada como o Times Square. Mas não ouvi nenhuma risada feminina. Não parece uma festa. O inspetor murmurou: — Pelo menos, teve o bom senso de fazer meia-volta e vir dormir. Mas não conseguiriam deixar de se envolver. Poucos minutos depois do meio-dia de sábado (o velho ia se deitar para uma soneca), alguém bateu na porta. Ellery abriu e deu com uma loura muito alta e magra, com todo o jeito de modelo. — Sou a sra. Johnny Benedict, a segunda. — Naturalmente. É Audrey Weston. — Esse era o meu nome profissional. Posso entrar? Ellery olhou o pai e afastou-se da porta. O inspetor aproximou-se, depressa. — Sou Richard Queen. — Sempre tivera um fraco por garotas bonitas, e aquela era bem mais bonita do que a maioria, embora parecesse um pouco boba.

O rosto não tinha nenhuma expressão. Era como o de uma boneca. — É o inspetor Queen, não? Johnny nos disse que vocês estavam aqui no bangalô de hóspedes. Praticamente ameaçou quebrar as nossas cabeças, se viéssemos perturbá-los. Mas aqui estou eu. —Fixou os olhos quase amarelos em Ellery. — Não vai me oferecer um drinque, querido? Usava as mãos e os olhos para dar ênfase ao que dizia. Alguém devia ter-lhe dito que era uma mulher fatal, e ela acreditara. Ellery lhe ofereceu um uísque e uma poltrona. A moça sentou-se, esticando as longas pernas. Depois pegou um cigarro. Vestia uma blusa de seda solta e uma saia de camurça, muito mais mini do que o normal, deixando ver bem mais do que as coxas. A jaqueta, combinando, estava atirada sobre os ombros. — Não estão interessados em saber por que desobedeci a Johnny? — Tenho certeza de que vai nos dizer, srta. Weston — Ellery respondeu, sorrindo. — Devo informar que o tipo de convite que Johnny nos fez, a mim e a meu pai, não inclui o envolvimento nos problemas dele. Isso é um problema, não? — Se for… — o inspetor começou. — Meu vestido de noite sumiu — Audrey Weston disse. — Sumiu? Um vestido? — O que quer dizer com sumiu? — Ellery perguntou. — Não se lembra onde o colocou? — Foi-se. — Roubado? — Está interessado nisso, querido? — Oh, bem… Já que está aqui… — Aquele vestido ficava ótimo em mim. Era todo de lantejoulas pretas. Comprei no Ohrbach e é cópia de um original de Givenchy. Na frente tinha um decote em V, profundíssimo, não tinha costas… nada, nada mesmo. E eu o quero de volta! Claro que foi roubado.

Não esqueceria o lugar onde deixaria um vestido como aquele. Pelo menos, nunca esqueci. —Acompanhou toda a história com gestos exagerados e várias poses. Ellery estava se sentindo cansado com tanto teatro. — Provavelmente, a explicação é simples, srta. Weston. Quando o viu pela última vez? — Eu o usei no jantar, ontem à noite. Johnny gosta de jantares formais e procuro fazer o que ele gosta… mesmo sendo só uma ex. Então, ela esperava conseguir algo de Johnny-B naquele fim de semana. Provavelmente, as três… Ellery guardou aquilo. Como se estivesse tratando de um caso. Caso? Qual era o caso? Não havia caso nenhum. Ou será que havia? — Pendurei-o no armário, na noite passada, quando fui dormir. Hoje de manhã, ainda o vi lá, no mesmo lugar. Mas, quando voltei do café da manhã, o vestido tinha sumido. Não estava mais lá. Revistei todo o quarto. Havia sumido. — Quem mais está na casa? — Al Marsh e Johnny, naturalmente. E as suas ex, a vagabunda da Kemp e a senhorita-limpeza, de Wrightsville, a tal de Alice Tierney. Não sei o que ele viu nela… Há mais duas pessoas da cidade, o mordomo e a empregada, mas foram para casa ontem, depois de limparem tudo. Olharam para mimcomo se eu fosse de outro planeta. Um deles é Morris Hunker, mocinha, Ellery pensou, e eu ainda não o vi. — Perguntou aos outros sobre o vestido? — De onde pensa que eu vim? Da terra dos idiotas? Não adiantaria, queridinho. Claro que quem o roubou ia negar.

Oh, isso tudo é tão embaraçoso! Acha que estou sendo desagradável em lhe pedir que o encontre para mim, sem grandes confusões? Não estou a fim de revistar os quartos de Marcia e de Alice. Elas podiam me pegar. E não quero que Johnny pense… isto é… bem, sabem o que quero dizer… Ellery disse que sim, mas, na verdade, não sabia. O inspetor ficou observando o filho como umpsiquiatra observa seu paciente. — Não sumiu mais nada? — Não. Só o vestido. — Parece-me — o inspetor interrompeu — que a srta. Kemp ou a srta. Tierney o pegaram emprestado, por algum motivo. Se perguntar a elas… — Já vi que não sabe nada sobre vestidos exclusivos, inspetor. Não como obras de Rembrandt ou algo assim. Não podem ser usados sem que todos percebam. Portanto, para que roubar? É por isso que acho muito misterioso. — E a empregada? — Ellery indagou. — Aquela imbecil? Ela tem um metro e meio de altura e pesa mais de oitenta quilos. — Vou ver o que posso fazer, srta. Weston — ele disse. Ela saiu fazendo charme, dizendo mais uma dúzia de “queridos” e acenando com o braço comprido, deixando no ar perfume de Madame Rochas. Momentos depois, o inspetor grunhia. — Ellery, você não vai começar a se meter em algo complicado por causa de um vestido estúpido… e estragar suas férias… e as minhas. — Mas eu prometi… — Ela não merece confiança — o inspetor explodiu, dirigindo-se para o quarto com o jornal local. — Pensei que fosse cochilar. — Quem vai poder dormir agora? A idiota conseguiu me despertar completamente. Mas a coisa não ficou só naquilo. Quinze minutos depois, alguém bateu na porta outra vez.

Ellery abriu e teve uma visão de curvas e cabelo vermelho… uma visão bem grande. Ela era quase mais alta que ele e tinha um corpo de corista: pernas longas, coxas grandes e um busto igual ao da Mansfield. Vestia-se para causar impacto: short e frente-única, debaixo de um casaco aberto, que mostrava tudo. O cabelo flamejante estava amarrado com um lenço. — Marcia Kemp — Ellery disse. — Como sabe o meu nome? — A voz dela era profunda e gutural. Voz de nova-iorquina… do coração do Bronx, Ellery pensou. Os olhos verdes brilhavam de raiva. — Já li a sua descrição, srta. Kemp — explicou, sorrindo. — Entre. Este é o meu pai, o inspetor Queen, do Departamento de Polícia da cidade de Nova York. — Oi, vovozinho. Ainda bem que estão aqui. Não podem imaginar o que me aconteceu na própria casa de Johnny-B. — O quê? — Ellery perguntou, ignorando o olhar de advertência do pai. — Algum imbecil roubou minha peruca. — Sua peruca? — o inspetor perguntou, involuntariamente. — Sim. Minha peruca verde. Custou uma fortuna. Desci para o café da manhã de hoje e, quando voltei… não havia mais peruca. Pode entender isso? Fiquei tão zangada… Preciso de um trago. Umbourbon puro, garoto. Ele a serviu.

Ela tomou tudo de um só gole e estendeu o copo, pedindo mais. Ellery tornou a enchê-lo. Desta vez, ela bebeu mais devagar. — Quando viu sua peruca pela última vez, srta. Kemp? — Eu a usei no jantar, na noite passada, com meu vestido longo de lamê verde. Johnny gosta que as mulheres se vistam a rigor. Ainda estava na penteadeira, quando desci para tomar o café, esta manhã. Quando voltei, havia sumido. Se não soubesse que Johnny detesta cenas, teria revistado a bagagem daquelas duas cadelas. Pode encontrar a peruca para mim, Ellery? Sem que Johnny saiba? — Não acha que pode tê-la guardado em outro lugar? — o inspetor perguntou, esperançoso. — Claro que não. Como alguém pode deixar de perceber uma peruca verde? — Um vestido e uma peruca — Ellery murmurou, depois que a moça saiu. — Sumiram coisas das duas primeiras ex-esposas. É possível que a terceira… — Filho, filho — o pai disse, em tom de reprovação —, você prometeu. — Sim, papai. Mas, temos que admitir… Ellery não terminou a frase. O inspetor procurou se consolar, pensando que aquilo era um simples caso de roubo, fácil de explicar. Então, no meio da tarde, Ellery disse, de repente: — Olhe, papai, não há nenhuma lógica emtudo isso. A terceira também deve ter perdido alguma coisa. Acho que vou até lá… O inspetor falou, simplesmente: — Estarei no riacho, pescando, filho. Benedict tinha uma piscina imensa atrás da casa. Ainda estava coberta com a lona que a protegia durante o inverno. Mas as cadeiras de verão já estavam do lado de fora, num terraço próximo a um antigo celeiro. Ellery encontrou Alice Tierney se bronzeando. As tardes de primavera eram quentes, com uma leve brisa.

O rosto dela estava avermelhado, como se já estivesse deitada ali há algum tempo.No momento em que Ellery a viu, imediatamente a reconheceu. Durante suas viagens a Wrightsville ele tinha conhecido o hospital. Naquela ocasião, ela estava de uniforme… uma garota grande, saudável, alta e de rosto comum. — Srta. Tierney? Acho que não se lembra de mim. — Claro que sim — ela gritou, sentando-se. — Você é o grande Ellery Queen, presente de Deus para Wrightsville. — Não precisa fazer tanto escândalo sobre isso — disse, sentando-se numa cadeira de ferro. — Oh, mas estou falando sério. — Mesmo? Quem me chama assim por aqui? — Todo mundo — os olhos azuis e frios dela brilharam ao sol.— Naturalmente, já ouvi alguém dizer que o presente foi do diabo, mas a gente encontra descontentes por toda parte. — Dizem isso, provavelmente, porque o índice de criminalidade aumentou, desde que comecei a vir para cá. Fuma, srta. Tierney? — Claro que não. E nem você devia. Oh, droga, aqui estou eu novamente… nunca consigo esquecer meu treinamento. Ela usava calça comprida e jaqueta, que não a favoreciam em nada. Tinha o cabelo longo e liso, com um penteado completamente errado para o seu tipo de rosto. Mas tudo isso desaparecia diante de sua cordialidade; cordialidade que devia cultivar com muito carinho. Ele compreendeu o que Johnny Benedict, com seu gosto por mulheres superficiais, tinha encontrado naquela. — Estou contente que tenha decidido sair do esconderijo — Alice Tierney continuou, animada. — Johnny nos ameaçou com punições incríveis, se fôssemos incomodá-lo. — Na verdade, ainda não saí completamente. Vim aqui para lhe perguntar se está preocupada com alguma coisa.

— Oh? — ela parecia confusa. — O que é isso, sr. Queen? Ellery inclinou-se um pouco para a frente.

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