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A Viagem Maritima da Familia Real – Kenneth Light

Todo historiador carrega uma certa melancolia e uma boa dose de obstinação. Melancolia, pois a tarefa de rever a história implica sempre a constatação de que o passado é mesmo uma pátria distante, e de que não há como dar conta de lacunas ou “buracos” que a documentação insiste em não “tapar”. Obstinação, pois a única maneira de lidar com essa falha inicial e estrutural é supor, teimosamente, que sempre há uma pista a encontrar, uma nova faceta a rever. Foi o historiador italiano Carlo Ginzburg quem chamou a atenção para a proximidade que se estabelece entre a prática do historiador e a do detetive, e até mesmo entre os métodos do historiador e os do inquisidor. De um lado, a vontade de recuperar a história é um exercício que lembra a atividade de Sherlock Holmes, na sua busca por vestígios que só depois de descobertos parecem“elementares”. Por outro, é preciso “perguntar” ao documento, indagar, questionar; isso se a pretensão é que ele diga algo novo e muitas vezes inesperado. É fato que Kenneth Light neste seu novo livro não exerce a tarefa de inquisidor e muito menos desvenda qualquer assassinato. Obstinadamente, procura por novos “sinais” para entender como se deu essa “aventuresca” viagem da família real portuguesa rumo à sua colônia tropical. Reis não fogem e nem se mudam com facilidade. Aí está um bom mistério, que custou muita pesquisa e reflexão coletivas. Na verdade, de tão pesados e assentados em suas instituições, os monarcas movem-se apenas lentamente e, em geral, esperam que os outros – sejam fatos ou pessoas – venhamaté eles. Mas não foi assim no caso dos Bragança, que, premidos pelos ingleses de um lado e os franceses de outro, acabaram não tendo outra escapatória senão enfrentar o oceano. Após muito titubeio e desdito, d. João, instado em sua posição de príncipe regente por conta da demência de sua mãe, d. Maria I, finalmente decide finalizar os arranjos – tantas vezes postergados – para a partida. A idéia da mudança não era nova. Na verdade, fora acionada todas as vezes que a monarquia se sentira fragilizada ou com receio de perder sua rica colônia americana. No entanto, a urgência da partida é que era inusitada, com as tropas do exército de Bonaparte a cruzar a fronteira de Portugal. Já sabemos onde essa história iria dar e como a famosa “imparcialidade” portuguesa e seu teatro político iriam fazer – literalmente – água. O que não sabemos, ou melhor, não sabíamos, é como se desenvolveria essa viagem e de que maneira, bem ou mal, se acomodariam tantas “tempestades”. A viagem marítima da família real – A transferência da corte portuguesa para o Brasil é, pois, um livro tão esperado quanto anunciado. Vez por outra, sabia-se de uma nova descoberta de Kenneth Light, esse pesquisador que fez dos arquivos uma forma privada de dedicação. De tempos emtempos, um novo artigo do autor expunha uma documentação recente ou pouco trabalhada. Generoso, Light sempre distribuiu documentos e “dicas” para que novas obras pudessem ser completadas. Num terreno pantanoso como esse, e que tanta polêmica gera, Light destaca-se por oferecer interpretações claras e pautadas em registros não só copiosos como corretos.


Historiador de ofício, Kenneth explica sem tecer juízos fáceis, exemplifica e resolve as questões. Muitas são as obras que debatem acerca do número de viajantes, ou comentam a desorganização da partida. No entanto, o leitor verá que, nesse caso, o achado documental é tão relevante quanto o cuidado e a coerência com que é trabalhado. Como diz o próprio título da obra, estamos diante do cenário da “partida” da família real – ou da “fuga”, para alguns. Light opta por “transferência”, mas não sem motivos. Afinal, mostra como a Inglaterra se preparou para oferecer a “proteção” necessária, e como o tema fez parte, como não podia deixar de ser, da agenda oficial da realeza portuguesa. Kenneth Light recorre, porém, a novos documentos e os usa de forma não só exaustiva, mas também comparativa: contrasta depoimentos, cruza informações isoladas. Mestre em temas navais, o autor dá um “banho” nessa área, descrevendo com detalhes (técnicos e não) as características das naus que acompanharam d. João e d. Carlota, comprovando como registros materiais podem iluminar grandes temas sociais. Além do mais, recorre a relatórios dos capitães e os compara. No mesmo local, no exato momento, diferentes personagens ocultos e privados dessa história pública saem do anonimato, opinam sobre o que vêem e o que percebem. Se já conhecíamos os relatos bastante adjetivados e por vezes fantasiosos de Thomas O’Neil, que acompanhou o comandante britânico William Sidney Smith durante a viagem ao Brasil, esses pequenos depoimentos restavam bastante desconhecidos, quando não inexplorados. Kenneth se utiliza também dos livros de quartos, descobertos nas embarcações, que registram detalhadamente as diferentes intercorrências que marcaram a viagem: desvios, ventos, calmarias e piolhos. Cartas e relatórios ajudam a dar umquadro mais preciso do número de pessoas que vieram de Lisboa, assim como atestam o impacto na vida da cidade do Rio de Janeiro, a qual, àquela altura, não passava de uma vila das mais pacatas. Por outro lado, o historiador demonstra como esse fluxo imigratório não se prendeu ao momento exato da chegada da corte: durante dois meses foram registrados movimentos relevantes na entrada de imigrantes. Organizar um esquadrão sem grande aviso prévio e fazer a realeza mudar de casa, levando de quebra a pesada estrutura burocrática portuguesa, não era tarefa fácil; ao contrário, era sina das mais monumentais. O que se comeu, como era o dia-a-dia, como se media o tempo, qual era o número de marinheiros empregados e o soldo correspondente, como se organizavam os navios… todos esses detalhes saborosos aparecem no livro e ajudam a compor um quadro mais vivo dessa longa viagem. O historiador mostra, a partir dos relatos dos oficiais, como os navios portugueses padeciam com a total “falta de condições”, como a “provisão era pouca”. Light revela, ainda, detalhes da maneira como se formou o esquadrão britânico e o modo desastrado como se encontraram, pela primeira vez, navios ingleses e portugueses. Por muito pouco a guerra não começou de maneira atrapalhada entre esses dois povos que teoricamente encontravam-se irmanados. O fato é que o ambiente era dos mais tensos, e detalhes do cotidiano ajudam a abrir a fresta dessa janela documental que durante bomtempo permaneceu cerrada. Vale a pena contar uma última curiosidade acerca do livro que o leitor tem agora em mãos. Kenneth Light não se limitou a levantar os dados de oficiais da Marinha. Identificar como artistas registraram a viagem também fez parte da pesquisa.

É certo que, por conta do apressado da situação, muitas gravuras foram terminadas posteriormente ou mesmo de maneira mais ligeira. Não obstante, existem certos documentos visuais que podem ser utilizados, se não como testemunhos certeiros, ao menos como “pistas” que, devidamente contrastadas, iluminam o ambiente. Dentre esses registros destacam-se um quadro pintado por Nicolas Delerive sobre o embarque no cais de Belém, que hoje se encontra no Museu Nacional dos Coches, bem como alguns leques comemorativos com pequenas imagens mostrando a chegada das embarcações ao Rio de Janeiro. Não contente com isso, Kenneth Light resolveu juntar o conhecimento detalhado que acumulara sobre embarcações e acerca do evento em si e encomendou ao artista Geoff Hunt RSMA a pintura que aparece agora como capa deste livro. Durante 18 meses, o historiador realizou um estudo minucioso, e recomendou que o artista priorizasse, em sua tela, grandes e pequenos detalhes: a força e a direção do vento, a luminosidade e as condições do mar. Também era importante mostrar o ambiente de “alegria” que se instaurara com a chegada da corte. E assim foi feito. No centro da obra vemos a nau Príncipe Real, que comportava 104 passageiros e 950 tripulantes e que acabara de fundear, depois de entrar no vento, usando sua carangueja. O quadro também seleciona um momento particular: quando d. João anunciou que só iria desembarcar no dia seguinte à chegada, nobres e outros representantes que permaneciam em terra partiram em pequenas embarcações para prestar suas homenagens aos ilustres passageiros. Porém a tela apresenta ainda mais. Do lado esquerdo, a nau Marlborough, que se encontrava na baía, dispara uma salva e sua guarnição é colocada nas vergas. Já do lado direito, pode-se observar a Afonso de Albuquerque, que começa a ferrar suas velas em preparação para entrar no vento e fundear. Atrás, a Medusa, com o futuro conde da Barca – d. Antônio de Araújo Azevedo, o famoso ministro afrancesado de d. João – a bordo, e a fragata Urânia, que escoltou a Príncipe Real durante toda a viagem. Mais ao lado, vemos Bedford, com suas responsabilidades de escolta agora no fim. O forte de Villegaignon, que não existe mais, também salva a chegada do príncipe ao Brasil. No horizonte, destaca-se o litoral de Niterói, a entrada da baía e o Pão de Açúcar, como não poderia deixar de ser. Aí está o cartão-postal do Rio de Janeiro, o ângulo mais reproduzido desta cidade que sempre maravilhou os viajantes, encantados com uma paisagem tão exótica. Como se vê, a “obstinação” do autor é tal que vence a “melancolia”. Ficção e realidade se misturam nesta capa que apresenta um pouco de tudo: uma recriação científica em cima de uma pesquisa alentada. A história não é o exercício óbvio do “se”. Enquanto Light atua como um detetive competente no interior da obra, já nesse caso faz uso das artes do cinema, o qual, frente ao desafio de rever o passado, acaba por recuperá-lo: recria cenas como muito bem poderiam ter ocorrido. A viagem da família real mais parece tema de uma vida inteira, sobretudo nas mãos desse “historiador de escolha e afeição”.

Kenneth optou por dedicar sua vida aos arquivos e à recuperação desse episódio que ganha agora uma nova visão que vai alimentar – e muito – um debate já tão acalorado. a Professora titular do Departamento de Antropologia da USP e autora, entre outros, de A longa viagem da biblioteca dos reis: do terremoto de Lisboa à independência do Brasil. Prefácio Aimportância da jornada empreendida rumo ao Brasil, em 1807, pela família real portuguesa, pela maioria de sua corte e por um grande número de cidadãos – um total de 12 a 15 mil homens, mulheres e crianças, considerando as tripulações –, deriva da conseqüência que essa ação teve na história. O responsável pela decisão que levou a essa jornada audaciosa foi o príncipe regente, d. João. 1 Como muitas vezes acontece, o passar do tempo ilumina e esclarece. Os primeiros críticos, talvez por estarem próximos demais dos acontecimentos, interpretaram-nos de forma negativa; não enxergaram a grandeza e a coragem da decisão tomada por d. João, comprovada pelos eventos subseqüentes. Oliveira Martins escreveu: “Tudo o mais era vergonha calada, passiva inépcia, confessada fraqueza. O príncipe decidira que o embarque se fizesse de noite, por ter a consciência da vergonha da fuga.” 2 O capitão-tenente Lucas Boiteaux foi ainda mais expressivo: Ao ver as forças inimigas talando o território pátrio, o lendário patriotismo luso não mais explodiu como nos heróicos tempos de Nun’Alves; mas, entorpecido por letal e criminosa indiferença, degenerou em terror vergonhoso. A família real, compartilhando desta fraqueza, foi a primeira a dar o exemplo, embarcando para o Brasil a 27 de novembro, no maior desespero e confusão e levando na sua cauda um exército de poltrões, enfatuados, fidalgos e parasitas de toda a casta, degenerada progênie de um passado heróico…3 Outros acreditaram que a ação de d. João, considerada por monarcas portugueses anteriores como estratégia alternativa desde quando o Brasil foi descoberto, foi de fato uma jogada brilhante. Oliveira Lima escreveu: Retirando-se para a América, o príncipe regente, sem afinal perder mais do que o que possuía na Europa, escapava a todas as humilhações sofridas por seus parentes castelhanos, depostos à força, e, além de dispor de todas as probabilidades para arredondar à custa da França e da Espanha inimigas o seu território ultramarino, mantinhase na plenitude dos seus direitos, pretensões e esperanças. Era como que uma ameaça viva e constante à manutenção da integridade do sistema napoleônico. Qualquer negligência, qualquer desagregação seria logo aproveitada. Por isto é muito mais justo considerar a trasladação da corte para o Rio de Janeiro como uma inteligente e feliz manobra política do que como uma deserção cobarde. 4 Afonso Züquete também elogia a estratégia de d. João: “A retirada para o Brasil com que se argumentou nesse sentido, com total inépcia, foi um ato habilíssimo, que salvou a realeza e garantiu a independência de Portugal.” 5 Dos quatro países envolvidos – Portugal, Brasil, Grã-Bretanha e França –, apenas o último lamentaria o evento. Ao contrário de outros países invadidos por Bonaparte, a própria essência da nação portuguesa – a família real e a corte – sobreviveu incólume, manteve o seu reino e até mesmo prosperou em sua rica colônia. A presença da monarquia no Brasil acelerou o desenvolvimento do país, com a abertura dos portos em 1808, e, uma vez criado o Reino Unido de Portugal e Brasil em 1815, tornou inevitável a independência. A longa e duradoura relação de interesses estratégicos e amizade com a Grã-Bretanha, que datava do século XIV, manifestou-se em uma convenção que garantiria a segurança da viagem. A GrãBretanha, após as revoltas populares em Espanha e Portugal em 1808, ao desembarcar suas tropas em Portugal, abriria a primeira frente no continente contra Napoleão. Aqui começava a luta que iria derrotar Napoleão em terra, embora isso ainda fosse levar vários anos.

Diversos historiadores registram que, já no exílio, Bonaparte declarou que a sua queda começara quando ele invadiu Portugal e tentou acabar com a dinastia de Bragança. A jornada marítima empreendida pela família real portuguesa há 200 anos tem sido, assim, descrita de modo fragmentário pelos historiadores; principalmente, acredito, devido à falta de documentos originais sobre os quais os eventos do dia-a-dia pudessem ser construídos e descritos. A inevitável desorganização na chegada dos navios e o clima tropical, um dos piores inimigos do papel, não devem ter ajudado na preservação desses documentos. Os navios de Sua Majestade britânica bloqueando o Tejo e aqueles destacados para escoltar a esquadra portuguesa para o Brasil estavam em serviço normal, para uma nau de guerra daquela época. Livros de quartos (diários de bordo) eram mantidos pelo capitão, pelo mestre de navegação (arrais) e pelo oficial de quarto. No retorno à base, talvez após anos de ausência no mar, esses documentos eram enviados ao Almirantado. São importantes registros de viagens, servindo para auditorias, evidências para conselhos de guerra e outras finalidades. Os originais são mantidos na Repartição de Arquivos Públicos da Inglaterra. 6 O trabalho realizado recentemente no sentido de tornar legíveis os livros de quartos “descobertos” dessas naus, assim como os relatórios dos capitães, 7 permitiu-nos desenvolver uma narrativa precisa do que estava acontecendo dia a dia, até mesmo hora a hora. A narrativa, entretanto, está restrita àquele navio em particular. A fim de alargar esse ponto de vista, vários livros de quartos registrando o mesmo evento foram tomados como complementares uns aos outros; descrições contidas em cartas e relatórios também foram levadas em conta. Mesmo assim, os relatos desses diários de bordo são inevitavelmente orientados para eventos intimamente associados aos navios britânicos. São, porém, as principais fontes de informações detalhadas sobre a jornada marítima que sobreviveram. Em acréscimo aos livros de quartos e aos relatórios dos capitães, largos extratos dos depoimentos de duas testemunhas oculares, o conde Thomas O’Neil e Luiz Gonçalves dos Santos, também foramincluídos. Sua contribuição nos oferece um retrato pitoresco dos sentimentos, sejam eles ansiedade, perigo, alívio ou alegria, com a autoridade de quem estava presente no momento em que ocorreram. A grande maioria dos leitores provavelmente não deve ter conhecimento acerca da operação de uma nau de guerra do início do século XIX, seja ela portuguesa ou britânica. Também não é possível se obter esse conhecimento de modo prático. Comparar uma missão em navio de guerra moderno comuma expedição em nau de guerra da primeira década do século XIX assemelha-se a contrapor uma viagem em automóvel moderno a uma excursão em tílburi! Para melhor compreender e apreciar a rotina diária, os perigos, a necessidade e as carências experimentadas pelos passageiros portugueses a bordo de seus navios, incluí explicações detalhadas – em sua maioria, antes de iniciar o relato da viagem. Em novembro de 1807, as naus de linha das duas potências tinham um passado de muitas vitórias; seus capitães, em muitos casos, eram heróis nacionais por terem participado de batalhas que lhes trouxeram a glória. Os principais detalhes sobre os navios, e as rotas seguidas até o Brasil, podemser encontrados no apêndice. Os eventos seguem, dentro do possível, uma ordem cronológica. As principais fontes de informação dos eventos que ocorreram no mar, conforme já mencionamos, são os livros de quartos de bordo mantidos pelos capitães, em que cada dia ocupa uma página, pautada e anotada para cada uma das 24 horas. O número de pessoas que vieram de Lisboa e o impacto sobre a cidade do Rio de Janeiro é umassunto que foi debatido, no passado, por inúmeros historiadores. Alguns fatos, acreditamos, são importantes como contribuição para esse debate. Em primeiro lugar, calculamos que as guarnições dos navios de guerra e da marinha mercante, mesmo incompletas, como habitualmente acontecia, deveriam somar entre 7.

000 e 7.500 homens. A guarnição da Príncipe Real, por exemplo, era de 950 homens. Em segundo lugar, a chegada dos navios ao Rio de Janeiro ocorreu durante um período de quase dois meses. Em terceiro, muitos passageiros trouxeram um grande número de criados. E, por último, muitos navios mercantis pertenciam a outros portos, e assim não aportaram no Rio de Janeiro. Sou especialmente grato a todos aqueles que ofereceram sugestões e revisaram o texto; especialmente a Graham Salt, por seu trabalho diligente junto ao Museu Nacional Marítimo de Greenwich e ao Arquivo-Geral da Inglaterra. Embora os acontecimentos aqui descritos pareçam, após 200 anos, longe de nossa realidade, lembramos que, baseando-nos numa média geralmente aceita de que entre uma geração e outra ocorrem 30 anos, uma pessoa que conheceu o seu bisavô e o seu bisneto completou um ciclo de sete gerações!

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