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A Virtude do Egoismo – Ayn Rand

A contribuição dada por Ayn Rand ao pensamento filosófico deste século vem ganhando cada vez maior reconhecimento, especialmente nos meios acadêmicos norte-americanos. Um número sempre crescente de filósofos, economistas, historiadores e psicólogos vem se debruçando sobre o legado intelectual de Ayn Rand, como provam as diversas obras publicadas após a sua morte, ocorrida em 1982. No Brasil, Ayn Rand passou a ser conhecida do público leitor através de seu romance mais famoso, A Revolta de Atlas, publicado em português em 1987, exatos trinta anos após a primeira edição norte-americana. Com A virtude do egoísmo ocorreu algo muito semelhante: um dos principais ensaios deste Livro (A ética Objetivista) foi originalmente apresentado como uma conferência na Universidade de Wisconsin, em 1961. Hoje, decorridos novamente trinta anos, os leitores brasileiros têm oportunidade de conhecer mais profundamente a faceta filosófica de Ayn Rand. Este livro foi a primeira obra de não-ficção publicada por Ayn Rand, embora, na verdade, os seus romances não tivessem um caráter puramente ficcional. Após ter saído a primeira edição de A Revolta de Atlas, em 1957, Ayn Rand dedicou-se exclusivamente a escrever sobre sua filosofia, o Objetivismo, numa publicação intitulada The Objectivist Newsletter. Por meio desta e do “Nathaniel Branden Institute”, a Filosofia Objetivista ganhou um enorme impulso na década de sessenta. Toda uma geração foi marcada pelo que escreveu e ensinou Ayn Rand naquele período. Em meados da década de sessenta, a longa associação entre Ayn Rand e Nathaniel Branden, que foi uma espécie de porta-voz e íntimo colaborador do movimento Objetivista, terminou. E o fim dela acabou arrefecendo o próprio movimento que, àquela altura, já ganhava corpo e se insinuava nos meios universitários e na mídia. Os livros de Ayn Rand, entretanto, continuaram a vender como sempre. No começo da década de oitenta, eia já havia batido a marca de mais de 20 milhões de cópias vendidas, entre obras de ficção e não-ficção! A publicação de A virtude do egoísmo em português é mais do que oportuna. Significa o resgate de um debate que já deveria ter começado entre nós há trinta anos, mas que, incompreensivelmente, apenas agora e graças à iniciativa do Instituto de Estudos Empresariais, tem início. Um debate sobre os fundamentos de uma sociedade de homens livres, os postulados éticos sobre os quais devemrepousar as instituições sociais, o verdadeiro papel que o governo tem a desempenhar, os equívocos filosóficos que são mascarados pelo uso inadequado da linguagem e as consequências de todas essas questões para a sobrevivência do homem. O livro que o leitor tem nas mãos não é um tratado de filosofia, como bem adverte a autora emsua Introdução. Trata-se de uma obra que sistematiza alguns aspectos da filosofia de Ayn Rand, anteriormente exposta em seus livros de ficção, especialmente A Revolta de Atlas e A Nascente, esta última ainda inédita em português, e a aplicação da mesma a questões cotidianas. Embora escrito há trinta anos, nenhum dos ensaios perdeu atualidade. Antes pelo contrário. Os problemas identificados por Ayn Rand continuam atuais e, dada a sua universalidade, também não se restringem aos Estados Unidos, Para o leitor brasileiro basta alterar, sem nenhuma dificuldade, datas e nomes de protagonistas para ter a impressão de que a autora se refere a fatos que ocorrem hoje neste país. E ao final da leitura descobrirá a razão para isso; todos os principais problemas que hoje enfrentamos são resultado de uma determinada visão ética do mundo, comum aos mais diversos períodos históricos. E o Objetivismo se propõe a desafiar essas concepções atávicas e a oferecer uma alternativa compatível com a natureza racional dos homens. Cândido Mendes Prunes PREFÁCIO À EDIÇÃO ARGENTINA Ideias, ideias novas. Em iodos os níveis culturais — desde os círculos intelectuais mais sofisticados até o homemcomum, que só teve acesso a uma modesta instrução — se reclamam por ideias novas. O pensador espanhol Julian Marias, em uma conferência realizada em 12 de julho de 1983, emBuenos Aires, comentou a melancólica tristeza que me produz a decadência intelectual do mundo” e assinalou como causa dos problemas cruciais da humanidade a utilização, em todos os níveis, de ideias arcaicas, que não têm mais nada a ver com nossa realidade atual”.


Políticos, jornalistas, economistas, escritores, pensadores de todas as correntes, juntam suas vozes a esta declaração. Antecipando-se a estes comentários e aos de outros pensadores que cito aqui, Ayn Rand, em conferências proferidas nas Universidades de Yale, Brooklin e Columbia, em 1960, pronunciou-se severamente a esse respeito, dizendo: nunca antes o mundo clamou tão desesperadamente por respostas a problemas cruciais. “e nunca antes o mundo se apegou tão freneticamente à crença de que não há respostas possíveis”. Vivemos um tempo de transição, o momento de uma grande mudança. Como disse C. W. Ceram — autor de Deuses, túmulos e sábios — em sua obra Yestermorrow: “… com o século vinte está se acabando um período da história da Humanidade que abarca cinco milênios”. Opondo-se a Oswald Spengler e a seu conceito de que o Ocidente está terminando, a nossa situação não se assemelha à de Roma do começo da era cristã, mas sim à do homem de 3.000 anos antes de Cristo. Da mesma forma que o homem pré-histórico, levantamos os olhos e enfrentamos um mundo completamente novo. Um sistema de vida vai chegando ao fim e um novo surge, adequando-se à realidade e às necessidades de hoje, Todos nós notamos que as respostas tradicionais, que nunca solucionaram nada, deixaram de ter qualquer efeito; que fazem falta conceitos novos, sólidos, coerentes, que ponham fim à defasagem intelectual entre o colossal avanço tecnológico e o confuso conjunto de ideias atávicas que o homem moderno continua aceitando somente por tradição. Aperceber-se disto, naturalmente, gera nos homens uma sensação de insegurança e angústia. É o medo do novo, do desconhecido. Presos em seus pequenos e — para a maioria — desconfortáveis ninhos, as pessoas se agarram a eles temendo o momento de abrir suas asas e voar. A mudança já está presente. Herber Read, filósofo britânico da arte, disse que: “Nestes tempos participamos de uma mudança tão fundamental, que devemos retornar um longo percurso para encontrar um paralelo. Talvez somente comparável à mudança verificada no término do período paleolítico e na transição para o neolítico.” Estruturas arcaicas são derrubadas. Da mesma forma que aquelas árvores que crescem e mudamcom cortes, também o homem terá de abandonar suas ideias, suas crenças e suas vivências totalmente esclerosadas, mais adequadas a um ser irracional e indefeso do que a sua condição de explorador do espaço e do átomo, criador e modificador da vida, conquistador da Natureza. Estas novas ideias, esse moderno fundamento de existência exigido pela realidade atual, foramconcebidos por Ayn Rand, quem lançou ao mundo, entre 1933 e 1982, sua Filosofia Objetivista, Com uma clareza de raciocínio que a converte em gigante da filosofia, elaborou, com precisão matemática e simplicidade quase inaudita, a perfeita concatenação de um sistema filosófico racional carente de contradições, estritamente baseado na lógica e na realidade, e coerente com a natureza do homem. Suas ideias, combatidas e condenadas por intelectuais, pseudo-intelectuais místicos aferrados a antigas estruturas decadentes, foram passo a passo abrindo caminho nos círculos intelectuais mais flexíveis, predispostos a mudanças, especialmente entre estudantes universitários, Hoje em dia se começam a notar os efeitos. Na Noruega, o político Anders Lange declarou publicamente que a plataforma de seu partido se funda na filosofia de Ayn Rand, Igualmente os “libertários” dos Estados Unidos reconhecem nela a fonte e o guia. Colaboradores da pensadora, tais como o economista Alan Greenspan, atuaram como conselheiros do Presidente Ronald Reagan. Às recentes viradas editoriais nos Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha Federal, Suécia, Áustria, indicam que as ideias de liberdade e de direitos do indivíduo — coluna vertebral da Filosofia Objetivista — começam a firmar-se, A obra filosófica de Ayn Rand abarca os cinco ramos que compõem a filosofia: metafísica, em seu livro Philosophy: Who needs it; epistemologia, a ciência do conhecimento, em Introduction to Objectivist epistemology; ética, neste livro; política, em Capitalism, the unknown ideal, e estética, em The romantic manifesto. Outros livros da autora são seus romances A Revolta de Atlas [1] , We the living, A Nascente, Anthem, The night of January 16th, The new left: The anti-industrial revolution e For the new intellectual, As ideias de Ayn Rand apresentar-se-ão ao leitor como um verdadeiro desafio, uma filosofia absolutamente nova, íntegra e sem claudicações.

Conhecê-la é imprescindível e, afinal, inevitável, Bertrand Russell, que já não concordaria com as ideias de Ayn Rand, disse, em sua obra Fundamentos de filosofia: “Nenhuma filosofia pode passar sem prestar atenção às mudanças nas nossas ideias do mundo físico que os homens da ciência acreditaram necessário introduzir: pode-se dizer, com razão, que todas as filosofias tradicionais serão descartadas, e que teremos de começar de novo com o menor respeito possível pelos sistemas do passado. Nosso tempo penetrou mais profundamente na natureza das coisas como nenhum outro, e seria inadequadamente modesto sobrestimar o que ainda pode-se aprender com metafísicos dos séculos XVII, XVIII e XIX.” E. J. Bronowski, o sábio autor de A ascensão do homem, advertiu em 1973: “O conhecimento é uma responsabilidade pela integridade do que somos, primordialmente como criaturas éticas. E não podemos manter essa integridade se deixamos que os demais dirijam o mundo por nós, enquanto nos dedicamos a viver com base numa moral vinda de crenças passadas. Daqui a cinquenta anos, se o conhecimento da origem do homem, sua evolução histórica e seu progresso, não for lugar comum nos livros-texto, então não existiremos mais.” A seguir, como breve biografia de Ayn Rand, está transcrito parte de meu artigo Ayn Rand e a Filosofia da Razão, que, como uma homenagem e coincidência com o primeiro aniversário de sua morte, foi publicado em 6 de março de 1983 no jornal La Prensa, de Buenos Aires. Á Sra. Ayn Band nasceu em 2 de fevereiro de 1905, em São Petersburgo, hoje Leningrado, no seio de uma família judia de ciasse média. Graduou-se na Universidade em 1924 enquanto enfrentava os horrores da revolução comunista. Em 1926 conseguiu emigrar para os Estados Unidos, dirigindo-se a Hollywood para trabalhar como extra de cinema e ajudante de roteirista. Ao longo da década de trinta, iniciou sua carreira de roteirista para a Universal, Paramount e MGM, Também redigiu seu primeiro romance We the living — uma obra comovedora, ambientada na Rússia, sobre as condições de vida dos habitantes submetidos a um sistema de governo totalitário. Sobre esta obra diria: não é um romance sobre a Rússia Soviética. É um romance sobre o indivíduo contra o Estado. O tema básico é a sacralidade da vida humana, não no sentido místico, mas sim no de “valor supremo”. Durante o governo de Mussolini foi filmada uma versão pirata desse romance — protagonizada por Alida Valli e Rossano Brassi — a qual foi sequestrada pelo próprio governo fascista que havia autorizado a filmagem, ao se dar conta de que a obra não apontava contra uma ditadura em particular, mas sim contra todas elas em geral. We the living, entretanto, ao ser publicada em 1934, foi destroçada peia crítica literária da época — já então substancialmente invadida pela intelectualidade esquerdista — e teve que esperar até 1966, quando ã primeira reimpressão alcançou 400.000 cópias. Hoje em dia a obra já vendeu milhões de exemplares e foi traduzida para os principais idiomas. Pouco antes de publicar We the living Ayn Rand apresentou a sua primeira obra teatral — Noite de 16 de janeiro —, que se converteu em um dos clássicos do teatro norte-americano. Em 1938 ela publicou — na Inglaterra — o romance Anthem, sobre uma sociedade que proibiu o uso da palavra “eu”, trocando-a por “nós”, e a longa e penosa luta de um homem para redescobrila, Em 1943 veio à luz A Nascente — outra obra que atingiu cifras milionárias de vendas em todo o mundo —, uma epopeia de um arquiteto que faz voar para os ares sua própria criação ao descobrir que o seu desenho fora adulterado. Essa obra foi levada para as teias do cinema através da interpretação de Gary Cooper e Patrícia Neal. Sua principal obra foi publicada quatorze anos depois. A Revolta de Atlas é um dos clássicos da literatura norte-americana, havendo já amplamente superado os Í0 milhões de exemplares na versão de língua inglesa.

A partir desse momento, e devido ao extraordinário interesse que despertaram suas ideias, principalmente entre os jovens universitários, Ayn Rand se dedicou — com o apoio de colaboradores como Nathaniel Branden, Robert Hessen e Leonard Peikoff — a popularizar sua filosofia através de livros, revistas e conferências em universidades, etc. A Sra. Rand morreu na cidade de Nova Iorque, em 6 de março de 1982. Manfred F. Schieder INTRODUÇÃO O título deste livro pode despertar o tipo de pergunta que ouço de vez em quando: “Por que você utiliza a palavra ‘egoísmo’ para denotar qualidades virtuosas de caráter quando esta palavra cria antagonismo entre tantas pessoas para quem ela não significa o mesmo que para você?” Para aqueles que fazem esta pergunta, minha resposta é: “Pela razão que faz você ter medo dela.” Mas há outros que não fariam esta pergunta, sentindo a covardia moral que a mesma acarreta, e que são, contudo, incapazes de formular minha razão real ou identificar a profunda questão moral envolvida. Para eles é que darei uma resposta mais explícita. Não é uma mera questão semântica, nem um problema de escolha arbitrária. O significado atribuído peio uso popular à palavra ‘egoísmo 5 ’ não está, simplesmente, errado: representa uma tergiversação intelectual devastadora que é responsável, mais do que qualquer outro fator, pelo restrito desenvolvimento moral da humanidade. No uso popular, a palavra “egoísmo” é um sinônimo de maldade; a imagem que invoca é de um brutamontes homicida que pisa sobre pilhas de cadáveres para alcançar seu próprio objetivo, que não se importa com nenhum ser vivo e persegue apenas a recompensa de caprichos inconsequentes do momento imediato. Porém, o significado exato e a definição do dicionário para a palavra “egoísmo” é: preocupação com nossos próprios interesses. Este conceito não inclui avaliação moral; não nos diz se a preocupação com os nossos próprios interesses é boa ou má, nem nos diz o que constituem os interesses reais do homem. É tarefa da ética responder a tais questões. Â ética do altruísmo criou a imagem do brutamontes, como sua resposta, a fim de fazer os homens aceitarem dois princípios desumanos: (a) que qualquer preocupação com nossos próprios interesses é nociva, não importando o que estes interesses possam representar, e (b) que as atividades do brutamontes são, na verdade» a favor dos nossos próprios interesses (que o altruísmo impõe ao homem renunciar peio bem de seus vizinhos). Para uma visão da natureza do altruísmo, suas consequências e a enormidade de corrupção moral que perpetra, recomendo a leitura de minha obra A Revolta de Atlas — ou a qualquer uma das manchetes dos jornais de hoje. O que nos preocupa aqui é a omissão do altruísmo no campo da teoria da ética. Há dois questionamentos morais que o altruísmo reúne dentro de um único “pacote”: (1) O que são valores? (2) Quem deve ser o beneficiário dos valores? O altruísmo substitui o primeiro pelo segundo; ele foge da tarefa de definir um código de valores morais, deixando o homem, assim, na verdade, sem diretriz moral. O altruísmo declara que qualquer ação praticada em benefício dos outros é boa, e qualquer ação praticada em nosso próprio benefício é má. Assim, o beneficiário de uma ação é o único critério de valor moral — e contanto que o beneficiário seja qualquer um, salvo nós mesmos, tudo passa a ser válido. Daí a imoralidade assustadora, a injustiça crônica, os grotescos padrões duplos, os conflitos e as contradições insolúveis que têm caracterizado os relacionamentos humanos e as sociedades humanas através da história, sob todas as variantes da ética altruísta. Observe a indecência do que se consideram julgamentos morais atualmente. Um industrial que produz uma fortuna e um gangster que rouba um banco são considerados igualmente imorais, já que ambos procuraram fortuna para o seu próprio benefício “egoísta”, Um jovem que desiste de sua carreira para sustentai’ seus pais e nunca sobe além do posto de empregado de mercearia é considerado moralmente superior àquele que suporta uma luta difícil e conquista sua ambição pessoal, Um ditador é considerado moral, desde que as indescritíveis atrocidades cometidas tenhamtido a intenção de beneficiar “o povo”, não a ele mesmo. Observe o que este critério moral, que considera apenas o beneficiário, faz à vida de umhomem, A primeira coisa que ele aprende é que a moralidade é sua inimiga: não ganha nada com eia, apenas perde; tudo o que ele pode esperar são perdas auto-impostas, dores auto-impostas e o manto cinzento e deprimente de uma obrigação incompreensível, Ele pode esperar que os outros possam, ocasionalmente, sacrificar-se em seu benefício, assim como ele se sacrifica de má vontade, embenefício deles, mas ele sabe que tal relacionamento só produzirá ressentimentos mútuos, não prazer — e que, moralmente, esta busca de valores será como uma troca de presentes de Natal não desejados e não escolhidos que nenhum deles se permite, moralmente, comprar para si mesmo, Exceto nos momentos em que conseguir realizar algum ato de auto sacrifício, ele carecerá, como pessoa, de qualquer significado moral: a moralidade não toma conhecimento dele e não tem nada a dizer-lhe como orientação nas questões cruciais de sua vida; esta é somente sua vida pessoal, privada, “egoísta” e, como tal, é considerada, ou maléfica ou, na melhor das hipóteses, amoral. Dado que a natureza não provê o homem com uma forma automática de sobrevivência, dado que ele tem de sustentar sua vida através de seu próprio esforço, a doutrina que diz que a preocupação com nossos próprios interesses é nociva significa, consequentemente, que o desejo de viver do homem é nocivo — que a vida do homem, como tal, é nociva. Nenhuma doutrina poderia ser mais nociva do que esta.

Todavia, este é o significado de altruísmo, implícito nestes exemplos que igualam um industrial a um ladrão. Há uma diferença moral fundamental entre um homem que vê seu auto-interesse na produção e um outro que o vê no roubo. A maldade de um ladrão não repousa no fato de que ele persegue seus próprios interesses, mas no que ele considera como sendo seu próprio interesse; não no fato de que ele busca seus valores, mas no que ele escolheu para valorizar; não no fato de que ele deseja viver, mas no fato de ele querer viver num nível sub-humano. (Veja A ética Objetivista.) Se for verdade que o que quero dizer com “egoísmo” não é o que significa convencionalmente, então esta é uma das piores acusações que se pode fazer contra o altruísmo: significa que o altruísmo não permite conceito algum sobre um homem que se auto-respeita e é independente economicamente — um homem que sustenta sua vida através de seu próprio esforço e nem se sacrifica pelos outros nem sacrifica os outros por si. Isto significa que o altruísmo não permite outra visão dos homens, que não seja a de animais para sacrifício e beneficiários-do-sacrifício alheio, como vítimas e parasitas — que não permite o conceito de uma coexistência benevolente entre os homens —- que não permite o conceito de justiça. Se você se pergunta quais são as razões por trás da feia mistura de cinismo e culpa na qual a maioria dos homens desperdiça suas vidas, estas são as razões: cinismo, porque eles não praticamnem aceitam a moralidade altruísta — culpa, porque eles não se atrevem a rejeitá-la. Para rebelar-se contra um mal tão devastador, é preciso rebelar-se contra sua premissa básica, Para redimir ambos, o homem e a moralidade, é o conceito de “egoísmo” que se tem de redimir. O primeiro passo é defender o direito do homem a uma existência moral racional — que é: reconhecer sua necessidade de um código moral para guiar o rumo e a realização de sua própria vida, Para um breve esboço da natureza e da validade de uma moralidade racional, veja minha palestra sobre A ética Objetivista, que segue. As razões pelas quais o homem precisa de um código moral dirão a você que o propósito da moralidade é definir os interesses e valores adequados ao homem, que a preocupação por seus próprios interesses é a essência de uma existência moral, e que o homem deve ser o beneficiário de seus próprios atos morais. Dado que todos os valores têm de ser ganhos e/ou mantidos pelas ações do homem, qualquer brecha entre o ator e o beneficiário implica uma injustiça: o sacrifício de alguns homens em favor de outros, dos que agem em favor dos que não agem, dos que têm moral em favor dos imorais. Nada poderia jamais justificar tal brecha, e ninguém nunca o fez, A escolha do beneficiário dos valores morais é meramente uma questão preliminar e introdutória no campo da moralidade. Não é um substituto para a moralidade, nem um critério de valor moral, como é apresentado pelo altruísmo. Nem é tampouco um fundamento moral: ela tem de ser derivada de e validada pelas premissas fundamentais de um sistema moral. A ética Objetivista sustenta que o ator deve ser sempre o beneficiário de sua ação, e que o homem deve agir para seu próprio auto-interesse racional. Mas seu direito de fazer tal coisa é derivado de sua natureza como homem e da função dos valores morais na vida humana — e, por conseguinte, é aplicável somente no contexto de um código de princípios morais racional, objetivamente demonstrado e validado, que defina e determine seu real auto-interesse, Não é uma licença “para fazer o que lhe agrada”, e não é aplicável à imagem altruísta de um brutamontes “egoísta”, nem a qualquer homem motivado por emoções, sentimentos, impulsos, desejos ou caprichos irracionais.

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