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Abigail Reynolds – Os Darcys de Derbyshire

— Absolutamente não, Lizzy! — o Sr. Gardiner cruzou os braços sobre o peito, tão inflexível quanto a escarpa de arenito que se erguia atrás dele. — Pois muito bem — disse Elizabeth —, eu ainda acho que seria completamente seguro. Veja aquele cavalheiro no pico mais elevado, parece perfeitamente à vontade, e jamais teria escalado até lá com roupas tão elegantes se fosse difícil. Enquanto olhava, à distância, o alto cavalheiro estendeu o braço no vazio à sua frente. Estaria soltando algo? Estava tão longe que era impossível distinguir qualquer coisa em sua mão esquerda. Manteve o braço elevado por mais um minuto e então o abaixou lentamente. Permaneceu ali por mais alguns instantes e, em seguida, desapareceu atrás das rochas. A Sra. Gardiner abriu a toalha para o piquenique. — Sei que gostaria de subir, Lizzy, mas nós simplesmente não podemos deixar que suba sozinha. Eu não tenho forças para tal esforço e seria injusto pedir ao seu tio, sabendo que ele não gosta de altura. É privilégio suficiente ver as paisagens exuberantes criadas pela natureza nessas rochas e nós devemos apreciar a vista do vale enquanto comemos. Seria extremamente indelicado criticar a decisão de seus tios. Afinal de contas, haviam sido generosos o suficiente convidando-a para a viagem à Derbyshire. Era seu dever ficar satisfeita com o que oferecessem, ou pelo menos, agir como se estivesse contente — então, ajudou a tia a servir as carnes frias e os doces que haviam levado. Se olhasse vez ou outra para o cume das rochas, comdesejo, conseguiria não falar mais sobre o assunto, restringindo seus comentários à impressionante vista do vale. Uma charrete com uma família com duas crianças, talvez de oito e dez anos, passou por eles ruidosamente no caminho rochoso para as torres de pedra. Se aquelas crianças e sua mãe conseguiamsubir, Elizabeth certamente também conseguiria! Ela precisou morder a língua para não pedir permissão para ir com eles. Embora a vista do topo fosse, sem dúvida, extraordinária, não era o que a atraia. Nada se comparava com a sensação revigorante de estar no alto, a sensação de liberdade selvagem ao ver o chão tão abaixo e distante dela. Havia sido uma alpinista inveterada de árvores até ficar velha demais para se comportar como uma moleca. Tudo o que lhe era permitido agora era caminhar pelo topo de modestas colinas próximas à Meryton. Esta era uma oportunidade rara e ela quase conseguia sentir o gosto do seu desejo de escalar até o topo. Quando terminavam a refeição, o barulho de cascalho caindo fez Elizabeth olhar na direção da estrada mais uma vez.


O alto cavalheiro, agora vestindo um chapéu, chegava ao último trecho íngreme. Sua forma lhe era familiar, o que ela atribuiu ao fato de tê-lo observado no topo da montanha. Voltando os olhos para o piquenique, imaginou o que ele teria soltado do topo. A Sra. Gardiner franziu as sobrancelhas e comentou: — Aquele cavalheiro a está observando de maneira estranha, Lizzy. É alguém que conhece? — Acredito que não — disse Elizabeth, mas olhou na direção dele mais uma vez. Seu coração saiu pela boca quando reconheceu o Sr. Darcy. Ele deu um sobressalto e pareceu paralisado de surpresa. No primeiro momento, Elizabeth não conseguiu acreditar que era ele. Darcy lhe assombrava os pensamentos desde que chegaram a Lambton e ainda mais depois da sugestão de sua tia para visitarem Pemberley. Pareceu bom demais para ser verdade quando a governanta lhes assegurara de que a família Darcy estaria fora durante todo o verão. E aparentemente, era bom demais para ser verdade, vendo-o parado a sua frente. Mas por que estaria ali, um local frequentado por viajantes e famílias durante as férias? Se não estava em Pemberley há dois dias, o que o teria trazido para ver uma paisagem, com a qual certamente estava familiarizado, tão logo após sua chegada? E se ela estava chocada ao vê-lo, o que ele deveria pensar de sua presença ali? Exceto por aquele breve encontro, no qual ele lhe entregara a carta e disse apenas uma frase, a última vez que se haviam se encontrado fora na terrível noite em que ela o recusara e o acusara erroneamente. Que tola havia sido por acreditar nas mentiras de Wickham! Seu rosto ficou vermelho e as bochechas do Sr. Darcy também exibiram rubor excessivo. Sentindo-se tão inquieta quanto uma menina de doze anos pega na mentira, Elizabeth levantou-se e fez uma reverência. Era humilhante encontrar com ele em um lugar como aquele! Ele devia desprezar a simples existência dela. O Sr. Darcy, recuperando-se, caminhou em direção à Elizabeth. — Srta. Bennet, que surpresa agradável — ele disse, com toda amabilidade, se não comabsoluta calma. — Espero que sua família esteja bem. — Estavam todos bem a última vez que os vi, obrigada. — Elizabeth mal ousava levantar os olhos para seu rosto.

— Você esteve viajando? Está em Derbyshire há muito tempo? — sua voz não tinha a tranquilidade habitual. — Apenas há alguns dias. — Estava perplexa com sua civilidade, mas sentia que cada frase que ele pronunciava aumentava sua confusão. Ele olhou ao redor, fingindo distração, e seu olhar parou no Sr. e na Sra. Gardiner. — A Srta. me daria a honra de me apresentar aos seus amigos? Esse foi um golpe de cortesia para o qual ela não estava preparada; e apesar de seu desconforto, mal pode deixar de sorrir ao vê-lo, agora, buscando conhecer as mesmas pessoas contra as quais seu orgulho havia se revoltado. Ficaria surpreso quando soubesse quem eram eles, uma vez que parecia tê-los julgado como pessoas importantes. A apresentação, no entanto, foi feita imediatamente; e, ao mencionar o parentesco que os unia, olhou de soslaio para o Sr. Darcy, esperando ver como reagia; não sem esperar que fugisse o mais depressa possível de tão infame companhia. Era evidente que o parentesco o surpreendeu; no entanto, resistiu com bravura e, longe de se afastar, começou a conversar com o Sr. Gardiner. Elizabeth não pode deixar de se sentir lisonjeada e triunfante. Era reconfortante saber que ela não precisava se envergonhar de todos os seus parentes. Ouviu com muita atenção tudo que se passava entre eles e se alegrou a cada vez que uma expressão ou uma frase do tio revelava sua inteligência, seu bom gosto e suas boas maneiras. Enrubesceu várias vezes ao repassar mentalmente a inadequação daquele encontro. O comportamento do Sr. Darcy estava notavelmente alterado. O que poderia significar? Era espantoso que ele tivesse dirigido a palavra a ela! Mas falar com tanta amabilidade e perguntar por sua família! Elizabeth jamais havia visto suas maneiras tão pouco cerimoniosas, ele nunca lhe falara com tanta doçura quanto durante aquele encontro inesperado. Que contraste com o último encontro em Rosings Park, quando lhe entregara a carta! Ela não sabia o que pensar, nem como explicar aquilo. — Estamos adorando os prazeres cênicos de Derbyshire — disse o Sr. Gardiner, apontando para a vista do vale. — Não temos nada parecido em Londres. — De fato, não — disse o Sr.

Darcy. — O Sr. planeja subir até o topo após a refeição? O Sr. e a Sra. Gardiner trocaram olhares. — Isso é tudo o que pretendemos conhecer — disse a Sra. Gardiner. — Nem meu marido, nem eu, gostamos de subir muito alto. — E a Srta. Bennet? Elizabeth apertou as mãos tão fortes que seus dedos doeram. — Ficarei com meus tios — ela disse com cautela. — Naturalmente, eles não querem que eu suba sozinha. Com um olhar misterioso, Darcy disse: — É uma subida relativamente fácil, até para uma dama, e a vista é espetacular. Minha mãe subia com frequência. Era um de seus lugares favoritos. Um dos lugares favoritos de sua mãe era no topo de uma montanha rochosa no meio do nada? Elizabeth nunca havia parado para considerar como seria a mãe de Darcy, mas esperaria que fosse uma dama elegante e não uma alpinista de rochas. — Eu agradeço a confirmação, Sr. Darcy — disse o Sr. Gardiner em tom amigável. — Ainda assim, é bastante alto, não? Eu não gostaria de colocar nossa Lizzy sob nenhum risco. O Sr. gostaria de se juntar a nós para uma taça de vinho antes de partir? Darcy hesitou e então disse: — Obrigado. Seria bastante refrescante. Sentou-se na toalha, escolhendo um lugar entre Elizabeth e a Sra. Gardiner, e aceitou a taça que o Sr.

Gardiner lhe oferecia. Elizabeth não conseguia entender a situação. Era surpresa suficiente que ele estivesse tentando ser tão civilizado, mas que tivesse aceitado um convite tão informal, que o obrigaria a permanecer em sua companhia, era chocante. Ela não pode deixar de notar sua proximidade, já que estava a centímetros de distância. — Vem aqui com frequência, Sr. Darcy? — perguntou o Sr. Gardiner. — Tanto quanto consigo. Tento visitar todos os verões. — Deve gostar muito da vista, então. O Sr. Darcy hesitou e lançou um olhar para Elizabeth. — Esse lugar tem um significado especial para a minha família. Meus pais adoravam vir aqui; e depois da morte de minha mãe, meu pai vinha honrar sua memória. Tornou-se uma tradição vir até aqui todos os anos no aniversário de sua morte. Desde que meu pai faleceu, continuo a tradição sozinho. Lembro de quando ela me trazia aqui, ainda quando criança, e me mostrava como os lugares conhecidos ficavam diferentes quando vistos de longe. Em dias limpos, é possível ver minha residência, Pemberley, à distância. — É mesmo? — perguntou o Sr. Gardiner. — Devem ser quase dez milhas! Nós passamos por lá ontem e quase paramos para uma visita ao parque. — Vocês estiveram em Pemberley? — perguntou o Sr. Darcy. Envergonhada, Elizabeth logo disse: — Minha tia queria rever os jardins. Ela se lembra deles com carinho, da época em que morava na região.

Infelizmente, estava muito cansada depois da viagem para caminhar até lá. — Oh, como era constrangedor! O que ele pensaria dela, que ela sequer consideraria visitar a propriedade do homem que havia recusado com tanta indelicadeza? A notícia não pareceu perturbá-lo, já que se virou para a Sra. Gardiner e perguntou: — A Sra. é de Derbyshire? — Sim, cresci em Lambton, onde estamos hospedados. Visitei os jardins de Pemberley diversas vezes durante minha juventude. Ainda me lembro que a cada vez, o caminho parecia nos levar para uma vista mais bonita que a anterior. — Obrigado. O paisagismo atual é obra dos meus pais. — Darcy virou-se para Elizabeth com hesitação. — Se tiverem tempo durante a viagem, ficaria feliz em recebê-los em Pemberley. — Não queremos incomodar — apressou-se Elizabeth. — Antes de sairmos de Bakewell ontem pela manhã, disseram-nos que o Sr. não era esperado imediatamente, caso contrário, jamais teríamos sequer considerado parar. E por que já havia retornado? Teria sido apenas para prestar a homenagem à sua mãe? — Esse era o meu plano, mas tinha negócios a tratar com o meu intendente, por isso adiantei-me ao restante do meu grupo. Cheguei ontem no final do dia, mas asseguro-lhe de que a sua visita seria um prazer, não uma imposição. A Sra. Gardiner, que estava sentada em frente à Elizabeth, lançou lhe um olhar expressivo de surpresa diante de tamanha civilidade. Elizabeth nada disse, mas ficou extremamente satisfeita; aquele ato de galanteria provavelmente destinava-se a ela. Sua perplexidade, entretanto, era extrema; e não conseguia parar de imaginar por que ele estaria tão alterado. Qual seria o motivo? Não poderia ser ela a causa de suas maneiras estarem mais educadas! Suas críticas em Hunsford não poderiam ter causado uma mudança tão acentuada, a não ser que… Não era possível que ele ainda estivesse apaixonado por ela. Os Gardiners contaram um pouco sobre a visita a Derbyshire, até que o Sr. Darcy disse: — Não quero me interpor, mas se a Srta. Bennet ainda quiser subir a montanha, ficaria feliz em acompanhá-la e garantir sua segurança. Não é uma caminhada longa, não mais do que meia hora cada sentido. A surpresa de Elizabeth só foi superada pelo seu desejo de aceitar a oferta.

Poderia ser desconfortável ficar a sós com o Sr. Darcy depois de tudo o que havia acontecido entre eles, mas ela estava disposta a sofrer muito mais pela oportunidade de subir aquela montanha. Olhou suplicante para o tio. — Bem, — disse o Sr. Gardiner lentamente —, acredito que não haja mal algum, uma vez que o Sr. conhece tão bem o lugar; e você e Lizzy já se conhecem há algum tempo. A pobre Lizzy está se esforçando tanto para não demonstrar seu desapontamento por não deixarmos que suba sozinha. — Oh, obrigada! — ela exclamou, sem saber se dirigia-se ao tio, ao Sr. Darcy, ou a ambos; não pode disfarçar seu contentamento com a oportunidade. — Eu adoraria. É extremamente gentil de sua parte, Sr. Darcy, me acompanhar quando acabou de descer do topo. — É uma vista que não deve ser perdida — ele disse com expressão séria. — Minha mãe teria insistido sobre esse ponto. — Levantou-se e ofereceu a mão à Elizabeth. Aceitando sua ajuda, mais por educação do que necessidade, ela se levantou. — Então sou grata à sua mãe também. Confesso que estava levemente desapontada por não ter a oportunidade. A boca dele se abriu em um leve sorriso. — Foi o que pude perceber pelos constantes olhares que a Srta. lançava naquela direção. Me pareceu incomum que alguém que goste tanto de caminhar não quisesse explorar mais além. O significativo olhar entre seus tios não passou desapercebido para Elizabeth, mas ela se limitou a assegurar-lhes que voltaria logo. Esperava que o Sr. Darcy não tivesse percebido.

Seria vergonhoso que ele pensasse que sua família tinha expectativas sobre eles. Seu coração acelerou enquanto adentravam a trilha, que era estreita a ponto de ele precisar andar à sua frente. Era um alívio, de certo modo, já que ela mal sabia o que dizer. O fato de ele ter sido gentil para com ela após a recusa insultuosa do pedido de casamento demonstrou uma natureza mais tolerante do que ela acreditava que ele possuísse. Suas observações sobre sua mãe também a haviam surpreendido. Ela sabia, claro, que ele tinha uma mãe. Afinal de contas, todo mundo tinha, mas nunca havia pensado na mãe de Darcy como uma pessoa real, alguém por quem ele tivesse afeto. Caso o tivesse feito, teria imaginado uma perfeita dama cujas realizações fossem atividades como bordado e pintura, não alguém que gostava do ar livre e de escalar altas escarpas. Talvez isso explicasse porque seu filho nunca se incomodou com as longas caminhadas de Elizabeth. Depois de uma subida íngreme, mas rápida, o caminho tornou-se mais amplo e quase plano. O Sr. Darcy esperou até que ela o alcançasse e então caminharam lado a lado. — Espero que não esteja caminhando rápido demais para a Srta. — De maneira alguma. A subida é revigorante. O Sr. tem sorte de viver em uma região com tais colinas e vistas em abundância. As de Hertfordshire, infelizmente, são apenas pálidas imitações. — Hertfordshire tem outras riquezas, terra fértil e jardins adoráveis, para citar algumas. O solo rochoso daqui é menos indulgente para com aqueles que precisam dele para sobreviver. — Ele apontou na direção de uma fenda nas rochas, através da qual era possível ter uma ampla vista do vale. — Se olhar por aqui, poderá ver o rio Wye. Ele encontra o rio Derwent ao sul. Elizabeth parou para examinar a vista. Demorou um momento para encontrar a sinuosa trilha do rio, mais visível pelas árvores às margens do que pela água em si.

— O Sr. deve conhecer bem este lugar, já que o visita com tanta frequência. — Sim, meus pais me traziam aqui quando ainda era bem pequeno. Costumávamos fazer piquenique próximo ao local onde seus tios estão, mas subíamos a montanha antes. Meu pai brincava com a minha mãe, dizendo que ela ficaria aqui em cima para sempre se a fome não a obrigasse a voltar. — Ele devia gostar muito dela a ponto de criar a tradição de vir até aqui em sua memória. — Ele gostava. — Darcy deixou o olhar se perder na distância, depois voltou a caminhar ao lado dela. — O laço entre eles era… excepcional. Era um assunto potencialmente perigoso, dada sua história com o Sr. Darcy, mas Elizabeth se viu inexplicavelmente curiosa sobre seus pais. Talvez fosse o carinho com o qual falava sobre eles. — Como se conheceram? Foi um casamento arranjado? — Não foi nada combinado; muito pelo contrário, interferiu em outros casamentos previamente arranjados. Eles se conheceram ainda quando crianças, quando a família do meu pai visitou a família da minha mãe. Minha mãe anunciou a decisão de casar-se com o meu pai já aos quatro anos de idade e insistiu no assunto por mais alguns anos depois disso, apesar de nunca mais tê-lo visto até muitos anos depois. Elizabeth riu. — Ele deve ter causado uma forte impressão sobre ela! — Pode-se dizer que sim. Depende de quem estava contando a história, ele a salvou de umafogamento, uma surra ou os dois, embora eu nunca tenha entendido como ela pode ter apanhado se já havia se afogado. Parece que ela levou mesmo uma surra, mas apenas anos mais tarde, quando seu pai lhe disse que estava cansado de ouvir as besteiras sobre ela se casar com James Darcy; seria ele quem decidiria com quem ela se casaria e James Darcy não estava nem na lista de possíveis candidatos. Aparentemente, ela não era facilmente convencida, nem mesmo aos tenros dez anos de idade. — Uma jovem com força de vontade! O que o seu pai achava disso? — Ele não sabia nada sobre o que estava acontecendo. Para ele, ela era apenas a garotinha que ele tirou do lago e salvou de uma surra ao assumir a culpa de toda a história, ainda que não estivesse nem perto quando ela decidiu brincar de ser peixe. — Que cavalheiresco dele! — Ele diz que sentiu pena dela, porque ela era muito medrosa, e uma surra a mais, uma surra a menos, não faria diferença para ele. Estava acostumado a apanhar, tendo ele próprio um gênio forte; como ela descobriu mais tarde. — Depois de se casarem, certamente.

Darcy riu e, de repente, pareceu anos mais novo. — Não, foi muito antes. No dia seguinte ao reencontro dos dois, já adultos, quando ela lhe disse todas as razões pelas quais não poderia se casar com ele e ele simplesmente continuou planejando o casamento. Elizabeth arregalou os olhos. — Ele não aceitou sua recusa? — ela disse com certa indignação. Com um olhar de soslaio, Darcy disse: — Bom, não era tanto uma questão de ela não querer, mas de as circunstâncias não permitirem. — Mas se ela recusou, ele deveria tê-la escutado! — Elizabeth percebeu tarde demais que recusas de pedidos de casamento era o último assunto sobre o qual deveria estar discutindo com ele. Darcy permaneceu em silêncio por um momento e então disse: — Diga-me, quando os seus tios lhe apresentaram as razões pelas quais você não poderia subir até aqui, você deixou de querer subir? — Claro que não, mas eu não disse a eles que o faria mesmo assim, a despeito do que me falaram. — Ainda assim, imagino que a Srta. tenha pensado em maneiras de contornar seus impedimentos. — Sim, mas não insisti para conseguir o meu desejo! Ele pausou, seus lábios apertados, e balançou a cabeça. — Eu não estou me explicando corretamente. Talvez seja melhor começar de novo. Parte II Londres, 1781 — Darcy! Pode me dar um minuto? — o Tenente Francis Fitzwilliam gritou para o jovem de uniforme azul da Guarda Montada. James Darcy retirou o capacete com um suspiro de alívio. Não importava o quão bonito fosse, o capacete era pesado demais para ser confortável. — Não, prefiro continuar marchando por duas horas do que falar com você. Claro que tenho tempo! — Ótimo. Tenho um favor para pedir. — Ah, não, — James balançou o dedo para o seu amigo —, a última vez que aceitei fazer um favor para você, terminei na unidade de punição por duas semanas, enquanto você se encontrava comaquela garota! — Sim, e eu me desculpei por isso pelo menos cem vezes. Mas dessa vez não tem nada a ver com isso. Você poderá conhecer uma garota e nenhuma regra será quebrada. — Não consigo ver como isso se classifica em um favor para você — James disse com cautela. O Tenente Fitzwilliam riu. — É muito simples.

Quero que vá ao baile do Lorde Montalban e dance com a minha irmã. James lhe lançou um olhar de suspeita. — O que há de errado com a sua irmã para que você tenha que pedir aos seus amigos que dancem com ela? — Não há nada de errado com ela! Bom… — ele se aproximou de James e disse em tom de segredo —, ela é alta. Quase da minha altura. Mais alta que metade dos homens em qualquer baile, então eles não a tiram para dançar. E como ela raramente é convidada para dançar, os outros homens acham que ela é encalhada. Sua temporada não está indo tão bem e já que é importante que ela fique bem posicionada na sociedade este ano, minha tia-avó, que a está patrocinando, me pediu para encontrar alguns amigos altos para dançar com ela. — Tem certeza de que esta é a única razão? Ela não tem bafo ou lábio leporino e não vai pisar nos meus pés durante a dança? — Claro que não. Ela é perfeitamente agradável à parte de sua altura. Você já a viu antes. É aquela menina que você tirou do lago, então sabe que não ela não tem lábio leporino. — Ela não me pareceu excepcionalmente alta aquele dia — disse Darcy em tom de dúvida. — É claro que ela não era alta naquela época! Era apenas uma criança. Veja por esse lado: não seria agradável dançar com uma mulher de altura compatível? Você conseguirá ver seu rosto, não apenas o topo de sua cabeça. — Muito bem. Eu vou, se você me conseguir um convite, e dançarei com a sua irmã. — Darcy lembrava-se vagamente da menininha, e tentou imaginá-la como uma jovem. Ela provavelmente crescera bastante simples, mas ele dançaria com ela pelo bem de seu amigo. *** O baile do Lorde e da Lady Montalban foi um dos eventos mais aguardados da temporada. Apenas o custo das flores e velas poderia alimentar metade dos mendigos de Londres, mas não havia como negar que era um espetáculo impressionante. James Darcy circulou sem sucesso o salão de baile a procura de Francis Fitzwilliam, certificando-se de olhar com atenção para os goivos amarelos enquanto caminhava. Haviam duas possíveis irmãs de Francis — ambas altas, uma com o rosto mais interessante do que belo e outra que aparentava estar doente e preferia estar em outro lugar. James esperava que a de rosto interessante se revelasse como irmã de Francis, mas até ele aparecer e fazer as apresentações, James podia dançar apenas com damas que conhecera em outras ocasiões. Mulheres casadas geralmente eram as melhores possibilidades para danças agradáveis. Sempre ficavam contentes por serem convidadas, mesmo por segundos filhos sem perspectivas, e ele poderia se divertir flertando com elas sem medo de que o levassem muito a sério.

Afinal de contas, dançar deveria ser divertido. A Sra. Alston ficou feliz em aceitar seu convite para dançar. Enquanto caminhavam em direção ao final da linha de dançarinos, ele notou diversas debutantes em vestidos brancos, algumas fingindo experiência que claramente não possuíam e outras que não aparentavam terem idade suficiente para estarem fora da sala de aula. Uma das meninas prendeu seu olhar ao passar, não tanto por sua beleza, mas pela vivacidade em sua expressão e pela energia que levava em sua dança. Seu rosto jamais seria o orgulho da cidade, mas diferente de muitas outras, ela parecia estar se divertindo. Ele se pegou olhando para ela quando ela própria caminhou para o final da fila com o parceiro. Sua risada musical flutuou por ele quando ela bateu os pés no ritmo da música quando chegou sua vez de esperar. O desagradável da situação era que James não poderia convidá-la para dançar até que fossemapresentados e seria difícil pedir para ser apresentado até descobrir seu nome. A Sra. Alston não a conhecia, então James convidou a atraente filha do embaixador prussiano para a próxima bateria. A Srta. Hoemke era de idade mais aproximada da jovem dama desconhecida e, portanto, tinha mais chances de conhecê-la; no entanto, foi uma dança bastante animada que não ofereceu muitas oportunidades para conversa. Francis finalmente chegou na segunda metade da bateria. A próxima ação de James era clara; ele dançaria com a irmã do amigo. Se ela também não conhecesse a alegre jovem dama, ele procuraria Lady Montalban para solicitar uma apresentação. Então poderia descobrir se sua conversa era tão encantadora quanto o resto. Se fosse, ele talvez estivesse em sérios apuros. Francis estava esperando por ele quando a dança acabou. — Que bom que conseguiu vir, — ele falou. — Devo apresentá-lo à minha irmã? — Foi para isso que vim, — James disse alegremente, — embora agora tenha outra razão. Acredito que tenha me apaixonado. — Alguém que eu conheça? — Nem mesmo eu a conheço. Ela está ali perto da janela, com o Sr. Charles Granding e sua esposa.

Francis lançou lhe um olhar estranho. — A de cabelos escuros e detalhes dourados no vestido branco? — Sim, ela mesma. Encantadora, não é mesmo? Você a conhece? — Sim, — ele disse, arrastando as palavras como se não quisesse terminar a frase. — Pode-se dizer que eu a conheço. Aquela é Anne. James se virou em choque. — Sua irmã? Aquela é a pequena Annie que eu pesquei para fora do lago? — Aquela é Srta. Anne para você e eu o aconselho fortemente a não se apaixonar por ela. — Ele não precisava de uma razão; todos sabiam que a filha de um conde poderia achar alguém muito melhor do que um segundo filho falido de uma família sem título. —Venha, vou apresentá-lo e você pode acabar logo com esta dança. James sentiu um pesar em seu estômago. Era uma pena que seu coração e seu corpo pareciam pensar que a posição social da Srta. Anne era irrelevante para sua condição. Alguma coisa lá no fundo continuava insistindo que ela estava destinada a ser dele ou talvez, ele estivesse destinado a ser dela; não tinha certeza de qual ou se sequer era relevante. O que era relevante, porém, era que ele ficava mais e mais fascinado a cada passo que dava em sua direção. Ela cumprimentou o irmão com carinho, com um sorriso que acendeu seus olhos e seu rosto. — Você veio! Pensei que tivesse se esquecido. — Como poderia esquecer com todos os lembretes que me enviou? — Francis a provocou. —Mas tenho um amigo que pediu para ser apresentado a você. Posso apresentá-la, ou talvez deva dizer, reapresentá-la, o meu amigo e camarada de armas, Tenente Darcy? James fez uma reverência, mas ela não olhou em sua direção. Ao invés disso, lançou um olhar para o irmão, os lábios apertados. — Francis, não posso acreditar que tenha feito isso! Não tem vergonha?

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