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A vida que vale a pena ser vivida – Clovis de Barros Filho

Você ainda está na livraria. Tomou este livro da estante para folhear. Atraído pelo título. A caminho do caixa. Não se precipite. Você supõe que a leitura oferecerá soluções para a sua vida. Que resolverá seus problemas. Ou ao menos justificará sua tristeza. Que os 10 capítulos sejam dicas inéditas e preciosas para se dar bem daqui para a frente. Receitas de gurus consagrados de alémmar. Que você acaba de descobrir um tesouro. Que finalmente o segredo do sucesso será revelado. Saiba que você está equivocado. Este livro não atende às suas expectativas. Sua leitura não trará soluções. Nele você não encontrará nenhuma dica ou artifício para se dar bem. Por ele, o sucesso continuará dos outros. Fora do seu alcance. Portanto, feche o livro para não perder mais tempo. Recoloque-o imediatamente na estante. No lugar de onde tirou. Outras obras, ao lado, atenderão melhor este seu anseio. Deixe este exemplar para outro leitor. Menos esperançoso. Mais desconfiado dos programas de excelência existencial.


Que, se funcionassem, já teriam erradicado a tristeza do mundo. Ele talvez intua que o sucesso não tem fórmulas secretas. Que se a liderança passo a passo fosse eficaz, todos já seriam líderes. Ele provavelmente se dá conta de que fórmulas indiscutíveis escravizam. De que a soberania para deliberar sobre a própria vida – com todos os riscos – é nosso único verdadeiro patrimônio. Inalienável. Para ele escrevemos. Oferecendo reflexão crítica sobre os critérios existenciais mais consagrados. Para que possa resistir, cada vez melhor, contra todo tirano que pretenda empurrar-lhe goela baixo a vida que vale a pena. Considerações de andamento Querido leitor. Proponho uma conversa. Sobre a vida. Sobre a melhor maneira de viver. Mas como infelizmente não estamos juntos, só me resta deduzir suas intervenções. Em parte, são as mesmas de meus alunos. Mas coincidem também com as dúvidas que eu mesmo tive na leitura dos clássicos. Perguntas que teria feito a seus autores, se me concedessem uma aula particular. Todo discurso tem um ou mais interlocutores. Muitas vezes, são pessoas dispostas a nos ouvir. Mas em outras, esse interlocutor está em nós. E com ele dialogamos. Num auditório íntimo. Nas páginas que seguem, esta pluralidade de vozes fica registrada. Polifonia a serviço de um melhor entendimento. Porque alguns autores, com quem vamos conversar, não são mesmo muito fáceis.

Todo esforço didático é bem-vindo. Aproveito para me apresentar. Você já deve ter deduzido. Sou professor. 100% do tempo. Informação que desperta ternura. Ou pena. Para os que conhecem melhor as condições materiais da docência. Alguns alunos me perguntam se eu também trabalho. Orgulhosamente esclareço que não. Vivo deste hobby. De ensinar. E de escrever livros como esse. – Professor do quê? Intervém você pela primeira vez. De ética. Já sei, anda em falta. O que não é necessariamente ruim. Afinal, se o psiquiatra precisa do louco e o dentista do cariado, o professor de ética precisa de canalhas. Uma eventual extinção destes últimos poderia determinar o fim da disciplina. E do ofício de professor. Minha formação primeira em graduação foi Direito. Simultaneamente, Comunicação Social, habilitação em Jornalismo. E, só depois, muito depois, quando já era doutor, Filosofia. O resto é bem convencional: mestrados, doutorados, livres-docências e tudo mais que nós professores universitários fazemos para distrair a existência. Hoje, sou filiado à Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.

Conhecida como ECA. É lá que você poderá me encontrar. Se quiser. O primeiro convite é para um café. Nas dependências da Cidade Universitária. Em São Paulo. Apresento também meu colaborador: Arthur Meucci. Coautor deste livro. Somos amigos. E isso importa para uma vida boa. Bacharel, licenciado e mestre em filosofia. Profissional de análises psíquicas. Psicanalista. Clínico e solicitado conferencista. Fomos colegas no curso de Filosofia. Já nesta condição, três coisas me chamavam atenção: erudição filosófica, capacidade para abstrações e grande talento para os seminários. Lembro-me de quando apresentamos juntos, pela primeira vez, um seminário. Era uma quarta-feira, dia 12 de setembro de 2001. O dia seguinte. O atentado era o único tema. Mas nós fomos fiéis ao seminário: o capítulo I do livro II da Física aristotélica. A resposta de Tomás de Aquino a Aristóteles – explicada por Arthur – manteve a plateia em êxtase. Afinal, enquanto fora dalí, muitos antecipavam o fim do mundo, naquele auditório a questão tratada era: se uma cama adquirisse a potência de parir, o que ela pariria? Outra cama? Um berço? Uma bicama? Um colchãozinho? Fechei o seminário falando sobre a privação de visão em um olho cego. Inesperadamente fomos aplaudidos de pé. Por essas e outras tornou-se meu professor substituto.

Juntos, diante das páginas brancas do processador de texto projetadas no telão, fomos registrando o que enunciávamos. Primeiro, para nossa própria diversão. Depois, para compartilhar com você. Os exemplos cotidianos são meus. Bem como a narrativa, em primeira pessoa. Meu colaborador segue obediente à ética psicanalítica. Agradeço a todos aqueles que se dispuseram a ler o texto antes da sua publicação. Gustavo, Felipe, Marcio, Marina, Avelino, Onofre, Ana, Adriana, Karina, Roseani, Heloisa, Ricardo, Sergio, Regina. Esperava somente aplausos. Mas as sugestões foram tão numerosas e pertinentes que não pude levá-las muito em consideração. O livro teria que ser outro. Muito melhor, certamente. Mas o prazo editorial me constrangeu às páginas que seguem. Antes de ser livro, a vida que vale a pena foi curso. Em dez aulas. Correspondentes aos capítulos que vão ler. De duas horas cada. Por isso, esse jeito meio falado de escrever. Foi também palestra. Assistida por mais de 150 mil pessoas nos últimos 3 anos. Empresas, instituições públicas, faculdades, comitês de ética, ONGs, e tantos outros espaços. A apresentação das ideias centrais de cada capítulo foi se acomodando às necessidades de nossos anfitriões. Nestas páginas, alguns textos clássicos foram selecionados e dispostos em boxes, para que o leitor possa identificá-los mais rapidamente. Seu conteúdo parte de uma inquietação. A denúncia das soluções facilitadoras da vida.

Sua lógica social de enunciação. Seus porta-vozes. Seus interesses. Seus espaços de disputa. Povoados por contendores de formação muito heterogênea. Charlatães de distintas fardas. Uma verdadeira sociologia da felicidade. Que apresenta os movimentos de uma batalha sem fim. Pela definição das condições legítimas da vida boa. Mas esta sociologia das reflexões sobre a vida é só a origem deste trabalho. Coubenos, na sequência, a fundamentação teórica desta denúncia. Para isto, recorremos a alguns pensadores consagrados. Que fizeram escola. E que também deixaram traços sobre o senso comum, até hoje. E você, leitor, ajudou-nos muito a entendê-los melhor. Essa investigação foi merecendo um interesse crescente entre os alunos. E ocupando um espaço significativo em meu programa. Interesse compreensível. Porque nem sempre é fácil escolher a melhor das vidas. Para optar por uma, temos que preterir muitas outras. Todas que passarem pela nossa cabeça. Segundo critérios de cuja eficácia não temos nenhuma certeza. Nem poderíamos ter. Daí a angústia. Uma tristeza muito particular.

Por não identificar – dentre as vidas cogitadas – a melhor para viver. Angústia que é marca registrada do homem. Da qual, aparentemente, estão poupados o gato, o pombo e os demais não humanos. Como a pera. Seria curioso, uma pera angustiada. Na iminência de se despregar da pereira, cogita permanecer no galho. Só por mais um dia. Por conta das chuvas e do solo enlameado. Essa mesma pera, dias depois, decide esticar sua estada e propõe à pereira permanecer no galho até seu apodrecimento. Afirma não ter nada que fazer lá embaixo. Por terra. Não lhe agrada a ideia de ser comida pelo primeiro transeunte faminto. Proposta prontamente aceita. De uma pera que terminou por apodrecer na pereira. E você, leitor, dá uma risadinha de escárnio. – Historiazinha estúpida. Coisa de filósofo. Pode ser. Mas eu tenho um filho. De 22 anos. Cursa o último ano de publicidade e propaganda. Escola reputada em São Paulo. Trabalha com importação de produtos franceses. Marketing de luxo. Já ganha bem.

Mais do que eu, sempre distante do marketing e afastado de qualquer luxo. Militante da educação. Muitas vezes me pergunto quando esse meu filho optará por viver só. Fazer carreira solo. Eu, na sua idade, já cuidava da vida longe de casa. Sem a metade das condições materiais que são as dele. No entanto, quando ele conversa comigo sobre seu futuro, deixa claras suas intenções: – Como sou feliz aqui, morando com você! Diferentemente do que acontece com uma pera normal, dessas que caem quando têm que cair, meu filho delibera para viver, faz suas escolhas. Instante a instante. Joga no lixo infinitas possibilidades existenciais em nome de uma única vida de carne e osso. Não haverá de ser fácil. E, mesmo que, nesses momentos de balanço existencial, conclua que a vida é feliz, a angústia o acompanha. Por enquanto é pera, pleiteando apodrecer na pereira. Esse fardo, que é de todos nós, de ter que deliberar sobre a existência – mesmo sem saber muito bem como – faz lembrar uma das primeiras aulas do curso semestral de ética. Os alunos provêm de muitas unidades da universidade. Para alguns, a disciplina é obrigatória e, para outros, optativa. A aluna do terceiro ano de jornalismo ergue o braço. – Essa coisa de angústia, eu sei bem do que se trata! Fiquei surpreso com a intervenção. Afinal, aquela jovem, de passado glorioso – o êxito no vestibular atesta – e de futuro auspicioso – a empregabilidade dos egressos em jornalismo não é baixa, apesar da concorrência – poderia ter da vida uma perspectiva mais ingênua. Interessei-me pelo que tinha a dizer. Inquiri sobre as razões da sua convicção. Sobre a certeza da angústia. E ela, sem delongas, foi logo relatando o seguinte episódio: – Professor eu tenho um namorado. Ele faz Poli (Faculdade de Engenharia da universidade). Mecatrônica, continuou ela. Nós nos damos muito bem.

Somos um casal feliz, como se costuma dizer. No ano passado, eu o convidei para vir comigo a um evento esportivo universitário, que ia rolar em Avaré. Argumentei que era semana da pátria. Que não haveria aula. Que iríamos nos divertir. Mas ele, irredutível, insistia em ficar estudando. – Tenho que terminar esse robozinho até o final da próxima semana, disse ele com sincera preocupação. Pois bem. Fui sozinha. E lá chegando, percebi que o esporte ali era atividade secundária. Que a maioria só estava a fim de sacanagem. Que o sexo rolava solto. Foi quando um rapaz, apetecível, de capital estético indiscutível, musculatura saliente – muito diferente do meu mirrado mecatrônico – propôs uma cópula furtiva. Uma bimbada mágica. Garantiu que desapareceria imediatamente após o coito. Sem deixar sequelas sentimentais. Nem rescaldos afetivos. Higienicamente. Professor, quando ele me propôs aquilo, não pude me impedir de lembrar do senhor. (Pensei que ela fosse falar do mecatrônico.) – Não entendi onde é que eu entro nesta história. Indaguei com firmeza, para dirimir suspeitas. Quando o senhor diz que o mundo não sai da frente, que a vida não está pronta, que da vida não tiramos férias, que não há gabarito para a vida, que – independentemente da escolha – sempre pairará a suspeita do erro, o arrependimento. De quem mais eu iria me lembrar? Afinal, dar ou não dar? Eis o dilema que se apresentava. Sinuca de bico.

O que me ocorreu primeiro foi dar. Mas logo vi que ia me arrepender. Afinal, não se acha alguém como o mecatrônico, por aí, a toda hora. Apresentou, então, uma longa lista de virtudes. Impressionou a ênfase ao atributo “fiel”. Então, restou-me não dar. Mas, aí, talvez me arrependesse também. Afinal, ao longo da vida, vamos todos aprendendo a deduzir, com maior ou menor precisão, o quanto valemos no mercado dos atributos estéticos. E não seria de se estranhar se passasse o resto da minha vida sem receber proposta tão interessante. E você, leitor, pede o fim do relato. Lamento. A moça pôs um ponto final e não revelou a sua deliberação. Talvez para evitar a exposição das personagens da trama, ausentes naquele momento. Talvez porque o final do relato não tivesse mesmo a menor importância. Afinal, fosse qual fosse sua deliberação, a vida teria sido triste. Mas tudo que disse a aluna é lapidar para entendermos a tal da angústia. Não há mesmo como saber, qual a melhor solução. Dependendo do critério – ou valor – que a moça adotasse, a melhor conduta seria uma ou outra. Assim, poderia decidir em função do máximo de prazer imediato. Opção legítima. Porque a dor, seu contrário, é sempre menos interessante. Seguindo este critério, a jovem teria que deliberar pela cópula. Mas o critério poderia ser outro. Como o respeito por compromissos assumidos em nossas múltiplas relações, em especial com pessoas que amamos e com as quais pretendemos interagir por muito tempo. Neste caso, a vida teria que ser outra.

A castidade. Legítima só porque prometida. Em manifestação livre. Geradora de expectativas e de engajamentos alheios. E mesmo que nossa querida aluna tivesse chegado a uma solução feliz, que lhe parecesse indiscutivelmente boa para aquele episódio, a mesma angústia de dano iminente continuará presente, ao longo das situações vindouras que lhe couber enfrentar. Percebendo a pluralidade de critérios e a incerteza para deliberar sobre a vida, a aluna fez um pedido: – Professor, o senhor poderia oferecer um curso – só para os interessados – sobre os critérios da vida boa. Seus fundamentos e suas fragilidades. É possível? Poderíamos nos reunir fora do horário de aula. O que o senhor acha? Como negar reflexão a um aluno que quer aprender? Aceitei alertando para minhas limitações. Preparadas as aulas, o livro é sua adaptação escrita. Destinado a todo mundo. Todo mundo que vive. E já se deu conta de que não é muito fácil viver bem. Adequado aos não iniciados neste tipo de reflexão. O livro pega você pela mão e pretende não largar. Adequado também aos iniciados. Que já conhecem suas ideias centrais. Pela singularidade da apresentação. Preocupado em aproximar as abstrações do cotidiano através de exemplos. Pelo jeito de escrever. Por tudo isso, espero, leitores, que leiam até o final. Não pelo repertório, pela utilidade ou pela pertinência. Sempre discutíveis. Mas por estarem se divertindo com a leitura. Pela alegria de cada leitor.

Indiscutível. Ah! Já ia me esquecendo. O leitor deve estar intrigado com o título destas páginas: considerações de andamento. Optei por esta nomenclatura por considerar que o termo introdução induz ao erro. Faz pensar em gênese, origem, início. E esse livro não tem nada disso. Já está em curso. Como tudo no mundo da vida. Os discursos nele enunciados já estavam, de certa forma, em circulação nesta rede social em que nos encontramos, você e eu. Com outra roupagem, talvez. Mas isso não justifica nenhuma introdução. Porque tudo isso que você vai ler já foi introduzido há muito, muito tempo. 1 Vida pensada Pensar para viver. Recomendação de boa parte dos filósofos. E também o que já fazemos. De manhã à noite. Muita coisa do que se passa conosco vai dependendo de ininterruptas decisões. Como, por exemplo, a hora que ajustamos no despertador para que nos acorde. Poderia ser mais tarde, porque é fim de semana. Ou não: você decidiu aproveitar para dar uma corridinha. Bem cedo, para fugir do sol. Até aqui, nada de muito novo na recomendação filosófica. Afinal, você sempre pensou para viver. Claro que, por outro lado, muito da vida é impensado. Ações e reações que dispensam qualquer atividade intelectiva.

A escovação dos dentes pode ser feita com o pensamento em qualquer outra coisa. Você não precisa ficar contando os movimentos em cada zona da boca. Vai no piloto automático. Da mesma forma, entrando no carro, sabendo dirigir um pouquinho, engata a primeira sem precisar de uma reunião deliberativa. Mas voltemos à vida pensada. Investimos muita energia de pensamento para definir nossa existência no mundo. Identificar a vida de carne e osso que viveremos em detrimento de tantas outras, apenas cogitadas e preteridas. Possibilidades colocadas de lado. Jogadas no lixo. Fechar ou não um contrato, trocar ou não de parceiro, comprar ou não uma nova máquina de lavar roupa. O leitor poderia perguntar, então: – Deve ter alguma coisa errada nesta recomendação filosófica. Afinal, se eu já penso para viver – quase o tempo todo – e a vida que levo nem sempre é boa, qual o problema com as minhas deliberações? Meu amigo, atenção ao que vou explicar. Quando alguns pensadores gregos – como Sócrates e Platão – relacionaram o pensar com a vida boa, não estavam se referindo ao que você faz diariamente quando escolhe a roupa que veste, o filme a que vai assistir, ou mesmo a carreira universitária que decidiu cursar. Todas essas questões têm a ver apenas com a particularidade da vida de cada um. Você define a roupa a partir das possibilidades que seu guarda-roupa oferece, das exigências sociais do evento; o filme, em função da opinião de algum crítico ou amigo, ou da distância do cinema; enquanto que a faculdade dependerá da sua disposição para se preparar para o vestibular, do preço do curso, das possibilidades de trabalho etc. Todas essas escolhas você sempre fez . E continuará fazendo. E não precisa de nenhum filósofo para isso. Portanto, não é bem disso que Sócrates e Platão estão falando, quando condicionam a vida boa ao bom pensamento. – Mas se esse tal pensamento filosófico que leva à vida boa não tem diretamente a ver com o nosso cotidiano, refere-se a que, então? Afinal, o que chamamos de vida? Não será a sucessão de situações particulares que nos toca enfrentar? Inquietação mais que legítima a sua. Afinal, o que você espera desse investimento – na leitura de um livro sobre a vida – é não se equivocar mais a respeito das suas escolhas, particulares e singulares, definidoras da sua própria existência. Resumindo: o que você quer mesmo é resolver o seu problema. O problema da sua vida. E tudo isso para não se entristecer. Porque você odeia a tristeza.

E você tem toda a razão. O que realmente importa é mesmo a sua vida. Essa que você vem vivendo desde que nasceu. Mas talvez seja o momento de perceber, com mais clareza, que o que você procura não está tão ao alcance quanto sugerem as leituras fáceis de aeroporto. Que as soluções já prontas e tão promissoras não sejam confiáveis. Pelo menos já ficou claro, na leitura destes primeiros parágrafos, que não é todo pensamento que vai assegurar uma vida feliz. É preciso mais. – Mas, afinal, qual a especificidade desta atividade do intelecto tão auspiciosa? O que diferencia a reflexão filosófica que leva a uma vida boa dessa nossa de todo o dia? Pensamento e amizade Proponho investigarmos as características deste pensamento tão especial a partir de um exemplo. Você tem um amigo. De longa data. Daqueles que, na escola, ano após ano, caía na sua classe. Que sempre te escolhia para jogar no seu time. Com quem você se divertia nos finais de semana. E estudava junto para as provas. Amigo de fazer xixi cruzado, expressão da terra da gente. Pois bem: esse amigo, já não é de hoje, vem te decepcionando. Também tive alguns assim. Um deles não ficou do meu lado quando, num intervalo curto entre duas aulas, dei sumiço na carga da caneta do professor de geografia, aproveitando-me de um descuido seu. O intuito não era subtrair. O animus não era furtandi. Mas zoandi. Mestre Fauze, inesquecível, ostentava uma Cross de tinta verde escrita fina, segundo ele próprio, difícil de encontrar. Indignado com o desaparecimento, inquiriu a turma, ameaçando um zero coletivo. Fui denunciado. Inclusive por esse amigo.

A decepção foi dolorosa. Que calhorda!

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