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After – Depois da Esperanca – Anna Todd

Não consigo evitar a ansiedade que toma conta de mim quando entro no campus. O campus da WCU de Seattle não é tão pequeno quanto Ken deu a impressão que seria, e todas as ruas em Seattle parecem fazer uma curva e subir e descer morros. Eu me preparei da melhor maneira possível para garantir que tudo corresse como o planejado hoje. Saí com duas horas de antecedência para ter certeza de que chegaria na hora para a primeira aula. Metade do tempo passei no trânsito, ouvindo um programa de rádio sobre relacionamentos. Eu nunca tinha entendido a graça desses programas até hoje cedo, quando uma mulher desesperada ligou e contou a história de sua melhor amiga, que a traiu com seu marido. E os dois fugiram juntos, levando o gato dela, Mazzy. Aos prantos, ela manteve um pouco da dignidade… Bem, na medida do possível para alguém que ligou para uma emissora de rádio para contar seus problemas. Eu me vi por dentro de sua história dramática e no fim tive a sensação de que até ela sabia que ficaria melhor semaquele cara. Quando passo pelo prédio da administração para pegar meu cartão de identificação e o passe do estacionamento, tenho só trinta minutos até a aula começar. Estou com os nervos à flor da pele e não consigo afastar a preocupação com a possibilidade de me atrasar para a primeira aula. Por sorte, encontro com facilidade o estacionamento dos alunos, que fica perto da minha sala, então chego comquinze minutos de antecedência. Quando me sento na primeira fileira, não consigo me livrar de uma leve sensação de solidão. Não encontrei Landon na cafeteria antes da aula, e ele não está do meu lado enquanto sento aqui, nesta sala, lembrando do meu primeiro semestre de faculdade. A classe se enche de alunos, e começo a me arrepender da minha decisão quando percebo que, a não ser por mim e por outra menina, a turma toda é formada por caras. Pensei em intercalar esse curso — que eu não queria fazer — com outros neste semestre, mas de modo geral, apenas me arrependo por ter escolhido ciência política. Um cara bonito de pele morena clara se senta em uma cadeira vazia ao meu lado, e eu tento não ficar olhando muito. Sua camisa branca de botões está limpa e perfeitamente passada, e ele usa uma gravata. Parece um político, com o sorriso branco e brilhante. Ele percebe que estou olhando e sorri. “Posso ajudar?”, ele pergunta, a voz cheia de autoridade e charme. Sim, com certeza ele vai ser um político um dia. “Não, de-desculpa”, gaguejo sem olhar em seus olhos. Quando a aula começa, eu evito olhar para ele e me concentro em fazer anotações, lendo a programação das aulas várias vezes e olhando para meu mapa do campus até a turma ser dispensada. A aula seguinte, história da arte, é muito melhor.


Eu me sinto mais à vontade cercada por um grupo de alunos mais descontraídos. Um garoto de cabelos azuis se senta ao meu lado e se apresenta como Michael. Quando o professor pede para nos apresentarmos, descubro que sou a única estudante de Letras na turma. Mas todo mundo é simpático, e Michael tem um ótimo senso de humor e faz piadas ao longo da aula, divertindo todo mundo, inclusive o professor. A aula de escrita criativa é a última, e com certeza a mais agradável. Eu me distraio com a tarefa de escrever meus pensamentos, o que é libertador, divertido, e eu adoro. Quando o professor nos dispensa, parece que só dez minutos se passaram. O resto da semana passa da mesma maneira. Oscilo entre pensar que estou me adaptando e achar que estou mais confusa do que nunca. Mas, principalmente, tenho a sensação de estar o tempo todo esperando por algo que nunca vem. Quando a sexta-feira chega, estou exausta e meu corpo todo está tenso. Essa semana foi desafiadora, no bom e no mau sentido. Sinto falta da familiaridade do campus antigo e de ter Landon por perto. Sinto falta de encontrar Hardin entre as aulas e sinto falta até de Zed e das flores brilhantes do prédio de estudos do meio ambiente. Zed. Não falo com ele desde que ele me resgatou de Steph e Dan na festa e me levou até a casa da minha mãe. Ele me salvou de ser totalmente violada e humilhada, e eu nem agradeci. Deixo de lado meu livro de ciências políticas e pego meu telefone. “Alô?” A voz de Zed parece tão estranha, apesar de tê-la ouvido há menos de uma semana. “Zed? Oi, é a Tessa.” Mordo o interior da minha bochecha e espero pela resposta dele. “Hã… oi.” Respiro fundo e sei que tenho que dizer por que liguei. “Olha, me desculpa por não ter ligado para agradecer antes. Foi tudo muito rápido esta semana, e acho que uma parte de mim estava tentando não pensar no que aconteceu.

E sei que isso não é uma desculpa… então, sou uma idiota e sinto muito e…” As palavras vêm depressa e mal consigo processar o que estou dizendo, mas ele me interrompe antes de eu terminar. “Tudo bem, eu sei que você estava passando por muita coisa.” “Eu deveria ter ligado para você mesmo assim, principalmente depois do que você fez por mim. Não sei nem dizer como me sinto grata por você estar naquela festa”, digo, desesperada para que ele entenda o tamanho da minha gratidão. Eu estremeço ao lembrar dos dedos de Dan subindo pela minha coxa. “Se você não tivesse aparecido, só Deus sabe o que eles poderiam ter feito comigo…” “Ei”, ele me interrompe com delicadeza. “Eu cheguei antes que qualquer coisa pudesse acontecer, Tessa. Tenta não pensar nisso. E você definitivamente não precisa me agradecer por nada.” “Preciso, sim! E estou muito magoada com o que a Steph fez. Nunca fiz nada de mal com ela, nemcom nenhum de vocês…” “Por favor, não me inclui entre eles”, Zed diz, claramente um pouco ofendido. “Não, não, me desculpa. Não quis dizer que você estava envolvido. Só quis me referir ao seu grupo de amigos.” Eu me desculpo por meus lábios se moverem antes de minha mente aprovar as palavras. “Tudo bem”, ele diz. “De qualquer forma, não somos mais um grupo. Tristan vai para New Orleans daqui a alguns dias, e eu não vi Steph no campus esta semana.” “Ah…”, faço uma pausa e olho ao redor do quarto onde estou hospedada nessa casa enorme e meio desconhecida. “Zed, me desculpa também por ter acusado você de enviar a mensagem de texto pelo telefone do Hardin. A Steph confessou que foi ela durante o… incidente com o Dan.” Sorrio para tentar afastar o tremor que o nome dessa pessoa me causa. Ele solta um suspiro que pode ser também uma risadinha. “Tenho que admitir que eu parecia o maior suspeito de ter feito aquilo”, ele responde com gentileza. “E aí… como estão as coisas?” “Seattle é… diferente”, respondo.

“Você está em Seattle? Pensei que talvez, como o Hardin estava na casa da sua mãe…” “Não, estou aqui.” Eu o interrompo antes que ele me diga que também esperava que eu não viesse por causa de Hardin. “Você fez novos amigos?” “O que você acha?” Sorrio e estendo o braço para pegar meu copo de água pela metade. “Vai fazer em breve.” Ele ri e eu também. “Duvido.” Penso nas duas mulheres que estavam fofocando na sala na Vance. Todas as vezes que as vi esta semana, elas pareciam estar rindo e não consegui me livrar da sensação de que era de mim. “Me desculpa por ter demorado tanto para ligar.” “Tessa, está tudo bem, pare de se desculpar. Você pede desculpas demais.” “Desculpa”, digo e bato a palma da mão de leve na testa. Primeiro Robert e agora Zed disseram que me desculpo demais. Talvez eles estejam certos. “Você acha que vem nos visitar logo? Ou ainda… não podemos ser amigos?”, ele pergunta com delicadeza. “Podemos ser amigos”, digo. “Mas não faço ideia de quando vou poder ir até aí.” Na verdade, eu queria voltar para casa neste fim de semana. Sinto saudade de Hardin e das ruas menos movimentadas do leste. Mas espera… por que acabei de dizer “casa”? Eu morei lá só seis meses. E então eu me dou conta: Hardin. É por causa de Hardin. Onde ele estiver é a minha casa. “Ah, que pena. Talvez eu viaje para Seattle em breve.

Tenho alguns amigos aí”, Zed diz. “Tudo bem?” Ele pergunta depois de alguns segundos. “Claro que sim.” “Legal.” Ele ri. “Vou para a Flórida para ver meus pais este fim de semana. Aliás, estou atrasado para o meu voo… mas quem sabe no próximo fim de semana.” “Claro. É só me avisar. Divirta-se na Flórida”, digo um pouco antes de desligar. Coloco o telefone em cima de minha pilha de anotações e poucos segundos depois ele vibra. O nome de Hardin aparece na tela e, respirando fundo e ignorando o frio na barriga, atendo. “O que você está fazendo?”, ele pergunta imediatamente. “Hã… Nada.” “Onde você está?” “Na casa da Kim e do Christian. Onde você está?”, respondo com sarcasmo. “Em casa”, ele diz de modo casual. “Onde mais estaria?” “Não sei… na academia?” Hardin tem ido sempre à academia, todos os dias, a semana toda. “Acabei de voltar de lá. Agora estou em casa.” “Como foi, Capitão Brevidade?” “O mesmo de sempre”, ele responde de modo seco. “Aconteceu alguma coisa?”, pergunto. “Não. Tudo bem. Como foi o seu dia?” Ele muda de assunto depressa, e me pergunto por quê, mas não quero pressioná-lo, ainda mais porque já me sinto culpada por ter ligado para Zed.

“Foi bom. Longo, acho. Ainda não gosto da aula de ciência política”, resmungo. “Eu já disse para você desistir. Pode escolher outra aula para sua eletiva de ciência social.” Eu me deito de costas na cama. “Eu sei… Vou ficar bem.” “Vai ficar em casa hoje à noite?”, ele pergunta, e o alerta está claro em sua voz. “Vou, já estou de pijama.” “Que bom”, ele diz, e reviro os olhos. “Telefonei para o Zed há alguns minutos”, digo. Melhor acabar logo com isso. A linha fica em silêncio, e eu espero pacientemente até que a respiração de Hardin se acalme. “Você o quê?”, ele esbraveja. “Liguei para agradecer por… pelo fim de semana passado.” “Mas por quê? Pensei que nós estivéssemos…” Percebo que ele não está conseguindo controlar a raiva e respira pesado ao telefone. “Tessa, pensei que estivéssemos tentando resolver nossos problemas.” “E estamos, mas eu devia isso ao Zed. Se ele não tivesse aparecido quando apareceu…” “Eu sei!”, ele grita, como se estivesse tentando evitar um assunto. Não quero brigar, mas não posso esperar que as coisas mudem se esconder as coisas dele. “Ele disse que estava pensando em fazer uma visita”, digo. “Ele não vai aí. Fim de papo.” “Hardin…” “Tessa, não. Ele não vai.

Estou fazendo o melhor que posso, tá? Estou me esforçando pra cacete para não perder a cabeça, então o mínimo que você pode fazer é colaborar.” Solto um suspiro, derrotada. “Está bem.” Passar um tempo com Zed não vai ser bom para ninguém, nem mesmo para o Zed. Não posso iludilo de novo. Não é justo com ele, e acho que nós dois nunca vamos conseguir ter uma relação estritamente platônica, não na opinião de Hardin, nem na de Zed. “Obrigado. Seria bom se fosse sempre fácil assim fazer você obedecer…” O quê? “Eu nunca vou simplesmente obedecer, Hardin, isso é…” “Calma, calma, estou só te provocando. Não precisa ficar toda nervosinha”, ele diz depressa. “Tem mais alguma coisa que preciso saber, já que você começou?” “Não.” “Ótimo. Então me conta o que está acontecendo naquela rádio de merda pela qual você está obcecada.” E quando começo a contar sobre uma mulher que estava à procura de seu antigo amor de colégio enquanto estava grávida de seu vizinho, os detalhes engraçados da história e o escândalo que se seguiu, eu me animo e dou risada. Quando começo a contar sobre o gato, Mazzy, estou rindo histericamente. Digo que deve ser difícil estar apaixonada por um homem e grávida de outro, e ele não concorda. Claro, ele acha que o homem e a mulher causaram o escândalo porque quiseram, e faz piada por eu ter ficado tão envolvida com essas histórias do rádio. Hardin ri enquanto vou contando a história, e eu fecho os olhos e finjo que ele está do meu lado. 2 HARDIN “Desculpa!”, Richard diz com a respiração ofegante. Uma camada de suor cobre seu corpo enquanto ele limpa o vômito que escorre do queixo. Eu me recosto no batente da porta e penso se devo ou não sair e deixar ele dar um jeito em sua própria sujeira. Ele está assim o dia todo: vomita, treme, sua, geme. “Isso vai sair de meu organismo logo…” Ele se debruça sobre o vaso sanitário e vomita mais, como um gêiser. Ótimo. Pelo menos, ele chegou ao vaso dessa vez. “Espero que sim”, eu digo e saio do banheiro.

Abro a janela da cozinha para o vento frio entrar e pego um copo limpo do armário. A pia range quando abro a torneira para encher o copo e balanço a cabeça. O que diabos devo fazer com ele? Ele está se desintoxicando no banheiro inteiro. Suspirando pela última vez, pego um copo de água e um pacote de bolacha de água e sal, levo para o banheiro e coloco na borda da pia. Dou um tapa em seu ombro. “Come isso.” Ele faz que sim com a cabeça, concordando — ou por causa dos tremores da abstinência. Sua pele está tão pálida e suada que me faz lembrar de argila. Não acho que comer biscoitos vá ajudá-lo, mas não custa tentar. “Obrigado”, ele resmunga por fim, e eu o deixo sozinho de novo para vomitar em todo o meu banheiro. Esse quarto — meu quarto — não é o mesmo sem ela. A cama nunca está bem arrumada quando eu me deito à noite. Já tentei enfiar as pontas do lençol embaixo do colchão como Tessa faz, mas simplesmente não consigo. Minhas roupas, limpas e sujas, estão espalhadas pelo chão, garrafas de água e latas de refrigerante vazias enchem as mesas de cabeceira, e está frio. O aquecedor está ligado, mas o quarto está… frio. Mando uma última mensagem de texto para desejar boa noite à Tessa e fecho os olhos, rezando para dormir e não sonhar… pelo menos uma vez. “Tessa?” Eu chamo do corredor, anunciando que estou em casa. O apartamento está silencioso; há apenas sons suaves no ar. Tessa está no telefone com alguém? “Tessa!” Eu chamo de novo e giro a maçaneta do quarto. A cena diante de mim faz com que eu fique paralisado. Tessa está deitada no edredom branco, os cabelos loiros grudados em sua testa por causa do suor, os dedos de uma das mãos segurando a cabeceira da cama e a outra segurando cabelos castanhos. Enquanto ela mexe o quadril, sinto o sangue nas minhas veias gelar. A cabeça de Zed está enfiada entre suas pernas de pele macia. As mãos dele percorrem seu corpo. Eu tento me movimentar na direção deles para agarrá-lo pelo pescoço e jogá-lo contra a parede, mas meus pés ficam presos no chão.

Tento gritar com eles, mas minha boca se recusa a abrir. “Ah, Zed”, Tessa geme. Cubro os ouvidos com as mãos, mas não adianta — a voz dela vai diretamente para o meu cérebro; não tenho como escapar. “Você é tão linda”, ele diz, e ela geme de novo. Uma de suas mãos sobe até os seios dela, e ele a acaricia enquanto a chupa. Estou paralisado. Eles não me veem; nem sequer se deram conta de que estou no quarto. Tessa diz o nome dele mais uma vez, e quando tira a cabeça do meio de suas coxas ele finalmente me vê. Fica olhando para mim enquanto sua língua percorre o corpo dela até o queixo, mordiscando por todo o caminho. Não consigo parar de olhar para os corpos nus deles, e minhas entranhas foram arrancadas do meu corpo e jogadas no piso frio. Não suporto ver isso, mas sou forçado a olhar mesmo assim. “Amo você”, ele diz para ela enquanto sorri para mim. “Também amo você”, Tessa geme. Ela desce as unhas pelas costas tatuadas dele enquanto ele a penetra. Por fim, minha voz sai e eu grito, silenciando os gemidos deles. “Puta que pariu!”, eu grito e pego o copo no criado-mudo. Ele se arrebenta quando o jogo contra a parede. 3 HARDIN Estou andando de um lado para o outro, meus dedos furiosos agarrando meus cabelos molhados de suor, todas as roupas e todos os livros nos quais estou pisando vividamente registrados nas solas de meus pés descalços. “Hardin, você está bem?” A voz de Tessa está cheia de sono. Ainda bem que ela atendeu. Preciso dela aqui comigo, mesmo que seja por telefone. “Eu… eu não sei”, resmungo. “O que foi?” “Você está na cama?”, pergunto a ela. “Sim, são três da madrugada. Onde mais eu estaria? O que aconteceu, Hardin?” “Não consigo dormir, só isso”, admito, olhando para a escuridão do nosso, do meu quarto.

“Ah…” Ela suspira aliviada. “Por um segundo fiquei preocupada.” “Você falou com o Zed de novo?”, pergunto. “O quê? Não, não falo com ele desde que contei para você que ele queria me visitar.” “Liga para ele e diz que ele não pode ir.” Eu pareço um maluco, mas não estou nem aí. “Não vou ligar para ele a essa hora, o que deu em você?” Ela está tão na defensiva… mas acho que não posso culpá-la. “Nada, Tessa. Deixa pra lá”, respondo suspirando. “Hardin, o que está acontecendo?”, ela pergunta, claramente preocupada. “Nada, é só que… nada”. Desligo o telefone e aperto o botão até a tela se apagar. 4 TESSA “Você não vai passar o dia inteiro de pijama de novo, vai?”, Kimberly pergunta na manhã seguinte quando me vê sentada na bancada da cozinha. Enfio uma colher de granola na boca para não ter que responder. Porque é exatamente o que pretendo fazer hoje. Não consegui dormir direito depois do telefonema de Hardin. Desde então, ele me mandou algumas mensagens de texto, nenhuma delas mencionando seu comportamento estranho de ontem à noite. Quero ligar para ele, mas ele desligou tão depressa que talvez seja melhor não ligar. Além disso, não dei muita atenção a Kimberly desde que cheguei. Passei a maior parte do meu tempo livre conversando com Hardin ao telefone ou fazendo minhas tarefas das aulas novas. O mínimo que posso fazer é conversar com ela durante o café da manhã. “Você nunca veste roupas”, Smith se intromete, e quase cuspo a granola na mesa. “Visto, sim”, respondo, com a boca ainda cheia. “Você tem razão, Smith, ela nunca veste roupas”, Kimberly ri, e eu reviro os olhos para ela. Nesse momento, Christian entra na cozinha e dá um beijo na testa dela.

Smith sorri para o pai e para a futura madrasta antes de olhar para mim de novo. “Pijamas são mais confortáveis”, digo a ele, que faz que sim com a cabeça, concordando. Ele olha para baixo, para seu pijama do Homem-Aranha. “Você gosta do Homem-Aranha?”, pergunto, querendo começar uma conversa que não seja sobre mim. Ele pega a torrada com os dedinhos. “Não.” “Não? Mas você está usando um pijama dele”, respondo e aponto para sua roupa. “Foi ela que comprou.” Ele inclina a cabeça na direção de Kim. E então sussurra: “Não conta para ela que eu odeio o Homem-Aranha; ela vai chorar”. Dou risada. Smith tem cinco anos, mas parece ter vinte. “Não vou contar”, prometo a ele, e terminamos de comer num silêncio confortável. 5 HARDIN Landon sacode a água de seu chapéu, que pinga no chão, e encosta o guarda-chuva fechado contra a parede de modo exagerado e teatral. Ele quer que eu veja que ele está fazendo um grande “esforço” para me ajudar. “Bom, o que era tão urgente para eu ter que vir aqui debaixo dessa chuva congelante?”, ele pergunta, meio engraçadinho, meio preocupado. Olhando para o meu peito nu, ele diz: “Estou curioso para saber o motivo de eu ter vestido roupas para vir socorrer você. O que foi?”. Faço um gesto na direção de Richard, que está deitado no sofá, adormecido. “Ele.” Landon se inclina para olhar por trás de mim. “Quem é esse?”, ele pergunta. E então, endireitando-se, olha para mim boquiaberto. “Espera… É o pai da Tessa?” Reviro os olhos diante da pergunta. “Não, é só outro desabrigado fodido que eu deixei dormir no meu sofá.

É o que todos os hipsters estão fazendo hoje em dia.” Ele ignora meu sarcasmo. “Por que ele está aqui? A Tessa sabe?” “Sim, ela sabe. Mas ela não sabe que ele está em crise de abstinência há cinco dias, vomitando na casa inteira.” Richard resmunga enquanto dorme e pego Landon pela manga de sua camisa xadrez e o puxo emdireção ao corredor. Essa situação claramente está fora da alçada do meu irmão postiço. “Abstinência?”, ele pergunta. “De quê? De drogas?” “É, e de álcool.” Ele parece refletir sobre isso por um segundo. “Ele ainda não encontrou a sua bebida?”, ele pergunta e então ergue uma sobrancelha para mim. “Ou ele já tomou tudo?” “Não tenho mais bebida nenhuma aqui, idiota.” Ele espia o homem adormecido no meu sofá. “Ainda não entendi onde eu me encaixo nisso.” “Você vai ser a babá dele”, eu digo e ele imediatamente dá um passo para trás. “Nem pensar!”, ele tenta sussurrar, mas sua voz sai mais parecida com um grito abafado. “Relaxa”, digo e dou um tapinha em seu ombro. “É só por uma noite.” “Pode esquecer, não vou ficar aqui com ele. Eu nem conheço o cara!” “Nem eu.” “Você conhece melhor do que eu; ele seria seu sogro um dia se você não fosse tão babaca.” As palavras de Landon me atingem com mais força do que deveriam. Sogro? O título parece esquisito quando o repito em minha mente… enquanto olho para o homem nojento em meu sofá. “Quero vê-la”, peço. “Quem… a Tess?” “Sim, a Tes-sa”, eu o corrijo. “Quem mais?” Landon começa a brincar com os dedos como uma criança nervosa.

“Bem, por que ela não vem para cá? Não acho que seja uma boa ideia eu ficar com ele.” “Deixa de ser medroso, ele não é perigoso nem nada do tipo”, digo. “É só não deixar ele sair do apartamento. Tem bastante comida e água aqui.” “Parece até que você está falando sobre um cachorro…”, Landon comenta. Esfrego as têmporas irritado. “O cara está mais ou menos nesse nível. Vai me ajudar ou não?” Ele olha para mim, furioso, e eu acrescento: “Pela Tessa?”. É um golpe baixo, mas sei que vai funcionar. Depois de um segundo ele se rende e concorda. “Só uma noite”, ele diz, e eu me viro de costas para esconder meu sorriso. Não sei como Tessa vai reagir ao fato de eu ignorar nosso acordo de dar um “tempo”, mas é só uma noite. Uma noite com ela é tudo de que preciso agora. Preciso dela. Telefonemas e mensagens de texto são suficientes durante a semana, mas depois do pesadelo que tive, preciso vê-la mais do que tudo. Preciso ver com os meus próprios olhos que seu corpo não tem marcas feitas por ninguémalém de mim. “Ela sabe que você vai?”, Landon me pergunta enquanto me segue até o meu quarto, onde procuro uma camiseta no chão para cobrir meu peito nu. “Ela vai saber quando eu chegar, não vai?” “Ela me contou sobre vocês dois ao telefone.” Contou? É muito estranho ela ter feito isso. “Por que ela contaria para você do nosso sexo por telefone…?”, pergunto. Landon arregala os olhos. “Opa! O quê? O quê! Eu não… Ai, meu Deus”, ele exclama. Ele tenta tapar os ouvidos, mas é tarde demais. Seu rosto fica vermelho, e minha risada toma conta do quarto. “Você precisa ser mais específico quando estiver falando sobre Tessa e eu, não aprendeu isso ainda?”, sorrio, lembrando dos gemidos dela ao telefone.

“Parece que preciso, mesmo.” Ele resmunga e se recompõe. “Eu quis dizer que vocês têmconversado muito ao telefone.” “E…?” “Ela parece feliz para você?” Meu sorriso desaparece. “Por que está perguntando?” O rosto dele é tomado pela preocupação. “Estava só pensando. Estou um pouco preocupado. Ela não parece tão animada e feliz em Seattle como pensei que ficaria.” “Não sei.” Esfrego a mão na nuca. “Ela não parece feliz, é verdade, mas não sei se é porque eu sou um babaca ou porque ela não está gostando de Seattle tanto quanto pensou”, respondo comsinceridade. “Espero que seja a primeira opção. Quero que ela seja feliz lá”, Landon diz. “Eu também, mais ou menos”, digo. Landon chuta uma calça jeans preta que estava embaixo de seus pés. “Ei, eu ia usar essa calça”, digo e me abaixo para pegá-la. “Você não tem roupas limpas?” “Não no momento.” “Você lavou alguma roupa desde que ela foi embora?” “Lavei…”, minto. “Sei.” Ele aponta a mancha na minha camiseta preta. Mostarda, talvez? “Merda.” Tiro a camiseta e a jogo no chão. “Não tenho nada para vestir.” Abro a gaveta de baixo da cômoda e respiro aliviado ao ver uma pilha de camisetas pretas limpas no fundo. “E isso aqui?”, Landon aponta para um jeans azul-escuro pendurado no armário.

“Não.” “Por que não? Você nunca usa nada além de calça jeans preta.” “Exatamente”, respondo. “Bom, a única calça que você parece ter para vestir está suja, então…” “Eu tenho cinco calças”, eu o corrijo. “Acontece que são todas do mesmo modelo.” Bufando, eu enfio a mão no armário e tiro uma calça azul do cabide. Odeio essas merdas. Minha mãe comprou para mim no Natal e eu jurei que nunca ia usar, mas aqui estou eu. Em nome do amor verdadeiro, ou coisa do tipo. Ela provavelmente não acreditaria. “Elas estão um pouco… apertadas.” Landon morde o lábio inferior para não rir. “Vá a merda.” Digo e mostro o dedo do meio enquanto termino de enfiar as coisas na mochila. Vinte minutos depois, voltamos para a sala de estar, Richard ainda está dormindo, Landon ainda está fazendo comentários idiotas sobre a minha calça justa, e eu estou pronto para ir ver Tessa em Seattle. “O que devo dizer quando ele acordar?”, ele pergunta. “O que você quiser. Seria bem engraçado se você zoasse a cara dele por um tempo. Podia fingir que é eu ou que não sabe por que ele está aqui.” Dou risada. “Ele ficaria muito confuso.” Landon não acha graça da minha ideia e basicamente me empurra porta afora. “Dirige com cuidado, as estradas estão escorregadias”, ele avisa. “Beleza.” Jogo a bolsa por cima do ombro e saio antes que ele possa fazer mais algum comentário babaca.

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