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A vilashi e os Dragoes (Almakia) – Lhaisa Andria

No início, o Instituto de Formação Almaki Dul’Maojin foi construído na base plana e na encosta pouco inclinada da Colina Maojin, mas com o passar dos anos, ganhara tanto fama quanto anexos. Mais de duzentos anos após a sua fundação, ele mantinha seus prédios históricos que se agarravam na colina sem se importarem em dividir espaço com luxuosas e modernas construções, formando ummosaico arquitetônico que abrigava os maiores mestres almakins com seus promissores aprendizes. Mesmo coma imensa área construída, seus terrenos se expandiam em torno daquela região com pavilhões, jardins, bosques e um lago. Diziam que somente do topo da colina era possível ter uma noção de onde ficavam seus limites. Até mesmo a costa íngreme fora escavada, como um elaborado formigueiro de corredores e túneis, dos mirantes construídos se podia ter uma ampla visão de toda a Capital de Fogo. Os grandes Portões Negros eram a parte mais conhecida e comentada, já que era o máximo que alguém que não fosse almakin poderia conhecer do Instituto. Por lá, somente manejadores passavam, alimentando o mistério que envolvia os Segredos. Entretanto, não havia tantos problemas para sair, a não ser pelas punições caso o aluno transgressor fosse descoberto, já que o regulamento do Instituto dizia claramente que a saída só permitida mediante uma autorização superior. Apesar disso, fuga era algo impensável, pois se tratava de um lugar onde todos os jovens do mundo desejariam estar e ninguém via um motivo para tal tolice. Além do mais, quem com a mínima consciência iria querer fugir do centro de todas as atenções de Almakia? Apesar de o Instituto manter uma seleção rigorosa e delimitar sua população somente àqueles que possuíam a capacidade de manejar – ou seja, somente almakins – essas medidas eramjustificáveis e bem entendidas pelos seus residentes, uma vez que possuir um almaki era algo precioso, que deveria ser bem guardado e polido. Basicamente, puro preconceito e orgulho desmedidos que atravessara séculos. Depois de cinco anos vivendo dentro do Instituto, tudo o que Garo-lin conseguia lembrar-se da sua primeira visão dos Portões Negros era uma vaga impressão de deslumbramento inocente. Toda a fama e a distinção da única e maior escola almaki caíra por terra quando ela conhecera o seu verdadeiro interior. Longe da atmosfera histórica de conhecimentos acumulados que ela esperava encontrar impregnados naquelas construções, a vida que circulava pelo labirinto de prédios da Colina Maojin estava repleta e ostentação. Os alunos eram como uma coleção preciosa, que sabiam perfeitamente quais os privilégios de suas posições e não se importavam de demonstrar isso da forma que lhes convinha. O que valia realmente entre aqueles muros e paredes era o seu nome, sua procedência, seu lugar na sociedade. Para Garo-lin, uma simples vilashi que tivera a imensa sorte de nascer com umpoder almaki, tudo aquilo era… — Inacreditááável! – ela berrou para o horizonte, assim que saltou pelo último degrau e parou deslizando diante da murada parcialmente destruída que lhe permitia aquela visão. Alguns pássaros que já estavam aninhados nas árvores em volta levantaram voo assustados, e logo o único ruído era a respiração ofegante de Garo-lin. Tentando se acalmar e recuperando fôlego, ela evitou pensar no que tinha acabado de acontecer. Mais uma vez sua paciência esteve a ponto de sumir e mais uma vez precisou correr para o único local onde sabia que poderia descarregar tudo o que queria dizer e não podia: as ruínas da baixa ala sudoeste do Instituto. Tratava-se de uma das construções mais antigas, que havia sido parcialmente destruída e, desde então, estivera abandonada. Com apenas uma parte das paredes escuras e musguentas ainda empé, grandes degraus de pedra talhada, dois andares vazios e quase totalmente invadidos pela vegetação do bosque que ficava do lado de fora, era um abrigo perfeito para quem queria ficar sozinho e não tinha medo de enfrentar alguns insetos e aranhas. O que Garo-lin mais gostava daquele lugar era o isolamento e a paisagem, desprezados pelos demais alunos. Dali não se tinha a exclusiva vista da movimentada Capital de Fogo, mas era possível distinguir por entre as árvores a estrada do vapor que seguia na direção de Rotas, caminho para se chegar ao Vale Interior. Olhar para aquele horizonte era o mais perto que ela podia estar da sua casa.


Agora, como uma aluna do quinto ano, pensava que se pudesse voltar no tempo, quando ainda tinha a escolha entre ser ignorada e viver humildemente ou tentar algo melhor aprimorando seu almaki no Instituto, ela com certeza fecharia os olhos diante das expressões cheias de esperanças das pessoas da sua vila e diria um redondo Obrigada, mas recuso! Porque uma coisa era certa: entre viver longe de almakins esnobes sendo ignorada por eles e viver com almakins esnobes sendo ignorada por eles, a primeira opção era definitivamente a melhor. Os seus primeiros dias já foram o suficiente para ela entender que não era bem-vinda. Longe de ser considerada uma heroína, como na sua vila Godan, ali ela era somente uma vilashi que se atrevera a macular o respeitado Instituto. Ser a única não era sinônimo de valor. Sua aparência a denunciava totalmente, já que era fisicamente diferente da maioria dos almakins por descender de um povo imigrante. Comparada aos de mais alunos, era pequena e mirrada, de cabelos pretos mesclados de marrons claros – como se estivessem sempre sujos de terra, o que dava margem para a piada almakin de que vilashis brotavamdo chão. Seus olhos amarelos era o que mais se destacava em todo o contexto, já que era uma característica singular do povo vilashi ao qual descendia, e não havia mais ninguém assim no Instituto. Fora sua aparência, também lutava para se controlar e conter as peculiaridades que considerava normal, mas que não eram aceitas ali. Na maioria das vezes, suas atitudes eraminterpretadas ofensivamente pelos almakins. Os vilashis de Godan tinham uma maneira mais simples de agir, gestos mais fortes e um jeito de falar mais prolongado, cheio de falhas e com acentuações diferentes. Garo-lin teve que aprender, principalmente, a não responder. Apesar de naturalmente teimosa, sendo a óbvia minoria, deveria guardar suas opiniões apenas para si. Para ajudar, seu almaki nem era algo grande e fenomenal a ponto de fazer com que os almakins puros a respeitassem nesse aspecto. Apesar de ser uma manejadora de fogo, o mais importante dos poderes elementares, e de estar na Capital de Fogo, seu potencial era tão baixo que o máximo que lhe era permitido fazer se enquadrava na categoria de serviçais. Ainda assim, mesmo nas mais simples tarefas, como acender a lareira central do dormitório das meninas, precisava da autorização de alguém superior. E acender lareiras ou porta-chamas – recipientes de fogo que eram usados para iluminar – não era nada imponente como grandes nomes de manejadores de fogo podiam fazer com um só gesto. Ouvira que eles poderiam explodir uma montanha se fosse sua vontade – apesar de ela agora pensar que essas façanhas não passavam de lendas absurdas que circulavam nas vilas isoladas do Vale Interior, já que nunca vira seus mestres fazerem algo mais do que elaborados desenhos com chamas para impressionar autoridades. Mesmo vivendo sob as restrições, isso não era o pior. Tão pouco o fato de ser desprezada pelos alunos, ignorada pelos mestres e não ter um almaki capaz de surpreender. Existia algo que a fazia andar as espreitas pelos corredores e fugir toda a vez que havia alguma algazarra de alunos: os Dragões. O título mais aclamado e temido entre todos os almakins, não só dentro do Instituto como em toda a Almakia e além. E, para sua imensa infelicidade, havia cinco deles circulando pelo Instituto. Os Cinco Dragões do Instituto Dul’Maojin, eram um grupo formado pelos herdeiros dos nomes de maior poder dentro de toda a Almakia. Todos eles com almakis distintos, mas com níveis superiores aos de qualquer um. Eram Guardiões de um Segredo de Família, o que lhes rendiam total autoridade sobre os outros alunos e até mesmo sobre os seus mestres, tanto que tinham permissão para sair pelos Portões Negros quando bem entendessem.

Nunca em toda a História do Domínio houve o registro de uma representatividade almaki tão forte, e grandes coisas eram esperadas deles para o futuro. Descendência, poder, fama: essa era a pirâmide básica que sustentava os Dragões. Em alguns anos, o que eles fizessem iria ditar o rumo de toda a Almakia. Todo o Domínio se manteria sob seus nomes e todo o Governo Real seguiria cegamente suas decisões… Pensar em um futuro assim fazia Garo-lin ficar enjoada e preferir a ignorância, onde se limitaria a seguir a nobre profissão de seus familiares: cultivar tomates. Conscientes de suas posições elevadas, os Dragões não hesitavam em aproveitar-se delas já dentro dos Portões Negros, da forma que lhes fosse conveniente. Logo no primeiro ano de Instituto, agiam como se ali fosse um pequeno reinado mandando e desmandando conforme suas vontades. Mantiveram essa ordem durante seus seis anos de estadia e essa ditadura não era repreendida pelos mais velhos, supostamente mais sábios, e muito menos vista com maus olhos pelos colegas. Ser uma vítima da arrogância deles era algo sofrível, mas mesmo assim era uma história para ser contada por gerações. Por isso, ninguém se rebelava contra seus atos e mesmo a ideia de se rebelar soava como algo absurdo. Sendo apenas uma desconsiderada naquele meio, Garo-lin não podia fazer nada além de fechar os olhos. Mesmo que seu senso de justiça, sua característica mais forte, rugisse dentro ela exigindo que providências fossem tomadas. Quando somente se retrair e se segurar não era o suficiente, ela fugia. E foi fugindo que um belo dia se deparou com aquelas ruínas e as adotou como seu refúgio. Porém, nesse dia em específico, ela não fora tão rápida. Ficara presa na fila do refeitório e assistiu a mais uma cena de injustiça protagonizada pelos Dragões. Um aluno desafortunado fizera um movimento desnecessário ao conversar com seus colegas e acabara derrubando uma jarra com suco. Alguns alunos em volta tiveram suas roupas molhadas e lançaram olhares irritados para o causador do acidente. Mas o problema maior foi quando o líquido, que escorreu sem rumo certo pelo chão, atingiu a barra das vestes da Dragão de Metal, a única garota com o título, Sumerin Gran’Otto. Não fora necessariamente culpa do aluno descuidado, já que ela própria entrara majestosamente no refeitório e não reparou onde pisava. Mas a expressão de choque dela, seguida por uma sombra de choro, foi o suficiente para mobilizar o restante dos Dragões. Sem reagir e sem se defender, o aluno somente esperou pela sua sentença quando dois deles se aproximaram, pegando jarras de sucos da outra mesa. Sem pena alguma, o empurraram para o chão e despejaram o conteúdo doce na cabeça do garoto, seguido pelos próprios recipientes. — Me desculpe. – ele pediu, pingando o suco que escorria deforma melada do seu cabelo e fazendo uma careta de dor pelas batidas da jarra. – Sinto muitíssimo, Dragão de Metal.

Prometo queMas não pôde terminar. O líder dos Dragões se aproximou e com um gesto ordenou que ele ficasse de pé. Obedecendo e temendo pelo que poderia acontecer, o aluno se levantou na medida em que seus joelhos conseguiram o manter firme. O Dragão de Fogo fechou o punho na frente dele e ficou dessa forma, como se pensasse na melhor maneira de usá-lo. Por um momento Garo-lin prendeu a respiração, e o pensamentos e ele usaria ou não seu almaki em uma situação daquelas percorreu por sua mente. Então, decidindo, o líder deu um soco na boca do estômago do aluno com a outra mão, fazendo com que ele se dobrasse sem ar e caísse no chão, se encolhendo de dor. — Irritante. – o Dragão grunhiu, dando como concluído aquele ato, saindo e sendo seguido pelos outros, um deles consolando a garota que erguia as barras da veste para não piorar a situação. — Irritante?! Quem é irritante?! – Garo-lin cravou as unhas no musgo que cobria os tijolos de pedras amurada. – Quem são os irritantes estúpidos que batem em alguém por um simples acidente?! Mesmo sendo um orgulhoso aluno do Instituto Dul’Maojin ele ainda pediu desculpas! Não foi o suficiente?! Ela se ergueu na ponta dos pés, respirou fundo e gritou com toda a intensidade que conseguiu: — Dragões não são os donos do mundo! — Grunf, verdade? Garo-lin deu um pulo, por pouco não caindo pelas pedras escorregadias, e olhou em volta assustada, vasculhando o local. Não podia haver ninguém ali. Ela teria percebido se alguém chegasse, não tinha como evitar aquele tapete de folhas barulhentas na entrada e o som inconfundível de passos pelos degraus. Então, quando estava quase convencida de que imaginara aquilo, uma risada acima dela começou abafada e logo virou uma gargalhada rosnada: — E se fosse um Dragão? O que você faria garota inacreditável? A voz soprada, estranha de se ouvir, só não foi mais assustadora do que a visão em si. Encarando-a, logo acima dela em um precário vão destruído da parede de pedras, estava o ser mais bizarro que ela já tinha visto. Lembrava muito um gato, cerca de três vezes maior que um normal, e com um aspecto mais selvagem. Tinha as mesmas feições felinas, as orelhas eram parecidas com as de um morcego, cada uma com um conjunto de argolas de metal nas pontas. Os olhos eram de umamarelo escuro, muito mais forte que os dela e o pelo era espesso, rajado de preto e branco. No pescoço, meio encoberta, havia uma coleira de couro, e sob suas patas cruzadas pendia um pingente de vidro. Também havia algo branco e peludo nas suas costas, que o cobria como um casco, mas que não se podia identificar na distância em que estava. Sendo uma vilashi que crescera cercada de florestas e criações, Garo-lin estava habituada a conviver com animais, e sabia que não conhecia nem a metade das espécies que havia somente dentro do Vale Interior. Também já lera muito sobre eles no Guarda-livros do Instituto. Mas, definitivamente, nenhum dos animais que conhecia ou esperava conhecer olharia nos seus olhos e falaria como se fossem iguais a ela. — Surpresa? – ele perguntou, parecendo estar se divertindo com a reação – Realmente é uma… Como dizem? Vilashi. Tão ignorante quanto uma árvore seca. Garo-lin percebeu como era fácil acabar com o equilíbrio daquela parede semi-queimada, apenas com um chute firme logo a baixo de onde ele estava.

Mas a intensidade da ofensa não era párea para a sua curiosidade, e não foi o suficiente para que ela quisesse se arriscar a terminar de desmoronar o lugar. — Eles são sim os donos do mundo e poderiam ter feito muito pior. – ele continuou o assunto de antes. — Isso não é certo! Mesmo se eles queimassem aquele garoto, eles nã- – ela conseguiu fechar a boca antes que fosse tarde demais. Sim, não era comum falar com um animal. Mais anormal ainda seria ela maldizer os Dragões em voz alta, mesmo que aquele fosse o seu único ouvinte. Percebendo o desespero dela, o gato apenas bocejou e disse preguiçosamente esticando as patas: — Sabe, escolhi esse espaço para as minhas sonecas e não é tolerável que alguém como você venha até aqui me atrapalhar. Portanto, se não quiser que algum Dragão saiba sobre suas opiniões, desapareça daqui. Pronto, ela não só havia sido insultada por um gato esnobe como acabara de receber uma ameaça esnobe. — E por acaso essa parede é sua? Tem seu nome em algum lugar? – ela retrucou, cruzando os braços, com toda a dignidade que seu pouco tamanho e coragem lhe permitiam. Em resposta, limitou-se a levantar, esticar as patas, afiar as garras nas pedras e então saltar para um patamar acima, deitando novamente. — Vou precisar contar até três para que saia, vilashi? Então, com um grande suspiro ela achou melhor ceder. Não queria arrumar encrenca com quem quer que fosse e conseguir motivos para ser convidada a se retirar do Instituto. Por isso, deu meia volta e estava saindo, quando o ouviu se despedindo: — E não volte mais. — Sim, senhor. – ela fez uma meia reverência almakin, enfeitada com uma careta, e se afastou, frisando mentalmente que da próxima vez iria conferir para ter certeza de que não havia alguém, fosse o que fosse, tirando uma soneca naquelas paredes. *** Garo-lin observou a aluna nova lançar um olhar incerto pelos os lugares vazios na sala e ficou atenta quando ela escolheu aleatoriamente uma mesa para sentar. Kidari Chanboni não só estava perdida em um mundo totalmente novo como não tinha a mínima ideia de quão perigoso esse mundo era, e isso fazia com que seus cinco anos de experiência no Instituto ecoassem deixando sua consciência alerta. Sabendo que ninguém mais ali além dela mesma pensaria em tomar uma atitude, a garota se levantou do seu lugar de costume, no fundo da sala, e seguiu cautelosamente até onde a estrangeira estava: — Olá. – Garo-lin cumprimentou com certo receio já que se tratava de uma desconhecida, e esperou por uma resposta. Com um susto, a aluna nova levantou os olhos e a encarou por um tempo, e essa foi a primeira vez que Garo-lin viu de perto como era alguém de Além-mar. Seus cabelos eram negro-esverdeados e cresciam de uma forma diferente, como se vários fios se enroscassem e formassem um só, ficando com uma aparência de tubos, que se somavam emvárias camadas. Kidari prendia parcialmente essas camadas com presilhas coloridas, deixando amostra orelhas em formato distintos, mais largas e pontudas. Sua pele era mais escura do que os alunos que vinham da região do Grande Mar, e tinha uma tonalidade como à de areia, que caia muito bem com seus grandes olhos verdes, a única coisa que não era tão fora do conceito de comum, apesar de serem mais redondos e puxados nos cantos. Ela era mais alta que todas as alunas almakins, e por consequência tinha o dobro da altura de Garo-lin.

Kidari Chanboni era exatamente o que o mestre de sala havia anunciado: uma kodorin manejadora de raio, vinda de fora de Almakia, a primeira no Instituto. A notícia de uma estrangeira manejadora não surpreendeu os demais alunos como surpreendeu Garo-lin. Ela poderia ser a única vilashi no Instituto, mas alguém com almaki vinda de fora de Almakia era algo impensável até então. Entretanto, o fato foi encarado pelo demais como nada, e o mestre agiu da mesma forma, apenas deixando a garota na sala, dando o aviso rapidamente e saindo com se tivesse coisas mais importantes para fazer. Por sua vez, a estrangeira percebera aquela recepção indiferente e não parecia saber como agir diante disso. E quanto compreendeu que a pessoa à sua frente de alguma forma tentava ajudar, ela abriu um sorriso enorme e disse: — Olá! Kidari sou. – revelando não só um sotaque facilmente detectável, como o fato de que não era alguém que dominava perfeitamente a língua que estava usando. – Muito prazer conhecer… – o sorriso dela desapareceu ao perceber que algo faltava – Não nome contar. Garo-lin não pôde evitar sorrir com a maneira simples que ela falara. Sorriu pela primeira vez em muito tempo, e foi um tanto estranho. Já havia se acostumado com o fato de ser séria e guardar seus pensamentos para si dentro do Instituto. Sorrir com algo que alguém dali fazia era novidade e um tanto perturbador. — Desculpa. Meu nome é Garo-lin, Garo-lin Colinpis, do Vale Interior Baixo, manejadora de fogo. – ela disse devagar, não só esperando que a outra entendesse, mas também por ser difícil perde o receio de se apresentar daquela maneira. — De fogo? – ela repetiu a informação, como se fosse algo extraordinário. – Eu muito quero ver! A maneira sincera com que a garota de olhos verdes falou aquilo a tranquilizou, e até se atreveu a contar como se estivesse mesmo em uma conversa normal. — Uma hora ou outra você irá ver, mas não serei eu… Não tenho autorização para usar almaki sem supervisão. — Não poder? – ela pareceu desapontada, olhando para as próprias mãos – Kidari não poder? — Não se preocupe. – Garo-lin se apressou em explicar ao perceber uma movimentação na entrada da sala. – Se você começou o quinto nível, é sinal que logo poderá usar seu almaki. Mas agora temos que sair da… — O que pensa que está fazendo no meu lugar, kodorin? Garo-lin se arrependeu por ter enrolado tanto e não ter ido direto ao assunto desde o início. Então, se segurando para agir de forma calma, virou para uma das suas colegas de classe, se curvou em respeito a uma ordem superior a sua e explicou em um resmungo: — Desculpe, eu estava dizendo exatamente isso para ela. – logo em seguida pegou Kidari pelo braço e a fez se levantar. – Venha comigo.

— Isso mesmo. – disse a dona do lugar, e acrescentou com um tom de deboche – A esconda na sua toca, vilashi! As outras garotas que a acompanhavam deram risadinhas e largaram seus livros de qualquer maneira naquela e nas mesas em volta, continuando com comentários maldosos. — Primeira lição do Instituto Dul’Maojin: não se importe com que os outros dizem. – Garolin comentou com Kidari, a conduzindo até o fundo da sala, onde havia mais lugares vagos. – Acredite, elas não suportariam viver um dia sem falar mal de alguém, e infelizmente você não vai poder fugir disso por pelo menos… Alguns dias. – ela tentou esconder a desanimadora verdade. Pelo contexto, ela parecia ter entendido o geral da situação, mas não o suficiente para desmanchar a expressão de perdida. — Que chamam Garo-lin? – perguntou confusa. — Vilashi… Basicamente que eu não sou uma almakin. – a garota explicou, lançado um olhar em volta para ter certeza de que ninguém prestava atenção nelas. – Não tenho uma descendência emAlmakia… Minha família é do povo simples, que vive na Região dos Vales e serve ao Governo Real. — Igual Kidari?! – ela perguntou com um sorriso depois de processar as frases, parecendo muito feliz com essa possibilidade. — De certa forma… Sim, quanto ao fato de nós duas termos um almaki. E não, pelas nossas formas de estarmos aqui. — Como? – ela parecia compreender todas as palavras usadas, mas não encontrava umsignificado claro para a junção de todas elas. — Pelo o que entendi, você está aqui por questões políticas, já que Almakia quer manter a boa relação com as Fronteiras. Apesar de ser um fato surpreendente um almakin estrangeiro… – ela percebeu que se empolgara em sua divagação sobre o assunto, e concluiu rapidamente. – Eu estou aqui para ser controlada. Pelo olhar meio vago da garota, ela ainda não havia compreendido. Mas não pôde explicar de forma mais clara, já que o professor voltara com seu equipamento para a lição e pedira a atenção de todos. — Não se preocupe. Terá muito tempo para entender como sobreviver dentro dos Portões Negros. Em resposta, a estrangeira abriu outro imenso sorriso, e Garo-lin involuntariamente o imitou em uma proporção bem menor, percebendo que não era tão difícil assim e se lembrando de um tempo antes do Instituto.

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