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Academia de Rowan – Henry H. Neff

Max McDaniels encostou a testa na janela do trem e acompanhou algumas nuvens de tempestade a correr pelo céu amarelo. Com uma batida suave, a chuva começou a listrar o vidro, e o céu escureceu como uma escoriação. Enfumaçando a janela, Max piscou para o próprio reflexo aquoso no vidro. Este lhe piscou de volta: um menino de olhos escuros e cabelo preto, com as maçãs do rosto ossudas de sua mãe. A voz do pai retumbou a seu lado; Max virou-se no assento. – De qual você gosta mais? – perguntou o pai, com um sorriso entusiasmado. Segurava um par de anúncios lustrosos com os dedos grossos olhou as propagandas, a vista pousando na imagem de uma mulher elegante à pia de uma cozinha, com a cabeça voltada para trás, animada. – Não desse – disse ele. – É seboso demais. O rosto largo e sorridente do sr. McDaniels murchou. Grande como um urso, o pai de Max tinha olhos azul-claros e um queixo fundo que formava uma covinha. – Não é seboso – protestou, olhando de esguelha para o anúncio e alisando o topete de cabelo castanho, que ia ficando ralo. – O que ele tem de seboso? – Ninguém fica tão feliz lavando prato – disse Max, apontando a mulher radiante com os braços na espuma até os cotovelos. – E ninguém lava prato de vestido chique… – Essa é a questão – interrompeu o pai, sacudindo o panfleto. – Ambrosia é o primeiro supersabão para louça. Uma espuma celestial, tão macia que pode ser usada na banheira, mas forte o bastante para… Max enrubesceu. – Pai… O sr. McDaniels fez uma pausa longa o suficiente para ver os outros passageiros olhando-os, curiosos. Com um muxoxo, tornou a enfiar os anúncios na capa de chuva, enquanto o trem fazia uma parada temporária na periferia da cidade. – Não está tão ruim – disse Max, confortando-o. – Talvez diminuindo a quantidade de dentes do sorriso dela… O sr. McDaniels riu e deslizou seu traseiro amplo pelo assento para apertar o filho. Max recuou, enquanto mais gente subia no trem, sacudindo os guarda-chuvas e os cabelos molhados dos olhos. Um trovão sacudiu o vagão, e o trem tornou a se mover.


Os passageiros deram gritos e risadas quando a cabine ficou escura. Max apertou o braço do pai, e as luzes amarelas do trem piscaram, voltando lentamente à vida. A chuva caía com mais força agora que se aproximavam do centro de Chicago. Um horizonte de aço e tijolo despontava em nítido relevo contra a tempestade de verão. Max ainda ria quando viu o homem. Estava sentado do outro lado do corredor, na fileira atrás da deles, pálido e desgrenhado, com o cabelo preto curto ainda molhado da chuva. Parecia exausto, e as pálpebras tremiam. Cabisbaixo, dentro do casaco sujo, articulava palavras sem som, de encontro à janela. Max se virou um instante, querendo ver melhor. Prendeu a respiração. O homem olhava para ele. Imóvel, mirava Max com um par de olhos surpreendentemente descombinados. Enquanto um olho era verde, o outro luzia úmido e branco como um ovo cozido. Max tornou a olhá-lo, hipnotizado. Dava a impressão de uma coisa cega, morta – coisa de pesadelo. De algum modo, porém, Max sabia que aquele olho não era cego nem estava morto. Sabia que estava sendo estudado por ele – avaliado da mesma maneira como sua mãe costumava examinar uma taça de vinho ou uma fotografia antiga. Captando o olhar de Max, o homem soltou a cabeça do vidro e vagarosamente a virou na direção do corredor. O trem entrou num túnel, e o vagão ficou escuro. Umcalafrio de medo tomou Max. Ele enterrou o rosto no casaco quente do pai. O sr. McDaniels se queixou, deixando cair no chão vários folhetos de produtos. O trem desacelerou numa parada e Max ouviu a voz do pai. – Está dormindo em cima de mim, Max? Junte as suas coisas.

Chegamos, garoto. Max ergueu os olhos e viu que o vagão estava iluminado e os passageiros dirigiam-se a passos curtos até as portas. Seus olhos dardejaram de cara em cara. Não se via o homem estranho em lugar algum. Enrubescido, Max apanhou seu guarda-chuva e o caderno de desenho e correu atrás do pai. Na estação, uma multidão fervilhava indo e vindo das plataformas. Vozes saíam de altofalantes; consumidores de fim de semana zanzavam por ali com sacolas e filas de crianças. O sr. McDaniels conduziu Max escada rolante abaixo, rumo à saída. A chuva tinha parado, mas o céu continuava ameaçador, e jornais passavam em redemoinho pela rua em surtos repentinos de voo. Chegando a uma fileira de táxis amarelos, o sr. McDaniels abriu a porta de um e se pôs de lado para Max poder entrar e deslizar pelo longo assento de vinil. – Instituto de Arte, por favor – disse o pai. Max esticou o pescoço, no esforço de avistar o topo dos arranha-céus enquanto o táxi se dirigia para leste, rumo ao lago. -Pai – falou Max -, você viu aquele homem no trem? – Que homem? – Ele estava sentado do outro lado do corredor, na fileira atrás de nós – respondeu Max, estremecendo. – Não, acho que não – disse o pai, tirando uns fiapos da capa de chuva. – O que tinha ele? -Eu não sei. Ele dava medo e ficou olhando para mim. Parecia que ia dizer alguma coisa ou chegar perto antes de entrarmos no túnel. – Bem, se ele ficou olhando para você, provavelmente foi porque você estava olhando para ele – disse o sr. McDaniels. – Você vai ver tipos diferentes de pessoas na cidade, Max. – Eu sei, pai, mas… – Não se pode julgar um livro por sua capa, você sabe. – Eu sei, pai, mas… – Aquele cara do meu escritório, por exemplo. Um garoto novo, ainda cheirando a leite… Pois no meu primeiro dia de trabalho vejo esse garoto na máquina de café com o olho pintado, um harpão enfiado no nariz e música aos berros saindo pelos fones de ouvido… Max olhava para fora da janela do táxi enquanto o pai tornava a contar uma história familiar.

Finalmente, Max entreviu o que procurava: dois altos leões de bronze, orgulhosos, ladeando a entrada do museu. – Pai, o Instituto de Arte. – Isso mesmo. Ah, antes que eu me esqueça – disse o sr. McDaniels, virando-se para Max com um sorriso triste no rosto largo -, obrigado por ter vindo comigo hoje, Max. Fico satisfeito. A sua mãe, também. Max concordou solenemente e deu um forte aperto na mão do pai. Os McDaniels sempre celebravam o aniversário de Bryn McDaniels com uma visita ao museu favorito dela. Apesar do desaparecimento de sua mãe, há mais de dois anos, Max e o pai mantinham a tradição. Dentro do instituto, perguntaram a uma jovem de crachá onde poderiam encontrar alguns dos artistas favoritos de Bryn McDaniels. Max ouviu o pai disparar nomes, num pedaço de papel: Picasso, Matisse e Van Gogh saíram com facilidade, mas ele fez uma pausa quando chegou ao último. – Gal.gin? – perguntou, contorcendo a cara e interrogando o papel. – Gauguin. É um artista maravilhoso. Acho que vão apreciar, trabalho dele – disse a mulher, abrindo um sorriso e os encaminhando a uma grande escadaria de mármore que levava ao segundo andar. – A sua mãe com certeza conhece todos os nomes. Eu não tenho cabeça para isso, não importa quantas vezes eu venha aqui… O sr. McDaniels riu e bateu com o mapa do instituto no ombro de Max. As galerias do andar de cima eram cheias de cor: grandes rolos de tinta em grossas camadas sobre telas e cartão. O sr. McDaniels apontou para uma grande pintura de pedestres numa rua chuvosa de Paris. – Aquele se parece um pouco com hoje, hein? – A chuva, sim, mas para parecer ele você teria que acrescentar um bigode e um chapéu – brincou Max, indicando com os olhos uma figura na frente. – Eu, hein… Eu costumava usar bigode.

A sua mãe me obrigou a raspá-lo quando começamos a namorar. Algumas imagens dominavam paredes inteiras, enquanto outras se aninhavam em pequenas molduras douradas. Eles passaram cerca de uma hora indo de uma pintura a outra, com o cuidado de passar mais tempo diante das favoritas da sra. McDaniels. Max gostou em particular de um Picasso em que um velho curtido segurava uma guitarra. Estudava a pintura quando ouviu o pai exclamar, atrás: – Bob? Bob Lukens! Como você vai? Max se virou e deparou com o pai bombeando o braço de um homem magro de meia-idade num suéter preto. Uma mulher o acompanhava, e os dois sorriam hesitantes enquanto o sr. McDaniels os cercava. – Oi, Scott. Que bom vê-lo – disse o homem, com educação. – Querida, este é Scott McDaniels. Ele trabalha na conta da Irmãos Bedford. – Ah, que surpresa. É um prazer conhecê-lo, Scott. – Eles mudam a sua opinião a respeito de sopa! – trovejou o sr. McDaniels, disparando um dedo na direção do teto. A sra. Lukens deu um pulo e deixou cair a bolsa. – Imagine um dia de inverno – continuou o sr. McDaniels, abaixando-se para recuperar suas coisas, enquanto ela recuava um passo, postando-se atrás do marido. – Seu nariz está escorrendo, o vento sopra, e tudo o que você tem na despensa para lhe aquecer o estômago é aquela velha sopa enlatada, sem gosto. Pois bem, sopa nenhuma é sem gosto na Irmãos Bedford! Tarecos crocantes para comer com sopa! O formato redondo e ―crocânciaǁ inigualável fazem a sopa sair dançando jazz, e as suas papilas gustativas agradecem! O sr. McDaniels levou a mão à testa e bateu continência. ‘lis teve vontade de voltar para casa. O sr.

Lukens sorriu. – Cheguei a dizer que o Scott é um fanático, querida? A sra. Lukens aventurou um sorriso enquanto o sr. McDaniels lhe apertava a mão. Este, depois, voltou-se para Max. – Max, eu gostaria de lhe apresentar o sr. e a sra. Lukens. O sr. Lukens é o diretor da minha agência. O chefão. O Max e eu estamos aqui para tomar uma injeção de cultura, não é? Max sorriu com nervosismo e estendeu a mão para o sr. Lukens, que a apertou calorosamente. – Prazer em conhecê-lo, Max. E bom ver um jovem deixar de lado os jogos eletrônicos e a MTV! Viu alguma coisa que tenha gostado? – Gosto deste Picasso – respondeu Max. – Eu também sempre gostei dele. Você tem bom olho… O sr. Lukens lhe deu um tapinha no ombro e voltou a se virar para o sr. McDaniels. – Eu ia pedir ao seu filho que comparasse o Picasso com um dos meus quadros favoritos, mas ele desapareceu, infelizmente. – Como assim? – perguntou o sr. McDaniels. – Era uma das três pinturas roubadas daqui na semana passada – disse o sr. Lukens, franzindo as sobrancelhas. – Os jornais dizem que mais duas foram roubadas do Prado esta noite.

– Oh! – exclamou o sr. McDaniels. – Que terrível! – É terrível mesmo – disse o sr. Lukens, em tom conclusivo, novamente olhando para Max. – Traga o Max ao escritório qualquer dia desses, Scott. Eu tenho uma cópia impressa da minha favorita que sumiu. Vamos ver se Rembrandt é capaz de falar mais alto que Picasso! – Vamos sim, vamos sim – disse o sr. McDaniels, rindo e ajoelhando-se, para ficar da altura de Max. – Ei, companheiro – disse ele, com uma piscadela. – O papai tem que falar um pouco de negócios, e não quero fazê-lo chorar de tédio. Que tal ir fazer uns esboços daquelas armaduras de lata que você e a sua mãe costumavam desenhar? Encontro você lá embaixo, na livraria, daqui a meia hora. Tudo bem? Max fez que sim e se despediu dos Lukens, que de imediato encolheram diante do vulto de Scott McDaniels, a gesticular de forma selvagem. Agarrado ao caderno de desenho e ao lápis, Max desceu o saguão, silenciosamente agitado pelo fato de o pai nunca deixar passar uma oportunidade de falar de negócios, nem mesmo no dia especial de sua mãe. A galeria das armaduras estava mais escura que as outras. Os artefatos cintilavam suavemente atrás dos vidros limpos. Havia menos gente, e Max ficou feliz ao constatar que poderia fazer os desenhos em relativa paz e silêncio. Andava devagar seguindo uma corda de veludo, parando para examinar um arco aqui, um cálice ali. Nas paredes havia todo tipo de arma: clavas de ferro preto, machados com lâminas largas e longas espadas. Parou diante de um mostruário de cetros cerimoniais, quando avistou exatamente o objeto certo para esboçar. A armadura era enorme. Deixava as vizinhas de cada lado parecendo anãs. A prata brilhava no interior da larga vitrina. Max se deslocou para o outro lado, inclinando a cabeça a fim de obter uma visão melhor do capacete no alto. Vários minutos depois, tinha feito um esboço da figura na página. Enquanto Max lutava para desenhar a elaborada placa peitoral da armadura, uma movimentação no extremo do salão lhe chamou a atenção.

Max espiou através da vitrina e quase ficou sem respiração. O homem do trem estava ali. Agachando-se, Max observou o homem – era mais alto que o guarda – na entrada da galeria. Ele fazia gestos rápidos, de cortar, com a mão. Os movimentos aceleravam à medida que aumentava seu tom de voz. – Desta altura – cuspiu ele, com um sotaque do Leste Europeu. Mantinha a mão espalmada mais ou menos na altura de Max. – Um menino de cabelo preto de uns doze anos, com um caderno de desenho. O segurança dava as costas para a soleira da porta e olhava o homem de cima abaixo. Pôs-se a procurar seu rádio. O homem do trem, então, inclinou-se, aproximando-se do guarda, e lhe disse alguma coisa. Max não conseguiu ouvir. Na mesma hora, o segurança assentiu com a cabeça e dobrou o polegar gordo por sobre o ombro, na direção das armaduras, onde Max se escondia. Apavorado, Max esquadrinhou o ambiente e notou uma entrada escura bem à sua direita. Uma corda de veludo a atravessava, e havia uma placa informando: EM MANUTENÇÃO – FAVOR NÃO ENTRAR. Ignorando o aviso, Max se abaixou, passou pela corda e sumiu dobrando a esquina. Rígido, encostou-se à parede e esperou que seu esconderijo fosse descoberto. Nada aconteceu. Longos segundos se passaram até Max se dar conta de que deixara o caderno de desenho na outra galeria. Uma onda de pânico se abateu sobre ele; com certeza o homem o veria e adivinharia onde Max estava escondido. Passou-se um minuto, seguido de outro, e outro. Max ouviu os passos e a conversa casual das pessoas na galeria. Espiou do canto. O homem tinha ido embora – junto com o caderno de desenho de Max. Desanimado, Max imaginou seu nome e seu endereço meticulosamente escritos a lápis na parte de dentro da capa.

Levantou a cabeça e lançou um olhar desesperançado pela sala que o havia abrigado. Era surpreendentemente pequena para uma galeria. O ar estava abafado e havia na sala uma suave luz âmbar. O ú n i c o objeto ali dentro consistia em uma tapeçaria em far r a p o s pendurada na parede do outro lado. Max piscou. Estranhamente, a luz difusa se desprendia da tapeçaria. Ele se aproximou. A peça devia ser antiga. O sol e os séculos haviam solapado sua cor: tudo o que restava eram faixas manchadas e esmecidas de ocre. Mas, conforme se aproximava, Max notou sugestões tênues e correntes submersas de cor sob a superfície pesada, áspera. Seu estômago começou a arder como se tivesse engolido um punhado de abelhas. Os cabelinhos do braço ergueram-se um por um, e Max permaneceu imóvel, respirando com dificuldade. Um fio irrompeu em ouro brilhante. Max soltou um grito e deu um salto para trás. O fio brilhava como fogo, fino e delicado como seda de aranha. Vibrava feito corda de harpa, emitindo uma única nota musical que reverberava pela galeria até se apagar no silêncio. Max tornou a olhar para a entrada. Visitantes continuavam a andar por ali, mas pareciam muito distantes e indiferentes a pequena galeria, seu solitário ocupante e sua estranha tapeçaria. Mais fios tomaram vida, pinçados de seu sono num coro crescente de luz e música. Alguns surgiam individualmente, num repente de luz e som; outros emergiam juntos, harmoniosamente tecendo prata, verde e ouro. Pareceu a Max que, tendo tirado a poeira de um instrumento alienígena, este agora retomava uma estranha canção esquecida. A canção ficou mais rica. Quando o último fio cantou, tomando vida, Max teve um súbito ataque de dor. A dor era mais aguda que a de uma alfinetada e era causada por algo fundo dentro dele. Esse algo estivera com Max desde sempre.

Era uma presença oculta, imensa e selvagem, e Max tinha medo dela. Por toda a sua vida lutara com grande dificuldade para mantê-la emparedada lá dentro. O esforço lhe causava dores de cabeça, inclusive por períodos insuportáveis que duravam dias. Max entendeu que esses dias chegaram ao fim quando sentiu que a presença havia se libertado. Afinal desacorrentada, lentamente atravessou sua consciência, deslizando; depois, soou no fundo de seu ser, remexendo os sedimentos. A dor se acalmou. Max respirou fundo enquanto lágrimas corriam livres em riachos quentes, descendo por seu rosto. Ele escovou a superfície da tapeçaria com os dedos. A luz e as cores se deslocaram, formando padrões dourados entrelaçados que emolduraram três estranhas palavras a brilhar no alto: TÁIN BÓ CUAILNGE No centro, abaixo dessas palavras, havia uma imagem lindamente tecida de um touro no pasto, cercado por dúzias de guerreiros adormecidos. Uma hoste de homens armados se aproximava a partir da direita; um trio de pássaros negros girava no céu, acima. De um morro próximo, a silhueta de um homem alto segurando uma lança d o m i n a v a a cena. Os olhos de Max percorriam a imagem, mas sempre voltavam à figura escura no morro. Lentamente, a luz da tapeçaria ficou mais clara; suas imagens tremiam e dançavam atrás de ondas de calor. Com cacofonia crescente, a tapeçaria entrou em radiante erupção, de tão quente e vivida. Max teve medo de que ela fosse consumi-lo. – Max! Max McDaniels! A sala voltou a ficar escura; a tapeçaria, pendurada na parede – pesada, feia, imóvel. Max recuou, confuso e assustado, e atravessou a corda de veludo, voltando à galeria medieval. Ele viu a figura imensa do pai entre dois seguranças no extremo da galeria. Max gritou. Ao som da voz de Max, o sr. McDaniels correu para o filho. – Graças a Deus! Graças a Deus!

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