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[Senhores do Submundo 02] – O beijo mais sombrio – Gena Showalter

ERA CONHECIDO COMO o Senhor das Trevas. Malach ha-Maet. Yama. Azreal. O Andarilho das Sombras. Mairya. Rei dos Mortos. Ele era tudo isso e muito mais, pois era um dos Senhores do Mundo Subterrâneo. Muito tempo atrás, ele abrira dimOuniak, uma poderosa caixa feita dos ossos de uma deusa, libertando uma horda de demônios sobre o mundo. Como punição, ele e os guerreiros que o haviamajudado foram forçados a abrigar os demônios dentro de si, fundindo a luz e a escuridão, a ordem e o caos, até mal serem capazes de manter qualquer vestígio dos guerreiros disciplinados de outrora. Como fora ele a abrir a caixa, recebera o demônio da Morte. Supunha ser uma troca justa, já que seus atos quase causaram o fim do mundo. Agora, tinha a responsabilidade de coletar almas humanas e escoltá-las até o local de seu repouso final. Mesmo se opondo à ideia. Não gostava de tirar inocentes de suas famílias, não tinha prazer ementregar os perversos ao seu castigo. Porém, fazia as duas coisas sem questionar ou hesitar. Logo aprendera que a resistência trazia algo muito pior do que a morte até sua porta. A resistência lhe trazia uma agonia tão completa, tão implacável, que até mesmo os deuses tremiam ante a noção. Sua obediência significava que ele era bondoso? Atencioso? Caridoso? Não. Ah, não. Não podia se dar ao luxo de emoções mais brandas. Amor, compaixão e piedade eram inimigos de sua obrigação. Mas raiva? Fúria? Essas ele, às vezes, aceitava. Pobre daquele que testasse seus limites, pois o homem se tornaria um demônio por completo. Uma fera.


Uma entidade sinistra que não hesitaria em fechar os dedos ao redor de um coração humano e apertá-lo. Apertá-lo tanto que o humano ficaria sem fôlego e imploraria o doce beijo do sono eterno que só ele era capaz de oferecer. Ah, sim. O homem exercia muito pouco controle sobre o demônio. E, se uma pessoa não tivesse cuidado, eles poderiam ir buscá-la… Capítulo Um ANYA, DEUSA DA Anarquia, filha de Disnomia e propagadora da desordem, estava postada à margem de uma pista de dança lotada. Todas as dançarinas eram humanas, lindas, e estavam seminuas, escolhidas especificamente pelos Senhores do Mundo Subterrâneo para ser a diversão da noite. Tanto na vertical quanto na horizontal. Ligeiras colunas de fumaça as envolviam numa névoa de sonhos, e a luz das estrelas parecia dardejar do globo giratório, iluminando tudo no interior da boate escura em círculos lentos e amplos. De esguelha, ela vislumbrou o cintilante traseiro musculoso de um imortal arremetendo para frente, para trás, para frente, no íntimo de uma mulher extasiada. É o meu tipo de festa, pensou, com um sorriso malicioso. Não que a tivessem convidado. Como se alguma coisa pudesse ter me impedido de vir. Os Senhores do Mundo Subterrâneo eram deliciosos guerreiros imortais, possuídos pelos espíritos demoníacos que outrora haviam residido no interior da caixa de Pandora. E agora, com algumas rodadas de bebida pesada e sexo ainda mais pesado, estavam se despedindo de Budapeste, a cidade que tinham chamado de lar durante centenas de anos. Anya queria tomar parte na comemoração. Com um dos guerreiros em especial. — Afastem-se — sussurrou, lutando contra a compulsão inerente de, em vez disso, gritar “Fogo” e observar as humanas saírem correndo em pânico, gritando histericamente. Que a farra comece. Uma batida irregular de rock, que parecia acompanhar o pulso errático de seu coração, vinha dos alto-falantes, impossibilitando que a escutassem. Mas, de qualquer modo, eles obedeceram, compelidos a um nível que provavelmente não conseguiam entender. Um caminho se abriu, lentamente… tão lentamente… Por fim, avistou seu objeto de fascínio. Um suspiro cálido ficou preso em seus pulmões, e ela estremeceu. Lucien. Deliciosamente marcado, irresistivelmente estoico e possuído pelo espírito da Morte. Naquele instante, estava sentado a uma mesa nos fundos, com uma expressão impassível no rosto ao olhar para Reyes, seu amigo e companheiro imortal.

O que estariam dizendo? Se Lucien queria que o guardião da Dor lhe providenciasse uma daquelas mulheres mortais, uma falsa declaração de “fogo” seria o menor dos problemas deles. Cerrando os dentes, Anya inclinou a cabeça para o lado, concentrou-se neles, descartando todo o barulho ao seu redor, e escutou. — …ela estava certa. Verifiquei as fotos de satélite no computador de Torin. Aqueles templos estão se erguendo do mar. — Reyes bebeu o conteúdo do frasco de prata que estava em suas mãos. — Um está na Grécia, o outro, em Roma, e, se continuarem se erguendo tão rapidamente, estarão altos o suficiente para serem explorados amanhã. — Por que os humanos não sabem sobre eles? — Lucien esfregou o queixo com dois dedos fortes, um hábito que tinha. — Paris tem acompanhado os noticiários e não viu nada. Nem mesmo especulação. Bobinho, ela pensou, aliviada ao descobrir que sexo não era o assunto da noite. Vocês só sabem a respeito deles porque eu quis que soubessem. Ninguém mais poderia vê-los. Ela se certificara disso com uma deliciosa coisinha chamada caos, sua mais poderosa fonte de poder, escondendo os templos com tempestades para manter os humanos afastados, enquanto fornecia aos Senhores informação suficiente para atraí-los para fora de Budapeste. Ela queria Lucien fora de Budapeste e fora de sua zona de conforto. Só por um tempinho. Umhomem desconcertado era mais fácil de controlar. Reyes suspirou. — Talvez os novos deuses sejam responsáveis. Na maior parte do tempo, estou certo de que nos odeiam e querem nos destruir, só por sermos, em parte, demônios. A expressão de Lucien permaneceu impassível. — Não importa quem é o responsável. Como planejado, viajaremos pela manhã. Minhas mãos estão coçando para vasculhar um daqueles templos. Reyes colocou o frasco sobre a mesa.

Seus dedos se enroscaram ao redor da parte superior de uma das cadeiras, com as juntas lentamente perdendo a cor. — Se tivermos sorte, encontraremos aquela maldita caixa enquanto estivermos lá. Anya passou a língua pelos dentes. A maldita caixa, também conhecida como dimOuniak, a caixa de Pandora. Feita dos ossos da deusa da Opressão, a caixa era poderosa o suficiente para abrigar demônios tão vis que nem mesmo o inferno havia sido capaz de contê-los. Também era poderosa o bastante para arrancar os mesmos demônios dos Senhores do Mundo Subterrâneo, seus outrora relutantes hospedeiros. Agora, esses guerreiros maravilhosamente agressivos dependiam das bestas para a própria sobrevivência e, desnecessário dizer, queriam a caixa para si. Mais uma vez, Lucien assentiu. — Não pense nisso agora. Haverá tempo de sobra para isso amanhã. Vá aproveitar o resto de sua noite. Não desperdice mais um instante que seja na minha presença entediante. Entediante? Rá! Anya jamais conhecera alguém que a empolgasse mais. Reyes hesitou antes de se afastar lentamente, deixando Lucien sozinho. Nenhuma das mulheres humanas se aproximava dele. Olhar para ele, sim. Fazer cara feia só de ver as cicatrizes dele, semdúvida. Mas nenhuma delas queria nada com ele, e foi o que lhes salvou a vida. Ele já tem dona, safadas. — Perceba-me — Anya ordenou suavemente. Um instante se passou. Ele não obedeceu. Vários humanos lançaram olhares na direção dela, obedecendo-lhe o comando, mas o olhar de Lucien estava fixo no frasco vazio diante dele e ali permaneceu, tornando-se um pouco melancólico. Muito para o desgosto dela, imortais eram imunes aos seus comandos. Uma cortesia dos deuses.

— Desgraçados — resmungou. Eles não perdiam a chance de impor-lhe quaisquer restrições que pudessem. — Qualquer coisa para atrapalhar a inferior Anarquia. Anya jamais fora favorecida durante seus dias no monte Olimpo. As deusas nunca gostaram dela por presumir que não passava de uma cópia da “meretriz de sua mãe”, e que se engraçaria para o lado dos maridos delas. Da mesma maneira e pela mesma razão, os deuses jamais a haviamrespeitado. Contudo, os homens, de fato, a haviam desejado. Bem, ao menos até ela lhes matar o precioso capitão da guarda, e eles passarem a considerá-la selvagem demais. Idiotas. O capitão merecera o que ela fizera. Diabos, merecera muito mais. O bostinha tentara estuprá-la. Se ele a tivesse deixado em paz, ela o teria deixado em paz. Mas nããão. Não se arrependia de ter lhe arrancado o coração negro do peito, não se arrependia de ter fincado o coração em uma lança diante do templo de Afrodite. Nem um pouquinho. Liberdade de escolha era algo muito precioso, e qualquer um que tentasse privá-la disso sentiria o corte de suas adagas. Escolha. A palavra ecoou em sua mente, trazendo-a de volta ao presente. O que diabos seria necessário para convencer Lucien a escolhê-la? — Lucien, perceba-me. Por favor. Mais uma vez, ele a ignorou. Ela bateu o pé. Por semanas, se envolvera na invisibilidade, seguindo Lucien, observando-o, estudando-o. E, sim, desejando-o.

Ele não fazia ideia de que ela estava por perto, mesmo quando ela desejou que ele fizesse coisas picantes: despir-se, dar prazer a si mesmo… sorrir. Certo, não havia nada de safado na última coisa. Mas ela quisera ver o rosto lindamente imperfeito dele se iluminar com humor quase tanto quanto quisera lhe ver o corpo nu reluzindo de excitação. Mas ele lhe concedera até mesmo esse pedido inocente? Não! Parte de si desejava jamais tê-lo visto, jamais haver permitido que Cronos, o novo rei dos deuses, a intrigasse com histórias sobre os Senhores do Mundo Subterrâneo, alguns meses atrás. Talvez, seja eu a idiota. Cronos havia acabado de escapar do Tártaro, uma prisão para imortais e um lugar que ela conhecia muito bem. Ele aprisionara Zeus e seus comparsas ali, assim como os pais de Anya. Quando Anya retornara para resgatá-los, encontrara Cronos esperando por ela. Ele exigira o maior tesouro de Anya. Ela recusara, claro, então, ele tentara assustá-la. Dê-me o que quero, ou enviarei os Senhores do Mundo Subterrâneo atrás de você. Eles são possuídos por demônios, tão sanguinários quanto animais famintos, e não hesitarão em arrancar a sua adorável pele dos ossos. Blablablá. Sei lá o que mais. Longe de assustá-la, essas palavras só haviam despertado sua empolgação. Ela acabara procurando os guerreiros por conta própria. Pensara em derrotá-los e rir na cara de Cronos, algo do tipo: veja só o que fiz com os seus demônios assustadores. Contudo, bastou um olhar na direção de Lucien para ela logo ficar obcecada. Esquecera-se de seus motivos para estar lá, e até auxiliara os supostamente malignos guerreiros. Mas as contradições a atraíam, e Lucien tinha muitas. Ele exibia cicatrizes de seu sofrimento, mas não fora vencido, era gentil, porém inflexível. Era um imortal calmo, que seguia as regras, e não sanguinário como Cronos alegara. Era possuído por um espírito maligno e, contudo, jamais se desviava de seu próprio código de honra. Lidava com a morte todos os dias, todas as noites e, no entanto, lutava para viver. Fascinante.

Como se isso não bastasse para lhe despertar o interesse, a fragrância floral do homem a enchia de pensamentos pecaminosos cada vez que se aproximava dele. Por quê? Qualquer outro homem que cheirasse a rosas a teria feito rir. Com Lucien, sua boca aguava de vontade de prová-lo, e sua pele formigava ardentemente, desesperada pelo seu toque. Mesmo naquele instante, apenas olhando para ele e imaginando aquele perfume flutuando até o seu nariz, ela precisou esfregar os braços para se livrar dos arrepios. Mas então pensou nele esfregandoa, e os deliciosos arrepios se recusaram a ir embora. Deuses, como ele era sensual! Tinha os olhos mais loucos que ela já vira. Um deles era azul, o outro, castanho, e ambos impregnados com a essência do homem e do demônio. E as cicatrizes… Tudo em que ela conseguia pensar, com o que conseguia sonhar, que conseguia desejar, era lambêlas. Eram lindas, uma evidência de toda a dor e sofrimento a que ele já sobrevivera. — Ei, linda. Dance comigo — disse um dos guerreiros subitamente ao seu lado. Paris, ela se deu conta, reconhecendo a promessa de sensualidade na voz dele. Devia ter terminado com aquela humana junto à parede e, agora, estava procurando outra gostosona com quemse saciar. Teria que continuar procurando. — Vá embora. Sem se deixar afetar pela sua falta de interesse, ele lhe agarrou o pulso. — Prometo que você vai gostar. Ela o afastou com um rápido movimento do pulso. Possuído pela Luxúria, Paris era abençoado com uma pele clara, quase reluzente, olhos azuis cheios de eletricidade e o tipo de rosto que fazia os anjos cantarem aleluia, mas ele não era Lucien e não despertava o menor interesse nela. — Guarde suas mãos para si mesmo — resmungou —, antes que eu as corte fora. Ele riu, como se ela estivesse brincando, sem saber que faria exatamente aquilo, e muito mais. Sua especialidade podia ser a desordem insignificante, contudo, jamais fazia uma ameaça que não tivesse a intenção de cumprir. Isso era sinal de fraqueza e, havia muito, Anya jurara jamais deixar transparecer um vestígio sequer de fraqueza. Seus inimigos adorariam explorar aquilo. Por sorte, Paris não voltou a estender as mãos na sua direção.

— Em troca de um beijo, deixarei você fazer o que quiser com minhas mãos — ele disse, com voz rouca. — Neste caso, também cortarei fora o seu pênis. — Ela não gostava de ter seus olhares de cobiça interrompidos, ainda mais considerando que raramente tinha tempo para se perder neles. Ultimamente, passava a maior parte de seu tempo fugindo de Cronos. — Que tal? A risada de Paris ficou mais alta e acabou chamando a atenção de Lucien. O olhar de Lucien se ergueu, pousando sobre Paris, e a seguir, fixando-se em Anya. As pernas dela ficaram bambas. Oh, céus. Paris foi esquecido, enquanto ela se esforçava para respirar. Teria imaginado a chama que subitamente se acendera nos olhos de cores diferentes de Lucien? Teria apenas imaginado o modo como as narinas se inflaram ao notá-la? Agora ou nunca. Lambendo os lábios e sem jamais tirar os olhos dele, ela começou a caminhar, com um sensual rebolado, na direção da mesa dele. Na metade do caminho deteve-se e, curvando o indicador, fez sinal para que Lucien se juntasse a ela. Um instante depois, ele estava de pé diante dela, como se houvesse sido puxado por uma corrente invisível, incapaz de resistir. De perto, ele era 1,98m de músculo e perigo. Pura tentação. Os lábios dela se afastaram num sorriso lento. — Finalmente nos encontramos, Flores. Anya não lhe deu tempo de responder. Roçou o quadril esquerdo de encontro ao volume rijo entre as pernas dele, virando-se eroticamente e oferecendo-lhe uma visão de suas costas. Seu espartilho azul-gelo estava preso por nada além de finas fitas e a força de vontade, e ela sabia que a saia estava tão baixa em sua cintura que não conseguia cobrir o elástico da calcinha. Epa. Homens, mortais ou não, costumavam se derreter só de vislumbrar algo que não deveriam. Lucien sibilou ao inspirar. O sorriso dela se alargou. Ah, doce progresso.

Seus movimentos suaves de modo algum combinavam com o rock agitado, mas ela não interrompeu uma vez sequer o lento rebolado de seu corpo ao erguer as mãos sobre a própria cabeça e passá-las displicentemente pelos espessos cabelos cor de neve, alisando a própria pele, porémimaginando as mãos de Lucien no lugar das suas. Seus mamilos se enrijeceram. — Por que me convocou, mulher?

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